2.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 5

 

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Joe e Demi escolheram seus lugares com facilidade, já que o cinema estava quase vazio. Ele esticou as longas pernas sobre o espaldar da poltrona da frente, enquanto ela se distraía com um enorme saco de pipoca.
Muito tempo havia se passado desde que Demi fora ao cinema pela última vez, pois onde estivera trabalhando nos últimos anos não havia sequer um aparelho de televisão.
Demi sabia o quanto estava desatualizada em vários assuntos, principalmente no que dizia respeito a mudanças comportamentais. E a história que se desenrolava na tela servia apenas para enfatizar a sua ignorância, as cenas de sexo fazendo-a corar da cabeça aos pés. Joe estivera com razão, pois embora o enredo girasse em torno de fazendeiros e seus problemas relativos ao gado, a ação transcorria quase sempre nos quartos de dormir. Joe a olhava com curiosidade, surpreso diante de tanta timidez. Qualquer pessoa, nos dias de hoje, que possuísse um televisor não ficaria chocada ao assistir determinadas cenas. Talvez Demi  se sentisse nervosa por estar na sua companhia, já que pouco se conheciam. Talvez ela não fosse muito experiente e só tivesse tido um ou dois homens. Estranho como ele podia sentir-se tão perturbado ao imaginá-la nos braços de outro.
Joe pegou uma das mãos de Demi e a levou aos lábios, mordiscando as pontas dos dedos com sensualidade, fazendo-a estremecer de prazer. Ela tentou retirar a mão, assustada com as reações do próprio corpo e chocada com o que se passava agora na tela.
Joe fitou-a, notando o quanto a cena de sexo explícito a deixava desconcertada e não parou para pensar no que tanto embaraço poderia significar.

- É incrível como eles conseguem fazer um filme desses passar pela censura, não é mesmo? - ele falou em voz baixa - Está se sentindo embaraçada?

- Sim.

- Pensei que você havia me dito ser uma mulher moderna.

- E eu pensei que você considerasse o sexo como algo a ser feito, não assistido.

A cena na tela alcançava agora o clímax, o casal tendo um orgasmo alucinado. Joe reparou que Demi estremecia, totalmente envolvida pelo que se passava.
Num movimento inconsciente, ele deslizou a mão dela sobre os músculos da perna, subindo em direção à sua virilidade. Só percebeu o que estava fazendo ao senti-la ficar tensa, e parou no mesmo instante.

- Desculpe-me - Joe falou soltando-lhe a mão. - Acho que o filme acabou me envolvendo.

- Eles não deveriam mostrar cenas como esta.

- Concordo. Não pensei que o filme fosse tão explícito. Como nós dois não estamos gostando, acho melhor irmos embora.

Eles saíram do cinema, ignorando os olhares curiosos com que o resto da audiência os brindava.

- Acho que os casais mais jovens pensam que somos uns tolos por nos sentirmos incomodados com esse tipo de filme, não é mesmo? 

- Sem dúvida, Demi. É que eles pertencem a uma geração diferente; assim como você.

- Mas eu sou apenas nove anos mais nova do que você!

- E isso é quase uma geração. Bem, já que não queremos saber de sexo explícito, que tal um sorvete acompanhado de boa música? Billings é famosa por seus concertos ao ar livre, nas noites de verão.

Demi ficou encantada ao chegarem ao enorme parque da cidade. Embora houvesse várias mesas e cadeiras espalhadas sob árvores frondosas, a maioria das pessoas havia estendido mantas sobre a grama bem cuidada e ali se sentara. A orquestra que ocupava o coreto tocava músicas suaves, enchendo o ar de magia.
Joe sorriu ao perceber o prazer genuíno que Demi estava experimentando.

- Tenho que admitir que este tipo de programa faz muito mais o meu gênero do que filmes ditos eróticos - ele falou com um ar divertido. - Fazer sexo é uma coisa, mas assistir outras pessoas fazendo, ou fingindo que o fazem, não me interessa muito.

- Imagino que você entenda do assunto, considerando a sua reputação - Demi falou enquanto se dirigiam à mesa onde o sorvete estava sendo servido e entravam na fila.
- Você gostaria que eu negasse? O que as pessoas de Pryor dizem sobre mim é verdade, nunca fiz segredo de que aprecio as mulheres. Apenas não tenho sido muito discreto nestes últimos tempos.

Demi sentia-se nervosa. Joe não era um homem com quem se pudesse brincar e a sensualidade que emanava dele era algo cada vez mais envolvente.

- E sobre você? - ele perguntou numa voz rouca. - Quase não fala sobre a sua vida particular.

- Não há muito a ser dito.

- Eu não acredito nisso - Joe retrucou enlaçando-a pela cintura e sentindo-a estremecer. - Que sabor de sorvete você vai querer?

- Baunilha.

- Eu prefiro chocolate.

- Como a maioria dos homens - Demi comentou com um sorriso, lembrando-se das reclamações dos seus pacientes quando faltava esse sabor.

- É algo que você sabe por experiência própria?

- De uma certa maneira, sim.

- E o quão experiente é você?

- Este é um tipo de pergunta que um cavalheiro não deve fazer - ela respondeu tentando levar
a situação na brincadeira.

Depois de servirem-se, eles se acomodaram numa manta cedida por outro casal e Joe se apresentou, dizendo que Demi e ele haviam vindo de Pryor.

- Então vocês vieram para o concerto no parque? - perguntou o rapaz louro e magro.

- Para dizer a verdade, viemos para ir ao cinema, mas saímos antes do filme acabar.

- Nós também não ficamos até o final - interveio a garota ruiva. - Meu pai me mataria se descobrisse que eu fui assistir a um filme daqueles. Então convenci Johnny que o melhor seria sairmos antes do fim, embora ele estivesse gostando muito.

- Tudo faz parte da vida, Gertie. E afinal vamos nos casar em dois meses!

- Johnny! - ela murmurou, ficando vermelha. - Acho melhor ir buscar mais um pouco de sorvete.

- Virgens... - o rapaz falou com um sorriso, admirando a noiva que se afastava.

Aquele sorriso de pura alegria incomodou Joe. Ele nunca, em toda a sua vida, havia namorado uma mulher virgem. E uma parte do seu íntimo invejava o rapaz que estava para se casar com alguém que soubera guardar algo tão precioso para entregar ao homem da sua vida. Johnny nunca teria que se preocupar com os ex-amantes da sua mulher. Ele seria o primeiro, o único.
Joe olhou para Demi imaginando como as coisas seriam entre os dois, caso ela fosse virgem. Seria fascinante ensinar-lhe os segredos do sexo... Será que Demi ficaria chocada ou tudo já não apresentava uma novidade sequer? É claro que as mulheres experientes costumam ser inventivas e desinibidas na cama, o que não deixa de ser um ponto positivo. Entretanto, ter a oportunidade de tocar uma mulher virgem, de fazê-la gemer de prazer devia ser algo muito especial.
Os pensamentos de Joe o estavam deixando incomodado. Com certeza Demi era experiente: o que mais se poderia esperar de uma mulher de vinte e cinco anos? De qualquer modo o relacionamento entre ambos não deveria passar de um caso rápido, já que se interessavam apenas por sexo. Que importância poderia ter o fato dela não ser mais virgem?

- Odeio ter que dizer isso, Demi, mas é hora de irmos embora. Temos um longo caminho pela frente.

- Nós vimos o seu jipe - Johnny comentou. - É um modelo antigo. Temos uma caminhonete ano 1956. É um pouco dura, porém ótima para transitar na fazenda.

- Eu bem o sei - respondeu Joe. - Costumo usar uma caminhonete 1955 para ir atrás do gado. Não há nada de errado em gostar de veículos antigos.

- Você pode apostar que sim! A propósito, vocês dois são casados?

- Não - Joe respondeu parecendo muito à vontade. - Ela jamais aceitaria se eu a pedisse em casamento.

- É uma pena, pois formam um belo casal - interveio Gertie.

- Vocês também - Demi falou com delicadeza. - Felicidades.

- Para vocês também.

Joe se recusava a pensar em casamento; era a última coisa que tinha em mente. Graças a Deus que Demi também levara a pergunta de Johnny na brincadeira. Talvez ela fosse do tipo que não se interessasse em se casar, o que facilitaria bastante o caso entre os dois.

- Foi tudo muito agradável - ela falou parando ao lado do jipe. - Obrigada.

- Poderemos repetir o programa de hoje num outro dia. Estarei muito ocupado no início da semana, mas poderemos combinar algo para sexta-feira. Quem sabe você não gostaria de ir até Cody, para assistir ao rodeio?

- Ótimo! - Demi respondeu sem hesitar. - Eu gostaria muito. - A proximidade dele aatordoava. Embora seus corpos não se tocassem, ela estava a ponto de desfalecer.

Não passava despercebida a Joe a maneira com que Demi reagia à sua presença. Era excitante poder atraí-la tanto assim. Ela o fazia sentir-se especial, como se fosse o primeiro homem a seduzi-la. Sim, ele poderia tê-la no instante que desejasse, mas preferia aguardar mais um pouco até que o desejo fosse insustentável.
Uma das vantagens da experiência era poder reconhecer quando uma mulher estava a ponto de entregar-se.
Ele iria manter-se a distância por um ou dois dias, deixando que a tensão sexual crescesse ainda mais. Todos os seus movimentos seriam calculados e fariam da primeira vez entre ambos uma experiência explosiva, completa.
A volta para Pryor foi muito agradável, embora os dois quase nada dissessem e parecessem entregues aos próprios pensamentos. Mas o silêncio era confortável, cheio de expectativas.
Ao chegarem à casa dos Manley, Demi se surpreendeu ao perceber que já eram três horas da manhã.

Tudo estava às escuras, exceto pela luz da varanda, que continuava acesa.

- Eu a avisei que chegaríamos tarde. Pelo menos Winnie parece não ter ficado preocupada com você.

- Não acredite nisso - Demi respondeu sorrindo. - As luzes da casa podem estar apagadas, mas aposto que Winnie ainda está acordada. Às vezes ela age como se fosse minha mãe.

Joe passou a mão sobre os cabelos sedosos de Demi e perguntou com suavidade:

- E você precisa de proteção?

Ela ficou tensa. A noite inteira tinha sido uma guerra de nervos entre os dois. Joe havia deixado claro que a desejava, entretanto ainda não chegara a beijá-la. E tudo o que ela queria agora era sentir aquela boca sensual cobrir a sua, aplacando a febre que a consumia.

- Não, acho que... não.

Ele notou o quanto Demi estava excitada e sentiu o sangue correr mais rápido nas veias, orgulhoso por ser capaz de despertar reações tão fortes. Ela não procurava disfarçar as emoções, o que era estranho, em se tratando de uma mulher experiente.
Joe acariciou os lábios de Demi com as pontas dos dedos, pressionando-os de uma maneira possessiva e sensual.
Ela prendeu a respiração, lutando para conter os tremores que lhe percorriam o corpo. 

- Você usa pouca maquiagem - ele falou baixinho. - Fico satisfeito. Não gosto de camadas de batom sobre os lábios que pretendo beijar.

Demi estava em fogo. Winnie a havia avisado para ter cuidado com Joe Jonas e ela não havia entendido a extensão do perigo. Ele era envolvente demais e a estava deixando fora de si.
Joe percebeu o quanto a afetava e a abraçou com mais força, dizendo:

- Me beije.

Demi mal podia respirar e enterrou as unhas naquelas costas másculas, tonta de desejo.

- Me morda - Joe falou com a voz rouca. - Gosto de beijos selvagens. Você também?
Ela não sabia realmente como preferia ser beijada ou o que deveria fazer para agradá-lo. Incapaz de pensar com clareza, Demi se aconchegou ainda mais e passou os braços ao redor do pescoço de Joe, sentindo-o estremecer.
O beijo foi ávido e prolongado. Ele não se lembrava de já ter se sentido daquela maneira nos braços de alguma mulher.
Demi respondia com sofreguidão às suas carícias deixando-o a ponto de perder o controle.
Joe a puxou para o colo, sua língua contornando os lábios macios que tinham o poder de embriagá-lo. Ela enrijeceu de súbito e se afastou.

- O que foi? - ele perguntou.

Demi engoliu em seco, sentindo-se desconcertada. Alguma coisa havia mudado no corpo de Joe enquanto eles estavam se beijando. Era algo puramente masculino e fora da sua experiência.
Quando ela tentou sair do seu colo, ele entendeu o motivo de tanta timidez e sorriu com ironia dizendo:

- Então é este o problema? Estamos indo rápido demais, Demetria? De qualquer modo a reação do meu corpo está fora do meu controle.

- Por favor - ela falou num fio de voz, tentando se afastar.

Demi sabia que devia estar dando a impressão de uma virgem ultrajada, mas como poderia agir de outra maneira se lhe faltava experiência?

- Você tem vinte e cinco anos. Já está crescida demais para jogos amorosos infantis.

Ele a pressionou ainda mais de encontro às coxas, deixando-a sentir toda a extensão do seu desejo.
Demi enrubesceu e fechou os olhos, surpresa com as reações do próprio corpo.
Suas têmporas latejavam e tudo o que desejava era ser beijada e acariciada.
Joe se inclinou e sussurrou algo tão erótico e explícito que a deixou imóvel. Como se quisesse enfatizar o que acabara de dizer, ele penetrou aqueles lábios macios com a língua, explorando e sugando o gosto de  Demi lentamente.
Ainda surpresa, ela deixou escapar um gemido. O que Joe estava fazendo era... ultrajante! Rude, sugestivo e... sensual.
Ele continuou a beijá-la enquanto deslizava as mãos sobre os seios entumecidos de Demi. Mesmo por sobre o vestido, o toque de Joe desencadeou uma onda de sensações devastadoras que quase a faziam desfalecer. Ele parecia fascinado pelas reações de Demi. Não era possível que ela conseguisse simular tanta surpresa. Entretanto, como poderia uma mulher experiente não estar acostumada a tal tipo de carícias?
Quando Joe pressionou um dos mamilos eretos, ela não conseguiu sufocar um gemido alto que deixava claro o quanto estava excitada, totalmente sem resistência.

- Sim, isso é muito bom - ele falou com uma leve arrogância ao percebê-la entregue aos seus carinhos. - Você está muito, muito excitada, pequena Demi, e vou lhe dar algo para que não se esqueça de mim até o nosso próximo encontro...

Antes que ela percebesse o que Joe pretendia fazer, ele abaixou-se e colou os lábios sobre o mamilo enrijecido, prendendo-o entre os dentes. Demi o empurrou sentindo-se chocada com tamanha intimidade.

- Meu Deus, você tem  medo que eu  a machuque? Desculpe-me se a assustei.  Você deve estar acostumada com homens mais gentis.

- Sim... estou - ela respondeu num fio de voz.

Demi estava trêmula, todo o corpo ainda sentindo o impacto das emoções que Joe soubera despertar. Nunca em sua vida havia se sentido tão indefesa e estava certa de que não teria sido capaz de resistir àquele homem, mesmo se ele houvesse tentado ir até o fim.

- Eu não sou um amante delicado. Nunca precisei sê-lo, já que o meu tipo de mulher sempre foi capaz de responder ao meu ardor com a mesma intensidade. Sexo para mim sempre foi algo a ser feito com paixão e desatino. Gosto que seja assim. Nunca, até este momento, havia me ocorrido que uma mulher pudesse se sentir intimidada com certas carícias.

- Eu sinto muito - Demi murmurou. - Eu não sabia muito bem o que devia esperar.

Por que, em nome de Deus, ele estava se sentindo culpado?

- Da próxima vez eu serei menos agressivo e muito mais gentil. A última coisa que desejo é assustá-la.

Demi fitou-o cheia de encantamento. Por instantes tivera a impressão de que ele se sentira tão perturbado quanto ela diante dos sentimentos que parecia uni-los. Como gostaria de poder admitir a sua ingenuidade e saber-se compreendida. Entretanto, se ele a soubesse virgem, tudo estaria acabado antes mesmo de começar.

- Eu não estava com medo - Demi respondeu tentando demonstrar uma segurança que estava longe de sentir.

Joe tocou-lhe os lábios de leve com as pontas dos dedos, inebriando-se no prazer de tê-la entre os braços.
Ela precisava de ternura e delicadeza, era uma mulher muito diferente das que estava acostumado. Quisera não ter dito aquelas palavras fortes quando haviam começado a se beijar.

- O que há agora? - Demi perguntou ao notar a expressão preocupada do rosto dele.

- Poucos minutos atrás eu lhe disse algo muito indelicado. Desculpe-me. Creio que me esqueci que por ser experiente uma mulher não precisa deixar de ser uma dama e deve ser atada como tal. Da próxima vez que nos acariciarmos, será diferente.

Joe abriu a porta do jipe e a acompanhou até a varanda.

- Ainda bem que Winnie não está acordada - ele comentou ao perceber que o vestido dela tinha uma mancha úmida sobre um dos seios, exatamente no lugar onde ele havia colado a boca. - Mas não se preocupe, ninguém vai vê-la. Da próxima vez não haverá vestido para me atrapalhar e tocarei a sua pele nua.

Ele a beijou ao se despedirem, sentindo o corpo ficar rígido de desejo outra vez.

- Deus, como você me excita! Acho melhor ir embora já, antes que eu cometa alguma loucura. Vou lhe telefonar daqui a uns dois dias e então combinaremos nossa ida a Hardin. A propósito, você pode dizer ao seu anjo-da-guarda que não vou trazê-la de volta tão tarde na próxima vez que sairmos juntos.

- Farei isso. Bem, boa noite. Gostei muito do jantar e do concerto.

- E do filme, não? - ele perguntou sorrindo diante do embaraço dela. - Não tem importância. Talvez eu esteja ficando velho demais para me entregar a paixões descuidadas. Eu serei gentil com você, tenho experiência suficiente para lhe dar muito prazer. E quando o momento chegar, eu a farei conhecer o paraíso. É uma promessa. 

Antes que Demi pudesse pensar em algo para dizer, Joe já havia se afastado. As emoções que ele a fizera sentir eram aterradoras. Nunca havia se sentido tão vulnerável, tão pronta a entregar-se. Só não queria pensar no que faria da vida quando fosse embora de Pryor e o perdesse para sempre.
Joe ligou o motor do jipe e foi embora sem olhar para trás, embora soubesse que Demi ainda estava na varanda. Sentia-se confuso, tomado por sentimentos novos e poderosos. Seu plano de sedução estava indo muito bem, entretanto sua consciência começava a incomodá-lo.
Demi entrou em casa temerosa de que Winnie ainda estivesse acordada e pudesse notar a mancha em seu vestido. Ao ver um agasalho sobre a cadeira, ela imediatamente o vestiu, o que foi a sua sorte.

- Já era hora de você chegar - Winnie falou cheia de preocupação. - Onde vocês estiveram?

Demi falou sobre o jantar, o concerto no parque, o sorvete, tentando parecer alegre e jovial.

- Então foi apenas isso. Desculpe-me, sei que estou exagerando. Porém Joe é tão envolvente, tão másculo...

- É mesmo?

- Acho melhor lhe contar. Eu saí com Joe antes de conhecer Dwight. Nossos encontros foram inocentes, não chegamos a dormir juntos. Entretanto, eu teria ido para a cama com ele se tivesse tido oportunidade. Felizmente me apaixonei por Dwight e tudo acabou bem. É por isso que me preocupo com você. Joe toma o que quer e não dá nada em troca. Você está brincando com fogo. Eu poderia sobreviver a uma desilusão, mas você é muito inocente, Demi, e não sei como reagiria se fosse seduzida e abandonada.

- Eu também não sei se suportaria... Ele é tão viril.

- Não fique assim - Winnie falou com delicadeza. - Eu posso entender muito bem. É difícil resistir a um homem como ele. Não se culpe por ser humana, mas encontrar-se com Joe é ir atrás de problemas.

- Eu sei. Acho que estou... me apaixonando.

- Ele não tem culpa de ser tão atraente. Porém não é um homem que saiba amar ou que queira se envolver num relacionamento duradouro.

- Há sempre uma esperança.

- E você já está envolvida demais para aceitar conselhos, não é? - Winnie abraçou a amiga com carinho. - Tente não perder a cabeça, Demi.

- Farei isso. Complicação é a última coisa que eu preciso.

- Pelo menos você sabe as precauções que devem ser tomadas para evitar uma gravidez. OK, chega de sermão, é hora de irmos para a cama. Ele vai voltar a procurá-la?

- Sim, no meio da semana. Estamos planejando ir ao rodeio em Cody.

Embora preocupada, Winnie não disse mais nada e foi deitar-se. Demi vestiu a camisola pensando nos momentos de intimidade que acabara de partilhar com Joe. Quisera ter sido capaz de admitir a sua inocência, pois tinha horror a mentiras. Entretanto, fingira ser o que não era por puro medo de perdê-lo. Ele havia deixado bem claro que não gostava de mulheres inexperientes e ela não quisera desapontá-lo. 
Estava apaixonada e só queria uma oportunidade de estar ao lado do homem amado. Quem sabe Joe não se apaixonaria também?
Exceto que no meio tempo ele poderia seduzi-la e sendo o desejo um sentimento transitório, seria mera questão de dias até que Joe não quisesse mais vê-la. A perspectiva de ser abandonada era amarga, mas ela não saberia como resistir ao ardor daquele homem. As sensações que experimentara em seus braços foram poderosas e ela ansiava por mais. Demi custou a dormir e, quando conseguiu, teve um sono agitado, povoado por sonhos eróticos e pela imagem viril de Joe.

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Até q enfim, os pegas começaram e estão aí p vcs, tchucasssss ♥ Estão gostando? Já estou adaptando a próxima história <3 Comentem! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

1.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 4

 

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- Demi, ele está bem?

A voz de Winnie atingiu Joe com o impacto de uma ducha gelada e ele se afastou de Demi com brusquidão, embora suas bocas já estivessem quase se tocando.

- Sim, ele está bem - Joe respondeu bastante irritado, tanto com a interrupção quanto com a sua própria fraqueza.

- Oh, desculpe-me! - Winnie falou sem jeito, afastando-se imediatamente.

- Meu Deus, será que a sua amiga acha que eu estou em condições de seduzi-la? Ela deve estar delirando.

Trêmula, Demi se encostou à pia, tentando recuperar o controle, o corpo ainda latejando de desejo.
- Você não compreende... - ela começou, lutando para encontrar as palavras certas que descrevessem o instinto protetor de Winnie.

- Você é realmente aquilo que parece ser, Demi? Uma mulher moderna e sofisticada?

- Por que quer saber?

- Porque por nada deste mundo eu me envolveria com você se a julgasse inexperiente.

- Você quer mesmo se envolver comigo?

- Meu Deus! Não lhe parece óbvio? Mal a toquei e já estou em fogo!

Então eram dois sentindo-se assim, porém Demi não julgava conveniente deixá-lo saber disso. Ela queria tanto se aproximar daquele homem atormentado! Mas se lhe dissesse a verdade a respeito de si mesma, ele se afastaria.

- Não sou moderna o suficiente para ir para a cama com qualquer homem. Gosto de saber onde estou pisando.

- Então você é cautelosa. Eu também o sou e não pretendo apressá-la. Entretanto, não estou disposto a manter um relacionamento platônico.

- Tampouco eu.

Joe hesitou por alguns instantes. Alguma coisa não soava muito verdadeira nas palavras de Demi. Ela era a melhor amiga da sua futura cunhada e este era um dos muitos motivos pelos quais devia manter distância. Contudo, todas as suas boas intenções iam por água abaixo quando estava ao lado dela, a única mulher capaz de não fazê-lo sentir-se solitário.

- Que tal um cinema amanhã?

- Winnie não iria gostar.

- Eu não estou convidando Winnie ou qualquer outra pessoa. Apenas você e eu.

- Poderíamos ir até Cody? Não há rodeios todas as noites lá?

- Todas as noites de verão - Joe respondeu com um sorriso sedutor. - Vamos até Cody em outra ocasião, se você fizer questão. Porém o cinema mais próximo fica em Billings.

- Mas Billings fica a uns cento e sessenta quilômetros daqui!

- Não é uma distância tão grande assim, doçura.

- Talvez você tenha razão, em se tratando de uma região enorme como o Wyoming.

- É melhor que você saia agora. Preciso tomar um banho antes do jantar.

- Está bem.

- A menos que você queira ficar e esfregar as minhas costas - ele falou com ousadia.

- Ainda é muito cedo para esse tipo de coisa.

Demi deixou o quarto perguntando-se onde estava se metendo e se seria capaz de manter um homem como aquele sob controle.

- Joe está ótimo - Demi assegurou às duas outras mulheres ao entrar na sala de estar. - Minha opinião é que ele deveria procurar um médico e levar alguns pontos, entretanto não fui capaz de convencê-lo.

- É uma atitude típica de Joe - Marie falou desanimada. - As coisas têm sido tão difíceis para ele. Gostaria que papai não tivesse deixado aquela carta. Acho que o melhor teria sido não dizer a verdade, depois de tanto tempo... Vamos até a sala de jantar, onde poderemos esperar pelos meus irmãos.

- Por que seu pai deixou uma carta para Joe? - Demi perguntou, incapaz de conter o interesse.

- Ninguém sabe. Papai era um homem que prezava a verdade e costumava pensar demais antes de tomar qualquer decisão. Talvez ele achasse que Joe tinha o direito de saber que seu verdadeiro ainda está vivo, embora eu saiba que meu irmão jamais procuraria por ele. Creio que meu pai planejava contar tudo a Joe antes de morrer, mas os acontecimentos se precipitaram e agora há toda esta situação difícil.

- Suponho que você e Dwight estejam atravessando um mau pedaço também - Demi falou com delicadeza.

- Você não é capaz de imaginar o quanto estamos sofrendo. Não nos importa quem seja o pai verdadeiro de Joe. Ele é nosso irmão e o amamos. Só ele parece não aceitar isso e temo que não seja capaz de fazê-lo nunca.

- Joe vai jantar conosco? - Winnie perguntou com uma pressão preocupada.

- Sim - Demi respondeu. - Pelo menos foi o que ele me disse.

- Não se preocupe, Winnie - Marie comentou com um sorriso. - Joe se comportará bem porque Demi está aqui. Creio que ele gosta dela.

- Deus a livre disso! Você sabe como ele é com as mulheres.

- Joe não magoará Demi. Não se preocupe tanto, Winnie.

- Espero que você esteja certa, Marie - Winnie falou com um suspiro. - Ele está envolvido com Dale, não está?

- Não, ele não está - Joe respondeu entrando na sala.

- Desculpe-me - Winnie murmurou, sem graça.

- Ela estará mais segura comigo do que com a maioria dos rapazes da cidade.

- OK. Suponho que você esteja com a razão. Mas é que... bem...

- Eu sei que Demi é a sua melhor amiga, Winnie. Mas não se preocupe. Não vou magoá-la.

- Vocês querem parar com isso? - Demi interveio forçando um sorriso. - Eu tenho vinte e cinco anos, não sou uma criança! O que vamos jantar, Marie?

- Pato com laranja. Com licença, vou retirar o molho do microondas, pois havia me esquecido!

Antes que Winnie pudesse fazer qualquer comentário, Dwight chegou com o vinho e logo todos se sentaram à mesa.
Durante a refeição Demi e Joe se olharam inúmeras vezes e era como se uma corrente elétrica atravessasse o ar. A atração entre ambos era explosiva, difícil de ser disfarçada. E havia muitos interesses comuns entre os dois: gostavam do mesmo tipo de livros, filmes e até mesmo esportes. Ela estava certa de que sob aquele exterior zombeteiro, existia um homem sensível e carinhoso.
Ao se despedirem, ele a puxou de lado dizendo:

- Vou apanhá-la amanhã às cinco horas. Precisamos sair cedo, pois a distância é longa.

- Você tem certeza de que quer isso mesmo?

- Não - Joe respondeu com honestidade.

Ele havia lutado contra o desejo de envolver-se, mas agora a situação escapara ao seu controle.

- Jantaremos em Billings antes de irmos ao cinema. Há um restaurante simpático no hotel Sheraton.

- OK. Acho que será ótimo - Demi respondeu com um sorriso tímido.

Joe nada falou, embora se sentisse tão ansioso quanto ela para o encontro do dia seguinte. Até poucos dias atrás ser um homem solitário lhe trazia muitas vantagens, especialmente porque não lhe cerceava a liberdade.  Dale,  Jessie  e muitas  outras  mulheres  haviam  tentado lhe  colocar amarras  e  não haviam conseguido. Nunca pensara num vínculo permanente e com Demi não devia ser muito diferente...
Ao ficar sozinho, no quarto, Joe pensou que talvez Winnie conseguisse convencer a amiga a não comparecer ao encontro.
Entretanto, não tinha por que preocupar-se.

- Mas e a sua reputação? - Winnie insistiu mais uma vez.

- Ela sobreviverá a um ou dois encontros - Demi falou com firmeza. - Oh, Winnie, ele é tão só! Você não consegue enxergar a dor daqueles olhos, a tristeza que parece consumi-lo?

- Não. Não creio que eu possua a sua perspicácia. Mas você não tem idéia de como um homem experiente é capaz de agir. Você nunca teve um namorado firme e Joe é alguém que sabe como tratar as mulheres. Se você não se cuidar, ele será capaz de seduzi-la num piscar de olhos, sua bobinha.

- É preciso que os dois queiram, para que haja uma sedução.

- Sim, eu sei. E também posso ver como você está fascinada por ele. Demi, essa atração é perigosa e você não tem idéia de como reagirá caso Joe tente tocá-la ou beijá-la. Você poderá perder a cabeça! 

- Você se esqueceu da educação que recebi dos meus pais? - Demi perguntou com suavidade.

-  Não.  Porém  estou  tentando  lhe  dizer  que  os  princípios  morais  podem  ser  momentaneamente esquecidos. A atração sexual é poderosa e chega um momento em que a mente já não consegue mais controlar os impulsos do corpo.

- Eu sei dizer "não". Agora vamos assistir a um pouco de televisão e depois iremos dormir, está bem?

Winnie começou a dizer alguma coisa, mas desistiu. Só esperava que a determinação de Demi pudesse resistir ao ardor de Joe Jonas.

(...)

Joe chegou pontualmente às cinco horas. Ele vestia calça cinza escuro e uma camisa xadrez em tons de cinza claro e preto. Sua figura alta e elegante fez o coração de Demi disparar.
Ela estava bonita também. O vestido lilás modelava o seu corpo esguio, ressaltando os seios firmes e a cintura estreita. A ausência de qualquer decote apenas aumentava o apelo sexual pois, aos olhos de Joe, era uma escolha calculada para despertar-lhe o interesse.

- Será que estou bem assim ou deveria usar algo diferente?

- Você está ótima - ele respondeu.

- É claro que está. Divirtam-se - Winnie falou com delicadeza despedindo-se. - Tome conta dela.

- Não se preocupe, cunhada.

(...)

- Por que ela é tão protetora em relação a você? - Joe perguntou a Demi tão logo haviam tomado a estrada.

- Ela pensa que você é experiente demais para mim.

- Sou mesmo, doçura?

- Provavelmente. Mas você não me assusta.

- Dê-me um pouco mais de tempo... - Joe acendeu um cigarro antes de continuar: - Você ainda não me perguntou a qual filme iremos assistir.

- É verdade. O filme é bom?

- Eu não sei. Não tenho ido muito ao cinema nestes últimos tempos. Mas se for como a maioria, a história não deverá passar de um pretexto para que todo mundo tire a roupa.

Demi riu: - Você não está me parecendo um apreciador de filmes modernos.

- Eu gostei muito dos filmes de Indiana Jones, embora tenha achado Gandhi e Nascido em
4 de Julho ainda melhores. Sexo é muito melhor feito do que assistido.

- Claro - Demi murmurou, grata que a pouca iluminação do jipe fosse capaz de esconder o seu embaraço. 

Eles seguiram em silêncio por mais alguns minutos, ouvindo apenas o barulho do vento e admirando a paisagem ao redor. Joedecidira tomar o caminho de Shoshone Canyon e atravessar o famoso túnel através da montanha. Ela se lembrava bem do que Winnie dissera sobre a área e sentia-se fascinada ao observar um trabalho perfeito de engenharia, capaz de construir um túnel tão longo rasgando a solidez da rocha.
Cody ficava imediatamente do outro lado da montanha e Joe sentia prazer em mostrar a Demi seus pontos mais interessantes. Havia o conhecido museu Buffalo Bill Cody, cercado por arenas onde os rodeios eram realizados. E também fora na pequena cidadezinha que um dos primeiros sistemas de irrigação do Oeste tornara-se realidade, num trabalho conjunto de Bill Cody e os Mórmons.

- Uau, isto aqui parece o sul do Arizona! - Demi exclamou ao deixarem a cidade e tomarem a direção norte.

- Sim, você tem razão. Mas ao atravessarmos as montanhas Pryor e nos dirigirmos a Montana, será possível notar a diferença do terreno. Wyoming é um Estado de geografia acidentada, enquanto em Montana as montanhas são mais uniformes. Eu amo os dois Estados e poderia viver feliz para sempre em Billings, mas suponho que terei de me acostumar ao Wyoming.

- Onde você nasceu?

- Em Billings, Montana - ele respondeu com aspereza. - Suponho que minha mãe e... o marido dela estivessem morando lá naquela ocasião.

Joe não mencionou que nunca, durante vários anos, fora capaz de ter nas mãos sua própria certidão de nascimento.
Mesmo quando prestara o serviço militar, fora sua mãe quem se encarregara de levar os papéis às autoridades. Por que ele nunca questionara tais procedimentos? Por que não questionara as coisas que considerara estranhas? Fora somente depois da morte de Hank Jonas que tivera nas mãos toda a papelada que por fim lhe havia revelado a verdade: a certidão de nascimento com o nome do seu pai verdadeiro e o certificado de adoção. Deus! Como pudera ter sido tão tolo e aceitado tantas mentiras com facilidade?
Demi hesitou ao perceber o quanto aquele tipo de pergunta o magoava. Entretanto, evitar o assunto servia somente para aumentar o desconforto.

- Você não gosta de falar sobre isso, não é mesmo?

- Não.

- Quando um estilhaço entra sob a nossa pele, tirá-lo de uma só vez evita uma dor maior.

- E você está sugerindo que o meu passado é uma espécie de estilhaço que precisa ser arrancado?

- De uma certa maneira, sim. Aquilo que não enfrentamos costuma atingir proporções perigosas. Imagino que tenha sido um choque descobrir quem era o seu pai verdadeiro daquela maneira abrupta. Mas sou da mesma opinião de Marie: creio que seu padrasto pretendia contar-lhe a verdade e adiou até que já era tarde demais.

Os olhos verdes de Joe pareciam fuzilar. Ele não gostava de tocar no assunto, entretanto o que Demi dizia fazia sentido. Marie e Dwight haviam tentado falar-lhe a mesma coisa por diversas vezes e foram sempre impedidos com aspereza. Ele só não entendia por que não era capaz de deter Demi com uma palavra rude. Talvez fosse porque a idéia de magoá-la o incomodasse tanto.
Ao chegarem a Billings, Joe ia apontando os lugares históricos, satisfeito com o interesse demonstrado por Demi por tudo ao seu redor.

- O aeroporto fica em Rimrocks e é naquele cemitério antigo, ao pé da colina, que está enterrado Yellowstone Kelly.

- Aposto que você seria capaz de passar um dia inteiro apenas passeando pela cidade, não é mesmo? Olhe só aquela refinaria! Deve ser muito antiga!

- Billings é grande e seus arredores foram palco de momentos históricos.

- Sim, eu sei. O campo de batalha Custer fica por aqui, certo?

- Nos arredores de Hardin. Posso levá-la até lá algum dia desses, se você quiser.

Demi sentiu o coração dar um pulo no peito. O modo com que ele falara lhe passara a impressão de que poderiam construir um relacionamento juntos, e não apenas um caso passageiro.

- Eu gostaria muito, Joe - ela falou com suavidade.

A expressão do rosto dela, a ternura que irradiava daqueles olhos castanhos estavam a ponto de fazê-lo perder o controle.

- Você não devia me olhar assim quando estou tentando dirigir.

- O que foi que você disse?

- Deixe para lá - ele respondeu, lutando contra o impulso de tomá-la nos braços. - É melhor acharmos um lugar para estacionar. A comida daqui é especial e o restaurante está sempre cheio.

Com dificuldade eles conseguiram uma vaga  e se encaminharam para o restaurante, aspirando o ar perfumado da noite cheios de satisfação.

- Essa região não se parece com o Arizona, mas os espaços são tão amplos quanto lá - Demi comentou com interesse.

- É assim, na maioria das cidades do oeste - Joe respondeu conduzindo-a ao elevador.

Eles se acomodaram diante de uma janela do segundo andar cuja vista se abria para o rio Yellowstonee, ao longe, via-se uma estrada de ferro. Demi parecia absorta na visão de um trem que passava.

- Você gosta de trens?

- Oh, sim! Quando eu era criança costumava sonhar em ganhar um trem elétrico. Mas logo me ensinaram que havia coisas mais importantes do que brinquedos.

- Como, por exemplo? - ele perguntou com delicadeza.

- Como um par de sapatos para a filha da vizinha que não possuía nenhum - Demi respondeu sorrindo. - Ou um par de óculos para uma costureira que precisava sustentar três filhos. Ou insulina para um diabético que mal podia pagar o aluguel de onde morava.

Joe ficou sem palavras por alguns instantes, pois não havia, esperado uma resposta daquele tipo.

- E quem a ensinou? Seus pais?

- Eles eram... pessoas muito especiais - Demi murmurou tentando conter a emoção que as lembranças amargas dos últimos tempos teimavam em despertar.
Ao perceber a expressão desolada de Demi, Joe tomou as mãos dela nas suas e as apertou com força:

- Você pode me falar sobre isso mais tarde.

- Tudo é muito recente ainda.

- Você os perdeu há pouco tempo?

Ela fez que sim, incapaz de confiar na própria voz.

- Então é por isso que você está aqui e que Winnie se sente quase que na obrigação de protegê-la.

Demi não  discordou  do  que  Joe estava  dizendo.  Havia  tantas  outras  coisas  a  serem  ditas... Entretanto, ainda não se sentia capaz de fazê-lo. Ela apenas segurou aquelas mãos másculas com um aperto mais forte, buscando o conforto que elas lhe ofereciam.

- Se pode ser de alguma ajuda, eu sei o que você está passando. Você vai superar a dor. Tente viver um dia depois do outro e chore o que for preciso. Não tente sufocar a tristeza ou fechar-se em si mesma.

- Olhe só quem está me dizendo para não me fechar em mim mesma - Demi falou procurando sorrir.

- OK. Você acertou - ele respondeu com ternura. - Será que é melhor voltarmos para casa? Talvez você esteja se sentindo frágil.

- Oh, não, por favor. Estou bem. É que... às vezes, quando penso neles, sinto-me muito triste. Desculpe-me, eu não pretendia estragar a sua noite.
- O que a faz pensar que você estragou qualquer coisa? Eu sei como é sentir essa mágoa sufocante. E você não tem que esconder a tristeza de mim.

- Obrigada.

- Vamos mudar de assunto? Você está com fome?

- Sim.

- Ótimo. Eu também.

Eles  fizeram  o pedido e Joe descobriu  que ambos  partilhavam  o mesmo gosto  em  comida, a preferência recaindo em carnes e legumes.

- Café é um veneno - ele observou ao notar o prazer com que Demi sorvia a bebida.

- Contanto que não me aleije - ela respondeu com um sorriso -, eu estarei OK. Mas você também gosta!

- É claro! Eu não disse que café poderia envenenar a mim. Espero que você tenha notado que eu não estou fumando.

- Seria difícil não reparar, você está ficando roxo de tanta vontade!

- Acho que sobreviverei até sairmos do restaurante.

Sorrindo, Joe pagou a conta e ambos deixaram o belo salão. Aquela havia sido uma refeição em que eles pouco falaram, porém seus olhos se procuraram o tempo todo.

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OI GENTEEEEEEEEEE! Tudo bem? EU TO APAIXONADA PELOS COMENTÁRIOS DE VCS <3333 essa história é uma delícia! Mas é pequena... Vou ver se já escolho e adapto a próxima, ok? Aí faço uma maratona p vcs sz Comentem para o próximo! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

31.10.14

Perigosa Atração - Capítulo 3

 

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Demi não se sentia muito confortável para conversar com Winnie a respeito de Joe, entretanto a curiosidade era invencível. Ele mesmo a havia avisado, dizendo que não valia grande coisa, mas sentia-se atraída do mesmo modo.
Ela sempre, até então, havia levado uma vida irrepreensível, nunca dera um mau passo. Talvez fosse por isso que um homem tão sensual e agressivo a fascinasse tanto.

- Você não pode envolver-se com ele - Winnie falou, quando, no dia seguinte, Demi começou a fazer-lhe perguntas.

- Ele não me parece um homem sem valor.

- Eu não disse que ele era. De fato, seria difícil encontrar alguém mais leal, com um caráter mais reto.

Mas desde que descobriu a verdade sobre o pai, ele pareceu perder a cabeça. Você ouviu o que Marie falou ontem, na festa, e ela não estava brincando. Joe não faz segredos sobre a única coisa que deseja de uma mulher e nos últimos meses tem bebido e farreado além da conta. Todos em Pryor sabem disso e, se você fosse vista com ele, sua reputação estaria arruinada. Eis aí porque eu não gostaria de vê-los juntos. Eu nunca me interporia à sua felicidade, Demi, porém Joe poderia lhe custar a sua respeitabilidade. E isso é algo que você não pode perder, especialmente por causa da sua profissão.

- Sim, eu sei. Você disse que Joe não sabia nada sobre o seu pai verdadeiro.

- Não. Ele tinha apenas quatro anos quando a mãe se divorciou e casou-se com Hank Jonas. Até seis meses atrás, quando o padrasto morreu, ele não sabia que era adotado.

- Pobre homem! Deve ter sido horrível descobrir a verdade assim.

- Tem sido muito difícil para todos. Dwight e Marie sentem por Joe o mesmo amor de antes, mas ele vê as coisas de uma maneira diferente e além do mais idolatrava Hank.

- Então é de se esperar que esteja tão amargo.

- Não é bem assim - Winnie falou secamente. - Esse seu coração sensível ainda vai metê-la em problemas. Eu não creio que Joe ainda possa se emocionar com alguma coisa e será capaz de magoá-la se você tentar se aproximar.

- Sim, eu sei. Senti isso também - Demi murmurou com um sorriso triste. - E eu não sou o tipo de mulher capaz de atrair um homem tão bonito, tão seguro de si quanto ele. Eu sou apenas... eu.

- Mas você não era você mesma na festa de ontem. Estava representando o papel de uma mulher sofisticada, experiente. Joe não tem idéia de quem você realmente é, e este tipo de segredo é perigoso de guardar.

- Todo segredo é perigoso de ser guardado.

- Amém. Então confie em mim e mantenha distância. Porém não subestime os seus atrativos, minha amiga. Você fica linda quando se veste com apuro e esse seu coração carinhoso atrai qualquer pessoa, mesmo homens como Joe.

- Mas nunca aconteceu algo assim antes. Bem, nunca atraí o tipo certo de homens.

- Qualquer dia desses o homem ideal aparecerá. Você o merece mais do que ninguém.

- Obrigada. E o sentimento é recíproco. Eu gosto muito do seu Dwight.

- Eu também - Winnie respondeu sorrindo.

- Depois do casamento vocês pretendem morar com Marie e Joe?

- Não. Há uma outra casa na fazenda, onde o avô de Dwight morava. Está sendo totalmente reformada e é para lá que iremos. Se você quiser, posso levá-la até o local, para dar uma olhada.

- Eu gostaria muito.

- Você está muito melhor agora do que quando chegou aqui, Demi. A dor diminuiu um pouco?

- Sim, graças a você e a sua mãe.

- É isso o que nós queremos. Logo papai estará de volta e poderemos passear pelos arredores. Você sabe que eu não sou uma grande conhecedora da área e mamãe não gosta de dirigir durante horas seguidas. Há muitos pontos históricos nesta região que merecem ser vistos.

- Eu sei, já li bastante a respeito.

As  duas  continuaram  conversando  sobre  alguns  possíveis  passeios  e  o  nome  de  Joe não  foi mencionado outra vez, embora não saísse dos pensamentos de Demi.
Nos dias que se seguiram eles se viram ocasionalmente e sempre por obra do acaso, que parecia querer aproximá-los.
Quando Winnie e ela visitavam Dwight na fazenda, Joe costumava aparecer e parar por alguns instantes, interessado na conversa que girava sempre sobre cavalos, gado ou rodeios.
Demi não entendia quase nada do assunto, mas tudo o que a interessava era ter a oportunidade de estar perto de Joe.
Ele notava a maneira com que ela o fitava e sentia-se perturbado. As mulheres sempre o haviam perseguido, mas havia algo diferente em Demi. Que ela se sentia atraída não havia a menor dúvida, entretanto parecia tímida demais para flertar abertamente, o que servia apenas para aumentar o seu interesse.
 Joe passou a procurar oportunidades de vê-la, embora dissesse a si mesmo que não pretendia envolver-se. Demi despertava algo dentro dele que jamais imaginara existir.
Às vezes sentia-se estranhamente irritado pelos sentimentos que vinha experimentando, porém tinha a impressão de que havia sido pego por uma avalanche que não conseguia fazer parar. Alguns dias depois da festa, Joe notou o carro de Winnie passar pela fazenda em direção a Pryor. Ao perceber Demi na direção, e sozinha, ele arrumou uma desculpa para ir à cidade, dizendo a si mesmo que precisava comprar cordas novas, embora soubesse que o estoque da fazenda estivesse muito bem fornido.
Foi assim que Demi e ele se encontraram, como que ao acaso, em Pryor. Ela estava comprando algumas linhas de crochê para a sra. Manley, enquanto Winnie se ocupava em resolver detalhes do seu vestido de noiva numa outra loja.
Joe se aproximou com as cordas novas nas mãos. O mau humor que o consumia tinha um nome: Demi. Todos os motivos pelos quais não devia se envolver com aquela garota saltavam-lhe aos olhos, pois ela era sinônimo de complicação, a última coisa que precisava na vida neste exato momento. A senhorita Alta-Sociedade não era o tipo de mulher que se adaptasse à vida numa fazenda e ele começava a sentir a passagem dos anos. As muitas mulheres com as quais costumava sair já não lhe atraíam mais e a idéia de uma esposa e filhos vinha-lhe à mente com maior freqüência.
Talvez filhos estivessem fora de cogitação, considerando o caráter do seu pai verdadeiro.
Além do mais, a sua reputação de mulherengo acabaria por dificultar a possibilidade de encontrar uma mulher decente que quisesse se casar com ele. É claro que não era assim tão fácil colocar freios no próprio interesse e ao ver Demi diante de si, ele não conseguiu evitar a reação imediata do corpo.

- Olá, Joe! Está pretendendo sair à procura de alguma ovelha desgarrada? - ela perguntou com um sorriso, apontando para acorda.

- Vim apenas comprar uma corda nova - ele respondeu irritado consigo mesmo por ter dito uma mentira tão óbvia.
- Oh! Você sabe preparar um laço?

- Esta é uma corda de náilon e tem outras utilidades - Joe falou secamente. - Você está sozinha?

- Não. Winnie veio comigo e está resolvendo detalhes sobre o vestido de noiva.

- O casamento deles será o acontecimento do ano.

Joe não conseguiu disfarçar o sarcasmo da voz. Dwight era um Jonas legítimo e havia herdado a parte do leão nos negócios, embora ele não pudesse se queixar de seu quinhão na herança. Entretanto, era difícil abrir mão da sua condição de primogênito de uma hora para outra.

- Você está magoado, não está?

A pergunta, feita com suavidade, o pegou de surpresa. Havia compaixão e compreensão naqueles olhos castanhos e ele não sabia se gostava ou não do que via.

- Você não tem que ir para algum lugar agora, Demi?

- Pelo seu tom de voz, suponho que você esteja querendo se ver livre de mim. Então é isto, estou sendo rejeitada - Ela falou com um suspiro teatral, tentando esconder a timidez atrás do humor. - Pode me deixar de lado, eu sei lidar com a situação.

- Sabe mesmo? - Joe murmurou, levando um cigarro aos lábios.

- Provavelmente não. Winnie me avisou para me manter afastada. Ela diz que você é muito mulherengo.

- É mesmo? Sua amiga está certa. Eu nunca fiz segredo dos meus pendores. Ou você esperava uma resposta diferente?

- Fico satisfeita por ter ouvido a verdade.

- Presumo, então, que nós dois façamos parte de uma minoria, já que a grande maioria das pessoas parece preferir as mentiras, não importando o quanto sejam óbvias.

Demi sentiu-se culpada por alguns momentos, uma vez que estava tentando se comportar como alguém que de fato não era. Mas só agia assim porque sabia que o seu eu verdadeiro não poderia atrair aquele homem.
Joe percebeu a mudança de expressão no rosto de Demi e ficou intrigado, mas antes que pudesse fazer qualquer comentário, reparou que Winnie se aproximava.

- É melhor que você se vá. A sua guarda-costas está a ponto de vê-la conversando comigo. E não lhe dará sossego durante o resto do dia se nos ver juntos.

- Você se importaria com isso?

- Sim, em atenção a Dwight. Não quero me indispor com Winnie antes mesmo do casamento - Joe riu com sarcasmo antes de continuar: - Há tempo de sobra para isso depois.

- Você não é esse mau caráter que finge ser.

- Não acredite nisso, doçura. É melhor que você vá agora.

- Está certo. Vejo-o qualquer dia desses.

- Claro.

Joe caminhou até o jipe sem olhar para trás. Ter ido à procura de Demi havia sido um grande erro. Ela era a melhor amiga de Winnie e sua futura cunhada estava determinada a impedir um relacionamento casual entre ambos.
Era preciso manter a cabeça fria, pois já tinha problemas suficientes na sua vida.
Demi estava aparentemente tranqüila ao se encontrar com Winnie, que parecia não caber em si de satisfação.

- Meu vestido vai ficar lindo! - ela falou com entusiasmo. - Você estava conversando com alguém?

- Nada de importante. Já comprei as linhas para a sua mãe - Demi respondeu mudando de assunto.

Winnie aceitou a explicação e ambas voltaram para casa sem tocar no nome de Joe.
Entretanto, Demi não conseguia esquecê-lo e quando dois dias depois ela e Winnie foram convidadas para um jantar na casa dos Jonas, não pôde deixar de pensar que talvez o destino estivesse trabalhando a seu favor.
Na noite do jantar Demi decidiu usar um vestido cinza claro de gola alta e como complemento apenas um cinto delicado.
Embora não se tratasse de um modelo sexy, seu corpo bem-feito ficava em evidência. Os cabelos presos num coque simples e a maquiagem suave davam o toque final de elegância. Sua aparência era bem menos sofisticada do que a do dia da festa, o que não deixava de ser intrigante.

- Você está ótima - Winnie comentou. - E esta noite, por favor, não tente parecer o que não é.

- Por quê? Você espera que Joe Jonas mantenha distância de mim se me ver como eu realmente sou: uma mulher antiquada?

- Eu não estou tentando ser chata, Demi. Só não quero vê-la magoada. Joe... tem andado tão diferente.

- Como era ele antes?

- Alguém muito divertido - Winnie respondeu sorrindo. - Sempre teve um olho comprido nas mulheres, porém era mais sutil. Agora está indiferente e parece não ter consciência, não se importando em ferir as pessoas.

- Eu não creio que Joe viesse a me magoar.

- Não aposte nisso. Você acredita demais nos outros. Há gente que não tem escrúpulos.

- Não penso assim. Não depois de ter presenciado tantas coisas na minha vida. Muitas vezes a beleza se esconde nos lugares mais terríveis.

Winnie não sabia o que mais dizer à amiga. Provavelmente seus avisos não surtiriam efeito. Só lhe restava torcer para que Joe estivesse ausente ou, caso se encontrasse em casa, demonstrasse um interesse genuíno em Demi.
Estava anoitecendo quando as duas chegaram à casa dos Jonas.

- Vocês estão adiantadas - Marie falou, parecendo bastante alterada ao abrir a porta para as convidadas. - Oh, Deus! Será que uma de vocês sabe alguma coisa a respeito de primeiros socorros? Dwight deu um pulo até a cidade para comprar vinho e Joe está com um corte profundo no braço. Eu não sei o que fazer...

- Onde está ele? - Demi perguntou num tom de voz seguro e profissional. - Eu sei o que deve ser feito.

- Graças a Deus! - Marie murmurou levando-as em direção aos quartos.

- Acho que vou esperá-las na sala de estar, se vocês não se importarem - Winnie falou. - Eu não sei como poderia ajudar.

- Então você não ficará sozinha - Marie apressou-se a dizer. - Eu também não posso ver sangue. Ele está no banheiro daquele quarto. E dá para ouvi-lo praguejar.

Demi entrou, um pouco hesitante, reparando no ambiente sóbrio ao redor. A decoração era em tons terrosos e poucos móveis dominavam o ambiente: uma escrivaninha, duas poltronas junto à lareira e uma cama de casal enorme.
Como a porta do banheiro estivesse entreaberta, ela entrou. Joe estava de pé junto à pia, sem camisa, e tendo num dos braços um corte que ia do cotovelo ao pulso. O sangue jorrava sobre o mármore.

- Vai precisar de pontos - ela falou.

- Que diabo você quer aqui? - ele retrucou com raiva, os olhos verdes faiscando.

Demi se aproximou, tentando não fitar o corpo musculoso e viril que a deixava sem fôlego.

- Marie e sua futura cunhada estão à beira de um ataque de nervos, mas eu não. Deixe-me ver o ferimento, por favor.

Logo ela estava limpando o corte com um desinfetante e passando pomada de penicilina.

- Imagino que você se oporia se eu sugerisse uma ida ao hospital?

Joe a fitou com intensidade, tomado por emoções desencontradas.
Havia planejado não estar em casa quando Winnie e Demi chegassem para o jantar. Só que não imaginara ferir-se quando, em vez de prestar atenção no que estava fazendo, deixara a mente vagar, os pensamentos centrados em Demi.
Ela tentava ignorar as batidas aceleradas do próprio coração, lutando para esconder o nervosismo. Joe, por sua vez, também tinha o pulso alterado e a respiração rápida.

- Pelo menos parou de sangrar. Será que você tem curativos prontos?

- O quê? - ele murmurou sem deixar de fitá-la.

- Curativos... Não tem importância, eu posso usar este material aqui.

As mãos dela estavam frias sobre a sua pele quente e ele não podia deixar de notar o quanto Demi demonstrava segurança no que fazia.

- Você já fez isso antes, não é mesmo?

- Oh, sim, muitas vezes. Estou acostumada a tratar de pessoas.

- Obrigado. Estou me sentindo melhor.

- Como foi que você se cortou?

- Eu virei para a esquerda quando deveria ter me virado para a direita, doçura. Agora que você já cuidou deste ferimento, será que poderia dar uma olhada neste outro aqui?

- Qual?

Joe apontou para um corte pequeno no peito e que ainda sangrava.

- Acho que sua camisa está acabada - Demi murmurou, tentando esconder o tremor das mãos ao tocar o ferimento.

Era bom sentir a pele quente daquele homem sob os seus dedos. Ele estava ferido e ela não podia correr o risco de perder o controle, entregando-se às emoções que tanta proximidade despertava.

- A camisa e a jaqueta também - Joe falou em voz baixa, sentindo o corpo responder ao toque de Demi. - Mas se você pretende pôr algum curativo aqui, é melhor esquecer.

- Acho que... que tirar o curativo depois pode ser doloroso, por causa destes... pêlos todos.

A maneira com que ela falou foi levemente excitante. Joe passou a mão no peito, enquanto dizia:
- Então apenas limpe o corte, querida, e não faça mais nada.

- Está bem.

Querida.
Nunca, homem algum a havia chamado assim com uma voz tão profunda e sensual.
Ela tomou a pomada e a passou sobre a área machucada em movimentos suaves, parando no instante em que sentiu Joe ficar tenso.

- Está doendo? - Demi perguntou baixinho, intrigada pelo brilho daqueles olhos verdes.

- Não da maneira que você está pensando - ele respondeu secamente.

Joe sentia o corpo rígido de desejo, mas não podia permitir que nada acontecesse. Tinha que dar um paradeiro naquelas emoções e o melhor era que fosse já.
Mas Demi tinha a fragância de flores e o toque delicado sobre a sua pele nua parecia embriagá-lo. Sem que se desse conta, pressionou os dedos dela sobre o peito, fitando-a com intensidade.
Ela parecia mais jovem hoje, vestida com simplicidade. E ele a apreciava ainda mais assim do que metida no vestido sexy da noite da festa. Esteve a ponto de dizer isso, porém conseguiu calar-se a tempo.

- Já... parou de sangrar - Demi sussurrou, fitando-o nos olhos.

- Sim.

Joe acariciou a mão dela, fazendo-a deslizar sobre o seu peito, deixando-a perceber o efeito que esta carícia suave produzia em seu corpo.

- Joe... - ela murmurou, sentindo o coração pulsar com violência.

Ouvi-la dizer o seu nome com a voz sumida o fez perder a cabeça. Sem deixar de fitá-la ele se inclinou lentamente, com um único pensamento: beijar os lábios entreabertos que pareciam convidá-lo. Ela nem mesmo tentou fingir uma pequena resistência.
Demi queria ser beijada quase que com desespero. Nunca homem algum a havia atraído tanto. Ao menos uma vez, queria sentir o gosto de Joe. Ao menos uma vez...
Demi fechou os olhos entregando-se ao momento, seus lábios quase se tocando.
E então uma voz feminina quebrou o encanto, rompendo o silêncio carregado de emoção.

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olá! td bem? eu vou bem... gente, minha vida está uma loucura! td hard '-' ESSA PESSOA QUE INTERROMPE UM MOMENTO DESSES DEVE SOFRER DE ALGUMA COISA -nnnnn só no próximo p vcs descobrirem sz COMENTEM! Respostas aqui' bjs, amo vcs <3