22.11.14

Apenas Amigos? - Capítulo 1

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Doze anos depois

— Então? O que acha? — Demi largou os panfletos turísticos sobre a mesa do restaurante.

Sabia de antemão o que Joe acharia da propaganda prometendo praias de areias alvíssimas, águas azuis e mais esportes náuticos do que se podia imaginar. E românticas noites tropicais, claro.
Joe olhou através da janela do restaurante para o céu cinzento e para a neve derretida nas calçadas.

— Ouvi dizer que a temperatura em Nashville continuará abaixo de zero pelo resto da semana.

Então, um sorriso lento revelou as covinhas nos cantos da boca que tanto encantavam  Demi,  as  mesmas  que  vinham  destroçando  corações  desde  o  curso primário.

— Sol, areia  e sexo.  Existe coisa melhor?  — Joe se pôs  a folhear os panfletos. — Alguma ocasião especial?

—  Podemos  dizer  que  sim.  Você  está  olhando  para  a  nova  diretora  de marketing da Capshaw & Griffen. E o melhor: a promoção vem junto com uma sala maior, toda envidraçada, e um excelente aumento de salário.

— Mas que bela notícia! — Ele pegou-lhe as mãos por sobre a mesa.

A genuína satisfação de Joe aprofundou suas covinhas adoráveis. Mesmo após todos aqueles anos de amizade, o coração de Demi batia mais forte toda vez que ele sorria.

— Eu mal podia esperar para lhe contar. — De fato, ela precisou fazer força para não chamá-lo pelo celular, preferindo que partilhassem a boa nova em companhia um do outro.

— Bem merecido. Você é brilhante e tem se esforçado muito nesses últimos oito anos. Como Charles recebeu a notícia?

Pobre Joe... Quantos almoços de fim de semana precisou agüentar durante as tribulações de Demi com seu arqui-inimigo, Charles Langley? Talvez o mesmo número de vezes que ela o apoiou e confortou.

— Não muito bem. — Demi mordeu um pedaço de pão de queijo. — Demitiu-se esta manhã quando soube de minha promoção. Bons ventos o levem!

— Mais uma vez, muito bem merecido. Aquele homem infernizou sua vida durante dois anos inteiros. Confesso que mais de uma vez me vi desejando encontrá-lo sozinho em um beco escuro, para esmurrá-lo. — Joe estava sempre pronto a lutar por ela.

— A vingança foi mais doce desse modo. Isso é para Charles aprender a jamais subestimar uma mulher com planos. — Demi colocou algumas azeitonas no pratinho do pão e passou-as a Joe.

— Planos e uma veia competitiva como a sua. Você agora deve ser a mais nova diretora de marketing da história da empresa.

Ela sorriu.

— Mas veja quem está falando... o maior sucesso em vendas da Rooker Sports Equipamentos em pessoa!

Joe devorou as azeitonas, aceitando o elogio. Sabia que, para Demi, suas realizações significavam tanto quanto as delas.

— Esse excelente aumento... de quanto foi exatamente?

— Quer saber se vou ganhar mais do que você? — Ela meneou a cabeça. — Jamais lhe direi de quanto foi, mas vamos dizer que... estou alcançando rápido o seu patamar. Mas e então? Não acha que será divertido ir à Jamaica comigo e com Elliott? Com sua namorada, claro. — Pegou uma fatia de tomate com o garfo. — Diga que sim. Gostaria muito de tê-lo conosco. Por falar nisso, quem é sua namorada atual?

— O nome dela é Kiki. É muito simpática.

— Sim. Todas elas o são.

E na verdade eram, tanto que após partirem para a próxima, elas e Joe continuavam sendo amigos, formando, assim, um grande e feliz harém que nunca parava de espantá-la.

— Você muda de namorada como muitos homens mudam os canais de esportes na televisão.

Joe arqueou as sobrancelhas, com malícia em seus olhos verdes.

— Saiba que existem  excelentes  canais de esportes, Demi, e se ficarmos parados muito tempo em um só, acabaremos perdendo muita coisa boa passando nos demais.

Ela suspirou. Preocupava-se muito com Joe e seus relacionamentos.

— Pode ser... Mas sejamos sinceros, você tem uma forte tendência a sentir-se atraído por mulheres não muito brilhantes.

— Está querendo dizer que as inteligentes não querem nada comigo?

Como não? Um homem bonito, sensual e cativante como ele? Joe era um amigo maravilhoso, engraçado, atencioso, prestativo e carinhoso... mas em  todos aqueles  anos  não  foi  capaz  de  estender  a  mesma  atenção  a  nenhuma  de  suas namoradas.

— Estou dizendo que mulher alguma em seu juízo perfeito se envolveria com um rapaz que troca de canal a todo instante. — Demi classificou o sorriso dele como maldoso.

— Talvez eu ainda não tenha encontrado um canal que me impressionasse e me prendesse.

Demi estremeceu, diante da sugestão sensual na resposta muito masculina, o que  a  colocou  em  estado  de  alerta.  Não  havia  por  que  confessar-lhe  que,  na privacidade de seu quarto, ela pensava muito nele, mas não apenas como amigo. No entanto, canais especiais, impressionantes ou não, não cabiam dentro de uma amizade.

— Sobre o que vocês conversam quando saem juntos? — Demi estava curiosa.
O que o seduzia nesse tipo de mulher, além da óbvia atração física? Sexo apenas não bastava para tornar um relacionamento duradouro.

Joe deu de ombros.

— Não penso em conversas profundas quando estou com elas. É por você que procuro quando quero discutir a paz mundial.

Algumas vezes eles falavam durante horas sobre tudo e sobre nada. Em outras ocasiões, passavam longas horas juntos em confortável silêncio.

— Estive pensando sobre isso e decidi que você é emocionalmente imaturo.

— Sou homem, meu bem, e por isso tenho pleno direito de ser emocionalmente imaturo.

Demi detestava quando Joe se recusava a levá-la a sério.

— E tem se saído muito bem nisso. Vá em frente e divirta-se. Algum dia aparecerá alguém que partirá seu coração. Então, saberá o que é sofrer por amor.

— Isso jamais acontecerá.

— Como pode estar tão certo?

— Sempre se poderá mudar de canal, antes de começar a se interessar pelo jogo. — Joe pegou o prato de salada e serviu-se. — De qualquer modo, poderei contar com você para me ajudar a recolher os cacos, srta. Certinha. Diga, tem certeza de que Kiki e eu não vamos aborrecer seu namorado?

— Absoluta. Garanto que Elliott não se importará quando eu disser que vocês irão conosco.

A viagem seria bem mais divertida com Joe. E com... Kiki.

— Então não o informou de que pretendia nos convidar? — Joe sorriu. — Quer dizer que você coordena toda a viagem e o avisa apenas do dia e da hora em que deverá comparecer ao aeroporto?

— Mais ou menos isso. Elliott prefere assim. Ele anda muito atarefado.

— Vocês dois discutem alguma coisa além da paz mundial? — Joe reverteu a situação.

Sendo professor de literatura grega e romana na Universidade de Vanderbilt, Elliott era sempre tão sério e compenetrado que um leve toque de frivolidade não lhe faria mal.

— De vez em quando. Nós dois estamos precisando de alguns dias longe do trabalho.

Demi esperava que a viagem de férias agilizasse o relacionamento estagnado dos dois. Aquela temporada de férias na Jamaica faria bem a ambos.
Naomi, a garçonete que costumava servi-los, se aproximou, como sempre, encantada com Joe.

— O mesmo de sempre? — ela se dirigiu e Joe, que fez um sinal positivo com o polegar. — Ótimo. Vão dividir uma baklava ?

— Não, obrigada.

— Sim. Uma baklava e dois garfos, — Joe discordou de Demi.

Naomi tornou a sorrir, sonhadora, ao se afastar.
Joe causava aquele efeito em mulheres de todas as idades, nas muito jovens e até nas mais velhas, encantando todas, sem exceção. Demi agradeceu a Deus, e não pela primeira vez, pelo fato de ser imune a ele.

— Só vou querer um pouquinho. — Ela se permitiria pelo menos uma porção daquela delícia de bolo de nozes e mel. — Mas não me deixe abusar.

— Fique tranqüila. Bem, quando é que vai começar a me contar o que anda tramando?

— Como assim?

Ele se recostou no espaldar, cruzando os braços.

— É óbvio que anda maquinando algo.

Demi sabia de antemão como Joe receberia a notícia. Às vezes achava que o conhecia melhor do que a si mesma.

— Na realidade, estou, mas acho que isso não é nenhum crime.

Ela não fazia nada sem antes planejar. Já tivera surpresas suficientes para a vida inteira, aos seis anos, quando seus pais viraram seu mundo de ponta-cabeça. Desde então, passou a delinear cada passo que dava. Depois dos vinte anos, passou a se devotar  por inteiro  à  construção da  carreira, e alcançara aquela  meta  dentro  do cronograma. Agora era vez de investir na vida pessoal.

— O que pretende agora, Demi? A vice-presidência dentro de dois anos?

— Confesso que é algo a considerar, mas a coisa agora é diferente.

— Pretende começar a praticar ioga?

— Talvez no futuro. Por ora, estou pensando na Jamaica como um lugar ideal para passar minha lua-de-mel. Eu e Elliott saímos juntos há mais de um ano, e estamos pensando em um compromisso mais sério.

— Está querendo dizer que... vão se casar? Quer mesmo se casar com ele?!

Demi esperava que ele ficasse surpreso, mas Joe parecia atônito. Por que sentia-se tão culpada, como se de algum modo o estivesse traindo?

— Por que o espanto? Você tem algo contra Elliott?

Mas que pergunta idiota! Por um ou por outro motivo, Joe jamais aprovara seus namorados, desde que Demi saíra com um garoto pela primeira vez, aos dezoito anos... não! Desde que se apaixonara por Gary Pelhan, no colégio. Claro que ela também não gostava das várias namoradas que entravam e saíam do caminho dele sem cessar.

— Não. Não tenho nada contra ele. Elliott é um bom sujeito, mas não para casar. Não com você. Afinal, por que precisa de um marido, Demi?

— Não preciso, Joe, eu quero um marido. Assim como você, estou prestes a completar trinta anos, e gostaria de ter alguém a meu lado quando envelhecer.

— Lembra-se  de  quando  furamos  nossos  polegares  com  uma  agulha  e misturamos nosso sangue? Tínhamos nove anos, e prometemos que seríamos amigos para sempre, e que cresceríamos e envelheceríamos juntos.

Demi observou sua expressão séria. Como fazê-lo entender aquele vazio em seu coração, que ansiava por ser preenchido?

— Quero ter uma família, Joe.

— Mas você já tem seus tios.

— Sim, e eles são maravilhosos, mas sempre serão a família que o sofrimento me deu. — Ergueu a mão, interrompendo o protesto dele. — Meus tios me assumiram quando meus pais me abandonaram, mas nós não somos família por escolha, mas sim por obrigação. Meus pais... bem, sobre eles não há mais o que dizer. Minha próxima meta é construir minha própria família.

— Somos como uma família, Demi.

A de Joe também fora truncada. Ele agora dirigia luxuosos carros esportivos, que trocava por um novo modelo a cada ano, e seu trabalho ia de vento em popa. Suas namoradas... bem, quanto a isso Demi não tinha mais o que comentar. O único relacionamento duradouro de Joe era o que mantinha com ela, e ele a conhecia como ninguém. Todavia, parecia não entender sua ânsia por estabilidade e por uma família para chamar de sua.

—  É  verdade,  querido,  mas  quero  uma  aliança  no  dedo  que  simbolize compromisso. Quero um marido que volte para casa todas as noites, que me dê segurança e, em poucos anos, um bebê. Quero ter o lar que nunca tive.

Naomi colocou a baklava entre eles e examinou o catálogo do Hot Sands, um luxuoso hotel na Jamaica.

— Isso deve ser um paraíso. Pretendem viajar para lá?

Joe exalou um suspiro.

— Demi acha que o lugar é perfeito para passar a lua-de-mel.

— Maravilha! Fico feliz por vocês.

Demi  conteve  a estranha  agitação  causada  pelo  comentário  da  garçonete. Naomi não era a primeira pessoa a achar que havia algo mais entre os dois.

— Calma, Naomi, não é nada disso.

Joe engoliu em seco e forçou um sorriso.

— Na verdade, estou ajudando Demi a escolher um lugar para passar a lua-de-mel, mas com outro homem. Afinal, não é para isso que servem os amigos?

(...)

Trazendo as embalagens com comida, arroz, filé com brócolis, frango xadrez, e uma embalagem com seis  cervejas, Joe bateu  na porta de Demi pensando em conseguir matar dois coelhos com uma só cajadada. Pretendia sugerir que assistissem ao jogo de futebol na televisão e, durante o intervalo, tentaria convencê-la a desistir daquela idéia maluca de casamento.
Aguardando Demi vir atendê-lo, Joe sentia o vento gelado infiltrar-se para dentro da sua jaqueta de couro.
Aquela viagem à ensolarada Jamaica talvez não acontecesse tão logo. Esperava que, antes disso, Demi pesasse melhor o assunto e que eles dois pudessem aproveitar juntos aquela semana de sol, areia e sexo... e não necessariamente nessa ordem.
Dessa vez, tocou a campainha, e Demi veio abrir a porta. Usava seu traje costumeiro de domingo à tarde: camiseta sobre calça de moletom folgada e tênis.

— Olá. Ainda bem que chegou. Estou morrendo de fome, O que comprou para nosso almoço?

— Comida chinesa. — Ele mostrou as embalagens.

— Ótimo. — Demi se afastou para o lado e pegou as cervejas da mão dele. — Entre. Coloque sobre a mesinha. Vou guardar isto na geladeira.

Joe balançou a cabeça diante da desordem que encontrou sobre a mesa e sorriu. Embora Demi fosse a rainha da eficiência em se tratando de sua profissão, no que se referia às prendas domésticas era uma verdadeira tragédia. Ele colocou a jaqueta sobre a dela no encosto da poltrona.
Ligou a tevê e abriu as embalagens de comida fumegante. Um fogo abençoado ardia na lareira. A casa de Demi, embora meio bagunçada, era sempre aconchegante.

— Vai querer uma cerveja? — ela ofereceu da cozinha,

— Sem dúvida.

Bridgette, a cadela collie de Demi, aproximou-se dele e pousou a cabeça em sua perna.

— Ei, garota, não pense que me engana com todo esse carinho. Sei que está interessada no cheirinho gostoso que está sentindo. — A cachorra o fitou com seus solenes olhos castanho. — É uma pena, mas essa comida é um veneno para os cães.

Com um olhar resignado, Bridgette acomodou-se aos pés da poltrona. Demi por fim apareceu, trazendo pratos, talheres, guardanapos e duas cervejas. Seu riso fácil sempre o fazia pensar nas águas cristalinas de um riacho.

— Ela ainda não descobriu que é uma cachorra.

Joe esparramou-se em uma das pontas do sofá, e Demi acomodou-se na outra, começando a servir-se. Joe fez o mesmo.

— O que pretende fazer com Bridgette enquanto estiver na Jamaica?

— Ela ficará com meus tios. Tia Caroline e tio Frank não sabem dizer não aos animais solitários. — Uma certa  melancolia tocou  seu  sorriso diante do próprio comentário.

— Não é nenhum sacrifício para eles cuidar daqueles que amam. E Bridgette ficará mais feliz com os dois do que no canil.

“A doce e gentil Demi... Algum dia ela se dará conta do quanto os tios a amam?”, ele pensou.

— Tem razão. — Demi olhou para a televisão. — Não íamos assistir ao jogo?

— Claro que sim.

— Aposto cinco dólares como os Rangers vão ganhar dos Flyers!

Joe estava prestes a tocar no assunto Elliott quando Demi se adiantou:

— Kelly está animada com a viagem à Jamaica?

— Kiki. O nome dela é Kiki. E sim, está animadíssima.

— O que ela faz para viver? — Demi indagou, sem afastar os olhos da tela da televisão.

— É cientista.

— Certo, mas como ganha seu sustento? — Demi partiu um pedaço de brócolis e o colocou na boca.

— É cientista especializada na energia dos raios.

— Está falando sério?!

—  Formada  pelo  Instituto  de  Tecnologia  de  Massachusetts.  E  fala  cinco idiomas.

Joe não dava a menor importância àquilo. Não estava atrás de nenhum namoro sério, e Kiki era divertida, com ou sem tanto preparo. No entanto, isso pareceu ter impressionado Demi profundamente.

— Oh...

Joe deu de ombros.

— Como vê, há pelo menos uma garota inteligente interessada em mim.

Demi estreitou os olhos.

— E como é ela? Bonita?

— Muito. Foi miss Texas.

Demi sentou-se um pouco mais ereta no sofá.

— Quando vai nos apresentar? Estou ansiosa por conhecê-la.

— Kiki também quer conhecer você.

Demi olhou para seus trajes deselegantes.

— Ainda bem que ela não pode me ver agora. Não estou nos meus melhores dias.

— Que nada! Está muito bem assim.

Com sua gloriosa cabeleira loira revolta, e dentro de uma de suas camisetas largas,  Demi  tinha  uma aparência  que,  de  repente,  Joe  descobriu  como  sendo bastante tentadora. E isso não era nada bom.
Joe estendeu a mão para o rosto dela e, com o polegar, retirou um pedacinho de salsa de seu lábio, demorando-se ali por mais tempo do que o necessário.

— ... além de muito sexy.

Demi o fitou como se ele tivesse enlouquecido.

— Não precisa mentir desse jeito só para me agradar. Ainda há bastante carne com brócolis. Não quer mais um pouco?

— Sim, obrigado. — Joe colocou mais comida no prato, para disfarçar o constrangimento que ele próprio causara. Pretendia fazer-lhe apenas um elogio, e por pouco não lhe fez uma proposta amorosa. — Tem certeza de que Elliott não achará ruim viajar comigo e com Kiki?

— Ele concordou quando conversamos pelo telefone.

— Já pensou bem sobre querer entrar nessa de... casamento com Elliott?

— Lógico. Já tenho tudo planejado. Nós nos damos muito bem, e gosto o suficiente dele. Elliott é estável e digno de confiança, e sei que me fará feliz.

“Conversa! E se eu não tomar alguma atitude e rápido, Demi acabará se casando com Elliott só para ver sua droga de plano dar certo!”
Elliott não era para ela, porque... bem, Joe não sabia direito o motivo; sabia apenas que não era.
Se Demi fazia tanta questão de se casar, Joe a ajudaria a encontrar um marido. Mais tarde, talvez, quando eles retornassem da viagem à Jamaica. Precisaria ser alguém que apreciasse sua beleza e inteligência, sua presença de espírito e suas inúmeras qualidades, e não um machão incapaz de tolerar sua forte personalidade e veia competitiva. E essa pessoa de modo algum era Elliott.
Joe suspirou antes de tomar um gole de cerveja. Precisava encontrar um modo de convencê-la a desistir daquela idéia maluca. Sendo seu melhor amigo, não podia permitir que Demi se casasse com a pessoa errada.

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Aqui está mais um... Hey hey! Tudo bem? Desculpem a demora, estava adiantando e finalizando algumas encomendas... Ta td uma correria, porém o ano está acabando \o/ Nada mais para falar, estou morrendo de sono! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

18.11.14

Apenas Amigos? - Prólogo

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Joe Jonas olhou para sua amiga de tantos anos, Demi Lovato. Ele tinha as feições tensas e os braços cruzados.

— Então ele a convidou para o baile. Tome cuidado, Demi. Bobby não é confiável. Gosta de brincar com o sentimento das garotas. — “O roto falando do esfarrapado”, Demi concluiu. Só que nunca ocorreu a Joe se colocar no lugar dela. E quanto a Bobby... bem, ele não era nada daquilo; apenas apaixonou-se por ela. — De acordo com você, eles são todos aproveitadores ou algo parecido. Mas não se preocupe. Bobby me convidou para ir ao baile, só ao baile, e não a um motel. — O rosto de Demi enrubesceu ao impulsionar o balanço para a frente, forçando Joe a recuar. — Para sua informação, só o que ele fez foi me dar um beijo.

Demi devia ser a única garota em toda a escola, e talvez em todo o planeta que até então nunca fora beijada. Alta, magra e sem seios, não fazia o tipo que despertava as paixões masculinas. Joe se autonomeara protetor de sua virtude e, sendo seu melhor amigo, jamais a beijaria. Amigos não se beijam, não é verdade? E quando Bobby Richmond a abraçou e colou  os  lábios nos dela, Demi encontrava-se pronta. Mas precisava confessar que beijá-lo fora muito sem graça.
Observou Joe. Mesmo sendo alto e forte, com seus cabelos escuros e olhos verdes como jade, não era o rapaz mais bonito do colégio, ou o mais atlético, mas mostrava uma aura especial, algo que tia Caroline chamava de charme, ou carisma. E isso Joe tinha mesmo, tanto que as garotas viviam correndo atrás dele, desde criança.

— Preciso ter uma conversinha com Bobby Richmond.

— Você será um homem morto se fizer isso — Demi protestou, impelindo o balanço com mais força. — Não precisa fazer tamanho alarido por causa de um beijo! Tantas meninas engravidando na escola, e eu, até agora, nem sequer tinha sido beijada.

— Demi... — Um pequeno susto não faria mal a ele.

— Acalme-se. Não vou ter um bebê, seu bobo. Graças a minha falta de peito e as suas “conversinhas” com os poucos que se atrevem a se aproximar de mim, suspeito que isso jamais acontecerá.

Demi acabava de dar a Joe a oportunidade perfeita para fazer uso daquele seu charme infernal, o mesmo do qual lançava mão para conquistar todas aquelas garotas curvilíneas e avançadinhas, afirmando que o fato de ela não ter peitos não era o que contava. Aguardou que ele falasse, o coração em disparada.

— Você é inocente, Demi... não sabe nada a respeito dos homens.

Joe enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans e olhou para todos os lugares, exceto para a área próxima aos seios dela. Será que falar aquilo o embaraçava? Logo ele, o Rei dos Casanovas?
Seria o que criava aquela tensão desajeitada entre os dois? Não podia ser. Só se Joe a visse como mais do que amiga.
Envergonhada, Demi olhou além  dele,  para as azaléias  desabrochando no jardim perto do portão. Toulouse, um dos inúmeros gatos adotados por tia Caroline, passou pela varanda.
Aos poucos, o pulso de Demi se normalizou. Ela se sentia insegura com tantas mudanças. A  formatura  do colegial,  o  início  da  universidade  no outono...  Joe continuaria sendo seu amigo? Ou encontraria alguém na faculdade e a esqueceria?

— Claro que sei. Você é um deles. Por sua causa consegui penetrar nesse buraco escuro conhecido como a mente masculina. E por isso que bolei um plano.

Joe gemeu e correu os dedos pela cabeleira.

— Não me venha com outra de suas idéias mirabolantes.

As estratégias de Demi nem sempre davam certo, como naquela experiência científica na quarta série. Mas Joe já devia ter superado aquilo. Afinal, seus cabelos ficaram cor-de-rosa tão pouco tempo... apenas dois dias.

— Sabe que não faço nada sem planejar. — Demi tinha os próximos dez anos de sua existência planejados, enquanto Joe ainda tentava decidir que universidade cursar.

— Sim, eu sei, mas algumas vezes é melhor deixar o barco correr.

—  As  chances  de  acertar  são  maiores  quando  se  planeja.  —  Fitou-o, desafiando-o a discordar.

Naquele momento, a porta da frente se abriu, e tia Caroline, uma jovem mulher muito atraente, saiu para a varanda. Suas duas gatas, Lilly e Millie, seguiram atrás dela.

— Vou ao supermercado. Quero fazer aquele bolo de chocolate que você tanto gosta para sua festa de formatura. Seu tio Frank está trabalhando no estúdio, procure não perturbá-lo.

Nos doze anos em que Demi morou naquela casa, aprendeu a não incomodar o tio quando ele esculpia. Tio Frank era um homem gentil, sensível e afetuoso, mas diante de um formão e de uma pedra, se interrompido em seus momentos de criação, transformava-se no Poderoso Hulk.
Lilly passou por entre as pernas de Joe. Millie encontrou o colo de Demi e lá se instalou.
Caroline soltou a porta, deixando-a bater atrás de si.

— Quer alguma coisa da cidade, meu bem? Ficará para jantar conosco, Joe?

— Não quero nada, obrigada. — Demi, distraída, afagava a cabeça da gata. — É melhor se garantir, Joe. Parece que seu pai saiu.

Ele não se deu ao trabalho de fitar naquela direção de sua residência.

— Obrigado, aceito o convite.

Joe não costumava rejeitar um convite como aquele, e Demi estava ciente de que seu amigo juntava-se a eles mais pela companhia do que pela refeição. Quase nunca sabia dizer se seu pai e sua mais recente namorada se encontravam em casa.
Caroline parou no último degrau e virou-se para a sobrinha.

— Ah! Lynette ligou esta tarde.

O  coração  de  Demi se  apertou,  como  acontecia  toda  vez  que  alguém mencionava o nome de sua mãe.

— Ela e Vance não poderão vir para sua formatura. — O tom da voz de Caroline soou como um pedido de desculpas, como sempre acontecia a cada vez que os pais de Demi a decepcionavam.
Doze anos atrás, seus pais viajaram com ela de carro da Flórida rumo a Nashville, na época em que eles viviam pulando de cidade em cidade. Só que deixaram a filha com tio Frank, para uma visita de alguns dias e desapareceram. Desde então, Demi nunca mais os vira, e perdera a conta das inúmeras vezes em que os pais prometeram vir apanhá-la sem jamais cumprir a palavra.
Seu alívio se misturou à raiva. Alívio por não ter de tornar a vê-los. Raiva por mais uma vez ver-se rejeitada por eles. Manteve a expressão neutra e a entonação firme ao responder:

— Já esperava por isso, tia. Mas agradeço por me avisar.

Caroline parou para colocar os óculos escuros, escondendo seus olhos tristes e solidários.

— Até logo, crianças. Não demoro.

Sua tia jamais esquecia de avisar, desde o dia em que precisara renunciar a seu trabalho como comissária de bordo após a pequena Demi, de seis anos, ter entrado em pânico quando ela precisou se ausentar por dois dias.

— É importante fazer planos. E segui-los, claro.

Joe acomodou-se ao lado dela no balanço, movendo-o de leve. Abraçou-a com afeto, a mão a acariciá-la, naquele gesto tão familiar de conforto.
Também a confortara, doze anos atrás, quando a encontrou chorando no bosque atrás de propriedade, quando Demi, por fim, entendeu que os pais não viriam apanhá-la nunca mais. Do mesmo modo como Demi o confortou após Joe ter confessado que sua mãe, alcoólatra, morrera seis meses antes, de tanto beber.

— É uma pena, mas não podemos escolher nossos pais, Demi. Porém, os amigos, sim. E eu a escolhi.


Com as lágrimas contidas embaçando sua visão, Demi reconheceu a dor nele. Toda vez que seu pai o decepcionava, era como se Joe tornasse a perder a mãe.  Pousou  a  cabeça  em  seu  ombro,  emocionada.  Namorados iam  e  vinham, amigos eram para sempre.

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Heey! Desculpa a demora, só deu p postar agr :c MAS AQUI ESTÁ! gente quanto comentário, amei ♥ Respostas aqui' Comentem para o primeiro capítulo, ok? Amo vcs ♥

16.11.14

Apenas Amigos? - Sinopse

Especialmente p vc, Sam ♥

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Demi Lovato planejava todos os passos que dava. E agora que conseguiu o emprego com que sempre sonhara, estava pronta para programar o próximo item em sua lista: casamento! 
Só que seu namorado não tinha pressa alguma em pedir sua mão. Sendo assim, ela pensou em inspirá-lo programando uma romântica temporada no Caribe. Junto, claro, com seu melhor amigo, Joe, e a namorada dele. Porém, mal chegaram à ilha e Demi viu-se seduzida pelo ritmo caribenho... e por Joe! Como aquilo podia ter acontecido justamente com ela, que sempre programava tudo na vida?
E como se libertar das ondas de calor que percorriam seu corpo cada vez que Joe lhe lançava um olhar? 
Demi tinha certeza de que todas aquelas sensações passariam assim que a viagem terminasse, afinal Joe sempre fora seu amigo... nada mais do que isso!

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Sinopse aqui... Acredito que esta será a próxima adaptação, eu comecei a formatá-la tem umas duas semanas, mas por conta da escola fiquei adiando e adiando e adiando, portanto n posso dar mts detalhes... Ela é totalmente dedicada à Sam, a melhor leitora do mundo! Comentem para o prólogo, ok? Vou tentar adiantar algumas coisas amanhã ;) E A MARATONA LÁ NO EMOÇÃO, N SE ESQUEÇAM! Espero msm q de p fazer amanhã, haha' Respostas aqui' Beijos, amo vcs!

8.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 10 (Último)

Capítulo dedicado à Sam e Priscilla ♥
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- Eu mal posso acreditar - Marie falou com entusiasmo. - Nunca pensei que Joe viesse a se casar algum dia. Imagine, o meu irmão, até pouco tempo atrás um solteirão convicto, está ansioso para se casar! E com alguém de quem eu gosto de verdade!

- Fico feliz ao vê-la tão satisfeita - Demi murmurou, um tanto insegura.

- Você está preocupada, não é mesmo? - Marie perguntou com delicadeza, ao notar o constrangimento da amiga ao abordarem o assunto "casamento". - Desculpe-me se estou sendo indiscreta, porém conheço o meu irmão muito bem e nestes dias que temos passado juntas, pude conhecê-la um pouco melhor, o que aliás só me tem trazido motivos de alegria. Acho que algo aconteceu entre vocês dois naquela noite do rodeio em Cody. Algo que a faz pensar que Joe a pediu em casamento apenas para apaziguar a própria consciência. O meu raciocínio está certo ou estarei fazendo suposições sem fundamento?

- Sim, Marie, você está certa - Demi concordou, sem coragem de negar a evidência dos fatos.

- É claro que Joe tem consciência, entretanto ele não se casaria com uma mulher somente para livrar-se de algum sentimento de culpa. Estou certa de que é assim e é melhor você acreditar que ele não tomou uma decisão dessas apenas por obrigação. E nos dias de hoje, não há preocupações exageradas em assumir um compromisso sério porque duas pessoas dormiram juntas.

- Talvez haja um bebê a caminho - ela falou, surpresa diante das próprias palavras. Como estava conseguindo se abrir com Marie, quando não fora capaz de tocar no assunto com Winnie? Jamais pensara ser capaz de expor sua intimidade a ninguém, entretanto sua futura cunhada tinha o dom de abordar temas delicados com naturalidade.

- Joe adora crianças, assim como Dwight e eu. Um bebê seria uma surpresa deliciosa. A fazenda precisa de herdeiros e todos nós gostaríamos de ver um bando de crianças correndo pela casa. A vida é uma dádiva que merece ser recebida com carinho em qualquer circunstância.

Demi tentou conter as lágrimas num esforço vão. Toda a angústia reprimida estava vindo, afinal, à tona.

- Eu agi daquela maneira porque não conseguia tirá-lo da cabeça. Joe foi o primeiro homem que me tocou o corpo e o coração. Entretanto, tenho medo de que com o passar do tempo ele venha a me odiar, culpando-me por tê-lo forçado a se casar. Sei muito bem que o casamento não fazia parte dos seus planos.

- Não, eu não creio nisso - Marie falou enxugando as lágrimas de Demi com carinho. - Você o transformou num outro homem, libertando-o de toda a amargura e desgosto. Nunca o vi tão sereno, tão feliz desde a morte do nosso pai. Joe perdeu muito da sua agressividade e tem estado mais calmo desde que a conheceu.

- Acho que Rance não concordaria com você.

- Rance mereceu a surra que levou. Não tenho pena daquele ser desprezível que sentia prazer com a infelicidade dos outros. Agora, anime-se! Chega de preocupações sem fundamento! Não vou deixar que você escape desse casamento, cunhada! Estamos todos alegres demais com a notícia para enxergamos problemas onde não existem.

O entusiasmo de Marie era contagiante e Demi voltou aos seus afazeres sentindo a alma muito mais leve. Se ainda tinha dúvidas, achou melhor nada deixar transparecer, pois o clima da casa já era de festa.
Naquela noite, depois do jantar, Joe a conduziu ao seu escritório e fechou a porta.

- Não fique nervosa - ele falou com um sorriso malicioso. - O sofá é muito pequeno e a escrivaninha nos deixaria com dor nas costas. Embora valesse a pena tentar...
Ela enrubesceu e o fitou cheia de amor.

- Como você ainda é capaz de corar de embaraço? Mesmo depois de tudo o que aconteceu entre nós, você ainda me parece uma garotinha inocente.

- Não tão inocente agora.

Joe beijou-a na testa com um carinho infinito e a estreitou num abraço demorado.

- Não sinta vergonha de ser mulher, Demi. Deus nos fez humanos e nos deu o prazer físico para garantir a perpetuação da espécie.

- E Ele também nos deu responsabilidade, para não transformarmos o sexo em algo puramente animal e sem sentido.

- Você é uma mulher muito especial - ele falou, emocionado. - Alguém que acreditou em mim quando ninguém mais o fez, que não se sentiu intimidada pela minha reputação ou pelo meu temperamento explosivo, e que se entregou porque sabia que eu precisava de você quase que com desespero. Demi, o que fizemos hoje e naquela noite, na cabana, é algo tão natural quanto respirar. Não é pecaminoso desejar alguém, principalmente quando os sentimentos vão além da necessidade física.

- Foi isso o que aconteceu?

- Sim. E hoje à tarde ficou ainda mais claro que o sentimento que nos une vai além do desejo de possuir um corpo. Esse tipo de atração costuma acabar, quando não há identificação das almas.

- Você estava tão... cheio de ternura...

Joe tomou-a nos braços, sorrindo ao sentir o corpo reagir no mesmo instante.

- E vai ser assim sempre. Meu Deus! Sinta o efeito que você tem em mim!

- Pare com isso! - Demi murmurou. - Não fica bem, alguém pode entrar a qualquer momento.

- Você é enfermeira e devia saber que está além do meu controle. - Ele a pressionou de encontro a si, seus lábios quase se tocando. - Demi, tire a minha camisa e beije a minha pele.

- Nós não devíamos... E se alguém aparecer?

- Vamos nos casar em breve, porém um pedaço de papel e algumas palavras de praxe não serão capazes de nos unir mais do que nossos corpos já o fizeram. Você faz parte de mim agora. Eu amo fazer parte do seu corpo, partilhar tanto prazer ao seu lado. Você se sentiria assustada se fizéssemos amor aqui?

- Não... não ficaria assustada - ela sussurrou acariciando o peito nu numa carícia sensual, sentindo-o estremecer ao simples toque dos seus dedos.

- Demi, acredite, o que temos experimentado juntos é tão importante para você quanto o é para mim. Eu sou um homem vivido, porém a emoção que sinto ao fazermos amor é totalmente nova. Me toque - ele pediu com a voz rouca, abrindo o zíper da calça. - Mais embaixo. Quero sentir as suas mãos em mim.

Demi hesitou por um instante e foi o suficiente para que  Joe lhe segurasse a mão e a espalmasse de encontro à rigidez da sua virilidade.
Quando ela o sentiu pulsar, deixou escapar um murmúrio de encantamento, o que o excitou ainda mais.

- Não pare, seu toque me enlouquece.

Logo estavam os dois sobre o sofá, beijando-se com avidez, desvencilhando-se das roupas com gestos apressados.

- Quando você se casará comigo? - Joe sussurrou, abaixando-se para sugar os mamilos eretos.

- Quando... você quiser.

- Sexta-feira?

- Mas é daqui a três dias!

- Eu sei, e parece longe demais! Vamos fazer um filho, Demi. Aqui, agora.

- Joe!

Ela se calou ao sentir que ele a penetrava, maravilhando-se com a facilidade com se tornavam um. As investidas foram ficando cada vez mais rápidas, o ritmo envolvendo-os num crescendo de paixão.

- Sim, é bom estar dentro de você, é bom demais possuí-la. Um dia ainda faremos amor no meio de uma floresta, e você poderá gritar o meu nome ao atingirmos o clímax, sem que tenhamos medo de que alguém nos ouça. Me beije com força, quero sentir o seu gosto.
Demi fechou os olhos e começou a mover os quadris de um modo lânguido, sensual, contorcendo-se de prazer, entregue às sensações que a atordoavam.

- Você não sabe o que está fazendo comigo, Demi. Essa é a emoção mais completa que jamais conheci. - Joe estremeceu e, sem poder conter-se, soltou-se dentro dela, os dois atingindo um orgasmo pleno, total. - Eu quero um filho! - ele gemeu no auge do êxtase.
Depois de algum tempo, Joe beijou-a no rosto e perguntou com suavidade: - Você ouviu o que eu falei no final?

- Sim. Você disse que quer um filho.

- Eu quero um filho nosso. Nunca havia pensado em constituir uma família, até encontrar você. Mas quando fazemos amor, só penso em engravidá-la!

- Eu não sou capaz de dizer-lhe "não"... E isso me assusta, pois sempre me julguei uma mulher independente, capaz de escolher os próprios caminhos racionalmente.

- Não tenha medo das emoções - ele falou sorrindo, enquanto ambos ajeitavam as roupas. – Quando estamos juntos somos tomados por uma febre louca, selvagem, fora de controle. Você é tudo o que eu sonhei um dia. Não sei como pude viver tanto tempo sem tê-la ao meu lado! Quando olho para trás, só enxergo o vazio, a falta de perspectiva.

- Você tem certeza de que não se trata apenas de uma atração física passageira o que o liga a mim?

- Se fosse apenas desejo, por que eu iria querer ter filhos com você? Por que pensaria em constituir uma família?

- Então eu aceito ser sua esposa.

- Há algo que eu preciso lhe dizer - ele falou, um pouco hesitante. - Um segredo que eu devia ter lhe contado antes de nos envolvermos. Não posso deixar que se case comigo sem que saiba a verdade.

- Seja o que for, sei que não terá importância.

- É o meu pai - ele começou com dificuldade. - Meu pai verdadeiro... está preso.

- Sinto muito. Mas o que tem isso a ver com o nosso casamento?
- Meu Deus! - Joe suspirou cheio de alívio e emoção. - Eu estava com tanto receio de lhe contar...

- Mas por quê? Não há motivo de ter vergonha.

- Você poderia ter medo de que os nossos filhos herdassem o sangue amaldiçoado do avô. Meu pai é um ladrão e tem tido problemas com a lei durante toda a sua vida.

- O Meio ambiente também é responsável pela formação do caráter das pessoas - Demi respondeu aninhando-se nos braços do único homem capaz de fazê-la sentir-se segura, protegida. - Talvez seu pai tenha tido uma vida dura e não foi forte o suficiente para escolher
o caminho certo. Ninguém nasce com o destino de se tornar um ladrão, porém as circunstâncias podem pesar demais na hora de se fazer uma opção. Não somos todos feitos da mesma fibra. Não pense mais nisso, tente perdoá-lo e esquecer.

- Eu não sei o que fiz para merecê-la, Demi.

- Você é um homem íntegro, cheio de qualidades raras. - Ela sorriu com um ar maroto antes de continuar: - Eu sempre fico sonolenta depois de fazermos amor. Será que é natural?

- É porque o nosso amor vai além da carne. Ele nos aquece a alma.

"Meu Deus!", Joe pensou entre surpreso e feliz. "Eu a amo de verdade! Ela é a mulher da minha vida!"

- Como você se sente a meu respeito, querida?

- Eu... eu te desejo.

- Sexo apenas não seria suficiente para você, não com a sua educação. Tente de novo, não tema dizer as palavras.

Ela hesitou, achando difícil desnudar a alma, expor os sentimentos, porém era isso o que ele queria vê-la fazer.

- É preciso muita confiança para falar sobre o que vai no nosso íntimo, não é? - Joe perguntou com ternura. - Mas eu confiei em você, contando-lhe o segredo doloroso que tenho guardado comigo.

O que ele estava dizendo era verdade. Ela sim, precisava lhe dar uma mostra de confiança.

- Eu amo você, Joe.

- De verdade?

- Com todo o meu coração.

- Então será para sempre, menininha!

- Para toda a eternidade!

Ele sentou-se numa poltrona e a puxou para o colo, ficando ambos em silêncio durante um longo tempo, saboreando um momento de felicidade perfeita.

- Agora você vai me contar sobre os seus pais. Será uma maneira de vencer o trauma.

- Eu não vou conseguir - Demi murmurou estremecendo.

- Sim, você será capaz. Somos parte um do outro e não há nada que não possamos partilhar. Fale-me deles. A tristeza fica mais fácil de ser carregada quando dividida.

Então ela falou dos anos em que haviam vivido em países distantes, das condições de extrema pobreza que tiveram que enfrentar, tendo por apoio apenas a fé.

- Meus pais nunca se mostraram abatidos e sempre acharam que o amanhã seria melhor. Nunca conheci pessoas como eles, capazes de dar a vida por um ideal, sacrificando o conforto e o bem-estar por uma causa que julgavam justa. E tudo mudou do dia para a noite, com  a  queda  do  regime  político  vigente.  Fomos  capturados  sob  a  acusação  de  oferecer  conforto  a prisioneiros políticos e, depois de passarmos uma noite na prisão, fomos levados ao paredão de fuzilamento. Meu pai e minha mãe foram os primeiros a serem mortos e eu fechei os olhos, sabendo que as próximas balas iriam me atingir. Mas então o milagre aconteceu e fui salva pela força de resistência. Um padre conseguiu me levar até a nossa embaixada e de lá eles me puseram num avião de volta para casa. Ao chegar, telefonei para Winnie, pois ela era a única pessoa em que eu podia confiar. Foi um pesadelo, e às vezes ainda acordo chorando no meio da noite.

- Se você chorar, eu estarei ao seu lado para confortá-la. A partir de hoje não nos separaremos mais.

- Mas Joe, e os seus irmãos? Eles vão perceber que estaremos dividindo o mesmo quarto!

- Não se preocupe, eu sairei do seu quarto antes do amanhecer. Ninguém notará nada. Se já será difícil estar longe de você durante o dia, à noite eu não poderei me controlar. Não quero deixá-la longe dos meus olhos! Pensei que você já tivesse percebido o quanto estou apaixonado, Demi!

- Oh, Joe...

- Eu nunca soube o que era amar, até encontrá-la. Viver sem você não era viver.

- Eu me sinto da mesma maneira - ela falou acariciando lhe os lábios com as pontas dos dedos.

- Eu seria capaz de morrer por você.

Ele fechou os olhos, entregando-se ao prazer de amar e saber-se amado. Nunca, até então, havia sentido uma emoção tão intensa ou tão especial.

- E a sua carreira, menininha? O seu trabalho como missionária?

- Eu não poderei mais me dedicar a ela e não seria capaz de pedi-lo para abandonar a fazenda e me seguir pelo mundo afora. Tampouco poderia ir sem você. Além do mais, há uma grande possibilidade de que eu tenha ficado grávida hoje. Estou no período fértil.

- É mesmo? - Joe perguntou, acariciando lhe o ventre. - Eu gostaria de uma família grande, porém se não formos abençoados com uma prole numerosa, há muitas crianças sozinhas, precisando de amor. Não é ter filhos que transforma as pessoas em pais, mas sim, criá-los.

- Você está certo, querido. Estou um pouco sonolenta agora - Demi murmurou sorrindo.

- Eu a deixei exausta. Acho que foi amor demais. É melhor sairmos daqui antes que aconteça de novo. Você faz de mim um homem insaciável.

- Espero poder mantê-lo dessa maneira, depois de casados.

- Eu me encarregarei disso. Tenho algo para lhe dar - ele falou abrindo uma das gavetas da escrivaninha e tirando uma caixinha de veludo.

Demi ficou radiante com o anel de noivado. Um único brilhante representava o compromisso que os dois assumiam.
Ela abraçou o homem amado, pensando que em sua vida não haveria mais lugar para pesadelos. Agora tinha alguém com quem dividir todos os momentos.

- Você quer que eu use uma aliança também, depois de nos casarmos? - Joe perguntou com seriedade.

- Claro! Se eu vou usar o símbolo do nosso amor, a sua marca, você também terá que usar a minha. Nos pertencemos e quero mostrar ao mundo!

- Gosto da idéia! - ele respondeu com um sorriso feliz. Joe sentia-se em paz. Ele havia conseguido exorcizar os seus fantasmas e virar a página do passado. Não deixaria que os erros do pai afetassem a sua vida e já podia viver com a idéia de ser adotado. Marie e Dwight o amavam, e isso era o mais importante de tudo.

Marie, Winnie e Dwight testemunharam a cerimônia íntima que fez de Demtria Lovato a sra. Joe Jonas. Ela usava um vestido branco, simples e elegante, e trazia nas mãos um buquê de margaridas. Joe nunca havia visto uma mulher tão bela, e não se cansava de dizê-lo.

- A coisa mais impressionante é que ninguém descobriu que estávamos dormindo na mesma cama antes de nos casarmos - Demi falou tão logo chegaram ao hotel de Yellowstone National Park, onde iriam passar parte da lua-de-mel.

- Mas dormir foi tudo o que fizemos, por causa da sua consciência delicada - Joe respondeu abraçando-a. - Porém eu nunca pensei que pudesse ser tão bom apenas segurá-la nos meus braços, mesmo sem fazermos amor.

- E agora nunca mais precisaremos nos separar, estaremos juntos para sempre.

- Você reparou no jornalista que nos esperava depois da cerimônia?

- Aquele que você mandou plantar batatas? - ela perguntou rindo. - Foi surpreendente ele me haver encontrado somente quando não tinha mais importância, pois todas as informações já estavam sendo liberadas ao público pelo governo do país. Eu virei notícia ultrapassada.

- Graças a Deus! Pelo menos ninguém mais vai estar ao seu encalço. Poderemos levar nossa vida sossegados.

- Eu só queria que meus pais tivessem conseguido escapar.

- Eu também - Joe respondeu com delicadeza. - Mas estou feliz que você o tenha conseguido. Me ame agora - ele sussurrou, cheio de paixão.

- Mas eu não sei como.

- Não se preocupe. Eu vou guiá-la.

E ele o fez. Os dois se amaram com uma paixão desenfreada, seus corpos se unindo numa avidez enlouquecedora. Quando a manhã chegou, encontrou-os ainda acordados, exaustos e, enfim, saciados.

- Bom dia, sra. Jonas. Foi bom para você?

- Pensei que ia morrer de tanto prazer.

- Eu também - Joe respondeu, resmungando um pouco ao sentar-se na cama. - Minhas costas estão doendo.

- Casado há apenas vinte e quatro horas e já está reclamando... - ela falou num tom de brincadeira.

- Eu não estou reclamando, Demi - ele respondeu sorrindo, admirando lhe a nudez perfeita. - Você é linda, por dentro e por fora. Você é o meu mundo.

- E você o meu. Acho que nunca conseguirei dizer-lhe, vezes suficientes, o quanto te amo.

- Eu adorarei ouvir você repetir. Agora, vista-se. Eu não sei de você, mas estou faminto.

- Eu também! Pensando bem, nós não jantamos ontem e hoje não tomamos o café da manhã e nem almoçamos! Passamos o dia inteiro na cama! Não é uma vergonha?

Depois de um jantar delicioso, eles foram dar uma volta, apreciando as montanhas e o lago sob o luar. Só se ouvia o barulho do vento, e era como se estivessem sós na terra.

- Amanhã é domingo - Joe falou ao voltarem para o quarto do hotel. - Eu fiz algumas perguntas e soube que há missa numa igreja perto daqui. Que tal irmos?

- Você gostaria mesmo de ir?

- Sim.

- Oh, Joe - ela murmurou tentando conter as lágrimas, sabendo o quanto aquele passo fora difícil para ele.

- Eu amo você - ele falou com firmeza. - De agora em diante estaremos sempre juntos, seja aonde formos.

Ela riu, tomada de uma felicidade grande demais para ser posta em palavras e, depois de alguns beijos, dormiu afinal.
 Joe ainda ficou acordado, admirando a mulher que descansava ao seu lado. Ela o despertara para o amor e curara as suas feridas, transformando-o num ser humano melhor e mais completo. Durante meses ele estivera à procura do seu lugar no mundo, de um lugar onde pudesse encontrar calma, tranqüilidade.
E finalmente havia encontrado: entre os braços de Demi estava a sua paz.
Joe fechou os olhos e sorriu, de bem consigo mesmo e com a vida.

~

E acabou! Não tem um epílogo, massssssss vou fazer de tudo para adaptar rápido a próxima história ok? Eu finalmente entreguei a maquete q eu estava fazendo e agora posso respirar! Comentem o que acharam, se gostaram ou não. Vou tentar achar uma história maior no futuro, a q estou adaptando é pequena tb (eu acho). Beijos, amo vcs!

PS: Visitem o meu outro blog (e da Mari tb) Emoção, começamos uma nova história lá ;)