12.12.14

Remember Me - Capítulo 4

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Durante o primeiro dia e a metade do segundo, depois de Demetria ser hospitalizada, Joseph só fora para casa uma vez, tomar um banho de chuveiro e trocar de roupa. Seus pais haviam se oferecido para ficar com ela enquanto ele dormia um pouco, mas recusara. Tinha medo. Medo de que se a deixasse por um minuto que fosse ela desaparecesse de novo. Então, dormira por momentos na poltrona ao lado da cama e enquanto permanecera acordado não conseguira desviar os olhos do rosto da esposa.
Ela parecia a mesma, no entanto havia diferenças que lhe chamavam a atenção. Os cabelos estavam mais curtos do que antes, por exemplo. Tentava imaginar a vida que Demi levara longe dele. Saindo para comprar roupas e mantimentos. Indo cortar o cabelo e assistindo a filmes que a emocionavam até as lágrimas. Parecia-lhe obsceno que ela houvesse permanecido a mesma enquanto ele morria por dentro.
Havia outras diferenças além das óbvias. Ela estava mais magra, pálida. Havia duas leves rugas nos cantos dos lábios e outras entre as sobrancelhas, que não existiam antes. Ela dava impressão de uma mulher que sofrera.
E além do mistério do dinheiro, havia a tatuagem.
Não a tinha descoberto até a manhã anterior quando as enfermeiras tinham ido trocar a roupa de cama e a camisola de Demetria. Quando as moças a rolaram para um lado, a fim de tirar o lençol usado, os cabelos dela haviam pendido para trás, revelando uma pequena tatuagem dourada no lado do pescoço, entre o início do maxilar e o lóbulo da orelha.
— Oh, que coisa estranha!— dissera uma das enfermeiras.
Ao ouvir aquilo Joseph aproximara-se e seu coração dera um salto ao ver a pequena marca. Acompanhou o desenho com a ponta dos dedos, tentando imaginar Demi decidindo tatuar-se. Mas não conseguiu. Sua mulher tinha um medo mortal de agulhas.
— Parece uma cruz, mas não é… — comentara a enfermeira, intrigada. — Já vi esse desenho antes, mas esqueci como se chama.
— É uma ankh — esclarecera Joseph. — O símbolo egípcio da eternidade… acho.
A enfermeira lançou-lhe um olhar curioso, mas não disse nada. O hospital inteiro sabia a historia daquele casal. O rosto do sr. Jonas aparecera na televisão local quase tanto quanto o adorado time de futebol da cidade, o Denver Broncos.
A moça sorriu para Joseph, depois terminou de ajeitar os lençóis.
— Pronto… — Deitou Demetria de novo sobre o travesseiro. — Está tudo limpinho. Mais tarde eu volto para trocar o soro.
Joseph ressentia-se com a piedade que lhe demonstravam tanto quanto se ressentira ao ser injustamente suspeito de assassinato. Ficou satisfeito quando as enfermeiras saíram do quarto. A descoberta da tatuagem era algo estranho e não oferecia resposta ao mistério de onde Demi estivera durante aqueles dois anos. Tudo que ele podia fazer era esperar que ela recuperasse a consciência. Talvez, então, poderia descansar.

(...)

Depois de quase dois dias e meio de chuva ininterrupta, por fim o céu de Denver clareou. As ruas apresentavam o aspecto agradável de recém-lavadas e um pouco de água ainda escoava pelos canos das calhas. O ar da manhã era frisante, com indícios de outono. As folhas das árvores já estavam começando a cair e os picos nevados das montanhas Rochosas eram um aceno constante para o inverno que se aproximava.
Demetria acordou e viu Joseph adormecido na poltrona junto da cama. Ela franziu as sobrancelhas lembrando-se vagamente de um sonho sobre palmerias; um sonho que não tinha sentido. Tornou a fechar os olhos quando a claridade do sol pareceu feri-los.
— Oohh — gemeu.
Joseph acordou no mesmo instante.
— Demetria…
Sentindo a língua grossa, ela engoliu com dificuldade.
— O que aconteceu?
— Você está no hospital — respondeu ele. — Fique deitada. Vou chamar a enfermeira.
— Espere.
Mas ele já saíra. Ela suspirou e olhou o quarto ao redor, tentando reunir os fragmentos das lembranças. Estava chovendo, e esperava que Joseph voltasse para casa. Adormecera e…
A essa altura tudo se tornava escuro. Demetria recomeçou, tentando lembrar-se de fatos mais recentes.
Estivera andando na chuva. Mas onde e por quê? Fechou os olhos, cansada de forçar a mente. De repente viu a si mesma sair correndo de uma casa. Lembrou-se da água espirrando na parte de trás de suas pernas e entrando nos sapatos. Lembrou-se de pegar um táxi e sentir uma onda de alívio ao dar o endereço de sua casa. Então, de novo, tudo se tornava confuso. Lembrava-se de estar entre o tráfego, mas sempre havia muito tráfego em Denver.
E depois? Franziu a testa. Um ônibus? Estremeceu com algo que se agitou num canto de sua memória. Tinha havido um acidente? Lembrou-se de ter se machucado e de logo depois ficar muito molhada. Em seguida, a
ansiedade de chegar em casa e ver Joseph parecia sobrepor-se a tudo mais que podia lembrar-se.
Alguém começou a chamar um médico pelo sistema de alto-falantes do hospital e a concentração dela se desfez. Tentou colocá-la em foco de novo, mas tudo que conseguia lembrar-se era de ter pego a chave extra sob o vaso de gerânios mortos, no pórtico, e entrar em casa.
Respirou com mais profundidade, desta vez lembrando-se do interior de sua casa. O que acontecera depois de entrar? Ah, sim. A área de serviço. Suas roupas estavam ensopadas, então havia ido até a secadora e tirara a calça e a blusa, colocando-as dentro dela. De volta, ao passar pela cozinha, tomara um comprimido para dor de cabeça, depois vestira uma das camisetas de Joseph e fora para a cama.
Inconscientemente, seus dedos se fecharam apertando o lençol, enquanto procurava um caminho através das imagens confusas que pareciam explodir em sua mente.
De súbito, algo quebrou-se no corredor em frente à porta do quarto. Antes que ela conseguisse reconhecer o barulho, a porta briu-se e a silhueta de um homem recortou-se contra a claridade. Por mais que seu coração lhe dissesse que aquele homem devia ser Joseph, o cérebro dela dizia-lhe algo diferente. O impulso de fugir sobrepujou toda precaução quando ela jogou as cobertas de lado e tratou de livrar-se dos terminais das maquinas aplicados em seu corpo.
Joseph precipitou-se, segurando-a no momento em que ia sair da cama.
— Demi, não!
— Largue-me — Ela começou a chorar. — Por favor, deixe-me ir embora. Não quero morrer!
Um arrepio gelado percorreu a espinha de Joseph. O olhar vago de sua esposa era apavorante, mais apavorante do que as marcas de agulhas em seus braços. Ele não conhecia aquela mulher. Quando ela bateu com as costas da mão no rosto dele, Joseph ficou imobilizado pela surpresa e, antes que ele pudesse reagir, o sangue espirrou quando a agulha do soro caiu no chão.
Foi o vermelho do sangue no branco puro da camisola que o fez recuperar-se. Agarrou-a pelos braços e chamou pela enfermeira.
O rosto de Demetria estava contraído pelo medo, enquanto ela se debatia. No instante seguinte o quarto pareceu encher-se de médicos e enfermeiras.
Ele foi levado para o corredor e deixou-se cair na cadeira mais próxima. Inclinou-se para a frente com os cotovelos apoiados nos joelhos, ocultou o rosto com as mãos que tremiam. Sua camisa estava manchada de sangue. Dali ainda podia ouvir Demetria chorando. Um músculo movimentou-se no
alto de suas mandíbulas e em seguida ele respirou fundo. Sentia-se no inferno.
Algum tempo depois, o médico que atendia Demetria aproximou-se e Joseph se levantou.
— Ela está bem?
O dr. Willis assentiu.
— O que foi aquilo? — perguntou Joseph.
— Não sei direito, mas minha impressão é que ela sofreu uma espécie de volta traumática de memória. Aplicamos um calmante, e quando ela estiver fisicamente melhor seria bom que fizesse psicoterapia.
Um psiquiatra?, pensou Joseph. O que mais falta? Ele soltou o ar devagar, contendo-se, e passou os dedos nos cabelos.
— Ela está tendo um colapso nervoso?
O médico sorriu.
— Não sr. Jonas. Não se trata disso. Quando ela se recuperar, veremos do que se lembra e partiremos desse ponto.
Joseph aceitou a explicação, mas havia algo errado naquilo tudo. Demetria desaparecera dois anos atrás. Seu reaparecimento fora tão repentino e inexplicável quanto o desaparecimento. Ele detestava fazer essa pergunta, porque parecia uma traição aos seus sentimentos pela esposa, mas tinha que fazê-la para conseguir um pouco de paz.
— Doutor…
— Pois não?
— Ela poderia estar fingindo ter perdido a memória?
O dr. Willis pensou por instantes, considerando seriamente a pergunta, depois sacudiu a cabeça.
— Poderia ser, mas, na minha opinião, ela não está fingindo.
Joseph assentiu. Não era exatamente o que queria ouvir, mas servia para suavizar parte de suas dúvidas.
— Sr. Jonas, eu sei que é frustrante, mas veja a situação do ponto de vista de sua esposa. Se houvesse algo sinistro no seu desaparecimento, há dois anos, é ela quem está sofrendo mais. Certo?
Depois de dar uns tapinhas consoladores no braço dele, o médico se retirou.
Sentando-se de novo, Joseph inclinou-se e fixou os olhos numa mancha no chão. Tinha a impressão de estar enlouquecendo. Não sabia em quem confiar, nem no que acreditar. Precisava desesperadamente de respostas, mas até que Demi melhorasse não as teria.
— Sr. Jonas…
Ele ergueu a cabeça e deparou com uma enfermeira.
— Sim?
— Sua esposa quer vê-lo.
A hesitação dele ficou evidente enquanto se erguia.
— Está tudo bem — assegurou a moça. — O ferimento na cabeça melhorou bem. Creio que sua senhora está apenas confusa. Não tome isso pessoalmente… O mais estranho é que ela pensa que estamos tendo um terremoto.
Terremoto? Ele lembrou-se de ter ouvido algo a respeito num noticiário.
— Como aplicamos um calmante, ela deve estar meio aturdida. — acrescentou a enfermeira — Caso precise de ajuda, é só apertar o botão de chamada e alguém atendera imediatamente.
Joseph saiu andando para o quarto de Demetria, enquanto a enfermeira caminhava pelo corredor.
Terremoto. Ele não conseguia esquecer-se disso. Era o terceiro indicio a ser acrescentado ao mistério de onde ela teria estado. Primeiro, o dinheiro, depois a tatuagem e agora o terremoto. Empurrou a porta e entrou no quarto. A camisola e os lençóis sujos de sangue haviam sido trocados. A agulha de soro estava de novo enfiada na mão dela. Seus olhos estavam fechados e o rosto era quase tão branco quanto as cobertas que a cobriam até o queixo. Com medo de tocá-la e desencadear um novo ataque de pânico, ele ficou parado, esperando que Demi fizesse algum sinal de permitir que ele se movesse.
Sentindo uma presença no quarto, ela abriu os olhos.
— Joseph?
Com um suspiro, ele aproximou-se dos pés da cama.
— Sim sou eu.
Os grandes olhos castanhos encheram-se de lágrimas.
— Sinto muito… Não sei por que agi daquele modo com você. Sei que parece idiota, mas pensei que estivesse havendo um terremoto… — Ela fez uma pausa, durante a qual seu olhar se tornou longínquo.
— Acho que eu o confundi com outra pessoa.
O coração dele deu um salto.
— Com quem, Demi? Quem você pensou que eu era?
Um longo momento se passou e Demetria franziu a testa, como se fizesse um tremendo esforço.
— Não consigo me lembrar.
De novo um arrepio percorreu a espinha de Joseph. Devia acreditar nela? Soltou a respiração que contivera. O que devia fazer? Demonstrar seu ressentimento? Mas de que adiantaria isso?
— Está tudo bem — disse, por fim.
Demetria sacudiu a cabeça devagar.
— Não. Nada está bem… — Ergueu a mão livre. — Sente-se aqui, perto de mim. Preciso explicar.
Ele sentou-se na poltrona perto da cama.
— Não sei se você deveria estar falando, Demi.
— Sente-se mais perto… por favor.
Joseph passou para a beira da cama.
Lutando contra as lágrimas, Demetria mordeu o lábio inferior na tentativa de que a dor provocada a fizesse controlar-se. Sua linguagem corporal era evidentemente defensiva e não podia censurar o marido por estar ressentido. Mas precisava fazê-lo entender. Suspirou. Entender o quê? Sentia-se perdida na escuridão. Como podia explicar o quê se passava na sua mente se ele lhe dizia que fazia dois anos que ela havia desaparecido de casa?
— Joseph …
— O quê?
— Estive, mesmo, desaparecida por tanto tempo?
Os olhos dele expressaram dor.
— Sim.
Ao perceber que seu queixo tremia, ela mordeu de novo o lábio para não chorar. Estava com medo. Com muito medo. Joseph parecia-lhe tão distante e tão zangado! Dois anos. Meu Deus, onde eu poderia estar? E por que não me lembro?
Procurando recompor-se, respirou fundo.
— Você me odeia?
O peito de Joseph apertou-se.
— Não, Demetria. Não a odeio.
Ela fitou-o intensamente. Aquele rosto querido! Mesmo Joseph estando tão perto dela, a distância entre eles era imensa. Segurando as cobertas com as duas mãos, Demi continuou a encará-lo até que ele desviou os olhos. E quando isso aconteceu, lágrimas desceram pelas faces pálidas dela.
Oh, Deus! Por favor, não deixe que ele se afaste de mim!
Embora tivesse medo de perguntar, havia uma coisa que precisava saber. Tossiu baixinho, procurou abafar as emoções, mas pouco conseguiu.
— Joseph…
Ele olhou-a.
— O quê?
— Você ainda me ama?
Foi evidente o estremecimento que o percorreu quando Joseph levantou-se.
— Eu a amei desde o primeiro dia em que a vi.
As mãos dela apertaram ainda mais as cobertas.
— Por que sinto que existe um “mas” nessa resposta?
Ele hesitou por instantes, então respondeu sem desviar os olhos dos dela.
— Há uma diferença entre amor e confiança, Demetria. Eu ainda a amo, mas acho que não confio mais em você.
Ela apertou os lábios e fechou os olhos. Aquele pesadelo era tão difícil de compreender!
— Sinto muito — murmurou, a voz repassada de lágrimas. — Eu não sei o que dizer para tornar as coisas melhores.
— Para começar, poderia dizer-me onde esteve… o que fez.
Demetria encolheu-se. A voz dele era áspera e a fez sentir uma revolta dolorosa. Teve a impressão de estar sob ameaça e abandonada. Não era justo. Ela conhecia a si mesma bastante bem para saber que jamais teria se separado de Joseph por vontade própria. E se alguém a levara embora, mesmo ela tendo conseguido encontrar o caminho de volta, era possível que tornasse a acontecer.
— Quando eu souber, você também saberá — retrucou, virando o rosto para a parede.
A zanga de Demetria surpreendeu Joseph. E foi nesse momento que sentiu o primeiro sinal de confiança renovada. E se ela estivesse dizendo a verdade? Ele precisava falar com os investigadores para que o acontecimento não fosse conhecido pela imprensa.

Depois do Terremoto: Quarto dia
Mesmo inconsciente e quase morto, Pharaoh Carn ainda se mantinha nas manchetes dos jornais. Das sete vítimas resgatadas dos escombros causados pelo terremoto naquele verão, ele fora o único a sobreviver. Mas o por quê e como ainda estavam por ser ditos. Pharaoh não tinha condições de explicar.
Duke Needham, o segundo homem depois de Pharaoh no comando, estava fora do pais quando acontecera o terremoto e apressara-se freneticamente a voltar de avião para Los Angeles , onde encontrara a mansão em ruínas e a equipe de busca e salvamento ainda tirando vítimas do entulho.
Perdera mais um dia até localizar o hospital para onde Pharaoh havia sido levado. Depois de ir até lá e encontrar o chefe inconsciente, saíra à procura da mulher dele. A não ser as pessoas mais chegadas a Pharaoh, ninguém sabia que essa mulher existia, mas os que sabiam tinham conhecimento que ele passara a maior parte de dois anos tentando conquistar uma mulher que parecia detestar até a sombra dele.
Depois de vários dias de cuidadosa procura, tudo que Duke conseguira saber era que a mulher de Pharaoh não tinha ido para nenhum necrotério .
Se ela sobrevivera e se encontrava em outro hospital ainda estava por ser descoberto. Acontece que não podiam divulgar o nome e dados pessoais dela para saber se alguém sabia de seu paradeiro. Seria como oferecer uma recompensa para que um objeto roubado fosse devolvido ao ladrão. Ele jamais considerara a possibilidade de que a mulher poderia ter escapado ilesa. Não depois de ter visto a casa.
Portanto, Duke esperava, sabendo que o movimento seguinte deveria partir de Pharaoh, pois apenas ele tinha autoridade para dizer o que deveria ser feito. Tudo que podia fazer era economizar seu fôlego para quando fosse preciso agir.
Haveria tempo mais tarde para recuperar o que fora perdido.

(...)

Depois de algumas horas de ter voltado a si, Demi teve uma recuperação notável . Na manhã seguinte deixaram que se sentasse na poltrona ao lado da cama e a tarde, apoiada no braço de Joseph, caminhou um pouco pelo corredor. O delicado queixo erguido de modo desafiador combinava com os cachos negros que lhe emolduravam o rosto, fazendo-a parecer uma criança zangada por causa de uma punição injusta.
— Quero ir embora daqui — reclamou. — Não gosto de ficar sem fazer nada.
Joseph suspirou. Não era a primeira vez que ela dizia isso e, pela expressão de seus olhos, não seria a última. Mas se ele fosse honesto consigo mesmo, teria que admitir que também estava querendo a mesma cosia. No hospital ela estava sob o olhar vigilante do seu médico e das enfermeiras, assim como ele próprio. Quando voltassem para casa teriam sua privacidade de novo. Para dizer a verdade, estava com medo. Como poderia enfrentar normalmente os dias de novo se cada manhã que saísse para o trabalho pensaria se a encontraria em casa ao voltar?
— O medico disse que você precisa ficar aqui mais uma noite. Tenha paciência, Demi. Logo voltará para casa.
Ela se dirigiu para uma das duas cadeiras juntoà janela, colocadas de maneira que era possível ver a cidade lá embaixo, e sentou-se. Não sabia como explicar a ansiedade que a dominava. Desde o momento em que acordara naquele hospital sentia um impulso quase incontrolável de fugir . Por quê? E fugir para onde? Joseph era tudo no mundo para ela. Era tudo que lhe importava. E a pequena casa que tinham alugado ao se casarem era de fato o seu primeiro lar. Amava aquela casa. Amava Joseph. Então, por que o pânico?
— Eu sei, mas…
Ela suspirou e não completou o que ia falar; baixou a cabeça e olhou para as mãos. Estranhou o esmalte vermelho escuro que lhe cobria as unhas. Aquela era uma cor que jamais teria escolhido. Perguntou a si mesma o que mais estaria diferente nela.
— Joseph?
— O quê?
— Eu pareço diferente?
— Como assim?
Demetria franziu as sobrancelhas e piscou para impedir que as lágrimas aumentassem e caíssem. Detestava sentir-se tão desligada de tudo.
— Eu quero dizer, fisicamente. Estou mais gorda ou mais magra? Meu cabelo sempre foi desta cor? Tenho alguma marca, alguma cicatriz que não tinha antes?
Joseph sentou-se ao lado dela e pegou-lhe a mão. Ela parecia tão sincera! Se, pelo menos, ele se atrevesse a acreditar…
— Está mais magra, mas não muito. Seu cabelo agora é mais curto, porém a cor é a mesma.
Ela observava os lábios dele ao falar e, apesar de estar entendendo o que o marido dizia, lembrava-se da sensação que aquela boca despertava no seu corpo. Olhou os dedos dele, entrelaçados com os seus, e teve um estremecimento. As mãos dele. Sempre as mãos de Joseph. Fortes e morenas, tinham calos causados pelo trabalho, no entanto seu toque era suave e derretia seus ossos.
De repente, percebeu que ele não estava mais falando. Ficou vermelha, imaginando há quanto tempo Joseph estaria em silêncio. Ergueu o rosto. Os olhos dele, escuros, espelhavam uma dor secreta. Dor causada por ela. E havia raiva, também. Estremecendo, Demetria desviou o olhar.
Joseph vira as expressões sucedendo-se no rosto dela e soube o momento em que ela pensou em amor. Ele vira aquele olhar muitas vezes e o reconhecia agora. Chocou-o, então, pensar em como as expectativas de vida deles haviam mudado. Demetria pensava em fazer amor, enquanto os pensamentos dele eram de medo e desgosto.
Quando ela virou o rosto, os cabelos movimentaram-se revelando a tatuagem,e Joseph falou sem pensar:
— A tatuagem… o que significa?
Demetria fitou-o como se ele tivesse ficado louco.
— Que tatuagem?
Ele percorreu o pequeno desenho com a ponta de um dedo.
— Aqui, quase atrás de sua orelha.
Um aperto de pânico fez o estômago dela doer e Demetria levou os dedos à tatuagem, para senti-la. Estava pálida e suas mãos tremiam como se alguém lhe tivesse dito que uma aranha estava em eu pescoço.
— Não dá para sentir nada…
Sua voz era apenas um murmúrio e ela se perguntava por que tinha tanta vontade de chorar.
Ele pegou-lhe um dedo e colocou-o bem sobre a marca dourada.
— Aqui…
Os olhos de Demi espelharam choque, tornando-se mais escuros e maiores, enquanto perguntava:
— Como ela é?
Joseph hesitou. Medo era uma reação que ele não esperava. Em seguida perguntou-se o que, afinal esperava.
— É como uma cruz arredondada no alto. É egípcia, eu acho. Chama-se ankh.
Esta é minha marca. Aos olhos do mundo você sempre será minha.
As palavras ecoaram na mente de Demetria.
Ela fechou os olhos.
— Não me toque — sussurrou. — Eu jamais serei sua.
E inclinou-se para a frente, soltando a mão dele.

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Mais um p vcsssssss ♥ Td bem, gente? Eu to mt bem! E feliz com os comentários, vcs são uns amores! Comentem para o próximo! Beijos, amo vcs ♥

11.12.14

Remember Me - Capítulo 3

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O quarto de hospital estava em silêncio, ao contrário do corredor lá fora. De costas para a janela, Joseph olhava para sua esposa. Ela ainda não recuperara os sentidos. Toda a raiva que ele sentira enquanto se julgava traído se tornara preocupação. Não importava o que ela houvesse feito, jamais desejara vê-la naquele estado lamentável. Amava-a. Sempre a amaria, mesmo que seu amor não houvesse sido suficiente para fazê-la ficar a seu lado.
Ele suspirou, olhando para Demetria. O rosto em forma de coração, o nariz fino e perfeito, a boca grande e sensual. Era a mulher que ele amava, no entanto Joseph pensou que sabia pouquíssimo do seu passado, dito por ela mesma.
Órfã aos quatro anos, passara os quatorze anos seguintes de sua vida na casa Gladys Kitteridge, um orfanato em Albuquerque, Novo México. Depois disso, cursara a faculdade em Denver, encaixando estudos entre dois períodos de trabalho. Ele lembrava-se de quando entrara no restaurante onde ela trabalhava. Magra quase ao ponto de ser esquelética, Demi segurava uma enorme bandeja com quatro grandes filés fumegantes. Estava rindo. Joseph quase podia sentir o nó que se formara em seu estômago. Ele a quisera naquele momento, mesmo antes de saber o nome dela.
Com um suspiro, pensou que fazia muito tempo que isso acontecera, antes que ela o deixasse , antes que o mundo dele caísse.
Um músculo tremeu na face esquerda de Demetria e suas pálpebras agitaram-se. Joseph imaginou se ela saberia onde estava. Sua respiração era lenta e superficial. Os cabelos negros espalhados sobre o travesseiro acentuavam a palidez do rosto. A testa dele franziu-se. Ela estava tão imóvel! Pelo que lera a respeito, os sintomas que Demi apresentava não indicavam que fosse uma viciada em drogas. No entanto, que outra explicação haveria para as marcas de injeções nos braços? E havia aquela estranha agitação pela qual ela passara. Citara um ônibus… O que isso quereria dizer?
Ele passou os dedos nos cabelos, criando momentâneos sulcos nas mechas escuras, que logo voltaram ao lugar enquanto massageava a própria nuca. Joseph não saberia dizer o que doía mais, se sua cabeça ou seu coração. Ainda não conseguia acreditar no que acontecia. Por um lado, o reaparecimento de Demi era um sonho que se tornava realidade. Mas por que ela tinha ido embora?
Inconscientemente, chegou mais perto dela, desejando poder ler sua mente. Precisava de explicações, não de mais mistérios. Mas até o momento não havia respostas e sim apenas mais perguntas.
Um nó começou a formar-se em sua garganta. Maravilhado por ela estar realmente ali, respirou fundo e teve ímpetos de tocá-la. Com cuidado, para não deslocar a agulha intravenosa nas costas da mão dela, Joseph inclinou-se, e seus dedos trêmulos deslizaram pelo braço inerte. Ele passara dois anos recusando-se a sepultar a lembrança de Demetria, no entanto, agora que ela estava ali, tinha medo de esperar demais. Quando ela ficasse boa, se ficasse boa, permaneceria com ele?
Joseph ainda se fazia essa pergunta quando Demi entreabriu os lábios e aspirou fundo, como se lhe faltasse ar. Abriu os olhos e ele poderia jurar que estavam cheios de terror. Em seguida o terror apagou-se e as pálpebras fecharam-se de novo. Ela estava outra vez sem sentidos.
Ele inclinou-se mais, até seus lábios ficarem junto ao ouvido dela.
— O que houve, Demi? Por que você foi embora?
Ela suspirou e ele viu, com o coração apertado, uma lágrima surgir nos cílios de cada um dos olhos e escorregar para os lados, até desaparecer nos cabelos.
Então, Joseph moveu a boca um pouco mais para a direita e, pela primeira vez depois de dois anos, beijou a mulher que era sua esposa.

(...)

Passaram-se horas. Horas em que os pensamentos de Joseph haviam ido de uma imagem para outra, procurando encontrar um sentido naquilo tudo. Mas era impossível, por mais que ele tentasse explicar a ausência e o retorno dela.
De súbito, a porta do quarto abriu-se e entrou o dr. Carl Willis, que estava cuidando de Demetria.
— Vim falar com o senhor — disse o médico.
O coração de Joseph deu um salto.
— Já tem os resultados dos exames, doutor?
— Da maior parte deles.
Sem perceber que cerrara os punhos, Joseph deu um passo à frente.
— Drogas?
O dr. Willis fez um gesto de impotência.
— Não sei o que foi injetado nela, mas não se trata das drogas que está pensando. Aliás, os sintomas que apresenta não são os de viciados em drogas que já vi. Não há traços de substâncias ilegais no organismo dela. Só foram encontrados indícios de sedativos. Sua esposa tinha dificuldade para dormir?
Joseph estava surpreso. Não se tratava de drogas? Olhou para Demetria, tentando assimilar a informação. Se não eram drogas, o que seria?
— Sr. Jonas?
Ele quase saltou.
— Desculpe, doutor. O que disse?
— Perguntei se sua esposa sofria de insônia.
— Não… Não que eu saiba.
A mão de Joseph acariciou a face de Demi. Queria que ela acordasse. Precisava dizer-lhe que sentia muito, que precisava saber em que inferno ela estivera.
— O que há de errado com Demetria, doutor?
— Ela sofre de grave concussão cerebral, e há marcas de ferimentos nas costas e no ombro, que indicam que foi vítima de um acidente.
Joseph estremeceu, lembrando-se das palavras dela antes de perder os sentidos. Cuidado com o ônibus!
— É possível saber quando esse acidente aconteceu?— perguntou.
E Joseph contou ao médico, resumidamente, o que acontecera dois anos antes. O dr. Willis lembrou-se de ter lido e visto notícias do caso Jonas e envergonhou-se por ter pensado que o marido da desaparecida havia cometido o crime. Agora que sabia a verdade, sentia-se quase na obrigação de ajudar a resolver aquele mistério.
— O sangue na cabeça dela ainda está exsudando um pouco de sangue e soro, o que indica que foi ocasionado a cerca de três ou quatro horas,
Joseph empalideceu, lembrando-se que chegara a zangar-se com Demi, e sua voz tremeu quando falou.
— Ela vai ficar bem?
O médico exitou, o que bastou para fazer o peito dele apertar-se.
— O que é, doutor? — insistiu.
— O senhor me disse que sua esposa parecia confusa a respeito do tempo que decorreu desde seu desaparecimento?
— Eu pensei que ela estivesse fingindo — disse Joseph.
— Talvez — o dr. Willis sacudiu os ombros.— Mas existe a possibilidade de que ela realmente não se lembre. A pancada na cabeça foi bastante violenta. Acrescente a isso o estresse, o trauma mental, e é possível que esteja ocorrendo um caso de amnésia seletiva.
— Ela vai se recuperar? Recuperar a memória, eu quero dizer.
— Provavelmente, mas não se pode saber quando.
— Quer dizer que talvez eu nunca fique sabendo o que aconteceu com minha mulher?
O dr. Willis procurou falar de maneira encorajadora, porém nunca havia sido bom em consolar os outros.
— Há sérios motivos para acreditar que, com o tempo, ela se recupere inteiramente. Mas até então o senhor precisará ter paciência.
Joseph suspirou. Não era o que queria ouvir.
— Ah, eu ia me esquecendo!— disse o médico.
— Há dois policiais lá fora querendo falar com o senhor.
Depois de mais um olhar para Demetria, Joseph saiu do quarto.
Avery Dawson aproximou-se assim que o viu, e Ramsey, o parceiro dele, vinha chegando com dois copos de café.
— O dr. Willis disse que você quer falar comigo Dawson.
O investigador pegou o café que o parceiro lhe entregava e levou Joseph para um lugar mais sossegado.
— Achei que o senhor gostaria de saber que houve um desastre às duas horas, esta tarde. Um ônibus colidiu com um caminhão, um carro e um táxi.
Os dentes de Joseph apertaram-se. Meu Deus, o aviso de Demi!
O investigador parecia escolher cuidadosamente as palavras.
— Não temos certeza de que tenha sido sua esposa, mas quando o motorista de praça voltou a si notou que a passageira havia sumido. Ele disse que era uma mulher jovem, muito bonita, com cabelos negros pouco abaixo dos ombros.
— E você acha que era Demetria? — indagou Joseph.
Dawson deu de ombros.
— Talvez. Mas se era a sua esposa, ela teve muita sorte. Todos os envolvidos no acidente estão no hospital ou no necrotério.
— Que horror… — murmurou Joseph.
Deixou-se cair na cadeira mais próxima e apoiou a cabeça nas mãos. Nesse instante, algo lhe ocorreu. Uma coisa tão evidente que imaginou que os policiais já a teriam feito.
— Alguém perguntou ao motorista onde ele pegou a passageira?
Avery Dawson assentiu.
— Na estação rodoviária. Disse que quase a atropelou quando ela saiu correndo de um terminal, que entrou no táxi tremendo, mas ele atribuiu isso ao frio e à chuva. O tempo todo ela olhava para trás, como se temesse que alguém os estivesse seguindo.
— O que vamos fazer agora? — quis saber Joseph, pondo-se de pé.
— Não há nada a fazer — respondeu o investigador. — Ela desapareceu e agora está de volta. Claro, caso ela dê alguma informação ou comece a lembrar-se dos acontecimentos, peço-lhe que me avise e verificaremos tudo.
— Só isso? — estranhou Joseph.
— Olhe aqui, sr. Jonas, nada mais podemos fazer. Não é crime ir embora de casa.
— Não foi isso o que vocês pensaram há dois anos — irritou-se Joseph.
Voltou as costas aos policiais e foi para o quarto, tão zangado que nem sabia o que fazer.
O médico havia desaparecido. A não ser pelo bip contínuo dos monitores, o quarto estava silencioso. Ele observou o rosto de Demetria. Ela não se
mexera desde que a haviam posto na cama. Um pensamento horrível o fez estremecer: e se a mulher nunca mais acordasse?
Sentou-se na poltrona ao lado da cama e colocou a mão sobre a dela. Ao seu toque, os longos dedos estremeceram espasmodicamente. Ele não saberia dizer se ela resistia ao seu toque ou se queria segurar-lhe a mão; suspirou, com o coração pesado. Momentos depois ergueu-se e foi até a janela. Tinha a impressão de que mesmo inconsciente, Demi não o queria mais.
— Joseph…
Ele voltou-se, rápido. Sua mãe estava à porta.
— Não devia ter voltado mamãe.
Betty Jonas apenas ergueu a pequena bolsa de viagem.
— Achei que você iria precisar de algumas coisas.
Com um sinal, Joseph convidou-a a entrar.
— Como ela está? — perguntou Betty.
— Do mesmo jeito.
— Você falou com o médico?
Joseph fez que sim.
A senhora colocou a bolsa num banco junto a parede e tirou o casaco; pendurou-o no espaldar de uma cadeira e foi para junto do filho, à janela.
— Então? Vai me contar o que ele disse ou vou ter que arrancar-lhe, palavra por palavra?
— Ele disse que Demi perdeu a memória por causa de uma pancada na cabeça, num acidente, e que deverá recuperá-la. Que ela não é viciada em drogas, não tomou uma overdose. Não há substâncias ilegais em seu corpo. A única coisa que encontraram foram traços de sedativos.
Betty apertou os lábios, aproximou-se da cama e ficou pensativa, olhando para Demetria.
— Isso não me surpreende — disse por fim.
A culpa sufocou Joseph e sua voz soou amarga.
— Diga-me, mãe, sou o marido dela, por que não acreditei em Demi como você acreditou?
A sra. Jonas voltou as costas para o filho. Sofria por ele e pela nora.
— Sabe… minha mãe dizia que quanto mais profundo o amor, mais dói quando as coisas dão errado. Você deve ter sofrido as penas do inferno Joseph. Deve ter sido muito difícil para você ser objetivo enquanto se via acusado de um crime
Joseph foi para junto da mãe.
— Sabe o que é pior?
Ela passou o braço pela cintura do filho, querendo confortá-lo.
— Não, o quê?
Ele engoliu várias vezes antes de ser capaz de falar.
— Eu não sei mais o que sinto por ela.
Betty fechou os olhos por instantes, procurando a coisa mais certa a dizer. E afinal falou.
— É compreensível, meu filho. Mas se o médico está certo e ela perdeu a memória, imagine como Demi se sente. Para ela não existem os dois últimos anos. Teoricamente é a recém-casada que era, seu coração ainda pertence a você, quer você queira quer não.
Joseph ficou pálido.
— Eu não disse que não a amo. Apenas não sei se posso confiar nela de novo.
Betty sacudiu a cabeça.
— E não saberá enquanto não tentar.
— Está bem, mamãe. — Ele endireitou os ombros. — Vou tentar.
A sra. Jonas afligia-se com aquela situação. Era como um pesadelo, e provavelmente o que ia dizer ao filho aumentaria a confusão. Mordeu os lábios, avaliando-o antes de falar.
— Passei na sua casa antes de vir para cá — começou.
Para Joseph, nada havia de estranho nisso. Fazia meses que a mãe ia à sua casa quando bem quisesse, sem precisar pedir permissão.
— E? — perguntou.
— Achei que Demi iria precisar de algumas coisas, também. Esqueci que as roupas dela haviam sido guardadas em duas malas e levei algum tempo para encontrá-las.
— Obrigado, mãe…
— Não há de que. Mas não é isso que quero lhe dizer.
Algo na voz da mãe dizia-lhe que havia alguma coisa errada. Ele virou-se para olhar Betty de frente.
— O que quer me dizer?
A senhora enfiou a mão no bolso da calça que usava e retirou-a com um maço de dinheiro.
— Isto estava na secadora, com uma calça comprida e uma blusa que não deveriam ter sido postas lá para secar. Acho que ficaram estragadas…
Joseph ficou paralisado e só alguns momentos depois que a mãe colocou o maço de notas em sua mão é que reagiu.
— Meu Deus! — balbuciou, segurando as notas de cem dólares com as pontas dos dedos, como se estivessem sujas. — Quanto tem aqui?
— Mil quinhentos e cinqüenta dólares.
Assombrado ele olhou para o dinheiro.
— Na secadora?
Betty assentiu.
— Duas das notas ainda estavam no bolso da calça de Demi. As outras saíram dele quando a secadora girou.
Ele largou-se na poltrona, ainda olhando para o dinheiro. Quando falou era evidente o sarcasmo em sua voz.
— Quer dizer que um de meus pesadelos com Demi era inteiramente falso.
— Que pesadelo, meu filho?
— Um em que ela me aparecia sendo brutalizada e morrendo de fome.
— Eu sinto tanto, Joseph! Sei que este dinheiro vem criar mais confusão, mas acho que não devemos tirar conclusões apressadas. O melhor a fazer é esperar e ver o que Demi tem a dizer quando voltar a si.
— Não é o que minha mulher vai dizer que tem importância… É se eu vou ou não acreditar nela.


Sul da Califórnia
Mais de vinte e quatro horas depois do terremoto, a terra ainda se achava instável, o que dificultava a ação dos grupos de busca e salvamento. O pessoal se movimentava entre escombros de prédios, ruas e estradas. Infelizmente, estava se tornando mais fácil encontrar mortos do que vivos. O mau cheiro ia se espalhando pelo ar.
As casas mais exclusivas eram, em geral, muito isoladas, e, apesar das várias equipes em ação, encontrá-las era mais difícil do que verificar a devastação em massa das áreas de maior população. Grupos de salvamento mantinham-se em contato com helicópteros da policia que sobrevoavam as zonas afetadas e quando o piloto de um helicóptero percebia vestígios de uma casa nos cânions abaixo, pedia ajuda e dava a localização.
Pete Daley fazia parte do grupo de busca e salvamento de San Francisco havia mais de dez anos. Passara por muitos desastres e achava que já havia visto tudo, no entanto quando o homem que dirigia a ambulância entrou à direita, numa área muito arborizada, ele estremeceu.
— Será que estamos no caminho certo? — perguntou.
Seu parceiro, Charlie Swan, sacudiu os ombros.
— Não sei, mas é o único caminho que temos.
Pete revirou os olhos para cima.
— Então, porque não…
Charlie apontou, através do pára-brisa, para um helicóptero apenas visível à distancia.
— Aquele helicóptero está voando em círculos ali por mais de cinco minutos. O piloto deve ter visto alguma coisa.
Um tanto sem jeito Pete comentou:
— O fato é que eu não estava prestando atenção.
— Você presta atenção quando é preciso — consolou-o Charlie. — Essa parte é obrigação minha. Pegue seu equipamento, estamos quase lá.
Poucos minutos depois chegaram ao que restava de uma grande mansão, e Charlie estacionou a ambulância num ponto em que não seria atingida por paredes caso elas ruíssem. Pegaram sua maletas e saíram, vendo que o pessoal da busca, já em ação, soltava os cães. Em seguida, uma parte do grupo entrou nas casas enquanto os demais desciam o barranco rumo ao local onde estava parte da casa que desabara.
Quase que imediatamente um dos cães começou a ganir, e os homens passaram a remover a pilha de entulho ao pé da escada.
— Achamos alguma coisa — gritou o chefe.
Os homens puseram-se a trabalhar com mais afinco, e momentos depois descobriram um pé.
— Droga! — exclamou Pete.
Ajoelhou-se e estendeu a mão, esperando tocar uma pele fria, sem vida, mas apesar de estar com luvas cirúrgicas, quando seus dedos circularam o tornozelo masculino ele sentiu-o morno, vivo.
— Encontramos um vivo! — anunciou.— Vamos desenterrá-lo, depressa!
Peça por peça, os escombros foram removidos, os homens tomando cuidado para que nada mais desabasse sobre a vítima, roubando-lhe a vida.
— Olhe isso! — Charlie apontou para duas vigas caídas e um pedaço de parede que haviam formado como que uma alcova sobre o homem. — Foi isso que o manteve vivo.
Pete começou a verificar o pulso do ferido, enquanto Charlie aplicava-lhe um imobilizador de pescoço e verificava se havia ossos quebrados. Tudo na vítima era frágil, principalmente o sopro de respiração que passava por entre os lábios ensangüentados.
— Veja se o helicóptero ainda está por aqui. Talvez este homem não resista até vir o resgate aéreo.
Em minutos o ferido estava imobilizadosobre uma maca e dois dos homens da busca e salvamento o carregavam para o helicóptero que esperava numa clareira , pouco adiante.
— Vou junto para tentar mantê-lo vivo e voltarei o mais depressa possível.— disse Pete.— Fique com o pessoal pode haver mais sobreviventes.
Charlie fez que sim e voltou para a casa semi-destruida.
Pete protegia os olhos do sol, enquanto corria ao lado da maca. De repente a vítima começou a gemer.
— Está tudo bem, amigo — disse-lhe Pete. — Vamos cuidar de você.
— Mulher… achem minha mulher.
Rápido, Pete pegou seu rádio comunicador e pressionou a tecla de transmitir mensagens.
— Aqui é Daley — começou. — A vítima está perguntando por uma mulher. Vejam se encontram mais alguém na casa.
— Entendido — respondeu uma voz.
A comunicação foi interrompida.
As pálpebras do homem ferido tremeram, ele suspirou e mergulhou na inconsciência .
O barulho do motor do helicóptero tornou impossível qualquer tentativa de conversa, no entanto, Pete sentiu-se obrigado a dar esperanças ao homem.
— Fique firme aí, amigo — gritou, enquanto entrava no helicóptero. — Assim que chegarmos ao hospital você, irá sentir-se melhor.
Ajudou a colocar a maca para dentro, antes de sentar-se no chão ao lado dela.
— Pode subir! — gritou.
Agarrou-se ao encosto do assento do piloto quando o aparelho balançou.
— Desculpe — gritou o piloto.— Rajadas de vento contrárias.
Pete rolou os olhos para cima e murmurou uma prece rápida. Momentos depois deslocavam-se no ar. Verificando constantemente o soro que estava aplicando na veia do ferido, o paramédico pouco mais podia fazer do que observar seu rosto. Ele parecia estrangeiro, mas em Los Angeles isso não queria dizer nada. Espessas, negras e arqueadas sobrancelhas sobre olhos fundos. O formato e tamanho do nariz e o contorno do rosto pareciam querer indicar pertencer a uma raça do Oriente Médio. Embora a pele estivesse coberta de pó de cimento, seu tom moreno parecia ser natural e não produzido pelo sol. Pete olhou para a casa e surpreendeu-se com a devastação que se percebia do alto. Sacudiu a cabeça, surpreso por aquele homem ainda estar vivo.
— Aposto que você é um malandro durão, hein, amigo?
Mas o homem não respondeu.
Algum tempo depois o helicóptero começou a descer. Quando pousou no teto do hospital. Pete fez uma última verificação do pulso e pressão do ferido, para ter certeza de que as enfermeiras tivessem todas as informações necessárias. Uma equipe de emergência correu para junto do aparelhoe e Pete saltou, ajudando a transferência da vítima para uma maca com rodas.
Pete informou sobre o estado geral do ferido, enquanto o ajeitavam na maca. Quando a movimentaram, uma das enfermeiras viu o rosto do homem.
— Oh, meu Deus, é Pharaoh Carn!
Houve um momento de aturdido silêncio enquanto todos olhavam para o rosto do paciente; então começaram a correr com a maca. Salvar a vida de um ferido era a principal preocupação de todos, não importava o que ou quem ele fosse. Mas em Los Angeles era bem conhecida a ligação de Pharaoh Carn com a Máfia.
Pete acompanhou-os até a porta, depois a equipe de emergência desapareceu com a maca dentro do hospital.
Durante o vôo de volta ao local da busca, pensou na mulher que Pharaoh Cairn perdera.
Ela devia ser importante para ele, já que se lembrara dela nos seus últimos momentos de consciência. Imaginou se o pessoal da busca a teria encontrado e se ela estava viva.

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Oi! Como prometido, aqui está o terceiro capítulo... Estou muito feliz com as reações de vcs com a história ♥ Vou tentar deixar td adaptado para postar nos dias q n mexo no pc, ok? E fazer uma maratona \o/
Comentem, meus bbês ♥
Amo vcs!
Bruna

9.12.14

Remember Me - Capítulo 2

Entrem no blog da Emma, ela vai voltar a postar e vai voltar lacrando ♥ Jemi Histórias
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Denver, Colorado: Dois Anos Depois

A chuva de outubro batia no capacete de Joseph Jonas enquanto ele colocava o cinto de ferramentas no assento da caminhonete.
— Chega por hoje, pessoal. Para casa. Não podemos fazer mais nada enquanto continuar essa chuva.
Os homens resmungaram, mas sabiam que o chefe tinha razão. Trabalhar com um tempo daqueles aumentava o risco de acidentes de trabalho, e nenhum deles queria ir parar numa cama de hospital.
Joseph olhou para trás, para o edifício que construíam, e entrou na caminhonete. Ser patrão era diferente de ser capataz. Produzia outros tipos de dor de cabeça, eram precisos outros tipos de regras. Mas substituir o pai havia sido o que garantira sua sanidade mental.
Ligou o motor e começou a dar a ré, parando para olhar mais uma vez a construção que estava em sua fase final. Tudo parecia estar certo. Com um suspiro, engatou a primeira e saiu devagar até o leito da rua.
Os últimos vinte e quatro meses haviam sido de reabilitação, tanto para ele quanto para a empresa.
Mas, durante esse tempo, havia sido perseguido pela polícia, caluniado pela imprensa local e tratado como um assassino pela sociedade em geral, se bem que não houvessem descoberto nada que provasse isso.
Uma mulher desaparecera e alguém tinha que ser responsabilizado. O marido, neste caso, Joseph, era a escolha óbvia. O fato de que a luz desaparecera de seu mundo não importava a ninguém a não ser a ele e a seus pais. A opinião pública o rotulara como o homem que cometera um crime perfeito. Ele se tornara amargo e, em boa parte, endurecido. De vez em quando sofria ao lembrar e se surpreendia pelo sofrimento reaparecer como se tudo houvesse acontecido naquele dia. Por mais que houvesse tentado continuar sua vida até que tudo se encerrasse de algum modo, isso nunca acontecera.
Naquele momento, por exemplo, em que era forçado a pensar em algo mais além do trabalho, tinha medo de voltar para casa. Na verdade não se tratava mais de um lar; era apenas o lugar onde ele dormia. Fazia apenas alguns meses que seus pais haviam desistido de convencê-lo a mudar-se. Aquela pequena casa era o último lugar em que ele havia sido feliz. Era o último lugar onde vira Demetria e ainda não se sentia capaz de romper aquela conexão.
Nos últimos dois anos perdera a conta das horas que passara indo ver cadáveres não identificados nos institutos médico-legais do Estado. Depois
da terceira vez que fora chamado para fazer uma identificação, algo morrera dentro dele. Continuava a ir quando era chamado, porém cada vez com menor vigor. Era quase como se Demetria Jonas jamais houvesse existido. E se não fossem o pequeno álbum com fotografias do casamento e o vazio deixado pela ausência dela em seu coração, até mesmo ele teria duvidado.
Mais adiante, um caminhão de bombeiros passou pelo cruzamento a toda velocidade, com as sirenes ao máximo. Joseph ficou olhando até que nada mais havia a não ser um fugidio reflexo vermelho no aguaceiro. Estremeceu. Era esquisito pensar em algo queimando sob aquele verdadeiro dilúvio, mas ninguém mais do que ele sabia que coisas estranhas aconteciam. Como pessoas desaparecendo sem deixar traço.
Alguns minutos depois entrou na rua onde morava. Quando viu a pequena casa seu peito se apertou. Era sempre assim e piorava tudo o fato de na semana anterior ter transcorrido o terceiro aniversário do casamento deles, data que fora relembrada por uma tevê local como o segundo ano do desaparecimento de Demetria Jonas. Era impossível para ele esquecer a impressão que a reportagem dera de que Joseph Jonas era um homem feliz e com uma próspera empresa de construções, enquanto o responsável pelo desaparecimento de sua esposa continuava impune. Ainda o culpavam. Aliás, não era novidade.
Entrou com o carro na rampa para a garagem e parou. Ficou sentado por alguns instantes, ouvindo a chuva bater no teto. Talvez tivessem razão: não fora capaz de proteger Demetria. Se alguém devia ser culpado, era ele.
— Que inferno! — resmungou e saiu do carro.
Quando chegou à porta estava ensopado. Abriu-a, com a mesma sensação de medo ao entrar.
A casa.
Estava sempre tão terrivelmente silenciosa!
No momento seguinte achava-se lá dentro, acendendo as luzes e ligando a televisão, na tentativa de acrescentar uma pretensa normalidade à sua existência. Jogou as chaves sobre o console do hall, depois olhou para o chão em busca da correspondência que em geral ali estava, enfiada por baixo da porta pelo carteiro.
Não havia nada.
Com a testa franzida, voltou-se e viu a pequena pilha de envelopes sobre a mesa. Mesmo sabendo que ele tinha uma faxineira, sua mãe de vez em quando ia até lá dar uma arrumação geral.
Sem pegar a correspondência, foi para a cozinha. Uma xícara de café bem quente seria eficaz para livrá-lo do frio que sentia nos ossos.
Enquanto colocava a cafeteira para funcionar, viu um prato e um garfo sujos dentro da pia e sorriu. Betty Jonas comera o último pedaço de torta de cereja. Que pena! Havia pensado nele várias vezes naquela tarde.
Sacudiu os ombros; um pedaço de torta era o que menos o preocupava. Enquanto esperava a água ferver, foi para o quarto. Talvez um chuveiro quente e roupas secas melhorassem seu ânimo. A televisão estava com o som muito alto quando passou pela sala de estar; foi pegar o controle remoto e nesse momento começou o noticiário local.

Repercussões do terremoto que sacudiu o sul da Califórnia ontem a tarde ainda se fazem sentir. O transporte está difícil, dentro e fora do Estado. Algumas companhias aéreas reiniciaram as operações, porém está sendo desencorajado que por enquanto se viaje pela região. O número de vítimas subiu e ainda se supõe que haja mais.

Joseph meneou a cabeça, acionou o controle remoto e quando um antigo capítulo da série Eu amo Lucy apareceu na telinha, aumentou o volume, largou o controle numa poltrona e dirigiu-se para o quarto.
Enquanto desabotoava a camisa reparou que suas botas estavam enlameadas e esperou não ter deixado uma trilha pela casa. Tudo estava limpo. Para garantir que assim continuasse, encostou-se na parede, tirou as botas e entrou no quarto, carregando-as na mãos.
Olhou automaticamente para a cama e surpreendeu-se ao vê-la desarrumada. Poderia jurar que a arrumara antes de sair. Enquanto continuava olhando, as cobertas moveram-se, revelando uma cabeça de cabelos negros e um braço. Joseph deu um passo para trás. Seu estômago contraiu-se e ele fechou os olhos.
— Santo Deus… Não mereço isto…
Respirou fundo. Olhou de novo, certo de que o fantasma teria desaparecido. Estava errado. Ele…ela… continuava lá.
Completamente transtornado pela visão de Demetria dormindo na cama, ele abriu os dedos e as botas caíram no chão com um baque surdo.
Com o ruído, o fantasma rolou o corpo, ficando de costas, abriu os olhos escuros e deu-lhe aquele sorriso atraente que ele conhecia tão bem.
— Olá, querido! — Em seguida Demi olhou para a janela. — Ainda está chovendo?
Recuando, ele encostou-se na parede para não cair. Fazia meses que se sentia esquisito, mas nunca pensara que havia perdido o juízo. Não completamente.
— Demetria?
O nome murmurado deu a impressão de pairar no ar. Ele temia repetir o nome por medo que ela se desvanecesse. Então, algo pareceu ligar-se dentro dele e seu coração começou a bater mais acelerado. E se ela fosse real? No mesmo instante em que pensou isso, descartou a possibilidade. Era impossível.
Olhou-a sentar-se na cama. Ao fazê-lo, ela ficou pálida e levou uma das mãos à cabeça.
— Aiii, como dói… — disse.
— Demi?
Ela sacudiu a cabeça, como se tentasse clarear as idéias.
— Joseph, meu bem, você está ensopado. Por que não toma um banho de chuveiro enquanto preparo o jantar?
Joseph atravessou o quarto como se estivesse em transe. Quando ela se pôs em pé ele sentiu um impulso violento de voltar-se e fugir. Então, Demi cambaleou e deixou-se cair sentada na cama de novo.
— Não me sinto bem — queixou-se. — Minha cabeça está girando.
Porém Joseph não a ouvia. Estava em estado de choque. Inclinou-se para a frente e estendeu as mãos, esperando nada mais sentir além de ar. Em vez disso, seus dedos fecharam-se ao redor dos pulsos dela, recebendo o calor de sua pele.
— Santo Deus… — repetiu ele e segurou-a pelos ombros. — Demi… Demi… Meu Deus, você é real!
Ela ergueu as sobrancelhas.
— Você andou bebendo?
Ele não conseguiu responder. Sentou-se ao lado dela e abraçou-a, embalando-a.
Então, a realidade o atingiu, e tão rapidamente quanto a abraçara, Joseph a soltou. A voz dele soou baixa e alterada, enquanto a fitava.
— Onde você esteve?
Os olhos de Demetria tornaram-se maiores.
— Você andou mesmo bebendo!
Joseph se ergueu, bruscamente.
— Quero respostas, Demetria.
— Que respostas?
— Para começar — ele a fitava como se ela houvesse enlouquecido —, quero saber onde você esteve nos últimos dois anos.
Alguma coisa agitou-se na mente de Demetria. Algo escuro, assustador. Mas desapareceu antes de se tornar um pensamento sólido. Sem dar-lhe tempo para responder, Joseph agarrou-a pelos braços, virou-os com as palmas das mãos voltadas para cima, causando-lhe dor, e olhou-os de perto.
Assustada com o modo estranho de Joseph agir, ela não reparou no transtorno espelhado no rosto dele.
Ele ficou perplexo. Havia marcas de agulhas nos braços dela.
— Drogas? Você andou se drogando?
Demetria olhou para ele como se tivesse ficado maluco.
— Do que está falando?
— Disto! — gritou e indicou as marcas.
Ela olhou para os braços e franziu as sobrancelhas. De novo algo roçou sua memória e mais uma vez desapareceu sem entrar em foco. Passou os dedos nas marcas, surpreendida com sua presença. Quando ergueu a cabeça, havia lágrimas em seus olhos.
— Eu não uso drogas e você sabe disso — murmurou.
Nesse momento o quarto começou a girar e Demi fechou os olhos.
— Então, explique-me isto — insistiu ele.
Demetria gemeu. A dor de cabeça aumentava e ela começava a sentir náuseas. Soltou-se e segurou a cabeça com as duas mãos.
— Não me sinto bem, Joseph.
Ele tremia tanto que não conseguia pensar.
— Eu também não Demetria. Você desapareceu da minha vida durante dois anos e agora reaparece de repente, falando em minhas roupas molhadas e em fazer o jantar, como se nunca houvesse saído daqui. Por acaso, enlouqueceu?
Ela nada podia fazer a não ser olhá-lo. O que Joseph dizia não fazia sentido. Dois anos? Ele havia saído de casa fazia apenas algumas horas. Mas antes que pudesse dizer alguma coisa o quarto recomeçou a girar.
Joseph viu que ela cambaleava e a segurou antes que caísse. Em segundos, colocou-a na cama e discou o 911.
— Qual é sua emergência? — perguntou a atendente.
Por uma fração de segundo ele não soube o que responder. Sua esposa havia voltado para casa. Uma mulher desaparecida havia reaparecido. Então, a realidade se impôs e ele reagiu.
— Minha mulher perdeu os sentidos. Não sei o que há de errado, mas penso que seja overdose de drogas. Por favor… preciso de ajuda.
— Ela está respirando senhor?
Joseph inclinou-se e sentiu a fraca respiração de Demetria em seu rosto. Lágrimas subiram-lhe aos olhos.
— Sim, sim! O que eu faço?
Suas mãos tremiam enquanto seguia as instruções da policial.
Meu Deus, não a deixe morrer! Não aqui. Não agora. Não a leve embora no momento em que a recuperei!
A atendente da policia desligou e ele entrou em pânico até que o som de uma sirene on fez erguer-se e ir abrir a porta da frente, acenando freneticamente para os paramédicos que corriam para a casa, debaixo da chuva.
O pânico aumentou enquanto os via medir pulsação e a pressão dela, ouvindo o jargão médico que mal entendia. Quando a colocaram em uma maca e se encaminharam para a porta, tudo que Joseph sabia era que não poderia deixá-la desaparecer . De novo, não.
— Por favor, deixem-me ir com ela — implorou.
— Não há lugar na ambulância, senhor.
— Para onde vão levá-la?
— Para o hospital Mercy. Pode ir atrás de nós.
Joseph entrou correndo em casa, pegou o paletó e as chaves. Estava de novo à porta quando reparou que se achava descalço.
— Não! — gemeu e correu de volta ao quarto.
Suas mãos tremiam quando sentou-se para calçar as botas. Só então ocorreu-lhe que ia precisar de apoio.
Pegou o telefone e discou. Estava tão transtornado que quando seu pai atendeu não sabia se conseguiria falar de modo coerente
— Residência Jonas.
— Pai, sou eu, Joseph.
— Olá, meu filho. Parou o trabalho cedo, hoje, não? Por que não vem jantar aqui? Sua mãe está fazendo carne assada, a sua preferida.
— Papai, preciso que você e mamãe vão para o Hospital Mercy o mais rápido possível.
O coração de Winston falhou.
— O que foi?
— Demetria… Ela voltou. Estava em nossa cama, dormindo, quando cheguei em casa. Há algo errado com ela. A ambulância já a levou e vou sair para o hospital agora.
Houve um momento de aturdido silêncio.
— Santa Mãe de… — começou Winston — Vamos já para lá.
Joseph desligava o telefone quando lhe ocorreu mais um pensamento. Digitou outro número, só que desta vez sua atitude era de autodefesa, em vez de procura de ajuda. Olhou nervosamente para o relógio de pulso enquanto esperava que atendessem. Haviam se passado quatro minutos desde que a ambulância fora embora. Ia desligar quando soou a voz de um homem.
— Terceira delegacia, Dawson falando.
Joseph segurou o telefone com mais força.
— Investigador Dawson, aqui é Joseph Jonas. Se está interessado em encerrar o caso do desaparecimento da minha esposa, sugiro que vá para o Hospital Mercy, agora.
Avery Dawson hesitou por um instante.
— O que está querendo dizer? — perguntou.
De repente, lágrimas de raiva desceram dos olhos de Joseph.
— E antes de ir — disse ele —, por que não chama os canais de TV, os jornalistas e todos mais que quiseram me ver condenado nos últimos dois anos?
— Isso é uma confissão? — reagiu Avery.
— Se quiser ver assim…
— Estarei lá em dez minutos — garantiu o policial. E desligou. Joseph recolocou o telefone no gancho e saiu.
— Ele disse, mesmo, que estava confessando? — perguntou Ramsey.
Dawson fitou o parceiro e logo voltou a olhar para a rua. Dirigir naquela velocidade com chuva era arriscado, mas tinha medo que se demorasse Joseph Jonas poderia mudar de idéia sobre o telefonema que acabara de dar.
— Ele disse que se eu quisesse ver como uma confissão…
Dawson teve que manobrar o volante agilmente quando o carro deslizou sobre uma poça de água e quase bateu em um ônibus que vinha.
— Opa, essa foi por pouco — comentou Ramsey, ajeitando o cinto de segurança.
A very olhou pelo espelhinho retrovisor.
— Esse trecho da rua está precisando de reparos…
Ramsey assentiu. A luz azulada no painel do carro faziam sobressair as linhas de preocupação no rosto do investigador. O desaparecimento de Demetria Jonas fora o caso que mais o intrigara entre muitos que tivera e resolvera. Para começar, sentia-se frustrado diante da completa ausência de pistas e, apesar dos meses de investigação, não fora capaz de conseguir argumentos suficientes para convencer o promotor público a levar Joseph Jonas a julgamento. Agitava-se só de pensar no telefonema dele. O crime fora perfeito, por que então confessaria agora?
— Lá esta o hospital.
Ramsey apontou para a entrada iluminada de um edifício mais adiante.
— É, estou vendo — resmungou Dawson, parando num sinal vermelho.
Nesse momento, a caminhonete da empresa Jonas parou ao lado dele.
— Ei, olhe ele aí!— apontou Ramsey.
— Estou vendo — irritou-se Dawson.
Entraram no estacionamento perto do pronto-socorro e Joseph já corria para a entrada do hospital antes que Dawson soltasse o cinto de segurança.
— Ele está com pressa por causa de alguma coisa — deduziu Ramsey.
Os dois policiais saíram correndo sob a chuva, espirrando água a cada passo. Quando entraram, estavam molhados.
Para surpresa deles, o pai de Joseph Jonas os esperava junto à porta.
— Os senhores podem me acompanhar, por favor?
Os dois olharam-se desconfiados. O que Jonas estava maquinando?
— Olhe, sr. Jonas, viemos falar com seu filho e preferimos fazê-lo aqui no saguão.
Winston assentiu.
— Se preferirem assim… Mas se querem saber a verdade, venham comigo.
Voltou-se e saiu pelo corredor até uma saleta cheia de cadeiras, onde a esposa o esperava.
— Ei, ali está Joseph Jonas — apontou Ramsey para um homem encostado na parede.
Momentos depois os dois adversários estavam frente a frente mais uma vez.
— Então, Jonas, o que tem a me dizer?
A expressão de Joseph era indecifrável quando ele apontou para uma porta.
— Senhores, quero apresentar-lhes minha esposa, Demetria Jonas. Ela reapareceu lá em casa hoje e enquanto conversávamos passou mal. Os médicos a estão examinando, mas as marcas de agulhas nos braços dela são sinal de que há algo muito errado.
Ramsey passou pelo parceiro, que olhava fixo para a mulher estendida na mesa de exames.
— Isto é uma brincadeira? — zangou-se Dawson.
Joseph encarou o policial como se ele tivesse ficado louco.
— Por acaso estou rindo?
Os dois policiais entraram um pouco na sala para ver a mulher que era examinada.
Demi sentia-se envolta num negro túnel de dor. Tinha a impressão de ouvir a voz de Joseph à distância, mas não conseguia compreender o que ele dizia. Voltou a cabeça na direção da voz dele, dando a Dawson e Ramsey uma clara visão de seu rosto.
— Santa Mãe de Deus! — murmurou Ramsey, fazendo o sinal da cruz.
Dawson apenas olhava.
Betty Jonas levantou-se de onde estava sentada.
— Sim… É um milagre, não?
— Parece — respondeu Dawson e saiu da sala.
A sra. Jonas abraçou o filho. Ele parecia sem saber o que fazer. Ela pegou-o pela mão.
— Joseph, meu bem, venha sentar-se aqui comigo — exortou, docemente.
— Obrigado, mamãe, mas acho que não consigo ficar sentado.
Ela deu-lhe amorosas pancadinhas no braço, depois foi sentar-se junto do marido, buscando conforto na presença dele, como fizera tantas vezes no decorrer de anos. Apesar da confusão do que estava acontecendo, havia algo a respeito das condições de Demetria que a afligia. Betty jamais tinha visto alguém sob o efeito de uma overdose até então, mas lera sobre o assunto, e alguns sintomas não estavam de acordo.
Enquanto isso Dawson aproximou-se de Joseph, desconfiado daquele miraculoso reaparecimento.
— Onde ela estava?— perguntou.
Os olhos de Joseph escureceram e ele apontou para a sala de exames.
— Eu gostaria de saber… Ela não tinha essas marcas nos braços quando sumiu.
O policial foi olhar de novo, dessa vez reparando nas marcas de agulhas nos braços de Demi.
— Mas que coisa! — resmungou.
Ramsey olhou para o parceiro, depois enfiou as mãos nos bolsos.
— Olhe sr. Jonas, sinto muito pelo modo como o pressionamos, mas o senhor sabe o que parecia.
Joseph assentiu.
— Sim e sei como as coisas eram do meu lado, também.
Dawson teve a decência de corar. Estendeu a mão.
— Se isto ajuda, peço desculpas.
Na sala do pronto-socorro, de repente, Demetria gemeu e em seguida gritou, como se estivesse sentindo uma dor terrível.
O coração de Joseph confrangeu-se, e antes que pudessem detê-lo, entrou.
— O que está acontecendo?
— Por favor, vá esperar lá fora, senhor — disse uma enfermeira.
Empurrava-o para a saleta quando Demetria arquejou:
— Cuidado com o ônibus!
Um alarme começou a soar, Joseph olhou ansiosamente para a esposa e as máquinas que a rodeavam. Antes que pudesse ver qual delas dera o alarme, puseram-no para fora da sala.

guess who's back?
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Olá, morecos ♥ Td bem? Postando esse aqui rapidinho p recompensar minha demora de postar o primeiro. E tb pq estou mt feliz, comprei meu Electra Heart de presente de aniversário p mim msm asdfdsh ngm segura essa bruninha B| Comentem, amores! Beijos, amo vcs <3

8.12.14

Remember Me - Capítulo 1

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— Demetria… venha aqui, meu anjo.
Demi Jonas começava a se preocupar com as nuvens cada vez mais escuras, mas a voz do marido pareceu agasalhá-la e a má impressão desvaneceu-se. Ela virou-se, ficando de costas para a janela junto a qual estava em pé, olhando a tempestade que se aproximava da casa deles em Denver.
— Acho que vai chover — disse ela.
— E eu acho que não estou ligando para isso.
Demi sorriu. Joseph Jonas era seu marido fazia exatamente um ano e um dia, com todo seu metro e oitenta e nove. Na maior parte dos dias, ele era a lei até para si mesmo. Parecia que aquele era um desses dias, e esse era um dos motivos pelos quais ela o amava. Joseph gostava do que gostava, ria quando alguma coisa o divertia e pouco se importava com que os outros pudessem pensar.
Ela olhou-o de alto a baixo enquanto Joseph se aproximava, o instinto feminino verificando se ele estava preparado para enfrentar a chuva quando saísse, e viu-o pronto para o trabalho. Calça e jaqueta jeans, camisa de mangas compridas e, claro, botas de cano alto. O capacete devia estar na caminhonete. Como mestre de obras da empresa de construção de seu pai, jamais saía de casa sem o capacete.
Um trovão rolou pelo céu, fazendo estremecer a vidraça. Se bem que esse tempo não fosse comum numa manhã de outubro, Demetria estremeceu e abraçou a si mesma. O inverno ia chegar e ela detestava o frio.
— Ei — riu Joseph —, se está querendo um abraço, deixe que eu faço isso.
— Então, me abrace — pediu ela.
Quando os braços do marido a rodearam, Demi fechou os olhos, saboreando a segurança do seu amor. O tecido da camisa dele era macio sob sua face e ela inalou o cheiro dele devagar, enquanto suas mãos percorriam-lhe as costas ao puxá-lo para si.
— Você cheira gostoso — murmurou.
A voz dele soou como um resmungo:
— Demetria…
— Joseph, estou numa encrenca?
Ele riu.
— Por quê?
— Porque você resmunga toda vez que está zangado.
Joseph franziu a testa.
— Nunca me zango com você e sabe muito bem disso.
— Hum…— Ela arqueou uma sobrancelha. — Talvez ¨perturbado¨ seja uma palavra melhor. Sei que você ficou perturbado quando pegou o rapaz dos pacotes da mercearia piscando para mim, na semana passada.
— É verdade — resmungou ele.
Tomou-a nos braços, beijou-a e não interrompeu o beijo enquanto a levava para a cama.
— Você vai chegar atrasado — disse Demetria assim que pôde.
Ignorando o aviso ele tirou a jaqueta e a camisa.
— Joseph, o que seu pai vai dizer?
— Provavelmente alguma coisa como, ¨Onde é que estão os meus sonhos com creme?¨
A risada dela lembrou-o de cristal se estilhaçando e ele estremeceu. Amava Demetria de tal maneira que se assustava. Ela o fazia sentir-se fraco, e Joseph Jonas jamais fora um homem de fraquezas.
Quando o abraçou de novo ela sentiu-se uma mulher abençoada. Joseph nunca faltava ao trabalho, e alguns minutos de atraso não o fariam correr o risco de perder o emprego, principalmente se levasse uma dúzia de sonhos de creme cobertos com chocolate, que o pai adorava.
Sentia o calor dos lábios do marido em sua pele. Quando a ponta da língua dele tocou um mamilo, ela suspirou e fechou os olhos. Joseph era sua alegria, sua razão de viver. Criada num orfanato, ela fora sozinha no mundo, até que ele surgira. Não era apenas seu marido, era tudo para ela. Segurou-lhe o rosto entre as mãos, interrompendo as carícias.
— Joseph…
Ele ergueu as sobrancelhas.
— O que, meu amor?
— Quando eu estava junto da janela…
Joseph observou-a, pensando como era possível simples cabelos negros e olhos castanhos serem tão encantadores num rosto de mulher.
— O que tem a janela? — murmurou.
— Você ia dizer alguma coisa. O que era?
— Que você estava muto sexy com a minha camisa.
Então, os olhos de Joseph escureceram enquanto a admirava embaixo dele, nua, os cabelos em desordem e os olhos semicerrados.
— Mas você é atraente também sem nada…
O corpo dela arqueou-se quando ele o percorreu com as mãos, e os olhos de Joseph cintilaram quando Demi segurou-lhe as mãos, impedindo-o de continuar acariciando-a.
— O que foi?
— Tire o resto da roupa e faça amor comigo antes que eu morra de puro desejo.
Ele riu. Esse era um pedido que podia atender facilmente.
Passaram-se minutos. Lá fora a tempestade cumpria sua promessa de chuva. Rajadas de vento alteravam o ritmo das pancadas dos pingos nos vidros da janela, porém nada podia alterar o ritmo dos amantes que se achavam envoltos por sua própria tempestade.

As horas do dia foram passando uma após a outra. Embora a maior parte do trabalho na construção fosse na parte interna, a chuva molhava o material que era transportado do barracão para a obra. Estava úmido demais para terminar o telhado na parte norte da construção. O pai havia ido para casa ao meio-dia, deixando no trabalho apenas a turma do esqueleto, com Joseph dirigindo. Às quatro horas da tarde ele mandou que os pedreiros parassem e fossem para casa. Essa parada em nada prejudicaria, pois estavam várias semanas adiantados em relação ao prazo de entrega e seria bom sair mais cedo. Talvez Demi e ele pedissem uma pizza. Se a temperatura continuasse caindo poderiam até acender a lareira. Ela ia gostar, pois odiava o frio.
No caminho para casa, Joseph parou diante do supermercado e correu sob a chuva até lá dentro. Ia telefonar para saber se Demi queria alguma coisa.
Tremendo um pouco pela friagem, colocou moedas no aparelho telefônico, discou e contou os toques. Demetria não atendeu. Ele desligou e guardou distraidamente num bolso as moedas que o telefone devolveu. Encaminhou-se para dentro da loja. Provavelmente ela estava tomando banho. Quando se estava no chuveiro não dava para ouvir o telefone tocar. Alguns minutos depois voltou para a caminhonete com uma lata de sorvete.
Eram quatro e vinte quando o carro chegou à entrada de sua garagem e parou. A chuva caía densa como uma cortina, mal permitindo que visse a pequena casa. Na realidade, enquanto pegava suas coisas, ele pensou que parecia haver uma parede que o separava da casa. Estremeceu, perguntando-se de onde tinha tirado aquela idéia. Normalmente, não era uma pessoa imaginativa. Protegeu a lata de sorvete sob a jaqueta e correu. A sensação infantil de querer escapar do chuvão o fez rir enquanto abria a porta da frente.
— Demi…cheguei!— gritou, ainda rindo.
Tirou a jaqueta e descalçou as botas.
— Ei, querida! Sou eu! Trouxe-lhe uma surpresa.
Pegou a lata de sorvete e foi para a cozinha, esperando que ela saísse de algum dos cômodos a qualquer instante. No meio da sala parou e voltou-se,
olhando para trás, para o caminho que fizera. Os cabelos da nuca arrepiando-se quando a estranha quietude da casa o envolveu.
A porta da frente.
Não a fechara.
Voltou-se lentamente, de súbito consciente do silêncio. Não ouvia nada de familiar. Nem rádio. Nem televisão. Nem mesmo o som da água correndo. Apenas a chuva batendo no telhado. Apertou a lata de sorvete contra o peito.
— Demi… Demetria…Voce está em casa?
Ninguém respondeu.
Enquanto permanecia ali, em pé, o frio do sorvete passou através da roupa. Ele olhou para a lata, como que surpreso por ainda a estar segurando, e foi para a cozinha.
O estrondo de um trovão sacudiu a casa quando ele chegou à porta, fazendo os copos e louças tilintarem no armário. Joseph soltou como se houvesse levado um tiro.
— Droga! — murmurou, indo para a geladeira.
No meio da cozinha, parou de novo, mas não por causa da tempestade. Foi a xícara quebrada e a mancha de café sobre a qual os cacos jaziam que o fizeram parar. Derramar café no chão era ruim. Mas não limpar o café derramado era pior. O pânico o assaltou, apertando-lhe o estômago e acelerando sua respiração, até que ele começo a ofegar buscando ar.
Virou-se rapidamente e saiu correndo, chamando por Demi.
De volta à sala.
No hall.
No quarto deles.
A cama estava desarrumada como quando saíra naquela manhã. Ficou olhando para ela, lembrando-se da paixão que o unira a Demi e tentando conciliá-la com o pânico que crescia cada vez mais.
A camisa que ela vestia naquela manhã estava no chão perto do guarda-roupa, como se Demetria houvesse parado ali e vestido outra roupa. Nada daquilo era próprio dela. Ela era ordeira de maneira quase obcecada. Joseph sacudiu a cabeça como um homem que houvesse ficado cego e dirigiu-se para o banheiro. A mancha de sangue na pia quase fez seu coração parar.
— Meu Deus — sussurrou e teria caído se não se apoiasse na parede. — Oh, meu Deus, meu Deus… por favor, não…
Suas pernas tremiam quando voltou a andar pela casa. As mãos estavam tão geladas que mal conseguia senti-las, e levou alguns instantes para perceber que ainda segurava a maldita lata de sorvete.
Voltou a encaminhar-se para a geladeira quando algo, pode-se chamá-lo de instinto, de percepção, disse-lhe para não mexer em nada a não ser no telefone.
Colocou a lata de sorvete sobre a mesa, depois foi pegar o telefone sem fio no escritório. Não parava de dizer a si mesmo que estava fazendo tempestade em copo d’água, que coisas como aquela não aconteciam a pessoas como eles. Não era dia de Demi trabalhar, mas talvez alguém houvesse ficado doente, então a haviam chamado da biblioteca e ela saíra apressada.
Digitou os números, depois fechou os olhos e respirou fundo.
— Biblioteca Pública de Denver — atenderam. — Mary Albright falando.
Ele teve a impressão de ver a senhora de meia-idade, com seu brilhante cabelo cor de cobre.
— Mary, é Joseph. Demi está aí?
— Não, meu querido. Ela só vai voltar ao trabalho amanhã.
As esperanças dele desfizeram-se como bolhas de sabão.
— É, eu sei… Mas pensei… Bem, pensei que alguém poderia ter ficado doente.
— Não, meu querido. Tudo bem por aí?
Ele estremeceu de novo.
— Não sei.
E desligou. Mal enxergando os números digitou outro telefone, procurando conforto na voz familiar de sua mãe.
— Residência Jonas.
— Mamãe, sou eu, Joseph. Demi não está aqui, por acaso ela está aí?
Betty Jonas franziu as sobrancelhas. Conhecia o filho bem demais para não perceber a ansiedade na voz dele.
— Não, não está. Na verdade, hoje eu ainda não falei com ela.
— E papai?
— Tenho certeza de que ele também não falou com ela — respondeu Betty — Se houvesse falado, eu…
— Pergunte a ele.
— Mas Joseph, eu…
— Ora, mamãe! Pergunte a ele, sim?
O coração de Betty falhou uma batida.
— Claro, filho. Um instante…
Ele esperou rezando, dizendo a si mesmo que aquilo não passava de um sonho ruim.
— Joseph?
— Sim, mamãe, estou aqui.
— Ele também não falou com Demi hoje.
As pernas de Joseph dobraram-se e ele mal conseguiu se manter de pé.
— Está bem, obrigado, mãe.
— Por nada — disse Betty — Será que podemos fazer alguma coisa?
— Não… quero dizer, não sei. Oh, mamãe…
— Sim?
— Desculpe-me por ter sido brusco.
— Está tudo bem, meu filho. Devemos sair procurando por ela? Acha que Demi se sentiu mal dirigindo ou algo parecido?
Ele fechou os olhos. Eles tinham apenas um carro.
— Não. Eu estou com a caminhonete. Olhe, tenho que sair. Depois telefono.
Joseph desligou mais uma vez, então apertou o botão de ligar e esperou impaciente pelo ruído de discar. Assim que o escutou , digitou três números.
— 911, qual é sua emergência?
— Creio que aconteceu alguma coisa com a minha esposa.
Uma ligeira pressa no modo de falar da mulher indicou que ela percebera a ansiedade de Joseph.
— Ela está aí com o senhor?
— Não, não está. Acabo de chegar do trabalho e encontrei a porta aberta, Há uma xícara quebrada na cozinha e sangue no banheiro.
— O senhor é Joseph Jonas, da Avenida Denver, 1943?
— Sim.
— Está machucado também, senhor?
— Não — agitou-se Joseph. — Eu disse que acabo de chegar.
— Sim, senhor. Estou mandando uma unidade para aí.
— Obrigado…
Ele estava aturdido, mal percebia que falava ao telefone.
A voz da operadora do 911 subiu um tom.
— Senhor, peço-lhe que se mantenha nesse endereço até os policiais chegarem,
Um arrepio frio percorreu o corpo dele. Sem Demetria, para onde ele iria?
Quando três viaturas e dois investigadores chegaram, Joseph compreendeu que eles estavam inclinados a crer que ele era o motivo do desaparecimento da esposa. Isso não apenas o deixou zangado, como também começou a assustá-lo. Se achassem que ele era o responsável não iriam procurá-la, e precisavam encontrá-la .
Joseph não sabia viver sem Demetria.

— Então. sr. Jonas, o senhor disse que a última vez que viu sua esposa foi hoje de manhã, ali pelas oito horas?
Ele inspirou o ar com força, procurando uma calma que não sentia. O cheiro de roupas molhadas em corpos quentes começavam a enjoar-lhe o estômago, e o pensamento de Demi em algum lugar lá fora, com aquela tempestade, o estava deixando louco. Não sabia onde ela estava, mas tinha certeza de que, para onde quer que houvesse ido, não saíra pela própria vontade
— Não. Não foi isso que eu disse e você sabe. Eu disse que saí de casa mais ou menos às nove horas.
O investigador Avery Dawson consultou seu caderninho de notas.
— Oh, sim. É verdade — Tornou a fitar Joseph. — Mas disse que costuma sair às oito para o trabalho.
De repente, Joseph explodiu.
— É verdade!
Levantou-se, foi ficar frente a frente com o corpulento investigador, e continuou:
— Olhe aqui, seu idiota, vou repetir apenas mais uma vez. Eu amo minha mulher. Ontem à noite foi o primeiro aniversário do nosso casamento. Cheguei atrasado ao trabalho porque a levei para a cama de novo antes de sair. — A voz dele partiu-se, mas continuou firme. — Quando saí ela estava vestida com uma camisa minha… e sorria. Será que entendeu?
Um dos policiais disfarçou uma risada. Avery Dawsin fuzilou-o com o olhar, depois voltou a atenção para Joseph.
— Entendi, sr. Jonas. Mas fazer estas perguntas é o único modo de conseguir as respostas de que preciso. O senhor me entendeu?
Joseph estava tão zangado que tremia.
— O que entendi é que você pensa que sou responsável pelo desaparecimento de Demetria, o que lhe é muito conveniente. Se atribuir a culpa a mim, seu trabalho está terminado. Mas isso não encontrará a minha mulher. — Cerrou os punhos e bateu na mesa entre eles. — Não entende? Isso mesmo, estou louco e com um medo mortal. Se puser a culpa em mim não irá procurá-la.
O cérebro de Dawson trabalhava a toda. Jonas era agressivo. Na maioria das vezes era preciso mais entrevistas com um marido para que ele perdesse as estribeiras. O homem era pura adrenalina. Devia estar no caminho certo com ele.
— Tem um temperamento admirável, sr. Jonas.
A voz de Joseph desta vez soou como se ele chorasse:
— Eu tenho uma mulher admirável e a quero de volta.
Nesse momento começou a formar-se uma rachadura na opinião de Dawson. Havia uma possibilidade de que o homem estivesse falando a verdade. Mas a história dele era certinha demais. Jonas devia saber de
alguma coisa que não queria contar. Mulher nenhuma desaparecia sem que alguém visse alguma coisa. Os olhos do investigador estreitaram-se, pensativos. Ou aquele homem era um excelente ator ou… estava dizendo a verdade.
No momento que aceitou esse fato, passou pela mente de Dawson o pensamento de que deveria pensar em se aposentar. Houvera momentos em sua vida em que não era assim tão afoito a respeito dos crimes que investigava. Tinha que admitir: ao chegar ali seu instinto o levara a suspeitar do marido, e mesmo depois de interrogá-lo durante uma hora sua opinião não havia mudado. Até aquele instante. Estivera procurando motivos para culpar Jonas, em vez de procurar pistas. Desgostoso consigo mesmo, e porque o trabalho o endurecera até aquele ponto, fechou o caderninho de anotações e guardou-o num bolso com a caneta.
— Creio que é só isso, por enquanto — disse — Eu me comunico com o senhor.
Joseph fez um gesto de impaciência, pegou a lista telefônica e o telefone.
— O que vai fazer? — perguntou Dawson.
— Vou contratar um investigador particular. Quero minha mulher de volta.
— Se ela foi seqüestrada, como o senhor parece acreditar, tem que esperar que peçam o resgate. Envolver investigação particular no caso só poderá piorar as coisas para a sua mulher.
— Não vai haver pedido de resgate — afirmou Joseph.
Os olhos de Dawson arregalaram-se. Como o homem sabia disso, a menos que…
— Como sabe disso? — inquiriu.
Inclinando para a frente, Joseph explicou:
— Você ainda não percebeu, não é? Eu ganho menos do que dois mil dólares por mês. Minha esposa trabalha por turnos na Biblioteca Pública. Meus pais não são ricos e Demi é órfã. Esta casa é alugada. O que eles vão pedir? As chaves da minha velha caminhonete?
O pescoço e o rosto do investigador ficaram vermelhos. Aquele homem estava fazendo com que ele se sentisse um tolo, e não gostava disso.
— Suponho que sua esposa não tem seguro de vida?
Nesse momento Joseph esganaria Dawson com o maior prazer. Cerrou os dentes, tratando de focalizar a atenção na pergunta e não no homem que a fizera.
— O único seguro de vida que existe na família é meu. Se eu morrer, Demetria receberá meio milhão de dólares. Se ela morrer, eu fico apenas com meu coração partido. Agora, se o seu pessoal terminou, preciso fazer uns telefonemas.
Sem esperar permissão, Joseph pegou o telefone e saiu da sala. Dois policiais uniformizados que estavam por perto olharam com ar interrogativo para Dawson, que apenas perguntou:
— Meu parceiro voltou?
Um dos policiais sacudiu a cabeça.
— Não, senhor. Parece que Ramsey ainda está investigando nas redondezas.
Dawson dirigiu-se para a porta da frente. Aquele caso provocava-lhe um gosto amargo na boca. Estava cansado daquele dia e de todo mundo.
Quando abriu a porta e saiu para o pórtico, uma rajada de vento sacudiu as pernas de sua calça. Estava, também, danadamente cansado daquela chuva. Deu um passo atrás, abrigando-se sob o puxado do telhado, enquanto olhava a rua em busca do carro do seu parceiro. Afinal, viu-o perto da esquina. Alguns minutos depois, Ramsey se aproximou da casa, que ficava no fim do quarteirão. Dawson acenou, indicando que estava pronto para ir embora. O carro parou diante da casa e ele saiu correndo sob a chuva.
— Que chuva mais besta! — reclamou, jogando-se no assento do passageiro e batendo a porta.
Paul Ramsey riu.
— Você não vai derreter, é velho e durão demais.
Dawson recostou-se no assento e suspirou.
— É, acho que você tem razão.
Ramsey sacudiu a cabeça, pondo o carro em movimento.
— Desanimado? A esta hora? Parceiro, começamos a trabalhar pouco depois das dez. O dia ainda é criança.
— O dia, pode ser — comentou Dawson —, mas, eu, não.
— O que quer dizer?
— Comecei esta investigação com preconceito e não me orgulho disso, Ramsey.
— Então, acha que o marido está dizendo a verdade?
Dawson deu de ombros.
— Talvez sim… talvez não. Conseguiu alguma coisa?
— Uma mulher que mora logo virando a esquina disse que quando estava chegando das compras, um carro preto com as janelas escurecidas quase a atropelou. Ela teve a impressão que o carro virou aqui.
— É claro que ela não anotou a placa.
Ramsey assentiu.
— Por que isso não é surpresa para mim? — suspirou Dawson.
— O que vamos fazer?
— Verificar as declarações de Jonas e rezar para haver pistas… Aproveitando, podemos rezar também para que esta maldita chuva pare. Estou cansado de ir para casa com os pés molhados.

Joseph sentou-se num canto da sala de estar, no escuro, olhando para a janela. A casa agora estava quieta. A polícia havia se retirado havia horas, assim como seu pai e sua mãe, que tinham chegado logo depois. A aflição deles apenas havia aumentado seu pânico, e o desaparecimento de Demi fazia-o sentir-se desligado da realidade.
Estremeceu quando uma rajada de vento fez os pingos de chuva baterem com mais força nas vidraças. Estava ficando cada vez mais frio. A previsão do tempo avisara que havia possibilidade de nevar.
De repente, o som estridente de uma sirene cortou-lhe os pensamentos; ele ergueu-se da poltrona onde estava sentado e foi para a porta. O vento frio jogou chuva em seu rosto quando saiu para o pórtico e ficou olhando a noite. Junto à luz dos postes as gotas de chuva cintilavam como lágrimas de cristal, caiam no chão e corriam para a sarjeta. Joseph foi para a beirada do pórtico e olhou atentamente para as sombras da noite, como se Demetria pudesse aparecer miraculosamente. A não ser pelo barulho da chuva o silêncio era devastador.
Joseph começou a tremer. Aquilo não podia ser real.
Tinha que haver alguma explicação simples, de que ele não lembrava. E se ela houvesse se perdido? E se estivesse lá fora, em algum lugar, procurando o caminho de volta para casa?
Saiu para a rua, debaixo da chuva, levado pela necessidade de encontrar a mulher que amava. Prometera amá-la e ficar a seu lado na doença e na saúde. Prometera protegê-la. Um soluço escapou-lhe da garganta. Como poderia protegê-la se não sabia onde ela estava?
O vento frio jogava mais chuva em seu rosto, correndo-lhe pela face, atrapalhando-lhe a visão enquanto ele caminhava pelo meio da rua . Seu coração batia forte no peito, seu estômago estava retorcido. Doía quando ele respirava. E o peito doía enquanto pensava nela.
A chuva ensopou seus cabelos, fazendo-os aderir à cabeça como um gorro negro. As roupas molhadas grudavam na pele. Ele parou no meio da rua, olhando para a esquerda, depois para a direita. Nada havia entre Joseph e o esquecimento, a não ser a chuva. A dor em seu peito foi aumentando até que inclinou a cabeça para trás e gritou:
— Demetria!
Então, segurou a respiração e ficou esperando pela voz dela, que não veio.

~

Aqui está! Desculpem-me a demora, n postei antes por conta dos comentários e por preguiça msm :p Comentem para o próximo... Beijos, amo vcs ♥

4.12.14

Remember Me - Sinopse + Selinho!

Respostas aqui'


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O coração de Joseph Jonas se despedaçou no dia em que Demetria, sua mulher, desapareceu sem deixar pistas. Teria sido sequestrada? Ou fugira com um amante? Após dois anos de dúvidas e incertezas, Demetria reaparece tão misteriosamente quanto sumiu. Mas ela não se lembra de nada, nem mesmo por que tem, agora, uma estranha tatuagem no pescoço.

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Selinho da Suzanny, obrigada, meu anjo ♥




Regras
Colocar o link do blog que te repassou aqui
Repassar para três blogs que fizeram do seu 2014 um ano melhor
Responder as perguntas sobre você


Diga o nome de uma pessoa que você queira abraçar agora
Hm... Marina Diamandis, definitivamente!
Qual sua orientação sexual?
Héterossexual
Qual seu maior medo?
Eu tenho medo de várias coisas... Não sei falar um agr :p
Um desejo nunca realizado?
Acho q ainda sou mt jovem p falar isso, acredito q tem muita coisa pela frente a se realizar
O que mais odeia sobre si mesma?
Sou muito tímida e insegura. Odeio.
O que mais gosta sobre si mesma?
Não guardo rancor de ninguém... Acredito que essa virtude seja uma das q mais gosto em mim.
Música favorita?
Não tenho uma, mas stou com um certo vício na música Oh No! de Marina and the Diamonds (é a msm q eu quero abraçar :v)

Repasso para:


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Hey, xuxus ♥ Tomei vergonha na cara e vim postar a sinopse... Gostaram? É uma história maravilhosa, qd peguei p ler, li em 4 horas de tão fascinada q fiquei ♥
Comentem para o primeiro capítulo, amores!
Beijos, amo vcs ♥
PS: Amores, quem quiser entrar em contato cmg é só me chamar lá no tt por um dos dois perfis lynchamos e sexzddl.

2.12.14

Apenas Amigos? - Epílogo

Respostas aqui'

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Três meses depois

— Sejam bem-vindos à Jamaica! É um prazer tornar a vê-los. — O sorriso de
Martin era genuíno.

— É muito bom estar de volta. — Demi sorriu também.

— Estamos em lua-de-mel. — Joe não cabia em si de felicidade. — Nós nos casamos esta manhã.

Martin apertou a mão dele e em seguida a de Demi.

— Por que não se casaram aqui? Muitos fazem isso.

—  Preferimos  fazê-lo  em  Nashville,  para  que  nossas  famílias  pudessem comparecer à cerimônia.

Para  Demi  foi  muito  importante  ter  Caroline  e  Frank  presentes.  Ambos choraram quando ela convidou Frank para acompanhá-la ao altar.

— Teríamos convidado você e sua Mathilde para serem nossos padrinhos, se tivéssemos nos casado aqui.

— Ah, isso é muito romântico! Foi a magia da ilha que os uniu... assim como aconteceu comigo e com Mathilde.

Demi sorria, o coração repleto de amor. É preciso amar um homem que seja de preferência um grande sentimental. Ela amava Joe e, como sentimental, ele dava conta do recado.
Joe pousou a mão em suas costas.

— Como estão Mathilde e as crianças?

— Muito bem. Como você sabe, sou um homem afortunado.

Demi recostou-se em Joe, absorvendo seu calor.

— E eu acabo de me tornar uma mulher afortunada.

— Sendo assim, precisamos comemorar. Terei prazer em lhes preparar uma mesa especial para o jantar desta noite, com um menu esplêndido. Meu primo agora é o chef de cozinha do hotel.

A alegria cintilava nos olhos de Joe, quando se virou para a esposa.

— Gostaríamos muito. Mas, antes disso, eu e Demi gostaríamos de dar uma volta na praia.

— Ah, querem apreciar nosso espetacular pôr-do-sol, hein?

Joe e Demi trocaram um longo olhar, repleto de lembranças e de promessas.

— Sim, isso mesmo. O pôr-do-sol aqui é...

—... estimulante — Joe terminou por ela.

— Excelente! Muito bem, eu os verei à noite. Terei imenso prazer em atendê-los.

Em minutos, eles  alcançaram a praia. O simples vestido branco de Demi deixava suas pernas nuas aos últimos raios de sol e ao doce murmúrio da brisa vinda do oceano.
Joe segurava sua mão, enquanto caminhavam à beira-mar, a água azul e translúcida batendo em seus tornozelos. Ela o fitou, e viu as íris verdes repletas de amor e desejo.
O astro-rei baixou devagar, até se perder entre as linhas da terra e do oceano, pintando a ambos de vividos tons de laranja e cor-de-rosa. Em um recanto afastado da praia jamaicana, que Demi considerava pertencer a eles dois, ela se perdia nos braços do marido, na intensidade de seus beijos.
Banhados pelo crepúsculo e pelas águas azuis do Caribe, Joe a fez se deitar.

— Ainda não escureceu... — Demi murmurou, mais como uma observação do que uma objeção.

As mãos dele tomaram seus seios, os dedos acariciando seus mamilos por cima da roupa, enquanto a beijava no pescoço.

— Sim, eu sei.


Demi puxou a camisa dele de dentro do cós da calça e correu as mãos pelo peito largo, a respiração entrecortada. Desejava muito aquele homem, tanto como na primeira vez, e sabia que entre eles seria sempre assim, ardente, intenso e... Indecente.

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Here it is! O epílogo p encerrar a história, yay! Gostaram dela? Vou ver se hj mais tarde posto a sinopse da próxima história... Comentem! Beijos, amo vcs ♥♥♥