
x-x
Ao perceber
o desaparecimento dos gêmeos, Demi assumiu a culpa.
Fora a
semana mais tensa dos últimos tempos.
Joe agia
de modo frio, sem esconder a irritação com ela, e todos na casa ficaram
aliviados quando ele viajou para Manchester.
Devido aos
feriados da Páscoa, os gêmeos não tiveram aula e ficaram o dia todo em casa.
Excitados com a proximidade da mudança, importunavam a mãe, cujos nervos
estavam em frangalhos. Demi empacotava algumas louças quando ouviu o
telefone. Reclamou baixo, levantou-se e atravessou a sala para atender, mas
assim que chegou no hall já havia parado de tocar.
—Era o papai
no telefone — ele informou, seco. Ainda não perdoara a mãe por ter gritado ao
ver que derrubara suco de laranja no chão da cozinha. Sentia-se injustiçado,
pois o suco era para o Michel, queria poupá-la do trabalho. Demi não reconheceu a ajuda, só enxergou a sujeira que teria de limpar e perdeu a
paciência. —Ele mandou avisar que está saindo de Manchester. Antes de vir para
casa vai passar no escritório, por isso chegará tarde.
—Eu tinha
pedido para ele chegar mais cedo e jogar com a gente — informou Kate.
—Suponho que
ele desligou depressa, tremendo de medo! —Demi falou com intenção de ser
sarcástica com Joe, mas os gêmeos entenderam errado e Kate corou de raiva.
—Não, ele
não desligou —ela gritou. —Ele disse que preferia jogar com a gente, em vez de
fazer aquele trabalho chato! E você está uma mamãe muito chata! — Com lágrimas
nos olhos, Kate desceu correndo e Sammy foi atrás dela. Demi apoiou uma mão
na barriga e a outra na cabeça que estourava de dor. As crianças não mereciam
sua irritação. Desceu para se desculpar, mas eles a ignoraram, fingindo ver
televisão. Pegou Michael do chão onde brincava contente com os blocos coloridos
e encarou os gêmeos na esperança de que eles a olhassem. Como não se moveram,
sentiu a irritação de volta e saiu da sala com o bebê no colo. Uma hora mais
tarde, quase enlouqueceu. Procurou por todos os lugares, mas os gêmeos haviam
sumido. Demi guiou em volta dos parques vizinhos. Depois foi até a casa de
Jenny, ela passaria o dia fora com uma amiga, mas as crianças não sabiam e
poderiam ter ido até lá. Revirou a casa e até ligou para a nova, numa falsa esperança
que de algum modo eles soubessem o caminho. Os caseiros não sabiam de nada, e
já pensava em chamar a polícia quando o telefone tocou.
Atendeu com
a mão tremendo. —Sra. Jonas? — uma voz incerta perguntou.
—Sim.
—Aqui é a
secretária do seu marido... Sentiu o coração disparar.
—Ele... já
chegou? — ela perguntou.
—Ainda não.
Mas seus filhos estão aqui à procura do pai e eu...
—Eles estão
aí com você? Sim, senhora. —Ah, meu Deus! Eles estão bem?
—Sim, estão
ótimos. — Demi deixou-se cair sentada no último degrau de escada, aliviada, mas levantou-se logo.
—Por favor,
poderia tomar conta deles? Já estou indo buscá-los — sussurrou.
Com um
soluço, desligou o telefone e correu para pegar Michael. Chegou às Empresas Jonas no fim do horário de almoço. A moderna área da entrada estava lotada
de pessoas circulando para os respectivos escritórios. Chocada com o movimento,
envergonhou-se por vestir uma calça fuseau antiga e uma das camisetas de Joe, e ficou olhando aturdida. Sem enxergar as crianças, decidiu perguntar
na recepção. Caminhou através do enorme hall até uma jovem recepcionista, que
flertava com um dos funcionários sentado na beirada da sua mesa.
—Desculpe —
ela interrompeu o idílio. — Sou Demetria Jonas, minhas crianças...
—Sra. Jonas!
— A garota
levantou-se e olhou-a
incrédula. O companheiro afastou-se e encarou-a, e Demi não os culpou
por ficarem chocados com sua aparência, só queria saber dos filhos.
—Sabe onde
estão meus filhos? — perguntou,
sem perceber que a alteração de
voz da recepcionista atraíra a atenção das pessoas no hall, que a olhavam com
curiosidade.
—Oh, o sr.
Jonas chegou há pouco e está com eles no escritório, ele pediu para a
senhora...
—Se quiser
eu a levo — o jovem ofereceu. Atordoada, Demi virou-se para ele e concordou com um aceno.
—Obrigada —
murmurou, e seguiu-o através de corredores.
O elevador
parou e deixou-os num corredor largo, cujo carpete macio amortecia seus passos
enquanto andavam até uma enorme porta de carvalho. O jovem bateu, esperou um
momento e abriu, afastando-se para lhe passagem. Demi parou
na entrada. Olhou
para Joe, que
se apoiava numa escrivaninha de madeira, os braços
cruzados no peito, o olhar severo para as duas pequenas figuras sentadas
juntas, num sofá de couro e teve vontade de chorar. Colocou Michael no chão e
sussurrou:
—Oh, Sammy,
Kate! — Com um gemido, caiu desmaiada. Ao acordar, percebeu que estava deitada
no sofá, com algo gelado na testa e quatro rostos ansiosos encarando-a. Deu um
sorriso fraco, e em troca recebeu outros quatro. Joe sentava-se a seu lado,
com Michael no colo, segurando sua mão com firmeza. Sammy e Kate, o ladeavam,
cada um inclinado sobre um dos ombros. Era uma cena bonita e ela desejou ter
papel e lápis por perto, para captar a imagem para sempre.
—Como está
se sentindo? — perguntou Joe.
—Um pouco
confusa. —Sorriu e voltou a atenção para os dois fugitivos.
— Vocês me
desculpam?
Sammy e Kate
abraçaram a mãe, se desculparam e reafirmaram seu amor e preocupação com o
desmaio. Depois, se entusiasmaram contando a aventura: o telefonema para o
táxi, a contagem das moedas nos cofrinhos, a chegada ao escritório e a
descoberta que o pai não se encontrava, deixando todos em pânico.
—E
apavorando sua mãe até quase a loucura — Joe completou. Ele olhou sério para
Kate, que baixou a cabeça envergonhada. —Eles planejaram tudo. — Joe explicou os fatos. —Telefonaram para o ponto que você costuma chamar. Deram a
desculpa da mãe doente, na cama, enviando os filhos para o pai tomar conta.
Apresentaram até um dos meus cartões de visita com o endereço da firma. Um
serviço profissional.
—Oh,
Kate! — Demi exclamou,
lembrando o orgulho
da garota ao receber a tarefa de ligar para o ponto de táxi quando Joe viajava e não podia levá-los ao
colégio. —Você abusou da minha confiança!
A criança
escondeu o rosto no ombro da mãe. —Mas fui eu que tive a idéia de usar o cartão
do papai — Sammy falou, compartilhando a culpa.
Porém, todos
sabiam que a precoce Kate era a mentora do plano. —Desculpe — a garota
sussurrou, enxugando as lágrimas.
O fato de
Kate não procurar o colo do pai para consolo era um indício claro das
reprimendas que os gêmeos ouviram antes da chegada da mãe.
Joe,
pálido e abatido, segurava Michael com força, acariciando o bebê como se
necessitasse sentir o conforto de um dos filhos, porque estava muito zangado
para fazer o que tinha vontade: abraçar os gêmeos bem apertado. Percebeu que Demi o olhava e sorriu. —Minha secretária vai trazer um café. Assim que
chegar, vou pedir que leve as crianças até a lanchonete e poderemos conversar.
Seria uma conversa difícil. Demi sentou-se no sofá e logo uma moça bonita
entrou e colocou a bandeja sobre a escrivaninha. Joe explicou aos gêmeos que
a secretária os levaria para almoçar e ela saiu da sala com as crianças e o
pequeno Michael nos braços. Ele serviu uma xícara para Demi e sentou ao lado
dela no sofá.
—Vamos lá,
conte o que aconteceu.
—Tenho
estado impaciente com eles — admitiu. — Hoje, mais que o normal. Com
certeza, sentiram-se negligenciados e
vieram à procura
de conforto. Pensei que tinham ido até a casa de sua mãe... Procurei em
todos os lugares, jamais passou pela minha cabeça que eles pudessem vir aqui!
—Agora já
acabou. Não fique preocupada, você viu que eles estão bem. Ela concordou,
lutando para não chorar.
—Você me
desculpa?
—Por quê?
—Por ser uma
péssima mãe... e por nos intrometermos aqui. — Joe mostrou impaciência.
—Demi,
algumas vezes eu não entendo o que você tem em mente!
—Bateu
neles?
—Não, consegui
controlar a mão.
Em compensação, falei que o
que fizeram foi estúpido, perigoso e intencional. Sam ouviu em silêncio,
mas Kate ficou chocada. Acho que nunca havia gritado assim com eles.
—Kate vai te
perdoar — Demi assegurou.
—Se ela
puxou a mãe, não vai não!
—O meu caso
não é perdão. É tentar esquecer e não estou conseguindo. Você virou minha vida
pelo avesso, Joe!
—Eu sei. A
minha também, só que eu merecia sofrer e você, nunca.
—Então por
que isto aconteceu? — Joe inspirou profundamente e passou a mão no cabelo.
—Porque ela
estava perto — ele respondeu, ríspido.
—Acho que a
magoou muito.
—Eu magoei?
Ela não é do mesmo tipo que você, Demi. Mulheres como Lydia não se deixam
magoar com facilidade.
—Isto
resolve parte do problema, não?
—De jeito
nenhum. Mas não me sinto culpado por magoar os sentimentos dela quando não deu
a mínima para os meus. Demi não entendeu a colocação e olhou para ele com
expressão confusa. —Se eu tentar te explicar tudo, promete que me escuta? — Não
sabia. Aguentaria escutar uma história sórdida? Desviou o olhar, incerta do que
responder. A mão de Joe cobriu a dela com carinho.
—Por favor, Demi. Você foi e sempre será a única mulher que eu amo. Se não quer ouvir mais nada, pelo menos escute esta verdade.
—Por que,
então, Lydia?
—Porque, por
um curto período no ano passado, eu perdi o controle, não apenas do nosso
relacionamento, mas aqui na empresa também. Lydia foi a urna válvula de escape,
pura e simples. — Ele encarou a esposa com um sorriso desapontado. —Eu estava
sob terrível pressão e usei-a para ter algum alívio. — O que aquela confissão
significava? Demi encarou-o rancor.
—Então devo
esquecer e perdoar? E esperar sentada a próxima vez que se sentir pressionado e
procurar alívio com qualquer outra disponível?
—Não, isto
nunca mais vai acontecer, porque não funcionou na primeira vez. — Joe estudou o rasto sério e magoado para ver se ela ia entendida aonde ele queria chegar, mas percebeu que não, — Você e sua eterna inocência!
—Tirou minha
inocência quando eu estava com dezessete anos, Joe!
—Não, Demi,
você se entregou
de livre e espontânea vontade.
E, acredite ou não, minha intenção era outra. Não — ele segurou as mãos
dela com firmeza, — não me entenda mal. Eu sempre te quis, sempre fui louco por
você. Eu sabia que era muito nova, que deveria me afastar, mas foi impossível.
Decidi então manter um namoro sem intimidade, e nem isso eu consegui. Eu estava
tão apaixonado e obcecado, que até meu trabalho começou a piorar. O seu também.
Você era primeira aluna da classe e relaxou nos estudos para ficar comigo. Seus
pais me procuraram... — Ela surpreendeu-se com a novidade. Os pais eram secos
em relação ao namoro, mas nunca imaginou... —Eles desaprovavam nosso
relacionamento — ele continuou. — Com toda razão. Eu colocava em risco seus
anos de estudo. Por sua causa, deixei de lado os planos para minha carreira.
—Não parece
— ela disse, mostrando o escritório luxuoso com um amplo gesto. —Apesar de mim,
conseguiu realizar seus sonhos.
—Sim, mas à
custa dos seus.
—Como sabe
que eu tinha sonhos, se nunca se incomodou em perguntar?
—Eu sei
que queria ir
para a faculdade
de Artes. Seu sonho
era trabalhar com propaganda, criação.
—Era mesmo?
Isto mostra como você me conhece pouco.
—Então, o
que é que você deseja? — ele perguntou, tenso, como se na verdade não quisesse
saber a resposta.
Demi queria dizer que ele era tudo que sempre quis na vida, mas, na defensiva,
zombou com palavras ferinas.
—Vamos dizer
que eu tive o que mereci.
—Eu estava a
ponto de deixá-la quando me contou sobre a gravidez. Lembra-se que eu estava aqui
em Londres e cheguei de viagem naquele dia? O que não sabe é que eu havia feito
uma série de entrevistas para um emprego fora do país, longe de você. — Demi suspeitara que sua gravidez fora um transtorno, quando soubera de Lydia. Joe não queria casar, simplesmente não tivera outra escolha. Sentiu que ele acariciava suas mãos. —Não, está me interpretando mal.
Eu não queria deixá-la, mas me preparei para sair de sua vida pelo
seu bem! Você era muito jovem para ficar presa. Aceitei o emprego porque achei
que era o melhor para nós dois! Foi uma decisão difícil, e eu me sentia péssimo
quando cheguei de Londres preparado para me despedir. Ele parou de falar, o
olhar turvo de tristeza. —Então lá estava você, na minha frente, com todo
aquele... e eu fiquei morrendo por dentro porque ia perder tudo. A próxima
coisa que me lembro — ele engoliu em seco —é de termos feito amor quando não
devíamos. Só piorou as coisas. Como dizer para a mulher que você ama que vai
deixá-la? Joe estava perdido nas reminiscências e não reparou que Demi ficou imóvel e pálida. —Então, enquanto eu lutava para achar as palavras
certas, você encostou a cabeça no meu joelho e disse com a maior calma que
estava grávida. Ele sacudiu a cabeça e riu com ternura. —Foi como ter uma corda
no pescoço para ser enforcado e no próximo minuto estar livre! Tão livre, que
tudo que consegui fazer foi ficar sentado e deixar a adrenalina se espalhar por
meu corpo. Eu não tinha mais de me afastar, porque você precisava de mim.
Fiquei livre para descartar seus sonhos de ter uma carreira, sua juventude.
Pude fazer que realmente queria, ficar com você sempre junto de mim, para
ninguém descobrir o maravilhoso tesouro que eu possuía. — Ele parou um instante
e depois continuou, emocionado. —Nos casamos e viemos morar aqui em Londres, no
pequeno apartamento de Camden Town. Nosso dinheiro era pouco, e nunca fui tão
feliz! Então os gêmeos nasceram e tive um lance de sorte que permitiu que eu
tentasse realizar meu sonho. Lembra como eu aplicava meu dinheiro em ações? —
Ela concordou. — Bem, logo depois, um lote teve ande valorização. Foi minha
primeira aplicação correta no mercado financeiro. Com o lucro eu poderia
comprar uma casa ou reinvestir, e foi o que eu fiz — confessou, como se fosse
um pecado mortal. Talvez naquela época até fosse, Demi pensou. Ele nem se
preocupara em discutir com ela o que fazer. Mas talvez Joe não fosse o homem
bem-sucedido de hoje, se precisasse pedir a opinião dos outros para tomar
decisões de risco. —Passei os meses
seguintes com sensação
de culpa, quando
o apartamento revelou-se mínimo para suportar a parafernália requerida
por dois bebês. Então, o investimento começou a pagar dividendos e bonificações
e arrisquei mais uma vez e reinvesti tudo. Depois disso, não parei mais. Eu
tinha dom para o negócio. Compramos a casa. Fundei minha própria empresa;
comprei, saneei e vendi pequenas firmas com lucro e cresci até a estabilidade
de hoje. E sempre com sacrifício. Quanto mais a empresa crescia, mais eu
trabalhava, e naturalmente minha presença nos círculos sociais era
significativa para saber o que se passava no mundo dos negócios. — Joe sorriu e acariciou o rosto de Demi, que ouvia com atenção. —Entretanto,
quanto mais eu convivia com as pessoas, mais determinado ficava em proteger
você da selva que é o mundo. Você era a única verdade da minha vida. Eu chegava
em casa e encontrava a doce garota por quem me apaixonara e sabia que lutaria
contra tudo para mantê-la igual! — Ele inspirou profundamente, aliviado por
estar revelando tanto sobre o homem que Demi queria conhecer e jamais
conseguira. —De repente, você ficou
grávida de Michael
e uma das
pequenas empresas que comprei estava envolvida em fraude fiscal. Eu
passava mais tempo fora de casa do que deveria e quis facilitar sua vida. Mas
você, querida Demi, é teimosa como não sei o quê — ele acrescentou sorrindo. —Tínhamos dinheiro sobrando, e não me deixou contratar alguém para ajudar.
Demi ergueu o queixo em desafio. —Se pode dirigir esta empresa sozinho Joe, certamente eu também posso dirigir uma pequena casa e três crianças!
—Acontece
que cada pessoa tem o seu limite de resistência. Depois do nascimento de
Michael, você quase ultrapassou o seu. O garoto não dormiu por quatro meses,
bem na época do sarampo dos gêmeos.
— E eu
descobri seu caso com Lydia — ela acrescentou seca. Joe sacudiu a cabeça.
—Não, foi o
resultado por eu ter ultrapassado meu limite, Demi. Quase perdi todo nosso patrimônio no processo contra a Harvey. Eles são maiores e mais fortes e me
queriam fora do caminho. Aproveitaram o processo de fraude para me acusar. Tive
de lutar com todas as armas para provar minha inocência.
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oi galero ♥ td bem? eu estou bem! Gostaria de dizer q a próxima fic já está quase pronta para ser postada! Ela é perfeita ♥ E tb q esse é o penúltimo capítulo, psé... Mas não desanimem! Em breve uma nova história entrará no lugar dessa haha' Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥
oi galero ♥ td bem? eu estou bem! Gostaria de dizer q a próxima fic já está quase pronta para ser postada! Ela é perfeita ♥ E tb q esse é o penúltimo capítulo, psé... Mas não desanimem! Em breve uma nova história entrará no lugar dessa haha' Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥
PS: Capítulo programado.





