3.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 6

 

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Joe estava surpreso com a intensidade da atração que sentia por Demi. Ele havia planejado esperar alguns dias antes de procurá-la outra vez, pois queria fazê-la sentir a sua falta. Entretanto, por mais que tentasse não conseguia tirá-la da cabeça e daí a dois dias a saudade era, incontrolável.
Incapaz de resistir por mais tempo, ele pegou o jipe e se dirigiu à residência dos Manley. Demi estava cuidando do jardim e parecia encantadora em seu short e miniblusa cor-de-rosa.

- Então Winnie pôs você para trabalhar? - Joe falou aproximando-se com um sorriso.

- Oi! - ela murmurou enrubescendo ao notar que ele a examinava da cabeça aos pés.

- Belas pernas as suas.

- Obrigada. Você está procurando pela sra. Manley ou por Winnie? Elas tiveram que ir ao centro da cidade...

- Eu vim apenas para vê-la, doçura. E mal posso acreditar na minha sorte ao encontrá-la aqui, sozinha.

- É mesmo?

Joe a puxou para junto de si, aninhando-a de encontro ao peito, beijando-a com ternura e paixão. Demi correspondeu com todo o seu ser, entregando-se às sensações que a atordoavam.

- Hum... sobremesa antes do almoço - ele murmurou. - Você tem um gosto adocicado. 

- É que eu acabei de comer uma fatia de rocambole.

- Não foi exatamente isso o que eu quis dizer. Será que poderíamos ir a Hardin amanhã? Sairíamos por volta das nove horas.

- Oh, claro!

- Ótimo. Está combinado então. É melhor que você use calça jeans e botas, pois o terreno da reserva é bastante acidentado, além da possibilidade de depararmos com algumas cobras.

- Farei isso - Demi respondeu com um sorriso luminoso.

- O que você está plantando aqui?

- Flores. Detesto ficar a toa e me ofereci para fazer o serviço. Gosto de trabalhar.

Joe pensou nas mulheres com quem costumava sair. Todas gostavam apenas de se embonecar e nenhuma delas parecia o tipo de se entreter com jardinagem. Sua mãe fora uma jardineira entusiasmada, porém ela era alguém especial... assim como Demi. 

- Você possui um jardim na sua casa?

- Sim - Demi respondeu com tristeza. - Eu tinha um canteiro onde plantava vegetais. Mas agora ele... está arruinado.

- Sinto muito. Não creio que a mãe de Winnie plante legumes.

- Não, ela aprecia flores.

Demi ficou em silêncio por alguns segundos apreciando a figura do homem à sua frente. Joe era intensamente viril, e suas roupas no estilo western acentuavam ainda mais a beleza máscula.

- Você parece um modelo. E muitas mulheres já devem ter lhe dito o quanto é bonito.

Joe sorriu antes de responder com um ar divertido:

- Sua espertinha! Acertou no meu ponto fraco.

- Você podia ter me telefonado. Isso é, não precisava ter se dado ao trabalho de vir até aqui apenas para combinarmos a nossa ida a Hardin.

- Eu sei. O caso é que eu queria vê-la. É melhor eu ir andando agora. Tenho trabalho a fazer. Pego você  amanhã, às nove.

- OK.

Joe afastou-se e deu partida no jipe sem olhar para trás. Demi sentia-se um pouco incomodada com esta atitude que lhe parecia típica de um homem capaz de abandonar uma mulher sem pensar duas vezes, um homem que não queria comprometer-se.
Mas talvez ela tivesse sorte e conseguisse prendê-lo junto a si. Talvez Joe pudesse vir a amá-la algum dia. Afinal, muitas vezes, a atração sexual é o começo de um grande amor. Mas não, o melhor seria não alimentar falsas esperanças e ver as coisas de uma maneira realista. O fato dele ter vindo procurá-la pessoalmente não significava que ela fosse alguém especial. Talvez tanta gentileza não passasse de uma tática de sedução. Entretanto, fossem quais fossem os planos de Joe, ela não conseguiria resistir-lhe, mesmo se quisesse.
No dia seguinte Demi aprontou-se com entusiasmo e à hora combinada Joe chegou. Ele vestia calça jeans, botas, camisa xadrez e chapéu de abas largas, o que acentuava ainda mais a sua beleza viril.

- Achei que você iria se esquecer de usar chapéu, por isso trouxe-lhe um - ele falou tão logo entraram no jipe.

- Obrigada pela atenção...


- Tenho que tomar conta da minha garota preferida.

Joe nunca havia encontrado alguém como Demi. Ela não era exigente, petulante ou dada a amuos. Estava sempre de bom humor e o seu sorriso iluminava o dia como um raio de sol.

- Você sentiu saudades minhas? - ele perguntou com suavidade.

- Oh, sim, muitas.

- O mesmo aconteceu comigo, raio-de-sol. Você tem sido um bom remédio.

- Remédio?

- Nem todos os medicamentos são para o corpo; alguns curam a alma. Nesta parte do mundo, tempos atrás, os índios costumavam fazer uso de certos "remédios" antes da batalha com a finalidade de proteger seus corpos e ajudar seus espíritos a encontrar o caminho da vida depois da morte. Havia remédios para o bem e para o mal, ambos igualmente potentes. Eles costumavam usar talismãs, que julgavam capazes de protegê-los dos inimigos.

- Eu acho este assunto muito interessante. Obrigada por estar me trazendo a Hardin. Eu sempre quis conhecer o famoso campo de batalha.

- O prazer é meu. Não creio que você ficará desapontada.

E Demi não ficou. Havia um museu a ser visitado e passeios pelos arredores com a companhia de guias especializados. Ela observou que Joe evitava os grupo de turistas barulhentos enquanto se dirigiam ao enorme monumento onde estavam gravados os nomes de todos os soldados mortos na batalha que ali fora travada anos e anos atrás.

- Nós estamos na terra que um dia pertenceu aos Crow - ele explicou-lhe apontando para um pequeno riacho que cortava a ravina. - Um pouco além daquelas árvores, quando se travou a batalha final, ficaram acampados um bando de Cheyenne e várias tribos dos índios Siouxs: os Blackfoot, Sans Arc, Brule e os Minneconjo. Eram milhares de índios e foi aqui que Custer tombou, juntamente com o irmão, o cunhado e o sobrinho. Ele levou tiros no peito e numa das têmporas.

- Certa vez eu li que ele havia se suicidado.

- É pouco provável. Se você ler o livro que Custer escreveu, “Minha Vida Nas Planícies”, poderá perceber que ele não era um tipo suicida. Um dos seus biógrafos afirma que Custer foi morto aqui, com uma bala no coração e outra na têmpora esquerda. Os índios tinham o costume de atirar nos seus inimigos muito de perto, para ter certeza de tê-los matado. Se foi Custer quem realmente morreu na ravina, isso explica o fato dos soldados terem perdido o ímpeto, agarra, entregando-se ao desespero por verem-se sem seu comandante. Os homens eram jovens demais, inexperientes, e poucos haviam visto um índio sequer antes daquela batalha.

- Acho que deve ter sido algo aterrador.

- E você não sabe nem da metade, doçura. Todos os índios tinham os rostos e os corpos pintados para a guerra e atacavam com uma fúria selvagem, algo capaz de assustar uma companhia formada basicamente por rapazes que mal haviam deixado a infância.

- Você mencionou apenas os Sioux e os Cheyenne. Os Crow não lutaram?

- Embora esta terra pertencesse aos Crow, eles se aliaram aos soldados pois perceberam que a derrota dos índios viria, mais cedo ou mais tarde. Os Sioux e os Cheyenne eram inimigos dos Crow, antes mesmo da chegada dos homens brancos. Mas posso entender por que todas aquelas tribos lutaram com bravura na defesa desta terra, para mantê-la intocada pela civilização. Esta era uma terra de Deus.

- Sim, tudo aqui é lindo.

- Você gostaria de dar uma volta pela ravina?

- Será que, poderíamos?

- Claro! Há uma trilha. Mas a partir de agora é melhor ficar atenta por causa das cobras.

Joe conduziu-a pela ravina, agora tomada pelas sepulturas dos homens mortos na batalha histórica. Ele parecia conhecer todos os nomes e parou por alguns segundos diante de uma cruz.

- Meu tataravô - ele falou sorrindo. - Está surpresa? Bem, agora você entende por que eu sei tanto sobre aquela batalha. A minha tataravó mantinha um diário que agora pertence a mim. A última anotação que ela fez corresponde à noite que antecedeu o ataque da 7ª Cavalaria. É provável que ele também tivesse um diário, mas as mulheres índias vasculharam o campo após a batalha e pegaram tudo o que lhes pudesse ter alguma utilidade: relógios, pistolas, roupas, selas, botas. Os índios arrancavam as solas das botas e usavam o couro para outros fins.

- Fale-me sobre o seu tataravô.

Joe contou-lhe a história em detalhes, dizendo também que há pouco mais de um ano uma equipe de arqueólogos havia passado algum tempo na área à procura de artefatos que pudessem ter ficado enterrados no chão. Um grupo de voluntários ajudara na busca, e Joe fora um deles.
Depois do passeio eles, resolveram almoçar no restaurante local e visitar a loja de
souvenirs.
Demi estava encantada com a criatividade dos trabalhos expostos e Joe insistiu em comprar-lhe um par de brincos feitos pelos índios da reserva.

- Você sabia que era possível saber a qual tribo um índio pertencia apenas pelo corte de cabelos e pelos brincos que usava? - Joe perguntou-lhe tão logo tomaram o caminho de volta.

- É tudo fascinante! Nunca pensei que pudéssemos partilhar esse mesmo interesse. A contribuição dada pelos índios à nossa História é algo inegável.

Joe não cabia em si de contentamento. Nenhuma de suas antigas namoradas jamais mostrara qualquer entusiasmo ao ouvi-lo falar da famosa batalha e da sua influência nos rumos tomados pelo país. Demi não apenas  o  ouvira  com  atenção,  como  também  demonstrara  conhecimentos  profundos  sobre  a  cultura indígena, especialmente a respeito dos Mayan.

- Você conhece o assunto tão bem quanto eu. Onde aprendeu tudo isso?

- Eu leio muito e mantenho os ouvidos bem abertos a quaisquer informações. O passeio foi ótimo, Joe. Obrigada, eu me diverti demais.

- Eu também. Acho melhor nos despedirmos aqui - ele falou estacionando o jipe. - A sra. Manley e Winnie podem ficar chocadas com os nossos beijos.

Ele buscou os lábios de Demi com avidez, o corpo ficando rígido de desejo no mesmo instante.

- Você me deixa em fogo... Pare de usar sutiã, ele está sempre me atrapalhando
.
Ela tentou dizer alguma coisa mas foi impedida por um novo beijo, demorado e exigente. Joe desabotoou lhe a blusa e o sutiã, expondo os seios intumescidos e firmes aos seus olhos ávidos.

- Você é macia como seda e tão perfeita quanto eu a imaginava.

Num movimento instintivo ela arqueou as costas oferecendo-lhe os mamilos eretos, sequiosa por sentir os lábios dele na sua pele nua.
Joe estava a ponto de tocá-la quando percebeu a cortina se afastar numa das janelas da casa.

- Não posso beijá-la agora - ele falou baixinho. - Parece que temos uma audiência.

- Oh...

- Nós nos daremos bem na cama. Você sabe disso, não é mesmo?

- Sim... - Demi murmurou pensando que devia contar-lhe a verdade enquanto ainda havia tempo. Porém não tinha coragem.

- Não vou apressá-la, mas eu não esperarei muito mais. É melhor você entrar, pois seu anjo da guarda a está esperando. Ela não vai desistir de vigiá-la?

- Winnie está relaxando um pouco. Afinal vai casar logo.

- É, eu sei. Isso é algo que nunca acontecerá comigo. Você sabe disso, não é? Gosto da sua companhia e acho que nos completamos fisicamente. Mas não vou mentir, prometendo-lhe um futuro juntos. Sou um solteirão convicto.

- Sim, eu sei.

Casamento estava definitivamente fora dos seus planos, portanto não valia a pena alimentar falsas esperanças. Seu passado já era algo que o atormentava o suficiente e além do mais não pretendia ter filhos, pois não queria passar a herança genética que recebera do pai.

- Venho apanhá-la amanhã à noite para irmos ao rodeio. Eu sei que havia lhe dito que iríamos na semana que vem, porém não quero esperar muito. E você?

- Eu também não.

- Estarei aqui às seis. Boa noite, coisa linda.


- Boa noite. Obrigada pelo passeio e pelos brincos.

- Eles combinam com você. Até amanhã.

Mais uma vez Joe foi embora sem olhar para trás, deixando-a de pé na varanda, apaixonada e confusa.
Demi entrou em casa no momento em que Winnie estava pondo o jantar na mesa.

- E então, você se divertiu?

- Muito. Joe conhece a fundo a história dos índios desta região.

- É verdade. Ele não a aborreceu? Marie diz que está cansada de ouvi-lo falar neste assunto.

- Mas eu adorei ouvi-lo! Achei tudo fascinante.

- Puxa, eu não sabia deste seu interesse. Agora venha jantar.

Ao deitar-se naquela noite, Demi ficou pensando no que devia fazer. O melhor seria contar a verdade a Joe.
A única coisa que a impedia de fazê-lo era o medo de não vê-lo nunca mais.
No dia seguinte, Demi já estava pronta duas horas antes do combinado. Ela havia se arrumado com capricho, escolhendo uma saia rodada azul clara e uma camisa do mesmo tom. Para completar, um suéter cor-de-rosa jogado sobre os ombros, uma vez que costumava esfriar à noite. Os cabelos foram presos num rabo de cavalo, dando-lhe um aspecto suave e juvenil.
A sra. Manley havia saído para um chá de bebê e Winnie tinha ido se encontrar com Dwight. Ela saíra sem dizer uma palavra de censura, pois parecia ter compreendido que a amiga estava apaixonada de verdade, e portanto não havia mais nada a fazer.
Joe chegou exatamente na hora que haviam combinado. Ele usava calça jeans preta, botas também pretas e camisa azul clara. O magnetismo que emanava daquela figura máscula era algo difícil de resistir e  Demi sentiu o coração disparar. 
Joe a fitou com possessividade, apreciando a beleza da mulher à sua frente. Olhar para Demi lhe dava prazer, estar em sua companhia lhe proporcionava paz. Precisava tomar uma atitude a esse respeito o quanto antes, pois não podia deixar se envolver como um adolescente apaixonado. O melhor seria levá-la para a cama tão logo quanto possível.
Quem sabe conseguiria voltar ao normal depois de possuí-la?
Era estranho, mas desde que conhecera Demi deixara de se preocupar com o fato de ser adotivo e com as mudanças que haviam ocorrido em sua vida. Ela lhe trouxera uma tranqüilidade que julgara impossível vir a sentir outra vez. Ao lado dela sentia-se capaz de vencer qualquer obstáculo, superar qualquer dificuldade. E esses sentimentos novos o perturbavam demais.

- Gosto da sua camisa e da saia também. Mas será que ela não vai cair sem um cinto?

- Eu perdi muito peso nas últimas semanas e não consegui achar o meu cinto.

O cinto, assim como a maior parte dos seus pertences, ainda estava na América Central. As lembranças amargas toldaram a alegria dos olhos de Demi por alguns segundos. Ser vista em público poderia lhe trazer problemas, caso se encontrasse com algum jornalista. Porém não queria pensar nesta possiblidade. O melhor seria não se preocupar e tentar se divertir.

- Onde está Winnie? - Joe perguntou olhando ao redor.

- Ela saiu com Dwight, você não sabia?

- Dwight não tem me posto a par da sua vida social nestes últimos tempos - ele falou com um sorriso irônico.

- Seu irmão poderia fazê-lo, se você não fizesse questão de dificultar a convivência entre ambos.

Joe teria esmurrado qualquer homem que ousasse fazer um comentário deste tipo, porém a maneira de Demi falar não o ofendia em absoluto. Tentando descontrair o ambiente depois do que acabara de ouvir, ele perguntou de repente:

- Você está de pé sobre algum buraco ou encolheu de ontem para hoje?

- Só estou usando tênis.

- Tênis? Estas coisinhas minúsculas nos seus pés delicados?

- Ninguém poderia descrever os seus pés dessa maneira.

- E a sra. Manley? Saiu também?

- Foi a um chá de bebê.

- É melhor irmos agora.

- Sim - Demi respondeu olhando-o com adoração.

Com movimentos lentos Joe a puxou para junto de si, estreitando-a num abraço cheio de delicadeza.
 Quando seus lábios se encontraram ela suspirou de prazer e se entregou às emoções.
Joe não conseguia pensar em mais nada. O ardor com que Demi correspondia ao seu beijo o estava deixando louco. Com dificuldade ele conseguiu parar de beijá-la e se afastou, tentando recuperar o controle.

- Talvez fosse melhor irmos para o rodeio já, enquanto ainda conseguimos nos controlar.

- Sim, você tem razão - Demi murmurou sem conseguir esconder o tremor da voz.

Eles caminharam até o jipe em silêncio, tentando aparentar naturalidade.

- Se você ficar por aqui mais algum tempo vou comprar um carro.

- Eu gosto do jipe e ele é indicado para seu trabalho na fazenda.

- É verdade - Joe respondeu fitando-a com curiosidade. Ela era uma mulher capaz de dizer-lhe as coisas mais inesperadas e dava-lhe a impressão de estar envolvida num mistério. O melhor seria não vê-la nunca mais, entretanto não conseguia ter forças para afastar-se. Fossem quais fossem as consequências precisava possuí-la pelo menos uma vez. No seu íntimo tinha certeza de que fazer amor com ela seria uma experiência única, diferente de tudo o que já havia experimentado. Ele a desejava com loucura e era tarde demais para voltar atrás.

- Você se importa se eu fumar? - ele perguntou ligando o motor do carro.

- Não. 

- Estou tentando parar, mas às vezes fico exasperado com certas coisas.

- Com o que, por exemplo?

- Com a vida, Demi.

- Eu sei que está sendo difícil para você. Porém o mais importante é seguir em frente. Nada dura para sempre. Nem mesmo a dor.

- Não aposte nisso.

- Talvez tudo ainda esteja muito recente. Afinal não se pode reconstruir a vida do dia para a noite. E tenho a impressão de que você não é um homem que saiba esperar pelas coisas com facilidade.

-Não, não sou mesmo - Joe admitiu sorrindo. - Mas não tenho muita escolha neste caso. E você, Demi? Você é uma mulher impaciente ou sabe esperar pelo o que quer?

- Sempre me ensinaram que a paciência está entre as maiores virtudes. Porém muitas vezes é difícil resistir à tentação de forçar os acontecimentos. Por outro lado, saber aceitar os fatos também não é muito  fácil.

- Todos nós somos humanos, não é mesmo? E há momentos em que nos sentimos incapazes de controlar o próprio destino.

- Pelo seu jeito de falar tenho a impressão de que você não costuma ir à igreja - Demi falou com suavidade.

- É verdade. Com o passar dos anos deixei de acreditar num Deus capaz de permitir que as pessoas sejam atormentadas.

- Ele não o faz. Nós é que atormentamos a nós mesmos. Ele nos ajuda, se o pedimos, porém cada um é responsável pelo próprio destino. Temos sempre escolhas a fazer, e as fazemos. A vida se encarrega do resto.

- E onde Deus entra nisto tudo?

- Ele nos deu liberdade de escolha - Demi respondeu com um sorriso. - Se fosse de outra maneira, Eva jamais teria dado aquela maçã suculenta para que Adão mordesse.

- Verdade? - Joe falou, rindo com gosto.

- Além do mais, há outras forças que movem o mundo, praticando o bem e o mal. Às vezes é difícil vencer as trevas, porém isso não significa que devemos desistir de tentar. É nos momentos duros que precisamos trabalhar com mais afinco.

- Você me faz pensar num padre que conheci anos atrás. Eu até que gostava de ouvi-lo falar.

- Por que você parou de ir à igreja?

- Eu não sei. Talvez porque não visse resultados práticos na minha vida. Freqüentar a igreja não resolvia os meus problemas.

- Ir à igreja não resolve os problemas de ninguém, apenas ajuda-nos a lidar com eles. A religião não torna as pessoas imunes ao sofrimento ou aos momentos difíceis.

- Foi isso o que eu descobri. Eu costumava esperar milagres.

- Mas os milagres estão à nossa volta. Eles acontecem todos os dias.

- Será?

- Oh, sim - ela respondeu com convicção.

Como gostaria de contar-lhe que estava viva por causa de um milagre, que a mão de Deus a havia socorrido no último instante.
Depois de alguns minutos de silêncio, Demi perguntou:

- Nós não vamos atravessar o Shoshone Canyon desta vez?

- Não. Vamos na direção noroeste, direto para Cody, sem passar pelo túnel. Você já esteve num rodeio antes?

- Uma ou duas vezes, no Arizona. É um esporte muito perigoso, não é?

- Mais do que um vaqueiro já perdeu a vida numa arena. É preciso apenas um segundo de descuido, um lapso na concentração para ser chifrado por um touro, pisoteado por um cavalo ou atirado para longe com violência... Não é um jogo para cowboys de asfalto.

- E eles costumam aparecer por aqui?

- Num dos rodeios do ano passado veio um rapaz da cidade disposto a se exibir. Ele se considerava o máximo, alguém acostumado a montar touros mecânicos e portanto pronto para enfrentar um animal de verdade. O infeliz montou Old Scratch, um touro feroz que em setenta e oito tentativas nunca fora dominado por um vaqueiro.

- O que aconteceu?

- Dois segundos depois de montar, ele já havia sido atirado no chão, quebrando uma costela e a clavícula. Pelo que eu soube mais tarde, o rapaz decidiu abandonar a arena e se dedicar à antiga profissão: vendedor de sapatos numa loja de departamentos.

- Oh, pobre homem!

- Pobre homem o quê! Quem não tem competência não deve se habilitar. Não se trata de um esporte para amadores.

- Você monta em rodeios?

- Você me considera velho demais para isso, doçura?

- Não - Demi respondeu sorrindo. - É apenas curiosidade. Imagino que os seus afazeres na fazenda tomem quase todo o seu tempo.

- Costumava ser assim, até que Dwight se apossou da administração.

- Dwight não me parece o tipo que tenha sede de poder. Estou certa de que ele se sente tão pouco à vontade quanto você com o novo arranjo das coisas.

- Ele herdou a parte administrativa da fazenda, o que odeia fazer, e eu estou às voltas com o gado, o que também odeio. Não que o trabalho físico me incomode, entenda bem. Só que enquanto eu cuido do controle dos animais, ele está prestes a cometer um suicídio financeiro.

- Por que vocês não discutem o assunto?

- Lá está Cody! - Joe desconversou.

Ele estacionou o jipe e ajudou-a a descer, pensando que há tempos não se abria tanto com alguém.

- Por que você não costuma falar muito sobre si mesma?

- Eu não poderia conhecer outras pessoas se passasse o tempo inteiro falando de mim.

- Vou descobrir tudo a seu respeito, garotinha. Você não perde por esperar - ele falou com um ar brincalhão.

- Estou morrendo de medo!

- Olá, Joe! Que surpresa agradável!

- Oi, Dale - ele respondeu secamente.

- Faz tempo que não o vejo. Por que você não me procurou?

- Se eu tivesse algo a dizer-lhe teria lhe procurado.

Dale se encostara em Joe, tomando ares possessivos, enquanto olhava para Demi com desdém: - É ela o motivo da sua ausência? Não se pode dizer que se trata de uma bela mulher.

- Desapareça. Agora! - Joe falou num tom ameaçador.

- Você não foi tão frio assim, numa certa ocasião.

- Eu tampouco estava sóbrio, lembra-se?

Incapaz de pensar numa resposta e percebendo que estavam atraindo a atenção, Dale se afastou perdendo-se na multidão.

- Eu sinto muito por este encontro desagradável - ele murmurou ao perceber o desconforto e a mágoa de Demi.

- É uma mulher muito bonita.

- Sim. Eu estava bêbado e ela estava querendo. Pensei que tudo acabaria naquela noite mesmo, mas Dale é persistente. Se eu soubesse que ela iria competir esta noite, não teríamos vindo.

- Ela é boa?

- Na sela ou na cama?

- Na sela, é claro.

- Você é mesmo diferente. Sempre esperei sarcasmo de uma mulher e é difícil me acostumar à sinceridade.

-Talvez o problema estivesse na sua escolha de mulheres.

Ele tinha que admitir que Demi não era como as outras. Ela não o atraía apenas fisicamente, sua personalidade também o fascinava.
Aquele fora o melhor rodeio a que Demi jamais assistira. Joe conhecia a maioria dos participantes e das provas, tendo prazer em explicar-lhe tudo o que acontecia na arena.

- Olhe só o cavalo! Graças a Deus ele não pertence à Triple N. Eu mesmo já levei um coice daquele animal.

- Mas você disse que não participava mais de rodeios!

- Não com freqüência. De vez em quando, depois de tomar algumas cervejas, é difícil resistir ao velho apelo da arena. Olhe! Lá vem um dos nossos animais! É Rocky Road! Ele é bravio e duvido que o vaqueiro vá conseguir ficar sobre a sela por mais do que alguns segundos.

- Oh, pobre homem! - Demi falou. - Lá vai ele para o chão.

- Neste esporte a gente paga e corre os riscos. Os vencedores fazem parte de uma minoria.

- Pode ser, porém eu sinto pena dos perdedores.

- Eu também, se você quer saber.

O próximo concorrente conseguiu manter-se na sela e Demi julgou que ele havia se saído bem, entretanto suas notas foram baixas.

- Mas ele não foi atirado no chão! - ela protestou.

- O cavalo não saltou o suficiente, querida. É preciso que o animal esperneie e que o vaqueiro mantenha uma mão no ar durante o tempo todo. A permanência sobre a sela tem importância relativa.

- É tão complicado!

- Se você assistir a mais alguns rodeios, logo poderá entender melhor os critérios usados pelos juízes.

Ela não conseguia se lembrar de já ter se sentido tão feliz ou tão cheia de vida; especialmente depois de Joe pegar na sua mão e mantê-la apertada nas suas.
Dale participou da última prova e Demi reparou que Joe não prestava a mínima atenção, como se a mulher na arena fosse uma desconhecida qualquer. E ao vê-la vencer ele sequer aplaudiu. Entretanto, ela era tão jovem e bela, tão cheia de alegria! Demi sentiu uma pontinha de inveja de tanta exuberância. Talvez fosse esse o tipo de mulher capaz de atrair o homem ao seu lado: nova, agressiva, sequiosa de intimidade e livre das amarras impostas por uma educação severa.
Ela sentiu-se triste de repente. Estivera sonhando acordada, imaginando que seria capaz de conquistar um homem como Joe. Ele gostava de beijá-la e de acariciá-la, porém não hesitaria em deixá-la, assim como fizera com as outras.
O pensamento a deprimia profundamente, embora Joe parecesse nada perceber.
Contudo, encontrar-se com Dale o havia deixado bastante perturbado. Ele mal se lembrava da noite que haviam passado juntos e sentia-se envergonhado do seu comportamento. O Joe de poucos meses atrás não teria escrúpulos em fazer amor com uma mulher bonita que demonstrasse vontade, mas desde que começara a sair com Demi passara a ter uma visão diferente das coisas. Seus sentimentos estavam confusos e às vezes sentia uma culpa em relação a ela que não sabia explicar. Demi parecia ver apenas o lado bom das pessoas e das coisas, como se não reconhecesse a existência do mal.
Ela era compreensiva, delicada, de uma sensualidade misteriosa e reservada. Era estranha a timidez com que havia reagido às suas carícias mais íntimas. Talvez ela houvesse dormido com o tipo errado de homem.
Ao imaginá-la na cama, Joe sentiu o coração disparar, o corpo vibrar de excitação. Dormir com Demi seria como possuir uma virgem.
Quando a festa terminou eles puseram-se a caminho do estacionamento, porém foram abordados por Dale mais uma vez.

- Você não vai me dar os parabéns? - ela perguntou com um sorriso sedutor.

- Claro. Parabéns - ele respondeu colocando um braço ao redor dos ombros de Demi e puxando-a para si. - Nós dois achamos que você foi ótima. Não é mesmo, querida?

- Sim, você foi muito bem - Demi falou com delicadeza, esforçando-se para sorrir.

Dale sentiu-se desconfortável com a suavidade de Demi. Ela não sabia como reagir à falta de hostilidade feminina.

- Obrigada. Vocês pretendem ir ao baile?

- Talvez - Joe respondeu.

- Você não vai me apresentar à sua amiga? - Dale insistiu.

- Esta é Demetria Lovato. Uma grande amiga de Winnie.

- Prazer em conhecê-la. Eu sou Dale Branigan. Você vai ficar por aqui muito tempo?

- Apenas uma semana ou um pouco mais.

Ela odiava ter que pensar em partir, porém não podia se impor aos Manley por muito tempo. Precisava voltar ao Arizona e enfrentar a realidade que a aguardava.
Joe ficou tenso. Até este momento havia tentado não pensar na partida de Demi, pois não queria encarar o fato de que ela iria embora.
Seus olhares se encontraram naquele instante e foi como se uma corrente elétrica atravessasse o ar: A atração entre ambos era tão palpável que Dale murmurou uma desculpa qualquer e se afastou, sem que qualquer um dos dois percebesse.

- Você quer ir ao baile comigo? - ele perguntou com a voz rouca, o corpo rígido de desejo. – Isso significaria ir para casa muito, muito tarde.

- Sim - ela respondeu sem hesitar.

Demi não queria ir para casa ainda, não queria dizer adeus. Tudo o que desejava era estar entre aqueles braços fortes. Estava apaixonada demais para se importar com as conseqüências.
Joe partilhava os mesmos sentimentos e estava decidido a ir até o fim.

- Está bem - ele murmurou - Para o inferno com as conseqüências. Vamos!

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Olááááááá ♥ td bem? eu vou bem, obg... estou mt atarefada, sos hsafdhdf Estão gostando? Comentem! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

2.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 5

 

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Joe e Demi escolheram seus lugares com facilidade, já que o cinema estava quase vazio. Ele esticou as longas pernas sobre o espaldar da poltrona da frente, enquanto ela se distraía com um enorme saco de pipoca.
Muito tempo havia se passado desde que Demi fora ao cinema pela última vez, pois onde estivera trabalhando nos últimos anos não havia sequer um aparelho de televisão.
Demi sabia o quanto estava desatualizada em vários assuntos, principalmente no que dizia respeito a mudanças comportamentais. E a história que se desenrolava na tela servia apenas para enfatizar a sua ignorância, as cenas de sexo fazendo-a corar da cabeça aos pés. Joe estivera com razão, pois embora o enredo girasse em torno de fazendeiros e seus problemas relativos ao gado, a ação transcorria quase sempre nos quartos de dormir. Joe a olhava com curiosidade, surpreso diante de tanta timidez. Qualquer pessoa, nos dias de hoje, que possuísse um televisor não ficaria chocada ao assistir determinadas cenas. Talvez Demi  se sentisse nervosa por estar na sua companhia, já que pouco se conheciam. Talvez ela não fosse muito experiente e só tivesse tido um ou dois homens. Estranho como ele podia sentir-se tão perturbado ao imaginá-la nos braços de outro.
Joe pegou uma das mãos de Demi e a levou aos lábios, mordiscando as pontas dos dedos com sensualidade, fazendo-a estremecer de prazer. Ela tentou retirar a mão, assustada com as reações do próprio corpo e chocada com o que se passava agora na tela.
Joe fitou-a, notando o quanto a cena de sexo explícito a deixava desconcertada e não parou para pensar no que tanto embaraço poderia significar.

- É incrível como eles conseguem fazer um filme desses passar pela censura, não é mesmo? - ele falou em voz baixa - Está se sentindo embaraçada?

- Sim.

- Pensei que você havia me dito ser uma mulher moderna.

- E eu pensei que você considerasse o sexo como algo a ser feito, não assistido.

A cena na tela alcançava agora o clímax, o casal tendo um orgasmo alucinado. Joe reparou que Demi estremecia, totalmente envolvida pelo que se passava.
Num movimento inconsciente, ele deslizou a mão dela sobre os músculos da perna, subindo em direção à sua virilidade. Só percebeu o que estava fazendo ao senti-la ficar tensa, e parou no mesmo instante.

- Desculpe-me - Joe falou soltando-lhe a mão. - Acho que o filme acabou me envolvendo.

- Eles não deveriam mostrar cenas como esta.

- Concordo. Não pensei que o filme fosse tão explícito. Como nós dois não estamos gostando, acho melhor irmos embora.

Eles saíram do cinema, ignorando os olhares curiosos com que o resto da audiência os brindava.

- Acho que os casais mais jovens pensam que somos uns tolos por nos sentirmos incomodados com esse tipo de filme, não é mesmo? 

- Sem dúvida, Demi. É que eles pertencem a uma geração diferente; assim como você.

- Mas eu sou apenas nove anos mais nova do que você!

- E isso é quase uma geração. Bem, já que não queremos saber de sexo explícito, que tal um sorvete acompanhado de boa música? Billings é famosa por seus concertos ao ar livre, nas noites de verão.

Demi ficou encantada ao chegarem ao enorme parque da cidade. Embora houvesse várias mesas e cadeiras espalhadas sob árvores frondosas, a maioria das pessoas havia estendido mantas sobre a grama bem cuidada e ali se sentara. A orquestra que ocupava o coreto tocava músicas suaves, enchendo o ar de magia.
Joe sorriu ao perceber o prazer genuíno que Demi estava experimentando.

- Tenho que admitir que este tipo de programa faz muito mais o meu gênero do que filmes ditos eróticos - ele falou com um ar divertido. - Fazer sexo é uma coisa, mas assistir outras pessoas fazendo, ou fingindo que o fazem, não me interessa muito.

- Imagino que você entenda do assunto, considerando a sua reputação - Demi falou enquanto se dirigiam à mesa onde o sorvete estava sendo servido e entravam na fila.
- Você gostaria que eu negasse? O que as pessoas de Pryor dizem sobre mim é verdade, nunca fiz segredo de que aprecio as mulheres. Apenas não tenho sido muito discreto nestes últimos tempos.

Demi sentia-se nervosa. Joe não era um homem com quem se pudesse brincar e a sensualidade que emanava dele era algo cada vez mais envolvente.

- E sobre você? - ele perguntou numa voz rouca. - Quase não fala sobre a sua vida particular.

- Não há muito a ser dito.

- Eu não acredito nisso - Joe retrucou enlaçando-a pela cintura e sentindo-a estremecer. - Que sabor de sorvete você vai querer?

- Baunilha.

- Eu prefiro chocolate.

- Como a maioria dos homens - Demi comentou com um sorriso, lembrando-se das reclamações dos seus pacientes quando faltava esse sabor.

- É algo que você sabe por experiência própria?

- De uma certa maneira, sim.

- E o quão experiente é você?

- Este é um tipo de pergunta que um cavalheiro não deve fazer - ela respondeu tentando levar
a situação na brincadeira.

Depois de servirem-se, eles se acomodaram numa manta cedida por outro casal e Joe se apresentou, dizendo que Demi e ele haviam vindo de Pryor.

- Então vocês vieram para o concerto no parque? - perguntou o rapaz louro e magro.

- Para dizer a verdade, viemos para ir ao cinema, mas saímos antes do filme acabar.

- Nós também não ficamos até o final - interveio a garota ruiva. - Meu pai me mataria se descobrisse que eu fui assistir a um filme daqueles. Então convenci Johnny que o melhor seria sairmos antes do fim, embora ele estivesse gostando muito.

- Tudo faz parte da vida, Gertie. E afinal vamos nos casar em dois meses!

- Johnny! - ela murmurou, ficando vermelha. - Acho melhor ir buscar mais um pouco de sorvete.

- Virgens... - o rapaz falou com um sorriso, admirando a noiva que se afastava.

Aquele sorriso de pura alegria incomodou Joe. Ele nunca, em toda a sua vida, havia namorado uma mulher virgem. E uma parte do seu íntimo invejava o rapaz que estava para se casar com alguém que soubera guardar algo tão precioso para entregar ao homem da sua vida. Johnny nunca teria que se preocupar com os ex-amantes da sua mulher. Ele seria o primeiro, o único.
Joe olhou para Demi imaginando como as coisas seriam entre os dois, caso ela fosse virgem. Seria fascinante ensinar-lhe os segredos do sexo... Será que Demi ficaria chocada ou tudo já não apresentava uma novidade sequer? É claro que as mulheres experientes costumam ser inventivas e desinibidas na cama, o que não deixa de ser um ponto positivo. Entretanto, ter a oportunidade de tocar uma mulher virgem, de fazê-la gemer de prazer devia ser algo muito especial.
Os pensamentos de Joe o estavam deixando incomodado. Com certeza Demi era experiente: o que mais se poderia esperar de uma mulher de vinte e cinco anos? De qualquer modo o relacionamento entre ambos não deveria passar de um caso rápido, já que se interessavam apenas por sexo. Que importância poderia ter o fato dela não ser mais virgem?

- Odeio ter que dizer isso, Demi, mas é hora de irmos embora. Temos um longo caminho pela frente.

- Nós vimos o seu jipe - Johnny comentou. - É um modelo antigo. Temos uma caminhonete ano 1956. É um pouco dura, porém ótima para transitar na fazenda.

- Eu bem o sei - respondeu Joe. - Costumo usar uma caminhonete 1955 para ir atrás do gado. Não há nada de errado em gostar de veículos antigos.

- Você pode apostar que sim! A propósito, vocês dois são casados?

- Não - Joe respondeu parecendo muito à vontade. - Ela jamais aceitaria se eu a pedisse em casamento.

- É uma pena, pois formam um belo casal - interveio Gertie.

- Vocês também - Demi falou com delicadeza. - Felicidades.

- Para vocês também.

Joe se recusava a pensar em casamento; era a última coisa que tinha em mente. Graças a Deus que Demi também levara a pergunta de Johnny na brincadeira. Talvez ela fosse do tipo que não se interessasse em se casar, o que facilitaria bastante o caso entre os dois.

- Foi tudo muito agradável - ela falou parando ao lado do jipe. - Obrigada.

- Poderemos repetir o programa de hoje num outro dia. Estarei muito ocupado no início da semana, mas poderemos combinar algo para sexta-feira. Quem sabe você não gostaria de ir até Cody, para assistir ao rodeio?

- Ótimo! - Demi respondeu sem hesitar. - Eu gostaria muito. - A proximidade dele aatordoava. Embora seus corpos não se tocassem, ela estava a ponto de desfalecer.

Não passava despercebida a Joe a maneira com que Demi reagia à sua presença. Era excitante poder atraí-la tanto assim. Ela o fazia sentir-se especial, como se fosse o primeiro homem a seduzi-la. Sim, ele poderia tê-la no instante que desejasse, mas preferia aguardar mais um pouco até que o desejo fosse insustentável.
Uma das vantagens da experiência era poder reconhecer quando uma mulher estava a ponto de entregar-se.
Ele iria manter-se a distância por um ou dois dias, deixando que a tensão sexual crescesse ainda mais. Todos os seus movimentos seriam calculados e fariam da primeira vez entre ambos uma experiência explosiva, completa.
A volta para Pryor foi muito agradável, embora os dois quase nada dissessem e parecessem entregues aos próprios pensamentos. Mas o silêncio era confortável, cheio de expectativas.
Ao chegarem à casa dos Manley, Demi se surpreendeu ao perceber que já eram três horas da manhã.

Tudo estava às escuras, exceto pela luz da varanda, que continuava acesa.

- Eu a avisei que chegaríamos tarde. Pelo menos Winnie parece não ter ficado preocupada com você.

- Não acredite nisso - Demi respondeu sorrindo. - As luzes da casa podem estar apagadas, mas aposto que Winnie ainda está acordada. Às vezes ela age como se fosse minha mãe.

Joe passou a mão sobre os cabelos sedosos de Demi e perguntou com suavidade:

- E você precisa de proteção?

Ela ficou tensa. A noite inteira tinha sido uma guerra de nervos entre os dois. Joe havia deixado claro que a desejava, entretanto ainda não chegara a beijá-la. E tudo o que ela queria agora era sentir aquela boca sensual cobrir a sua, aplacando a febre que a consumia.

- Não, acho que... não.

Ele notou o quanto Demi estava excitada e sentiu o sangue correr mais rápido nas veias, orgulhoso por ser capaz de despertar reações tão fortes. Ela não procurava disfarçar as emoções, o que era estranho, em se tratando de uma mulher experiente.
Joe acariciou os lábios de Demi com as pontas dos dedos, pressionando-os de uma maneira possessiva e sensual.
Ela prendeu a respiração, lutando para conter os tremores que lhe percorriam o corpo. 

- Você usa pouca maquiagem - ele falou baixinho. - Fico satisfeito. Não gosto de camadas de batom sobre os lábios que pretendo beijar.

Demi estava em fogo. Winnie a havia avisado para ter cuidado com Joe Jonas e ela não havia entendido a extensão do perigo. Ele era envolvente demais e a estava deixando fora de si.
Joe percebeu o quanto a afetava e a abraçou com mais força, dizendo:

- Me beije.

Demi mal podia respirar e enterrou as unhas naquelas costas másculas, tonta de desejo.

- Me morda - Joe falou com a voz rouca. - Gosto de beijos selvagens. Você também?
Ela não sabia realmente como preferia ser beijada ou o que deveria fazer para agradá-lo. Incapaz de pensar com clareza, Demi se aconchegou ainda mais e passou os braços ao redor do pescoço de Joe, sentindo-o estremecer.
O beijo foi ávido e prolongado. Ele não se lembrava de já ter se sentido daquela maneira nos braços de alguma mulher.
Demi respondia com sofreguidão às suas carícias deixando-o a ponto de perder o controle.
Joe a puxou para o colo, sua língua contornando os lábios macios que tinham o poder de embriagá-lo. Ela enrijeceu de súbito e se afastou.

- O que foi? - ele perguntou.

Demi engoliu em seco, sentindo-se desconcertada. Alguma coisa havia mudado no corpo de Joe enquanto eles estavam se beijando. Era algo puramente masculino e fora da sua experiência.
Quando ela tentou sair do seu colo, ele entendeu o motivo de tanta timidez e sorriu com ironia dizendo:

- Então é este o problema? Estamos indo rápido demais, Demetria? De qualquer modo a reação do meu corpo está fora do meu controle.

- Por favor - ela falou num fio de voz, tentando se afastar.

Demi sabia que devia estar dando a impressão de uma virgem ultrajada, mas como poderia agir de outra maneira se lhe faltava experiência?

- Você tem vinte e cinco anos. Já está crescida demais para jogos amorosos infantis.

Ele a pressionou ainda mais de encontro às coxas, deixando-a sentir toda a extensão do seu desejo.
Demi enrubesceu e fechou os olhos, surpresa com as reações do próprio corpo.
Suas têmporas latejavam e tudo o que desejava era ser beijada e acariciada.
Joe se inclinou e sussurrou algo tão erótico e explícito que a deixou imóvel. Como se quisesse enfatizar o que acabara de dizer, ele penetrou aqueles lábios macios com a língua, explorando e sugando o gosto de  Demi lentamente.
Ainda surpresa, ela deixou escapar um gemido. O que Joe estava fazendo era... ultrajante! Rude, sugestivo e... sensual.
Ele continuou a beijá-la enquanto deslizava as mãos sobre os seios entumecidos de Demi. Mesmo por sobre o vestido, o toque de Joe desencadeou uma onda de sensações devastadoras que quase a faziam desfalecer. Ele parecia fascinado pelas reações de Demi. Não era possível que ela conseguisse simular tanta surpresa. Entretanto, como poderia uma mulher experiente não estar acostumada a tal tipo de carícias?
Quando Joe pressionou um dos mamilos eretos, ela não conseguiu sufocar um gemido alto que deixava claro o quanto estava excitada, totalmente sem resistência.

- Sim, isso é muito bom - ele falou com uma leve arrogância ao percebê-la entregue aos seus carinhos. - Você está muito, muito excitada, pequena Demi, e vou lhe dar algo para que não se esqueça de mim até o nosso próximo encontro...

Antes que ela percebesse o que Joe pretendia fazer, ele abaixou-se e colou os lábios sobre o mamilo enrijecido, prendendo-o entre os dentes. Demi o empurrou sentindo-se chocada com tamanha intimidade.

- Meu Deus, você tem  medo que eu  a machuque? Desculpe-me se a assustei.  Você deve estar acostumada com homens mais gentis.

- Sim... estou - ela respondeu num fio de voz.

Demi estava trêmula, todo o corpo ainda sentindo o impacto das emoções que Joe soubera despertar. Nunca em sua vida havia se sentido tão indefesa e estava certa de que não teria sido capaz de resistir àquele homem, mesmo se ele houvesse tentado ir até o fim.

- Eu não sou um amante delicado. Nunca precisei sê-lo, já que o meu tipo de mulher sempre foi capaz de responder ao meu ardor com a mesma intensidade. Sexo para mim sempre foi algo a ser feito com paixão e desatino. Gosto que seja assim. Nunca, até este momento, havia me ocorrido que uma mulher pudesse se sentir intimidada com certas carícias.

- Eu sinto muito - Demi murmurou. - Eu não sabia muito bem o que devia esperar.

Por que, em nome de Deus, ele estava se sentindo culpado?

- Da próxima vez eu serei menos agressivo e muito mais gentil. A última coisa que desejo é assustá-la.

Demi fitou-o cheia de encantamento. Por instantes tivera a impressão de que ele se sentira tão perturbado quanto ela diante dos sentimentos que parecia uni-los. Como gostaria de poder admitir a sua ingenuidade e saber-se compreendida. Entretanto, se ele a soubesse virgem, tudo estaria acabado antes mesmo de começar.

- Eu não estava com medo - Demi respondeu tentando demonstrar uma segurança que estava longe de sentir.

Joe tocou-lhe os lábios de leve com as pontas dos dedos, inebriando-se no prazer de tê-la entre os braços.
Ela precisava de ternura e delicadeza, era uma mulher muito diferente das que estava acostumado. Quisera não ter dito aquelas palavras fortes quando haviam começado a se beijar.

- O que há agora? - Demi perguntou ao notar a expressão preocupada do rosto dele.

- Poucos minutos atrás eu lhe disse algo muito indelicado. Desculpe-me. Creio que me esqueci que por ser experiente uma mulher não precisa deixar de ser uma dama e deve ser atada como tal. Da próxima vez que nos acariciarmos, será diferente.

Joe abriu a porta do jipe e a acompanhou até a varanda.

- Ainda bem que Winnie não está acordada - ele comentou ao perceber que o vestido dela tinha uma mancha úmida sobre um dos seios, exatamente no lugar onde ele havia colado a boca. - Mas não se preocupe, ninguém vai vê-la. Da próxima vez não haverá vestido para me atrapalhar e tocarei a sua pele nua.

Ele a beijou ao se despedirem, sentindo o corpo ficar rígido de desejo outra vez.

- Deus, como você me excita! Acho melhor ir embora já, antes que eu cometa alguma loucura. Vou lhe telefonar daqui a uns dois dias e então combinaremos nossa ida a Hardin. A propósito, você pode dizer ao seu anjo-da-guarda que não vou trazê-la de volta tão tarde na próxima vez que sairmos juntos.

- Farei isso. Bem, boa noite. Gostei muito do jantar e do concerto.

- E do filme, não? - ele perguntou sorrindo diante do embaraço dela. - Não tem importância. Talvez eu esteja ficando velho demais para me entregar a paixões descuidadas. Eu serei gentil com você, tenho experiência suficiente para lhe dar muito prazer. E quando o momento chegar, eu a farei conhecer o paraíso. É uma promessa. 

Antes que Demi pudesse pensar em algo para dizer, Joe já havia se afastado. As emoções que ele a fizera sentir eram aterradoras. Nunca havia se sentido tão vulnerável, tão pronta a entregar-se. Só não queria pensar no que faria da vida quando fosse embora de Pryor e o perdesse para sempre.
Joe ligou o motor do jipe e foi embora sem olhar para trás, embora soubesse que Demi ainda estava na varanda. Sentia-se confuso, tomado por sentimentos novos e poderosos. Seu plano de sedução estava indo muito bem, entretanto sua consciência começava a incomodá-lo.
Demi entrou em casa temerosa de que Winnie ainda estivesse acordada e pudesse notar a mancha em seu vestido. Ao ver um agasalho sobre a cadeira, ela imediatamente o vestiu, o que foi a sua sorte.

- Já era hora de você chegar - Winnie falou cheia de preocupação. - Onde vocês estiveram?

Demi falou sobre o jantar, o concerto no parque, o sorvete, tentando parecer alegre e jovial.

- Então foi apenas isso. Desculpe-me, sei que estou exagerando. Porém Joe é tão envolvente, tão másculo...

- É mesmo?

- Acho melhor lhe contar. Eu saí com Joe antes de conhecer Dwight. Nossos encontros foram inocentes, não chegamos a dormir juntos. Entretanto, eu teria ido para a cama com ele se tivesse tido oportunidade. Felizmente me apaixonei por Dwight e tudo acabou bem. É por isso que me preocupo com você. Joe toma o que quer e não dá nada em troca. Você está brincando com fogo. Eu poderia sobreviver a uma desilusão, mas você é muito inocente, Demi, e não sei como reagiria se fosse seduzida e abandonada.

- Eu também não sei se suportaria... Ele é tão viril.

- Não fique assim - Winnie falou com delicadeza. - Eu posso entender muito bem. É difícil resistir a um homem como ele. Não se culpe por ser humana, mas encontrar-se com Joe é ir atrás de problemas.

- Eu sei. Acho que estou... me apaixonando.

- Ele não tem culpa de ser tão atraente. Porém não é um homem que saiba amar ou que queira se envolver num relacionamento duradouro.

- Há sempre uma esperança.

- E você já está envolvida demais para aceitar conselhos, não é? - Winnie abraçou a amiga com carinho. - Tente não perder a cabeça, Demi.

- Farei isso. Complicação é a última coisa que eu preciso.

- Pelo menos você sabe as precauções que devem ser tomadas para evitar uma gravidez. OK, chega de sermão, é hora de irmos para a cama. Ele vai voltar a procurá-la?

- Sim, no meio da semana. Estamos planejando ir ao rodeio em Cody.

Embora preocupada, Winnie não disse mais nada e foi deitar-se. Demi vestiu a camisola pensando nos momentos de intimidade que acabara de partilhar com Joe. Quisera ter sido capaz de admitir a sua inocência, pois tinha horror a mentiras. Entretanto, fingira ser o que não era por puro medo de perdê-lo. Ele havia deixado bem claro que não gostava de mulheres inexperientes e ela não quisera desapontá-lo. 
Estava apaixonada e só queria uma oportunidade de estar ao lado do homem amado. Quem sabe Joe não se apaixonaria também?
Exceto que no meio tempo ele poderia seduzi-la e sendo o desejo um sentimento transitório, seria mera questão de dias até que Joe não quisesse mais vê-la. A perspectiva de ser abandonada era amarga, mas ela não saberia como resistir ao ardor daquele homem. As sensações que experimentara em seus braços foram poderosas e ela ansiava por mais. Demi custou a dormir e, quando conseguiu, teve um sono agitado, povoado por sonhos eróticos e pela imagem viril de Joe.

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Até q enfim, os pegas começaram e estão aí p vcs, tchucasssss ♥ Estão gostando? Já estou adaptando a próxima história <3 Comentem! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

1.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 4

 

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- Demi, ele está bem?

A voz de Winnie atingiu Joe com o impacto de uma ducha gelada e ele se afastou de Demi com brusquidão, embora suas bocas já estivessem quase se tocando.

- Sim, ele está bem - Joe respondeu bastante irritado, tanto com a interrupção quanto com a sua própria fraqueza.

- Oh, desculpe-me! - Winnie falou sem jeito, afastando-se imediatamente.

- Meu Deus, será que a sua amiga acha que eu estou em condições de seduzi-la? Ela deve estar delirando.

Trêmula, Demi se encostou à pia, tentando recuperar o controle, o corpo ainda latejando de desejo.
- Você não compreende... - ela começou, lutando para encontrar as palavras certas que descrevessem o instinto protetor de Winnie.

- Você é realmente aquilo que parece ser, Demi? Uma mulher moderna e sofisticada?

- Por que quer saber?

- Porque por nada deste mundo eu me envolveria com você se a julgasse inexperiente.

- Você quer mesmo se envolver comigo?

- Meu Deus! Não lhe parece óbvio? Mal a toquei e já estou em fogo!

Então eram dois sentindo-se assim, porém Demi não julgava conveniente deixá-lo saber disso. Ela queria tanto se aproximar daquele homem atormentado! Mas se lhe dissesse a verdade a respeito de si mesma, ele se afastaria.

- Não sou moderna o suficiente para ir para a cama com qualquer homem. Gosto de saber onde estou pisando.

- Então você é cautelosa. Eu também o sou e não pretendo apressá-la. Entretanto, não estou disposto a manter um relacionamento platônico.

- Tampouco eu.

Joe hesitou por alguns instantes. Alguma coisa não soava muito verdadeira nas palavras de Demi. Ela era a melhor amiga da sua futura cunhada e este era um dos muitos motivos pelos quais devia manter distância. Contudo, todas as suas boas intenções iam por água abaixo quando estava ao lado dela, a única mulher capaz de não fazê-lo sentir-se solitário.

- Que tal um cinema amanhã?

- Winnie não iria gostar.

- Eu não estou convidando Winnie ou qualquer outra pessoa. Apenas você e eu.

- Poderíamos ir até Cody? Não há rodeios todas as noites lá?

- Todas as noites de verão - Joe respondeu com um sorriso sedutor. - Vamos até Cody em outra ocasião, se você fizer questão. Porém o cinema mais próximo fica em Billings.

- Mas Billings fica a uns cento e sessenta quilômetros daqui!

- Não é uma distância tão grande assim, doçura.

- Talvez você tenha razão, em se tratando de uma região enorme como o Wyoming.

- É melhor que você saia agora. Preciso tomar um banho antes do jantar.

- Está bem.

- A menos que você queira ficar e esfregar as minhas costas - ele falou com ousadia.

- Ainda é muito cedo para esse tipo de coisa.

Demi deixou o quarto perguntando-se onde estava se metendo e se seria capaz de manter um homem como aquele sob controle.

- Joe está ótimo - Demi assegurou às duas outras mulheres ao entrar na sala de estar. - Minha opinião é que ele deveria procurar um médico e levar alguns pontos, entretanto não fui capaz de convencê-lo.

- É uma atitude típica de Joe - Marie falou desanimada. - As coisas têm sido tão difíceis para ele. Gostaria que papai não tivesse deixado aquela carta. Acho que o melhor teria sido não dizer a verdade, depois de tanto tempo... Vamos até a sala de jantar, onde poderemos esperar pelos meus irmãos.

- Por que seu pai deixou uma carta para Joe? - Demi perguntou, incapaz de conter o interesse.

- Ninguém sabe. Papai era um homem que prezava a verdade e costumava pensar demais antes de tomar qualquer decisão. Talvez ele achasse que Joe tinha o direito de saber que seu verdadeiro ainda está vivo, embora eu saiba que meu irmão jamais procuraria por ele. Creio que meu pai planejava contar tudo a Joe antes de morrer, mas os acontecimentos se precipitaram e agora há toda esta situação difícil.

- Suponho que você e Dwight estejam atravessando um mau pedaço também - Demi falou com delicadeza.

- Você não é capaz de imaginar o quanto estamos sofrendo. Não nos importa quem seja o pai verdadeiro de Joe. Ele é nosso irmão e o amamos. Só ele parece não aceitar isso e temo que não seja capaz de fazê-lo nunca.

- Joe vai jantar conosco? - Winnie perguntou com uma pressão preocupada.

- Sim - Demi respondeu. - Pelo menos foi o que ele me disse.

- Não se preocupe, Winnie - Marie comentou com um sorriso. - Joe se comportará bem porque Demi está aqui. Creio que ele gosta dela.

- Deus a livre disso! Você sabe como ele é com as mulheres.

- Joe não magoará Demi. Não se preocupe tanto, Winnie.

- Espero que você esteja certa, Marie - Winnie falou com um suspiro. - Ele está envolvido com Dale, não está?

- Não, ele não está - Joe respondeu entrando na sala.

- Desculpe-me - Winnie murmurou, sem graça.

- Ela estará mais segura comigo do que com a maioria dos rapazes da cidade.

- OK. Suponho que você esteja com a razão. Mas é que... bem...

- Eu sei que Demi é a sua melhor amiga, Winnie. Mas não se preocupe. Não vou magoá-la.

- Vocês querem parar com isso? - Demi interveio forçando um sorriso. - Eu tenho vinte e cinco anos, não sou uma criança! O que vamos jantar, Marie?

- Pato com laranja. Com licença, vou retirar o molho do microondas, pois havia me esquecido!

Antes que Winnie pudesse fazer qualquer comentário, Dwight chegou com o vinho e logo todos se sentaram à mesa.
Durante a refeição Demi e Joe se olharam inúmeras vezes e era como se uma corrente elétrica atravessasse o ar. A atração entre ambos era explosiva, difícil de ser disfarçada. E havia muitos interesses comuns entre os dois: gostavam do mesmo tipo de livros, filmes e até mesmo esportes. Ela estava certa de que sob aquele exterior zombeteiro, existia um homem sensível e carinhoso.
Ao se despedirem, ele a puxou de lado dizendo:

- Vou apanhá-la amanhã às cinco horas. Precisamos sair cedo, pois a distância é longa.

- Você tem certeza de que quer isso mesmo?

- Não - Joe respondeu com honestidade.

Ele havia lutado contra o desejo de envolver-se, mas agora a situação escapara ao seu controle.

- Jantaremos em Billings antes de irmos ao cinema. Há um restaurante simpático no hotel Sheraton.

- OK. Acho que será ótimo - Demi respondeu com um sorriso tímido.

Joe nada falou, embora se sentisse tão ansioso quanto ela para o encontro do dia seguinte. Até poucos dias atrás ser um homem solitário lhe trazia muitas vantagens, especialmente porque não lhe cerceava a liberdade.  Dale,  Jessie  e muitas  outras  mulheres  haviam  tentado lhe  colocar amarras  e  não haviam conseguido. Nunca pensara num vínculo permanente e com Demi não devia ser muito diferente...
Ao ficar sozinho, no quarto, Joe pensou que talvez Winnie conseguisse convencer a amiga a não comparecer ao encontro.
Entretanto, não tinha por que preocupar-se.

- Mas e a sua reputação? - Winnie insistiu mais uma vez.

- Ela sobreviverá a um ou dois encontros - Demi falou com firmeza. - Oh, Winnie, ele é tão só! Você não consegue enxergar a dor daqueles olhos, a tristeza que parece consumi-lo?

- Não. Não creio que eu possua a sua perspicácia. Mas você não tem idéia de como um homem experiente é capaz de agir. Você nunca teve um namorado firme e Joe é alguém que sabe como tratar as mulheres. Se você não se cuidar, ele será capaz de seduzi-la num piscar de olhos, sua bobinha.

- É preciso que os dois queiram, para que haja uma sedução.

- Sim, eu sei. E também posso ver como você está fascinada por ele. Demi, essa atração é perigosa e você não tem idéia de como reagirá caso Joe tente tocá-la ou beijá-la. Você poderá perder a cabeça! 

- Você se esqueceu da educação que recebi dos meus pais? - Demi perguntou com suavidade.

-  Não.  Porém  estou  tentando  lhe  dizer  que  os  princípios  morais  podem  ser  momentaneamente esquecidos. A atração sexual é poderosa e chega um momento em que a mente já não consegue mais controlar os impulsos do corpo.

- Eu sei dizer "não". Agora vamos assistir a um pouco de televisão e depois iremos dormir, está bem?

Winnie começou a dizer alguma coisa, mas desistiu. Só esperava que a determinação de Demi pudesse resistir ao ardor de Joe Jonas.

(...)

Joe chegou pontualmente às cinco horas. Ele vestia calça cinza escuro e uma camisa xadrez em tons de cinza claro e preto. Sua figura alta e elegante fez o coração de Demi disparar.
Ela estava bonita também. O vestido lilás modelava o seu corpo esguio, ressaltando os seios firmes e a cintura estreita. A ausência de qualquer decote apenas aumentava o apelo sexual pois, aos olhos de Joe, era uma escolha calculada para despertar-lhe o interesse.

- Será que estou bem assim ou deveria usar algo diferente?

- Você está ótima - ele respondeu.

- É claro que está. Divirtam-se - Winnie falou com delicadeza despedindo-se. - Tome conta dela.

- Não se preocupe, cunhada.

(...)

- Por que ela é tão protetora em relação a você? - Joe perguntou a Demi tão logo haviam tomado a estrada.

- Ela pensa que você é experiente demais para mim.

- Sou mesmo, doçura?

- Provavelmente. Mas você não me assusta.

- Dê-me um pouco mais de tempo... - Joe acendeu um cigarro antes de continuar: - Você ainda não me perguntou a qual filme iremos assistir.

- É verdade. O filme é bom?

- Eu não sei. Não tenho ido muito ao cinema nestes últimos tempos. Mas se for como a maioria, a história não deverá passar de um pretexto para que todo mundo tire a roupa.

Demi riu: - Você não está me parecendo um apreciador de filmes modernos.

- Eu gostei muito dos filmes de Indiana Jones, embora tenha achado Gandhi e Nascido em
4 de Julho ainda melhores. Sexo é muito melhor feito do que assistido.

- Claro - Demi murmurou, grata que a pouca iluminação do jipe fosse capaz de esconder o seu embaraço. 

Eles seguiram em silêncio por mais alguns minutos, ouvindo apenas o barulho do vento e admirando a paisagem ao redor. Joedecidira tomar o caminho de Shoshone Canyon e atravessar o famoso túnel através da montanha. Ela se lembrava bem do que Winnie dissera sobre a área e sentia-se fascinada ao observar um trabalho perfeito de engenharia, capaz de construir um túnel tão longo rasgando a solidez da rocha.
Cody ficava imediatamente do outro lado da montanha e Joe sentia prazer em mostrar a Demi seus pontos mais interessantes. Havia o conhecido museu Buffalo Bill Cody, cercado por arenas onde os rodeios eram realizados. E também fora na pequena cidadezinha que um dos primeiros sistemas de irrigação do Oeste tornara-se realidade, num trabalho conjunto de Bill Cody e os Mórmons.

- Uau, isto aqui parece o sul do Arizona! - Demi exclamou ao deixarem a cidade e tomarem a direção norte.

- Sim, você tem razão. Mas ao atravessarmos as montanhas Pryor e nos dirigirmos a Montana, será possível notar a diferença do terreno. Wyoming é um Estado de geografia acidentada, enquanto em Montana as montanhas são mais uniformes. Eu amo os dois Estados e poderia viver feliz para sempre em Billings, mas suponho que terei de me acostumar ao Wyoming.

- Onde você nasceu?

- Em Billings, Montana - ele respondeu com aspereza. - Suponho que minha mãe e... o marido dela estivessem morando lá naquela ocasião.

Joe não mencionou que nunca, durante vários anos, fora capaz de ter nas mãos sua própria certidão de nascimento.
Mesmo quando prestara o serviço militar, fora sua mãe quem se encarregara de levar os papéis às autoridades. Por que ele nunca questionara tais procedimentos? Por que não questionara as coisas que considerara estranhas? Fora somente depois da morte de Hank Jonas que tivera nas mãos toda a papelada que por fim lhe havia revelado a verdade: a certidão de nascimento com o nome do seu pai verdadeiro e o certificado de adoção. Deus! Como pudera ter sido tão tolo e aceitado tantas mentiras com facilidade?
Demi hesitou ao perceber o quanto aquele tipo de pergunta o magoava. Entretanto, evitar o assunto servia somente para aumentar o desconforto.

- Você não gosta de falar sobre isso, não é mesmo?

- Não.

- Quando um estilhaço entra sob a nossa pele, tirá-lo de uma só vez evita uma dor maior.

- E você está sugerindo que o meu passado é uma espécie de estilhaço que precisa ser arrancado?

- De uma certa maneira, sim. Aquilo que não enfrentamos costuma atingir proporções perigosas. Imagino que tenha sido um choque descobrir quem era o seu pai verdadeiro daquela maneira abrupta. Mas sou da mesma opinião de Marie: creio que seu padrasto pretendia contar-lhe a verdade e adiou até que já era tarde demais.

Os olhos verdes de Joe pareciam fuzilar. Ele não gostava de tocar no assunto, entretanto o que Demi dizia fazia sentido. Marie e Dwight haviam tentado falar-lhe a mesma coisa por diversas vezes e foram sempre impedidos com aspereza. Ele só não entendia por que não era capaz de deter Demi com uma palavra rude. Talvez fosse porque a idéia de magoá-la o incomodasse tanto.
Ao chegarem a Billings, Joe ia apontando os lugares históricos, satisfeito com o interesse demonstrado por Demi por tudo ao seu redor.

- O aeroporto fica em Rimrocks e é naquele cemitério antigo, ao pé da colina, que está enterrado Yellowstone Kelly.

- Aposto que você seria capaz de passar um dia inteiro apenas passeando pela cidade, não é mesmo? Olhe só aquela refinaria! Deve ser muito antiga!

- Billings é grande e seus arredores foram palco de momentos históricos.

- Sim, eu sei. O campo de batalha Custer fica por aqui, certo?

- Nos arredores de Hardin. Posso levá-la até lá algum dia desses, se você quiser.

Demi sentiu o coração dar um pulo no peito. O modo com que ele falara lhe passara a impressão de que poderiam construir um relacionamento juntos, e não apenas um caso passageiro.

- Eu gostaria muito, Joe - ela falou com suavidade.

A expressão do rosto dela, a ternura que irradiava daqueles olhos castanhos estavam a ponto de fazê-lo perder o controle.

- Você não devia me olhar assim quando estou tentando dirigir.

- O que foi que você disse?

- Deixe para lá - ele respondeu, lutando contra o impulso de tomá-la nos braços. - É melhor acharmos um lugar para estacionar. A comida daqui é especial e o restaurante está sempre cheio.

Com dificuldade eles conseguiram uma vaga  e se encaminharam para o restaurante, aspirando o ar perfumado da noite cheios de satisfação.

- Essa região não se parece com o Arizona, mas os espaços são tão amplos quanto lá - Demi comentou com interesse.

- É assim, na maioria das cidades do oeste - Joe respondeu conduzindo-a ao elevador.

Eles se acomodaram diante de uma janela do segundo andar cuja vista se abria para o rio Yellowstonee, ao longe, via-se uma estrada de ferro. Demi parecia absorta na visão de um trem que passava.

- Você gosta de trens?

- Oh, sim! Quando eu era criança costumava sonhar em ganhar um trem elétrico. Mas logo me ensinaram que havia coisas mais importantes do que brinquedos.

- Como, por exemplo? - ele perguntou com delicadeza.

- Como um par de sapatos para a filha da vizinha que não possuía nenhum - Demi respondeu sorrindo. - Ou um par de óculos para uma costureira que precisava sustentar três filhos. Ou insulina para um diabético que mal podia pagar o aluguel de onde morava.

Joe ficou sem palavras por alguns instantes, pois não havia, esperado uma resposta daquele tipo.

- E quem a ensinou? Seus pais?

- Eles eram... pessoas muito especiais - Demi murmurou tentando conter a emoção que as lembranças amargas dos últimos tempos teimavam em despertar.
Ao perceber a expressão desolada de Demi, Joe tomou as mãos dela nas suas e as apertou com força:

- Você pode me falar sobre isso mais tarde.

- Tudo é muito recente ainda.

- Você os perdeu há pouco tempo?

Ela fez que sim, incapaz de confiar na própria voz.

- Então é por isso que você está aqui e que Winnie se sente quase que na obrigação de protegê-la.

Demi não  discordou  do  que  Joe estava  dizendo.  Havia  tantas  outras  coisas  a  serem  ditas... Entretanto, ainda não se sentia capaz de fazê-lo. Ela apenas segurou aquelas mãos másculas com um aperto mais forte, buscando o conforto que elas lhe ofereciam.

- Se pode ser de alguma ajuda, eu sei o que você está passando. Você vai superar a dor. Tente viver um dia depois do outro e chore o que for preciso. Não tente sufocar a tristeza ou fechar-se em si mesma.

- Olhe só quem está me dizendo para não me fechar em mim mesma - Demi falou procurando sorrir.

- OK. Você acertou - ele respondeu com ternura. - Será que é melhor voltarmos para casa? Talvez você esteja se sentindo frágil.

- Oh, não, por favor. Estou bem. É que... às vezes, quando penso neles, sinto-me muito triste. Desculpe-me, eu não pretendia estragar a sua noite.
- O que a faz pensar que você estragou qualquer coisa? Eu sei como é sentir essa mágoa sufocante. E você não tem que esconder a tristeza de mim.

- Obrigada.

- Vamos mudar de assunto? Você está com fome?

- Sim.

- Ótimo. Eu também.

Eles  fizeram  o pedido e Joe descobriu  que ambos  partilhavam  o mesmo gosto  em  comida, a preferência recaindo em carnes e legumes.

- Café é um veneno - ele observou ao notar o prazer com que Demi sorvia a bebida.

- Contanto que não me aleije - ela respondeu com um sorriso -, eu estarei OK. Mas você também gosta!

- É claro! Eu não disse que café poderia envenenar a mim. Espero que você tenha notado que eu não estou fumando.

- Seria difícil não reparar, você está ficando roxo de tanta vontade!

- Acho que sobreviverei até sairmos do restaurante.

Sorrindo, Joe pagou a conta e ambos deixaram o belo salão. Aquela havia sido uma refeição em que eles pouco falaram, porém seus olhos se procuraram o tempo todo.

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OI GENTEEEEEEEEEE! Tudo bem? EU TO APAIXONADA PELOS COMENTÁRIOS DE VCS <3333 essa história é uma delícia! Mas é pequena... Vou ver se já escolho e adapto a próxima, ok? Aí faço uma maratona p vcs sz Comentem para o próximo! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥