24.11.14

Apenas Amigos? - Capítulo 4

Respostas aqui'

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 Na manhã seguinte, perto da piscina do hotel, Joe aguardava ansioso por Demi.  Durante  o  desjejum,  Kiki  e  Elliott,  ambos  de  ressaca,  anunciaram  que pretendiam jogar cartas no
lounge do hotel. Isso deixou Joe e Demi com seus planos de fazer canoagem, de acordo com o planejado.
Joe também estava de ressaca, mas a dele nada tinha a ver com álcool. Demi com seu beijo enlouquecedor o manteve acordado quase a noite toda.

— Pronto? — Demi chegou e o brindou com um brilhante sorriso.

Era nítida sua determinação de ignorar os acontecimentos da véspera.

— Mais do que pronto. O recepcionista me informou que os barcos partem de um ponto da praia perto daqui.

A caminho de lá, um silêncio constrangedor prolongou-se entre os dois.

— Joe...

— Demi...

Ela o interrompeu:

— Sobre ontem, quero que saiba que lamento muito o que aconteceu.

— Pois eu, não. Nem um pouco, aliás.

— Mas devia. Aquilo foi um erro. Não era para ter acontecido.

— Você deve estar certa.

Talvez tivesse sido melhor para Joe jamais ter experimentado o gosto de sua paixão, algo que o assombrara sem cessar desde aquele momento. Mesmo agora passara a querer muito repetir a experiência.

— Eu estava fora de mim. Deixei-me levar pela atmosfera, pelo vinho e pela música. Poderia ter acontecido com qualquer um.

—  Está  dizendo  isso  para  que  eu  me  sinta  melhor?  —  Aquilo  era  um verdadeiro banho de água fria em seu ego.

— Espero que o que houve não afete nossa amizade, porque nada significou.

— Não afetará, Demi.

Ela estava lhe pedindo para não dar relevância ao fato. Talvez para Demi ele tivesse sido apenas alguém que estava no lugar certo e na hora certa.

— Vamos esquecer, está bem?

— Por mim, já está esquecido, Demi.

Alcançaram as canoas enfileiradas à margem. O atendente os recebeu com um sorriso cordial.

— É uma manhã perfeita para canoagem. O mar está bastante calmo e límpido. Escolham a canoa que preferir. — Apontou para o oeste. — Naquela direção, vocês avistarão os magníficos penhascos caribenhos.

Joe e Demi escolheram o primeiro barco da fila, e o rapaz entregou um remo a cada um.

— Não entro em uma canoa desde a escola secundária, quando passamos um fim de semana perto de um lago.

— É verdade,  Joe. Você perdeu  a viagem  que eu  fiz no ano passado. Precisava atender àquela reunião de vendas. Prefere que eu vá na frente ou atrás?

— Na frente.

Demi se posicionou no banco. Joe empurrou a embarcação para a água e entrou.
Com movimentos fluidos e graciosos, ela mergulhou o remo na água azul cristalina e puxou para trás. A camiseta que usava colava-se nas suas costas e nos quadris.
Distraído, Joe ajeitou o remo. Demi olhou por sobre o ombro, aguardando.

— Não há pressa. Lembre-se: movimentos longos e suaves.

Ela deu uma remada para ele ver.

— Está bem assim?

Joe se deu conta de que aquele seria um longo e torturante dia.

No jantar, ao término do segundo prato, Kiki e Elliott iniciaram uma discussão acalorada sobre a violência nas metrópoles, deixando Joe e Demi partilhando de uma refeição a dois, embora os quatro ocupassem a mesma mesa.
Joe  observou  Demi.  Sua  pele  bronzeada  adquiria  um  tom  dourado  no tremular da luz das velas, e seus olhos amendoados brilhavam muito. Quantas vezes olhara para ela sem na realidade vê-la? Como não notara aquela sua sensualidade provocante?
Durante todos aqueles anos, Joe sempre achou que a conhecia muito bem, apenas para descobrir que aquela mulher escondia um lado profundo que ele não teve perspicácia para perceber. Demi era cheia de complexidade, mas que Joe a reduziu a uma só dimensão.

— Você hoje está tão quieto, Joe...

Demi parecia ter esquecido mesmo aquela dança erótica e o beijo que trocaram.

— É que me sinto um trapo depois da noite passada...

“Droga, não tenho nada de continuar flertando com ela!”
Demi arqueou as sobrancelhas.

— Isso deve ser resultado de sua atividade extracurricular antes do jantar
.
Estaria Demi querendo obter informações sobre Joe e Kiki?

— A única atividade extracurricular em meu quarto antes do jantar foi Kiki se arrumando durante duas horas antes de descer. Que coisa cansativa...

Uma mulher vaidosa como Kiki exigia uma alta manutenção.

— Não quer experimentar a mousse de manga? Deve estar uma delícia. — Joe empurrou a tigela em sua direção.

Demi pegou a colher.

— Só um bocadinho.

Joe deu risada. Demi e seus bem dosados bocadinhos de prazer...
Ela  levantou  a  colher  com  a  mousse,  suas  pálpebras  se  fechando  em antecipação. Abriu a boca e experimentou o doce.

— Hum... De fato está fantástica!

Quantas vezes ele a vira fazer aquilo: saborear algo em absoluto deleite? No entanto, jamais, até aquele momento, o gesto causou nele tal efeito devastador. Joe quase sufocou, à medida que seu cérebro criava um efeito visual de algo diferente da colher escorregando por entre os lábios sensuais. Tentou apagar a imagem, meneando a cabeça.

— É assim tão bom?

Demi fez que sim, as contas nas pontas de seus cabelos roçando os ombros nus.

— Mais do que bom. Eu diria que é... melhor do que sexo.

Demi já dissera aquilo antes, mas dessa vez a frase quase o tirou do eixo. Joe pegou o copo com água e tomou um longo gole.
Ela tornou a mergulhar a colher na tigela com a mousse.

— Veja que maravilha. Inclinou-se para a frente, estendendo a colher para Joe.

— Não quero, obrigado.

— Experimente, pelo menos — Demi insistiu, aproximando mais a colher. O movimento fez descer o decote de seu top, oferecendo a Joe um relance de sua pele dourada e perfeita. — Isso é de dar água na boca.

Ela queria matá-lo, só podia ser isso.

— Não, Demi.

— Vamos lá... Não ficou tentado? Sempre gostou de experimentar coisas novas. — Sua voz soou baixa e enrouquecida, e Joe não tinha certeza se a nota de sedução era real ou pura imaginação sua.

Mas Demi não era novidade alguma. Apenas seu modo de enxergá-la era novo, e aquilo não era o que ela estava oferecendo. Ou era? Não era a mousse de manga que o tentava.

— Não estou com vontade.

— É uma pena. Não sabe o que está perdendo... — Demi saboreou mais uma colherada do doce e em seguida lambeu a colher, gemendo.

O coração de Joe disparou.
Kiki de repente consultou o relógio de pulso e levantou-se.

— Nove horas. Preciso falar com o escritório na Califórnia, antes que feche.

Joe empurrou a cadeira para trás.

— Irei com você. — Ele não ficaria ali diante daquela torturante mousse de manga.

Kiki fez um gesto com a mão, para impedi-lo.

— Fique onde está. A conversa pode demorar, e você na certa vai se aborrecer.

— Mas...

Ela o empurrou de volta ao assento.

— Termine de tomar seu vinho. Irei ao encontro de vocês no Jungle Room. Além do mais, quero alguns minutos para relaxar.

Kiki não lhe deu alternativa a não ser ficar.

— Como quiser... Nós nos veremos no Jungle Room.

— Pode ser que eu me atrase um pouco.

— Pode deixar, Kiki. Tomaremos conta de Joe até você voltar — brincou Demi, provocante.

Durante a refeição, notou o monopólio de Kiki sobre Elliott.
Os olhos de Kiki se estreitaram, e ela piscou para Demi.

— Eu agradeço. — Então, dirigiu-se a Elliott. — Vejo-o mais tarde.

Elliott observou-a se afastar e balançou a cabeça, com admiração.

— Uma mulher e tanto essa sua namorada... Aceitam mais um pouco de vinho?

Demi ergueu a taça.

— Só mais um pouco, obrigada.

Joe também aceitou mais meia taça. Deus sabia que ele não queria Elliott indo a nocaute todas as noites de tanto beber, embora lhe fosse conveniente, porque desmaiado não estaria capacitado a fazer amor com Demi. Tinha de admitir que a idéia era atraente. Afinal, isso talvez provocasse o afastamento dos dois e, por conseqüência, o fim dos planos de casamento.

— Acredita que Kiki conheceu Dean Whatley?

Joe não fazia a menor idéia de quem se tratava. Elliott tornou a encher a taça.

— Verdade? E como foi que ela o conheceu? — Demi quis saber.

Era o incentivo que Elliott precisava para beber mais. Esvaziou a garrafa, começando a enrolar a língua ao falar do sujeito, até gritar, quando derramou o restinho do vinho tinto na frente de camisa branca:

— Que imbecil que eu sou!

Martin de imediato apareceu, com um pano úmido na mão.

— Deixe comigo. — O garçom esfregou o tecido. — Mancha de vinho é difícil de desaparecer. Conheço uma excelente lavanderia, que não arruinará sua camisa. Posso enviar alguém para apanhar?

— Claro. — Elliott se ergueu, apoiando-se na mesa para se equilibrar. —Bem, vou subir e me trocar. Vejo vocês mais tarde, no Jungle Room.

E afastou-se, cambaleando.
Martin assentiu.

— Ah, o Jungle Room... Excelente escolha.

Joe de imediato se lembrou da dança sexy de Demi, na noite anterior.
Ela deu uma risadinha, falando, um tanto rouca:

— Você sempre acha que é uma excelente escolha, não é, Martin?

— Nem sempre.

Joe podia jurar que o viu olhar na direção de Elliott, que se afastava.

— Mas gosto de apontar aquelas que de fato são, tal como seu novo visual. Ficou muito bonito. — O garçom fez uma leve reverência. — Com licença...

Demi virou-se para Joe e pousou o cotovelo no tampo, pousando o queixo na mão.

— Será que estou ficando muito suscetível ou Kiki e Elliott de fato estão formando uma sociedade de mútua admiração?

— Também notou, é?

— Precisaria ser cega para não ver. — Sorriu com ironia.

— Suponho que agora esteja reconsiderando o Hotel Hot Sands como uma opção ideal para lua-de-mel.

Elliott era um perdedor. Joe só esperava que Demi desistisse daquela loucura de casamento.

— O Hot Sands é ótimo. O noivo é que precisa ser reconsiderado.

Joe respirou, aliviado. Demi não poderia se casar sem um noivo.

— Fico feliz em saber que pretende pôr Elliott para correr.

— Eu não disse isso. Mas, com certeza, não vou mais me casar com ele.
Ela estava desistindo do casamento!

Fazia semanas que Joe não se sentia tão bem. Em breve, tudo entre os dois voltaria à normalidade.

— Não quer dar um passeio na praia antes de irmos para o clube?

Demi esboçou um sorriso sensual que o fez delirar.

— Fantástica sugestão.

Joe se levantou e puxou a cadeira para ela. Esbarrou a mão em suas costas quando Demi se ergueu, e isso foi o bastante para esquentar lhe o sangue.
Talvez as coisas não ficassem tão normais assim, afinal...

— Apoie-se em mim. — Joe passou o braço pela cintura de Demi após ela ter dado um feio tropeção ao caminharem pela areia da praia.

Pararam junto a uma das tochas acesas que davam à noite um clima primitivo. O som pulsante da música chegava até ali, vindo do Jungle Room, e misturava com o barulho dos insetos e dos pássaros noturnos.
Demi não estava certa se seria capaz de afastar-se dele. Mas precisava conter aquele ímpeto insano, inoportuno, politicamente incorreto, mas poderoso de beijá-lo e ver se a paixão que explodira entre os dois na véspera era verdadeira.
Seria um escândalo se Kiki ou Elliott aparecessem de repente e a vissem se insinuando  para  seu  melhor  amigo,  que  decerto  ficaria  horrorizado  com  seu comportamento, julgando que ela havia enlouquecido. Uma coisa era brincar de flertar à mesa e a quatro, ou em uma pista de dança lotada, mas ali naquela praia escura, estando os dois sozinhos, era diferente.

— Demi? Não vai desmaiar, vai? Seu tornozelo está doendo muito?

— Um pouco, mas não desmaiarei.

Tampouco pretendia cair sobre ele como uma espécie de harpia faminta por sexo.

— O que deu em mim para querer caminhar nessa areia fofa usando sandálias de plataforma? — O calçado infrator e seu par balançavam em sua mão direita.

— Elas podem ser inadequadas, mas estavam muitíssimo bem em você, usadas com esse vestido curto. Pelo menos até você cair do alto delas.

— Lembre-se de que caí do alto de uma delas apenas — Demi corrigiu-o, com ar travesso.

Os olhos de Joe brilhavam.

— Certo. Não me importo de ser corrigido.

A competitividade a levou a perguntar:

— Acha que minhas pernas são mais bonitas do que...

Joe ficou sério.

— Muito mais... São fantásticas e capazes de tirar um homem do sério. — Não havia brincadeira alguma suavizando a cadência rouca em sua voz. — Agora, apoie-se em mim, já disse. Ou prefere que eu a pegue no colo?

— Você não se atreveria.

— “Atrevido” é meu nome do meio...

A pressão que Demi sentia do braço forte em torno de sua cintura aumentou, e a entonação de Joe mais parecia uma carícia, afetando-lhe os nervos como uma estimulação sexual verbal. Demi lembrou a si mesma o quanto ele devia ter praticado para atingir a nota certa.
Tentou relaxar. Ela e Joe sempre davam apoio um ao outro, e a pressão da coxa dele contra a dela devia lhe ser familiar o suficiente. Porém, excitava-a, evocando uma ânsia louca em seu íntimo, que a inquietava. Será que Joe conseguia perceber seu desejo por ele? Demi se afastou.

— Pode deixar, Joe. Eu agora estou bem.

— Se prefere assim... — Com um movimento rápido, tomou-a no colo.

O tempo pareceu parar. Cada centímetro dela respondia a Joe. O roçar dos braços firmes contra a sensível parte de trás de seus joelhos e costas, o erguer e baixar do peito musculoso contra seu seio direito, as batidas de seu coração.
Demi se pôs a observá-lo, considerando alguns dos sentimentos e pensamentos perigosos surgido naqueles últimos dias, que se recusavam a ir embora. Gostava da provocação em que Joe era mestre; de erguer o olhar e ver que ele estava por perto. Se cerrasse as pálpebras, até conseguia imaginar-se casada com ele, ambos sozinhos numa ensolarada manhã de domingo, saboreando café e bolo e lendo jornal. Talvez caminhando pelo parque, partilhando os sonhos, fazendo amor... fazendo bebês...
Espantou-se consigo mesma, e balançou a cabeça.

— Passe o braço em torno de meu pescoço — Joe instruiu.

A razão avisava que ela devia exigir que ele a colocasse de volta no chão. No entanto, uma outra parte de seu cérebro reconhecia o quanto gostava da sensação de estar aninhada a ele, sendo carregada por Joe naquela sedutora noite jamaicana. Por isso, aconchegou-se ainda mais.
Esperou que Joe fosse cambalear com seu peso, mas, em vez disso, continuou a caminhar sem o menor esforço.

— Em seu quarto ou no meu?

A noite, aquela frase sugestiva, seu perfume, sua voz enrouquecida... “Demi, meu bem, Joe pretende apenas examinar seu tornozelo.”
O quarto dele era o mais próximo. O dela ficava na ala oeste, e quanto mais cedo ele a colocasse de pé, melhor seria.

— O seu está mais perto que o meu, e existe uma grande possibilidade de Elliott ter desmaiado lá dentro. — Demi não queria pensar no namorado enquanto o magnetismo de Joe a virava do avesso.

Joe parou do lado de fora da porta do aposento e, ainda com ela no colo, procurou no bolso pelo cartão-chave. Uma risadinha soou do lado de dentro.

— Para variar, Kiki deve estar ao telefone — murmurou Joe, a boca a poucos centímetros do ouvido de Demi.

Abriu a porta e entrou.
Sem notar a audiência, de costas, em um emaranhado de lençóis, pernas e braços, Kiki gritou. Com um dique, a porta fechou atrás deles.
“Mas o que...” Demi encarou Joe.

— Ela não está telefonando.

Kiki ergueu a cabeça. Seu grito subseqüente combinava com a surpresa em seu rosto ao deparar com Joe e Demi. No meio da cama, a cabeça de Elliott surgiu sob os lençóis.
Todo o oxigênio parecia ter desaparecido de seus pulmões. Demi notara a atração óbvia entre Kiki e Elliott, mas não esperava por aquilo.
Escorregou do colo de Joe para o chão e parou, um braço ainda em torno dele. Não apenas era Elliott aquele, na cama, nu, com outra mulher, mas dada a posição em que se encontrava, não precisava ser uma  expert  em física, como era Kiki, para adivinhar o que estiveram fazendo. Só que ele nunca estava disposto a fazer o mesmo com ela.
Joe arqueou sobrancelha.

— Como vê, seu namorado não está desmaiado.

— Não é o que vocês estão pensando... Estamos nos divertindo, apenas isso! — Kiki soltou a declaração do ano. — Não precisam fazer tanto alvoroço por nada.

Elliott, sem o menor constrangimento, levantou a ponta do lençol e convidou:

— Não querem participar da festa?

E aquele era o homem com quem ela pretendia se casar. Demi contava com aquela temporada na Jamaica para “soltar” o severo Elliott, mas não nada a preparara para aquilo.
Joe mantinha o braço em sua cintura, apoiando-a.

— Não, obrigado — Joe recusou por eles dois.

Demi riu, esperando que ninguém notasse a ponta de histeria.

— Não sou muito de festas...

Kiki a fitou.
— Não banque a santinha. Reconheço que erramos, mas eu a vi na pista de dança. E embora você e Joe tenham negado, notei o modo como se olham. E por que outro motivo dois casais viriam para a Jamaica juntos, se não estivessem interessados em sexo em grupo?

Tal coisa jamais ocorreu a Demi. Não era do tipo antiquado, só que sexo grupal não fazia parte de seu repertório.

— Venha, Demi. Isso colocará um pouco de pimenta em nosso relacionamento — insistia Elliott.

— Prometo que será bastante divertido — Kiki tentou persuadir, com meiguice. — Nós quatro, já pensaram? E você prometeu que cuidaria de Joe.

Demi fez isso por achar que Kiki merecia uma lição por estar se insinuando para seu namorado. O que não significava que ela, Demi, iria para a cama com seu melhor amigo. Sua mão dela formigava de vontade de bater em Kiki e acabar com aquele seu olhar sedutor.

— Esse divertimento é relativo. — Joe meneou a cabeça, o olhar duro, apesar do divertimento calculado no semblante. — Não gosto de dividir nada com ninguém.

Elliott bufou.
Embora Demi se sentisse ingênua e desajeitada em comparação à sofisticação sexual de Kiki, aquele era um jogo de que não tinha interesse algum em participar. Ou pelo menos não de acordo com as regras estabelecidas pelos dois traidores.
Tampouco se abateria por isso. Tinha e seguia as próprias normas. Um sorriso lento suavizou seus traços. Virou-se para Joe, pondo-os em total contato corporal, insinuando a perna por entre suas coxas.
A surpresa se estampou no rosto dele.

— Viu que bom, querido? Agora não teremos mais que nos preocupar sobre como, ou quando, dar a notícia a eles.

Joe entendeu a deixa e passou o outro braço em torno dela, correndo a mão por seus quadris e parando em suas costas.

— Não poderia existir momento melhor, meu bem.

— Que novidade? — Elliott quis saber, provando sua grande estupidez ao preferir Kiki a Demi.

— Kiki acertou quanto a uma coisa. Demi e eu acabamos de descobrir que existe algo mais intenso correndo entre nós dois além de uma forte amizade. Algo poderoso, potente e explosivo. — Embora Joe se dirigisse a Kiki e a Elliott, seus olhos não abandonavam Demi.

Ela umedeceu os lábios de repente secos. Aquilo estava mais próximo da verdade do que ele imaginava.

— Não sabíamos como dizer isso a vocês — Demi completou.

— Mal consegui afastar as mãos dela durante toda a noite. — Joe correu a palma por suas nádegas, passando por sua cintura até parar na nuca. — Agora não preciso mais me conter.

Aquela carícia deixou uma trilha de fogo por onde passou. Os olhos verdes de Joe a hipnotizavam. Por um instante, pareciam os únicos naquela suíte.

— Como pôde fazer  isso comigo, Demi?! — protestou  Elliott,  de cenho franzido.

— Eles nunca me enganaram — Kiki teve o descaramento de se indignar. — Notei o modo como se olhavam. Eu o avisei.

E aqueles dois ainda tinham a coragem de se sentirem ultrajados, mesmo estando ali, juntos na cama e nus sob os lençóis! Pelo visto, o fato de irem para a cama juntos era algo muito natural. Mas para Demi e Joe era insultante.
Demi estava grata por ela e Joe terem virado o jogo.

— Ora, vocês parecem muito espantados — zombou Joe, com um toque de sarcasmo. — Mas tudo bem, logo se recuperarão.

Demi forçou uma expressão contrita.

— Lamento muito, Elliott. Essa coisa entre nós... — Roçou a boca na de Joe e mordiscou lhe o lábio, com malícia. Apesar de o desempenho ser para aquela audiência exclusiva, sua pele arrepiou. — No entanto, veja as coisas por este lado: você não ficará a ver navios. Pelo menos receberá um prêmio de consolação.

Kiki mal continha a fúria.

— Um minuto, por favor...

Demi a interrompeu:

— Entendo sua aflição. Em seu lugar eu também ficaria aflita. — Demi olhou bem para Kiki na cama com Elliott. — Mas há tantos homens maravilhosos lá fora... você só precisava escolher um.

Ela roçou a testa no queixo de Joe.

— E pensar que ele esteve o tempo todo por perto...

O olhar ardente de Joe a fez estremecer.

— Vamos, querido. Eu gostaria de um pouco de privacidade, agora que tiramos esse peso da consciência.

Joe abriu a porta e se dirigiu a Elliott:

— Voltarei em cinco minutos com suas roupas, e então pegarei as minhas.

Elliott afastou a coberta, fazendo menção de se levantar.

— Pode deixar que eu mesmo faço isso. Não quero minhas roupas amarrotadas.

Joe estendeu a mão.

— Não! Faça um favor a todos nós. Fique aí mesmo.

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GENTE, Q O BICHO PEGOU estão gostando? a parada vai esquentar, preparem-se dshjdsahgsd Comentem para o próximo, estou louca para ver/ler as reações de vcssss ♥
Beijos, amo vcs ♥

23.11.14

Apenas Amigos? - Capítulo 3

 

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Joe tornou a verificar as horas. Demi não chegava, e aquela preocupação o atormentava. Enquanto Kiki vivia se atrasando, tanto que quase perdeu o vôo naquela manhã, a pontualidade era sagrada para Demi. E eles deviam ter se encontrado no píer trinta minutos atrás. Elliott não sabia de seu paradeiro. Confessou ter estado o tempo todo verificando provas e trabalhos feitos por seus alunos. Como Demi, que tinha tanto interesse por tudo e por todos, podia considerar casar-se com alguém igual a ele?
Nada houve entre Joe e Kiki. Em vez de aproveitar a siesta para dormir, ela preferiu se trancar no banheiro para tratar da pele e cuidar das unhas.
Joe, por outro lado, empenhava-se em procurar tirar Demi da cabeça. “Não consigo pensar em ninguém mais com quem eu prefira partilhar minha primeira vez”, ela dissera.
Quantas vezes e com quantas mulheres Joe acabara na cama por causa de semelhantes insinuações? Mas jamais com Demi. Ela nunca antes o fitou com um convite naqueles olhos amendoados. Sua voz jamais antes adquiriu aquele tom rouco ao dirigir-se a ele, nem o abraçou como se abraçasse um amante. E se Joe tivesse algum juízo, teria seduzido Kiki durante a siesta e procurado esquecer a amiga de infância.

— Está vendo o que estou vendo? — perguntou Elliott.

Um movimento a distância chamou a atenção de Joe, que olhou naquela direção. Uma loira sensual vinha caminhando devagar pela praia, os cabelos cheios de trancinhas, à moda jamaicana. Por um instante, Joe notou algo um tanto familiar naquele caminhar confiante. De repente, mal conseguia respirar. Aquelas trancinhas, aquelas pernas... No espaço de um segundo, sua imaginação a pôs nua em cima dele, com aquelas pernas deliciosas envolvendo-o pela cintura.

— Demi de fato possui pernas fantásticas. 

Demi? “Demi?! O que...” Joe tirou os óculos escuros. Não admirava ele ter reconhecido seu caminhar. Tornou a colocar e a tirar os óculos, mal notando Kiki vindo junto com Demi.
Quando ela passou ao lado de uma quadra de vôlei de praia, o rapaz junto à rede se virou, desajeitado, para observá-la, de queixo caído. A bola acertou suas costas, atirando-o ao chão.

— Desculpem-nos pelo atraso. — Kiki passou o braço pelo de Joe.

— Nós nos encontramos a caminho daqui. — Demi sorriu. — E então? O que acharam de meu novo visual?

Havia  continhas  coloridas  presas  na ponta  de cada  uma das  tranças, que alcançavam seus ombros, o estilo acentuando as maçãs de seu rosto e os lábios cheios. A camiseta branca que usava sobre o biquíni oferecia um relance tentador dos seios perfeitos. Desde que chegaram à Jamaica, Demi não parava de surpreender Joe, revelando todo tipo de coisas novas sobre si mesma.

— Gostei. É muito diferente... — Elliott a estudava com atenção. — Ficou muito bem.

— Mas o que deu em você para fazer isso?! — No minuto em que disse aquilo, Joe se arrependeu.

No entanto, não estava acostumado àquela versão sensual de Demi despertando ainda mais suas fantasias.

— Ora, Joe, não seja bobo e diga o que achou!

“Droga, feri os sentimentos dela!” A fantasia que teve com Demi voltou-lhe à memória. O que ele achava? Bem, àquela altura, se revelasse a verdade, a assustaria. E a si próprio também.

— Desculpe-me, Demi, Só não estou acostumado a vê-la desse jeito. Esqueça o que eu falei. Você ficou linda.

— Também acho. Eu faria o mesmo se tivesse essa sua adorável estrutura óssea — comentou Kiki.

Elliott sorriu, e fitando o top do biquíni da namorada de Joe.

— Não vejo nada de errado com sua estrutura.

Kiki se envaideceu. As sobrancelhas de Demi arquearam-se sob os óculos de sol.
Elliott era um idiota, Joe decidiu. Por que flertava com Kiki diante de sua namorada, uma mulher tão adorável?
Demi gostava de planejar o próximo passo que daria, mas Joe se agarrava a qualquer oportunidade que se apresentasse. Kiki e Elliott...
Joe ficaria mais do que feliz em dar a Elliott corda bastante para que se enforcasse. Se o professor continuasse se insinuando para Kiki, ele não teria de se preocupar em ver Demi sendo conduzida pela nave da igreja para se casar um tolo. Tudo o que Joe precisaria fazer seria oferecer um pouco de encorajamento, atirar um nos braços do outro e apenas observar.
Elliott não merecia Demi, e Joe estava prestes a provar isso.
Claro que não pretendia levar as coisas adiante com a cientista. Uma semana de praia, sol e mar sem sexo era um preço pequeno demais a pagar, para evitar que Demi cometesse o maior erro de sua vida.
Joe atirou a chave do jet ski para Kiki.

— Você e Elliott ficam com o número vinte e sete. Nós ficaremos com o vinte e oito.
Entusiasmadíssima, Kiki montou no jet ski e acenou para Elliott.
— Vamos lá, estou ansiosa! Há muito tempo não pego um virgem.
Elliott acomodou-se na garupa e enlaçou Kiki. Dada a diferença de altura, suas mãos pousaram bem debaixo dos seios redondos. Kiki ligou o motor.
A brisa soprando do mar espalhava uma mistura potente de filtro solar e do perfume de Demi. O que estava havendo com ela naquele dia? Seria a atração pelo desconhecido que fazia o coração de Joe bater forte como o de um adolescente se preparando para o primeiro encontro? Quando se acostumasse com aquele seu novo penteado, talvez tudo se normalizasse.

— Eu diria que Elliott está bastante entusiasmado com Kiki, e ele ainda não bebeu... Não concorda comigo? — Demi indagou, o que soou com um toque de asperidade aos ouvidos de Joe.

Com  o braço pressionado junto à cintura de Joe, ela  acabava com  sua serenidade.
Kiki acenou de longe.

— Ei! Venham juntar-se a nós!

Joe também fez um aceno.

— Tem razão quanto a Elliott, Demi. Neste exato momento, ele parece apreciar muito o fato de estar agarrado a Kiki. E sou capaz de jurar que ela não se importa.

— Você se importa?

— Nem um pouco. Entre nós dois nada existe além de uns poucos encontros.

Joe não iria ficar sentado observando Demi cometer o maior erro de sua existência casando-se com Elliott. Conhecia bem aquela tolinha e sabia do que ela era capaz quando decidia seguir um objetivo à risca.

— Por favor, me ensine como pilotar esta coisa. — Demi reuniu as trancinhas e as segurou na nuca. — Vamos lá?

A última coisa que Joe queria era ver Demi competindo com Kiki por Elliott. Mas se ele, Joe, distraísse sua atenção, flertando com ela como fizera naquele dia no almoço... Bem, era o que sabia fazer de melhor, embora com Demi ele jamais tivesse tentado. Porém, conseguiria fazer aquilo. E se, no fim, ela desistisse de se casar com Elliott, essa seria a melhor das recompensas.
Demi tirou o frasco de protetor solar da sacola.

— Por favor, passe isto em minhas costas, Joe. Eu não alcanço, e Elliott não está aqui para me ajudar... — Tirou a camiseta e estendeu-lhe o vidro. — Não quero me queimar demais no primeiro dia. Na verdade, prefiro não me queimar. — Joe ficou paralisado. Que Deus o ajudasse... Em toda a praia, as mulheres usavam biquínis menores e bem mais reveladores, mas nenhuma ficara tão bem como Demi. Um lento calor começou a arder em seu abdome e se espalhou por todo o corpo. — Joe? — Ela balançou o frasco diante de seu rosto. — Vai me ajudar com isso ou terei de pedir ajuda aos jogadores de vôlei?

— De modo algum. Vire-se.

Joe derramou uma generosa quantidade de protetor solar na palma da mão e devolveu-lhe o vidro por sobre o ombro. Esfregou  as palmas e parou-as no ar.

“Controle-se, homem. Essa é Demi. E acabe logo com isso!”

No instante em que tocou a pele delicada ele se deu conta de que subestimara aquela  tarefa.  Suas  mãos  e  a  ponta  dos  dedos  pareciam  ter  vontade  própria, massageando, às vezes acariciando. Ainda bem, considerando que seu cérebro parara de funcionar.
Deslizou por sob a alça do biquíni. Demi estremeceu, e a resposta repercutiu dentro dele. Cuidando para não deixar um só centímetro de pele sem proteção, Joe correu as mãos por sua espinha, indo até abaixo da cintura.
Outro estremecimento dela. Demi era tão sensual, tão sensível a seu toque... E pensar que tocara apenas suas costas.
Joe conteve uma ânsia insana de escorregar as mãos por sob a calcinha do biquíni e massagear lhe as nádegas. Assim, sussurraria doces palavras em seu ouvido, até Demi ansiar por um lugar isolado naquela praia onde pudesse realizar sua fantasia com ele. Talvez se fosse outra mulher... Mas aquela era Demi.
E Demi queria apenas que Joe passasse creme protetor em suas costas, não que ficasse fantasiando a seu respeito.
Desse modo, Joe deixou cair as mãos e, mais uma vez, lembrou a si mesmo que aquela era sua melhor amiga. Amiga, e não mulher, advertiu à própria libido, à própria mente e a todas as partes de sua anatomia.
Demi o encarou.

— Já chega. Vamos? Não quero continuar virgem.

Joe teve de fazer força para não deixar escapar um gemido.
Demi verificou as horas. Onze. Após o vôo e toda a agitação da corrida de jet ski naquele mar azul-turquesa com Joe, devia estar exausta. Em vez disso, sentia-se mais cheia de energia do que nunca.
Apesar do horário, a noite continuava plena de promessas. No jardim, os pássaros  noturnos  cantavam  chamando,  um  ao  outro,  e  a  brisa  chegava  até  ali impregnada pelo perfume das flores e das ervas exóticas.
A ritmada música caribenha ecoava do clube dentro do hotel, o Jungle Room.
Demi passou o braço pela cintura de Elliott, seus quadris instintivamente respondendo ao ritmo. Animada, se ela dirigiu a Joe e Kiki.

— O que acham de dançarmos um pouco?

Kiki agarrou a mão de Joe e puxou-o em direção ao hotel.

— Excelente idéia! Vamos ao clube.

Elliott, após ter tomado três taças de vinho durante o jantar, demonstrou mais entusiasmo do que talento ao ensaiar alguns passos. Demi tentava acompanhá-lo e ria.

— Não sabia que você gostava de dançar, Demi — Joe comentou enquanto ele e Kiki os seguiam.

Demi notou, naquele dia que, por mais que ela e Joe se conhecessem, havia muito que desconheciam a respeito um do outro. Através dos anos, enquanto discutiam sobre  seus  respectivos  relacionamentos,  evitavam  qualquer  comentário  sobre  a sensualidade de cada um. Quando Joe passou protetor solar em suas costas, Demi descobriu um novo lado dele. E também de si mesma. Seu toque sensual quase a virou do avesso.

— Talvez existam duas ou três coisas sobre mim que você desconhece... — Demi lançou as palavras por sobre o ombro.

Por mais que tentasse manter uma entonação casual, não pôde evitar um toque sutil de provocação.

— Vocês são amigos há muito tempo, Demi? — Kiki quis saber.

— Vinte e quatro anos.

O volume da música aumentava à medida que se aproximavam do clube.

— E nunca se cansam um do outro?

“Nunca!” Joe era a pessoa mais interessante que Demi conhecia.

— Não.

— Não.

A resposta dos dois foi simultânea.
Elliott aumentou a pressão no ombro da namorada, puxando-a para mais perto.

— Demi pode não se cansar, mas eu, sim. Ele está sempre por perto. — Elliott se queixou para ninguém em particular. — Sem ofensa.

Joe achou graça do comentário.

— Fique tranqüilo, Elliott. Não me ofendo com facilidade.

— Vinte e quatro anos e vocês nunca...

— Nunca — Demi logo assegurou.

Não que Kiki se importasse, estava apenas curiosa. Era como se a amizade deles fosse uma esquisitice a ser dissecada. Talvez em outra noite e em outro lugar Demi tivesse ficado ofendida com a atitude da jovem. Mas não ali e naquele momento, quando o calor e o ritmo alucinante despertavam-lhe pensamentos lascivos.
Kiki parou a alguns passos da porta do clube.

— Vinte e quatro anos e nenhum dos dois jamais tentou? Desculpem-me, mas não dá para acreditar.

Em uma ou duas vezes, Demi também não acreditou. E, desde que chegaram à ilha,  sentia  a  tendência,  a  sutil  provocação  entre  ela  e  Joe.  No  entanto,  não confessaria aquilo só para alegrar Kiki. Balançou a cabeça, rindo da insistência dela.
Elliott interveio:

— Creia: eles são como dois irmãos.

Na claridade fornecida pela chama da tocha, Demi fitou Joe, o ar preso na garganta, o sangue correndo mais rápido nas veias. O olhar que ele lhe lançou deixou claro que a queria consigo.
Em um dia normal, aquela idéia a aterrorizaria. Mas não havia nada de normal, ou de racional, na noite jamaicana. Aquilo a excitou.

— Acho que minha irmã está querendo dançar.

Entraram no Jungle Room. O ar carregado de perfume e fumaça de cigarro os recebeu. Casais lotavam a pista. A melodia alta e de ritmo empolgante contagiou Demi, impedindo conversas e acabando com inibições.
Os  quatro juntaram-se à  multidão aglomerada, e  Demi  rendeu-se de vez, girando, ondulando, seu corpo respondendo ao ritmo com movimentos sedutores, a música dentro dela, impelindo-a em direção a um lugar além de suas usuais fronteiras.
Em minutos, a aglomeração pareceu ter engolido Kiki e Elliott. Joe, no entanto, continuava ali. Demi chegou mais perto dele, ainda dançando, a boca junto a seu ouvido para poder ser ouvida.

— Onde estão Kiki e Elliott?

Joe deu de ombros e meneou a cabeça.

— Não sei. Está preocupada com eles?

A  boca  carnuda,  o  fogo  do  desejo  cintilando  em  seus  olhos,  seu  corpo musculoso contra o dela na confusão da pista, a batida implacável da música, tudo aquilo a empolgava. Demi enlaçou o pescoço de Joe, num convite irresistível. Então, recuou, sorrindo, maliciosa.
Com as pupilas brilhando com intensidade, ele aceitou o desafio e seguiu-a.
A  pista  oferecia  uma  oportunidade  única  de  seduzir  sem  conseqüências. Dançando, Demi cruzou a linha de que jamais considerou sequer se aproximar.
Em meio àquela atmosfera de sonhos, pareceu a coisa mais natural do mundo para Joe puxá-la contra si. Demi, audaciosa, exigiu um beijo. Joe gemeu contra seus lábios, as mãos moldando suas costas.
Demi rendeu-se à fervente fusão. Cerrou as pálpebras enquanto ele, com a língua, explorava sua boca. Abraçando-o com mais força, sentiu-o pulsar da excitação dele contra si. Uma paixão febril fluía através dela. Onde a febre de Demi terminava e a dele começava, não dava para saber.
Joe, de repente, interrompeu o beijo.

— Demi?

Com os olhos ainda fechados e devastada pela paixão, ela deslizou a ponta da língua pelos lábios intumescidos.
O que dera nela? O que estava fazendo? Aquele que a incendiava a ponto  enlouquecê-la era Joe, seu melhor amigo!

— Desculpe-me... Eu não devia...

E, tendo ultrapassado a fronteira para um lugar do qual não havia retorno, Demi fez o que qualquer covarde teria feito.
Deixou-o parado ali e saiu correndo.

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Uia q rolou bj! Tudo bem, mozonas? Novidades? To animada hj e n sei pq, já q tenho prova de biologia amanhã e lembrei agr :x Estão gostando? Ainda tem bastante coisa por vir, haha' Respostas aqui' Comentem para o próximo, queridas! Beijos, amo vcs ♥

22.11.14

Apenas Amigos? - Capítulo 2

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O maître os saudou à entrada do restaurante:

— Sejam bem-vindos. Mesa para dois?

Demi sorriu, e Joe respondeu:

— Para quatro. Estamos esperando dois amigos.

— Por gentileza, venham comigo.

Eles o seguiram ao longo do salão lotado, passando por várias mesas até pararem junto a uma delas, redonda e próxima do parapeito, dando vista para o deslumbrante mar do Caribe, de águas azuis e translúcidas.

— Sentem-se, por favor. — O maître afastou uma cadeira para que Demi se acomodasse. — O garçom já virá atendê-los.

— Não há pressa. — Joe tomou assento ao lado de Demi. Ela suspirou de puro prazer, olhando em volta, a tudo absorvendo. Bem a sua frente, à direita, a calma expansão do oceano, um caleidoscópio de azuis, se estendia até alcançar o céu. Nuvens brancas flutuavam no horizonte.
À esquerda, a praia de areia branca estendia-se ao longo da costa, margeada por viçosa  vegetação  tropical.  Por  sobre  o  ombro,  observou  a  arquitetura  colonial espanhola do estabelecimento, e além da janela a distante elevação das Blue Montains, onde se que produzia um dos melhores cafés do mundo.
A brisa quente da Jamaica soprava contra sua pele, trazendo consigo uma mistura de ar marinho, óleo de bronzear e o familiar perfume de Joe.
Num impulso, Demi tomou a mão dele.

— Não é uma beleza, Joe? Estou muito feliz que você esteja aqui comigo. — Não seria a mesma coisa estar naquele paraíso sem ele.

Nos olhos verdes de Joe cresceu uma expressão enlevada.

— Os catálogos que vimos sobre o lugar não lhe fazem justiça. Neles não se pode sentir essa deliciosa brisa vindo do mar. — Seus dedos apertaram os dela. — Tudo é tão vibrante, tão vivo!

—  É  assim  mesmo  que  me sinto,  mais  vibrante,  mais  viva...  —  Aquilo explicava o irracional acelerar em sua pulsação de pouco antes. — Por isso acho que é o lugar perfeito para uma lua-de-mel.

Uma imagem surgiu em sua mente: ela usando um vestido de noiva com o véu esvoaçando, a areia fina da praia se deslocando sob seus pés descalços, sentindo o a mão de seu marido na dela e notando a promessa em seus olhos verdes...
Mas o que fazia Joe em meio a sua fantasia? Era Elliott quem deveria estar ali!
Demi respirou fundo, tentando acalmar as batidas do coração. Tudo bem. Fora apenas um pequeno lapso causado pelo cenário fantástico e pela proximidade do querido amigo. Nada mais.
Soltou-o, usando o pretexto de consultar o menu. Aquele momento pareceu a ocasião perfeita de se focalizar na namorada de Joe.

— Será que Kiki vai demorar para descer?

Joe deu de ombros.

— Estava ao telefone checando um projeto, e não sabia quanto tempo levaria. O que achou dela?

Demi ajeitou o guardanapo e o fitou, pensativa.

— Parece que desta vez você acertou, Joe. Kiki poderá ser aquela.

Vivia preocupada com Joe, achando que ele devia parar de ser tão volúvel e de pular a toda hora de um relacionamento para outro. Assim, por que se sentia tão frustrada pela quase perfeição de Kiki? Devia estar exultante por Joe. Mas uma voz insidiosa dentro de sua cabeça teimava em sussurrar: “Porque é a primeira vez que você se sente ameaçada. Porque ela poderá substituí-la no coração de Joe”.

— “Aquela”? Como assim?

— Aquela a quem você não conseguirá resistir, que partirá seu coração. Kiki é linda, inteligente e possui uma bela carreira profissional, além de ser poliglota.

— Que bom que gostou dela...

Demi achou melhor não corrigi-lo. Ela deveria ter gostado de Kiki, porque não havia como não gostar. Sendo assim, por que não conseguia superar aquela antipatia gratuita pela moça?

— Perto dela eu me sinto uma desajeitada. E que belos dentes... — Demi correu a língua pelo pequeno espaço entre seus dois dentes da frente. Joe dava risada, ouvindo-a se queixar. Quando seu olhar correu pelo corpete de seu vestido em estilo sarongue, ele parou de rir e seus olhos escureceram.

— Não existe nada de errado com seus dentes. — Seu olhar desceu até seus seios. — Tampouco no restante de você.

Demi estremeceu. Algo perigosamente parecido com atração sexual surgiu dentro dela, a resposta de uma mulher ao olhar apreciativo de um homem. Só que essa mulher era ela, e o homem, seu melhor amigo. E entre os dois não havia lugar para tais olhares e respostas.
Demi ficou confusa.

— Joe...

— Olá, vocês dois! — Kiki acomodou-se na cadeira ao lado de Joe.

Demi piscou. A tensão desapareceu como fumaça levada pelo vento. Teria imaginado aquele último minuto? O culpado por criar tal clima devia ser aquele lugar romântico. Precisava ter cuidado com aquela sua inclinação por Joe.

— Desculpem-me pelo atraso — Kiki desculpou-se, estonteante dentro de um vestido curto e justo que revelava suas curvas irretocáveis e o par de pernas fantástico que possuía. Os cabelos escuros estavam presos em um sofisticado coque no alto da cabeça.
Ela  parecia  refrescada,  refinada  e  sensual,  enquanto  que  Demi  sentia-se acalorada e despenteada.

— Sem problemas. Estávamos sentados aqui apreciando a vista. É espetacular. — Joe fez um leve gesto em direção à vasta expansão de areia, oceano e céu. — Tudo certo com seu trabalho?

Kiki ignorou a visão esplêndida e suspirou.

— Por milagre, sim. É impressionante o nível de preparo das pessoas que trabalham nos programas espaciais. Tenho de checar tudo todas as noites antes que os escritórios da costa oeste encerrem o expediente. — Seu olhar pousou no lugar vazio à mesa. — E Elliott? Onde está?

Elliott  e  Kiki  se  deram  bem  desde  o  início.  Descobriram  que  haviam freqüentado a mesma universidade em Loyola.

— Preferiu desfazer as malas antes de descer. Mas não deve demorar — informou-a Demi, que mal conseguia disfarçar o desapontamento que sentia por Elliott ter preferido desfazer a bagagem em vez de descer para conhecer o hotel.

— Eu desfiz as minhas enquanto falava ao telefone. — Kiki assentiu, como se entendesse muito bem a compulsão de Elliott. — Ah, aqui está ele! — Sorriu. — Estávamos falando de você.

— Perdoem-me pela demora. — Elliott se acomodou na cadeira entre as duas mulheres, taciturno como de costume.

Com a exceção de um rápido almoço uma certa tarde da semana anterior, Demi e Elliott não se viam fazia dias.
E, agora que o homem certo apareceu, Demi estava pronta para se deixar levar pelo encanto da ilha.

— Você está aqui agora, e é tudo o que importa. — Ela se inclinou para a frente e beijou-o no rosto.

Nenhum  estremecimento,  nenhum  arrepio,  nenhuma  magia.  Demi  se endireitou, perplexa.

— Está com todas as roupas arrumadas? — perguntou Joe, com uma ponta de sarcasmo.

Elliott franziu as sobrancelhas.

— Quase tudo. Pedi toalhas e travesseiros extras à camareira. — Entrelaçou os dedos nos de Demi e olhou para todos em expectativa. — Que tal um drinque para comemorarmos a viagem?

Entendendo a deixa, um garçom se aproximou.

— Sou Martin — ele se apresentou. — Posso trazer-lhes um drinque? O preferido é a especialidade da casa, que é preparado com rum jamaicano. Querem experimentar?

— Além do rum, que outros ingredientes tem? — Elliott quis saber.

— Suco de abacaxi, leite de coco e um toque de suco de romã. E forte.

Elliott e Kiki aceitaram experimentar. Embora parecesse tolice, o rum deixava Demi com dor de cabeça, e ela estava determinada a saborear cada momento daquelas férias. Por isso, optou por cerveja. Joe preferiu uísque.

— Muito bem. Voltarei em um minuto. — E Martin se afastou. Demi apanhou o cardápio, lembrando-se de que seu desjejum constara de uma xícara de café preto e uma torrada com geléia, horas atrás.

— Estou faminta.

Uma conversa casual fluiu entre os dois casais, enquanto todos consultavam o menu.
Martin chegou em seguida, servindo os drinques com um floreio.

— Aceitariam uma sugestão para o almoço? Seria uma amostra da culinária local, uma excelente introdução à comida jamaicana.

—  Obrigada.  Vou  aceitar  —  disse  Demi,  ansiosa  para  conhecer  tudo relacionado à ilha.

Elliott torceu o nariz.

— Não me arrisco. Prefiro um sanduíche de peru e salada.

— Eu também. — Kiki dirigiu-se ao garçom, e em seguida aos demais. — A última coisa que eu iria querer é passar mal em um país desconhecido por causa da comida. 

Demi, em seu íntimo, censurou o rude comentário. Apesar do clima relaxado, do restaurante ao ar livre, estavam comendo em um hotel cinco estrelas, não um cachorro-quente servido no carrinho da esquina.
Joe notou sua indignação, e balançou a cabeça antes de dirigir-se ao garçom.

— Eu também seguirei sua sugestão. Quero experimentar comida local.

O garçom assentiu e afastou-se. Determinada a explorar a subjacente sensualidade da Jamaica com a pessoa apropriada, seu namorado, Demi afagou o braço de Elliott. A única coisa que sentiu sob os dedos foi o suave emaranhado de pêlos escuros.

— Que tal seu drinque, o especial da casa?

Elliott apertou os lábios esculpidos e cheios, e considerou sua bebida. Demi recordou que, na primeira vez em que o viu, o que mais a atraiu nele foi sua boca sexy.

— Um pouco mais de leite de coco e ficaria excelente.

Martin aproximou-se com a comida.

— Que tal as bebidas? Gostaram? — Colocou uma travessa fumegante com temperos exóticos entre Joe e Demi e serviu os sanduíches de peru a Elliott e a Kiki, preparados de acordo com as especificações.

— Sim, são muito bons.

— Desejam mais alguma coisa?

— Quero um pouco de pimenta vermelha em meu sanduíche. De preferência, que esteja dentro do prazo de validade, por favor — pediu Elliott.

Demi conteve um esgar irritado. Elliott gostava de se impor. Devia ver aquilo como um trunfo, uma exibição de sua estabilidade. Após atender ao pedido de Elliott, Martin sorriu.

— Bom apetite. Vocês devem querer fazer a siesta após a refeição. As pessoas costumam dizer que aqui na Jamaica os dias são longos, e as noites, mais longas ainda. — O garçom em seguida os deixou. A siesta. Algumas horas na intimidade refrescante do quarto. Talvez uma hora na piscina particular da suíte, ou na hidromassagem no suntuoso banheiro de mármore. A idéia não animou Demi. Ali estava ela em um dos lugares mais românticos e lindos do planeta, junto com o homem com quem pretendia se casar, e a emoção mais forte que experimentava em relação a ele era contrariedade. Joe se moveu no assento ao lado, seu joelho roçando de leve a perna dela. O breve contato a excitou. Afastou-se rápido.
Joe parecia alheio à reação dela. Algo ali estava muito errado. O toque de Elliott não a esquentava, enquanto o de Joe a incendiava. Quem sabe o culpado disso fosse a diferença das horas mexendo com seus sentidos, embora Nashville e Ochos Rios se situassem no mesmo fuso horário. Talvez ela de fato precisasse daquela siesta para retornar ao normal.
Determinada a acabar com as respostas inadequadas de seu corpo aos dois homens presente, Demi serviu-se, a boca enchendo de água diante do aroma exótico.

— Tenho passando muito tempo sentada a uma mesa de trabalho, e por nada neste mundo desperdiçaria este dia tão lindo. Vamos agitar!

Kiki se deixou contagiar com seu entusiasmo.

— Que tal alugarmos jet skis? Seria uma delícia! Olhem só. — Ela apontou para dois casais passando por ali em seus jet ski e desaparecendo a distância na água azul-turquesa do mar do Caribe.

Joe assentiu.

— Acho uma boa idéia. E vocês?

— Era uma das coisas que eu pretendia fazer enquanto estivesse aqui — disse Demi. 

— Está dizendo que nunca pilotou um jet ski?

Será que Demi imaginou aquela nota condescendente na indagação de Kiki?

— Confesso que eu nunca cheguei perto de uma dessas máquinas. — Elliott meneou a cabeça.

— Você pode ir comigo, Demi — Joe interveio.

— E quanto a mim, considerarei uma honra iniciar Elliott nesse prazer — Kiki se ofereceu.

— Só se você prometer ser paciente comigo. — Elliott a fitou com fingida inocência.

Será que Elliott possuía senso de humor? Demi desconhecia isso.

— Confie em mim. Você vai adorar, tanto que implorará por uma segunda vez — brincou Kiki, correndo uma de suas longas unhas vermelhas pelo braço dele.

— Como resistir a uma oferta dessas?

— O que acha, Demi? — Kiki a encarou.

Ela olhou para Joe.

— Não posso pensar em ninguém mais com quem eu gostaria de partilhar de minha primeira vez.

— Você vai gostar, Demi, eu prometo.

— Espero que minha inexperiência não seja um problema para você.

— Que nada! Só precisará relaxar. O resto, deixe comigo. Sou experiente no assunto. 

Demi jamais duvidou disso. Demi puxou as cortinas das janelas francesas, deixando o aposento às escuras. O piso de ladrilho estava quente sob seus pés descalços, onde batia o sol de meio de tarde. Sentiu o solo mais frio ao entrar no aposento e se aproximar da cama.
Sentou-se  nela.  Elliott,  ali  deitado,  era  um  espécime  espetacular  de masculinidade. Muito apropriado que lecionasse literatura clássica grega e romana. Possuía  uma beleza  clássica  impressionante.  Nariz  aquilino,  lábios  cheios,  olhos contornados por cílios muito longos e espessos. Mesmo Demi sendo alta, ainda assim ele a superava em estatura por uns bons dez centímetros. Suas pernas, embora não fossem muito musculosas, eram longas e fortes.

— Precisa mesmo fazer isso? Digo, examinar essas provas?

Elliott desviou o olhar da pilha de papéis diante de si.

— Sim. Mas devo terminar tudo em duas horas. Teremos tempo para andar de jet ski.

Em vez de desapontamento, Demi sentiu um enorme alívio. Estiveram bastante afastados um do outro nas últimas semanas, mais do que ela percebera, e agora precisavam de um pouco mais de tempo juntos antes que Demi estivesse pronta para entrar em uma banheira de hidromassagem com Elliott.
Naquela noite, durante um jantar romântico, eles tomariam algumas taças de vinho, relaxariam, e aí então as coisas seriam diferentes.
E  quanto  a  Joe  e  Kiki?  Demi  apostava  que  no  quarto  deles  ninguém examinava papéis. Quantas namoradas Joe tivera em todos aqueles anos? Perdera a conta. Então, que química desequilibrada em seu cérebro fazia com que a perspectiva de Kiki e Joe juntos tanto a incomodasse?
Afastou-se do leito. Tinha de encontrar outra coisa para fazer além de observar Elliott trabalhar, e de especular sobre a vida sexual de Joe e Kiki.
Combinaram de se encontrar na praia, no lugar onde se alugava jet ski, e ela estaria lá. Enquanto isso, havia muito o que fazer e lugares a explorar. Calçou seus tênis.

— Vejo-o às quatro.

— Hum — murmurou Elliott, distraído.

Demi saiu, duvidando que ele tivesse sequer notado. Uma energia inquietante a impelia a andar.
Assim, deixou o hotel e alcançou o passeio que circundava o exuberante jardim. De repente, parou, como que hipnotizada pela beleza dos papagaios e das araras coloridos empoleirados na densa folhagem.

— São maravilhosos, não acha?

Demi virou-se, surpresa, e avistou Martin, o garçom que os servira no almoço.

— Sim, muito. Tudo aqui é sensacional.

Martin não estava usando seu paletó branco.

— Já deixou o trabalho, Martin?

— Não ainda. Temos algumas horas de folga antes do jantar. Vou ver minha mulher e meus filhos. São apenas alguns quilômetros daqui até minha casa. Na verdade, oito, que percorrerei de bicicleta só para vê-los.

Oito quilômetros pedalando para ver a família, antes de voltar para outro turno. “Isso se chama amor, dedicação.”

— Quantos filhos você tem?

— Dois, um casal, de sete e cinco anos. São ótimas crianças, e bastante inteligentes.  Costumam ir cedo  para a cama por causa da escola, e eu costumo encontrá-los dormindo quando volto para casa. — Puxou uma fotografia da carteira que tirou do bolso.

Um menino e uma menina, ambos de uniforme escolar, com sorrisos iguais ao do pai, ladeavam uma mulher alta e magra, com os cabelos em tranças, que sorria também. Os três encontravam-se diante de uma casinha de madeira pintada de amarelo e com um belo jardim florido.

— São adoráveis. Parecem-se com você. Esta é sua mulher?

—  Sim,  Mathilde.  —  Apontou  para  os  garotos.  —  Terrence  e  Louise. Considero-me um homem afortunado.

A emoção nos olhos de Martin levou lágrimas aos dela. Ambos sabiam que ele não se referia à fortuna material. Seu óbvio amor à família intensificou a resolução de Demi de ter um marido e filhos para amar.

— Sim. Sem sombra de dúvida, Martin.

Ele guardou o retrato na carteira.

— Não quis fazer a siesta?

— Não. Estou muito agitada, para dormir.

Isso soou melhor do que “meu namorado está ocupado examinando provas escolares, e eu aqui me roendo porque meu melhor amigo está nos braços de outra mulher”.

— Talvez você tenha um pouco de nativa... — Ele inclinou a cabeça para o lado e a analisou. — Espero que não me julgue um intrometido, mas já pensou em fazer tranças?

— Como Mathilde? Confesso que não.

— Possui ossos faciais adoráveis, senhorita, e seria uma excelente escolha. Se decidir tentar, vá ao salão de beleza do hotel. Pergunte por Katrina, minha prima. Ela é a melhor cabeleireira de Ochos Rios. Diga-lhe que Martin a recomendou.

Ninguém antes mencionou que ela possuía ossos adoráveis no rosto. Martin devia receber uma comissão para cada cliente que enviava à prima Katrina, mas Demi não reprovaria nada que um homem tão enamorado da família fizesse.
A idéia de ter a cabeça repleta de trancinhas começou a agradá-la. Na certa lhe conferiria um visual ousado e sensual. Talvez seus problemas não fossem só Elliott, e tivessem muito a ver com sua própria atitude. Além disso, tranças ofereciam uma mais
sofisticada alternativa, além do costumeiro rabo-de-cavalo.

— Obrigada, Martin. Vou agora mesmo procurar Katrina. Aproveite bem sua família.


— Farei isso! Eu a verei na hora do jantar.

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Olá! Tudo bem? Dois capítulos em um msm dia... td para compensar minha demora!
Hoje estou nostálgica, uma certa Julia me pediu p escolher headers de Zanessa e agr... ai meu core ♥ Comentem para o próximo, ok? A história tem 11 capítulos + Epílogo! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥
PS: Maratona lá no Emoção... Corre lá ;)