7.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 9

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No dia seguinte Demi saiu para dar uma volta enquanto Marie passava algum tempo ao lado do irmão. O dia estava lindo, quente e ensolarado, e havia muita coisa a ser vista nos arredores. Cachorrinhos e gatinhos, patos e galinhas, além de vacas e cavalos, enchiam o ar de sons variados e vibrantes. Metida em calça jeans e numa camiseta amarela, Demi resolveu caminhar até o curral que ficava a alguns metros da casa. Era uma pena ter que voltar para o Arizona, quando tudo aqui a atraía tanto! Porém os dias estavam passando com rapidez e logo chegaria o momento da partida. Seu futuro a esperava e não havia mais nada a fazer a não ser enfrentar as dificuldades e a solidão.
Depois da morte dos pais, ela fora liberada das suas obrigações por algum tempo a fim de recuperar-se. É claro que havia certas cláusulas morais a serem observadas no seu trabalho, mas felizmente ninguém saberia o que lhe acontecera em Wyoming; não houvera testemunhas. Demi sobressaltou-se ao perceber que um vaqueiro de aspecto vulgar a chamava de um modo insolente. Ele estava encostado na cerca e a fitava com ousadia.

- Srta. Lovato? Logo a reconheci.

- Nós nos conhecemos na festa? - ela perguntou tentando ser educada.

O homem riu com zombaria e se aproximou ainda mais, o hálito recendendo a uísque.

- Não, eu não costumo ser convidado para esse tipo de acontecimento social. Eu a reconheci porque a vi algumas noites atrás, na cabana. Você estava lá, com o patrão.

Demi ficou pálida e se encostou na cerca, incapaz de pensar em algo para dizer.
Ele riu outra vez e estendeu as mãos para tocá-la, parecendo surpreso quando a viu encolher-se e afastar-se.

- Um vaqueiro como eu não a atrai, hein? Mas você parecia muito excitada com o patrão. Oh, é claro que ele tem dinheiro! E dinheiro torna as pessoas desejáveis.

- Por favor, pare! - ela murmurou, envergonhada demais por ter sido vista naquela situação íntima.

- O patrão parece já ter se cansado de você, não é mesmo? Eu vi muito bem como ele ficou enfurecido ao descobrir que você era virgem, pois é um homem que aprecia as mulheres experientes. Agora, eu sou diferente. Gosto das inocentes. Vamos nos entender muito bem, coisinha linda, saberei como lhe dar prazer.

Demi cobriu a boca com a mão e correu para casa, cega pelas lágrimas. O vaqueiro sabia o que havia acontecido entre Joe e ela e seria horrível se ele contasse aos outros o que presenciara. Se a fofoca se espalhasse, sua reputação estaria arruinada e nunca mais poderia retomar o trabalho que amava. Qualquer escândalo que envolvesse o seu nome seria o ponto final da sua carreira na comunidade.
Quando se entregara a Joe não pensara por um momento sequer nas conseqüências, e agora teria que pagar o preço do erro.
Ela entrou em casa e se refugiou no quarto tentando recuperar um pouco do autocontrole. Logo teria que dar um remédio a Dwight e não suportaria se ele desconfiasse de algo.

- O que aconteceu? - Winnie perguntou ao vê-la entrar no quarto do noivo. - Você está tão pálida.

A tentação de contar tudo à amiga era grande, porém não seria justo trazer-lhe mais preocupações, quando a saúde de Dwight ainda requeria cuidados.

- Acho que foi a salsicha que comi no almoço - Demi falou forçando um sorriso. - Meu estômago está um pouco embrulhado, mas já vai passar.

- Vou pedir a Joe que mate um novilho - Dwight interveio, solícito -, e assim você poderá comer bifes amanhã.

Demi estremeceu à simples menção do nome de Joe. Como poderia voltar a encará-lo depois de tudo o que Rance tinha dito? Como ele  reagiria se descobrisse os comentários  maldosos que um dos seus empregados estava fazendo? Talvez ele ficasse indiferente e pensasse que ela merecia, pois não se mostrara nem um pouco preocupado com o que pudessem dizer de Dale depois de terem dormido juntos.
Após verificar que tudo estava bem com Dwight, Demi retirou-se e, fechando a porta do quarto, chorou até não ter mais forças. O preço que pagava agora pelo único deslize da sua vida estava sendo alto demais.
Seus pais sempre tinham insistido na importância da retidão moral e ela havia falhado, entregando-se à paixão sem medir as conseqüências. Se sua mãe ainda estivesse viva, ela teria alguém com quem desabafar, alguém que seria capaz de amenizar a sua dor. Não haveria palavras de censura, de condenação, mas apenas uma compreensão profunda das fraquezas humanas. Desde o encontro com o vaqueiro, Demi nunca mais se aventurou a sair de casa, sob o pretexto de que não queria ficar longe do seu paciente. Entretanto, todos perceberam que alguma coisa não ia bem, inclusive Joe. Ele tentou perguntar-lhe o porquê da mudança várias vezes, porém não conseguia abordá-la, já que Demi evitava a sua companhia de maneira ostensiva.
Ela estava diferente, calada, fechada em si mesma, como se a companhia das outras pessoas lhe fosse penosa. Joe continuava a se culpar pelo acontecido na cabana e sentia-se magoado com tanta indiferença, especialmente porque as mulheres não costumavam evitá-lo; pelo contrário. Demi agia de uma maneira fria e profissional, parecendo interessada apenas nos progressos de Dwight. Nunca ria ou participava das conversas da família, mantendo-se inacessível e reservada ao extremo.
Depois de muita insistência, Winnie e Marie conseguiram-na convencer a acompanhá-las numa tarde em que foram fazer compras. Ela acabou concordando, pensando que, com certeza, não encontraria alguém conhecido. Mas estava errada.

- Que bom vê-la de novo - Dale Branigan falou com um sorriso zombeteiro. - Ben se recuperou do ferimento rapidamente, graças aos seus conhecimentos.

- Fico feliz ao saber disso.

Dale examinou a outra mulher com um olhar crítico e chegou à conclusão de que Demi não era capaz de lhe fazer concorrência. Segura da sua beleza, ela partiu para o ataque:

- Ouvi dizer que Joe a abandonou naquela noite.

- Desculpe-me, eu não entendi.

- Depois que vocês dormiram juntos na cabana - Dale explicou com sarcasmo. - Você não sabia que é este o comentário que corre na cidade? Não se pode esperar que um homem como Danny Rance fique de boca fechada, minha querida. Ele deu com a língua nos dentes e todos já sabem o que aconteceu. Isso é mau; você deveria ter esperado pelos laços sagrados do matrimônio. A propósito, há um jornalista em Pryor procurando por uma mulher missionária que conseguiu escapar da América Central sob uma chuva de balas. Você sabe de algo a respeito?

- Não. Essa mulher não poderia ser eu, não é mesmo?

- Não - Dale respondeu dando uma risada. - Não se você está dormindo com Joe. Atitudes assim não estão de acordo com a moral dos missionários.

- É verdade. Com licença agora.

Pálida e trêmula, Demi saiu da loja e entrou no carro tentando recuperar um pouco do autocontrole. Depois de tudo o que ouvira, tinha certeza apenas de uma coisa: ela estava marcada para sempre e jamais conseguiria retomar o seu trabalho. Além disso, não possuía um lar onde pudesse se refugiar ou uma família que lhe oferecesse consolo. Era inevitável que o jornalista a localizasse, assim como seria impossível impedir que Dale, ou outra pessoa qualquer, acabasse por relatar a história de seu encontro com Joe.
Ela havia cedido à tentação e perdido tudo o que possuía: honra, dignidade, auto- respeito. Se não fosse a sua fé num Deus misericordioso, ela teria desistido de viver naquele instante e ido à procura da morte.
"Oh, Deus!" Demi pensou, "Por favor, me ajude! Me perdoe!" Ao perceberem a ausência da amiga, Winnie e Marie saíram à sua procura.

- Você está bem? - Winnie perguntou, preocupada. - Vimos quando Dale a abordou. O que foi que ela disse?

- Aposto que tem a ver com  Joe- Marie interveio. - Aquela mulher é uma cobra venenosa e ciumenta!

- Está tudo bem. Ela apenas estava me dizendo... o que eu já sabia.

- Há um jornalista na cidade. Foi o que ela disse, Demi?

- Sim, Winnie. É só uma questão de dias até que ele me encontre. De qualquer forma, não faz diferença. Eu já não tenho nada a perder.

- Você tem o seu trabalho, o seu futuro!

- Eu não tenho mais nada. Arruinei a minha vida.

- Mas como?

Ela nada respondeu e as três puseram-se a caminho de casa sem tocar no assunto outra vez. Ao chegarem à fazenda, Demi se trancou no quarto, incapaz de manter-se serena.

- O que há de errado com ela? - Marie perguntou a Winnie. - O que Dale terá dito para deixá-la tão abalada?

- Eu não sei. É claro que Joe não permitirá que aquele homem venha procurá-la, aqui.

- Que homem eu deverei impedir de vir à fazenda? - Joe perguntou entrando na sala.

- O jornalista que está à procura de Demi - Marie respondeu.

- Por que um jornalista estaria atrás de uma hóspede nossa?

- Acho melhor lhe explicarmos tudo - Winnie falou, decidida. - Você precisa saber da verdade.
Joe sentou-se disposto a escutar a história até o fim, e algo lhe dizia que não iria gostar do que estava para ouvir.

- Alguns anos atrás - Winnie começou -, Demi e seus pais foram enviados à América Central com o objetivo de instalar uma pequena clínica numa das inúmeras zonas rurais. Infelizmente a região estava em guerra e duas forças opostas disputavam o poder. 

- O que eles estavam fazendo na América Central?

- Eram missionários.

- Todos eles? Inclusive Demi? - Joe perguntou, cheio de assombro.

- Sim.

Oh, Deus! Ele havia seduzido uma missionária! Agora entendia a ingenuidade dela, a sua confiança nas pessoas.

- Bem - Winnie prosseguiu -, num certo dia todos os habitantes de um pequeno vilarejo foram feitos prisioneiros e levados ao paredão de fuzilamento. Demi viu os pais serem mortos ao seu lado, porém quando chegou a sua vez, o local foi invadido pelos oponentes do governo e ela foi salva. Logo a força de paz internacional chegou à região e Demi foi mandada de volta para casa. A imprensa está ao seu encalço porque ela possui informações, em primeira mão, sobre os acontecimentos. Demi  veio para Pryor com a intenção de curar as feridas da alma, Joe.

Ele saiu da sala sem dizer uma palavra. O pensamento de que aquela mulher delicada estivera à beira de uma morte tão horrível o abalava profundamente. O que a salvara fora mesmo um milagre.
O som de vozes que se aproximavam o arrancou do torpor no qual parecia imerso. Um dos homens devia ser Rance e, pelo jeito, andara bebendo. Desta vez o rapaz estaria em maus lençóis, pois não iria tolerar que seus empregados bebessem álcool durante o dia, enquanto estivessem trabalhando.

- Ela não quis nada comigo! Incrível, não é mesmo? - Rance estava dizendo ao companheiro. - Ela não se importou em ir para a cama com o patrão naquela cabana, porém se considera importante demais para me deixar tocá-la. Não é à toa que Dale a odeia. Mas agora toda a cidade já sabe que a esnobe srta. Lovato e Joe Jonas andaram dormindo juntos. E quando eu...

Rance ficou sem fala ao ver surgir diante de si o homem por quem nutria tanto rancor e inveja.

- Espere, chefe, eu só...

- Seu filho da...

A última palavra veio acompanhada de um soco violento que derrubou o vaqueiro no chão. A luta foi tensa e rápida. Joe parecia enlouquecido e teria destroçado o oponente se um dos vaqueiros mais velhos não o houvesse parado.

- Ele já teve o que merecia, chefe, não é preciso matá-lo. Além do mais, nenhum de nós deu ouvidos às suas insinuações maldosas. Até um cego pode ver que a srta. Lovato é uma dama.

Joe tinha a respiração alterada e precisou de toda a sua força para recuperar o controle. Finalmente virou-se para os empregados que haviam presenciado a briga, encarando-os com uma expressão firme e ameaçadora.

- Se alguém mais perguntar, podem dizer que a srta. Lovato é minha noiva. Eu posso merecer esse tipo de fofoca maliciosa, mas não ela. Demi é uma missionária, e um homem que seja homem, não desrespeita uma mulher do seu tipo.

Os vaqueiros pareciam desconcertados, até que um deles falou:

- Rance nos contou que havia um jornalista na cidade. Nós tentamos fazê-lo pensar bem antes de tomar alguma atitude louca, porém ele parecia ter perdido a cabeça. Dale Branigan o atormentava também, enchendo-lhe os ouvidos de fofocas. E todos sabemos que ele andava bebendo como um condenado nos últimos tempos.

- As coisas voltarão aos devidos lugares - Joe falou com segurança.

Só agora ele percebia o quanto andara relapso no trabalho, deixando a fazenda mal administrada por estar preocupado demais com os próprios problemas. Bem, já era hora de retomar as rédeas da situação.

- Saia das minhas terras, Rance - Joe falou friamente, sem levantar a voz. - Se o vir por aqui outra vez, eu lhe quebrarei o pescoço. Vá à procura de Dale Branigan, mas não se espante se encontrar Ben Hardy fazendo-lhe companhia.

- Ben? Não é possível!

- Ela o enganou o tempo todo, não é? Vocês se merecem, seus tolos! E vou lhe prometer uma coisa: amanhã todos na cidade saberão como você foi feito de bobo e como tentou manchar a reputação da minha noiva por puro despeito.

Rance ficou de pé com dificuldade e limpou, num gesto nervoso, o sangue que escorria do nariz.

- Você não tinha necessidade de bater em mim desta maneira por causa de uma mulher.

- E você não tinha necessidade de tentar fazer dela uma vagabunda, porque ela não lhe deu confiança - Joe respondeu, cheio de raiva. - Você está acabado em Pryor, Rance. Ninguém lhe oferecerá trabalho aqui.

- Eu também já estou farto do Wyoming. Vou arrumar as minhas coisas.

Joe virou-se e caminhou em direção à casa, ignorando os comentários dos homens. Com passos rápidos subiu a escada sem dar uma palavra com Winnie e Marie que, surpresas, haviam presenciado a cena da janela e esperavam uma explicação.
Ele bateu na porta do quarto de Demi, mal contendo a ansiedade, e foi logo perguntando:

- Por que você não me contou o que Rance andava espalhando a seu respeito? Por que não me disse nada sobre os seus pais e a sua vida na América Central?

Demi mal podia ouvir o que Joe estava dizendo, tudo o que a preocupava era o rosto ferido do homem amado.

- Você está machucado. O que lhe aconteceu?

- Eu estava muito ocupado batendo em Rance antes de demiti-lo. E gostei do que fiz. Você está chocada? Só me arrependo de não ter batido com mais força.

- Você sabe... de tudo?

- Tudo. Oh, Deus! Por que você não confiou em mim? Por que não me contou a verdade?

- Eu não podia. No princípio doía demais tocar no assunto e depois eu sabia que se lhe contasse qual era a minha profissão, você se afastaria de mim. Eu menti porque queria me sentir viva, nem que fosse por pouco tempo. Eu queria ser como as outras mulheres, queria ser... amada. Mas eu não tinha esse direito.

- E o que você acha que eu estou sentindo agora? -  Joefalou tomando-a nos braços com paixão, secando as suas lágrimas com beijos. - O pior de tudo é que eu estava tão imerso nos meus próprios problemas que fui incapaz de enxergar o seu verdadeiro caráter. Eu ignorei os sinais evidentes da sua inocência, porque a queria demais. Eu merecia ser morto!

- Mas eu desejava você também - Demi murmurou. - A culpa não foi exclusivamente sua.

- Isso não justifica o que eu fiz. E ainda ter que suportar aquele verme do Rance fazendo fofocas a seu respeito! Eu sinto muito por tudo o que aconteceu.

- Eu não ficarei aqui por muito tempo e se aquele jornalista não me encontrar...

- Não acontecerá nada se ele a encontrar. Acabei de dizer aos meus homens que estamos noivos e logo a notícia se espalhará. Dale ficará com cara de tola na frente de toda a cidade.

- Noivos? Mas eu não posso!

- Por que não? - ele perguntou, tenso. - Você é missionária, não uma freira. Casamento é permitido no seu caso.

- Mas não por esse motivo, Joe, não para salvar a minha reputação. Não se preocupe, tudo acabará bem. Sou uma enfermeira formada e conseguirei um emprego.

-  Então  casamento  não  é  um  trabalho?  Dwight  e  eu  resolvemos  voltar  às  nossas  antigas responsabilidades e estamos felizes com a decisão. Isso significa que passarei mais horas em casa e terei tempo para estar com você e as crianças.

- Não há nenhuma criança - ela murmurou enrubescendo.

- Não ainda - Joe respondeu pegando-a no colo e levando-a para a cama. - Eu sei que a magoei. Sua primeira vez deve ter sido um pesadelo. Se eu puder fazê-la me desejar de novo, você se casará comigo?

- Mas eu não...

Joe acariciou lhe os cabelos sedosos com delicadeza, desfrutando o prazer de tanta proximidade.

- Gosto dos seus cabelos compridos e soltos. Combinam com você. - Então ele a beijou com ternura, usando toda a sua experiência e habilidade para fazê-la corresponder à carícia.  - Há uma barreira que precisa ser rompida na primeira vez - ele falou com delicadeza. - Quando uma mulher perde a virgindade, é comum que sinta dor e desconforto. Isso não se repetirá. Agora que sei o quanto você é inocente, Demi, eu a farei conhecer o paraíso, e a última coisa que você sentirá ao me olhar, será medo.

- Sou uma enfermeira - ela falou tentando parecer controlada. - E conheço a anatomia feminina.

- Naquela noite eu estava excitado demais e não lhe dei tempo para me acompanhar. Eu perdi a cabeça.

- Por favor, você não devia falar assim comigo.

- Você é minha mulher. Somos amantes, Demi, e vamos nos casar. Você terá que aceitar a realidade.

- Não me casarei com você!

- Com o diabo que não se casará comigo! - ele falou com determinação. - Desculpe-me, mas só há uma maneira de resolvermos o assunto.

Joe começou a beijá-la, suavemente a princípio, e depois com ardor, minando-lhe a resistência. Com extremo cuidado ele livrou-a da blusa e do sutiã, expondo os seios firmes. Demi arqueou o corpo, deixando escapar gemidos incoerentes ao senti-lo sugar os mamilos túrgidos e, quando percebeu que a sua calça comprida estava sendo desabotoada, ela ensaiou um tímido protesto:

- Joe, você não pode...

Mas ele já estava tocando o ponto mais íntimo do seu corpo, despertando sensações que ela nunca se julgara capaz de sentir. Era impossível lutar contra o próprio desejo, era impossível resistir ao apelo das emoções! A carícia tornava-se mais ousada, enlouquecendo-a de paixão.

- Joe... - ela sussurrou, incapaz de esconder a onda de prazer que a sacudia. - Oh, Joe!

Então ele levantou a cabeça e a viu quase desfalecida, as feições alteradas pela intensidade do êxtase.

- É assim que deve ser, Demi. Foi assim que me senti naquela noite na cabana. E da próxima vez eu lhe darei uma satisfação ainda maior, só que será com o meu corpo dentro do seu. O que você sentiu agora é nada, comparado ao que eu ainda vou lhe dar.

- Por que você se preocupa tanto em me dar prazer?

- Porque quero me casar com você.

- Você não é obrigado a ir tão longe para salvar a minha reputação ou para livrar-se do sentimento de culpa. Eu já lhe disse que não o considero culpado de nada. Joe... o que...

Ele havia encaixado o corpo grande e forte entre as pernas elegantes dela, fitando-a com adoração.

- Diga que se casará comigo - Joe falou com um sorriso. - Ou eu arrancarei a sua calça comprida e a farei gritar de prazer. Olhe que a janela está aberta e os meus homens estão trabalhando lá fora. - Ela estremeceu de ansiedade, o desejo entorpecendo lhe a razão. - É melhor você me dizer "sim" logo, doçura, antes que eu perca o controle do meu corpo. Está ficando cada vez mais difícil me conter.

- Você não pode fazer isso comigo... Marie e Winnie...

- Estão lá embaixo e a porta do quarto está trancada. Abra as pernas, Demi - ele murmurou coma voz rouca, despindo-a por completo. - Não tente negar que me deseja, que me quer com loucura.

Com movimentos rápidos Joe despiu-se também, expondo o corpo másculo e o membro ereto. Demi estremeceu, porém não se retraiu.

- Você vai me deixar penetrá-la? Você será capaz de negar que me quer dentro de si? Sim, nós nos desejamos com a mesma intensidade. Nós nos pertencemos para sempre.

- Nós não devíamos...

- Sim, nós vamos fazer amor.

Com dedos trêmulos ele acariciou Demi mais uma vez e, bem devagar, com extrema delicadeza, penetrou a maciez complacente da sua carne. Ela o fitou, entre surpresa e maravilhada.

- Você vê? Não dói nada. Não fique tensa e me deixe amá-la, menininha. Não é isso o que você queria: ser amada? Olhe nos meus olhos, Demi. Quero vê-la se contorcer de prazer, quero ouvi-la gemer em meus braços.

Incapaz de resistir por mais tempo, Demi entregou-se às emoções que a consumiam, deixando a natureza seguir seu rumo. Joe aumentou o ritmo das investidas, excitando-a além da imaginação, penetrando-a cada vez mais fundo. Ela deixava escapar sons desconexos, o rosto desfeito em êxtase e deslumbramento. E então tudo pareceu explodir, enquanto Demi gritava o nome do homem amado.

- Isso, querida, entregue-se aos sentimentos, não tema ser feliz.

Joe já não podia mais conter-se. Ele segurou-a com firmeza e se soltou dentro dela, o corpo sacudido por um prazer alucinado. E então os dois ficaram em silêncio, envolvidos pelo torpor da paixão saciada.

- Eu devia ter fechado a janela - ele murmurou num tom brincalhão. - Mas não se preocupe, ninguém poderia nos ouvir, pois os homens estão trabalhando a vários metros da casa e Dwight está dormindo. - Depois de alguns segundos, ele perguntou: - Você sentiu dor desta vez?

- Oh, não - Demi respondeu lânguida e trêmula. - Foi tão lindo!

- E será sempre assim. Se você não se casar comigo, juro que não sairei deste quarto até que me diga "sim". Eu sei que não a forcei naquela noite, a atração sempre foi mútua. Tudo o que quero é partilhar a minha vida com você

- Só sexo não é o suficiente para unir as pessoas - ela falou baixinho. - E você acabaria por se arrepender.

- Nunca me arrependerei. Você é tudo o que eu sempre quis e a farei feliz por ter aceito o meu pedido.

Aquelas palavras ainda ecoavam na mente de Demi quando ambos desceram para anunciar o noivado. Ela temia acreditar em tanta felicidade e receava que a atração física fosse o motivo pelo qual Joe a havia pedido em casamento. Mas quanto a isso, só o tempo traria a resposta.

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Espero que estejam gostando... Comentem! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

5.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 8

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Winnie voltou para casa na hora do almoço em companhia da mãe. Os olhos vermelhos e a expressão desfeita traíam todo o seu desespero.

- Oh, Winnie - Demi falou abraçando a amiga. - Eu sinto muito. Há alguma mudança no estado de Dwight?

- Nada. Eu não suportarei perdê-lo! Eu não posso perdê-lo! 

- Ferimentos na cabeça costumam ser traiçoeiros. Ele está em coma, porém isso não significa que não possa vir a se recuperar. Tenha paciência, dê tempo ao tempo.

- Tenho a impressão de que vou enlouquecer.

- Não, você vai agüentar firme. Agora venha comer alguma coisa, pois o almoço está pronto.

- Que bom que você tomou as providências,  Demi - a sra. Manley interveio. - Winnie precisa se alimentar e eu também.

- O que foi que aconteceu de fato? - Demi perguntou.

- Ninguém sabe muito bem. O carro que Dwight dirigia caiu num precipício ontem à noite, mas ele só foi encontrado hoje pela manhã. Joe e Marie estão no hospital agora e Joe me parece profundamente abatido. Venha ao hospital comigo, amiga. Eu preciso da sua companhia.

Demi nada respondeu e desviou o olhar tentando evitar que a sua dor transparecesse. Já bastava a carga que os Manley estavam suportando. Se fosse possível ela teria se recusado a acompanhar Winnie, temendo encontrar-se com Joe, porém as circunstâncias forçaram-na a enfrentar o próprio medo.
Ao chegarem  ao hospital, apenas Marie estava lá e Demi conseguiu respirar aliviada. Depois  de conversar por alguns minutos ela saiu à procura da enfermeira-chefe, responsável pela UTI.
Tina Gates, prática em enfermagem há vinte e dois anos, recebeu Demi com simpatia e respondeu a todas as perguntas.

- O estado dele é grave, mas me parece um homem que não se entrega com facilidade, aliás, como todos da sua família. Eu creio que irá resistir.

- Espero que sim. Minha melhor amiga o ama muito.

- Às vezes é o amor que salva as pessoas. Sabe, se algum dia você quiser um trabalho em Pryor, basta nos procurar. Você é muito mais qualificada do que eu jamais serei. Infelizmente nunca tive oportunidade de me formar em enfermagem.


- Eu tive sorte. Meus pais se sacrificaram para que eu pudesse estudar. É um trabalho importante e gosto muito do que faço. Entretanto, não sei se me acostumaria à rotina de um hospital. Estou habituada a trabalhar em condições primitivas. Contudo, obrigada pelo oferecimento.

- Então voltarei a repetir à oferta - Tina respondeu sorrindo. - Wyoming é um belo Estado e há pessoas simpáticas por aqui. Você poderia gostar de morar entre nós.

- Eu já gosto daqui. Porém prometi a meus pais que continuaria o trabalho deles e não gosto de faltar à minha palavra.

- Eu também não... Escute!

Tinha correu para junto da cama de Dwight a tempo de vê-lo abrir os olhos.

- Cabeça... dói...

- Aleluia! - ela exclamou, sorrindo. - Se a sua cabeça dói, sr. Jonas, isso é um bom sinal. Vou chamar o dr. Jackson agora mesmo.

- E eu vou avisar Winnie. Estou feliz que você esteja de volta, Dwight. Eles vão lhe dar algo para a dor. Procure relaxar e não se mexa muito.

- Joe? - ele sussurrou.

- Você quer vê-lo?

- Sim. 

- Vou tentar encontrá-lo. Descanse agora.

Joe estava na sala de espera e ficou tenso ao ver Demi se aproximar, enquanto ela precisou de toda a sua força de vontade para não trair o seu desespero e chorar.

- Dwight saiu do estado de coma e acho que irá se recuperar.

- Oh! Obrigada, Deus! - Winnie falou, rindo e chorando ao mesmo tempo.

- Então a sua experiência em primeiros socorros lhe permite fazer um prognóstico? - Joe indagou com sarcasmo, sentindo-se magoado com a indiferença demonstrada por Demi.

- Experiência em primeiros socorros? - Winnie interveio - Joe, ela é uma enfermeira diplomada! Você não lhe contou, Demi?

- Não havia necessidade - ela respondeu secamente. - Dwight quer vê-lo, Joe.

- Ele quer falar de negócios - Winnie resmungou. - Bem, isso pode esperar. Venha, Marie, vamos pedir permissão a um médico para entrarmos lá.

Demi viu-se a sós com Joe e desviou o olhar, procurando aparentar calma.

- Uma enfermeira. Não era a toa que você sabia como tratar cortes e coisas afins. Há outros segredos em sua vida? - ele perguntou com amargura na voz. - Pensei que você iria embora hoje.

- Eu também. Mas não se preocupe. Sairei da cidade tão logo Dwight seja declarado fora de perigo.

Joe ficou tenso. Então era isso o que  Demi pensava? Que ele queria ver-se livre dela o mais rápido possível? Por que ela não fora capaz de se abrir? Que outros segredos estaria guardando? A única coisa que haviam partilhado de verdade eram seus corpos, porém ele ansiava por muito mais. Queria poder retribuir a ternura que havia recebido, o prazer que sentira quando fizeram amor, mas Demi tinha se retraído de tal maneira que tornara impossível qualquer tentativa de aproximação.
Joe sentia-se culpado pela desilusão que causara. Se tivesse sabido a verdade poderia ter agido de uma maneira mais delicada, preocupando-se com o prazer dela acima de tudo.

- Uma enfermeira, hein? - ele falou secamente. - É um milagre que você tenha atingido essa idade ainda virgem. Não lhe ensinaram nada sobre sexo durante os seus anos de estudo?

- A teoria é muito diferente da prática - Demi respondeu, muito vermelha.

- Sem dúvida. Sua tolinha, se eu tivesse sabido a verdade poderia ter lhe dado tanto prazer! Sou experiente o suficiente para isso. Eu a machuquei e minha consciência não me deixa em paz. Droga, Demi! Se eu soubesse teria parado a tempo!

- Teria mesmo? - ela murmurou com tristeza.

Ele desviou o olhar, incapaz de responder. Não, não poderia ter evitado o que acontecera. Sua paixão era grande demais para ser reprimida.

- Dwight vai precisar de uma enfermeira em tempo integral, quando voltar para casa - Joe falou mudando de assunto. - Ele sofreu ferimentos internos e tem uma costela quebrada.

- Não deve ser muito difícil encontrar alguém.

- Ele gosta de você e vai precisar da sua ajuda.

- Não - Demi respondeu depressa. - Eu não posso aceitar esse trabalho. Tenho que voltar para o Arizona.

- Winnie ficaria eternamente grata, assim como Marie e eu.

Joe estava usando todo o seu poder de persuasão para dobrar a resistência de Demi. Tudo o que queria era uma nova chance de tê-la perto de si, de reconquistar a sua confiança.

- Você não precisa fingir que gostaria de me ter por perto, Joe. Será fácil encontrar uma profissional adequada para o trabalho.

- Não estou usando Dwight como desculpa. Ele é meu irmão e o amo.

- Pensei que você não se julgava mais parte da família - ela murmurou, emocionada com o que havia acabado de ouvir. Eu também, até saber que ele estava ferido. É estranho como tudo o mais perde a importância quando alguém a quem queremos bem está perto da morte. Durante as horas de angústia eu só conseguia pensar nos momentos bons que havíamos partilhado, na nossa infância tão cheia de afeição. Mesmo que os laços de sangue entre nós dois não sejam muito fortes, sempre fomos os melhores amigos do mundo. Sei que Marie e eu brigamos bastante, porém seríamos capazes de morrer um pelo outro. Eu estive fechado dentro de mim mesmo nestes últimos meses e não percebi o quanto os magoava. Se eu não precisar me preocupar com a saúde de Dwight, creio que conseguirei me reencontrar. Como você já deve ter percebido, o hospital não tem um quadro de funcionários muito grande, daí a dificuldade de encontrarmos alguém disponível.

- É verdade, Tina já havia me dito.

Joe aproximou-se de Demi e numa voz muito doce murmurou:

- Sinto tanto quanto você o que aconteceu entre nós, querida. Desculpe-me.

- Foi culpa minha também - ela respondeu baixinho. - Será que poderíamos... não tocar mais no assunto?

-  Uma  vez  que  você  é  enfermeira,  presumo  que  tenha  sabido  como  prevenir-se  de  possíveis conseqüências, não é?

- Eu não estava nos meus dias férteis, se é o que você quer saber. - Demi respondeu sem fitá-lo.

- Não foi exatamente isso o que eu perguntei. Seis semanas... é o que precisamos esperar para termos certeza?

Ela fez um aceno com a cabeça, incapaz de confiar na própria voz.
Joe ficou em silêncio e sentou-se, tentando ordenar os pensamentos. Sentia-se impotente e tudo o que dissesse agora iria soar errado aos ouvidos dela.
A idéia de ter um filho o assustava. Não queria que uma criança viesse sofrer as conseqüências de momentos fugazes de amor.

Também sentia-se apavorado por causa do caráter do seu pai verdadeiro e temia passar aqueles genes indesejados a um filho. Joe sabia que era um medo irracional, porém não conseguia evitá-lo.
Entretanto, Demi parecia feita para a maternidade. Era fácil imaginá-la com um bebê nos braços, sugando-lhe os seios...
A imagem desencadeou uma reação imediata no seu corpo e Joe sobressaltou-se com o poder de atração que Demi tinha sobre si. Incapaz de esconder o embaraço, ele saiu da sala sem dizer uma palavra, deixando-a mais aturdida do que nunca.
Dwight ficou feliz ao ver o irmão chegar à UTI e o recebeu com um sorriso cansado.

- Você está precisando de alguma coisa? - Joe perguntou sem esconder a preocupação e a ternura da voz.

- Não, obrigado. Você vai cuidar da administração da fazenda enquanto eu estiver aqui, não vai? Acho que consegui me sair muito mal na função.

- É porque você não me viu cuidando do gado.

- Papai nos pregou uma peça, não é mesmo? Ele sempre soube que eu era um desastre para cuidar das finanças. Por que, então, trocou as nossas obrigações?

- Nunca saberemos - Joe respondeu com calma. - O melhor é nos dedicarmos aos nossos novos papéis com mais afinco.

- Não. O melhor é voltarmos ao que fazíamos antes do papai morrer. Já conversei com os nossos advogados e eles me disseram que basta assinarmos um novo contrato e voltaremos às nossas antigas posições.

- Você não me disse nada sobre essa possibilidade.

- Você não me queria ouvir. Sei o quanto deve ter lhe custado descobrir a verdade sobre o passado, porém eu tinha certeza de que você iria superar a dor. Minha cabeça está doendo muito agora, Joe.

- Eu sei, o médico já vai lhe dar algo contra a dor. Estou tentando convencer Demi a tomar conta de você lá em casa. Que tal a idéia?

- Ótimo. Aposto que eles me deixarão ir para casa mais cedo se eu tiver a minha própria enfermeira.

- Você já sabia que ela era enfermeira?

- Claro! Winnie me contou. E os pais dela, hein? É incrível que Demi tenha conseguido escapar. Joe, eu preciso de um remédio para a dor; agora.

- Vou chamar um médico, não se preocupe.

Joe afastou-se pensando no que o seu irmão dissera. O que havia de tão incomum na morte dos pais de Demi? E do que ela havia escapado? Cansado de tantos mistérios, ele decidiu-se a descobrir a verdade de qualquer maneira.
Demi não pôde recusar os pedidos insistentes de Winnie e Marie para que tomasse conta de Dwight, só lhe restando sufocar a própria dor e conviver com Joe sob o mesmo teto.

- Você tem andado diferente - Winnie observou alguns dias mais tarde, enquanto  Demi se preparava para ir até a casa dos Jonas.

- Diferente como?

- Mais calada. Menos interessada no mundo à sua volta. Você e Joe brigaram?

- Sim. E foi uma coisa séria. Eu iria embora de Pryor na manhã em que Dwight foi para o hospital.

- Oh, Demi! Eu sinto muito. Mas foi Joe quem insistiu na sua ida para a fazenda, portanto ele não deve estar muito zangado.

- Ele tem muitos motivos para estar aborrecido. O melhor é que não nos vejamos muito.

- Será que a briga tem algo a ver com Dale Branigan?

- De certo modo, sim. Como você soube?

- Ela está atrás de Joe há muito tempo, aliás, como quase todas as moças solteiras de Pryor. Sei que no princípio eu lhe dei uma impressão de Joe que não correspondia exatamente à verdade. Na minha ânsia de protegê-la acabei sendo injusta. Ele é um homem atraente e não tem culpa disso. Também já ouvi dizer que é espetacular na cama. Sendo assim, as mulheres não param de persegui-lo. Entretanto, desde que ele a conheceu, não tem se interessado por mais ninguém.

- Não se preocupe, Winnie, eu sei que você só queria o meu bem.

Sim, ela sabia que Joe era espetacular na cama e se tivesse lhe dito a verdade, ele poderia tê-la levado ao prazer total. Durante o trajeto para a fazenda, Demi não conseguia parar de pensar na noite em que fizeram  amor.  Tudo  fora  tão  bom  no  começo!  As  carícias  preliminares  haviam  sido  sensuais, enlouquecedoras. Depois não conseguira sentir mais nada, pois ficara tensa por causa da dor. A sua mentira arruinara o que poderia ter sido perfeito. Será que o sexo para a mulher se resumia a um prazer fugaz? Não seria possível alcançar o clímax? Chegando à fazenda, Demi foi ao quarto de Dwight no mesmo instante e encontrou o seu paciente de bom humor, rodeado por todo tipo de distrações: montes de livros, TV em cores, videocassete e dezenas de fitas com os últimos lançamentos, toca-disco laser e inúmeras revistas.

- Ai está um homem que tem tudo - ela brincou.

- Quase tudo. Gostaria de ter uma cabeça nova.

- Não fique impaciente, você se sentirá melhor com o passar dos dias. Cuidarei para que isso aconteça o quanto antes.

- Obrigado. - Dwight hesitou por um instante antes de continuar: - Algo me diz que você e Joe estão tendo problemas. Sendo assim, quero agradecer-lhe por você ter aceito esse trabalho. Imagino o quanto deve estar lhe custando morar aqui por algum tempo.

- Joe e eu tivemos apenas uma divergência de opiniões.

- Em outras palavras, ele tentou levá-la para a cama e ouviu um sonoro "não" como resposta. É bom que ele leve um fora de vez em quando.

Demi não disse nada, embora ficasse vermelha de embaraço. Que cada um pensasse o que quisesse, pois não devia explicações a ninguém. O erro fora seu, assim como a dor que agora a afligia. O melhor seria não tocar no assunto e ir embora de Pryor tão logo quanto possível. Quem sabe a distância não lhe traria um pouco de alívio?
Winnie ficou para jantar e se ofereceu para preparar a bandeja de Dwight, que ainda não podia deixar o quarto.

- Joe só chegará mais tarde - Marie comentou com Demi. - Sinto que Dwight esteja passando por uma experiência dessas, porém tanto sofrimento teve um lado positivo: Joe percebeu que é um membro da família e não um estranho. Ele tem sido gentil comigo e extremamente dedicado a Dwight. Há males que vêm para o bem.

- Às vezes é preciso enfrentarmos momentos terríveis para sermos capazes de dar valor ao que temos. Agora, você e Winnie tenham um bom apetite, enquanto eu cuido do meu paciente. Não se preocupem comigo, vou comer algo mais tarde, pois ainda não estou com fome.

- OK - Marie concordou sorrindo. - Sinta-se à vontade. O freezer está abastecido e o microondas às suas ordens. Se precisar de qualquer coisa em seu quarto, é só me pedir, não se sinta acanhada, pensando que vai me incomodar.

- Farei isso. Obrigada, Marie.

- Não, Demi. Sou eu que preciso agradecer a você. A sua presença nesta casa tem nos dado satisfação e alegria. Joe e eu lhe somos gratos do fundo do coração.

- É verdade - Winnie interveio abraçando a amiga. - Ela é alguém muito especial.

- Vocês estão me deixando sem jeito. Agora vão jantar enquanto eu tomo conta do meu paciente.

Demi levou a bandeja para Dwight e ambos puseram-se a conversar, embora ela tivesse que se esforçar para não deixar transparecer a tristeza.

- Joe ainda não chegou?

- Marie disse que ele se atrasaria. Parece que há muito trabalho a ser feito.

- Por que você não contou nada ao meu irmão sobre a sua vida, sobre os seus pais?

Era difícil responder à pergunta. No princípio ela tivera medo de afugentá-lo ao mostrar-se como realmente era: uma mulher ingênua e inexperiente. Agora já não tinha mais sentido, pois estava prestes a ir embora da cidade.

- Eu não sei. Suponho que tenha aprendido a guardar as coisas para mim mesma, já que meus pais nunca apreciaram pessoas que choramingam a respeito de tudo. Eles acreditavam na honra, no trabalho e no amor. Vou sentir falta de ambos eternamente.

- Eu sinto falta do meu pai com essa mesma intensidade e sei que Joe também sente. 

- O que há de tão misterioso com o pai verdadeiro de Joe?

- Acho melhor você perguntar ao meu irmão e não a mim. Ele e eu estamos começando a nos entender agora e não quero interferir nos seus assuntos particulares. Tenho medo de causar-lhe um aborrecimento.

- Posso entender o seu receio muito bem. Você precisa de mais alguma coisa?

- Não, obrigado. Estou me sentindo um pouco cansado e vou dormir.

- Ótimo - Demi respondeu com um sorriso enquanto ajeitava os travesseiros de Dwight. - Vou pegar um livro e ficarei por aqui, caso você precise de algo. O seu próximo remédio é só daqui a algumas horas, portanto durma sossegado. Por favor, não fique nervoso se precisar da minha ajuda, pois você ainda está enfraquecido. Suas forças voltarão lentamente. O nosso corpo precisa de tempo para se recuperar.

- Você faz tudo parecer tão simples!

- As coisas são simples na maior parte das vezes. Somos nós que as complicamos. Durma bem.
Winnie se ofereceu para fazer companhia ao noivo enquanto Demi preparava um lanche para si. Marie havia ido ao cinema com algumas amigas por insistência dos irmãos. Os últimos dias foram tão traumáticos que todos sentiam necessidade de um pouco de diversão.
Demi desceu e preparou um sanduíche, contente por estar sozinha. O silêncio da casa dava-lhe um pouco da paz de que tanto necessitava. Imersa nos próprios pensamentos e diante de uma segunda xícara de café, ela não ouviu o barulho da porta sendo aberta.

- Cansada, mocinha?

A voz de Joe a sobressaltou, deixando-a trêmula de susto e ansiedade. Ele era o homem mais viril, mais atraente que ela jamais encontrara e sua presença tinha um efeito devastador sobre as suas emoções.

- Estou bem. Você é que me parece exausto.

- Estive ajudando a marcar o gado -  Joe respondeu tirando o chapéu e passando as mãos sobre os cabelos desalinhados. - Será que eu poderia tomar um café?

- Claro! Você quer puro ou com leite?

- Puro.

Joe notou que Demi evitava encará-lo e que se esforçava para manter-se distante. Porém ele conseguiu segurar-lhe uma das mãos, quando ela lhe entregou a xícara.

- Você não pode olhar para mim, doçura?

- Me deixe em paz, por favor - Demi respondeu num fio de voz.

Estar aproxima àquele homem era perigoso demais, pois temia trair os sentimentos que lhe iam na alma.
Sim, ela o amava e não agüentaria ser rejeitada outra vez. Ele soltou-a com relutância, notando o quanto Demi estava perturbada e trêmula. Será que a havia perdido para sempre?
Será que ela o odiava tanto assim, não suportando nem mesmo encará-lo?

- Como está Dwight? - ele perguntou depois de alguns minutos.

- Bem, embora ainda sinta dores. Winnie está lhe fazendo companhia agora e Marie foi ao cinema.

-  Quero  dizer-lhe  mais  uma  vez  o  quanto  aprecio  a  sua  dedicação,  especialmente  diante  das circunstâncias.

- Aceitei passar alguns dias aqui apenas por causa de Winnie - Demi respondeu sem fitá-lo.

- Sei disso. Quanto tempo será preciso até que ele volte à vida normal?

- Eu não sei. É melhor que você pergunte ao médico.

Joe acendeu um cigarro e fumou em silêncio. Ele tinha trabalhado duro o dia inteiro, tentando não pensar em Demi ou na noite que haviam passado juntos, mas de nada adiantaram os seus esforços. Era apenas ao lado dela que encontrava paz e um sentido para a vida. A morte de Hank Jonas o deixara revoltado e ele não soubera controlar as emoções que o afligiram. Fora esta mulher, serena e doce, que lhe trouxera de volta a esperança, a crença em si mesmo e no mundo ao seu redor.
A vergonha que sentia do seu pai verdadeiro estava bem menos contundente do que há alguns meses e a angústia que o sufocava parecera perder a importância. Agora, tudo em que podia pensar era nos momentos em que tivera Demi nos braços, na maciez e no calor daquele corpo que se entregara sem reservas, na suavidade daquela voz que só pronunciara palavras de estímulo e compreensão. Entretanto, ele destruíra a beleza do que haviam partilhado juntos e matara todas as ilusões reduzindo o sentimento a uma febre sexual sem significado ou propósito. É claro que ele não era nenhum santo e já usara as mulheres antes, mas Demi não era um flerte passageiro. Ela era... o seu mundo. Uma mulher que se encontra apenas uma vez na vida.

- Tenho sido um tolo em relação à minha família - Joe falou de repente. - Acho que perdi a cabeça ao descobrir como fui enganado por todos estes anos. Meu orgulho ferido me cegou para a realidade dos fatos. Finalmente recuperei a razão.

- Fico feliz ao ouvi-lo falar assim. Seus irmãos não têm culpa do acontecido.

- É verdade. Eles têm sofrido tanto quanto eu. - Depois de alguns minutos de silêncio, Joe perguntou: - Você será capaz de me perdoar pelo que eu lhe fiz?

Ela abaixou os olhos, incapaz de encará-lo. Não, não podia culpá-lo pela noite de amor. Ninguém a havia obrigado a se entregar, fora uma escolha consciente.

- Você não fez nada que eu não tivesse permitido. E agora não tem mais importância.

- Você pode estar carregando um filho meu. Isso também não tem importância?

- É pouco provável.

- Sinto ter feito daquela noite algo que você prefira esquecer - ele falou muito baixo, tomando-lhe as mãos entre as suas. - Sua primeira vez deveria ter sido especial. Um homem deve dar prazer, especialmente a uma mulher virgem. E tudo o que eu lhe dei foi sofrimento.

- Preciso ir ver como está Dwight. Boa noite, Joe.

Mas antes que Demi pudesse se afastar, ele a segurou pelos ombros forçando-a a encará-lo, olhando-a com uma fixidez desconcertante.

- Você me odeia? Diga a verdade, sem subterfúgios. Eu preciso saber.

- Não. Eu... não te odeio.

Ele deixou escapar um longo suspiro de alívio e a beijou nas pálpebras, com um carinho infinito.

- Boa noite, menininha.

Havia tanta ternura em sua voz, que ele mesmo ficou surpreso. As mulheres sempre haviam passado em sua vida sem que ele quisesse se deixar prender. Porém Demi era especial e o atraía cada vez mais, embora soubesse que não seria fácil reconquistá-la.

E se ela estivesse grávida? Quase podia imaginar um menininho de cabelos escuros e olhos verdes seguindo-o por toda parte... Demi seria uma mãe maravilhosa e talvez a herança genética de seu pai verdadeiro não se manifestaria no neto.

- Um filho não deve ser fruto de um ato impensado - ele falou de repente. - Deve ser planejado, desejado. Por que eu não consegui parar a tempo, meu Deus?

Demi o viu sair da cozinha parecendo extremamente zangado. Talvez ele a odiasse e tinha razões para isso. Quem sabe não a julgava uma mulher calculista que fizera amor sem tomar precauções apenas para pegá-lo numa armadilha e forçá-lo a assumir um casamento indesejado? Contudo, ele receava que ela pudesse odiá-lo, e isso era um sinal de esperança.

Cansada demais para continuar pensando, Demi apagou as luzes da cozinha e subiu para retomar o seu posto ao lado de Dwight.

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Heeeey! Td bom com vcs? Eu vou bem, to quase livre da maquete, to alegre já sdhgfshd se aquela prof n gostar vou enfiar na guela dela ¬¬' bem, a fic já está no fim :c mais dois capítulos só... e eu to super atrasada em relação a próxima fic! Não sei quando vou terminar de adaptar e se os capítulos serão diários pq eu nem comecei a adaptar (só a formatar o capítulo)... Espero que entendam! Comentem, ok? Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

4.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 7


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O baile após o rodeio foi num dos bares da região, construído num galpão antigo e bem conservado.
Tanto os homens quanto as mulheres estavam vestidos de maneira informal, com a predominância de calça jeans, camisa xadrez e chapéu de cowboy.
Uma pequena e animada banda atraía inúmeros casais à pista de dança, não deixando que a animação morresse um segundo sequer. O local estava lotado e os campeões do rodeio faziam questão de deixar claro o quanto queriam se divertir.
Joe pediu duas cervejas, embora soubesse que Demi não costumava beber.

- Mas... - ela tentou protestar.

- Experimente primeiro - ele falou com delicadeza. - Um pouquinho de álcool não lhe fará mal, e também já pedi alguns sanduíches para acompanhar, pois não é bom beber de estômago vazio. Eu gosto de cerveja e é esse o gosto que você sentirá na minha boca quando sairmos daqui e fizermos amor.

- Hoje? - Demi perguntou com a voz trêmula.

- Sim, hoje - Joe respondeu com a voz rouca. Ele a fitou por um longo tempo, como se quisesse memorizar cada traço, cada detalhe daquele rosto que o hipnotizava. - Há uma pequena cabana, que pertence à família Jonas, no meio da estrada que conduz a Pryor. Prometo-lhe que não serei rude. Tudo acontecerá do jeito que você quiser.

Ela quis dizer alguma coisa, mas logo os lábios dele estavam sobre os seus num beijo ávido e exigente.
"Que mulher doce!" Joe pensou. "Há nela algo que me entorpece, que me alucina! E mal posso dissimular o desejo que estou sentindo neste momento..."
Demi estremeceu com o contato, entregando-se às sensações que a percorriam, sem se importar com a música alta ou com as pessoas ao redor. Tudo o que queria era estar entre aqueles braços fortes, nem que fosse por apenas uma única noite.
Depois de todos os horrores aos quais havia sobrevivido, estar com o homem amado seria como um bálsamo para o seu coração ferido. E no futuro teria pelo menos as lembranças de uma noite de amor para lhe fazer companhia. É claro que a razão lhe dizia que seria melhor resistir aos impulsos, porém a tentação era grande demais, algo além das suas forças.
Durante toda a sua vida ela fora uma moça exemplar, mas o poder de atração de Joe era absoluto, envolvente e definitivo. 
Quando, por fim, se separaram, estavam ambos sem fôlego, atordoados com a força da paixão que os consumia.

- Desculpe-me, eu não pretendia beijá-la dessa maneira em público - Joe falou olhando para o salão e tentando recuperar o controle.

- Tudo bem - Demi respondeu, inconsciente do quanto o afetava. Seus lábios intumescidos e a respiração ofegante davam-lhe um ar de ingenuidade e mistério.

Tentando parecer natural, ela olhou em volta e reparou que Dale os fitava com indisfarçável interesse, embora estivesse dançando colada a um rapaz.

- Sua amiga é muito bonita e não pára de olhar para nós.

- Sim - ele respondeu com desinteresse. - Porém ela queria mais do que eu podia lhe dar.

Demi ficou tensa por alguns segundos, pensando que também gostaria de um futuro ao lado de Joe. Entretanto, não deixaria que sonhos impossíveis estragassem esta noite.
Estava apaixonada demais para recusar a única coisa que ele parecia capaz de lhe dar. Iria se entregar sem pensar no amanhã, pois sabia que só lhe restariam o abandono e a solidão... Era inegável que os dois pertenciam a mundos diferentes. Joe jamais poderia entender a educação rígida que recebera dos pais, assim como ela nunca poderia aceitar a sua falta de escrúpulos em relação às mulheres.
Apesar de estarem se entendendo bem e de terem descoberto tantos interesses comuns, ela ainda temia dizer-lhe a verdade sobre si mesma. De qualquer forma, já não tinha importância, pois estava disposta a ir até o fim com a farsa. Pena que não teria tempo para descobrir o homem que sabia existir atrás daquele exterior frio e irônico. Às vezes Joe deixava vir à tona um pouco do seu verdadeiro eu, para logo depois fechar-se ainda mais. Ela levou o copo de cerveja aos lábios e sorveu o líquido fazendo uma careta. Que bom seria não pensar e ser capaz de se entregar para logo depois esquecer. Por que precisava ser tão sentimental? Tão cheia de esperanças tolas e românticas?
Um grito repentino os trouxe de volta à realidade.

- O que foi isso? - Demi perguntou olhando em direção ao bar. 

- Oh, puxa! Alguém quebrou uma garrafa e se cortou. Parece que é Ben, o novo namorado de Dale.

Demi levantou-se e caminhou em direção ao casal. O rapaz estava lívido de dor e Dale tentava, sem sucesso, estancar o sangue que jorrava do corte.

- Com licença - Demi falou com delicadeza. - Eu sei o que deve ser feito.

Joe a fitava com interesse. Havia tanta segurança, tanta calma naqueles gestos que só podia se tratar de uma pessoa acostumada a prestar primeiros socorros. Onde ela havia sido treinada? Qual seria o seu trabalho?

- Creio que agora você ficará bem - Demi estava dizendo ao rapaz. - Felizmente o vidro cortou uma veia e não uma artéria. Mas o corte precisará de pontos. Você pode levá-lo ao hospital, Dale?

- Sim... e obrigada.

- Muito obrigado também - o vaqueiro murmurou, tentando sorrir apesar da dor. - Eu poderia ter sangrado até a morte se não fosse por você.

- É pouco provável que isto tivesse acontecido, mas de qualquer forma, obrigada pelo reconhecimento.

Demi notou que mesmo acompanhada pelo namorado, Dale não tirava os olhos de Joe. Mas por que julgá-la? Talvez ela viesse a agir assim também, quando Joe a trocasse por outra.

- Você é uma mulher cheia de surpresas, não é mesmo? - ele falou desviando o rumo dos seus pensamentos. - Onde aprendeu a prestar primeiros socorros?

- Eu tive um bom professor.

- Você é muito misteriosa, doçura, e não me dá oportunidade de saber um pouco mais a seu respeito.

- Sou uma pessoa comum, sem nada de extraordinário.

- Quando você pretende deixar Pryor?

- Na semana que vem. Eu não quero, mas preciso ir embora. Tenho muito o que fazer.

- Onde?

- No Arizona.

- É lá que você trabalha?

- Imagino que seja onde começarei a trabalhar.

Demi não queria pensar nisso agora. O futuro lhe parecia sombrio demais, pois estaria completamente só.
Ele suspirou e a puxou para dançar, sua perna se insinuando entre as coxas dela de uma maneira íntima e sensual.
Demi ficou rígida, sem saber como reagir.

- Não tente resistir. A vida é breve e o que estamos sentindo neste momento é pura magia.

- Joe...

- Não se preocupe, todo mundo está dançando assim. Encoste o seu rosto no meu peito e relaxe.

Demi sabia que estava enveredando por num caminho sem volta, entretanto não conseguia resistir ao impulso de se deixar levar. Ela deu um longo suspiro e se aconchegou um pouco mais, sentindo o calor que emanava daquele corpo forte. O perfume dele, uma mistura de sabonete e colônia, a inebriava, deixando-a lânguida, entregue. A música suave os envolvia vagarosamente e quando Joe começou a acariciar lhe as costas, ela não protestou. Apesar dos vários casais dançando e do salão cheio, havia pouco barulho. Todos pareciam relaxados, embalados pela música lenta e pela beleza da noite de verão.
Eles continuaram a dançar em silêncio, temendo que as palavras quebrassem o encanto do momento. Num movimento inesperado, Joe segurou-a pelos quadris e pressionou-a de encontro ao corpo, deixando-a sentir toda a extensão do seu desejo. Demi corou ao perceber a rigidez do membro em suas coxas, porém não se afastou. Sim, ela também o queria... Era impossível controlar os tremores que a sacudiam, o fogo que consumia as suas entranhas.
Fascinado, ele fitou os seios que se comprimiam de encontro ao seu peito. As camadas de tecido que separavam seus corpos não o impedia de sentir os mamilos eretos roçando-lhe a pele. A sensualidade que os envolvia era potente e só a posse um do outro poderia-lhes devolver a calma e a serenidade. Joe ficou imóvel e falou numa voz muito baixa:

- Vamos sair daqui. Eu já não agüento mais.

- Sim...

Demi sabia o que estava dizendo, embora uma parte de si mesma ainda lutasse contra a vergonha e a timidez. Mas ela sempre soubera que não conseguiria resistir ao fascínio daquele homem. O desejo a dominara completamente desde o primeiro encontro e sequer tivera forças para tentar vencer a paixão.

- Eu preciso de um minuto para me recompor, doçura.

Ele  respirou  fundo  algumas  vezes,  procurando  recuperar  o  controle  do  corpo.  Então  ambos  se encaminharam para a saída, ignorando os copos de cerveja sobre a mesa e os sanduíches que haviam acabado de chegar. A última coisa em que ambos poderiam pensar agora era em comida. Sua fome era outra.

- Você gostou do rodeio? - Joe perguntou ao tomarem a estrada.

Ele não a tocara mais desde que haviam deixado o baile e também não lhe dissera palavras românticas. Parecia agir com naturalidade, embora estivesse fumando como uma chaminé. Demi sentia-se em fogo, porém tentava não deixar transparecer o quanto a proximidade de seus corpos a atordoava.

- Eu gostei muito. Mas nunca havia imaginado que pudesse ser um esporte tão complicado.

- Quando se tem alguns conhecimentos, fica bem mais fácil entender.

Para a sua própria e completa surpresa, Joe sentia-se nervoso. Demi não era como as outras mulheres que havia conhecido. Ela era muito, muito especial e ele queria lhe proporcionar uma noite inesquecível.
Demi debatia-se num turbilhão de emoções desencontradas. Parte de si queria desistir e retroceder, enquanto a outra metade desejava o homem ao seu lado com um ardor desesperado. Ele a havia despertado para a vida e ela seria capaz de lhe dar qualquer coisa que lhe fosse pedida. Também seria covardia desistir agora, depois de ter deixado tão clara a sua vontade de ser possuída.

- A cabana é logo ali - Joe falou tentando esconder a ansiedade. - É uma construção muito velha, porém bastante usada pelos homens da fazenda durante o inverno, quando trazemos o gado para pastar nesta região. A aparência exterior pode não ser grande coisa, mas é bem conservada por dentro. Você vê – ele falou abrindo a porta e acendendo a luz -, temos até eletricidade!

O interior da cabana era composto por um quarto, pequena cozinha, banheiro e uma sala minúscula com lareira e duas cadeiras. A cama de casal estava arrumada e imaculadamente limpa. Percebendo para onde o olhar de Demi se dirigia, Joe apressou-se a dizer:

- A roupa de cama é trocada toda semana e mantemos a cozinha abastecida com algumas provisões.

Ele calou-se e fitou-a com paixão, o coração batendo descompassado. Demi estava trêmula, os lábios entreabertos num convite mudo. Ela parecia tão jovem, doce e vulnerável!
Joe tirou a camisa, sem deixar de fitá-la, e aproximou-se devagar, com a segurança de um homem que se sabe sensual e desejado. Ele tomou-lhe as mãos frias e as colocou sobre o peito, murmurando com a voz rouca:

- Me toque, me sinta, me ame...

A sensação de ter a pele nua acariciada por aquela mulher era algo indescritível. Seu corpo ficou rígido no mesmo instante, todos os seus sentidos aguçados, prontos para o ato do amor.

- Oh, Demi, eu nunca desejei uma mulher tanto assim!

As palavras dele a emocionaram. Era estranho como um homem com a sua reputação pudesse se mostrar tão vulnerável ao toque de uma virgem. É claro que ele não sabia que ela era inocente e portanto sem experiência nos jogos amorosos.
Talvez  Joe estivesse  cheio  de  expectativas,  esperando  encontrar  uma  parceira  à  altura  do  seu desempenho na cama.
Ela hesitou apenas por um segundo, insegura quanto ao que deveria fazer, e então entregou-se às carícias com total abandono.
Joe beijou-a com sofreguidão, sugando-lhe a língua num ritmo sensual e alucinante. Demi sentiu os joelhos fraquejarem e precisou se agarrar aos braços dele para não cair, gemendo de prazer. Enlouquecido com a reação que acabara de despertar, ele pressionou-a ainda mais de encontro a si, forçando-a a sentir a rigidez da sua virilidade. Demi não se retraiu e embora soubesse que não devia ter deixado as coisas chegarem a tal ponto, já não tinha forças para resistir. Nunca havia experimentado um prazer tão profundo e ansiava por muito mais.
Joe estava a ponto de perder o controle e, mesmo se quisesse, seria impossível parar agora. Tudo o que queria era estar dentro dela, possuí-la enfim.
Ele tomou-a no colo e depositou-a sobre a cama, ambos estremecendo de desejo. Com gestos rápidos, a despiu e inclinou-se para beijá-la na parte interna da coxa, fazendo-a gemer de prazer. Com extremo cuidado, tomou um dos mamilos entre os dentes, sugando-o com volúpia, enquanto a acariciava no ventre, descendo, imperceptível e inevitavelmente, até o ponto macio e quente da sua feminilidade. Demi arqueou o corpo, deixando escapar gemidos incoerentes, perdida num turbilhão de sensações.
Joe se recusava a pensar por que ela havia se excitado com tanta facilidade ou por que se mostrara surpresa ao vê-lo nu, como se o corpo masculino fosse uma novidade.
Seu desejo era intenso demais e parecia cegá-lo para os sinais evidentes da inocência de Demi. 
Ao percebê-la hesitante, diante do tamanho da sua ereção, ele procurou tranqüilizá-la: 

- Imagino que um amante novo deve deixar uma mulher insegura. Não precisa ter medo, você será capaz de me receber. O corpo feminino é um milagre - ele murmurou. - Flexível, macio, vibrante.

Os beijos se sucediam, as carícias tornavam-se cada vez mais ousadas, porém quando Joe separou as pernas dela, Demi se retraiu.

- Não faça assim, querida. Eu te quero muito, mas se você ficar tensa, vai doer.

Ela nada respondeu, pois sabia que iria sentir dor, mesmo que procurasse relaxar. Era tarde demais para contar-lhe a verdade, porque Joe já estava a ponto de penetrá-la.
Ele a beijou com ternura no pescoço, na boca, nos seios, enquanto murmurava:

- Quero possuí-la agora. Não... não feche os olhos. Olhe para mim. Veja nossos corpos se unirem, se tornarem um.

Joe gemeu e trincou os dentes, tentando conter-se mais um pouco, procurando segurar a explosão final.
Demi enterrou as unhas nos braços dele, engolindo as lágrimas que a dor da penetração lhe causava.
A sentir a barreira ceder, Joe fez novas investidas, penetrando-a ainda mais fundo, enlouquecido de prazer. Ele gritou o nome dela e se soltou num abandono total, o corpo sacudido pelas convulsões do êxtase.  
Seu prazer foi intenso, poderoso e por nada deste mundo teria sido capaz de evitar o que acabara de acontecer.
Demi sentia-se aturdida pela experiência vivida.
É claro que, no dia seguinte, a vergonha e a dor pelo que havia feito seriam quase insuportáveis. Mas agora tudo o que queria era senti-lo perto de si por mais alguns instantes:  vulnerável,  sem  reservas,  indefeso.  Queria  poder  dizer-lhe  que o  amava, porém  sabia  ser impossível, pois ele iria odiá-la ainda mais, especialmente porque já deveria ter percebido como fora enganado.
Joe fitou-a depois de alguns segundos, ainda entorpecido pela potência do orgasmo. Cada fibra do seu ser estava plenamente saciada, mas ele sentia que de alguma maneira falhara. Sim, havia experimentado um prazer absoluto, porém Demi não atingira o clímax, os seios dela ainda estavam intumescidos, os mamilos eretos.
Como gostaria de fazer amor outra vez, de levá-la, enfim, ao êxtase, já que talvez a dor da primeira vez houvesse sido muito grande, impedindo-a de relaxar. "Primeira vez!" Meu Deus!, ele pensou, assustado, "Demi era virgem! Eu fui o seu primeiro homem!" Abalado com a descoberta, Joe tentou beijá-la num gesto de carinho, mas ela virou o rosto cheia de vergonha e temor.
Achando-se rejeitado,  ele  se levantou  sem  dizer  uma palavra e começou  a vestir-se, sentindo-se arrasado. Seu desejo havia sido tão forte que não conseguira se conter o tempo suficiente para que Demi pudesse alcançar o êxtase também. Fora a primeira vez que isso acontecera. Nunca, até então, experimentara um desejo tão urgente que o impedisse de esperar pela excitação total da parceira. Ele não tivera tempo de satisfazer Demi porque estivera a ponto de perder a razão, atordoado pela força do seu instinto. Agora sim, podia compreender por que ela se mostrara assustada, reticente. E não havia necessidade de olhar para a leve mancha de sangue no lençol para ter certeza de que possuíra uma mulher virgem. Joe sentia-se culpado pela própria falta de sensibilidade.
Talvez se a houvesse desejado menos pudesse ter sido capaz de interpretar os sinais evidentes da sua inocência, porém havia perdido a cabeça e se comportado como um adolescente apaixonado. Aquela que deveria ter sido a experiência mais bela da vida de uma mulher havia custado a Demi não só a castidade, como a ausência de prazer. E como o seu sentimento de culpa não bastasse, ela ainda se mostrava arrependida, como se tivesse cometido o pior dos pecados.
Joe virou-se de costas enquanto Demi se vestia e, ao voltar-se, ela já estava sentada na beira da cama, o corpo trêmulo, o olhar acuado.
Ele acendeu um cigarro, tentando controlar o tremor das mãos, sem conseguir suportar a dor estampada naquele rosto delicado. Fora por causa do seu egoísmo que uma noite que deveria ter sido única, perfeita, terminara em ruínas.

- Droga! - ele explodiu afinal. - Você mentiu para mim! Você me disse que era experiente, quando não passava de uma virgem!

Ela se encolheu e fechou os olhos, magoada demais para se defender. E nenhum dos dois viu uma figura que os observava pela janela e que depois montou no cavalo e se afastou a galope.

- Por que você fez isso? - Joe insistiu.

- Porque eu queria conhecê-lo melhor.

- Bem, então você conseguiu, não é mesmo? - ele falou com crueldade.

Demi tentou conter as lágrimas, sem sucesso. Ela merecia toda aquela raiva e desprezo. Por causa da sua mentira, ele não havia sentido necessidade de ser mais gentil, mais delicado, e dera vazão aos impulsos incontroláveis do corpo.
Só tinha a si mesma a quem culpar pelos acontecimentos daquela noite e o que era pior: não havia tomado qualquer precaução e nem pedido a ele que o fizesse. É claro que as suas chances de engravidar eram pequenas, porém existia sempre uma possibilidade. E depois de toda essa vergonha, ainda teria que conviver com uma consciência culpada.
Joe deu-lhe as costas, envergonhado das palavras que acabara de dizer. Nunca mais poderia fitá-la sem odiar a si mesmo pelo que fizera.
Incapaz de perceber que Joe culpava apenas a si, e não a ela pelo acontecido, Demi trancou-se num silêncio angustiado.

- É melhor irmos embora - ele falou friamente.

Ao  chegarem  à  casa  dos  Manley,  Demi desceu  do  jipe  e  caminhou  até  a  varanda  parecendo perfeitamente controlada, embora tivesse o coração em frangalhos.

- Você está bem? -Joe perguntou forçando-se a pronunciar as palavras com naturalidade.

- Estou ótima.

- Demi, o que eu disse na cabana...

-  Não  tem  importância.  Preciso  entrar  agora.  Sinto  muito...  pelo  que  aconteceu.  Eu  não  estou acostumada a beber.

- Então foi por causa da cerveja? Você estava bêbada? - ele perguntou com ironia, querendo ouvir uma negativa, querendo ouvi-la dizer que havia sido porque o amava.

- Adeus, Joe - ela murmurou com suavidade, sem conseguir sentir raiva do homem que a seduzira. Afinal, ele fora encorajado.

- Não é um pouco prematuro dizermos adeus?

- Vou embora amanhã. Você não precisará temer que eu me comporte como Dale... e fique sempre à sua volta, tentando chamar a sua atenção.

Joe permaneceu imóvel por um longo tempo contemplando a porta que havia se fechado, sentindo-se vazio, sozinho e envergonhado. Por que havia agido daquela maneira, culpando-a de ser casta? Demi era uma mulher doce, sensível, com uma consciência delicada. Talvez ela julgasse que dormir com um homem fosse pecado mortal, já que estava sempre falando de religião. Por que ele não fora capaz de perceber a realidade? Se tivesse sabido a verdade, poderia ter parado a tempo e controlado a paixão que o consumia.
Entretanto, o desejo fora forte demais e continuava sendo. O que ele sentia por Demi era algo novo, poderoso. Como poderia continuar vivendo se ela abandonasse Pryor? 

Joe se  amaldiçoou  mais  uma  vez  por  sua  impetuosidade.  Demi iria  embora  e  não  lhe  daria oportunidade de desculpar-se, de explicar-se. Não que a culpa fosse toda sua, afinal ela o desejara também. Mas o que a teria motivado a entregar-se? Teria sido desejo? Solidão? Curiosidade? Ou será que ela nutria algum sentimento em relação a ele? Seria possível ser amado por alguém tão especial? Não seria sonhar alto demais, especialmente depois da sua conduta insensível?
Contudo, a razão lhe mostrava que Demi já estava com vinte e cinco anos, dizia-se moderna e talvez tivesse apenas se cansado de ser virgem. Embora não gostasse de pensar nesta possibilidade, era algo que devia levar em consideração. Joe ligou o motor do jipe, mas não se afastou. Pela primeira vez na vida não tinha coragem de ir embora sem olhar para trás. Queria um sinal de esperança, porém tudo o que via era a escuridão.
Dentro de casa, Demi foi para o quarto evitando fazer barulho. Ela tomou um banho quente, tentando lavar do corpo qualquer vestígio de Joe Jonas, já que não podia arrancá-lo do coração. Sentia-se esgotada, amarga, entretanto não teria coragem de contar a Winnie o que lhe acontecera. Precisava pensar rápido numa desculpa que explicasse a sua decisão súbita de partir.
Por nada deste mundo poderia continuar em Pryor, sabendo que Joe a odiava. Mesmo o horror pelo qual passara e o medo de ser caçada pela imprensa não se comparava ao pavor de ver Joe outra vez. Sua mentira o havia enraivecido e não havia como voltar atrás no tempo e desfazer todos os mal-entendidos.
Demi deitou-se  e  procurou  relaxar,  porém  não  conseguia  dormir. Os  acontecimentos  recentes atormentavam lhe a alma e ao pensar na cena da cabana, tinha vontade de morrer. Joe estava com a razão, fora tudo culpa sua. Ela desprezara os conselhos de Winnie, ignorando os perigos de uma atração sexual forte. Nunca se julgara capaz de desejar um homem com uma intensidade suficiente para fazê-la esquecer-se dos seus princípios morais. Agora teria de conviver com o peso da sua consciência. O fato de amar Joe não justificava o seu comportamento, a sua entrega total.
Demi levantou-se antes do sol nascer e arrumou as malas. Depois de tudo pronto, vestiu-se e desceu para o café da manhã, chamando pela sra. Manley. Mas não havia ninguém em casa, apenas um bilhete de Winnie sobre a mesa: "Fui para o hospital. Dwight feriu-se num acidente." Demi pegou o catálogo telefônico e imediatamente ligou para o único hospital da cidade. Depois de identificar-se, pediu notícias de Dwight à enfermeira de plantão. E ao desligar sabia que seria impossível partir. O noivo de sua melhor amiga estava na UTl e corria risco de vida. Nunca teria coragem de abandonar Winnie num momento como este, mesmo que para isso precisasse enfrentar o ódio de Joe.

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Heeeeeeey, postando rapidinho e correndo pq tenho q terminar minha maquete! Comentem! Respostas aqui'
Um beijo e um cheiro! Amo vcs <33