30.10.14

Perigosa Atração - Capítulo 2


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- Você tem certeza de que eu estou bem assim? - Demi perguntou, olhando-se no espelho com expressão preocupada.

Winnie havia lhe emprestado um vestido tomara-que-caia para a festa daquela noite na fazenda Jonas. e ela o estava achando um pouco ousado demais.

- Pare de se preocupar! O vestido não é assim tão decotado, mesmo para os padrões de Pryor. Você está ótima e só se sente estranha porque esteve, por algum tempo, fora de contato com a moda.

Demi suspirou e olhou para o espelho mais uma vez, tendo dificuldade para se reconhecer na imagem refletida. Seus cabelos longos e negros haviam sido deixados soltos e caíam sobre os ombros em ondas suaves, numa moldura perfeita para o rosto delicado. Resolvera também passar rímel, blush e um pouquinho a mais de batom do que o habitual, obtendo um efeito encantador. O vestido justo, em tons de verde e preto, acentuava as linhas perfeitas do seu corpo esguio e lhe dava um ar sofisticado. Sandálias pretas, de salto alto, davam o toque final de elegância.
Winnie costumava participar de desfiles promovidos por uma das butiques da cidade, tendo aprendido inúmeros truques de beleza, sendo capaz de tirar partido dos pontos positivos e disfarçar as pequenas imperfeições do rosto e do corpo. E fora com extrema satisfação que ela usara seus conhecimentos para vestir a sua amiga nesta noite.

- Eu sempre soube que você ficaria uma beleza se usasse a roupa e a maquiagem adequada! – Winnie exclamou com alegria, observando a figura de Demi. - Estou satisfeita que me tenha, finalmente, deixado arrumá-la. Você terá todos os solteiros da festa aos seus pés. Dwight tem um amigo muito simpático. Espero que ele apareça.

- Eu também - Demi respondeu rindo, embora seu pensamento estivesse num outro homem muito especial, alguém cujas atenções ela gostaria de receber.

Embora não soubesse que tipo de problemas Joe vinha enfrentando, só o fato de sabê-lo magoado  enchia o seu coração de ternura. Não é bom estar sozinho quando se enfrenta alguma dor.

- Você está linda, Demi, acredite em mim - Winnie foi falando enquanto puxava a amiga para a sala de estar, querendo exibi-la. -Mamãe, olhe o que eu fiz com Dem! - A sra. Manley, uma mulher alta e com os cabelos grisalhos, sorriu diante do entusiasmo da filha:

- Mas que mudança! Você está uma verdadeira beleza, Dem. Gostaria que seus pais pudessem vê-la.

- Sim, eu também, sra. Manley.

- Desculpe-me, eu não quis entristecê-la. Sua mãe e eu fomos grandes amigas por mais de trinta anos e se estes últimos tempos têm sido difíceis para mim, imagino como têm sido para você.

- A vida continua - Demi respondeu tentando parecer despreocupada. - Este vestido não é um sonho? Quero lhes agradecer, outra vez, por terem me recebido aqui. Não sei o que faria, ou para onde iria, se não fosse por vocês duas.

- Tenho certeza de que você tem muitos amigos além de nós, embora eles estejam espalhados pelo mundo afora - Winnie falou abraçando Demi. - Mas eu continuo sendo a sua melhor amiga, não é? Lembra-se de quando estávamos na escola, em Bisbee, e tínhamos que subir a montanha todos os dias para voltarmos para casa depois da aula?

- Às vezes sinto saudades do Arizona - Demi murmurou.

- Eu não - a sra. Manley interveio. - Costumava ter pesadelos nos quais caía do alto das montanhas. Foi bom quando meu marido decidiu aceitar a oferta de um novo trabalho e nos mudamos para cá. É claro que se eu soubesse que ele precisaria passar grande parte do tempo viajando pelo mundo, teria pensado melhor no assunto. Ultimamente ele quase não pára em casa.

- Mas papai irá se aposentar no ano que vem.

- Sim, eu sei, Winnie. Bem, acho melhor que vocês duas se ponham a caminho já, ou chegarão atrasadas. A festa é na casa dos Jonas?

- Sim - Winnie sorriu. - Só espero que Dwight não desista de mim e resolva fugir com Dem.

- Sem perigo. Vocês já estão noivos - Demi respondeu com um ar divertido.

Winnie dirigiu até a fazenda. Demi sabia dirigir também, porém não possuía uma carteira de motorista atualizada, já que nos últimos dois anos não havia precisado de carro.

- Lembre-se do que eu lhe disse, Demi, e não chegue muito perto de Joe. Embora não creia que ele irá se aproximar de você, já que parece não se entusiasmar com mulheres inexperientes. Eu não estava brincando quando falei que ele é um homem perigoso, envolvente, vivido. E atualmente parece estar fora de si.

- Ele não pode ser assim tão difícil.

- Não creia nisso. Tenha cuidado.

- Está bem, terei cuidado - Demi prometeu cruzando os dedos atrás das costas. - Afinal Joe é um homem amargo porque foi rejeitado por alguma mulher ou porque foi uma criança maltratada pela mãe?
- As mulheres não costumam rejeitar Joe, muito pelo contrário, e a mãe dele foi uma santa, segundo as palavras de Dwight. De fato, a sra. Jonas era adorada por todos da cidade e morreu há dez anos. O pai... era um fazendeiro com um coração que não cabia no peito e morreu há seis meses. Aquele foi um casamento feliz.

Demi percebeu a hesitação na voz de Winnie ao tocar no nome de Hank Jonas, só que não entendia o porquê.

- Então você sabe o que há de errado com Joe?

- Sim. Mas não posso dizer-lhe. Não é um assunto que me diga respeito e Dwight já foi perguntado sobre isso um milhão de vezes, pela cidade inteira. Não quero parecer indelicada, pois eu confio em você. Entretanto, este assunto diz respeito apenas a Joe.

- Entendo.

- Não, você não compreende. Porém Dwight poderá lhe contar algum dia, ou então, Marie.

- Marie se parece com Dwight ou com Joe?

- Ela  tem  o  tipo  físico  de  Dwight:  loura,  olhos  azuis.  Joe é...  diferente.  Mais  cabeça  dura. Temperamental.

- Tive essa impressão. Ele nunca sorri?

- Às vezes. Especialmente quando está a ponto de agredir alguém. Ele não é um homem fácil. É  arrogante, orgulhoso, impetuoso demais. Você descobrirá por si mesma, só não quero que seja de uma maneira dolorosa.

- Eu sei cuidar de mim mesma, Winnie, você sabe. Estive fazendo exatamente isso em lugares perigosos. E por um longo tempo.

- Eu sei, mas há uma grande diferença entre o que você esteve fazendo e a relação entre um homem e uma mulher. Falando com sinceridade, você é uma mulher ingênua apesar dos seus vinte e cinco anos e embora tenha levado uma vida cheia de aventuras em alguns aspectos, permaneceu ignorante em outros. Não creio que seus pais tenham levado as suas necessidades muito em conta quando fizeram os planos de vida.

- Sim, Winnie, eles me levaram em conta - Demi falou com um sorriso. - Sou muito parecida com os dois e adorei cada minuto do que fizemos juntos. E mesmo agora, ainda sinto falta daquele tipo de trabalho. As coisas acontecem conforme a vontade de Deus. Vou superar tudo isso.

- De qualquer maneira, acho que foi um desperdício...

- Oh, não, não foi um desperdício. Eles ainda estão vivos, no trabalho que fizeram, nas vidas que mudaram.

- Não quero discutir com você, Dem. Através de todos estes anos sempre nos mantivemos em contato e permanecemos amigas. Você ainda é a irmã que eu nunca tive e enquanto eu estiver viva, você sempre terá um lar.

Demi tentava conter as lágrimas que teimavam em escorrer daqueles belos olhos castanhos.

- Se as circunstâncias fossem invertidas, espero que saiba que eu faria a mesma coisa por você.

- Eu tenho certeza que sim - Winnie murmurou emocionada.

O caminho que conduzia à casa da fazenda era margeado por pinheiros e ao longe via-se a sombra das montanhas.

- Isto aqui não é o paraíso? - Demi falou com um suspiro. - O Wyoming é lindo!

- Sim, com certeza. Eu posso passar o resto da minha vida aqui. Agora, Dem, me diga: você não está pretendendo passar a noite inteira se esquivando das pessoas, está? O objetivo de uma festa é permitir que todos se encontrem.
- É  você que precisa se encontrar com as pessoas, já que está para se casar com o dono da casa.

- Você pode desfrutar da situação também. Os convidados são interessantes. A maioria é composta por fazendeiros, criadores de cavalos, participantes de rodeios.

- Você está me deixando nervosa - Dem respondeu sentindo-se desconfortável, enquanto Winnie estacionava o carro. - Eu não sei nada sobre rodeios, cavalos ou gado.

- Não há nada como o momento presente para aprender. Vamos, está na hora.

- Será que eu não posso ficar esperando por você dentro do carro?

- Não há a mínima chance, minha amiga. Especialmente depois de todo o trabalho que eu tive para arrumá-la. Quero ter a oportunidade de exibi-la.

- Querendo mostrar os seus dotes de artista, hein? - Demi brincou. - Desisto, vamos então.

Dwight Jonas estava na varanda e foi ao encontro das recém-chegadas no mesmo instante, beijando a noiva com alegria.

- Oi, Dem, que bom que você veio - ele falou e ficou em silêncio por alguns segundos, fitando a morena com atenção. - Dem? É mesmo você?

- Obra minha - Winnie falou sorrindo. - Ela não está uma beleza?

- Está maravilhosa. Se eu não tivesse visto você primeiro... - Dwight começou.
Winnie pisou no pé do noivo e comentou com um ar divertido:

- Pare aí, se não quiser acabar com uma perna quebrada. Você é todo meu e é melhor não se esquecer disso.

- Como se eu pudesse - Dwight respondeu piscando um olho. - Você está linda, Dem, mas eu estava apenas brincando.

- Você está desculpado desta vez - Winnie murmurou abraçando o noivo. - Onde está Marie?

- Lá atrás, perto da banda. Joe está do outro lado.

- Marie e Joe não combinam muito bem - Winnie explicou à amiga.

- Felizmente nossos convidados se encarregarão de mantê-los afastados um do outro. Minha mãe passou a vida inteira tentando apaziguar as brigas entre os dois. Quando Joe esteve no exterior durante um ano, encarregado de um trabalho de vendas, nós até que conseguimos desfrutar várias refeições na mais completa paz. Agora temos indigestão e uma nova cozinheira a cada mês. Falando em comida, vamos ver se ainda resta alguma? Creio que vocês duas são os últimos convidados que estávamos esperando.

- Os melhores são sempre esperados, querido - Winnie falou com um sorriso radiante.
No enorme pátio, todo enfeitado com lanternas coloridas, mesas e cadeiras, um cozinheiro oriental se encarregava de assar a carne. Junto a ele, duas mulheres conversavam e Demi logo soube que uma delas era Marie Jonas.

- O cheiro está delicioso - Dem comentou com o anfitrião.

- E o sabor também - Dwight respondeu. - Vamos nos servir e apreciar a comida.

Mas no caminho, o casal de noivos parou para conversar com alguns conhecidos e Demi continuou sozinha até a mesa principal, onde o bufê estava instalado. Ela serviu-se com parcimônia e pegando um copo de chá gelado, procurou um lugar onde sentar-se.

Joe Jonas estava de pé não muito longe dali, conversando com um dos convidados, quando viu Demi sentar-se sozinha a uma das pequenas mesas. Ele não a havia perdido de vista um só instante, desde que a vira chegar, e não conseguia entender por que se sentia tão atraído por aquela mulher, embora esta noite ela estivesse realmente bonita, metida num vestido sexy que lhe dava um ar sofisticado. Winnie costumava trabalhar como modelo e Joe sabia que muitas das amigas da sua futura cunhada eram mulheres liberadas. Tempos atrás ele mesmo havia saído com Winnie uma única vez e talvez fosse por isso que ela tivesse uma opinião desfavorável a seu respeito. Não que houvesse acontecido algo entre os dois, pois Dwight resolvera namorar Winnie e cortara qualquer possibilidade deles se verem outra vez.
Joe não dera a mínima importância à intromissão do meio-irmão, já que as mulheres costumavam cair aos seus pés e ele não tinha interesse real em Winnie. Talvez ela houvesse se sentido ofendida por ter sido deixada de lado, porém ele nunca chegara a querer uma mulher o suficiente para se sentir disposto a lutar por ela. Todas eram iguais.
"Bem, a maioria era igual", Joe pensou fitando Demi, reparando o porte elegante, a delicadeza dos gestos.
Já fazia algum tempo desde que ele estivera com uma mulher e seu corpo ansiava por um alívio sensual que o fizesse esquecer o desgaste emocional que o consumia. Não que ele se lembrasse da noite que havia passado em companhia de Dale Branigan, muito pelo contrário. Talvez fosse por isso que o seu corpo ficava rígido a cada vez que olhava para Demi.
Ela sentiu que Joe a olhava e o fitou, pensando no quanto aquele homem a atraía.
Ele vestia calça jeans, camisa branca de mangas compridas, uma bandana ao redor do pescoço e botas de couro. Seus cabelos negros estavam úmidos, como se ele houvesse acabado de sair do banho. Joe era o homem mais envolvente que Demi jamais encontrara e seu corpo respondia ao aspecto viril dele com uma intensidade difícil de controlar.
Ela não devia encorajá-lo, sabia que não devia, mas não conseguia deixar de fitá-lo. Dem tentava se enganar dizendo a si mesma que em sua vida tivera poucas oportunidades de encontrar homens interessantes e que era natural se sentir atraída pelo primeiro solteiro bonito que encontrasse.
"Se aquele olhar não for um convite, então estou cego", Joe pensava, desistindo de resistir por mais tempo.

Ele atirou  o cigarro no chão, pediu  licença  ao convidado com  quem  estivera  conversando e se aproximou do bufê. Depois de servir-se e pegar um copo de cerveja, sentou-se junto a Demi, notando o quão pouco ela havia se servido.

- Você não está gostando da comida? - ele perguntou sem sorrir.

Demi fitou o homem à sua frente, reparando nos olhos verdes, o cabelo negro e curto, o rosto de traços marcantes, a boca sensual. Joe ainda não havia sorrido e continuava a examiná-la com interesse. Esta não era a primeira vez em que um homem a despia com os olhos, porém era a primeira vez que se sentia tão afetada. Tinha vontade de puxar a toalha da mesa e cobrir-se.
Entretanto, não faria isso, pois já não havia aprendido que a maneira de enfrentar um predador era demonstrando uma coragem inabalável? Demi lançou mão de todo o seu senso de humor e pôs-se a representar o papel de mulher sofisticada.

- Eu lhe perguntei se você não está gostando da comida - ele insistiu numa voz suave e profunda, mais apropriada para uma situação de intimidade.

Dem se assustou com o rumo dos próprios pensamentos. Não podia se deixar envolver desta maneira por um estranho, ainda que ele fosse alto, forte e viril.

- Oh, eu gosto da comida, sim. Só não estou habituada a comer muito - ela respondeu com um sorriso provocante.

- Diga-me então - Joe falou com arrogância.

- Dizer-lhe o quê?

Ele estava um pouco desapontado com as maneiras desinibidas dela, pois julgara que se tratava de uma mulher um pouco tímida. Mas esta não era a primeira vez que se enganava a respeito de uma mulher.

- Dê-me tempo, vou pensar em alguma coisa - respondeu Joe.

- Espero que não seja casado, sr. Jonas, ou que tenha uns seis filhos. Eu odiaria ter que estragar a festa me atirando de cima do telhado.

- Eu não sou casado - Joe retrucou como mesmo senso de humor, sentando-se ainda mais perto de Demi. Perto demais.

Ele cheirava a água de colônia e sabonete, um aroma potente para uma mulher que não estava acostumada a estar perto de homens tão envolventes.

- Presumo que você não tenha vindo sozinha - ele falou, fitando-a com intensidade. - Deixe-me comer um pouco mais e estarei pronto para acabar com o seu acompanhante.

- Oh, eu não tenho um acompanhante - Dem respondeu tentando esconder o nervosismo sob o senso de humor. - Eu vim com Winnie.

- Então isso salva os meus punhos. Você conhece Winnie há muito tempo?

- Sim, somos amigas de infância.

- Ontem à noite, no bar, você disse que ficaria por aqui apenas umas duas semanas. Faz tempo que chegou?

- Poucos dias. Há muito eu andava querendo rever Winnie. Não nos víamos há alguns anos.

Era impossível dizer-lhe que a sua estada em Pryor dependeria da possibilidade de manter-se incógnita. Desde que voltara ao país havia conseguido se manter afastada da mídia e não queria que a imprensa a descobrisse outra vez.

- Você já conheceu os pontos turísticos da cidade? - Joe perguntou, fitando seus ombros nus e o início dos seios com ousadia.

- Ainda não, mas tenho me divertido. É bom tirar alguns dias de férias.

- O que você faz... quando não está visitando os amigos?

- Sou uma vamp - Demi respondeu, divertindo-se em surpreender Joe.

Era bom agir como uma atriz; representar um papel ajudava-a a esquecer um pouco do horror dos últimos meses.

- Não, não acredito nisso - ele falou depois de alguns segundos de silêncio. – O que você faz de verdade?

Dem bebeu um pouco de chá, tentando ganhar tempo para pensar. Joe não era nenhum estúpido, entretanto não poderia escapar alguma informação que revelasse quem ela realmente era e o que fizera até poucos meses atrás.

- Estou no ramo de salvamento.

Demi riu ao notar a expressão do rosto de Joe.

- Oh, não, não trabalho na recuperação de objetos ou coisas afins. Trabalho com a recuperação de pessoas. Sou... - ela hesitou, tentando dizer algo que não fosse uma completa mentira.

- Você é o quê?

Joe era perigosamente curioso, tinha o raciocínio rápido. Era preciso despistá-lo antes que ele lhe arrancasse a verdade.

- Você, por acaso, é uma reencarnação da Inquisição Espanhola?

- Eu nem mesmo falo espanhol - Joe respondeu sorrindo, apesar de estar cheio de suspeitas. – Quantos anos você tem?

- Calma, você me deixa sem fôlego!

Ele fitou a boca bem feita por alguns segundos, antes de murmurar:

- Isto é uma sugestão?

A mão de Demi tremia quando ela colocou o copo sobre a mesa. Joe era um homem experiente e a deixava nervosa. Não era preciso muito esforço para entender o sentido da sua última pergunta.

- Você vai rápido demais - ela falou um pouco apreensiva.

Ele se recostou na cadeira, observando-a com atenção. Dem lhe dava a impressão de ser uma mulher cheia de contradições, e isso o atraía ainda mais.

- OK, querida. Vou pisar no freio.

- Quantos anos você tem? - ela perguntou, embora já soubesse a resposta.

- Trinta e quatro. Velho demais para você, doçura?

- Eu tenho vinte e cinco.

Joe a julgara mais jovem. Sim, havia algumas linhas suaves marcando o rosto bonito e um ou outro fio de cabelo branco. Nove anos mais nova do que ele... A diferença de idade não era tão grande assim e aos vinte e cinco, ela não poderia ser uma inocente. Joe sentiu o coração disparar ao observar o corpo bem feito, imaginando como seria vê-la sem as roupas, beijar a boca sensual. Se ao menos não fosse amiga de Winnie...
Demi era um verdadeiro enigma. Jovem, e de repente, não tão jovem assim. Tinha a impressão de que aquela mulher não era o que parecia ser e que, assim como ele, sabia esconder as suas emoções.

- Vinte e cinco anos. Você não é mais nenhuma criança, não é mesmo?

Joe percebeu muito bem que a expressão dos olhos de Demi se alterava, como uma atriz que se prepara para entrar em cena.

- Não, já não sou mais criança - ela murmurou, pensando na recente provação que tivera de enfrentar.

Nem por um segundo lhe passou pela cabeça que Joe poderia interpretar a sua resposta de uma outra maneira, julgando-a experiente como mulher, quando na verdade não o era.
Ele sentiu o corpo reagir à proximidade de Demi e ficou surpreso. Em geral levava muito mais tempo até que uma mulher pudesse afetá-lo fisicamente com tanta urgência. Eles se fitaram com intensidade por vários minutos e era possível sentir a eletricidade no ar.
O olhar dele desceu até o colo exposto de Demi e Joe ficou tenso tentando imaginar como seria sentir aqueles seios firmes sob a sua boca...
O som repentino de vozes os arrancou da tensão que parecia consumi-los.

- Você pensou que nós a havíamos abandonado? - Dwight perguntou. - Vejo que se encontrou com Joe. Cuidado, ou ele poderá arrastá-la para debaixo da mesa.

- Tenha cuidado você - Joe respondeu ao irmão mais jovem com aspereza.

- Vocês não se importam se nos sentarmos aqui, não é mesmo? - Dwight insistiu.
- É claro que não - Demi interveio, reparando no antagonismo entre os irmãos. - Vocês dois não parecem estar se entendendo muito bem. Alguma coisa errada?

O silêncio que se seguiu foi embaraçoso.

- Não, não nos entendemos muito bem - Joe falou com frieza. - Temos a mesma mãe, mas não o mesmo pai. Não é isso mesmo irmãozinho?

- Demi não sabia - Dwight respondeu, enrubescendo. - Ultimamente você está sempre na defensiva, Joe.

- Se eu não posso esquecer, por que você o faria?

- Você faz parte da família. Seria bom se parasse de agredir a todos e em especial, Marie.

- A agressão é recíproca. - Joe bebeu o resto da cerveja e virou-se para Demi: - Você não entende, não é mesmo, doçura? Eu não sou filho do pai de Dwight e Marie, fui adotado. Um detalhe que minha mãe e meu padrasto acharam que eu não precisava saber, até que meu padrasto morreu seis meses atrás.

- Sinto muito - ela falou com suavidade. - Deve ter sido difícil para você descobrir tudo de uma maneira tão abrupta.

- Eu não quero piedade - Joe respondeu odiando a ternura daqueles olhos castanhos. Tudo o que poderia vir a querer de Demi era o seu corpo bem feito e nada mais.

- Joe, pelo amor de Deus! - Dwight falou, constrangido.

- Não se preocupe, não vou estragar a festa.

Num gesto lento, ele tomou alguns fios de cabelo de Demi entre os dedos, enquanto murmurava:

- Fique longe de mim. Eu não valho muita coisa. Pergunte a qualquer pessoa.

Joe se afastou sem dizer mais nada e Demi não conseguiu disfarçar o quanto a angústia dele a afetava.

- Não caia no erro de sentir compaixão - Dwight a alertou. - Piedade é a última coisa que ele quer ou precisa. Ele precisa se encontrar de novo.

- Onde está o pai verdadeiro de Joe? - Demi perguntou.

Mas antes que Dwight pudesse responder, uma garota loura sentou-se junto a Winnie.

- Então ele foi embora - Marie Jonas murmurou. - Joe anda impossível. Não posso lhe dizer duas palavras que... Desculpe-me, você deve ser Demi. Pensei que Winnie nunca nos daria a chance de conhecê-la! Desculpe-me o desabafo, eu não pretendia discutir assuntos de família em público. Mas é que Joe sempre consegue me tirar do sério.
- O que foi que ele fez agora? - Dwight perguntou com um ar cansado.
- Ele seduziu a minha melhor amiga.
- Dale Branigan não é a sua melhor amiga e além do mais é uma mulher divorciada, experiente e louca para agarrar um homem. Se alguém foi seduzido, tenho certeza de que foi Joe. Ela também deveria saber que um único encontro não significa nada.

- Não estou me referindo a Dale e sim a Jessie.

- Joe nunca se aproximou de Jessie.

- Ela me contou que ele...

- Marie, Jessie é uma pessoa incapaz de dizer a verdade, mesmo que a vida dela dependesse disso. Ela sempre foi louca por Joe e ele nunca lhe deu atenção. Aposto que está inventando histórias, tentando forçar uma aproximação, um compromisso. Porém, nem uma chantagem seria capaz de arrastá-lo ao altar.

- Talvez ela não esteja mentindo. Você sabe como Joe é em relação às mulheres.

- Eu sei, mas penso que você não conhece o gosto do nosso irmão. Ele aprecia mulheres sofisticadas, vividas. Agora, Marie, esqueça este assunto e cumprimente Winnie.

- Olá, Winnie. É bom ver você outra vez. Também estou feliz por Demi ter vindo.

Marie não mencionou que Dwight havia lhe dito o efeito que Demi causara no irmão naquela noite no bar. Sim, havia algo diferente, interessante em Demetria Lovato e Joe fora capaz de percebê-lo.

- Obrigada por ter me convidado, Marie. Eu não queria impor a minha presença.

- O prazer é nosso. E então, você está gostando do Wyoming?

- Muito. É um Estado lindo.

- Também pensamos assim. Sabe, Winnie é muito reservada no que diz respeito a você. Será que há algum segredo?

- Não que eu saiba - Demi respondeu sorrindo e mudou de assunto: - Você gosta de montar?

- Marie já foi campeã de rodeios - Dwight falou com orgulho.

- De verdade? - Demi indagou com interesse genuíno.

- Joe também. Ele já foi campeão mundial no uso da corda. Depois sofreu um ferimento sério na mão e nunca mais competiu. Joe está amargo em relação a muitas coisas e eu gostaria que ele pudesse não culpar a mim ou a Dwight. Nós o amamos, mas ele parece não querer acreditar.

- Talvez ele supere tudo isso algum dia. Felizmente há muito trabalho a ser feito na fazenda e sobra pouco tempo para se entregar às preocupações - Dwight falou. - Nossos touros costumam participar de rodeios e estamos constantemente comprando e vendendo animais. Fora disso, o trabalho de administração é um pesadelo, apesar da ajuda dos computadores.

- Tudo me parece um pouco complicado e perigoso - Demi falou, pensando no único rodeio a que havia assistido. A selvageria dos animais a surpreendera e assustara um pouco.

- Você já assistiu a um rodeio de verdade, Demi? - Marie perguntou.

- Uma única vez, quando Winnie e eu éramos crianças. Mas confesso que não me lembro de muita coisa.

- Se você ficar por aqui tempo suficiente, Demi, tenho certeza de que a tornaremos fã dos rodeios - Dwight prometeu. - E agora, Marie, que tal um pouco de música? Acho que já está na hora da banda começar a tocar.
A música e a dança foram extremamente divertidas, entretanto Demi estava desapontada, pois Joe não voltara a aparecer. Ele a fascinava, apesar do que ouvira sobre a sua reputação.
Durante os momentos em que conversaram ela tentara parecer sofisticada, segura, já que era esse o tipo de mulher que o atraía. Entretanto, ele a havia deixado e não voltara a procurá-la. Também como poderia esperar que um homem como Joe Jonas se interessasse por ela? Demi dançou, sorriu, conversou, mas seu coração não estava no que fazia. Sem a presença envolvente de Joe, tudo perdia o sentido. Na verdade ele estava se sentindo da mesma maneira. Só havia deixado a festa porque sabia que não seria capaz de resistir à vontade de dançar com Demi. E um envolvimento entre os dois significaria mais problemas, quando já possuía preocupações suficientes. Pensou então em dar um pulo até um bar qualquer, entretanto a perspectiva não o atraía. Parecia estar perdendo o gosto pela bebida e pelas mulheres fáceis.
Talvez houvesse contraído algum tipo de vírus ou coisa assim.
Joe passou junto ao alojamento dos vaqueiros e ouviu a voz de Rance, seguida de risos. Era um sábado à noite e seria impossível impedir que os homens se entregassem à bebida. Mas qualquer dia desses teria que se confrontar com Rance, que não perdia ocasião de provocá-lo. O homem estava interessado em Dale Branigan e tinha ciúmes ferozes de Joe, quando não havia motivos para que os tivesse. Joe gostaria de dizer-lhe isso, porém sabia que não adiantaria nada. Ele continuou andando, a mente cheia de imagens de Demi metida naquele vestido provocante.
Resolveu parar por alguns minutos no celeiro, a fim de dar uma olhada em duas reses doentes, pensando como seria possível alguém mudar tanto em menos de quarenta e oito horas. Talvez fosse a sua idade... Então a lembrança dos olhos castanhos e profundos de Demetria Lovato dominou-lhe os sentidos. Praguejando baixinho, ele selou um cavalo e saiu a galope para checar uma das manadas; algo que não fazia há meses.

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OLÁ, POVO BONITO ♥ como vão? eu vou bem, na medida do possível... Desculpem-me a demora, estou super atarefada! Nem no twitter to entrando direito, acreditam? Psé... To muuuuuuuuuuito feliz que estão gostando! Essa história é uma paixãozinha ♥ Comentem para o próximo, ok? Respostas aqui' Beijos, amo vcs!

28.10.14

Perigosa Atração - Capítulo 1


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Ele era atraente e sabia disso. Sua reputação de conquistador também já havia se espalhado pela cidade, uma vez que não costumava resistir a convites explícitos. Entretanto, os olhares que estava recebendo da mulher desconhecida, sentada a uma mesa do canto, o estavam deixando irritado. Os últimos seis meses haviam sido difíceis e ele andava bebendo demais e saindo com muitas mulheres... pelo menos era isso o que ouvia em casa. Não que desse atenção a esses comentários. Não depois de saber que aquelas pessoas a quem considerava como sendo a sua família, na verdade não o eram.
Ele a fitou com atenção, notando os cabelos negros presos num coque, os seios firmes sob a blusa branca, a cintura fina e as pernas longas e elegantes metidas numa calça jeans justa. Ela estava em companhia  de  Dwight,  seu  meio-irmão  e  a  noiva  dele,  Winnie.  Embora  não  soubesse  o  nome  da desconhecida, supunha que fosse a convidada de Winnie, já que na pequena cidade de Pryor, em Wyoming, todos ficavam sabendo quando alguém recebia hóspedes. Ele deu mais um gole no uísque, pensando, com certa amargura, no quanto vinha bebendo nestes últimos tempos.
Quando se começa a levar mulheres para a cama e não se consegue lembrar de nada na manhã seguinte, é hora de repensar a vida. Dale Branigan o havia pego num momento de fraqueza e agora o estava pressionando, querendo oficializar um compromisso sério. Não que ela fosse feia, mas não passava de um dos muitos casos que o estavam levando direto para o inferno. Pelo menos era isso o que dizia o seu meio-irmão.
Ele olhou para o rosto desaprovador de Dwight, tão diferente do seu, e lentamente levou o copo aos lábios com um sorriso zombeteiro. Porém recusou a nova dose oferecida pelo garçom. Não fora a expressão reprovadora de Dwight que o fizera dar um basta, mas a maneira com que a mulher desconhecida o estava fitando. Havia algo suave e sensível naquela face, como se ela o compreendesse. E quando seus olhares sé encontraram, ele sentiu uma emoção súbita apertar-lhe o peito. Estranho, nunca havia sentido nada assim antes.
Talvez fosse a bebida.
Ele olhou ao redor. O bar estava cheio, embora fosse pequeno o número de mulheres e graças a Deus não havia sinal de Dale. Nas sextas-feiras costumava dirigir até Billings, atrás de um pouco de diversão, porém hoje não se sentia disposto. Tivera um aborrecimento no trabalho ao entrar em atrito com um dos seus homens, depois de ter ouvido certos comentários maliciosos e seu temperamento explosivo o fizera perder um bom mecânico. Quando estava zangado, costumava tornar-se agressivo. Talvez essa fosse uma característica herdada do pai, ele pensou com amargura. Do seu pai verdadeiro, não do homem com quem sua mãe estivera casada por mais de vinte anos. Até seis meses atrás seu nome havia sido Joe Jonas, sendo considerado, por todos, como o filho mais velho de Hank Jonas. Mas há seis meses, Hank havia morrido (dez anos depois da sua mãe), deixando um testamento com a divisão dos bens e também uma carta, onde confessava haver adotado o filho mais velho aos quatro anos de idade.
Joe pagou a bebida e caminhou em direção à porta do bar, hesitando quando Dwight o chamou.
Seu meio-irmão agora o substituía no comando da fazenda Triple N, cargo que ocupara até a morte daquele a quem considerava o seu pai verdadeiro. E este havia sido um golpe duro no seu orgulho, uma vez que passara de filho mais velho a intruso, cabendo a Dwight a posição de herdeiro legítimo. Depois de trinta anos era difícil acostumar-se a uma nova ordem das coisas.
Joe caminhou em direção à mesa do irmão, as feições rígidas, os olhos verdes faiscando sob os cílios negros.

- Você ainda não conhece Joe, não é mesmo Demi? - Winnie perguntou com um sorriso.
Winnie era pequenina, loura e de olhos azuis. Seu tipo físico se assemelhava ao do noivo, já que Dwight tinha a mesma cor de cabelos e olhos. Marie, a meia-irmã de Joe, também possuía essas mesmas características e Joe sempre se indagara por que ele era o único com cabelos negros e olhos verdes, já que sua mãe, assim como Hank, possuíra cabelos louros e olhos azuis. Por que nunca havia sido capaz de interpretar a evidência dos sinais? Talvez, inconscientemente, houvesse passado todos esses anos evitando pensar no assunto.

- Não, ainda não nos conhecemos - Demi respondeu com delicadeza, fitando-o com intensidade.

Joe nunca havia visto olhos como aqueles: castanhos, enormes e cheios de ternura.

- Como vai, sr. Jonas? - ela perguntou com um sorriso capaz de iluminar um dia sem sol.
Ele ficou tenso por um instante. Demi o havia chamado de sr. Jonas, porém ele não era um Jonas. Mas que diabo, este era o único nome com que fora chamado em toda a sua vida!

- Senhorita...

- Lovato.

- Você já está indo para a fazenda, Joe? - Dwight perguntou, um pouco hesitante.

- Sim.

- Vejo você lá, então.

Joe olhou para Demi outra vez. Ela não era exatamente bonita, mas tinha algo de muito especial. Sem dúvida os olhos e a boca eram os pontos fortes do rosto delicado. Ele continuou a fitá-la até percebê-la corar. Que reação estranha para uma mulher que devia ter uns vinte e poucos anos.

- Joe, você pretende comparecer à festa amanhã à noite? - Winnie perguntou.

- Talvez - Ele respondeu ainda fitando Demi e perguntando numa voz profunda: - Você é hóspede de Winnie?

- Sim, mas apenas por umas duas semanas.

Deus! Como este homem era capaz de deixá-la nervosa! Nunca havia sentido uma atração tão imediata por alguém.
E tampouco Joe. Ele estava tendo dificuldades para desviar o olhar daquela figura esguia e se afastar.
Tinha a impressão de estar acordando do torpor que o dominara nos últimos dias, só não entendia bem porquê.

-Tenho que ir para casa agora - ele falou afinal, forçando as palavras.

Demetria Lovato o fitou até vê-lo desaparecer. Nunca havia conhecido alguém tão fascinante quanto aquele homem. Ele se parecia com os cowboys de cinema: alto, forte, ombros largos e pernas musculosas. E ela, que sempre se mantivera afastada dos homens, sentia-se tão afetada pelo rápido encontro que estava trêmula e ruborizada.

- Eu não pensei que Joe fosse parar de beber tão cedo - Dwight falou com um sorriso triste. - Ele tem me evitado e a Marie também. Exceto para começar discussões.

- A situação não está mais fácil na sua casa, não é mesmo? - Winnie perguntou com simpatia, acariciando a mão do noivo.

- Joe não quer falar sobre o assunto e se comporta como se nada tivesse acontecido. Marie está se sentindo no fundo do poço e eu também. Nós o amamos, porém ele se convenceu de que não faz mais parte da família.

Demi prestava atenção sem compreender muito bem sobre o que os outros dois estavam falando. Interessada, resolveu arriscar uma pergunta:

- Ele é muito mais velho do que você, Dwight?

- Seis anos. Joe tem trinta e quatro.

- Mas ele não é o tipo de homem com quem você deva arriscar o seu coração - Winnie falou com delicadeza. - Joe tem passado maus pedaços. Sente-se ferido e está pronto para magoar qualquer um que chegar muito perto.

- Eu detesto ter que concordar, porém Winnie está com a razão - Dwight interveio. - Joe tem ido de mal a pior nestes últimos meses. Mulheres, bebidas, brigas. Hoje de manhã ele deu um soco no nosso mecânico e o despediu.

- O homem mereceu - Winnie falou. -Você sabe muito bem do que ele chamou o seu irmão.

- Ele não teria chamado Joe de nada disso, se o meu irmão não tivesse parado de se comportar como o patrão e começado a agir como um dos vaqueiros. Ele odeia a rotina de ter que lidar com o gado todos os dias. Joe cuidava dos negócios e era bom em organização e administração. E eu não sou. Eu me saía muito mulher quando cuidava da compra e venda de animais. O testamento do meu pai inverteu nossas funções e agora ambos nos sentimos infelizes. Não consigo liderar os homens e Joe recusa-se a voltar a fazê-lo. A fazenda está à beira da ruína porque ele não se concentra no trabalho e deu para beber nos fins de semana. O moral dos homens anda baixo e eles  parecem  procurar desculpas para pedirem  as contas ou serem demitidos.

- Mas...ele bebeu apenas uma dose no bar - Demi comentou.

- É verdade - Dwight respondeu. - Ele ficou olhando para você e então deixou o copo de lado, eu vi muito bem. Essa foi à primeira vez, nos últimos tempos, em que o vi parar depois do primeiro drinque.

- De fato, Joe raramente bebia - disse Winnie. - E quando o fazia, não passava da primeira dose.

- Ele anda amargurado demais. Deus! Eu o entendo e sinto pelo que tem passado. Posso imaginar como eu estaria reagindo se estivesse no seu lugar. Joe tem se sentido muito só.

- A maioria das pessoas sente-se assim - Demi falou com suavidade. - E quando elas estão feridas tendem a fazer coisas desagradáveis.

- Você seria capaz de encontrar desculpas até para um criminoso, não é mesmo? - Winnie comentou com um sorriso afetuoso. - Suponho que este seja o motivo de você ser tão competente no que faz.

- No que eu fazia - Demi corrigiu a amiga. - Eu não sei se um dia serei capaz de voltar a fazê-lo.

- Você precisa de tempo, Dem.

- Isso é algo que eu tenho em comum com o seu futuro cunhado, Winnie. Espero que você tenha razão.

Porém, mais tarde, naquela noite, os pesadelos a atormentaram outra vez, deixando-a banhada de suor, lutando para não ouvir os disparos das armas e os gritos.
Demi levantou-se, vestiu o robe sobre a camisola branca e foi até a cozinha. Winnie já estava de pé e ao notar o aspecto abatido da amiga perguntou com delicadeza:

- Sonhos maus outra vez?

- Sim, mas estou melhor do que antes - Demi respondeu aceitando uma xícara de café e sentando-se à mesa.

- Sinto-me feliz por você ter nos procurado.

Winnie estava vestindo um conjunto de camisola e robe de seda cor-de-rosa que, com certeza, não custara barato. Os Manley sempre haviam gozado de uma situação financeira bem melhor do que a dos Lovato, o que não impedira que a mãe de Demi e a de Winnie houvessem sido excelentes amigas. E essa amizade fora transferida para as filhas.
Durante alguns anos as duas famílias haviam morado em Bisbee, no Arizona, até que os Manley se mudaram para Pryor e os Lovato foram para a América Central.
As últimas semanas poderiam ficar na lembrança de Demi como um pesadelo, exceto que agora ela estava completamente sozinha. No instante em que se vira de volta ao seu país ela entrara em contato com Winnie, que tomara o primeiro avião para ir ao seu encontro e trazê-la para Pryor. Alguns dias se passaram antes que Demi conseguisse recuperar o controle e parasse de chorar. Agora estava começando a sarar. Ontem havia sido o primeiro dia em que Winnie conseguira convencê-la a sair de casa. Demi vinha se esquivando da imprensa desde que chegara ao país e não queria atrair a atenção das pessoas sobre si. Até então havia obtido sucesso em manter-se à sombra, mas não sabia até quando seria capaz de fazê-lo.

- A festa é hoje à noite e você tem que ir. Não se preocupe - Winnie falou ao perceber a expressão ansiosa da amiga. - Irão apenas pessoas das redondezas. Ninguém vai incomodá-la.

- O irmão de Dwight disse que talvez comparecesse.

- Pelo amor de Deus, não provoque o destino se aproximando muito de Joe. Você está acabando de superar um trauma e não precisa de outro.

- Eu sei. Suponho que esteja me sentindo muito vulnerável ultimamente. É apenas solidão, eu nunca estive sozinha antes.

- Você nunca estará só enquanto os Manley estiverem vivos - Winnie falou com firmeza, tocando o rosto de Demi com carinho. - Nós a amamos muito.

- Sim, eu sei. Vocês sabem o quanto os quero bem e o quanto lhes sou grata por poder ficar aqui. Não pude nem mesmo ir para a casa em Bisbee, pois meus pais a haviam alugado... isto é, antes de termos ido para a América Central. Também eu tinha medo de ir para lá, pois alguém da imprensa poderia estar observando o local.

- Todo esse furor chegará ao fim assim que a luta terminar. A imprensa a tem perseguido porque sabe que você poderia lhes dar informações em primeira mão sobre o que realmente aconteceu, já que não se ouviu mais uma notícia sequer depois que as forças de ocupação tomaram o palácio do governo. Mas assim que as tropas leais ao presidente retomarem o poder, eles a deixarão em paz. Enquanto isso, você pode ficar conosco o tempo que desejar.

- Não vou demorar muito. Seu casamento...

- Meu casamento é só daqui a seis meses e você será a minha madrinha. Até lá tudo isso será apenas uma lembrança triste e você já terá recomeçado a viver.

- Eu espero que sim - Demi respondeu com a voz embargada. - Eu realmente espero que sim.

(...)

Na fazenda Triple N, Joe havia acabado de entrar em casa quando se viu frente a frente com Marie, sua meia-irmã.

- Dale telefonou outra vez. Ela parece ter posto na cabeça que é sua noiva.

- Não pretendo me casar com mulheres de uma noite só - ele respondeu com um cinismo deliberado.

- Então você deveria ter deixado às coisas claras desde o princípio.

- Eu estava bêbado demais.

- Olhe o que você está fazendo consigo mesmo - Marie falou cheia de preocupação. - Esta é a sua casa, Joe. Dwight e eu não o consideramos um intruso.

- Não comece - ele murmurou, com os olhos faiscando de raiva.

Marie atirou as mãos para o alto, num gesto de irritação.

- Você não ouve ninguém! Você bebe, você faz farras e nem mesmo se importa em manter a disciplina dos nossos empregados! Eu vi Rance com uma garrafa de uísque em plena luz do dia!

- Se eu o vir, tomarei as devidas providências.

- E quando será isso? Você anda ocupado demais se divertindo, para notar qualquer coisa! - Joe, não respondeu e começou a subir a escada sem olhar para trás. - E quanto a Dale? O que devo dizer se ela ligar de novo?

- Diga-lhe que entrei para um mosteiro e fiz votos de castidade!

Marie sorriu e voltou para a sala de estar, satisfeita que pelo menos naquela sexta-feira Joe havia chegado sóbrio em casa. Foi apenas na manhã seguinte, depois dele ter saído para checar as novas reses que deviam ser marcadas, que Dwight contou à irmã o que havia se passado no bar.

- Você quer dizer que Joe olhou para ela e deixou o copo sobre o balcão?

- Isso mesmo. Ele parecia não ser capaz de parar de fitá-la.

- Ela é bonita?

- Simpática, meiga, atraente. Mas não é nenhuma beleza estonteante. Estranho que Joe a tenha notado, já que sempre pareceu preferir as mulheres experientes que costuma encontrar nos rodeios. Entretanto, Demi me deu a impressão de tê-lo cativado.

- Se ela foi capaz de influenciá-lo o suficiente para tê-lo mantido sóbrio numa sexta-feira à noite, eu tiro o meu chapéu - Marie falou com sinceridade. - Ontem à noite ele se comportou como o irmão que eu me acostumei a ter e não como o estranho no qual se tornou nestes últimos meses. 

– Sim, eu sei o quanto os últimos acontecimentos o magoaram, mas só vim a saber a extensão ao vê-lo se desintegrar diante dos meus olhos. E saber quem é o seu pai verdadeiro parece tê-lo deixado louco.

- Ninguém pode escolher os próprios pais e Joe não poderia gostar daquele homem nem em um milhão de anos. E é claro que ele sabe disso.

- Certa noite, enquanto estava bebendo, ele deixou escapar que nunca terá filhos, por causa do seu sangue amaldiçoado. - Dwight suspirou e terminou o café. - Gostaria que pudéssemos encontrar uma solução para tanto sofrimento. Joe não tem paz.

- Talvez ele possa encontrar paz ao lado da nossa CRT. Lovato... Se ela foi capaz de afetá-lo à distância, imagine o que poderia fazer se se aproximasse!

- Exceto que ela não é o tipo de mulher que atrai o nosso irmão - Dwight respondeu, pondo-se a contar o que havia acontecido a Demi.

- Meu Deus! Pobre garota! - Marie murmurou cheia de simpatia.

- Ela é uma pessoa de valor e Winnie gosta muito dela. Gosta tanto que irá desencorajá-la até mesmo a olhar para Joe.

- Posso entender por quê. O anjo e o proscrito. Acho que estava sonhando acordada.

- Não há nada de errado em sonhar. Mas sonhos não administram uma fazenda.

- Nem organizam uma festa - Marie respondeu sorrindo. - Boa sorte com a papelada, eu vou cuidar dos preparativos para hoje à noite.

Dwight gemeu:

- Vou levar a fazenda à falência em pouco tempo. Se Joe não estivesse tão irascível eu lhe pediria que trocássemos nossas obrigações.

- Você poderia fazê-lo?

- Não há nada que me impeça. Mas ele não me tem dado ouvidos.

- Não desanime. Há sempre um amanhã.


- Diga isso a ele - Dwight falou com um sorriso enquanto se afastava, deixando Marie imersa nos próprios pensamentos.

~

O primeiro capítulo para vcs, meus xuxus ♥ Espero que gostem... Qualquer coisa é só me falar! Comentem para o próximo e para eu saber se gostaram ou não... Respostas aqui' Beijos, amo vcs <3

27.10.14

Perigosa Atração - Sinopse

Divulgação: Holiday Of Fic's
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Na varanda da casa de fazenda, Demi geme de prazer. O que Joe Jonas está fazendo com ela é diabolicamente sensual! Pela primeira vez nos braços de um homem, a ingênua forasteira é presa fácil desse atraente e inescrupuloso cowboy.
De repente, ele se afasta, deixando Demi ansiosa por mais carícias embriagadoras. O plano de sedução de Joe está dando certo...

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Aqui está a sinopse... Acho q vcs vão gostar da história! Ela é pequena tb, 10 capítulos, mas é interessante, te prende até a última palavra! Comentem para o primeiro capítulo... Respostas aqui' Beijos, amo vcs <3

26.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 11 (Último)


x-x


—Então Harvey queria tomar seu lugar? Sempre pensara que a Empresa Harvey é que fosse pequena e não o contrário!

—Foi uma verdadeira guerra — ele disse. — Ainda hoje, só de pensar nos riscos que corri. E, naquela época, procurei conforto na sua companhia como sempre fazia nos períodos difíceis, e você estava cansada e fraca, cuidando das crianças. Senti ciúme, eu te queria Demi, mas você estava fora de alcance, e Lydia, não. Com a ajuda brilhante dela, venci a batalha judicial. E, por alguma razão que só Deus sabe, com o alívio da vitória, extrapolei meu limite de resistência, direto para os braços de Lydia.

—Quanto tempo?

—Quanto tempo, o quê?

—Durante quanto tempo ela foi sua amante? Uma expressão estranha passou pelo rosto de Joe.

—Ela nunca foi. Pelo menos, não como supõe. Tentei contar umas duas vezes, e você nem quis escutar. Sei que a culpa é minha, afinal, traí você de todos os modos, menos no sexo. Em vez de voltar para casa, saía com Lydia, levei-a para jantar...

—Mandy me contou que viu você saindo do apartamento dela.

—Depois da disputa com a Harvey, fiquei desorientado —ele confessou, relutante. —No fim do expediente, sentei aqui e bebi até não poder dirigir para casa. Lydia me levou de carro ao apartamento dela, para curar a bebedeira. Ela sabia muito bem o que fazia, e eu também sabia sua intenção, mas no fim não consegui. Lydia não era você e, bêbado ou não, repudiei a simples ideia de tocá-la. Ela deve ter percebido, pois virou as costas e me deixou sozinho na sala. Apaguei de tão bêbado e, no dia seguinte, acordei numa cama estranha. Não sei onde ela passou a noite. Só sei que quando acordei e tentei colocar uma ordem nos pensamentos, Lydia entrou no quarto. Eu estava desgostoso e envergonhado do meu comportamento, tentando lembrar a noite anterior, quando ela me disse com um sorriso que, para um homem alcoolizado, até que eu não havia me saído mal. — Ele fez uma pausa e Demi ficou pálida, com um nó dentro do peito. —Lydia deixou que eu sofresse com o remorso durante meses, até resolver me contar a verdade. Quando avisei que iria tirar todos os casos das mãos dela, resolveu se vingar. Era uma conta lucrativa, e o seu escritório perderia muito dinheiro. Sem saber que eu passaria os casos para outro advogado de sua própria firma, ficou com medo de ser despedida. Tivemos uma discussão terrível, trocamos insultos e ela deixou escapar que eu nunca a tocara. Não disse para me agradar e sim para me agredir. Falou da maneira que as mulheres usam para humilhar um homem. O insulto foi uma alegria para mim! Finalmente ela disse à verdade que eu sentia no íntimo. E esta — Joe virou-se e enfrentou olhar de Demi — é a pura verdade. Se não quiser acreditar, não posso culpá-la.

Demi abaixou a cabeça. Queria e precisava acreditar mas...

—Dinheiro e poder só têm valor se eu tiver o seu perdão, Demi.

—Você já teve — ela respondeu, ainda em dúvida se acreditar ou não na história que ele contara.

—O que mais quer que eu diga? Não posso tirar da sua só você pode fazer isto!

Impaciente, Demi levantou-se. Joe deixara em suas mãos resolução do problema que estavam tendo no casamento.

A revelação do que ele pensava e sentia não a ajudou a revelar. Andou pela sala, com a cabeça baixa, e percebeu que também era culpada. Assim como Joe, manteve uma parte de sua personalidade escondida. Como ele poderia adivinhar que seus sonhos eram relacionados ao casamento e à maternidade, se nunca dissera uma palavra a respeito? Depois de tantos meses de sofrimento, conseguiria ser tão honesta quanto ele? Era o único modo de salvar o que restara do casamento. Reunindo coragem, virou-se para enfrentá-lo. Foi então que os viu na parede atrás da cabeça de Joe, e seu coração disparou. Os desenhos que fizera de si e dos filhos estavam emoldurados e pendurados.

—Eu roubei de você — Joe confessou. — Quis tê-los por perto para olhar quando sentisse saudades. Ficou brava? — Demi surpreendeu-se por não ter dado falta, mas com a proximidade da mudança, nem pegara mais no caderno. —Você conseguiu que tirassem a cruz. —Sentiu-se estranhamente exposta. — Não se parece muito comigo.

Não queria aceitar o que seus olhos viam. —Esta é você — Joe insistiu. — E seu eu verdadeiro. Uma bela galeria familiar — disse com orgulho. —Só falta você.

—Pode me dizer por quê? Por que nunca desenhou meu retrato? — Demi hesitou para responder. Era a hora da verdade, decidiu. —As crianças me amam. Eu não tinha mais certeza do seu amor. Tentei desenhá-lo, mas os traços ficaram distorcidos e desisti.

—Callum viu estes desenhos?

—Não, além de você, ninguém mais viu o caderno.

—O caso entre vocês foi sério?

—Não houve nada entre nós.

—Eu vi quando se beijaram!

—Um pequeno beijo no banco do carro? — ela zombou do ciúme dele e disse com doçura. — Foi tudo que aconteceu entre nós dois!

Joe não parecia acreditar, com o rosto crispado de angústia segurou o ombro de Demi. Ela riu da situação ridícula.

—Você parece aquele diabo outra vez. O que desenhei tomando banho no meio das labaredas.

—Vou te beijar — ele disse, com voz rouca.

—Aqui no seu escritório? Acho que errou de lugar, querido. Esqueceu que pertenço ao seu outro mundo?

Ele beijou-a com furor e paixão até ela desfalecer em seus braços e os corpos queimarem de urgência.

—Eu te amo — ele sussurrou.

—Eu sei, acho que já consigo acreditar em você outra vez. — Um dos telefones começou a tocar e Joe puxou-a pela mão até a escrivaninha. Atendeu e seu rosto transformou-se. As feições endureceram e a voz mudou. O olhar ficou frio, mesmo sem desviar-se dela. Enquanto ele falava, Demi resolveu descobrir se rompia a armadura profissional e correu a mão por sua coxa. Deliciou-se com a cena, pois ele quase engasgou e segurou a mão dela com força. Os olhos brilharam e a voz falhou.

—Ligo para você mais tarde. — Ele desligou o telefone. —Era um cliente importante! Você fez de propósito!

—Eu te amo, Joe.

—Fale outra vez. — Demi beijou-o na boca e repetiu as palavras.

—Já não lembrava mais a luz em seu rosto ao dizer que me ama.

—Eu me apaixonei aos dezessete anos e nunca mais deixei de amá-lo. Passei este período confusa, mas acabou.

—Nem quero lembrar as noites horríveis de amor silencioso e escuro.

—Vamos para casa — ela murmurou, com vontade de abraçá-lo nu, à luz do dia —Será que pode sair assim no meio da tarde?

—Posso fazer o que quiser. Eu sou o chefe!

—Puxa, esqueci que o chefe é um milionário. Quer dizer que, se nos separarmos, a metade dos seus pertences é meu. Será que vale a pena...

Joe empurrou-a para a porta e disse ameaçador: —Vamos para a casa nova. As crianças ficarão com a caseira e nós subiremos para um dos quartos que estiver pronto. Então mostrarei qual dos meus pertences é o mais importante para você!

—A proposta é interessante.

—Vai ser muito mais que interessante!

—Não se esqueça que estou grávida.

—Isto nunca foi problema antes, aliás, pelo que me lembro das experiências anteriores, você fica mais sensível nessas ocasiões.

A porta do escritório abriu-se, dando passagem às três crianças. Joe pegou Michael, que estava caindo de sono. O bebê deitou a cabeça no ombro do pai e dormiu. Desceram até o estacionamento, Joe carregando Michael num braço e o outro colocado possessivamente no ombro de Demi. Sam corria em círculos e Kate segurava firme na mão da mãe. Ao chegar do almoço, dera-lhe um beijo, prometendo:

—Mamãe, nunca mais vou judiar de você.

Era uma tarde ensolarada e metade dos funcionários das Empresas Jonas olhavam pelas janelas, observando o chefe e sua família no caminho para o estacionamento.

—Não posso acreditar — um deles disse. —Eu sabia que ele era casado, mas três, quase quatro filhos!

—Trabalho para ele há anos e nunca soube que era casado — um outro falou. — Como uma moça doce como aquela casou com alguém tão rude e seco?

—Se bem que ele não parece nada rude agora, olhe o carinho com que fala com a família — o primeiro continuou.

—Talvez ele seja diferente em casa.

—Ou talvez ela não seja suave e inocente como parece. Afinal são quatro filhos!

Joe levou-os para seu carro e Demi perguntou o que faria com o dela. Ele disse que mandaria alguém levar. Abriu a porta, colocou as crianças no banco de trás e acomodou Demi na frente. Os rostos pressionados contra as janelas viram que ele voltou ao prédio e logo depois saiu, seguido do jovem Archer, o mesmo que acompanhara Demi ao seu escritório. Joe entregou-lhe as chaves e apontou para o carro dela. Entrou na BMW e logo saiu. Abriu a porta traseira para os gêmeos, pegou Michael no colo e ajudou Demi a descer. Foram então na direção da perua onde trocaram as chaves com Archer. A razão da mudança logo ficou clara. O bebê adormecido foi colocado na cadeira apropriada. Archer andou em direção à BMW e Kate o chamou. A garota olhou suplicante para o pai. Este concordou com um aceno, e Archer, sorrindo, estendeu-lhe a mão. Kate beijou o pai em agradecimento e correu para o jovem funcionário.

Os outros membros da família entraram na perna e partiram.

—Meu Deus! — alguém exclamou. —Eles fazem o que querem do chefe! Se eu soubesse a fórmula, juro que ficaria rico!

—Acho que sei — outro falou. — Olhos azuis, cabelo loiro e um corpo maravilhoso, mesmo grávida.

—Parece que ouvi sobre um caso dele com Lydia Marsden há pouco tempo.

—Imagine só. Que ideia ridícula!

—Belos filhos.

—Bela esposa.

—Belo carro.

—Bela casa? — A brincadeira continuou pela sala.

—Bela empresa.

—E um belo chute no traseiro se não voltarem já ao trabalho! — gritou o chefe do departamento.

Joe ajustou o banco para o seu tamanho e disse: —Vou comprar uma cadeira para Michael e deixar no meu carro.

—E arranhar sua imagem de machão insensível?

—Ah, é? Você reparou nas janelas do prédio?

—Não, por quê? — Demi olhou para fora, notou uma multidão de rostos nas janelas e corou.

—Será que vão zombar de você por nossa causa? — ela perguntou, ansiosa.

—Não na minha frente, se tiverem um mínimo senso de auto preservação. Mas só Deus sabe o que estão falando agora.

—Não se preocupe. — Demi colocou a mão sobre a coxa de Joe. — Nós te amamos, machão insensível ou não.

—Se continuar com a mão aí, dirão que sou um maníaco sexual!

—O que quer dizer isso? — uma jovem voz perguntou de trás.

—Quando for um pouco mais velho, eu explico, filho —Joe respondeu.

Demi tirou a mão da perna dele e ajeitou-se no banco.

—Quando eu for mais velha, explica para mim também? —perguntou, zombeteira.

—Vou fazer melhor.

—Assim que ficarmos sozinhos, mostro com todos os detalhes!

—Com a luz acesa assim eu... — Joe deu um suspiro e apertou os olhos.

—Não pode imaginar há quanto tempo espero por esse momento.

—Eu posso, sim — ela respondeu, e seus olhos lhe disseram o porquê. —Aguente firme, então! — E acelerou o carro.

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nhaw, acabou :c espero que tenham gostado! eu amei a história e continuo amando... ela é diferente <3 mas a próxima já está toda adaptada e prontinha p ser postada, hehe' vcs vão gostar! enfim, comentem! Se comentarem bastante, posto a sinopse ainda hj ;) Respostas aqui' Beijos, amos vcs ♥

Unfaithful Husband - Capítulo 10

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Ao perceber o desaparecimento dos gêmeos, Demi assumiu a culpa.
Fora a semana mais tensa dos últimos tempos.
Joe agia de modo frio, sem esconder a irritação com ela, e todos na casa ficaram aliviados quando ele viajou para Manchester.
Devido aos feriados da Páscoa, os gêmeos não tiveram aula e ficaram o dia todo em casa. Excitados com a proximidade da mudança, importunavam a mãe, cujos nervos estavam em frangalhos. Demi empacotava algumas louças quando ouviu o telefone. Reclamou baixo, levantou-se e atravessou a sala para atender, mas assim que chegou no hall já havia parado de tocar.

—Era o papai no telefone — ele informou, seco. Ainda não perdoara a mãe por ter gritado ao ver que derrubara suco de laranja no chão da cozinha. Sentia-se injustiçado, pois o suco era para o Michel, queria poupá-la do trabalho. Demi não reconheceu a ajuda, só enxergou a sujeira que teria de limpar e perdeu a paciência. —Ele mandou avisar que está saindo de Manchester. Antes de vir para casa vai passar no escritório, por isso chegará tarde.

—Eu tinha pedido para ele chegar mais cedo e jogar com a gente — informou Kate.

—Suponho que ele desligou depressa, tremendo de medo! —Demi falou com intenção de ser sarcástica com Joe, mas os gêmeos entenderam errado e Kate corou de raiva.

—Não, ele não desligou —ela gritou. —Ele disse que preferia jogar com a gente, em vez de fazer aquele trabalho chato! E você está uma mamãe muito chata! — Com lágrimas nos olhos, Kate desceu correndo e Sammy foi atrás dela. Demi apoiou uma mão na barriga e a outra na cabeça que estourava de dor. As crianças não mereciam sua irritação. Desceu para se desculpar, mas eles a ignoraram, fingindo ver televisão. Pegou Michael do chão onde brincava contente com os blocos coloridos e encarou os gêmeos na esperança de que eles a olhassem. Como não se moveram, sentiu a irritação de volta e saiu da sala com o bebê no colo. Uma hora mais tarde, quase enlouqueceu. Procurou por todos os lugares, mas os gêmeos haviam sumido. Demi guiou em volta dos parques vizinhos. Depois foi até a casa de Jenny, ela passaria o dia fora com uma amiga, mas as crianças não sabiam e poderiam ter ido até lá. Revirou a casa e até ligou para a nova, numa falsa esperança que de algum modo eles soubessem o caminho. Os caseiros não sabiam de nada, e já pensava em chamar a polícia quando o telefone tocou.

Atendeu com a mão tremendo. —Sra. Jonas? — uma voz incerta perguntou.

—Sim.

—Aqui é a secretária do seu marido... Sentiu o coração disparar.

—Ele... já chegou? — ela perguntou.

—Ainda não. Mas seus filhos estão aqui à procura do pai e eu...

—Eles estão aí com você? Sim, senhora. —Ah, meu Deus! Eles estão bem?

—Sim, estão ótimos. — Demi deixou-se cair sentada no último degrau de escada, aliviada, mas levantou-se logo.

—Por favor, poderia tomar conta deles? Já estou indo buscá-los — sussurrou.

Com um soluço, desligou o telefone e correu para pegar Michael. Chegou às Empresas Jonas no fim do horário de almoço. A moderna área da entrada estava lotada de pessoas circulando para os respectivos escritórios. Chocada com o movimento, envergonhou-se por vestir uma calça fuseau antiga e uma das camisetas de Joe, e ficou olhando aturdida. Sem enxergar as crianças, decidiu perguntar na recepção. Caminhou através do enorme hall até uma jovem recepcionista, que flertava com um dos funcionários sentado na beirada da sua mesa.

—Desculpe — ela interrompeu o idílio. — Sou Demetria Jonas, minhas crianças...

—Sra.  Jonas!  —  A  garota  levantou-se  e  olhou-a  incrédula.  O companheiro  afastou-se e encarou-a, e Demi não os culpou  por ficarem chocados com sua aparência, só queria saber dos filhos.

—Sabe onde estão meus  filhos?  — perguntou,  sem  perceber que a alteração de voz da recepcionista atraíra a atenção das pessoas no hall, que a olhavam com curiosidade.

—Oh, o sr. Jonas chegou há pouco e está com eles no escritório, ele pediu para a senhora...

—Se quiser eu a levo — o jovem ofereceu. Atordoada, Demi virou-se para ele e concordou com um aceno.

—Obrigada — murmurou, e seguiu-o através de corredores.

O elevador parou e deixou-os num corredor largo, cujo carpete macio amortecia seus passos enquanto andavam até uma enorme porta de carvalho. O jovem bateu, esperou um momento e abriu, afastando-se para lhe passagem. Demi parou  na  entrada.  Olhou  para  Joe,  que  se  apoiava  numa escrivaninha de madeira, os braços cruzados no peito, o olhar severo para as duas pequenas figuras sentadas juntas, num sofá de couro e teve vontade de chorar. Colocou Michael no chão e sussurrou:

—Oh, Sammy, Kate! — Com um gemido, caiu desmaiada. Ao acordar, percebeu que estava deitada no sofá, com algo gelado na testa e quatro rostos ansiosos encarando-a. Deu um sorriso fraco, e em troca recebeu outros quatro. Joe sentava-se a seu lado, com Michael no colo, segurando sua mão com firmeza. Sammy e Kate, o ladeavam, cada um inclinado sobre um dos ombros. Era uma cena bonita e ela desejou ter papel e lápis por perto, para captar a imagem para sempre.

—Como está se sentindo? — perguntou Joe.

—Um pouco confusa. —Sorriu e voltou a atenção para os dois fugitivos.

— Vocês me desculpam?

Sammy e Kate abraçaram a mãe, se desculparam e reafirmaram seu amor e preocupação com o desmaio. Depois, se entusiasmaram contando a aventura: o telefonema para o táxi, a contagem das moedas nos cofrinhos, a chegada ao escritório e a descoberta que o pai não se encontrava, deixando todos em pânico.

—E apavorando sua mãe até quase a loucura — Joe completou. Ele olhou sério para Kate, que baixou a cabeça envergonhada. —Eles planejaram tudo. — Joe explicou os fatos. —Telefonaram para o ponto que você costuma chamar. Deram a desculpa da mãe doente, na cama, enviando os filhos para o pai tomar conta. Apresentaram até um dos meus cartões de visita com o endereço da firma. Um serviço profissional.

—Oh, Kate!  — Demi exclamou,  lembrando  o  orgulho  da garota  ao receber a tarefa de ligar para o ponto de táxi quando Joe viajava e não podia levá-los ao colégio. —Você abusou da minha confiança!

A criança escondeu o rosto no ombro da mãe. —Mas fui eu que tive a idéia de usar o cartão do papai — Sammy falou, compartilhando a culpa.

Porém, todos sabiam que a precoce Kate era a mentora do plano. —Desculpe — a garota sussurrou, enxugando as lágrimas.

O fato de Kate não procurar o colo do pai para consolo era um indício claro das reprimendas que os gêmeos ouviram antes da chegada da mãe.
Joe, pálido e abatido, segurava Michael com força, acariciando o bebê como se necessitasse sentir o conforto de um dos filhos, porque estava muito zangado para fazer o que tinha vontade: abraçar os gêmeos bem apertado. Percebeu que Demi o olhava e sorriu. —Minha secretária vai trazer um café. Assim que chegar, vou pedir que leve as crianças até a lanchonete e poderemos conversar. Seria uma conversa difícil. Demi sentou-se no sofá e logo uma moça bonita entrou e colocou a bandeja sobre a escrivaninha. Joe explicou aos gêmeos que a secretária os levaria para almoçar e ela saiu da sala com as crianças e o pequeno Michael nos braços. Ele serviu uma xícara para Demi e sentou ao lado dela no sofá.

—Vamos lá, conte o que aconteceu.

—Tenho estado impaciente com eles — admitiu. — Hoje, mais que o normal.  Com  certeza,  sentiram-se  negligenciados  e  vieram  à  procura  de conforto. Pensei que tinham ido até a casa de sua mãe... Procurei em todos os lugares, jamais passou pela minha cabeça que eles pudessem vir aqui!

—Agora já acabou. Não fique preocupada, você viu que eles estão bem. Ela concordou, lutando para não chorar.

—Você me desculpa?

—Por quê?

—Por ser uma péssima mãe... e por nos intrometermos aqui. — Joe mostrou impaciência.
—Demi, algumas vezes eu não entendo o que você tem em mente!

—Bateu neles?

—Não,  consegui  controlar  a  mão.  Em compensação,  falei  que o  que fizeram foi estúpido, perigoso e intencional. Sam ouviu em silêncio, mas Kate ficou chocada. Acho que nunca havia gritado assim com eles.

—Kate vai te perdoar — Demi assegurou.

—Se ela puxou a mãe, não vai não!

—O meu caso não é perdão. É tentar esquecer e não estou conseguindo. Você virou minha vida pelo avesso, Joe!

—Eu sei. A minha também, só que eu merecia sofrer e você, nunca.

—Então por que isto aconteceu? — Joe inspirou profundamente e passou a mão no cabelo.

—Porque ela estava perto — ele respondeu, ríspido.

—Acho que a magoou muito.

—Eu magoei? Ela não é do mesmo tipo que você, Demi. Mulheres como Lydia não se deixam magoar com facilidade.

—Isto resolve parte do problema, não?

—De jeito nenhum. Mas não me sinto culpado por magoar os sentimentos dela quando não deu a mínima para os meus. Demi não entendeu a colocação e olhou para ele com expressão confusa. —Se eu tentar te explicar tudo, promete que me escuta? — Não sabia. Aguentaria escutar uma história sórdida? Desviou o olhar, incerta do que responder. A mão de Joe cobriu a dela com carinho.

—Por favor, Demi. Você foi e sempre será a única mulher que eu amo. Se não quer ouvir mais nada, pelo menos escute esta verdade.

—Por que, então, Lydia?

—Porque, por um curto período no ano passado, eu perdi o controle, não apenas do nosso relacionamento, mas aqui na empresa também. Lydia foi a urna válvula de escape, pura e simples. — Ele encarou a esposa com um sorriso desapontado. —Eu estava sob terrível pressão e usei-a para ter algum alívio. — O que aquela confissão significava? Demi encarou-o rancor.

—Então devo esquecer e perdoar? E esperar sentada a próxima vez que se sentir pressionado e procurar alívio com qualquer outra disponível?

—Não, isto nunca mais vai acontecer, porque não funcionou na primeira vez. — Joe estudou o rasto sério e magoado para ver se ela ia entendida aonde ele queria chegar, mas percebeu que não, — Você e sua eterna inocência!

—Tirou minha inocência quando eu estava com dezessete anos, Joe!

—Não,  Demi,  você  se  entregou  de livre  e espontânea  vontade.  E, acredite ou não, minha intenção era outra. Não — ele segurou as mãos dela com firmeza, — não me entenda mal. Eu sempre te quis, sempre fui louco por você. Eu sabia que era muito nova, que deveria me afastar, mas foi impossível. Decidi então manter um namoro sem intimidade, e nem isso eu consegui. Eu estava tão apaixonado e obcecado, que até meu trabalho começou a piorar. O seu também. Você era primeira aluna da classe e relaxou nos estudos para ficar comigo. Seus pais me procuraram... — Ela surpreendeu-se com a novidade. Os pais eram secos em relação ao namoro, mas nunca imaginou... —Eles desaprovavam nosso relacionamento — ele continuou. — Com toda razão. Eu colocava em risco seus anos de estudo. Por sua causa, deixei de lado os planos para minha carreira.

—Não parece — ela disse, mostrando o escritório luxuoso com um amplo gesto. —Apesar de mim, conseguiu realizar seus sonhos.

—Sim, mas à custa dos seus.

—Como sabe que eu tinha sonhos, se nunca se incomodou em perguntar?

—Eu  sei  que  queria  ir  para  a  faculdade  de Artes.  Seu  sonho  era trabalhar com propaganda, criação.

—Era mesmo? Isto mostra como você me conhece pouco.

—Então, o que é que você deseja? — ele perguntou, tenso, como se na verdade não quisesse saber a resposta.

Demi queria dizer que ele era tudo que sempre quis na vida, mas, na defensiva, zombou com palavras ferinas.

—Vamos dizer que eu tive o que mereci.

—Eu estava a ponto de deixá-la quando me contou sobre a gravidez. Lembra-se que eu estava aqui em Londres e cheguei de viagem naquele dia? O que não sabe é que eu havia feito uma série de entrevistas para um emprego fora do país, longe de você. — Demi suspeitara que sua gravidez fora um transtorno, quando soubera de Lydia. Joe não queria casar, simplesmente não tivera outra escolha. Sentiu que ele acariciava suas mãos. —Não,  está  me interpretando  mal.  Eu não queria  deixá-la,  mas me preparei para sair de sua vida pelo seu bem! Você era muito jovem para ficar presa. Aceitei o emprego porque achei que era o melhor para nós dois! Foi uma decisão difícil, e eu me sentia péssimo quando cheguei de Londres preparado para me despedir. Ele parou de falar, o olhar turvo de tristeza. —Então lá estava você, na minha frente, com todo aquele... e eu fiquei morrendo por dentro porque ia perder tudo. A próxima coisa que me lembro — ele engoliu em seco —é de termos feito amor quando não devíamos. Só piorou as coisas. Como dizer para a mulher que você ama que vai deixá-la? Joe estava perdido nas reminiscências e não reparou que Demi ficou imóvel e pálida. —Então, enquanto eu lutava para achar as palavras certas, você encostou a cabeça no meu joelho e disse com a maior calma que estava grávida. Ele sacudiu a cabeça e riu com ternura. —Foi como ter uma corda no pescoço para ser enforcado e no próximo minuto estar livre! Tão livre, que tudo que consegui fazer foi ficar sentado e deixar a adrenalina se espalhar por meu corpo. Eu não tinha mais de me afastar, porque você precisava de mim. Fiquei livre para descartar seus sonhos de ter uma carreira, sua juventude. Pude fazer que realmente queria, ficar com você sempre junto de mim, para ninguém descobrir o maravilhoso tesouro que eu possuía. — Ele parou um instante e depois continuou, emocionado. —Nos casamos e viemos morar aqui em Londres, no pequeno apartamento de Camden Town. Nosso dinheiro era pouco, e nunca fui tão feliz! Então os gêmeos nasceram e tive um lance de sorte que permitiu que eu tentasse realizar meu sonho. Lembra como eu aplicava meu dinheiro em ações? — Ela concordou. — Bem, logo depois, um lote teve ande valorização. Foi minha primeira aplicação correta no mercado financeiro. Com o lucro eu poderia comprar uma casa ou reinvestir, e foi o que eu fiz — confessou, como se fosse um pecado mortal. Talvez naquela época até fosse, Demi pensou. Ele nem se preocupara em discutir com ela o que fazer. Mas talvez Joe não fosse o homem bem-sucedido de hoje, se precisasse pedir a opinião dos outros para tomar decisões de risco. —Passei  os  meses  seguintes  com  sensação  de  culpa,  quando  o apartamento revelou-se mínimo para suportar a parafernália requerida por dois bebês. Então, o investimento começou a pagar dividendos e bonificações e arrisquei mais uma vez e reinvesti tudo. Depois disso, não parei mais. Eu tinha dom para o negócio. Compramos a casa. Fundei minha própria empresa; comprei, saneei e vendi pequenas firmas com lucro e cresci até a estabilidade de hoje. E sempre com sacrifício. Quanto mais a empresa crescia, mais eu trabalhava, e naturalmente minha presença nos círculos sociais era significativa para saber o que se passava no mundo dos negócios. — Joe sorriu e acariciou o rosto de Demi, que ouvia com atenção. —Entretanto, quanto mais eu convivia com as pessoas, mais determinado ficava em proteger você da selva que é o mundo. Você era a única verdade da minha vida. Eu chegava em casa e encontrava a doce garota por quem me apaixonara e sabia que lutaria contra tudo para mantê-la igual! — Ele inspirou profundamente, aliviado por estar revelando tanto sobre o homem que Demi queria conhecer e jamais conseguira. —De repente,  você  ficou  grávida  de  Michael  e  uma  das  pequenas empresas que comprei estava envolvida em fraude fiscal. Eu passava mais tempo fora de casa do que deveria e quis facilitar sua vida. Mas você, querida Demi, é teimosa como não sei o quê — ele acrescentou sorrindo. —Tínhamos dinheiro sobrando, e não me deixou contratar alguém para ajudar.

Demi ergueu o queixo em desafio. —Se pode dirigir esta empresa sozinho Joe, certamente eu também posso dirigir uma pequena casa e três crianças!

—Acontece que cada pessoa tem o seu limite de resistência. Depois do nascimento de Michael, você quase ultrapassou o seu. O garoto não dormiu por quatro meses, bem na época do sarampo dos gêmeos.

— E eu descobri seu caso com Lydia — ela acrescentou seca. Joe sacudiu a cabeça.

—Não, foi o resultado por eu ter ultrapassado meu limite, Demi. Quase perdi todo nosso patrimônio no processo contra a Harvey. Eles são maiores e mais fortes e me queriam fora do caminho. Aproveitaram o processo de fraude para me acusar. Tive de lutar com todas as armas para provar minha inocência.

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oi galero ♥ td bem? eu estou bem! Gostaria de dizer q a próxima fic já está quase pronta para ser postada! Ela é perfeita ♥ E tb q esse é o penúltimo capítulo, psé... Mas não desanimem! Em breve uma nova história entrará no lugar dessa haha' Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

PS: Capítulo programado.

24.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 9

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Duas horas da tarde de uma quarta-feira, Joe trabalhava na minuta de um contrato, quando o telefone tocou.

—Uma pessoa na linha para o senhor. Ela diz que é a sra. Jonas. — Um arrepio gelado percorreu sua coluna. Demi nunca telefonava para o escritório. Um acidente com uma das crianças? Alarmado, atendeu a ligação. Ficou tão preocupado com o que poderia ter acontecido, que não entendeu a voz urgente, que não era a de Demi.

—Mamãe, será que pode repetir? Acho que não compreendi uma só palavra do que disse.

Deixou o escritório e dirigiu apressado para casa. Sua mãe abriu a porta, antes mesmo que ele parasse o carro.

—Ela está lá dentro. Está tão triste, meu filho. Joe entrou na saia e encontrou Demi enrolada em um cobertor no canto do sofá, aos prantos. Aproximou-se com cuidado e tocou seu ombro.

—Demi?

—Vá embora! — ela soluçou. Ele ficou intrigado. Nunca vira a esposa naquele estado, tão abatida que nem conseguia dizer qual era o problema. Acariciou-a, tentando imaginar o que poderia ter acontecido.

O nome de Zac Callum passou por sua mente e sentiu ódio.

—Demi... — Ele passou a mão pelo cabelo dela e assustou-se com o estado febril. — Pelo amor de Deus, fale comigo! O que está acontecendo? — Sem saber o que fazer, pegou-a no colo e sentou-se no sofá.

—Foi tudo sua culpa — ela soluçou de repente. Culpa dele. Joe tentou lembrar-se dos últimos dias, querendo descobrir o motivo de tanto desespero. Não conseguia pensar em nada. Fora muito diplomático. Não fizera comentários a respeito das aulas de arte, nem a procurara com insistência. —Você deveria ter tomado as providências — ela disse, triste. Providências do quê? Os soluços ficaram mais fortes e Joe tomou o controle da situação, colocando-a sentada, afastando o cobertor e acariciando o rosto fervente.

—Fique calma, agora! — O tom de voz aumentou seu choro. Ele puxou o lenço do bolso e enxugou as lágrimas. Assustado com a febre alta, tirou-lhe o suéter de lã e ela tremeu quando o ar frio atingiu-a através da camiseta. —Agora — ele disse, —vamos conversar com calma. Pelo que entendi, você disse que eu sou culpado de alguma coisa. O que é, Demi? Se não falar, como vou poder ajudar?

As lágrimas voltaram a cair. —Você não pode ajudar, Joe! Estou grávida e a culpa é sua. Prometeu que cuidaria do assunto. Ele deveria ter tomado cuidado e ela engravidou dos gêmeos. Depois, Demi tomou pílula por cinco anos e precisou parar pois estava lhe fazendo mal. Joe voltou a cuidar do assunto e veio Michael! —Você é um inútil! Serve para ganhar milhões em suas empresas, mas não presta para mais nada! Pelo amor de Deus, eu só tenho vinte cinco anos! Se continuar assim, vou morrer antes dos trinta. Joe escondeu o rosto no pescoço dela, para esconder o sorriso.

—Psiu, ainda estou tentando absorver a novidade. Demi estava brava e sentou-se ereta.

—Sabe no que me transformei? Numa máquina parideira! Não é à toa que me mantém escondida dentro de casa, Joe! O que diriam seus amigos de negócios se soubessem que eficiente linha de produção que instalou na própria casa?

—Chega, Demi! — Desta vez ele não disfarçou a risada. — Não posso pensar enquanto fica com estas acusações doidas!

—Mas estou grávida e não quero estar!

—De quanto tempo? — ele perguntou.

—Três meses.

—Meu Deus! — Só então a compreensão atingiu-o como atingira Demi quando o médico lhe dera a notícia naquela manhã. — Isto quer dizer que...

—Sim. —Ela não precisava dizer mais nada. Engravidara na relação enlouquecida que tiveram depois da discussão sobre Lydia.

Ficaram em silêncio, pensativos. Ela se encostou em Joe, que acariciava seu cabelo com expressão ausente. Demi lembrou-se da outra vez que sentara assim, recebendo o mesmo carinho enquanto ele pensava. Não houve raiva naquela época e não havia agora.

—Bem — ele disse subitamente — então é isto. — Virou o rosto e beijou os lábios dela. — Querendo ou não, vamos comprar uma casa maior. Não há mais quartos disponíveis aqui! Com os gêmeos, ele usara uma frase parecida para anunciar sua concordância. Joe tinha esta capacidade de aceitar o inevitável.

Demi tomou a decisão de não voltar ao curso de arte. As aulas lhe trouxeram de volta o prazer de desenhar, mas achou que não valia a pena recomeçar enquanto Zac fosse o professor. Embora nenhum dos dois mencionasse o assunto, Joe a levava para jantar fora toda quarta-feira, como se fosse uma compensação pelo que perdera. Mas Demi não parou de desenhar e enchia vários cadernos com caricaturas divertidas. Começaram a procurar outra casa. Depois de um fim de semana infrutífero, nenhuma das casas tinha tudo que queriam, ela perguntou a Joe:

—Afinal, por que quer uma casa tão grande? Não precisamos de tantas salas para receber seus amigos de negócios. — Ele continuava a manter uma separação entre a casa e o escritório e isto ainda a magoava.

—Esta casa não é grande o suficiente para receber ninguém. Eu acho, Demi, que, depois de tudo que trabalhei, temos dinheiro para comprar qualquer casa. Por que então não escolher uma que nos dê prazer? — Finalmente acharam a casa ideal. Uma construção antiga de tijolos vermelhos com portas e altas janelas brancas, que enchiam de luz os cômodos de teto altíssimo. A casa ficava no meio de um enorme gramado, cercada por um muro de tijolos aparentes atrás do qual alinhavam-se árvores altas. Preenchia a ideia de prestígio para Joe, e a idéia de um lar para Demi. Os gêmeos adoraram porque havia uma piscina coberta e um estábulo. E, para completar, na entrada, ao lado do portão eletrônico, havia um chalé para hóspedes, pelo qual a mãe de Joe apaixonou-se à primeira vista. Também havia uma casa para os caseiros que estavam lá há vinte anos e ansiosos para saber o que lhes aconteceria com a venda da casa. Demi gostou do casal e Joe decidiu mantê-los. Contratariam uma arrumadeira e um jardineiro que ajudaria como motorista para levar e trazer as crianças do colégio. Demi  começou a comprar móveis e decorar a casa e descobriu que tinha muito jeito. Estava passando melhor nesta gravidez que na de Michael. A primavera chegou e as obras adiantaram o suficiente para permitir a mudança. Joe trabalhava muito em um outro contrato em Manchester e passava mais tempo no norte que em Londres. Para Demi, o fantasma de Lydia quase desaparecera. Não assombrava mais suas noites de amor, embora ainda precisasse da escuridão para se esconder quando se entregava. Pelo menos parecia estar superando a traição que por pouco não destruiu seu casamento.
A crise dos sete anos, era como se referia com cinismo na privacidade de sua mente. Se outra traição não ocorresse nos próximos sete anos, então talvez pudesse superar. Sabia com certeza que nunca deixaria Joe. O amor da família era mais importante, principalmente com a nova criança que logo viria. Mas amor de Joe? Ela duvidava. Fora um sonho da Demi romântica e infantil. Uma tarde, estava sentada no chão do quarto, separando algumas roupas velhas para doar antes da mudança, quando Joe chegou inesperadamente de uma das viagens a Manchester. Ele parecia cansado e olhou com irritação para as roupas espalhadas.

—Por que não contrata alguém para fazer este trabalho? — disse impaciente, tirando o paletó e a gravata e andando com cuidado para não pisar na bagunça que estava em seu caminho para o banheiro.

—Não quero estranhos mexendo em nossas coisas pessoais e, além disso, só eu sei o que é para ficar e o que é para ser doado. — Sem responder, ele bateu a porta do banheiro. Saiu do banho com uma toalha enrolada no quadril e foi deitar-se ao lado de Demi que já estava na cama, desenhando.

—O que está fazendo? — ele perguntou e inclinou-se para ver o caderno. —Sua bruxa! — exclamou, ao ver o que ela tinha desenhado. Joe riu ao se reconhecer desenhado nu, como um diabo com chifres e rabo, embaixo do chuveiro. Em vez de água caindo, labaredas subiam ao seu redor. Puxou o caderno das mãos dela. Demi esticou-se para pegar mas foi impedida. Joe passou o braço sobre a barriga redonda, prendendo-a no lugar. Abriu o caderno na primeira página e começou a olhar devagar. Ela ficou imóvel, o coração disparado de ansiedade enquanto ele estudava cada página com atenção. Não sorriu ao ver os desenhos. O caderno que folheava não tinha caricaturas a não ser a que acabara de ser feita. Era seu trabalho mais sério, até então mantido longe de olhares curiosos. O retrato de Sam refletia seus traços com perfeição, tão parecido com Joe. Kate aparecia com o longo cabelo loiro emoldurando o rosto satisfeito. Captara sua expressão quando pediu ao pai para comprar um pônei para a nova casa. Havia muitos desenhos de Michael, pois era o que passava mais tempo a seu lado.

—Os desenhos são bons —Joe disse, sério. Demi inspirou fundo, pois sabia o que havia na próxima página.

—Obrigada — ela disse e fez menção de pegar o caderno. Joe não permitiu e assim que virou a folha ficou chocado. Ele esperava se ver desenhado, ela percebeu depois. Parecia lógico depois dos filhos, mas não era Joe. O desenho mostrava o rosto de uma jovem Demi, que mudara pouco ao longo dos anos. A boca cheia e suave, o nariz delicado. Mas os olhos, sempre expressivos, mostravam uma tristeza que tocava a alma. Para Demi, era como olhar uma estranha. Odiou o desenho ao terminar. Captara a criatura triste que as pessoas viam quando a olhavam nos dias atuais. Fizera uma cruz atravessando a página.

—Por que fez isto? — Joe perguntou e percorreu com o dedo uma das linhas da cruz que cruzava o canto da boca.

Demi sentou-se na cama e afastou-se dele. —Ela não é como eu. Não gosto dela! —Sem comentários, ele estudou o desenho por um longo tempo e Demi levantou da cama, fingindo interesse nas roupas jogadas no chão.

—Nem de mim — ele finalmente falou ao virar a página e dar de cara com o demônio.

O sorriso de Demi foi forçado. —Como pode dizer isto? — zombou. — É assim que eu te enxergo. — Sabia o motivo, mas não conseguia explicar por que nunca desenhava Joe. Ele era diferente. Apesar de ser parte da família, de certo modo não era. Os outros rostos no caderno eram parte dela. Joe costumava ser a sua parte mais importante; mas não era mais. Desaparecia no lugar de seu coração de onde brotavam os desenhos. Ele não a amava como os outros. Era o elo quebrado da corrente familiar. Pegou o caderno e guardou dentro do armário, só então encarou Joe, que continuava deitado na cama.

—Onde está Michael?

—Foi passar o dia com sua mãe — ela respondeu, com um frio ria barriga. Seus olhos se encontraram e percebeu o desejo começando a queimar dentro dele. Ficou parada ao lado da cama, nervosa e insegura, sentindo ondas que percorriam seu corpo, ansiosa por tocar Joe. Mesmo longe, sentia a masculinidade dele invadindo-a e olhou o corpo forte e sensual. O sol entrava pela janela, e Demi notou feliz que, pela primeira vez em meses, conseguia olhar o corpo dele abertamente. Sua necessidade da escuridão negava-lhe este prazer e o de ver os olhos dele brilhando de paixão.

Ele estendeu a mão num convite mudo e ela aceitou, incapaz de resistir. Os dedos dele apertaram-lhe a mão com cuidado para não quebrar o contato hipnótico dos olhares e puxou-a com carinho para seu corpo. Demi usava apenas um vestido leve de malha. Ele passou a mão pela sua barriga depois pelo quadril e coxa até encontrar a barra do vestido, e ela segurou a respiração. As mãos carinhosas pararam, o olhar inquisitivo esperando sua resposta. Deixou escapar o ar com um suspiro de prazer e inclinou a cabeça para beijá-lo. Joe deitou de costas, trazendo-a com ele ao mesmo tempo que a despia. Logo estavam dominados pela paixão, famintos, carentes, abertos para os jogos sensuais do amor. Demi estava pronta, há muito tempo não sentia tal urgência de ser penetrada e puxou-o pelo quadril. Amou-o com todos os sentidos e abriu os olhos para ver o homem adorado, seus traços bonitos e apaixonados. Então o fantasma apareceu e ela fechou os olhos com força, frustrada ao perceber a rejeição paralisando seu corpo.

—Não! —Joe disse com violência ao perceber o que se passava. — Que droga Demi, vamos olhe para mim! — Ela lutou com todas as forças agarrada em Joe. —Demi, pelo amor de Deus, abra os olhos! — Devagar, seus olhos abriram e ela focalizou o rosto tenso a sua frente. Podia ser que Joe não a amasse, mas ele a desejava com furor, mesmo depois do que passaram nos últimos seis meses. O desejo de Joe ainda era tão urgente que o fazia tremer contra seu corpo, e talvez fosse o suficiente... —Não! — ele disse assim que ela ameaçou fechar os olhos. — Desta vez não vai me rejeitar!

Ele segurou o rosto dela com suavidade, obrigando-a a ouvir. —Escute, você me quer, mas não vai dar certo até que olhe para mim e me aceite como o homem que deseja. Com todos meus erros. Eu, o homem que era antes de te magoar profundamente e o homem que sou neste momento!

—E se eu não conseguir aceitar o que fez ao nosso relacionamento?

—Você nunca mais vai me ter. Não posso continuar fazendo amor com uma mulher que se esconde no escuro antes de me aceitar dentro dela. — Joe afastou-se enquanto ela pensava. Recebera um ultimato. Ele queria que ela voltasse a confiar ou não teria mais o relacionamento físico no casamento. Não acreditava que ele pudesse ter jogado a decisão em suas mãos. Se não fizesse concessões, não haveria um futuro para eles.

Uma sombra de ressentimento atormentou-a, mas sabia que ele estava com a razão. Se não o aceitasse completamente o casamento acabaria. Confusa, não sabia que decisão tomar.
Ainda pensava no assunto quando uma semana mais tarde um fato aconteceu, transformando seus problemas anteriores em fumaça.
Os gêmeos desapareceram.

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EITA Q A PARADA FICOU LOUCA! Tudo bem? Eu to bem sim, obg... Dois capítulos, genteeeeeeee' E já escolhi a próxima, vai ser uma mini, bem mini msm hehehe Estão gostando? Comentem! Amo os comentários de vcs ♥ Respostas aqui' Beijos, amo vcs <333333