5.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 8

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Winnie voltou para casa na hora do almoço em companhia da mãe. Os olhos vermelhos e a expressão desfeita traíam todo o seu desespero.

- Oh, Winnie - Demi falou abraçando a amiga. - Eu sinto muito. Há alguma mudança no estado de Dwight?

- Nada. Eu não suportarei perdê-lo! Eu não posso perdê-lo! 

- Ferimentos na cabeça costumam ser traiçoeiros. Ele está em coma, porém isso não significa que não possa vir a se recuperar. Tenha paciência, dê tempo ao tempo.

- Tenho a impressão de que vou enlouquecer.

- Não, você vai agüentar firme. Agora venha comer alguma coisa, pois o almoço está pronto.

- Que bom que você tomou as providências,  Demi - a sra. Manley interveio. - Winnie precisa se alimentar e eu também.

- O que foi que aconteceu de fato? - Demi perguntou.

- Ninguém sabe muito bem. O carro que Dwight dirigia caiu num precipício ontem à noite, mas ele só foi encontrado hoje pela manhã. Joe e Marie estão no hospital agora e Joe me parece profundamente abatido. Venha ao hospital comigo, amiga. Eu preciso da sua companhia.

Demi nada respondeu e desviou o olhar tentando evitar que a sua dor transparecesse. Já bastava a carga que os Manley estavam suportando. Se fosse possível ela teria se recusado a acompanhar Winnie, temendo encontrar-se com Joe, porém as circunstâncias forçaram-na a enfrentar o próprio medo.
Ao chegarem  ao hospital, apenas Marie estava lá e Demi conseguiu respirar aliviada. Depois  de conversar por alguns minutos ela saiu à procura da enfermeira-chefe, responsável pela UTI.
Tina Gates, prática em enfermagem há vinte e dois anos, recebeu Demi com simpatia e respondeu a todas as perguntas.

- O estado dele é grave, mas me parece um homem que não se entrega com facilidade, aliás, como todos da sua família. Eu creio que irá resistir.

- Espero que sim. Minha melhor amiga o ama muito.

- Às vezes é o amor que salva as pessoas. Sabe, se algum dia você quiser um trabalho em Pryor, basta nos procurar. Você é muito mais qualificada do que eu jamais serei. Infelizmente nunca tive oportunidade de me formar em enfermagem.


- Eu tive sorte. Meus pais se sacrificaram para que eu pudesse estudar. É um trabalho importante e gosto muito do que faço. Entretanto, não sei se me acostumaria à rotina de um hospital. Estou habituada a trabalhar em condições primitivas. Contudo, obrigada pelo oferecimento.

- Então voltarei a repetir à oferta - Tina respondeu sorrindo. - Wyoming é um belo Estado e há pessoas simpáticas por aqui. Você poderia gostar de morar entre nós.

- Eu já gosto daqui. Porém prometi a meus pais que continuaria o trabalho deles e não gosto de faltar à minha palavra.

- Eu também não... Escute!

Tinha correu para junto da cama de Dwight a tempo de vê-lo abrir os olhos.

- Cabeça... dói...

- Aleluia! - ela exclamou, sorrindo. - Se a sua cabeça dói, sr. Jonas, isso é um bom sinal. Vou chamar o dr. Jackson agora mesmo.

- E eu vou avisar Winnie. Estou feliz que você esteja de volta, Dwight. Eles vão lhe dar algo para a dor. Procure relaxar e não se mexa muito.

- Joe? - ele sussurrou.

- Você quer vê-lo?

- Sim. 

- Vou tentar encontrá-lo. Descanse agora.

Joe estava na sala de espera e ficou tenso ao ver Demi se aproximar, enquanto ela precisou de toda a sua força de vontade para não trair o seu desespero e chorar.

- Dwight saiu do estado de coma e acho que irá se recuperar.

- Oh! Obrigada, Deus! - Winnie falou, rindo e chorando ao mesmo tempo.

- Então a sua experiência em primeiros socorros lhe permite fazer um prognóstico? - Joe indagou com sarcasmo, sentindo-se magoado com a indiferença demonstrada por Demi.

- Experiência em primeiros socorros? - Winnie interveio - Joe, ela é uma enfermeira diplomada! Você não lhe contou, Demi?

- Não havia necessidade - ela respondeu secamente. - Dwight quer vê-lo, Joe.

- Ele quer falar de negócios - Winnie resmungou. - Bem, isso pode esperar. Venha, Marie, vamos pedir permissão a um médico para entrarmos lá.

Demi viu-se a sós com Joe e desviou o olhar, procurando aparentar calma.

- Uma enfermeira. Não era a toa que você sabia como tratar cortes e coisas afins. Há outros segredos em sua vida? - ele perguntou com amargura na voz. - Pensei que você iria embora hoje.

- Eu também. Mas não se preocupe. Sairei da cidade tão logo Dwight seja declarado fora de perigo.

Joe ficou tenso. Então era isso o que  Demi pensava? Que ele queria ver-se livre dela o mais rápido possível? Por que ela não fora capaz de se abrir? Que outros segredos estaria guardando? A única coisa que haviam partilhado de verdade eram seus corpos, porém ele ansiava por muito mais. Queria poder retribuir a ternura que havia recebido, o prazer que sentira quando fizeram amor, mas Demi tinha se retraído de tal maneira que tornara impossível qualquer tentativa de aproximação.
Joe sentia-se culpado pela desilusão que causara. Se tivesse sabido a verdade poderia ter agido de uma maneira mais delicada, preocupando-se com o prazer dela acima de tudo.

- Uma enfermeira, hein? - ele falou secamente. - É um milagre que você tenha atingido essa idade ainda virgem. Não lhe ensinaram nada sobre sexo durante os seus anos de estudo?

- A teoria é muito diferente da prática - Demi respondeu, muito vermelha.

- Sem dúvida. Sua tolinha, se eu tivesse sabido a verdade poderia ter lhe dado tanto prazer! Sou experiente o suficiente para isso. Eu a machuquei e minha consciência não me deixa em paz. Droga, Demi! Se eu soubesse teria parado a tempo!

- Teria mesmo? - ela murmurou com tristeza.

Ele desviou o olhar, incapaz de responder. Não, não poderia ter evitado o que acontecera. Sua paixão era grande demais para ser reprimida.

- Dwight vai precisar de uma enfermeira em tempo integral, quando voltar para casa - Joe falou mudando de assunto. - Ele sofreu ferimentos internos e tem uma costela quebrada.

- Não deve ser muito difícil encontrar alguém.

- Ele gosta de você e vai precisar da sua ajuda.

- Não - Demi respondeu depressa. - Eu não posso aceitar esse trabalho. Tenho que voltar para o Arizona.

- Winnie ficaria eternamente grata, assim como Marie e eu.

Joe estava usando todo o seu poder de persuasão para dobrar a resistência de Demi. Tudo o que queria era uma nova chance de tê-la perto de si, de reconquistar a sua confiança.

- Você não precisa fingir que gostaria de me ter por perto, Joe. Será fácil encontrar uma profissional adequada para o trabalho.

- Não estou usando Dwight como desculpa. Ele é meu irmão e o amo.

- Pensei que você não se julgava mais parte da família - ela murmurou, emocionada com o que havia acabado de ouvir. Eu também, até saber que ele estava ferido. É estranho como tudo o mais perde a importância quando alguém a quem queremos bem está perto da morte. Durante as horas de angústia eu só conseguia pensar nos momentos bons que havíamos partilhado, na nossa infância tão cheia de afeição. Mesmo que os laços de sangue entre nós dois não sejam muito fortes, sempre fomos os melhores amigos do mundo. Sei que Marie e eu brigamos bastante, porém seríamos capazes de morrer um pelo outro. Eu estive fechado dentro de mim mesmo nestes últimos meses e não percebi o quanto os magoava. Se eu não precisar me preocupar com a saúde de Dwight, creio que conseguirei me reencontrar. Como você já deve ter percebido, o hospital não tem um quadro de funcionários muito grande, daí a dificuldade de encontrarmos alguém disponível.

- É verdade, Tina já havia me dito.

Joe aproximou-se de Demi e numa voz muito doce murmurou:

- Sinto tanto quanto você o que aconteceu entre nós, querida. Desculpe-me.

- Foi culpa minha também - ela respondeu baixinho. - Será que poderíamos... não tocar mais no assunto?

-  Uma  vez  que  você  é  enfermeira,  presumo  que  tenha  sabido  como  prevenir-se  de  possíveis conseqüências, não é?

- Eu não estava nos meus dias férteis, se é o que você quer saber. - Demi respondeu sem fitá-lo.

- Não foi exatamente isso o que eu perguntei. Seis semanas... é o que precisamos esperar para termos certeza?

Ela fez um aceno com a cabeça, incapaz de confiar na própria voz.
Joe ficou em silêncio e sentou-se, tentando ordenar os pensamentos. Sentia-se impotente e tudo o que dissesse agora iria soar errado aos ouvidos dela.
A idéia de ter um filho o assustava. Não queria que uma criança viesse sofrer as conseqüências de momentos fugazes de amor.

Também sentia-se apavorado por causa do caráter do seu pai verdadeiro e temia passar aqueles genes indesejados a um filho. Joe sabia que era um medo irracional, porém não conseguia evitá-lo.
Entretanto, Demi parecia feita para a maternidade. Era fácil imaginá-la com um bebê nos braços, sugando-lhe os seios...
A imagem desencadeou uma reação imediata no seu corpo e Joe sobressaltou-se com o poder de atração que Demi tinha sobre si. Incapaz de esconder o embaraço, ele saiu da sala sem dizer uma palavra, deixando-a mais aturdida do que nunca.
Dwight ficou feliz ao ver o irmão chegar à UTI e o recebeu com um sorriso cansado.

- Você está precisando de alguma coisa? - Joe perguntou sem esconder a preocupação e a ternura da voz.

- Não, obrigado. Você vai cuidar da administração da fazenda enquanto eu estiver aqui, não vai? Acho que consegui me sair muito mal na função.

- É porque você não me viu cuidando do gado.

- Papai nos pregou uma peça, não é mesmo? Ele sempre soube que eu era um desastre para cuidar das finanças. Por que, então, trocou as nossas obrigações?

- Nunca saberemos - Joe respondeu com calma. - O melhor é nos dedicarmos aos nossos novos papéis com mais afinco.

- Não. O melhor é voltarmos ao que fazíamos antes do papai morrer. Já conversei com os nossos advogados e eles me disseram que basta assinarmos um novo contrato e voltaremos às nossas antigas posições.

- Você não me disse nada sobre essa possibilidade.

- Você não me queria ouvir. Sei o quanto deve ter lhe custado descobrir a verdade sobre o passado, porém eu tinha certeza de que você iria superar a dor. Minha cabeça está doendo muito agora, Joe.

- Eu sei, o médico já vai lhe dar algo contra a dor. Estou tentando convencer Demi a tomar conta de você lá em casa. Que tal a idéia?

- Ótimo. Aposto que eles me deixarão ir para casa mais cedo se eu tiver a minha própria enfermeira.

- Você já sabia que ela era enfermeira?

- Claro! Winnie me contou. E os pais dela, hein? É incrível que Demi tenha conseguido escapar. Joe, eu preciso de um remédio para a dor; agora.

- Vou chamar um médico, não se preocupe.

Joe afastou-se pensando no que o seu irmão dissera. O que havia de tão incomum na morte dos pais de Demi? E do que ela havia escapado? Cansado de tantos mistérios, ele decidiu-se a descobrir a verdade de qualquer maneira.
Demi não pôde recusar os pedidos insistentes de Winnie e Marie para que tomasse conta de Dwight, só lhe restando sufocar a própria dor e conviver com Joe sob o mesmo teto.

- Você tem andado diferente - Winnie observou alguns dias mais tarde, enquanto  Demi se preparava para ir até a casa dos Jonas.

- Diferente como?

- Mais calada. Menos interessada no mundo à sua volta. Você e Joe brigaram?

- Sim. E foi uma coisa séria. Eu iria embora de Pryor na manhã em que Dwight foi para o hospital.

- Oh, Demi! Eu sinto muito. Mas foi Joe quem insistiu na sua ida para a fazenda, portanto ele não deve estar muito zangado.

- Ele tem muitos motivos para estar aborrecido. O melhor é que não nos vejamos muito.

- Será que a briga tem algo a ver com Dale Branigan?

- De certo modo, sim. Como você soube?

- Ela está atrás de Joe há muito tempo, aliás, como quase todas as moças solteiras de Pryor. Sei que no princípio eu lhe dei uma impressão de Joe que não correspondia exatamente à verdade. Na minha ânsia de protegê-la acabei sendo injusta. Ele é um homem atraente e não tem culpa disso. Também já ouvi dizer que é espetacular na cama. Sendo assim, as mulheres não param de persegui-lo. Entretanto, desde que ele a conheceu, não tem se interessado por mais ninguém.

- Não se preocupe, Winnie, eu sei que você só queria o meu bem.

Sim, ela sabia que Joe era espetacular na cama e se tivesse lhe dito a verdade, ele poderia tê-la levado ao prazer total. Durante o trajeto para a fazenda, Demi não conseguia parar de pensar na noite em que fizeram  amor.  Tudo  fora  tão  bom  no  começo!  As  carícias  preliminares  haviam  sido  sensuais, enlouquecedoras. Depois não conseguira sentir mais nada, pois ficara tensa por causa da dor. A sua mentira arruinara o que poderia ter sido perfeito. Será que o sexo para a mulher se resumia a um prazer fugaz? Não seria possível alcançar o clímax? Chegando à fazenda, Demi foi ao quarto de Dwight no mesmo instante e encontrou o seu paciente de bom humor, rodeado por todo tipo de distrações: montes de livros, TV em cores, videocassete e dezenas de fitas com os últimos lançamentos, toca-disco laser e inúmeras revistas.

- Ai está um homem que tem tudo - ela brincou.

- Quase tudo. Gostaria de ter uma cabeça nova.

- Não fique impaciente, você se sentirá melhor com o passar dos dias. Cuidarei para que isso aconteça o quanto antes.

- Obrigado. - Dwight hesitou por um instante antes de continuar: - Algo me diz que você e Joe estão tendo problemas. Sendo assim, quero agradecer-lhe por você ter aceito esse trabalho. Imagino o quanto deve estar lhe custando morar aqui por algum tempo.

- Joe e eu tivemos apenas uma divergência de opiniões.

- Em outras palavras, ele tentou levá-la para a cama e ouviu um sonoro "não" como resposta. É bom que ele leve um fora de vez em quando.

Demi não disse nada, embora ficasse vermelha de embaraço. Que cada um pensasse o que quisesse, pois não devia explicações a ninguém. O erro fora seu, assim como a dor que agora a afligia. O melhor seria não tocar no assunto e ir embora de Pryor tão logo quanto possível. Quem sabe a distância não lhe traria um pouco de alívio?
Winnie ficou para jantar e se ofereceu para preparar a bandeja de Dwight, que ainda não podia deixar o quarto.

- Joe só chegará mais tarde - Marie comentou com Demi. - Sinto que Dwight esteja passando por uma experiência dessas, porém tanto sofrimento teve um lado positivo: Joe percebeu que é um membro da família e não um estranho. Ele tem sido gentil comigo e extremamente dedicado a Dwight. Há males que vêm para o bem.

- Às vezes é preciso enfrentarmos momentos terríveis para sermos capazes de dar valor ao que temos. Agora, você e Winnie tenham um bom apetite, enquanto eu cuido do meu paciente. Não se preocupem comigo, vou comer algo mais tarde, pois ainda não estou com fome.

- OK - Marie concordou sorrindo. - Sinta-se à vontade. O freezer está abastecido e o microondas às suas ordens. Se precisar de qualquer coisa em seu quarto, é só me pedir, não se sinta acanhada, pensando que vai me incomodar.

- Farei isso. Obrigada, Marie.

- Não, Demi. Sou eu que preciso agradecer a você. A sua presença nesta casa tem nos dado satisfação e alegria. Joe e eu lhe somos gratos do fundo do coração.

- É verdade - Winnie interveio abraçando a amiga. - Ela é alguém muito especial.

- Vocês estão me deixando sem jeito. Agora vão jantar enquanto eu tomo conta do meu paciente.

Demi levou a bandeja para Dwight e ambos puseram-se a conversar, embora ela tivesse que se esforçar para não deixar transparecer a tristeza.

- Joe ainda não chegou?

- Marie disse que ele se atrasaria. Parece que há muito trabalho a ser feito.

- Por que você não contou nada ao meu irmão sobre a sua vida, sobre os seus pais?

Era difícil responder à pergunta. No princípio ela tivera medo de afugentá-lo ao mostrar-se como realmente era: uma mulher ingênua e inexperiente. Agora já não tinha mais sentido, pois estava prestes a ir embora da cidade.

- Eu não sei. Suponho que tenha aprendido a guardar as coisas para mim mesma, já que meus pais nunca apreciaram pessoas que choramingam a respeito de tudo. Eles acreditavam na honra, no trabalho e no amor. Vou sentir falta de ambos eternamente.

- Eu sinto falta do meu pai com essa mesma intensidade e sei que Joe também sente. 

- O que há de tão misterioso com o pai verdadeiro de Joe?

- Acho melhor você perguntar ao meu irmão e não a mim. Ele e eu estamos começando a nos entender agora e não quero interferir nos seus assuntos particulares. Tenho medo de causar-lhe um aborrecimento.

- Posso entender o seu receio muito bem. Você precisa de mais alguma coisa?

- Não, obrigado. Estou me sentindo um pouco cansado e vou dormir.

- Ótimo - Demi respondeu com um sorriso enquanto ajeitava os travesseiros de Dwight. - Vou pegar um livro e ficarei por aqui, caso você precise de algo. O seu próximo remédio é só daqui a algumas horas, portanto durma sossegado. Por favor, não fique nervoso se precisar da minha ajuda, pois você ainda está enfraquecido. Suas forças voltarão lentamente. O nosso corpo precisa de tempo para se recuperar.

- Você faz tudo parecer tão simples!

- As coisas são simples na maior parte das vezes. Somos nós que as complicamos. Durma bem.
Winnie se ofereceu para fazer companhia ao noivo enquanto Demi preparava um lanche para si. Marie havia ido ao cinema com algumas amigas por insistência dos irmãos. Os últimos dias foram tão traumáticos que todos sentiam necessidade de um pouco de diversão.
Demi desceu e preparou um sanduíche, contente por estar sozinha. O silêncio da casa dava-lhe um pouco da paz de que tanto necessitava. Imersa nos próprios pensamentos e diante de uma segunda xícara de café, ela não ouviu o barulho da porta sendo aberta.

- Cansada, mocinha?

A voz de Joe a sobressaltou, deixando-a trêmula de susto e ansiedade. Ele era o homem mais viril, mais atraente que ela jamais encontrara e sua presença tinha um efeito devastador sobre as suas emoções.

- Estou bem. Você é que me parece exausto.

- Estive ajudando a marcar o gado -  Joe respondeu tirando o chapéu e passando as mãos sobre os cabelos desalinhados. - Será que eu poderia tomar um café?

- Claro! Você quer puro ou com leite?

- Puro.

Joe notou que Demi evitava encará-lo e que se esforçava para manter-se distante. Porém ele conseguiu segurar-lhe uma das mãos, quando ela lhe entregou a xícara.

- Você não pode olhar para mim, doçura?

- Me deixe em paz, por favor - Demi respondeu num fio de voz.

Estar aproxima àquele homem era perigoso demais, pois temia trair os sentimentos que lhe iam na alma.
Sim, ela o amava e não agüentaria ser rejeitada outra vez. Ele soltou-a com relutância, notando o quanto Demi estava perturbada e trêmula. Será que a havia perdido para sempre?
Será que ela o odiava tanto assim, não suportando nem mesmo encará-lo?

- Como está Dwight? - ele perguntou depois de alguns minutos.

- Bem, embora ainda sinta dores. Winnie está lhe fazendo companhia agora e Marie foi ao cinema.

-  Quero  dizer-lhe  mais  uma  vez  o  quanto  aprecio  a  sua  dedicação,  especialmente  diante  das circunstâncias.

- Aceitei passar alguns dias aqui apenas por causa de Winnie - Demi respondeu sem fitá-lo.

- Sei disso. Quanto tempo será preciso até que ele volte à vida normal?

- Eu não sei. É melhor que você pergunte ao médico.

Joe acendeu um cigarro e fumou em silêncio. Ele tinha trabalhado duro o dia inteiro, tentando não pensar em Demi ou na noite que haviam passado juntos, mas de nada adiantaram os seus esforços. Era apenas ao lado dela que encontrava paz e um sentido para a vida. A morte de Hank Jonas o deixara revoltado e ele não soubera controlar as emoções que o afligiram. Fora esta mulher, serena e doce, que lhe trouxera de volta a esperança, a crença em si mesmo e no mundo ao seu redor.
A vergonha que sentia do seu pai verdadeiro estava bem menos contundente do que há alguns meses e a angústia que o sufocava parecera perder a importância. Agora, tudo em que podia pensar era nos momentos em que tivera Demi nos braços, na maciez e no calor daquele corpo que se entregara sem reservas, na suavidade daquela voz que só pronunciara palavras de estímulo e compreensão. Entretanto, ele destruíra a beleza do que haviam partilhado juntos e matara todas as ilusões reduzindo o sentimento a uma febre sexual sem significado ou propósito. É claro que ele não era nenhum santo e já usara as mulheres antes, mas Demi não era um flerte passageiro. Ela era... o seu mundo. Uma mulher que se encontra apenas uma vez na vida.

- Tenho sido um tolo em relação à minha família - Joe falou de repente. - Acho que perdi a cabeça ao descobrir como fui enganado por todos estes anos. Meu orgulho ferido me cegou para a realidade dos fatos. Finalmente recuperei a razão.

- Fico feliz ao ouvi-lo falar assim. Seus irmãos não têm culpa do acontecido.

- É verdade. Eles têm sofrido tanto quanto eu. - Depois de alguns minutos de silêncio, Joe perguntou: - Você será capaz de me perdoar pelo que eu lhe fiz?

Ela abaixou os olhos, incapaz de encará-lo. Não, não podia culpá-lo pela noite de amor. Ninguém a havia obrigado a se entregar, fora uma escolha consciente.

- Você não fez nada que eu não tivesse permitido. E agora não tem mais importância.

- Você pode estar carregando um filho meu. Isso também não tem importância?

- É pouco provável.

- Sinto ter feito daquela noite algo que você prefira esquecer - ele falou muito baixo, tomando-lhe as mãos entre as suas. - Sua primeira vez deveria ter sido especial. Um homem deve dar prazer, especialmente a uma mulher virgem. E tudo o que eu lhe dei foi sofrimento.

- Preciso ir ver como está Dwight. Boa noite, Joe.

Mas antes que Demi pudesse se afastar, ele a segurou pelos ombros forçando-a a encará-lo, olhando-a com uma fixidez desconcertante.

- Você me odeia? Diga a verdade, sem subterfúgios. Eu preciso saber.

- Não. Eu... não te odeio.

Ele deixou escapar um longo suspiro de alívio e a beijou nas pálpebras, com um carinho infinito.

- Boa noite, menininha.

Havia tanta ternura em sua voz, que ele mesmo ficou surpreso. As mulheres sempre haviam passado em sua vida sem que ele quisesse se deixar prender. Porém Demi era especial e o atraía cada vez mais, embora soubesse que não seria fácil reconquistá-la.

E se ela estivesse grávida? Quase podia imaginar um menininho de cabelos escuros e olhos verdes seguindo-o por toda parte... Demi seria uma mãe maravilhosa e talvez a herança genética de seu pai verdadeiro não se manifestaria no neto.

- Um filho não deve ser fruto de um ato impensado - ele falou de repente. - Deve ser planejado, desejado. Por que eu não consegui parar a tempo, meu Deus?

Demi o viu sair da cozinha parecendo extremamente zangado. Talvez ele a odiasse e tinha razões para isso. Quem sabe não a julgava uma mulher calculista que fizera amor sem tomar precauções apenas para pegá-lo numa armadilha e forçá-lo a assumir um casamento indesejado? Contudo, ele receava que ela pudesse odiá-lo, e isso era um sinal de esperança.

Cansada demais para continuar pensando, Demi apagou as luzes da cozinha e subiu para retomar o seu posto ao lado de Dwight.

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Heeeey! Td bom com vcs? Eu vou bem, to quase livre da maquete, to alegre já sdhgfshd se aquela prof n gostar vou enfiar na guela dela ¬¬' bem, a fic já está no fim :c mais dois capítulos só... e eu to super atrasada em relação a próxima fic! Não sei quando vou terminar de adaptar e se os capítulos serão diários pq eu nem comecei a adaptar (só a formatar o capítulo)... Espero que entendam! Comentem, ok? Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

4.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 7


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O baile após o rodeio foi num dos bares da região, construído num galpão antigo e bem conservado.
Tanto os homens quanto as mulheres estavam vestidos de maneira informal, com a predominância de calça jeans, camisa xadrez e chapéu de cowboy.
Uma pequena e animada banda atraía inúmeros casais à pista de dança, não deixando que a animação morresse um segundo sequer. O local estava lotado e os campeões do rodeio faziam questão de deixar claro o quanto queriam se divertir.
Joe pediu duas cervejas, embora soubesse que Demi não costumava beber.

- Mas... - ela tentou protestar.

- Experimente primeiro - ele falou com delicadeza. - Um pouquinho de álcool não lhe fará mal, e também já pedi alguns sanduíches para acompanhar, pois não é bom beber de estômago vazio. Eu gosto de cerveja e é esse o gosto que você sentirá na minha boca quando sairmos daqui e fizermos amor.

- Hoje? - Demi perguntou com a voz trêmula.

- Sim, hoje - Joe respondeu com a voz rouca. Ele a fitou por um longo tempo, como se quisesse memorizar cada traço, cada detalhe daquele rosto que o hipnotizava. - Há uma pequena cabana, que pertence à família Jonas, no meio da estrada que conduz a Pryor. Prometo-lhe que não serei rude. Tudo acontecerá do jeito que você quiser.

Ela quis dizer alguma coisa, mas logo os lábios dele estavam sobre os seus num beijo ávido e exigente.
"Que mulher doce!" Joe pensou. "Há nela algo que me entorpece, que me alucina! E mal posso dissimular o desejo que estou sentindo neste momento..."
Demi estremeceu com o contato, entregando-se às sensações que a percorriam, sem se importar com a música alta ou com as pessoas ao redor. Tudo o que queria era estar entre aqueles braços fortes, nem que fosse por apenas uma única noite.
Depois de todos os horrores aos quais havia sobrevivido, estar com o homem amado seria como um bálsamo para o seu coração ferido. E no futuro teria pelo menos as lembranças de uma noite de amor para lhe fazer companhia. É claro que a razão lhe dizia que seria melhor resistir aos impulsos, porém a tentação era grande demais, algo além das suas forças.
Durante toda a sua vida ela fora uma moça exemplar, mas o poder de atração de Joe era absoluto, envolvente e definitivo. 
Quando, por fim, se separaram, estavam ambos sem fôlego, atordoados com a força da paixão que os consumia.

- Desculpe-me, eu não pretendia beijá-la dessa maneira em público - Joe falou olhando para o salão e tentando recuperar o controle.

- Tudo bem - Demi respondeu, inconsciente do quanto o afetava. Seus lábios intumescidos e a respiração ofegante davam-lhe um ar de ingenuidade e mistério.

Tentando parecer natural, ela olhou em volta e reparou que Dale os fitava com indisfarçável interesse, embora estivesse dançando colada a um rapaz.

- Sua amiga é muito bonita e não pára de olhar para nós.

- Sim - ele respondeu com desinteresse. - Porém ela queria mais do que eu podia lhe dar.

Demi ficou tensa por alguns segundos, pensando que também gostaria de um futuro ao lado de Joe. Entretanto, não deixaria que sonhos impossíveis estragassem esta noite.
Estava apaixonada demais para recusar a única coisa que ele parecia capaz de lhe dar. Iria se entregar sem pensar no amanhã, pois sabia que só lhe restariam o abandono e a solidão... Era inegável que os dois pertenciam a mundos diferentes. Joe jamais poderia entender a educação rígida que recebera dos pais, assim como ela nunca poderia aceitar a sua falta de escrúpulos em relação às mulheres.
Apesar de estarem se entendendo bem e de terem descoberto tantos interesses comuns, ela ainda temia dizer-lhe a verdade sobre si mesma. De qualquer forma, já não tinha importância, pois estava disposta a ir até o fim com a farsa. Pena que não teria tempo para descobrir o homem que sabia existir atrás daquele exterior frio e irônico. Às vezes Joe deixava vir à tona um pouco do seu verdadeiro eu, para logo depois fechar-se ainda mais. Ela levou o copo de cerveja aos lábios e sorveu o líquido fazendo uma careta. Que bom seria não pensar e ser capaz de se entregar para logo depois esquecer. Por que precisava ser tão sentimental? Tão cheia de esperanças tolas e românticas?
Um grito repentino os trouxe de volta à realidade.

- O que foi isso? - Demi perguntou olhando em direção ao bar. 

- Oh, puxa! Alguém quebrou uma garrafa e se cortou. Parece que é Ben, o novo namorado de Dale.

Demi levantou-se e caminhou em direção ao casal. O rapaz estava lívido de dor e Dale tentava, sem sucesso, estancar o sangue que jorrava do corte.

- Com licença - Demi falou com delicadeza. - Eu sei o que deve ser feito.

Joe a fitava com interesse. Havia tanta segurança, tanta calma naqueles gestos que só podia se tratar de uma pessoa acostumada a prestar primeiros socorros. Onde ela havia sido treinada? Qual seria o seu trabalho?

- Creio que agora você ficará bem - Demi estava dizendo ao rapaz. - Felizmente o vidro cortou uma veia e não uma artéria. Mas o corte precisará de pontos. Você pode levá-lo ao hospital, Dale?

- Sim... e obrigada.

- Muito obrigado também - o vaqueiro murmurou, tentando sorrir apesar da dor. - Eu poderia ter sangrado até a morte se não fosse por você.

- É pouco provável que isto tivesse acontecido, mas de qualquer forma, obrigada pelo reconhecimento.

Demi notou que mesmo acompanhada pelo namorado, Dale não tirava os olhos de Joe. Mas por que julgá-la? Talvez ela viesse a agir assim também, quando Joe a trocasse por outra.

- Você é uma mulher cheia de surpresas, não é mesmo? - ele falou desviando o rumo dos seus pensamentos. - Onde aprendeu a prestar primeiros socorros?

- Eu tive um bom professor.

- Você é muito misteriosa, doçura, e não me dá oportunidade de saber um pouco mais a seu respeito.

- Sou uma pessoa comum, sem nada de extraordinário.

- Quando você pretende deixar Pryor?

- Na semana que vem. Eu não quero, mas preciso ir embora. Tenho muito o que fazer.

- Onde?

- No Arizona.

- É lá que você trabalha?

- Imagino que seja onde começarei a trabalhar.

Demi não queria pensar nisso agora. O futuro lhe parecia sombrio demais, pois estaria completamente só.
Ele suspirou e a puxou para dançar, sua perna se insinuando entre as coxas dela de uma maneira íntima e sensual.
Demi ficou rígida, sem saber como reagir.

- Não tente resistir. A vida é breve e o que estamos sentindo neste momento é pura magia.

- Joe...

- Não se preocupe, todo mundo está dançando assim. Encoste o seu rosto no meu peito e relaxe.

Demi sabia que estava enveredando por num caminho sem volta, entretanto não conseguia resistir ao impulso de se deixar levar. Ela deu um longo suspiro e se aconchegou um pouco mais, sentindo o calor que emanava daquele corpo forte. O perfume dele, uma mistura de sabonete e colônia, a inebriava, deixando-a lânguida, entregue. A música suave os envolvia vagarosamente e quando Joe começou a acariciar lhe as costas, ela não protestou. Apesar dos vários casais dançando e do salão cheio, havia pouco barulho. Todos pareciam relaxados, embalados pela música lenta e pela beleza da noite de verão.
Eles continuaram a dançar em silêncio, temendo que as palavras quebrassem o encanto do momento. Num movimento inesperado, Joe segurou-a pelos quadris e pressionou-a de encontro ao corpo, deixando-a sentir toda a extensão do seu desejo. Demi corou ao perceber a rigidez do membro em suas coxas, porém não se afastou. Sim, ela também o queria... Era impossível controlar os tremores que a sacudiam, o fogo que consumia as suas entranhas.
Fascinado, ele fitou os seios que se comprimiam de encontro ao seu peito. As camadas de tecido que separavam seus corpos não o impedia de sentir os mamilos eretos roçando-lhe a pele. A sensualidade que os envolvia era potente e só a posse um do outro poderia-lhes devolver a calma e a serenidade. Joe ficou imóvel e falou numa voz muito baixa:

- Vamos sair daqui. Eu já não agüento mais.

- Sim...

Demi sabia o que estava dizendo, embora uma parte de si mesma ainda lutasse contra a vergonha e a timidez. Mas ela sempre soubera que não conseguiria resistir ao fascínio daquele homem. O desejo a dominara completamente desde o primeiro encontro e sequer tivera forças para tentar vencer a paixão.

- Eu preciso de um minuto para me recompor, doçura.

Ele  respirou  fundo  algumas  vezes,  procurando  recuperar  o  controle  do  corpo.  Então  ambos  se encaminharam para a saída, ignorando os copos de cerveja sobre a mesa e os sanduíches que haviam acabado de chegar. A última coisa em que ambos poderiam pensar agora era em comida. Sua fome era outra.

- Você gostou do rodeio? - Joe perguntou ao tomarem a estrada.

Ele não a tocara mais desde que haviam deixado o baile e também não lhe dissera palavras românticas. Parecia agir com naturalidade, embora estivesse fumando como uma chaminé. Demi sentia-se em fogo, porém tentava não deixar transparecer o quanto a proximidade de seus corpos a atordoava.

- Eu gostei muito. Mas nunca havia imaginado que pudesse ser um esporte tão complicado.

- Quando se tem alguns conhecimentos, fica bem mais fácil entender.

Para a sua própria e completa surpresa, Joe sentia-se nervoso. Demi não era como as outras mulheres que havia conhecido. Ela era muito, muito especial e ele queria lhe proporcionar uma noite inesquecível.
Demi debatia-se num turbilhão de emoções desencontradas. Parte de si queria desistir e retroceder, enquanto a outra metade desejava o homem ao seu lado com um ardor desesperado. Ele a havia despertado para a vida e ela seria capaz de lhe dar qualquer coisa que lhe fosse pedida. Também seria covardia desistir agora, depois de ter deixado tão clara a sua vontade de ser possuída.

- A cabana é logo ali - Joe falou tentando esconder a ansiedade. - É uma construção muito velha, porém bastante usada pelos homens da fazenda durante o inverno, quando trazemos o gado para pastar nesta região. A aparência exterior pode não ser grande coisa, mas é bem conservada por dentro. Você vê – ele falou abrindo a porta e acendendo a luz -, temos até eletricidade!

O interior da cabana era composto por um quarto, pequena cozinha, banheiro e uma sala minúscula com lareira e duas cadeiras. A cama de casal estava arrumada e imaculadamente limpa. Percebendo para onde o olhar de Demi se dirigia, Joe apressou-se a dizer:

- A roupa de cama é trocada toda semana e mantemos a cozinha abastecida com algumas provisões.

Ele calou-se e fitou-a com paixão, o coração batendo descompassado. Demi estava trêmula, os lábios entreabertos num convite mudo. Ela parecia tão jovem, doce e vulnerável!
Joe tirou a camisa, sem deixar de fitá-la, e aproximou-se devagar, com a segurança de um homem que se sabe sensual e desejado. Ele tomou-lhe as mãos frias e as colocou sobre o peito, murmurando com a voz rouca:

- Me toque, me sinta, me ame...

A sensação de ter a pele nua acariciada por aquela mulher era algo indescritível. Seu corpo ficou rígido no mesmo instante, todos os seus sentidos aguçados, prontos para o ato do amor.

- Oh, Demi, eu nunca desejei uma mulher tanto assim!

As palavras dele a emocionaram. Era estranho como um homem com a sua reputação pudesse se mostrar tão vulnerável ao toque de uma virgem. É claro que ele não sabia que ela era inocente e portanto sem experiência nos jogos amorosos.
Talvez  Joe estivesse  cheio  de  expectativas,  esperando  encontrar  uma  parceira  à  altura  do  seu desempenho na cama.
Ela hesitou apenas por um segundo, insegura quanto ao que deveria fazer, e então entregou-se às carícias com total abandono.
Joe beijou-a com sofreguidão, sugando-lhe a língua num ritmo sensual e alucinante. Demi sentiu os joelhos fraquejarem e precisou se agarrar aos braços dele para não cair, gemendo de prazer. Enlouquecido com a reação que acabara de despertar, ele pressionou-a ainda mais de encontro a si, forçando-a a sentir a rigidez da sua virilidade. Demi não se retraiu e embora soubesse que não devia ter deixado as coisas chegarem a tal ponto, já não tinha forças para resistir. Nunca havia experimentado um prazer tão profundo e ansiava por muito mais.
Joe estava a ponto de perder o controle e, mesmo se quisesse, seria impossível parar agora. Tudo o que queria era estar dentro dela, possuí-la enfim.
Ele tomou-a no colo e depositou-a sobre a cama, ambos estremecendo de desejo. Com gestos rápidos, a despiu e inclinou-se para beijá-la na parte interna da coxa, fazendo-a gemer de prazer. Com extremo cuidado, tomou um dos mamilos entre os dentes, sugando-o com volúpia, enquanto a acariciava no ventre, descendo, imperceptível e inevitavelmente, até o ponto macio e quente da sua feminilidade. Demi arqueou o corpo, deixando escapar gemidos incoerentes, perdida num turbilhão de sensações.
Joe se recusava a pensar por que ela havia se excitado com tanta facilidade ou por que se mostrara surpresa ao vê-lo nu, como se o corpo masculino fosse uma novidade.
Seu desejo era intenso demais e parecia cegá-lo para os sinais evidentes da inocência de Demi. 
Ao percebê-la hesitante, diante do tamanho da sua ereção, ele procurou tranqüilizá-la: 

- Imagino que um amante novo deve deixar uma mulher insegura. Não precisa ter medo, você será capaz de me receber. O corpo feminino é um milagre - ele murmurou. - Flexível, macio, vibrante.

Os beijos se sucediam, as carícias tornavam-se cada vez mais ousadas, porém quando Joe separou as pernas dela, Demi se retraiu.

- Não faça assim, querida. Eu te quero muito, mas se você ficar tensa, vai doer.

Ela nada respondeu, pois sabia que iria sentir dor, mesmo que procurasse relaxar. Era tarde demais para contar-lhe a verdade, porque Joe já estava a ponto de penetrá-la.
Ele a beijou com ternura no pescoço, na boca, nos seios, enquanto murmurava:

- Quero possuí-la agora. Não... não feche os olhos. Olhe para mim. Veja nossos corpos se unirem, se tornarem um.

Joe gemeu e trincou os dentes, tentando conter-se mais um pouco, procurando segurar a explosão final.
Demi enterrou as unhas nos braços dele, engolindo as lágrimas que a dor da penetração lhe causava.
A sentir a barreira ceder, Joe fez novas investidas, penetrando-a ainda mais fundo, enlouquecido de prazer. Ele gritou o nome dela e se soltou num abandono total, o corpo sacudido pelas convulsões do êxtase.  
Seu prazer foi intenso, poderoso e por nada deste mundo teria sido capaz de evitar o que acabara de acontecer.
Demi sentia-se aturdida pela experiência vivida.
É claro que, no dia seguinte, a vergonha e a dor pelo que havia feito seriam quase insuportáveis. Mas agora tudo o que queria era senti-lo perto de si por mais alguns instantes:  vulnerável,  sem  reservas,  indefeso.  Queria  poder  dizer-lhe  que o  amava, porém  sabia  ser impossível, pois ele iria odiá-la ainda mais, especialmente porque já deveria ter percebido como fora enganado.
Joe fitou-a depois de alguns segundos, ainda entorpecido pela potência do orgasmo. Cada fibra do seu ser estava plenamente saciada, mas ele sentia que de alguma maneira falhara. Sim, havia experimentado um prazer absoluto, porém Demi não atingira o clímax, os seios dela ainda estavam intumescidos, os mamilos eretos.
Como gostaria de fazer amor outra vez, de levá-la, enfim, ao êxtase, já que talvez a dor da primeira vez houvesse sido muito grande, impedindo-a de relaxar. "Primeira vez!" Meu Deus!, ele pensou, assustado, "Demi era virgem! Eu fui o seu primeiro homem!" Abalado com a descoberta, Joe tentou beijá-la num gesto de carinho, mas ela virou o rosto cheia de vergonha e temor.
Achando-se rejeitado,  ele  se levantou  sem  dizer  uma palavra e começou  a vestir-se, sentindo-se arrasado. Seu desejo havia sido tão forte que não conseguira se conter o tempo suficiente para que Demi pudesse alcançar o êxtase também. Fora a primeira vez que isso acontecera. Nunca, até então, experimentara um desejo tão urgente que o impedisse de esperar pela excitação total da parceira. Ele não tivera tempo de satisfazer Demi porque estivera a ponto de perder a razão, atordoado pela força do seu instinto. Agora sim, podia compreender por que ela se mostrara assustada, reticente. E não havia necessidade de olhar para a leve mancha de sangue no lençol para ter certeza de que possuíra uma mulher virgem. Joe sentia-se culpado pela própria falta de sensibilidade.
Talvez se a houvesse desejado menos pudesse ter sido capaz de interpretar os sinais evidentes da sua inocência, porém havia perdido a cabeça e se comportado como um adolescente apaixonado. Aquela que deveria ter sido a experiência mais bela da vida de uma mulher havia custado a Demi não só a castidade, como a ausência de prazer. E como o seu sentimento de culpa não bastasse, ela ainda se mostrava arrependida, como se tivesse cometido o pior dos pecados.
Joe virou-se de costas enquanto Demi se vestia e, ao voltar-se, ela já estava sentada na beira da cama, o corpo trêmulo, o olhar acuado.
Ele acendeu um cigarro, tentando controlar o tremor das mãos, sem conseguir suportar a dor estampada naquele rosto delicado. Fora por causa do seu egoísmo que uma noite que deveria ter sido única, perfeita, terminara em ruínas.

- Droga! - ele explodiu afinal. - Você mentiu para mim! Você me disse que era experiente, quando não passava de uma virgem!

Ela se encolheu e fechou os olhos, magoada demais para se defender. E nenhum dos dois viu uma figura que os observava pela janela e que depois montou no cavalo e se afastou a galope.

- Por que você fez isso? - Joe insistiu.

- Porque eu queria conhecê-lo melhor.

- Bem, então você conseguiu, não é mesmo? - ele falou com crueldade.

Demi tentou conter as lágrimas, sem sucesso. Ela merecia toda aquela raiva e desprezo. Por causa da sua mentira, ele não havia sentido necessidade de ser mais gentil, mais delicado, e dera vazão aos impulsos incontroláveis do corpo.
Só tinha a si mesma a quem culpar pelos acontecimentos daquela noite e o que era pior: não havia tomado qualquer precaução e nem pedido a ele que o fizesse. É claro que as suas chances de engravidar eram pequenas, porém existia sempre uma possibilidade. E depois de toda essa vergonha, ainda teria que conviver com uma consciência culpada.
Joe deu-lhe as costas, envergonhado das palavras que acabara de dizer. Nunca mais poderia fitá-la sem odiar a si mesmo pelo que fizera.
Incapaz de perceber que Joe culpava apenas a si, e não a ela pelo acontecido, Demi trancou-se num silêncio angustiado.

- É melhor irmos embora - ele falou friamente.

Ao  chegarem  à  casa  dos  Manley,  Demi desceu  do  jipe  e  caminhou  até  a  varanda  parecendo perfeitamente controlada, embora tivesse o coração em frangalhos.

- Você está bem? -Joe perguntou forçando-se a pronunciar as palavras com naturalidade.

- Estou ótima.

- Demi, o que eu disse na cabana...

-  Não  tem  importância.  Preciso  entrar  agora.  Sinto  muito...  pelo  que  aconteceu.  Eu  não  estou acostumada a beber.

- Então foi por causa da cerveja? Você estava bêbada? - ele perguntou com ironia, querendo ouvir uma negativa, querendo ouvi-la dizer que havia sido porque o amava.

- Adeus, Joe - ela murmurou com suavidade, sem conseguir sentir raiva do homem que a seduzira. Afinal, ele fora encorajado.

- Não é um pouco prematuro dizermos adeus?

- Vou embora amanhã. Você não precisará temer que eu me comporte como Dale... e fique sempre à sua volta, tentando chamar a sua atenção.

Joe permaneceu imóvel por um longo tempo contemplando a porta que havia se fechado, sentindo-se vazio, sozinho e envergonhado. Por que havia agido daquela maneira, culpando-a de ser casta? Demi era uma mulher doce, sensível, com uma consciência delicada. Talvez ela julgasse que dormir com um homem fosse pecado mortal, já que estava sempre falando de religião. Por que ele não fora capaz de perceber a realidade? Se tivesse sabido a verdade, poderia ter parado a tempo e controlado a paixão que o consumia.
Entretanto, o desejo fora forte demais e continuava sendo. O que ele sentia por Demi era algo novo, poderoso. Como poderia continuar vivendo se ela abandonasse Pryor? 

Joe se  amaldiçoou  mais  uma  vez  por  sua  impetuosidade.  Demi iria  embora  e  não  lhe  daria oportunidade de desculpar-se, de explicar-se. Não que a culpa fosse toda sua, afinal ela o desejara também. Mas o que a teria motivado a entregar-se? Teria sido desejo? Solidão? Curiosidade? Ou será que ela nutria algum sentimento em relação a ele? Seria possível ser amado por alguém tão especial? Não seria sonhar alto demais, especialmente depois da sua conduta insensível?
Contudo, a razão lhe mostrava que Demi já estava com vinte e cinco anos, dizia-se moderna e talvez tivesse apenas se cansado de ser virgem. Embora não gostasse de pensar nesta possibilidade, era algo que devia levar em consideração. Joe ligou o motor do jipe, mas não se afastou. Pela primeira vez na vida não tinha coragem de ir embora sem olhar para trás. Queria um sinal de esperança, porém tudo o que via era a escuridão.
Dentro de casa, Demi foi para o quarto evitando fazer barulho. Ela tomou um banho quente, tentando lavar do corpo qualquer vestígio de Joe Jonas, já que não podia arrancá-lo do coração. Sentia-se esgotada, amarga, entretanto não teria coragem de contar a Winnie o que lhe acontecera. Precisava pensar rápido numa desculpa que explicasse a sua decisão súbita de partir.
Por nada deste mundo poderia continuar em Pryor, sabendo que Joe a odiava. Mesmo o horror pelo qual passara e o medo de ser caçada pela imprensa não se comparava ao pavor de ver Joe outra vez. Sua mentira o havia enraivecido e não havia como voltar atrás no tempo e desfazer todos os mal-entendidos.
Demi deitou-se  e  procurou  relaxar,  porém  não  conseguia  dormir. Os  acontecimentos  recentes atormentavam lhe a alma e ao pensar na cena da cabana, tinha vontade de morrer. Joe estava com a razão, fora tudo culpa sua. Ela desprezara os conselhos de Winnie, ignorando os perigos de uma atração sexual forte. Nunca se julgara capaz de desejar um homem com uma intensidade suficiente para fazê-la esquecer-se dos seus princípios morais. Agora teria de conviver com o peso da sua consciência. O fato de amar Joe não justificava o seu comportamento, a sua entrega total.
Demi levantou-se antes do sol nascer e arrumou as malas. Depois de tudo pronto, vestiu-se e desceu para o café da manhã, chamando pela sra. Manley. Mas não havia ninguém em casa, apenas um bilhete de Winnie sobre a mesa: "Fui para o hospital. Dwight feriu-se num acidente." Demi pegou o catálogo telefônico e imediatamente ligou para o único hospital da cidade. Depois de identificar-se, pediu notícias de Dwight à enfermeira de plantão. E ao desligar sabia que seria impossível partir. O noivo de sua melhor amiga estava na UTl e corria risco de vida. Nunca teria coragem de abandonar Winnie num momento como este, mesmo que para isso precisasse enfrentar o ódio de Joe.

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Heeeeeeey, postando rapidinho e correndo pq tenho q terminar minha maquete! Comentem! Respostas aqui'
Um beijo e um cheiro! Amo vcs <33

3.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 6

 

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Joe estava surpreso com a intensidade da atração que sentia por Demi. Ele havia planejado esperar alguns dias antes de procurá-la outra vez, pois queria fazê-la sentir a sua falta. Entretanto, por mais que tentasse não conseguia tirá-la da cabeça e daí a dois dias a saudade era, incontrolável.
Incapaz de resistir por mais tempo, ele pegou o jipe e se dirigiu à residência dos Manley. Demi estava cuidando do jardim e parecia encantadora em seu short e miniblusa cor-de-rosa.

- Então Winnie pôs você para trabalhar? - Joe falou aproximando-se com um sorriso.

- Oi! - ela murmurou enrubescendo ao notar que ele a examinava da cabeça aos pés.

- Belas pernas as suas.

- Obrigada. Você está procurando pela sra. Manley ou por Winnie? Elas tiveram que ir ao centro da cidade...

- Eu vim apenas para vê-la, doçura. E mal posso acreditar na minha sorte ao encontrá-la aqui, sozinha.

- É mesmo?

Joe a puxou para junto de si, aninhando-a de encontro ao peito, beijando-a com ternura e paixão. Demi correspondeu com todo o seu ser, entregando-se às sensações que a atordoavam.

- Hum... sobremesa antes do almoço - ele murmurou. - Você tem um gosto adocicado. 

- É que eu acabei de comer uma fatia de rocambole.

- Não foi exatamente isso o que eu quis dizer. Será que poderíamos ir a Hardin amanhã? Sairíamos por volta das nove horas.

- Oh, claro!

- Ótimo. Está combinado então. É melhor que você use calça jeans e botas, pois o terreno da reserva é bastante acidentado, além da possibilidade de depararmos com algumas cobras.

- Farei isso - Demi respondeu com um sorriso luminoso.

- O que você está plantando aqui?

- Flores. Detesto ficar a toa e me ofereci para fazer o serviço. Gosto de trabalhar.

Joe pensou nas mulheres com quem costumava sair. Todas gostavam apenas de se embonecar e nenhuma delas parecia o tipo de se entreter com jardinagem. Sua mãe fora uma jardineira entusiasmada, porém ela era alguém especial... assim como Demi. 

- Você possui um jardim na sua casa?

- Sim - Demi respondeu com tristeza. - Eu tinha um canteiro onde plantava vegetais. Mas agora ele... está arruinado.

- Sinto muito. Não creio que a mãe de Winnie plante legumes.

- Não, ela aprecia flores.

Demi ficou em silêncio por alguns segundos apreciando a figura do homem à sua frente. Joe era intensamente viril, e suas roupas no estilo western acentuavam ainda mais a beleza máscula.

- Você parece um modelo. E muitas mulheres já devem ter lhe dito o quanto é bonito.

Joe sorriu antes de responder com um ar divertido:

- Sua espertinha! Acertou no meu ponto fraco.

- Você podia ter me telefonado. Isso é, não precisava ter se dado ao trabalho de vir até aqui apenas para combinarmos a nossa ida a Hardin.

- Eu sei. O caso é que eu queria vê-la. É melhor eu ir andando agora. Tenho trabalho a fazer. Pego você  amanhã, às nove.

- OK.

Joe afastou-se e deu partida no jipe sem olhar para trás. Demi sentia-se um pouco incomodada com esta atitude que lhe parecia típica de um homem capaz de abandonar uma mulher sem pensar duas vezes, um homem que não queria comprometer-se.
Mas talvez ela tivesse sorte e conseguisse prendê-lo junto a si. Talvez Joe pudesse vir a amá-la algum dia. Afinal, muitas vezes, a atração sexual é o começo de um grande amor. Mas não, o melhor seria não alimentar falsas esperanças e ver as coisas de uma maneira realista. O fato dele ter vindo procurá-la pessoalmente não significava que ela fosse alguém especial. Talvez tanta gentileza não passasse de uma tática de sedução. Entretanto, fossem quais fossem os planos de Joe, ela não conseguiria resistir-lhe, mesmo se quisesse.
No dia seguinte Demi aprontou-se com entusiasmo e à hora combinada Joe chegou. Ele vestia calça jeans, botas, camisa xadrez e chapéu de abas largas, o que acentuava ainda mais a sua beleza viril.

- Achei que você iria se esquecer de usar chapéu, por isso trouxe-lhe um - ele falou tão logo entraram no jipe.

- Obrigada pela atenção...


- Tenho que tomar conta da minha garota preferida.

Joe nunca havia encontrado alguém como Demi. Ela não era exigente, petulante ou dada a amuos. Estava sempre de bom humor e o seu sorriso iluminava o dia como um raio de sol.

- Você sentiu saudades minhas? - ele perguntou com suavidade.

- Oh, sim, muitas.

- O mesmo aconteceu comigo, raio-de-sol. Você tem sido um bom remédio.

- Remédio?

- Nem todos os medicamentos são para o corpo; alguns curam a alma. Nesta parte do mundo, tempos atrás, os índios costumavam fazer uso de certos "remédios" antes da batalha com a finalidade de proteger seus corpos e ajudar seus espíritos a encontrar o caminho da vida depois da morte. Havia remédios para o bem e para o mal, ambos igualmente potentes. Eles costumavam usar talismãs, que julgavam capazes de protegê-los dos inimigos.

- Eu acho este assunto muito interessante. Obrigada por estar me trazendo a Hardin. Eu sempre quis conhecer o famoso campo de batalha.

- O prazer é meu. Não creio que você ficará desapontada.

E Demi não ficou. Havia um museu a ser visitado e passeios pelos arredores com a companhia de guias especializados. Ela observou que Joe evitava os grupo de turistas barulhentos enquanto se dirigiam ao enorme monumento onde estavam gravados os nomes de todos os soldados mortos na batalha que ali fora travada anos e anos atrás.

- Nós estamos na terra que um dia pertenceu aos Crow - ele explicou-lhe apontando para um pequeno riacho que cortava a ravina. - Um pouco além daquelas árvores, quando se travou a batalha final, ficaram acampados um bando de Cheyenne e várias tribos dos índios Siouxs: os Blackfoot, Sans Arc, Brule e os Minneconjo. Eram milhares de índios e foi aqui que Custer tombou, juntamente com o irmão, o cunhado e o sobrinho. Ele levou tiros no peito e numa das têmporas.

- Certa vez eu li que ele havia se suicidado.

- É pouco provável. Se você ler o livro que Custer escreveu, “Minha Vida Nas Planícies”, poderá perceber que ele não era um tipo suicida. Um dos seus biógrafos afirma que Custer foi morto aqui, com uma bala no coração e outra na têmpora esquerda. Os índios tinham o costume de atirar nos seus inimigos muito de perto, para ter certeza de tê-los matado. Se foi Custer quem realmente morreu na ravina, isso explica o fato dos soldados terem perdido o ímpeto, agarra, entregando-se ao desespero por verem-se sem seu comandante. Os homens eram jovens demais, inexperientes, e poucos haviam visto um índio sequer antes daquela batalha.

- Acho que deve ter sido algo aterrador.

- E você não sabe nem da metade, doçura. Todos os índios tinham os rostos e os corpos pintados para a guerra e atacavam com uma fúria selvagem, algo capaz de assustar uma companhia formada basicamente por rapazes que mal haviam deixado a infância.

- Você mencionou apenas os Sioux e os Cheyenne. Os Crow não lutaram?

- Embora esta terra pertencesse aos Crow, eles se aliaram aos soldados pois perceberam que a derrota dos índios viria, mais cedo ou mais tarde. Os Sioux e os Cheyenne eram inimigos dos Crow, antes mesmo da chegada dos homens brancos. Mas posso entender por que todas aquelas tribos lutaram com bravura na defesa desta terra, para mantê-la intocada pela civilização. Esta era uma terra de Deus.

- Sim, tudo aqui é lindo.

- Você gostaria de dar uma volta pela ravina?

- Será que, poderíamos?

- Claro! Há uma trilha. Mas a partir de agora é melhor ficar atenta por causa das cobras.

Joe conduziu-a pela ravina, agora tomada pelas sepulturas dos homens mortos na batalha histórica. Ele parecia conhecer todos os nomes e parou por alguns segundos diante de uma cruz.

- Meu tataravô - ele falou sorrindo. - Está surpresa? Bem, agora você entende por que eu sei tanto sobre aquela batalha. A minha tataravó mantinha um diário que agora pertence a mim. A última anotação que ela fez corresponde à noite que antecedeu o ataque da 7ª Cavalaria. É provável que ele também tivesse um diário, mas as mulheres índias vasculharam o campo após a batalha e pegaram tudo o que lhes pudesse ter alguma utilidade: relógios, pistolas, roupas, selas, botas. Os índios arrancavam as solas das botas e usavam o couro para outros fins.

- Fale-me sobre o seu tataravô.

Joe contou-lhe a história em detalhes, dizendo também que há pouco mais de um ano uma equipe de arqueólogos havia passado algum tempo na área à procura de artefatos que pudessem ter ficado enterrados no chão. Um grupo de voluntários ajudara na busca, e Joe fora um deles.
Depois do passeio eles, resolveram almoçar no restaurante local e visitar a loja de
souvenirs.
Demi estava encantada com a criatividade dos trabalhos expostos e Joe insistiu em comprar-lhe um par de brincos feitos pelos índios da reserva.

- Você sabia que era possível saber a qual tribo um índio pertencia apenas pelo corte de cabelos e pelos brincos que usava? - Joe perguntou-lhe tão logo tomaram o caminho de volta.

- É tudo fascinante! Nunca pensei que pudéssemos partilhar esse mesmo interesse. A contribuição dada pelos índios à nossa História é algo inegável.

Joe não cabia em si de contentamento. Nenhuma de suas antigas namoradas jamais mostrara qualquer entusiasmo ao ouvi-lo falar da famosa batalha e da sua influência nos rumos tomados pelo país. Demi não apenas  o  ouvira  com  atenção,  como  também  demonstrara  conhecimentos  profundos  sobre  a  cultura indígena, especialmente a respeito dos Mayan.

- Você conhece o assunto tão bem quanto eu. Onde aprendeu tudo isso?

- Eu leio muito e mantenho os ouvidos bem abertos a quaisquer informações. O passeio foi ótimo, Joe. Obrigada, eu me diverti demais.

- Eu também. Acho melhor nos despedirmos aqui - ele falou estacionando o jipe. - A sra. Manley e Winnie podem ficar chocadas com os nossos beijos.

Ele buscou os lábios de Demi com avidez, o corpo ficando rígido de desejo no mesmo instante.

- Você me deixa em fogo... Pare de usar sutiã, ele está sempre me atrapalhando
.
Ela tentou dizer alguma coisa mas foi impedida por um novo beijo, demorado e exigente. Joe desabotoou lhe a blusa e o sutiã, expondo os seios intumescidos e firmes aos seus olhos ávidos.

- Você é macia como seda e tão perfeita quanto eu a imaginava.

Num movimento instintivo ela arqueou as costas oferecendo-lhe os mamilos eretos, sequiosa por sentir os lábios dele na sua pele nua.
Joe estava a ponto de tocá-la quando percebeu a cortina se afastar numa das janelas da casa.

- Não posso beijá-la agora - ele falou baixinho. - Parece que temos uma audiência.

- Oh...

- Nós nos daremos bem na cama. Você sabe disso, não é mesmo?

- Sim... - Demi murmurou pensando que devia contar-lhe a verdade enquanto ainda havia tempo. Porém não tinha coragem.

- Não vou apressá-la, mas eu não esperarei muito mais. É melhor você entrar, pois seu anjo da guarda a está esperando. Ela não vai desistir de vigiá-la?

- Winnie está relaxando um pouco. Afinal vai casar logo.

- É, eu sei. Isso é algo que nunca acontecerá comigo. Você sabe disso, não é? Gosto da sua companhia e acho que nos completamos fisicamente. Mas não vou mentir, prometendo-lhe um futuro juntos. Sou um solteirão convicto.

- Sim, eu sei.

Casamento estava definitivamente fora dos seus planos, portanto não valia a pena alimentar falsas esperanças. Seu passado já era algo que o atormentava o suficiente e além do mais não pretendia ter filhos, pois não queria passar a herança genética que recebera do pai.

- Venho apanhá-la amanhã à noite para irmos ao rodeio. Eu sei que havia lhe dito que iríamos na semana que vem, porém não quero esperar muito. E você?

- Eu também não.

- Estarei aqui às seis. Boa noite, coisa linda.


- Boa noite. Obrigada pelo passeio e pelos brincos.

- Eles combinam com você. Até amanhã.

Mais uma vez Joe foi embora sem olhar para trás, deixando-a de pé na varanda, apaixonada e confusa.
Demi entrou em casa no momento em que Winnie estava pondo o jantar na mesa.

- E então, você se divertiu?

- Muito. Joe conhece a fundo a história dos índios desta região.

- É verdade. Ele não a aborreceu? Marie diz que está cansada de ouvi-lo falar neste assunto.

- Mas eu adorei ouvi-lo! Achei tudo fascinante.

- Puxa, eu não sabia deste seu interesse. Agora venha jantar.

Ao deitar-se naquela noite, Demi ficou pensando no que devia fazer. O melhor seria contar a verdade a Joe.
A única coisa que a impedia de fazê-lo era o medo de não vê-lo nunca mais.
No dia seguinte, Demi já estava pronta duas horas antes do combinado. Ela havia se arrumado com capricho, escolhendo uma saia rodada azul clara e uma camisa do mesmo tom. Para completar, um suéter cor-de-rosa jogado sobre os ombros, uma vez que costumava esfriar à noite. Os cabelos foram presos num rabo de cavalo, dando-lhe um aspecto suave e juvenil.
A sra. Manley havia saído para um chá de bebê e Winnie tinha ido se encontrar com Dwight. Ela saíra sem dizer uma palavra de censura, pois parecia ter compreendido que a amiga estava apaixonada de verdade, e portanto não havia mais nada a fazer.
Joe chegou exatamente na hora que haviam combinado. Ele usava calça jeans preta, botas também pretas e camisa azul clara. O magnetismo que emanava daquela figura máscula era algo difícil de resistir e  Demi sentiu o coração disparar. 
Joe a fitou com possessividade, apreciando a beleza da mulher à sua frente. Olhar para Demi lhe dava prazer, estar em sua companhia lhe proporcionava paz. Precisava tomar uma atitude a esse respeito o quanto antes, pois não podia deixar se envolver como um adolescente apaixonado. O melhor seria levá-la para a cama tão logo quanto possível.
Quem sabe conseguiria voltar ao normal depois de possuí-la?
Era estranho, mas desde que conhecera Demi deixara de se preocupar com o fato de ser adotivo e com as mudanças que haviam ocorrido em sua vida. Ela lhe trouxera uma tranqüilidade que julgara impossível vir a sentir outra vez. Ao lado dela sentia-se capaz de vencer qualquer obstáculo, superar qualquer dificuldade. E esses sentimentos novos o perturbavam demais.

- Gosto da sua camisa e da saia também. Mas será que ela não vai cair sem um cinto?

- Eu perdi muito peso nas últimas semanas e não consegui achar o meu cinto.

O cinto, assim como a maior parte dos seus pertences, ainda estava na América Central. As lembranças amargas toldaram a alegria dos olhos de Demi por alguns segundos. Ser vista em público poderia lhe trazer problemas, caso se encontrasse com algum jornalista. Porém não queria pensar nesta possiblidade. O melhor seria não se preocupar e tentar se divertir.

- Onde está Winnie? - Joe perguntou olhando ao redor.

- Ela saiu com Dwight, você não sabia?

- Dwight não tem me posto a par da sua vida social nestes últimos tempos - ele falou com um sorriso irônico.

- Seu irmão poderia fazê-lo, se você não fizesse questão de dificultar a convivência entre ambos.

Joe teria esmurrado qualquer homem que ousasse fazer um comentário deste tipo, porém a maneira de Demi falar não o ofendia em absoluto. Tentando descontrair o ambiente depois do que acabara de ouvir, ele perguntou de repente:

- Você está de pé sobre algum buraco ou encolheu de ontem para hoje?

- Só estou usando tênis.

- Tênis? Estas coisinhas minúsculas nos seus pés delicados?

- Ninguém poderia descrever os seus pés dessa maneira.

- E a sra. Manley? Saiu também?

- Foi a um chá de bebê.

- É melhor irmos agora.

- Sim - Demi respondeu olhando-o com adoração.

Com movimentos lentos Joe a puxou para junto de si, estreitando-a num abraço cheio de delicadeza.
 Quando seus lábios se encontraram ela suspirou de prazer e se entregou às emoções.
Joe não conseguia pensar em mais nada. O ardor com que Demi correspondia ao seu beijo o estava deixando louco. Com dificuldade ele conseguiu parar de beijá-la e se afastou, tentando recuperar o controle.

- Talvez fosse melhor irmos para o rodeio já, enquanto ainda conseguimos nos controlar.

- Sim, você tem razão - Demi murmurou sem conseguir esconder o tremor da voz.

Eles caminharam até o jipe em silêncio, tentando aparentar naturalidade.

- Se você ficar por aqui mais algum tempo vou comprar um carro.

- Eu gosto do jipe e ele é indicado para seu trabalho na fazenda.

- É verdade - Joe respondeu fitando-a com curiosidade. Ela era uma mulher capaz de dizer-lhe as coisas mais inesperadas e dava-lhe a impressão de estar envolvida num mistério. O melhor seria não vê-la nunca mais, entretanto não conseguia ter forças para afastar-se. Fossem quais fossem as consequências precisava possuí-la pelo menos uma vez. No seu íntimo tinha certeza de que fazer amor com ela seria uma experiência única, diferente de tudo o que já havia experimentado. Ele a desejava com loucura e era tarde demais para voltar atrás.

- Você se importa se eu fumar? - ele perguntou ligando o motor do carro.

- Não. 

- Estou tentando parar, mas às vezes fico exasperado com certas coisas.

- Com o que, por exemplo?

- Com a vida, Demi.

- Eu sei que está sendo difícil para você. Porém o mais importante é seguir em frente. Nada dura para sempre. Nem mesmo a dor.

- Não aposte nisso.

- Talvez tudo ainda esteja muito recente. Afinal não se pode reconstruir a vida do dia para a noite. E tenho a impressão de que você não é um homem que saiba esperar pelas coisas com facilidade.

-Não, não sou mesmo - Joe admitiu sorrindo. - Mas não tenho muita escolha neste caso. E você, Demi? Você é uma mulher impaciente ou sabe esperar pelo o que quer?

- Sempre me ensinaram que a paciência está entre as maiores virtudes. Porém muitas vezes é difícil resistir à tentação de forçar os acontecimentos. Por outro lado, saber aceitar os fatos também não é muito  fácil.

- Todos nós somos humanos, não é mesmo? E há momentos em que nos sentimos incapazes de controlar o próprio destino.

- Pelo seu jeito de falar tenho a impressão de que você não costuma ir à igreja - Demi falou com suavidade.

- É verdade. Com o passar dos anos deixei de acreditar num Deus capaz de permitir que as pessoas sejam atormentadas.

- Ele não o faz. Nós é que atormentamos a nós mesmos. Ele nos ajuda, se o pedimos, porém cada um é responsável pelo próprio destino. Temos sempre escolhas a fazer, e as fazemos. A vida se encarrega do resto.

- E onde Deus entra nisto tudo?

- Ele nos deu liberdade de escolha - Demi respondeu com um sorriso. - Se fosse de outra maneira, Eva jamais teria dado aquela maçã suculenta para que Adão mordesse.

- Verdade? - Joe falou, rindo com gosto.

- Além do mais, há outras forças que movem o mundo, praticando o bem e o mal. Às vezes é difícil vencer as trevas, porém isso não significa que devemos desistir de tentar. É nos momentos duros que precisamos trabalhar com mais afinco.

- Você me faz pensar num padre que conheci anos atrás. Eu até que gostava de ouvi-lo falar.

- Por que você parou de ir à igreja?

- Eu não sei. Talvez porque não visse resultados práticos na minha vida. Freqüentar a igreja não resolvia os meus problemas.

- Ir à igreja não resolve os problemas de ninguém, apenas ajuda-nos a lidar com eles. A religião não torna as pessoas imunes ao sofrimento ou aos momentos difíceis.

- Foi isso o que eu descobri. Eu costumava esperar milagres.

- Mas os milagres estão à nossa volta. Eles acontecem todos os dias.

- Será?

- Oh, sim - ela respondeu com convicção.

Como gostaria de contar-lhe que estava viva por causa de um milagre, que a mão de Deus a havia socorrido no último instante.
Depois de alguns minutos de silêncio, Demi perguntou:

- Nós não vamos atravessar o Shoshone Canyon desta vez?

- Não. Vamos na direção noroeste, direto para Cody, sem passar pelo túnel. Você já esteve num rodeio antes?

- Uma ou duas vezes, no Arizona. É um esporte muito perigoso, não é?

- Mais do que um vaqueiro já perdeu a vida numa arena. É preciso apenas um segundo de descuido, um lapso na concentração para ser chifrado por um touro, pisoteado por um cavalo ou atirado para longe com violência... Não é um jogo para cowboys de asfalto.

- E eles costumam aparecer por aqui?

- Num dos rodeios do ano passado veio um rapaz da cidade disposto a se exibir. Ele se considerava o máximo, alguém acostumado a montar touros mecânicos e portanto pronto para enfrentar um animal de verdade. O infeliz montou Old Scratch, um touro feroz que em setenta e oito tentativas nunca fora dominado por um vaqueiro.

- O que aconteceu?

- Dois segundos depois de montar, ele já havia sido atirado no chão, quebrando uma costela e a clavícula. Pelo que eu soube mais tarde, o rapaz decidiu abandonar a arena e se dedicar à antiga profissão: vendedor de sapatos numa loja de departamentos.

- Oh, pobre homem!

- Pobre homem o quê! Quem não tem competência não deve se habilitar. Não se trata de um esporte para amadores.

- Você monta em rodeios?

- Você me considera velho demais para isso, doçura?

- Não - Demi respondeu sorrindo. - É apenas curiosidade. Imagino que os seus afazeres na fazenda tomem quase todo o seu tempo.

- Costumava ser assim, até que Dwight se apossou da administração.

- Dwight não me parece o tipo que tenha sede de poder. Estou certa de que ele se sente tão pouco à vontade quanto você com o novo arranjo das coisas.

- Ele herdou a parte administrativa da fazenda, o que odeia fazer, e eu estou às voltas com o gado, o que também odeio. Não que o trabalho físico me incomode, entenda bem. Só que enquanto eu cuido do controle dos animais, ele está prestes a cometer um suicídio financeiro.

- Por que vocês não discutem o assunto?

- Lá está Cody! - Joe desconversou.

Ele estacionou o jipe e ajudou-a a descer, pensando que há tempos não se abria tanto com alguém.

- Por que você não costuma falar muito sobre si mesma?

- Eu não poderia conhecer outras pessoas se passasse o tempo inteiro falando de mim.

- Vou descobrir tudo a seu respeito, garotinha. Você não perde por esperar - ele falou com um ar brincalhão.

- Estou morrendo de medo!

- Olá, Joe! Que surpresa agradável!

- Oi, Dale - ele respondeu secamente.

- Faz tempo que não o vejo. Por que você não me procurou?

- Se eu tivesse algo a dizer-lhe teria lhe procurado.

Dale se encostara em Joe, tomando ares possessivos, enquanto olhava para Demi com desdém: - É ela o motivo da sua ausência? Não se pode dizer que se trata de uma bela mulher.

- Desapareça. Agora! - Joe falou num tom ameaçador.

- Você não foi tão frio assim, numa certa ocasião.

- Eu tampouco estava sóbrio, lembra-se?

Incapaz de pensar numa resposta e percebendo que estavam atraindo a atenção, Dale se afastou perdendo-se na multidão.

- Eu sinto muito por este encontro desagradável - ele murmurou ao perceber o desconforto e a mágoa de Demi.

- É uma mulher muito bonita.

- Sim. Eu estava bêbado e ela estava querendo. Pensei que tudo acabaria naquela noite mesmo, mas Dale é persistente. Se eu soubesse que ela iria competir esta noite, não teríamos vindo.

- Ela é boa?

- Na sela ou na cama?

- Na sela, é claro.

- Você é mesmo diferente. Sempre esperei sarcasmo de uma mulher e é difícil me acostumar à sinceridade.

-Talvez o problema estivesse na sua escolha de mulheres.

Ele tinha que admitir que Demi não era como as outras. Ela não o atraía apenas fisicamente, sua personalidade também o fascinava.
Aquele fora o melhor rodeio a que Demi jamais assistira. Joe conhecia a maioria dos participantes e das provas, tendo prazer em explicar-lhe tudo o que acontecia na arena.

- Olhe só o cavalo! Graças a Deus ele não pertence à Triple N. Eu mesmo já levei um coice daquele animal.

- Mas você disse que não participava mais de rodeios!

- Não com freqüência. De vez em quando, depois de tomar algumas cervejas, é difícil resistir ao velho apelo da arena. Olhe! Lá vem um dos nossos animais! É Rocky Road! Ele é bravio e duvido que o vaqueiro vá conseguir ficar sobre a sela por mais do que alguns segundos.

- Oh, pobre homem! - Demi falou. - Lá vai ele para o chão.

- Neste esporte a gente paga e corre os riscos. Os vencedores fazem parte de uma minoria.

- Pode ser, porém eu sinto pena dos perdedores.

- Eu também, se você quer saber.

O próximo concorrente conseguiu manter-se na sela e Demi julgou que ele havia se saído bem, entretanto suas notas foram baixas.

- Mas ele não foi atirado no chão! - ela protestou.

- O cavalo não saltou o suficiente, querida. É preciso que o animal esperneie e que o vaqueiro mantenha uma mão no ar durante o tempo todo. A permanência sobre a sela tem importância relativa.

- É tão complicado!

- Se você assistir a mais alguns rodeios, logo poderá entender melhor os critérios usados pelos juízes.

Ela não conseguia se lembrar de já ter se sentido tão feliz ou tão cheia de vida; especialmente depois de Joe pegar na sua mão e mantê-la apertada nas suas.
Dale participou da última prova e Demi reparou que Joe não prestava a mínima atenção, como se a mulher na arena fosse uma desconhecida qualquer. E ao vê-la vencer ele sequer aplaudiu. Entretanto, ela era tão jovem e bela, tão cheia de alegria! Demi sentiu uma pontinha de inveja de tanta exuberância. Talvez fosse esse o tipo de mulher capaz de atrair o homem ao seu lado: nova, agressiva, sequiosa de intimidade e livre das amarras impostas por uma educação severa.
Ela sentiu-se triste de repente. Estivera sonhando acordada, imaginando que seria capaz de conquistar um homem como Joe. Ele gostava de beijá-la e de acariciá-la, porém não hesitaria em deixá-la, assim como fizera com as outras.
O pensamento a deprimia profundamente, embora Joe parecesse nada perceber.
Contudo, encontrar-se com Dale o havia deixado bastante perturbado. Ele mal se lembrava da noite que haviam passado juntos e sentia-se envergonhado do seu comportamento. O Joe de poucos meses atrás não teria escrúpulos em fazer amor com uma mulher bonita que demonstrasse vontade, mas desde que começara a sair com Demi passara a ter uma visão diferente das coisas. Seus sentimentos estavam confusos e às vezes sentia uma culpa em relação a ela que não sabia explicar. Demi parecia ver apenas o lado bom das pessoas e das coisas, como se não reconhecesse a existência do mal.
Ela era compreensiva, delicada, de uma sensualidade misteriosa e reservada. Era estranha a timidez com que havia reagido às suas carícias mais íntimas. Talvez ela houvesse dormido com o tipo errado de homem.
Ao imaginá-la na cama, Joe sentiu o coração disparar, o corpo vibrar de excitação. Dormir com Demi seria como possuir uma virgem.
Quando a festa terminou eles puseram-se a caminho do estacionamento, porém foram abordados por Dale mais uma vez.

- Você não vai me dar os parabéns? - ela perguntou com um sorriso sedutor.

- Claro. Parabéns - ele respondeu colocando um braço ao redor dos ombros de Demi e puxando-a para si. - Nós dois achamos que você foi ótima. Não é mesmo, querida?

- Sim, você foi muito bem - Demi falou com delicadeza, esforçando-se para sorrir.

Dale sentiu-se desconfortável com a suavidade de Demi. Ela não sabia como reagir à falta de hostilidade feminina.

- Obrigada. Vocês pretendem ir ao baile?

- Talvez - Joe respondeu.

- Você não vai me apresentar à sua amiga? - Dale insistiu.

- Esta é Demetria Lovato. Uma grande amiga de Winnie.

- Prazer em conhecê-la. Eu sou Dale Branigan. Você vai ficar por aqui muito tempo?

- Apenas uma semana ou um pouco mais.

Ela odiava ter que pensar em partir, porém não podia se impor aos Manley por muito tempo. Precisava voltar ao Arizona e enfrentar a realidade que a aguardava.
Joe ficou tenso. Até este momento havia tentado não pensar na partida de Demi, pois não queria encarar o fato de que ela iria embora.
Seus olhares se encontraram naquele instante e foi como se uma corrente elétrica atravessasse o ar: A atração entre ambos era tão palpável que Dale murmurou uma desculpa qualquer e se afastou, sem que qualquer um dos dois percebesse.

- Você quer ir ao baile comigo? - ele perguntou com a voz rouca, o corpo rígido de desejo. – Isso significaria ir para casa muito, muito tarde.

- Sim - ela respondeu sem hesitar.

Demi não queria ir para casa ainda, não queria dizer adeus. Tudo o que desejava era estar entre aqueles braços fortes. Estava apaixonada demais para se importar com as conseqüências.
Joe partilhava os mesmos sentimentos e estava decidido a ir até o fim.

- Está bem - ele murmurou - Para o inferno com as conseqüências. Vamos!

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Olááááááá ♥ td bem? eu vou bem, obg... estou mt atarefada, sos hsafdhdf Estão gostando? Comentem! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥