25.11.14

Apenas Amigos? - Capítulo 5 - Leiam as notas finais, pls ♥

Respostas aqui'

 

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Joe largou a bagagem no chão.

— Verifiquei na recepção e até a Martin eu recorri, e nada. Não há um só quarto vago. Existem uns poucos desocupados, mas estão sendo reformados. Acho que teremos de dividir a suíte pelo resto da semana.

Elliott superara todas as expectativas. Joe achava que ele e Kiki não iriam além de um flerte, por isso foi uma grande surpresa encontrar os dois juntos na cama.
As coisas foram mais longe do que antecipara. Na realidade, preferia não partilhar  do  mesmo  quarto  com  Demi,  porque  ela,  pouco  a  pouco,  o  estava enlouquecendo.
Demi  mordeu  o  lábio  inferior  e  deu  de  ombros,  não  parecendo  muito preocupada.

— O que há de mal nisso? Quantas vezes você já dormiu em minha casa?

Mas isso foi antes de Joe tocá-la como homem, e não como amigo. Antes de ter experimentado seu doce sabor. Agora, seu único pensamento era colocá-la no colo, passar as mãos em seus quadris, seus seios, e enterrar a boca em seu pescoço, ouvir seu gemido de prazer, o estremecimento do desejo que ele sabia que encontraria. Queria isso tudo, e seus instintos lhe diziam que ela não se recusaria a dar.

— Sem dúvida, isso tornaria mais válida nossa história da recém-descoberta paixão.

Joe deu uma risadinha.

— Deve estar querendo muito a oportunidade de competir com Kiki.

Demi o ignorou e começou a caminhar de um lado para o outro, seu vestido colado às nádegas firmes.

— Dá para acreditar que eles estavam juntos no leito? Mesmo que minha relação com Elliott andasse meio estremecida, Kiki que não pense que o roubou de mim. — Colocou as mãos nos quadris, sua fúria competitiva aumentando.

Joe notou a mágoa sob toda aquela zanga. Riscar Elliott de sua lista de prováveis maridos era uma coisa, encontrá-lo fazendo sexo com outra mulher era outra. Demi era uma mistura de indignidade e vulnerabilidade. Só de olhar para ela, ele sentia o coração se apertar.

— Isso é tão só uma questão de opinião. Eu ficaria com a melhor, que é você. Elliott é um tolo.

— Está falando como um verdadeiro amigo, Joe. Obrigada.

Seria aquilo uma afirmação ou um lembrete? Ele nunca mentiu para Demi, e não começaria a fazer isso agora. E o remorso que o atormentava por ter encorajado Kiki e Elliott o fez confessar:

— Estou falando como homem.

Aquela frase pairou entre eles dois. Provocantes, irreversíveis.
Demi o encarou com uma intensidade que o deixou pasmo.

— Kiki é uma idiota.

— Eles têm muito em comum. — Joe se aproximou. — Venha comigo até a cama, Demi.

Ela empalideceu.

— Joe, nós não podemos... Não creio que...

Seria uma combinação de culpa, confusão e desejo escurecendo os olhos dela? Ou seriam suas próprias emoções aquelas que via refletidas?

— Precisamos cuidar desse tornozelo.

— Ah... Certo. — Demi sentou-se na beira do colchão e ergueu a perna, deslocando-se para o lado para dar lugar a ele.

— Como está?

— Bem. Não deve ter sido nada sério.

Joe era uma prova viva de que homens eram visualmente estimulados, porque foi o que aconteceu. A posição em que Demi se encontrava, na cama e reclinada para trás, era muito provocante.

— Você vai fazer isso ou mudou de idéia? — Quando Demi virou a perna, Joe estremeceu.

Procurou conter-se. O tornozelo. Ela se referia ao tornozelo. Como sobreviver durante seis noites naquela suíte com ela?

— Sim, lógico. — Joe se virou de costas e inclinou-se na beirada do colchão, de frente para os pés dela.
Um ser humano não podia suportar tamanha tortura. E com aquele vestido curto...

— Joe?

Ele a olhou por sobre o ombro.

— Sim?

— Quando os dois sugeriram que nos juntássemos a eles, você ficou tentado a aceitar?

Joe se virou devagar, com os dedos sondando a pele suave do tornozelo dela.

— Você ficou, Demi?

— Perguntei primeiro.

— Não. Nem um pouco. E você?

— Sou por demais competitiva para participar de sexo em grupo. Ficaria tão concentrada em um bom desempenho que me esqueceria de tentar apreciar a coisa toda. — Joe mudou de posição, para observar Demi. Jamais se importou tanto com alguém como se importava com ela. E ele, mais do que ninguém, sabia que importar-se com uma pessoa e querer fazer sexo com ela eram duas coisas distintas. — O que foi?

Ele acariciou lhe o rosto.

— Confesso que, em todos esses anos que nos conhecemos, nunca tinha notado essa sua notável estrutura óssea.

— Martin disse a mesma coisa... Julguei que ele estivesse atrás de uma boa gorjeta.

— Não acredito que Martin seja disso.

Demi  pretenderia  adotar  aquele  visual  exótico  para  sempre?  Joe  lhe perguntou isso.

— Não. É algo que combina bem apenas na Jamaica. Uma vez em casa, tornarei a ser o que era antes.

Joe teve a impressão de que ela não falava apenas dos cabelos.

— Há coisas na vida que nunca mais voltam a ser como antes.

Ou seja, ele tornaria a encontrar Demi para o costumeiro almoço no Birelli’s, sem sentir aquela poderosa atração, por ela? Demi endireitou os ombros e empinou o queixo, como que aprontando-se para uma batalha.

— Você teria ficado interessado se eu não fosse sua amiga e não fizesse parte da equação?

Será que Demi não percebia seu intenso desejo por ela?

— Está brincando ou falando sério?

— Por acaso eu estou rindo, Joe?

— Não. De qualquer modo, não gosto de dividir.

— Oh...

— Prefiro fazer amor a dois. — Os olhos dele prendiam os dela. — Prefiro total atenção, sem nada que me distraia. Mas isso é coisa minha. Apenas um lembrete: você era a única parte da equação que tinha algum interesse por mim.

Sua crua admissão pairou entre eles. Demi respirou fundo.

— E então, Dr. Jonas, o que recomenda para o meu tornozelo?

— Recomendo que mantenha a perna erguida e coloque gelo no local da contusão. — Joe apanhou um travesseiro. — Se fizer isso, amanhã estará novinha em folha.

Demi pousou o calcanhar no travesseiro, o que sem querer ofereceu a Joe a visão das coxas bronzeadas sob a barra do seu vestido branco.

— Vou pegar um pouco de gelo. Por que não coloca seu pijama enquanto faço isso? — Caso contrário, ele corria o sério risco de esquecer que aquelas pernas gloriosas pertenciam a Demi.
Sem dúvida, quando ela estivesse dentro daquela camiseta larga e da calça de moletom, suas roupas usuais de dormir, ele teria um pouco de sossego.

— Mas ainda é tão cedo...

— Sei disso. Porém, amanhecerá em excelente estado se permanecer quietinha, sem forçar a musculatura. Caso contrário, isso poderá arruinar sua semana inteira.

— Tem razão. Pode sair sem mim. Prometo me comportar.

Não havia como Joe sair e deixá-la sozinha planejando vinganças contra Kiki e Elliott. De qualquer modo, sem Demi, nada teria graça.

— Esqueça. Estamos juntos nisso. De qualquer modo, prefiro não me encontrar com Kiki e Elliott. Além disso, para eles devo estar na cama com você...

— Ah, claro!

Joe se dirigiu à saída.

— Trarei o gelo. Não demoro.

Demi foi mancando para o banheiro, determinada a recuperar a serenidade de espírito antes que Joe voltasse.
“Prefiro fazer amor a dois... com total atenção, sem nada que me distraia... você era a única parte da equação interessada em mim.”
Amigos. Amigos. Amigos. Demi repetiu a palavra vezes sem fim para tentar banir de si o eco daquelas frases sedutoras, a recordação dos dedos dele em sua pele e o fogo da paixão em suas íris verdes.
Joe abriu a porta.

— O gelo. — Trazendo um balde, ele atravessou o quarto sem olhar na direção dela. — Eu disse para você manter o tornozelo alto, se quiser melhorar. Por favor, obedeça.

Ao sentar-se, Demi experimentou  um arrepio nervoso. Ficou  vendo Joe acondicionar o gelo dentro de um saco de plástico que encontrou no armário. Embora parecesse  ser  o  mesmo  Joe,  aquele  ali  era  um  homem  diferente.  Ou  melhor, demonstrava uma diferente faceta daquele que ela conhecia.
Demi ajeitou a alça do sutiã. Joe por várias vezes a vira se preparar para dormir.  Só  que  naquela  viagem  ela  não  trouxera  suéteres  velhos,  moletons  ou camisetas extra largas. Armara-se com uma sacola de lingerie feitas para seduzir.
Aquele conjunto de calcinha de seda e renda cor de bronze, com o sutiã combinando, entre muitos outros, era o mais comportado que tinha. Olhou para a delicada confecção. Talvez Joe nem notasse que o sutiã mal a cobria.
Ele se virou, enrolando uma toalha em torno do saco de gelo. Levantou a cabeça e parou a meio caminho. Demi piscou, confusa. Vê-la ali deitada, com uma perna erguida, os cabelos espalhados sobre o travesseiro...
Joe praguejou contra a própria relutância. O desejo físico, entretanto, não se aplacou, e ele ficou agradecido pela penumbra reinante.
A pulsação de Demi era tão forte que entrecortava sua respiração.

— Onde estão suas camisetas de dormir? Eu pego para você. — O tom grave da voz dele a excitou.

— Eu não trouxe. — Demi pendia entre satisfação e consternação.

Seu ego agradeceria por aquela dose saudável de admiração masculina. Mas aquele era Joe.

— Você deve estar com frio, Demi. Não quer seu roupão? Diga onde está que vou pegar.

— Também não trouxe.

Joe cerrou os olhos e pressionou as mandíbulas.

— Olharei para você em cinco segundos. Se de fato sabe o que é melhor para nós dois, tratará de se esconder debaixo do lençol.

Em três segundos, ela estava escondida sob a coberta, deixando de fora apenas o pé do tornozelo machucado sobre o travesseiro.

Quando Joe tornou a fitá-la, já tinha conseguido voltar ao normal.

— Isto deve ajudar. — Ele colocou o gelo sobre o tornozelo dela e ajeitou o travesseiro sob sua perna.

— Está bem assim. Obrigada.

Joe foi para longe da cama, e Demi respirou fundo. Riu, o tom forçado até mesmo aos próprios ouvidos.

— Isso não é nem de longe o que planejei. Na Jamaica e presa no leito com um tornozelo machucado...

— E encontrar seu namorado na cama com minha namorada fazia parte do que planejou? — Joe deu-lhe as costas e começou a desabotoar a camisa.

— Não, de modo algum. — Ela o olhava pelo espelho do armário.

Pêlos castanho-dourados cobriam boa parte do tórax largo para desaparecer na cintura da calça.
Joe a flagrou. Demi o queria.
Sem dizer nada, ele foi para o banheiro e fechou-se lá dentro. Demi apagou a luz do abajur e lutou para recuperar a sanidade mental.
Joe era seu melhor amigo. Não devia se esquecer disso.
Era um tremendo conquistador. Ela, mais do que nunca, não devia se esquecer disso.
O toque de Joe a punha em brasas. Isso tinha o poder de metê-la em sérias encrencas.
Demi se mexeu, aconchegando-se ao sólido calor sob seu rosto e sua perna, ao emergir das profundezas do sono.
Um  perfume familiar e excitante invadiu  seus  sentidos  despertando-a por completo. Acordou para sentir o peso de uma coxa masculina jogada sobre si, os pelos do peito fazendo cócegas em seu seio. O contorno rígido das formas masculinas a pressioná-la.
Abriu os olhos. Ela. Joe. Entrelaçados.
Na noite anterior, eles se acomodaram em lados opostos da enorme cama de casal. Enquanto dormiam, encontraram-se no meio dela. Graças a Deus ele ainda dormia.
O mais correto a fazer era sair dali. E Demi faria isso, em um minuto. Mas que mal poderia haver em alguns instantes mais de sensual indulgência?
Cerrou as pálpebras e deliciou-se com a sensação de tê-lo tão perto.
Uma volúpia lânguida fluiu em cada terminação nervosa. Aninhada ao calor dele, Demi se deu conta de que nunca antes sentira verdadeiro desejo por alguém. 
Joe era o objeto de seu desejo. E também seu melhor amigo.
Mas Joe a queria muito, tanto quanto ela a ele. Vira o fogo em suas pupilas, ouvira a paixão na rouquidão em sua voz.
A atitude mais fácil seria acordá-lo escorregando a mão sob o cós de seu pijama e envolvê-lo com os dedos, enquanto passava a língua em seu mamilo.
O escudo da amizade oferecia segurança. Mas não havia nada de seguro em Joe como amante. Quantas vezes o vira passar de uma namorada para outra? Joe jamais a magoaria de propósito, mas seria capaz de devastá-la.
Demi não planejou aquilo que estava acontecendo, e não tinha uma estratégia para lidar com a situação. Todavia, existia um mundo de diferença entre o mais fácil a fazer e o mais certo.
Retirou a perna de entre as dele e ajeitou o sutiã. Com o máximo cuidado, rolou para o outro lado e avançou para a beirada.
No sono, Joe se virou para perto dela, passando o braço por seu pescoço e pousando a mão em seu peito. O outro braço a enlaçou pela cintura, prendendo-a a ele.
Sua excitação encontrou as nádegas dela.
Demi devia se afastar. Pular dali e correr para longe. Em vez disso, contorceu-se de encontro a  ele.  Joe  deslizou  a  mão  direita  para segurar seu  seio.  Com movimentos sonolentos, apertou seu mamilo entre os dedos.
Uma sensação indescritível espalhou-se dentro de Demi. Atrás dela, a boca calorosa mordiscava a junção sensível entre seu pescoço e o ombro. Um gemido deliciado escapou de seus lábios.
Soube o exato instante em que Joe recobrou a consciência. A mão que brincava com seu mamilo estacou.

— Demi? Já acordou?

Como poderia virar-se e dizer que sim? Demi estendeu os braços para cima, fingindo despertar.

— Hum... O que foi? — Evitou encará-lo. — Sou a primeira a tomar banho.

Assim que fechou a porta do banheiro, Demi se recostou nela. Mais um segundo e nada a impediria de se entregar a Joe, para pôr um fim àquele tormento todo.
Joe tomou uma chuveirada rápida. Na véspera, tomara um banho longo e gelado antes de juntar-se a Demi no leito.
Demi, sua melhor amiga.
Vestiu-se rápido e voltou para o quarto.

— Pronto para o desjejum? — Demi não olhava para ele desde que se levantou.

Ele deveria estar se sentindo mal com tudo aquilo. Tinha mexido com sua melhor amiga naquela manhã, enquanto ela dormia. No entanto, Joe gostou demais daquilo. Ainda podia sentir nos lábios seu calor gostoso, a curva de suas costas contra seu tórax, o tormento de suas nádegas contra o baixo-ventre.

— Mais do que pronto. Como está seu tornozelo?

Demi roçou em seu braço ao passar, e o breve contato e sua frescura de após o banho o excitaram.
Ela calçou a sandália e mexeu o pé.

— Muito melhor. Apenas uma pontada ocasional.

— Acha que poderá mergulhar? Partiremos do píer em uma hora e meia. Coloquei nosso nome na lista, enquanto você tomava banho.

— Creio que sim. Estou muito bem. — Demi endireitou os ombros. — E não se esqueça  de que, quando encontrarmos  Kiki e Elliott,  precisaremos  fingir que estamos envolvidos em uma grande paixão.

— Tem certeza de que não prefere deixar tudo como está?

— Eles nos enganaram ao decidirem nos trair sob nossos narizes. Como você pode sugerir “deixar como está”?

Não havia como fazer Demi mudar de idéia quando ela decidia competir por algo.

— Como quiser, Demi. Fingiremos estar apaixonados, então.

Mais seis dias e cinco longas noites. Joe precisava ter em mente que Demi não era como qualquer mulher, ela era... bem, Demi.
Joe passou um braço pelos ombros dela, e saíram da suíte.

As águas translúcidas e cor de esmeralda do Caribe cintilavam sob o céu azul. Vários banhistas já se encontravam na praia em suas espreguiçadeiras ao longo da areia branca, evitando a sombra das palmeiras.

— Um novo dia no paraíso — comentou Demi, dando voz aos pensamentos dele ao adentrarem o restaurante ao ar livre que tanto apreciavam.

O café da manhã era informal. O bufê oferecia uma enorme variedade de itens.
Joe avistou Kiki e Elliott no momento em que chegaram.

— Não olhe agora, Demi. Inimigo à vista.

Demi não se deu ao trabalho de olhar em torno. De imediato grudou nele como um ímã.
A mesma torrente de paixão de antes, na qual Joe quase se afogou, tornou a ameaçá-lo.
Demi acariciou seu rosto, os lábios a milímetros de sua orelha.

— Vamos, Joe. Precisa olhar para mim como se nós dois tivéssemos acabado de sair da cama, e você mal consegue esperar para levar-me de volta para lá.

— Talvez isso esteja mais perto da verdade do que imagina — murmurou ele contra sua boca, sentindo o gosto de menta do creme dental. Abraçou-a e pousou a mão aberta em seu quadril.
Cruzaram o imenso salão, dirigindo-se a uma das mesas perto da água. Joe sentou-se ao lado de Demi, como se não tolerasse ficar longe, o que era mesmo o caso. Tomou-lhe as mãos, deliciado.
Martin apareceu com seu sorriso largo.

— Como estão as coisas, amigos? — Ele olhou para suas mãos juntas e sorriu mais  ainda.  —  Está  parecendo  que  vocês  dois  não  puderam  resistir  aos  ares caribenhos...

— Sim. E fomos agraciados com esta linda manhã.

— Era óbvio que isso iria acontecer. Dois casais que chegaram juntos partirão separados. É a magia da ilha. Ela lança um encantamento e traz para fora a verdade de nossos corações. — Martin deu risada. — Posso ver, por sua expressão, que você não acredita  na  magia  da  Jamaica,  Joe.  Eu  também  não  acreditava,  até  que  fui presenteado com a melhor das esposas.

Demi se inclinou para a frente, interessada no que Martin dizia.

— Eu adoraria saber como conheceu Mathilde. Você não, Joe?

— Claro que sim.

Joe julgava que Martin, embora um bom homem, seria bem capaz de inventar aquelas histórias só para agradar aos turistas.

— Mathilde e eu costumávamos jogar vôlei juntos. Crescemos no mesmo vilarejo. Éramos amigos, mas eu não a via como mulher. Isso até que, aos dezenove anos, passei a temporada de verão trabalhando em Negril, para me preparar para meu serviço aqui. Quando voltei, encontrei um forasteiro cortejando-a. Foi aí que, através da magia da ilha, vi Mathilde como era de verdade, e acabamos nos casando.
Joe moveu-se no assento. Aquele relato tinha muito a ver com ele. “E veja aonde isso levou Martin: ao casamento. Unido a uma só mulher.” Mas se ele afirmava que existia magia na ilha, quem era Joe para discordar?
Um quê de pânico brilhou nos olhos de Demi. Ela também teria notado a semelhança?

— Muito lindo o que nos contou, Martin. Como você era quando jovem? Tímido? Sossegado?

Martin pensou um pouco e deu de ombros.

—  Nada  disso.  Na  juventude,  fui  terrível,  incorrigível.  Minha  Mathilde costumava  ficar  muito  desgostosa.  Mas  aquilo  passou,  tanto  que  acabamos  nos casando. Posso trazer-lhes um pouco do excelente café jamaicano? Consta do bufê, mas trarei um bule fresquinho para os dois.

— Obrigado.

— Será um prazer, Joe. Ah! Eu gostaria de sugerir nosso pain au chocolat, que encontrarão no bufê. — Martin se afastou para providenciar o café.

Joe empurrou a cadeira para trás e levantou-se.

— Espere aqui, Demi. Farei um prato para você. — Interrompeu o protesto dela colocando o dedo indicador sobre seus lábios. — Descanse o tornozelo, mocinha. E não se preocupe, sei do que você gosta.

Ela tornou a recostar-se.

— Obrigada. Só uma louca se recusaria a ser servida por você.

Joe voltou logo, trazendo um prato com fatias de manga, mamão papaia, maçã e morangos, e um outro com um variado sortimento de pãezinhos, doces e fatias de bolo.
Enquanto ele estivera ausente, Martin trouxera o café. Demi olhou o prato com os pãezinhos, os doces e o bolo.

— Joe, você sabe que não resisto a doces. Quer que eu engorde?

— Está de férias, Demi. Faça dieta quando voltar para Nashville. — E partiu o pain au chocolate ao meio. O chocolate derretido escorreu de dentro do croissant amanteigado.
Demi serviu-se de um pedaço de mamão papaia. Antes que começasse a comer, Joe chegou mais perto até ver o céu azul refletido nas íris castanhas e ofereceu o bocado ante seus lábios entreabertos.
Bem devagar, Demi afundou os dentes no  croissant. A calda de chocolate derretido escorreu para o dedo dele. O ruído dos pratos, xícaras e talheres e da conversa ao redor diminuiu até desaparecer, enquanto ela lambia o chocolate de seu dedo.

— Chocolate e frutas. Adoro essa mistura.

A cadência rouca da voz dela o tentou, tão rica e convidativa como o chocolate. Seu olhar prendeu os de Joe ao levar um pedaço de mamão à boca.
Os bicos enrijecidos de seus seios projetavam-se no tecido de algodão da blusa.
Estava tão excitada quanto ele.
Joe gemeu baixinho, sem saber com certeza se sobreviveria àquele desjejum.
Demi ofereceu um pedaço de mamão para Joe.

— Experimente.

Ele saboreou  a doçura  da  fruta, seu  corpo latejando em  resposta. Jamais sonharia  que partilhar de  um café  da  manhã com  Demi  poderia  se tornar  uma experiência daquelas, quase indecente.

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Olá... Tudo bem? Eu vou bem! Me desculpem postar só agr, faltou energia em quase toda a cidade aq, por causa de uma chuvinha! Nunca chove e qd chove falta energia ¬¬ Enfim, estão gostando? Sam disse q está acontecendo muito rápido as coisas... Mas ta dando p entender? Agr começa uns hots aí... hehe' Comentem, ok? Beijos, amo vcs ♥
Até o próximo capítulo...

PS: O que acham de uma maratona amanhã? De 3 capítulos? A história é bem curtinha...

24.11.14

Apenas Amigos? - Capítulo 4

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 Na manhã seguinte, perto da piscina do hotel, Joe aguardava ansioso por Demi.  Durante  o  desjejum,  Kiki  e  Elliott,  ambos  de  ressaca,  anunciaram  que pretendiam jogar cartas no
lounge do hotel. Isso deixou Joe e Demi com seus planos de fazer canoagem, de acordo com o planejado.
Joe também estava de ressaca, mas a dele nada tinha a ver com álcool. Demi com seu beijo enlouquecedor o manteve acordado quase a noite toda.

— Pronto? — Demi chegou e o brindou com um brilhante sorriso.

Era nítida sua determinação de ignorar os acontecimentos da véspera.

— Mais do que pronto. O recepcionista me informou que os barcos partem de um ponto da praia perto daqui.

A caminho de lá, um silêncio constrangedor prolongou-se entre os dois.

— Joe...

— Demi...

Ela o interrompeu:

— Sobre ontem, quero que saiba que lamento muito o que aconteceu.

— Pois eu, não. Nem um pouco, aliás.

— Mas devia. Aquilo foi um erro. Não era para ter acontecido.

— Você deve estar certa.

Talvez tivesse sido melhor para Joe jamais ter experimentado o gosto de sua paixão, algo que o assombrara sem cessar desde aquele momento. Mesmo agora passara a querer muito repetir a experiência.

— Eu estava fora de mim. Deixei-me levar pela atmosfera, pelo vinho e pela música. Poderia ter acontecido com qualquer um.

—  Está  dizendo  isso  para  que  eu  me  sinta  melhor?  —  Aquilo  era  um verdadeiro banho de água fria em seu ego.

— Espero que o que houve não afete nossa amizade, porque nada significou.

— Não afetará, Demi.

Ela estava lhe pedindo para não dar relevância ao fato. Talvez para Demi ele tivesse sido apenas alguém que estava no lugar certo e na hora certa.

— Vamos esquecer, está bem?

— Por mim, já está esquecido, Demi.

Alcançaram as canoas enfileiradas à margem. O atendente os recebeu com um sorriso cordial.

— É uma manhã perfeita para canoagem. O mar está bastante calmo e límpido. Escolham a canoa que preferir. — Apontou para o oeste. — Naquela direção, vocês avistarão os magníficos penhascos caribenhos.

Joe e Demi escolheram o primeiro barco da fila, e o rapaz entregou um remo a cada um.

— Não entro em uma canoa desde a escola secundária, quando passamos um fim de semana perto de um lago.

— É verdade,  Joe. Você perdeu  a viagem  que eu  fiz no ano passado. Precisava atender àquela reunião de vendas. Prefere que eu vá na frente ou atrás?

— Na frente.

Demi se posicionou no banco. Joe empurrou a embarcação para a água e entrou.
Com movimentos fluidos e graciosos, ela mergulhou o remo na água azul cristalina e puxou para trás. A camiseta que usava colava-se nas suas costas e nos quadris.
Distraído, Joe ajeitou o remo. Demi olhou por sobre o ombro, aguardando.

— Não há pressa. Lembre-se: movimentos longos e suaves.

Ela deu uma remada para ele ver.

— Está bem assim?

Joe se deu conta de que aquele seria um longo e torturante dia.

No jantar, ao término do segundo prato, Kiki e Elliott iniciaram uma discussão acalorada sobre a violência nas metrópoles, deixando Joe e Demi partilhando de uma refeição a dois, embora os quatro ocupassem a mesma mesa.
Joe  observou  Demi.  Sua  pele  bronzeada  adquiria  um  tom  dourado  no tremular da luz das velas, e seus olhos amendoados brilhavam muito. Quantas vezes olhara para ela sem na realidade vê-la? Como não notara aquela sua sensualidade provocante?
Durante todos aqueles anos, Joe sempre achou que a conhecia muito bem, apenas para descobrir que aquela mulher escondia um lado profundo que ele não teve perspicácia para perceber. Demi era cheia de complexidade, mas que Joe a reduziu a uma só dimensão.

— Você hoje está tão quieto, Joe...

Demi parecia ter esquecido mesmo aquela dança erótica e o beijo que trocaram.

— É que me sinto um trapo depois da noite passada...

“Droga, não tenho nada de continuar flertando com ela!”
Demi arqueou as sobrancelhas.

— Isso deve ser resultado de sua atividade extracurricular antes do jantar
.
Estaria Demi querendo obter informações sobre Joe e Kiki?

— A única atividade extracurricular em meu quarto antes do jantar foi Kiki se arrumando durante duas horas antes de descer. Que coisa cansativa...

Uma mulher vaidosa como Kiki exigia uma alta manutenção.

— Não quer experimentar a mousse de manga? Deve estar uma delícia. — Joe empurrou a tigela em sua direção.

Demi pegou a colher.

— Só um bocadinho.

Joe deu risada. Demi e seus bem dosados bocadinhos de prazer...
Ela  levantou  a  colher  com  a  mousse,  suas  pálpebras  se  fechando  em antecipação. Abriu a boca e experimentou o doce.

— Hum... De fato está fantástica!

Quantas vezes ele a vira fazer aquilo: saborear algo em absoluto deleite? No entanto, jamais, até aquele momento, o gesto causou nele tal efeito devastador. Joe quase sufocou, à medida que seu cérebro criava um efeito visual de algo diferente da colher escorregando por entre os lábios sensuais. Tentou apagar a imagem, meneando a cabeça.

— É assim tão bom?

Demi fez que sim, as contas nas pontas de seus cabelos roçando os ombros nus.

— Mais do que bom. Eu diria que é... melhor do que sexo.

Demi já dissera aquilo antes, mas dessa vez a frase quase o tirou do eixo. Joe pegou o copo com água e tomou um longo gole.
Ela tornou a mergulhar a colher na tigela com a mousse.

— Veja que maravilha. Inclinou-se para a frente, estendendo a colher para Joe.

— Não quero, obrigado.

— Experimente, pelo menos — Demi insistiu, aproximando mais a colher. O movimento fez descer o decote de seu top, oferecendo a Joe um relance de sua pele dourada e perfeita. — Isso é de dar água na boca.

Ela queria matá-lo, só podia ser isso.

— Não, Demi.

— Vamos lá... Não ficou tentado? Sempre gostou de experimentar coisas novas. — Sua voz soou baixa e enrouquecida, e Joe não tinha certeza se a nota de sedução era real ou pura imaginação sua.

Mas Demi não era novidade alguma. Apenas seu modo de enxergá-la era novo, e aquilo não era o que ela estava oferecendo. Ou era? Não era a mousse de manga que o tentava.

— Não estou com vontade.

— É uma pena. Não sabe o que está perdendo... — Demi saboreou mais uma colherada do doce e em seguida lambeu a colher, gemendo.

O coração de Joe disparou.
Kiki de repente consultou o relógio de pulso e levantou-se.

— Nove horas. Preciso falar com o escritório na Califórnia, antes que feche.

Joe empurrou a cadeira para trás.

— Irei com você. — Ele não ficaria ali diante daquela torturante mousse de manga.

Kiki fez um gesto com a mão, para impedi-lo.

— Fique onde está. A conversa pode demorar, e você na certa vai se aborrecer.

— Mas...

Ela o empurrou de volta ao assento.

— Termine de tomar seu vinho. Irei ao encontro de vocês no Jungle Room. Além do mais, quero alguns minutos para relaxar.

Kiki não lhe deu alternativa a não ser ficar.

— Como quiser... Nós nos veremos no Jungle Room.

— Pode ser que eu me atrase um pouco.

— Pode deixar, Kiki. Tomaremos conta de Joe até você voltar — brincou Demi, provocante.

Durante a refeição, notou o monopólio de Kiki sobre Elliott.
Os olhos de Kiki se estreitaram, e ela piscou para Demi.

— Eu agradeço. — Então, dirigiu-se a Elliott. — Vejo-o mais tarde.

Elliott observou-a se afastar e balançou a cabeça, com admiração.

— Uma mulher e tanto essa sua namorada... Aceitam mais um pouco de vinho?

Demi ergueu a taça.

— Só mais um pouco, obrigada.

Joe também aceitou mais meia taça. Deus sabia que ele não queria Elliott indo a nocaute todas as noites de tanto beber, embora lhe fosse conveniente, porque desmaiado não estaria capacitado a fazer amor com Demi. Tinha de admitir que a idéia era atraente. Afinal, isso talvez provocasse o afastamento dos dois e, por conseqüência, o fim dos planos de casamento.

— Acredita que Kiki conheceu Dean Whatley?

Joe não fazia a menor idéia de quem se tratava. Elliott tornou a encher a taça.

— Verdade? E como foi que ela o conheceu? — Demi quis saber.

Era o incentivo que Elliott precisava para beber mais. Esvaziou a garrafa, começando a enrolar a língua ao falar do sujeito, até gritar, quando derramou o restinho do vinho tinto na frente de camisa branca:

— Que imbecil que eu sou!

Martin de imediato apareceu, com um pano úmido na mão.

— Deixe comigo. — O garçom esfregou o tecido. — Mancha de vinho é difícil de desaparecer. Conheço uma excelente lavanderia, que não arruinará sua camisa. Posso enviar alguém para apanhar?

— Claro. — Elliott se ergueu, apoiando-se na mesa para se equilibrar. —Bem, vou subir e me trocar. Vejo vocês mais tarde, no Jungle Room.

E afastou-se, cambaleando.
Martin assentiu.

— Ah, o Jungle Room... Excelente escolha.

Joe de imediato se lembrou da dança sexy de Demi, na noite anterior.
Ela deu uma risadinha, falando, um tanto rouca:

— Você sempre acha que é uma excelente escolha, não é, Martin?

— Nem sempre.

Joe podia jurar que o viu olhar na direção de Elliott, que se afastava.

— Mas gosto de apontar aquelas que de fato são, tal como seu novo visual. Ficou muito bonito. — O garçom fez uma leve reverência. — Com licença...

Demi virou-se para Joe e pousou o cotovelo no tampo, pousando o queixo na mão.

— Será que estou ficando muito suscetível ou Kiki e Elliott de fato estão formando uma sociedade de mútua admiração?

— Também notou, é?

— Precisaria ser cega para não ver. — Sorriu com ironia.

— Suponho que agora esteja reconsiderando o Hotel Hot Sands como uma opção ideal para lua-de-mel.

Elliott era um perdedor. Joe só esperava que Demi desistisse daquela loucura de casamento.

— O Hot Sands é ótimo. O noivo é que precisa ser reconsiderado.

Joe respirou, aliviado. Demi não poderia se casar sem um noivo.

— Fico feliz em saber que pretende pôr Elliott para correr.

— Eu não disse isso. Mas, com certeza, não vou mais me casar com ele.
Ela estava desistindo do casamento!

Fazia semanas que Joe não se sentia tão bem. Em breve, tudo entre os dois voltaria à normalidade.

— Não quer dar um passeio na praia antes de irmos para o clube?

Demi esboçou um sorriso sensual que o fez delirar.

— Fantástica sugestão.

Joe se levantou e puxou a cadeira para ela. Esbarrou a mão em suas costas quando Demi se ergueu, e isso foi o bastante para esquentar lhe o sangue.
Talvez as coisas não ficassem tão normais assim, afinal...

— Apoie-se em mim. — Joe passou o braço pela cintura de Demi após ela ter dado um feio tropeção ao caminharem pela areia da praia.

Pararam junto a uma das tochas acesas que davam à noite um clima primitivo. O som pulsante da música chegava até ali, vindo do Jungle Room, e misturava com o barulho dos insetos e dos pássaros noturnos.
Demi não estava certa se seria capaz de afastar-se dele. Mas precisava conter aquele ímpeto insano, inoportuno, politicamente incorreto, mas poderoso de beijá-lo e ver se a paixão que explodira entre os dois na véspera era verdadeira.
Seria um escândalo se Kiki ou Elliott aparecessem de repente e a vissem se insinuando  para  seu  melhor  amigo,  que  decerto  ficaria  horrorizado  com  seu comportamento, julgando que ela havia enlouquecido. Uma coisa era brincar de flertar à mesa e a quatro, ou em uma pista de dança lotada, mas ali naquela praia escura, estando os dois sozinhos, era diferente.

— Demi? Não vai desmaiar, vai? Seu tornozelo está doendo muito?

— Um pouco, mas não desmaiarei.

Tampouco pretendia cair sobre ele como uma espécie de harpia faminta por sexo.

— O que deu em mim para querer caminhar nessa areia fofa usando sandálias de plataforma? — O calçado infrator e seu par balançavam em sua mão direita.

— Elas podem ser inadequadas, mas estavam muitíssimo bem em você, usadas com esse vestido curto. Pelo menos até você cair do alto delas.

— Lembre-se de que caí do alto de uma delas apenas — Demi corrigiu-o, com ar travesso.

Os olhos de Joe brilhavam.

— Certo. Não me importo de ser corrigido.

A competitividade a levou a perguntar:

— Acha que minhas pernas são mais bonitas do que...

Joe ficou sério.

— Muito mais... São fantásticas e capazes de tirar um homem do sério. — Não havia brincadeira alguma suavizando a cadência rouca em sua voz. — Agora, apoie-se em mim, já disse. Ou prefere que eu a pegue no colo?

— Você não se atreveria.

— “Atrevido” é meu nome do meio...

A pressão que Demi sentia do braço forte em torno de sua cintura aumentou, e a entonação de Joe mais parecia uma carícia, afetando-lhe os nervos como uma estimulação sexual verbal. Demi lembrou a si mesma o quanto ele devia ter praticado para atingir a nota certa.
Tentou relaxar. Ela e Joe sempre davam apoio um ao outro, e a pressão da coxa dele contra a dela devia lhe ser familiar o suficiente. Porém, excitava-a, evocando uma ânsia louca em seu íntimo, que a inquietava. Será que Joe conseguia perceber seu desejo por ele? Demi se afastou.

— Pode deixar, Joe. Eu agora estou bem.

— Se prefere assim... — Com um movimento rápido, tomou-a no colo.

O tempo pareceu parar. Cada centímetro dela respondia a Joe. O roçar dos braços firmes contra a sensível parte de trás de seus joelhos e costas, o erguer e baixar do peito musculoso contra seu seio direito, as batidas de seu coração.
Demi se pôs a observá-lo, considerando alguns dos sentimentos e pensamentos perigosos surgido naqueles últimos dias, que se recusavam a ir embora. Gostava da provocação em que Joe era mestre; de erguer o olhar e ver que ele estava por perto. Se cerrasse as pálpebras, até conseguia imaginar-se casada com ele, ambos sozinhos numa ensolarada manhã de domingo, saboreando café e bolo e lendo jornal. Talvez caminhando pelo parque, partilhando os sonhos, fazendo amor... fazendo bebês...
Espantou-se consigo mesma, e balançou a cabeça.

— Passe o braço em torno de meu pescoço — Joe instruiu.

A razão avisava que ela devia exigir que ele a colocasse de volta no chão. No entanto, uma outra parte de seu cérebro reconhecia o quanto gostava da sensação de estar aninhada a ele, sendo carregada por Joe naquela sedutora noite jamaicana. Por isso, aconchegou-se ainda mais.
Esperou que Joe fosse cambalear com seu peso, mas, em vez disso, continuou a caminhar sem o menor esforço.

— Em seu quarto ou no meu?

A noite, aquela frase sugestiva, seu perfume, sua voz enrouquecida... “Demi, meu bem, Joe pretende apenas examinar seu tornozelo.”
O quarto dele era o mais próximo. O dela ficava na ala oeste, e quanto mais cedo ele a colocasse de pé, melhor seria.

— O seu está mais perto que o meu, e existe uma grande possibilidade de Elliott ter desmaiado lá dentro. — Demi não queria pensar no namorado enquanto o magnetismo de Joe a virava do avesso.

Joe parou do lado de fora da porta do aposento e, ainda com ela no colo, procurou no bolso pelo cartão-chave. Uma risadinha soou do lado de dentro.

— Para variar, Kiki deve estar ao telefone — murmurou Joe, a boca a poucos centímetros do ouvido de Demi.

Abriu a porta e entrou.
Sem notar a audiência, de costas, em um emaranhado de lençóis, pernas e braços, Kiki gritou. Com um dique, a porta fechou atrás deles.
“Mas o que...” Demi encarou Joe.

— Ela não está telefonando.

Kiki ergueu a cabeça. Seu grito subseqüente combinava com a surpresa em seu rosto ao deparar com Joe e Demi. No meio da cama, a cabeça de Elliott surgiu sob os lençóis.
Todo o oxigênio parecia ter desaparecido de seus pulmões. Demi notara a atração óbvia entre Kiki e Elliott, mas não esperava por aquilo.
Escorregou do colo de Joe para o chão e parou, um braço ainda em torno dele. Não apenas era Elliott aquele, na cama, nu, com outra mulher, mas dada a posição em que se encontrava, não precisava ser uma  expert  em física, como era Kiki, para adivinhar o que estiveram fazendo. Só que ele nunca estava disposto a fazer o mesmo com ela.
Joe arqueou sobrancelha.

— Como vê, seu namorado não está desmaiado.

— Não é o que vocês estão pensando... Estamos nos divertindo, apenas isso! — Kiki soltou a declaração do ano. — Não precisam fazer tanto alvoroço por nada.

Elliott, sem o menor constrangimento, levantou a ponta do lençol e convidou:

— Não querem participar da festa?

E aquele era o homem com quem ela pretendia se casar. Demi contava com aquela temporada na Jamaica para “soltar” o severo Elliott, mas não nada a preparara para aquilo.
Joe mantinha o braço em sua cintura, apoiando-a.

— Não, obrigado — Joe recusou por eles dois.

Demi riu, esperando que ninguém notasse a ponta de histeria.

— Não sou muito de festas...

Kiki a fitou.
— Não banque a santinha. Reconheço que erramos, mas eu a vi na pista de dança. E embora você e Joe tenham negado, notei o modo como se olham. E por que outro motivo dois casais viriam para a Jamaica juntos, se não estivessem interessados em sexo em grupo?

Tal coisa jamais ocorreu a Demi. Não era do tipo antiquado, só que sexo grupal não fazia parte de seu repertório.

— Venha, Demi. Isso colocará um pouco de pimenta em nosso relacionamento — insistia Elliott.

— Prometo que será bastante divertido — Kiki tentou persuadir, com meiguice. — Nós quatro, já pensaram? E você prometeu que cuidaria de Joe.

Demi fez isso por achar que Kiki merecia uma lição por estar se insinuando para seu namorado. O que não significava que ela, Demi, iria para a cama com seu melhor amigo. Sua mão dela formigava de vontade de bater em Kiki e acabar com aquele seu olhar sedutor.

— Esse divertimento é relativo. — Joe meneou a cabeça, o olhar duro, apesar do divertimento calculado no semblante. — Não gosto de dividir nada com ninguém.

Elliott bufou.
Embora Demi se sentisse ingênua e desajeitada em comparação à sofisticação sexual de Kiki, aquele era um jogo de que não tinha interesse algum em participar. Ou pelo menos não de acordo com as regras estabelecidas pelos dois traidores.
Tampouco se abateria por isso. Tinha e seguia as próprias normas. Um sorriso lento suavizou seus traços. Virou-se para Joe, pondo-os em total contato corporal, insinuando a perna por entre suas coxas.
A surpresa se estampou no rosto dele.

— Viu que bom, querido? Agora não teremos mais que nos preocupar sobre como, ou quando, dar a notícia a eles.

Joe entendeu a deixa e passou o outro braço em torno dela, correndo a mão por seus quadris e parando em suas costas.

— Não poderia existir momento melhor, meu bem.

— Que novidade? — Elliott quis saber, provando sua grande estupidez ao preferir Kiki a Demi.

— Kiki acertou quanto a uma coisa. Demi e eu acabamos de descobrir que existe algo mais intenso correndo entre nós dois além de uma forte amizade. Algo poderoso, potente e explosivo. — Embora Joe se dirigisse a Kiki e a Elliott, seus olhos não abandonavam Demi.

Ela umedeceu os lábios de repente secos. Aquilo estava mais próximo da verdade do que ele imaginava.

— Não sabíamos como dizer isso a vocês — Demi completou.

— Mal consegui afastar as mãos dela durante toda a noite. — Joe correu a palma por suas nádegas, passando por sua cintura até parar na nuca. — Agora não preciso mais me conter.

Aquela carícia deixou uma trilha de fogo por onde passou. Os olhos verdes de Joe a hipnotizavam. Por um instante, pareciam os únicos naquela suíte.

— Como pôde fazer  isso comigo, Demi?! — protestou  Elliott,  de cenho franzido.

— Eles nunca me enganaram — Kiki teve o descaramento de se indignar. — Notei o modo como se olhavam. Eu o avisei.

E aqueles dois ainda tinham a coragem de se sentirem ultrajados, mesmo estando ali, juntos na cama e nus sob os lençóis! Pelo visto, o fato de irem para a cama juntos era algo muito natural. Mas para Demi e Joe era insultante.
Demi estava grata por ela e Joe terem virado o jogo.

— Ora, vocês parecem muito espantados — zombou Joe, com um toque de sarcasmo. — Mas tudo bem, logo se recuperarão.

Demi forçou uma expressão contrita.

— Lamento muito, Elliott. Essa coisa entre nós... — Roçou a boca na de Joe e mordiscou lhe o lábio, com malícia. Apesar de o desempenho ser para aquela audiência exclusiva, sua pele arrepiou. — No entanto, veja as coisas por este lado: você não ficará a ver navios. Pelo menos receberá um prêmio de consolação.

Kiki mal continha a fúria.

— Um minuto, por favor...

Demi a interrompeu:

— Entendo sua aflição. Em seu lugar eu também ficaria aflita. — Demi olhou bem para Kiki na cama com Elliott. — Mas há tantos homens maravilhosos lá fora... você só precisava escolher um.

Ela roçou a testa no queixo de Joe.

— E pensar que ele esteve o tempo todo por perto...

O olhar ardente de Joe a fez estremecer.

— Vamos, querido. Eu gostaria de um pouco de privacidade, agora que tiramos esse peso da consciência.

Joe abriu a porta e se dirigiu a Elliott:

— Voltarei em cinco minutos com suas roupas, e então pegarei as minhas.

Elliott afastou a coberta, fazendo menção de se levantar.

— Pode deixar que eu mesmo faço isso. Não quero minhas roupas amarrotadas.

Joe estendeu a mão.

— Não! Faça um favor a todos nós. Fique aí mesmo.

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GENTE, Q O BICHO PEGOU estão gostando? a parada vai esquentar, preparem-se dshjdsahgsd Comentem para o próximo, estou louca para ver/ler as reações de vcssss ♥
Beijos, amo vcs ♥