26.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 10

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Ao perceber o desaparecimento dos gêmeos, Demi assumiu a culpa.
Fora a semana mais tensa dos últimos tempos.
Joe agia de modo frio, sem esconder a irritação com ela, e todos na casa ficaram aliviados quando ele viajou para Manchester.
Devido aos feriados da Páscoa, os gêmeos não tiveram aula e ficaram o dia todo em casa. Excitados com a proximidade da mudança, importunavam a mãe, cujos nervos estavam em frangalhos. Demi empacotava algumas louças quando ouviu o telefone. Reclamou baixo, levantou-se e atravessou a sala para atender, mas assim que chegou no hall já havia parado de tocar.

—Era o papai no telefone — ele informou, seco. Ainda não perdoara a mãe por ter gritado ao ver que derrubara suco de laranja no chão da cozinha. Sentia-se injustiçado, pois o suco era para o Michel, queria poupá-la do trabalho. Demi não reconheceu a ajuda, só enxergou a sujeira que teria de limpar e perdeu a paciência. —Ele mandou avisar que está saindo de Manchester. Antes de vir para casa vai passar no escritório, por isso chegará tarde.

—Eu tinha pedido para ele chegar mais cedo e jogar com a gente — informou Kate.

—Suponho que ele desligou depressa, tremendo de medo! —Demi falou com intenção de ser sarcástica com Joe, mas os gêmeos entenderam errado e Kate corou de raiva.

—Não, ele não desligou —ela gritou. —Ele disse que preferia jogar com a gente, em vez de fazer aquele trabalho chato! E você está uma mamãe muito chata! — Com lágrimas nos olhos, Kate desceu correndo e Sammy foi atrás dela. Demi apoiou uma mão na barriga e a outra na cabeça que estourava de dor. As crianças não mereciam sua irritação. Desceu para se desculpar, mas eles a ignoraram, fingindo ver televisão. Pegou Michael do chão onde brincava contente com os blocos coloridos e encarou os gêmeos na esperança de que eles a olhassem. Como não se moveram, sentiu a irritação de volta e saiu da sala com o bebê no colo. Uma hora mais tarde, quase enlouqueceu. Procurou por todos os lugares, mas os gêmeos haviam sumido. Demi guiou em volta dos parques vizinhos. Depois foi até a casa de Jenny, ela passaria o dia fora com uma amiga, mas as crianças não sabiam e poderiam ter ido até lá. Revirou a casa e até ligou para a nova, numa falsa esperança que de algum modo eles soubessem o caminho. Os caseiros não sabiam de nada, e já pensava em chamar a polícia quando o telefone tocou.

Atendeu com a mão tremendo. —Sra. Jonas? — uma voz incerta perguntou.

—Sim.

—Aqui é a secretária do seu marido... Sentiu o coração disparar.

—Ele... já chegou? — ela perguntou.

—Ainda não. Mas seus filhos estão aqui à procura do pai e eu...

—Eles estão aí com você? Sim, senhora. —Ah, meu Deus! Eles estão bem?

—Sim, estão ótimos. — Demi deixou-se cair sentada no último degrau de escada, aliviada, mas levantou-se logo.

—Por favor, poderia tomar conta deles? Já estou indo buscá-los — sussurrou.

Com um soluço, desligou o telefone e correu para pegar Michael. Chegou às Empresas Jonas no fim do horário de almoço. A moderna área da entrada estava lotada de pessoas circulando para os respectivos escritórios. Chocada com o movimento, envergonhou-se por vestir uma calça fuseau antiga e uma das camisetas de Joe, e ficou olhando aturdida. Sem enxergar as crianças, decidiu perguntar na recepção. Caminhou através do enorme hall até uma jovem recepcionista, que flertava com um dos funcionários sentado na beirada da sua mesa.

—Desculpe — ela interrompeu o idílio. — Sou Demetria Jonas, minhas crianças...

—Sra.  Jonas!  —  A  garota  levantou-se  e  olhou-a  incrédula.  O companheiro  afastou-se e encarou-a, e Demi não os culpou  por ficarem chocados com sua aparência, só queria saber dos filhos.

—Sabe onde estão meus  filhos?  — perguntou,  sem  perceber que a alteração de voz da recepcionista atraíra a atenção das pessoas no hall, que a olhavam com curiosidade.

—Oh, o sr. Jonas chegou há pouco e está com eles no escritório, ele pediu para a senhora...

—Se quiser eu a levo — o jovem ofereceu. Atordoada, Demi virou-se para ele e concordou com um aceno.

—Obrigada — murmurou, e seguiu-o através de corredores.

O elevador parou e deixou-os num corredor largo, cujo carpete macio amortecia seus passos enquanto andavam até uma enorme porta de carvalho. O jovem bateu, esperou um momento e abriu, afastando-se para lhe passagem. Demi parou  na  entrada.  Olhou  para  Joe,  que  se  apoiava  numa escrivaninha de madeira, os braços cruzados no peito, o olhar severo para as duas pequenas figuras sentadas juntas, num sofá de couro e teve vontade de chorar. Colocou Michael no chão e sussurrou:

—Oh, Sammy, Kate! — Com um gemido, caiu desmaiada. Ao acordar, percebeu que estava deitada no sofá, com algo gelado na testa e quatro rostos ansiosos encarando-a. Deu um sorriso fraco, e em troca recebeu outros quatro. Joe sentava-se a seu lado, com Michael no colo, segurando sua mão com firmeza. Sammy e Kate, o ladeavam, cada um inclinado sobre um dos ombros. Era uma cena bonita e ela desejou ter papel e lápis por perto, para captar a imagem para sempre.

—Como está se sentindo? — perguntou Joe.

—Um pouco confusa. —Sorriu e voltou a atenção para os dois fugitivos.

— Vocês me desculpam?

Sammy e Kate abraçaram a mãe, se desculparam e reafirmaram seu amor e preocupação com o desmaio. Depois, se entusiasmaram contando a aventura: o telefonema para o táxi, a contagem das moedas nos cofrinhos, a chegada ao escritório e a descoberta que o pai não se encontrava, deixando todos em pânico.

—E apavorando sua mãe até quase a loucura — Joe completou. Ele olhou sério para Kate, que baixou a cabeça envergonhada. —Eles planejaram tudo. — Joe explicou os fatos. —Telefonaram para o ponto que você costuma chamar. Deram a desculpa da mãe doente, na cama, enviando os filhos para o pai tomar conta. Apresentaram até um dos meus cartões de visita com o endereço da firma. Um serviço profissional.

—Oh, Kate!  — Demi exclamou,  lembrando  o  orgulho  da garota  ao receber a tarefa de ligar para o ponto de táxi quando Joe viajava e não podia levá-los ao colégio. —Você abusou da minha confiança!

A criança escondeu o rosto no ombro da mãe. —Mas fui eu que tive a idéia de usar o cartão do papai — Sammy falou, compartilhando a culpa.

Porém, todos sabiam que a precoce Kate era a mentora do plano. —Desculpe — a garota sussurrou, enxugando as lágrimas.

O fato de Kate não procurar o colo do pai para consolo era um indício claro das reprimendas que os gêmeos ouviram antes da chegada da mãe.
Joe, pálido e abatido, segurava Michael com força, acariciando o bebê como se necessitasse sentir o conforto de um dos filhos, porque estava muito zangado para fazer o que tinha vontade: abraçar os gêmeos bem apertado. Percebeu que Demi o olhava e sorriu. —Minha secretária vai trazer um café. Assim que chegar, vou pedir que leve as crianças até a lanchonete e poderemos conversar. Seria uma conversa difícil. Demi sentou-se no sofá e logo uma moça bonita entrou e colocou a bandeja sobre a escrivaninha. Joe explicou aos gêmeos que a secretária os levaria para almoçar e ela saiu da sala com as crianças e o pequeno Michael nos braços. Ele serviu uma xícara para Demi e sentou ao lado dela no sofá.

—Vamos lá, conte o que aconteceu.

—Tenho estado impaciente com eles — admitiu. — Hoje, mais que o normal.  Com  certeza,  sentiram-se  negligenciados  e  vieram  à  procura  de conforto. Pensei que tinham ido até a casa de sua mãe... Procurei em todos os lugares, jamais passou pela minha cabeça que eles pudessem vir aqui!

—Agora já acabou. Não fique preocupada, você viu que eles estão bem. Ela concordou, lutando para não chorar.

—Você me desculpa?

—Por quê?

—Por ser uma péssima mãe... e por nos intrometermos aqui. — Joe mostrou impaciência.
—Demi, algumas vezes eu não entendo o que você tem em mente!

—Bateu neles?

—Não,  consegui  controlar  a  mão.  Em compensação,  falei  que o  que fizeram foi estúpido, perigoso e intencional. Sam ouviu em silêncio, mas Kate ficou chocada. Acho que nunca havia gritado assim com eles.

—Kate vai te perdoar — Demi assegurou.

—Se ela puxou a mãe, não vai não!

—O meu caso não é perdão. É tentar esquecer e não estou conseguindo. Você virou minha vida pelo avesso, Joe!

—Eu sei. A minha também, só que eu merecia sofrer e você, nunca.

—Então por que isto aconteceu? — Joe inspirou profundamente e passou a mão no cabelo.

—Porque ela estava perto — ele respondeu, ríspido.

—Acho que a magoou muito.

—Eu magoei? Ela não é do mesmo tipo que você, Demi. Mulheres como Lydia não se deixam magoar com facilidade.

—Isto resolve parte do problema, não?

—De jeito nenhum. Mas não me sinto culpado por magoar os sentimentos dela quando não deu a mínima para os meus. Demi não entendeu a colocação e olhou para ele com expressão confusa. —Se eu tentar te explicar tudo, promete que me escuta? — Não sabia. Aguentaria escutar uma história sórdida? Desviou o olhar, incerta do que responder. A mão de Joe cobriu a dela com carinho.

—Por favor, Demi. Você foi e sempre será a única mulher que eu amo. Se não quer ouvir mais nada, pelo menos escute esta verdade.

—Por que, então, Lydia?

—Porque, por um curto período no ano passado, eu perdi o controle, não apenas do nosso relacionamento, mas aqui na empresa também. Lydia foi a urna válvula de escape, pura e simples. — Ele encarou a esposa com um sorriso desapontado. —Eu estava sob terrível pressão e usei-a para ter algum alívio. — O que aquela confissão significava? Demi encarou-o rancor.

—Então devo esquecer e perdoar? E esperar sentada a próxima vez que se sentir pressionado e procurar alívio com qualquer outra disponível?

—Não, isto nunca mais vai acontecer, porque não funcionou na primeira vez. — Joe estudou o rasto sério e magoado para ver se ela ia entendida aonde ele queria chegar, mas percebeu que não, — Você e sua eterna inocência!

—Tirou minha inocência quando eu estava com dezessete anos, Joe!

—Não,  Demi,  você  se  entregou  de livre  e espontânea  vontade.  E, acredite ou não, minha intenção era outra. Não — ele segurou as mãos dela com firmeza, — não me entenda mal. Eu sempre te quis, sempre fui louco por você. Eu sabia que era muito nova, que deveria me afastar, mas foi impossível. Decidi então manter um namoro sem intimidade, e nem isso eu consegui. Eu estava tão apaixonado e obcecado, que até meu trabalho começou a piorar. O seu também. Você era primeira aluna da classe e relaxou nos estudos para ficar comigo. Seus pais me procuraram... — Ela surpreendeu-se com a novidade. Os pais eram secos em relação ao namoro, mas nunca imaginou... —Eles desaprovavam nosso relacionamento — ele continuou. — Com toda razão. Eu colocava em risco seus anos de estudo. Por sua causa, deixei de lado os planos para minha carreira.

—Não parece — ela disse, mostrando o escritório luxuoso com um amplo gesto. —Apesar de mim, conseguiu realizar seus sonhos.

—Sim, mas à custa dos seus.

—Como sabe que eu tinha sonhos, se nunca se incomodou em perguntar?

—Eu  sei  que  queria  ir  para  a  faculdade  de Artes.  Seu  sonho  era trabalhar com propaganda, criação.

—Era mesmo? Isto mostra como você me conhece pouco.

—Então, o que é que você deseja? — ele perguntou, tenso, como se na verdade não quisesse saber a resposta.

Demi queria dizer que ele era tudo que sempre quis na vida, mas, na defensiva, zombou com palavras ferinas.

—Vamos dizer que eu tive o que mereci.

—Eu estava a ponto de deixá-la quando me contou sobre a gravidez. Lembra-se que eu estava aqui em Londres e cheguei de viagem naquele dia? O que não sabe é que eu havia feito uma série de entrevistas para um emprego fora do país, longe de você. — Demi suspeitara que sua gravidez fora um transtorno, quando soubera de Lydia. Joe não queria casar, simplesmente não tivera outra escolha. Sentiu que ele acariciava suas mãos. —Não,  está  me interpretando  mal.  Eu não queria  deixá-la,  mas me preparei para sair de sua vida pelo seu bem! Você era muito jovem para ficar presa. Aceitei o emprego porque achei que era o melhor para nós dois! Foi uma decisão difícil, e eu me sentia péssimo quando cheguei de Londres preparado para me despedir. Ele parou de falar, o olhar turvo de tristeza. —Então lá estava você, na minha frente, com todo aquele... e eu fiquei morrendo por dentro porque ia perder tudo. A próxima coisa que me lembro — ele engoliu em seco —é de termos feito amor quando não devíamos. Só piorou as coisas. Como dizer para a mulher que você ama que vai deixá-la? Joe estava perdido nas reminiscências e não reparou que Demi ficou imóvel e pálida. —Então, enquanto eu lutava para achar as palavras certas, você encostou a cabeça no meu joelho e disse com a maior calma que estava grávida. Ele sacudiu a cabeça e riu com ternura. —Foi como ter uma corda no pescoço para ser enforcado e no próximo minuto estar livre! Tão livre, que tudo que consegui fazer foi ficar sentado e deixar a adrenalina se espalhar por meu corpo. Eu não tinha mais de me afastar, porque você precisava de mim. Fiquei livre para descartar seus sonhos de ter uma carreira, sua juventude. Pude fazer que realmente queria, ficar com você sempre junto de mim, para ninguém descobrir o maravilhoso tesouro que eu possuía. — Ele parou um instante e depois continuou, emocionado. —Nos casamos e viemos morar aqui em Londres, no pequeno apartamento de Camden Town. Nosso dinheiro era pouco, e nunca fui tão feliz! Então os gêmeos nasceram e tive um lance de sorte que permitiu que eu tentasse realizar meu sonho. Lembra como eu aplicava meu dinheiro em ações? — Ela concordou. — Bem, logo depois, um lote teve ande valorização. Foi minha primeira aplicação correta no mercado financeiro. Com o lucro eu poderia comprar uma casa ou reinvestir, e foi o que eu fiz — confessou, como se fosse um pecado mortal. Talvez naquela época até fosse, Demi pensou. Ele nem se preocupara em discutir com ela o que fazer. Mas talvez Joe não fosse o homem bem-sucedido de hoje, se precisasse pedir a opinião dos outros para tomar decisões de risco. —Passei  os  meses  seguintes  com  sensação  de  culpa,  quando  o apartamento revelou-se mínimo para suportar a parafernália requerida por dois bebês. Então, o investimento começou a pagar dividendos e bonificações e arrisquei mais uma vez e reinvesti tudo. Depois disso, não parei mais. Eu tinha dom para o negócio. Compramos a casa. Fundei minha própria empresa; comprei, saneei e vendi pequenas firmas com lucro e cresci até a estabilidade de hoje. E sempre com sacrifício. Quanto mais a empresa crescia, mais eu trabalhava, e naturalmente minha presença nos círculos sociais era significativa para saber o que se passava no mundo dos negócios. — Joe sorriu e acariciou o rosto de Demi, que ouvia com atenção. —Entretanto, quanto mais eu convivia com as pessoas, mais determinado ficava em proteger você da selva que é o mundo. Você era a única verdade da minha vida. Eu chegava em casa e encontrava a doce garota por quem me apaixonara e sabia que lutaria contra tudo para mantê-la igual! — Ele inspirou profundamente, aliviado por estar revelando tanto sobre o homem que Demi queria conhecer e jamais conseguira. —De repente,  você  ficou  grávida  de  Michael  e  uma  das  pequenas empresas que comprei estava envolvida em fraude fiscal. Eu passava mais tempo fora de casa do que deveria e quis facilitar sua vida. Mas você, querida Demi, é teimosa como não sei o quê — ele acrescentou sorrindo. —Tínhamos dinheiro sobrando, e não me deixou contratar alguém para ajudar.

Demi ergueu o queixo em desafio. —Se pode dirigir esta empresa sozinho Joe, certamente eu também posso dirigir uma pequena casa e três crianças!

—Acontece que cada pessoa tem o seu limite de resistência. Depois do nascimento de Michael, você quase ultrapassou o seu. O garoto não dormiu por quatro meses, bem na época do sarampo dos gêmeos.

— E eu descobri seu caso com Lydia — ela acrescentou seca. Joe sacudiu a cabeça.

—Não, foi o resultado por eu ter ultrapassado meu limite, Demi. Quase perdi todo nosso patrimônio no processo contra a Harvey. Eles são maiores e mais fortes e me queriam fora do caminho. Aproveitaram o processo de fraude para me acusar. Tive de lutar com todas as armas para provar minha inocência.

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oi galero ♥ td bem? eu estou bem! Gostaria de dizer q a próxima fic já está quase pronta para ser postada! Ela é perfeita ♥ E tb q esse é o penúltimo capítulo, psé... Mas não desanimem! Em breve uma nova história entrará no lugar dessa haha' Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

PS: Capítulo programado.

24.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 9

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Duas horas da tarde de uma quarta-feira, Joe trabalhava na minuta de um contrato, quando o telefone tocou.

—Uma pessoa na linha para o senhor. Ela diz que é a sra. Jonas. — Um arrepio gelado percorreu sua coluna. Demi nunca telefonava para o escritório. Um acidente com uma das crianças? Alarmado, atendeu a ligação. Ficou tão preocupado com o que poderia ter acontecido, que não entendeu a voz urgente, que não era a de Demi.

—Mamãe, será que pode repetir? Acho que não compreendi uma só palavra do que disse.

Deixou o escritório e dirigiu apressado para casa. Sua mãe abriu a porta, antes mesmo que ele parasse o carro.

—Ela está lá dentro. Está tão triste, meu filho. Joe entrou na saia e encontrou Demi enrolada em um cobertor no canto do sofá, aos prantos. Aproximou-se com cuidado e tocou seu ombro.

—Demi?

—Vá embora! — ela soluçou. Ele ficou intrigado. Nunca vira a esposa naquele estado, tão abatida que nem conseguia dizer qual era o problema. Acariciou-a, tentando imaginar o que poderia ter acontecido.

O nome de Zac Callum passou por sua mente e sentiu ódio.

—Demi... — Ele passou a mão pelo cabelo dela e assustou-se com o estado febril. — Pelo amor de Deus, fale comigo! O que está acontecendo? — Sem saber o que fazer, pegou-a no colo e sentou-se no sofá.

—Foi tudo sua culpa — ela soluçou de repente. Culpa dele. Joe tentou lembrar-se dos últimos dias, querendo descobrir o motivo de tanto desespero. Não conseguia pensar em nada. Fora muito diplomático. Não fizera comentários a respeito das aulas de arte, nem a procurara com insistência. —Você deveria ter tomado as providências — ela disse, triste. Providências do quê? Os soluços ficaram mais fortes e Joe tomou o controle da situação, colocando-a sentada, afastando o cobertor e acariciando o rosto fervente.

—Fique calma, agora! — O tom de voz aumentou seu choro. Ele puxou o lenço do bolso e enxugou as lágrimas. Assustado com a febre alta, tirou-lhe o suéter de lã e ela tremeu quando o ar frio atingiu-a através da camiseta. —Agora — ele disse, —vamos conversar com calma. Pelo que entendi, você disse que eu sou culpado de alguma coisa. O que é, Demi? Se não falar, como vou poder ajudar?

As lágrimas voltaram a cair. —Você não pode ajudar, Joe! Estou grávida e a culpa é sua. Prometeu que cuidaria do assunto. Ele deveria ter tomado cuidado e ela engravidou dos gêmeos. Depois, Demi tomou pílula por cinco anos e precisou parar pois estava lhe fazendo mal. Joe voltou a cuidar do assunto e veio Michael! —Você é um inútil! Serve para ganhar milhões em suas empresas, mas não presta para mais nada! Pelo amor de Deus, eu só tenho vinte cinco anos! Se continuar assim, vou morrer antes dos trinta. Joe escondeu o rosto no pescoço dela, para esconder o sorriso.

—Psiu, ainda estou tentando absorver a novidade. Demi estava brava e sentou-se ereta.

—Sabe no que me transformei? Numa máquina parideira! Não é à toa que me mantém escondida dentro de casa, Joe! O que diriam seus amigos de negócios se soubessem que eficiente linha de produção que instalou na própria casa?

—Chega, Demi! — Desta vez ele não disfarçou a risada. — Não posso pensar enquanto fica com estas acusações doidas!

—Mas estou grávida e não quero estar!

—De quanto tempo? — ele perguntou.

—Três meses.

—Meu Deus! — Só então a compreensão atingiu-o como atingira Demi quando o médico lhe dera a notícia naquela manhã. — Isto quer dizer que...

—Sim. —Ela não precisava dizer mais nada. Engravidara na relação enlouquecida que tiveram depois da discussão sobre Lydia.

Ficaram em silêncio, pensativos. Ela se encostou em Joe, que acariciava seu cabelo com expressão ausente. Demi lembrou-se da outra vez que sentara assim, recebendo o mesmo carinho enquanto ele pensava. Não houve raiva naquela época e não havia agora.

—Bem — ele disse subitamente — então é isto. — Virou o rosto e beijou os lábios dela. — Querendo ou não, vamos comprar uma casa maior. Não há mais quartos disponíveis aqui! Com os gêmeos, ele usara uma frase parecida para anunciar sua concordância. Joe tinha esta capacidade de aceitar o inevitável.

Demi tomou a decisão de não voltar ao curso de arte. As aulas lhe trouxeram de volta o prazer de desenhar, mas achou que não valia a pena recomeçar enquanto Zac fosse o professor. Embora nenhum dos dois mencionasse o assunto, Joe a levava para jantar fora toda quarta-feira, como se fosse uma compensação pelo que perdera. Mas Demi não parou de desenhar e enchia vários cadernos com caricaturas divertidas. Começaram a procurar outra casa. Depois de um fim de semana infrutífero, nenhuma das casas tinha tudo que queriam, ela perguntou a Joe:

—Afinal, por que quer uma casa tão grande? Não precisamos de tantas salas para receber seus amigos de negócios. — Ele continuava a manter uma separação entre a casa e o escritório e isto ainda a magoava.

—Esta casa não é grande o suficiente para receber ninguém. Eu acho, Demi, que, depois de tudo que trabalhei, temos dinheiro para comprar qualquer casa. Por que então não escolher uma que nos dê prazer? — Finalmente acharam a casa ideal. Uma construção antiga de tijolos vermelhos com portas e altas janelas brancas, que enchiam de luz os cômodos de teto altíssimo. A casa ficava no meio de um enorme gramado, cercada por um muro de tijolos aparentes atrás do qual alinhavam-se árvores altas. Preenchia a ideia de prestígio para Joe, e a idéia de um lar para Demi. Os gêmeos adoraram porque havia uma piscina coberta e um estábulo. E, para completar, na entrada, ao lado do portão eletrônico, havia um chalé para hóspedes, pelo qual a mãe de Joe apaixonou-se à primeira vista. Também havia uma casa para os caseiros que estavam lá há vinte anos e ansiosos para saber o que lhes aconteceria com a venda da casa. Demi gostou do casal e Joe decidiu mantê-los. Contratariam uma arrumadeira e um jardineiro que ajudaria como motorista para levar e trazer as crianças do colégio. Demi  começou a comprar móveis e decorar a casa e descobriu que tinha muito jeito. Estava passando melhor nesta gravidez que na de Michael. A primavera chegou e as obras adiantaram o suficiente para permitir a mudança. Joe trabalhava muito em um outro contrato em Manchester e passava mais tempo no norte que em Londres. Para Demi, o fantasma de Lydia quase desaparecera. Não assombrava mais suas noites de amor, embora ainda precisasse da escuridão para se esconder quando se entregava. Pelo menos parecia estar superando a traição que por pouco não destruiu seu casamento.
A crise dos sete anos, era como se referia com cinismo na privacidade de sua mente. Se outra traição não ocorresse nos próximos sete anos, então talvez pudesse superar. Sabia com certeza que nunca deixaria Joe. O amor da família era mais importante, principalmente com a nova criança que logo viria. Mas amor de Joe? Ela duvidava. Fora um sonho da Demi romântica e infantil. Uma tarde, estava sentada no chão do quarto, separando algumas roupas velhas para doar antes da mudança, quando Joe chegou inesperadamente de uma das viagens a Manchester. Ele parecia cansado e olhou com irritação para as roupas espalhadas.

—Por que não contrata alguém para fazer este trabalho? — disse impaciente, tirando o paletó e a gravata e andando com cuidado para não pisar na bagunça que estava em seu caminho para o banheiro.

—Não quero estranhos mexendo em nossas coisas pessoais e, além disso, só eu sei o que é para ficar e o que é para ser doado. — Sem responder, ele bateu a porta do banheiro. Saiu do banho com uma toalha enrolada no quadril e foi deitar-se ao lado de Demi que já estava na cama, desenhando.

—O que está fazendo? — ele perguntou e inclinou-se para ver o caderno. —Sua bruxa! — exclamou, ao ver o que ela tinha desenhado. Joe riu ao se reconhecer desenhado nu, como um diabo com chifres e rabo, embaixo do chuveiro. Em vez de água caindo, labaredas subiam ao seu redor. Puxou o caderno das mãos dela. Demi esticou-se para pegar mas foi impedida. Joe passou o braço sobre a barriga redonda, prendendo-a no lugar. Abriu o caderno na primeira página e começou a olhar devagar. Ela ficou imóvel, o coração disparado de ansiedade enquanto ele estudava cada página com atenção. Não sorriu ao ver os desenhos. O caderno que folheava não tinha caricaturas a não ser a que acabara de ser feita. Era seu trabalho mais sério, até então mantido longe de olhares curiosos. O retrato de Sam refletia seus traços com perfeição, tão parecido com Joe. Kate aparecia com o longo cabelo loiro emoldurando o rosto satisfeito. Captara sua expressão quando pediu ao pai para comprar um pônei para a nova casa. Havia muitos desenhos de Michael, pois era o que passava mais tempo a seu lado.

—Os desenhos são bons —Joe disse, sério. Demi inspirou fundo, pois sabia o que havia na próxima página.

—Obrigada — ela disse e fez menção de pegar o caderno. Joe não permitiu e assim que virou a folha ficou chocado. Ele esperava se ver desenhado, ela percebeu depois. Parecia lógico depois dos filhos, mas não era Joe. O desenho mostrava o rosto de uma jovem Demi, que mudara pouco ao longo dos anos. A boca cheia e suave, o nariz delicado. Mas os olhos, sempre expressivos, mostravam uma tristeza que tocava a alma. Para Demi, era como olhar uma estranha. Odiou o desenho ao terminar. Captara a criatura triste que as pessoas viam quando a olhavam nos dias atuais. Fizera uma cruz atravessando a página.

—Por que fez isto? — Joe perguntou e percorreu com o dedo uma das linhas da cruz que cruzava o canto da boca.

Demi sentou-se na cama e afastou-se dele. —Ela não é como eu. Não gosto dela! —Sem comentários, ele estudou o desenho por um longo tempo e Demi levantou da cama, fingindo interesse nas roupas jogadas no chão.

—Nem de mim — ele finalmente falou ao virar a página e dar de cara com o demônio.

O sorriso de Demi foi forçado. —Como pode dizer isto? — zombou. — É assim que eu te enxergo. — Sabia o motivo, mas não conseguia explicar por que nunca desenhava Joe. Ele era diferente. Apesar de ser parte da família, de certo modo não era. Os outros rostos no caderno eram parte dela. Joe costumava ser a sua parte mais importante; mas não era mais. Desaparecia no lugar de seu coração de onde brotavam os desenhos. Ele não a amava como os outros. Era o elo quebrado da corrente familiar. Pegou o caderno e guardou dentro do armário, só então encarou Joe, que continuava deitado na cama.

—Onde está Michael?

—Foi passar o dia com sua mãe — ela respondeu, com um frio ria barriga. Seus olhos se encontraram e percebeu o desejo começando a queimar dentro dele. Ficou parada ao lado da cama, nervosa e insegura, sentindo ondas que percorriam seu corpo, ansiosa por tocar Joe. Mesmo longe, sentia a masculinidade dele invadindo-a e olhou o corpo forte e sensual. O sol entrava pela janela, e Demi notou feliz que, pela primeira vez em meses, conseguia olhar o corpo dele abertamente. Sua necessidade da escuridão negava-lhe este prazer e o de ver os olhos dele brilhando de paixão.

Ele estendeu a mão num convite mudo e ela aceitou, incapaz de resistir. Os dedos dele apertaram-lhe a mão com cuidado para não quebrar o contato hipnótico dos olhares e puxou-a com carinho para seu corpo. Demi usava apenas um vestido leve de malha. Ele passou a mão pela sua barriga depois pelo quadril e coxa até encontrar a barra do vestido, e ela segurou a respiração. As mãos carinhosas pararam, o olhar inquisitivo esperando sua resposta. Deixou escapar o ar com um suspiro de prazer e inclinou a cabeça para beijá-lo. Joe deitou de costas, trazendo-a com ele ao mesmo tempo que a despia. Logo estavam dominados pela paixão, famintos, carentes, abertos para os jogos sensuais do amor. Demi estava pronta, há muito tempo não sentia tal urgência de ser penetrada e puxou-o pelo quadril. Amou-o com todos os sentidos e abriu os olhos para ver o homem adorado, seus traços bonitos e apaixonados. Então o fantasma apareceu e ela fechou os olhos com força, frustrada ao perceber a rejeição paralisando seu corpo.

—Não! —Joe disse com violência ao perceber o que se passava. — Que droga Demi, vamos olhe para mim! — Ela lutou com todas as forças agarrada em Joe. —Demi, pelo amor de Deus, abra os olhos! — Devagar, seus olhos abriram e ela focalizou o rosto tenso a sua frente. Podia ser que Joe não a amasse, mas ele a desejava com furor, mesmo depois do que passaram nos últimos seis meses. O desejo de Joe ainda era tão urgente que o fazia tremer contra seu corpo, e talvez fosse o suficiente... —Não! — ele disse assim que ela ameaçou fechar os olhos. — Desta vez não vai me rejeitar!

Ele segurou o rosto dela com suavidade, obrigando-a a ouvir. —Escute, você me quer, mas não vai dar certo até que olhe para mim e me aceite como o homem que deseja. Com todos meus erros. Eu, o homem que era antes de te magoar profundamente e o homem que sou neste momento!

—E se eu não conseguir aceitar o que fez ao nosso relacionamento?

—Você nunca mais vai me ter. Não posso continuar fazendo amor com uma mulher que se esconde no escuro antes de me aceitar dentro dela. — Joe afastou-se enquanto ela pensava. Recebera um ultimato. Ele queria que ela voltasse a confiar ou não teria mais o relacionamento físico no casamento. Não acreditava que ele pudesse ter jogado a decisão em suas mãos. Se não fizesse concessões, não haveria um futuro para eles.

Uma sombra de ressentimento atormentou-a, mas sabia que ele estava com a razão. Se não o aceitasse completamente o casamento acabaria. Confusa, não sabia que decisão tomar.
Ainda pensava no assunto quando uma semana mais tarde um fato aconteceu, transformando seus problemas anteriores em fumaça.
Os gêmeos desapareceram.

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EITA Q A PARADA FICOU LOUCA! Tudo bem? Eu to bem sim, obg... Dois capítulos, genteeeeeeee' E já escolhi a próxima, vai ser uma mini, bem mini msm hehehe Estão gostando? Comentem! Amo os comentários de vcs ♥ Respostas aqui' Beijos, amo vcs <333333

23.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 8

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Joe chegou logo depois e encontrou Demi ao lado do telefone. Ela parecia em estado de choque.

—O que aconteceu?

—Lydia acabou de telefonar — disse, inexpressiva. —Pediu para você ligar de volta.

Continuou imóvel, sem saber se desmaiava ou simplesmente desaparecia e notou o rosto de Joe avermelhar-se de cólera, e um som que nunca escutara saiu da garganta dele, dando a impressão de que explodiria. Contraindo o maxilar, ele deixou cair à pasta com um estrondo e respirou fundo, soltando o ar com um assobio. Empurrou-a para o lado, entrou em seu escritório e bateu a porta com força. Chocada, ela não sabia o que fazer. A simples menção ao nome de Lydia poderia provocar tal reação em Joe?
Ao seu chamado, ele correu como um homem possuído!
Demi embalava Michael no sofá quando Joe entrou na sala. Estava pálido e mais controlado, mas ela ainda notou emoção no brilho do olhar. Kate correu para o pai e, em vez do abraço costumeiro, recebeu apenas um afago na cabeça dourada. Sam esticara as pernas na frente da televisão e mal se moveu para lhe dar paisagem, pois estava entretido com o filme. O pequeno Michael, sonolento, lançou um olhar carinhoso e mergulhou no conforto dos braços da mãe.

Joe olhava fixamente para ela. —Quero que me desculpe. Ela já havia sido instruída para nunca ligar aqui.

—Não tem importância.

—É claro que tem! — ele disse com a voz alterada, e as três crianças olharam surpresas para o pai. Joe passou a mão no cabelo, num gesto impaciente, se esforçando para se acalmar. —Sammy, Kate, por favor, brinquem um pouco com Michael enquanto converso com sua mãe. Sem esperar resposta, Joe carregou o bebê e colocou-o sentado no chão, entre as pernas de Sam. Espalhou brinquedos ao lado dele e sorriu para os três que continuavam estáticos. Levou Demi pela mão até o escritório, soltando só quando já estavam com a porta fechada.

—Ela foi avisada para mandar outra pessoa ligar se fosse urgente! Nunca poderia ter telefonado!

—Como eu já disse antes, não tem importância.

—Eu tinha prometido que nunca mais você seria magoada!

—Então você deveria... — engoliu as palavras acusadoras e andou pela sala. — Se diz que terminou tudo, como ela ainda trabalha para você?

—Ela não é minha funcionária, trabalha para a consultoria jurídica que me assessora  —  ele  explicou.  —Transferi  todos  os  casos  para  um  outro advogado há semanas. — Demi não acreditou. Ainda via a expressão no rosto dele quando contou que Lydia ligara. Ainda sentia como ele a empurrara para o lado.

—Então  por  que  ela  ligou  aqui  em  casa?  — Joe tomou  fôlego  para explicar.

—Acontece que ela era a única pessoa que ainda estava no escritório quando chegou uma informação urgente pelo fax. Eu precisava ser avisado o mais depressa possível, e só havia ela na sala!

 —Por  favor,  eu  gostaria  que  isto  não  voltasse  a  acontecer  — acrescentou, num tom impessoal que encerrava o assunto.

O silêncio a seguir era indício de confusão. —O problema é — ele começou com cautela — que preciso sair já. Houve uma questão legal com o contrato de Huddersfield  e tenho de voltar ao escritório para resolver pessoalmente.

O caso Harvey, o caso Huddersfield, não havia diferença!

—Mas é lógico que precisa ir! — ela concordou tão irônica, que foi como um tapa no rosto dele. —E eu preciso colocar as crianças para dormir. — Passou por ele decidida a sair do aposento, mas Joe  interrompeu-a.

—Não pense bobagem. Vou direto ao meu escritório. Lydia já mandou o fax para lá. Não vou e  nem quero vê-la, entende?

Sim, ela entendia. Ele queria um voto de confiança que não sabia se lhe daria outra vez.
Joe iria  para  Huddersfield  na  segunda-feira,  tentar  acertar  o contrato antes dos feriados do Natal. Depois de um fim de semana horrível, durante o qual trocaram poucas palavras, Demi sentia-se aliviada com a viagem. Na noite do domingo, ele procurou-a e, na desesperada tentativa de encontrarem  algum  nível  de  satisfação,  quebrou  uma  das  regras  que  ela impusera e lhe dirigiu a palavra. Nem seu pedido de perdão acalmou-a e, furiosa, acusou-o de estragar o pouco que compartilhavam. Ele procurou-a com uma urgência tão desesperada que, quando terminou, Demi sentiu impulso de confortá-lo ao ver que mergulhara o rosto no travesseiro. Mas não conseguiu ceder e lhe dar o que era mais importante. E o problema era que ela não sabia o que era o mais importante! Já não reconhecia mais o que estava causando a distância entre eles. “Lydia”, lembrou  a  si mesma.  Lydia.  Mesmo  assim,  o  nome  já  estava perdendo o poder de ferir profundamente como há algum tempo.
Nos dias seguintes, Demi entrou numa correria com os preparativos para o Natal. Ignorou o estômago que incomodava até que um dia à noite, perto da hora de Joe chegar de viagem, sentia-se tão mal que resolveu desistir do que fazia e ir para a cama. Estavam todos na sala, tentando erguer a árvore de Natal que acabara de ser entregue, quando Joe entrou. Um sorriso suavizou lhe a expressão ao ver o esforço deles no meio dos galhos.

—Vejo que ainda sou necessário para uns pequenos serviços por aqui — ele brincou, fazendo quatro rostos se virarem com surpresa. As crianças abandonaram Demi  e correram para o pai. Ele despencou no carpete,  sufocado  pelos  gêmeos  que  riam  e  gritavam,  enquanto  Michael engatinhava depressa para alcançá-los. Ela sorriu ao ver a guerra no chão da sala. E foi então que enxergou, de verdade, por que valia a pena manter o casamento. “Família”.  Amor  familiar.  Uma  conexão  ao  mesmo  tempo  simples  e complicada, que os ligava de tal modo que mesmo quando um parecia escapar, não conseguia, porque os outros o puxavam de volta. Ver Joe no chão com os filhos era ver o antigo Joe, e não o empresário apressado e sem tempo para aproveitar o amor que as crianças ofereciam, Ele estava deitado no chão com os três em cima, Michael entre os gêmeos que lhe seguravam os braços e pernas. —Eu me rendo! — Joe gritou. — Ajude-me, Demi! Socorro! — Com cuidado, para não cair em cima deles, ela pegou Michael em um braço e, com o outro, puxou Kate, deixando Joe livrar-se de Sam. Ele levantou-se com o filho agarrado a seu pescoço e encheu-o de beijos estalados. Sam protestou, na verdade, adorando cada minuto. A única maneira de dar a garotos de seis anos os beijos e carinhos que precisam, e não admitem, era brincando como Joe fazia. Ao ser colocado no chão, Sam estava corado de alegria, mas fingiu não gostar. Logo riu, vendo o pai atrás de Kate. Ela era mais fácil de ser apanhada. Fingiu relutar, mas o que mais queria era ser carregada pelos braços fortes e receber muitos beijos. O  pequeno  Michael  olhava  divertido.  Demi abraçou-o  com  força, lembrando que também tinha sua vez, antigamente. Joe pensava a mesma coisa ao colocar Kate no chão e olhar incerto para Demi. Sentindo-se tímida, estendeu Michael e baixou os olhos. Joe compreendeu e deitou-se no sofá para brincar com o bebê. Naquele momento, a árvore de Natal ameaçou cair. Demi correu para segurar e ficou presa nos galhos. Joe levantou-se depressa, alcançou-a e colocou a árvore no lugar. Ela foi desembaraçada dos galhos, por mãos gentis e firmes. —Você arranhou o queixo — ele observou e abaixou a cabeça para pousar os lábios na pequena marca no canto da boca de Demi. Passou a língua com suavidade e ela sentiu um arrepio de desejo. —Olá — murmurou com suavidade, reparando que ela corava.

—Oi — ela respondeu, sem coragem de enfrentar seu olhar. Então a boca de Joe procurou a dela outra vez, para um beijo mais profundo e íntimo. O calor dos corpos envolveu-os e se entregaram sem reservas. A campainha tocou, forçando uma separação relutante, e os gêmeos foram abrir a porta para a avó, que já era esperada. —Sua mãe vai levá-los a uma celebração de Natal —Demi explicou.

—Vai mesmo? — ele respondeu, olhando-a com intensidade. — Bom — murmurou e beijou-a outra vez, devagar, suave, brincando com a língua em seus lábios. Jenny entrou na sala e parou ao perceber o que se passava. Demi nem escutou-a entrar.  Absorvida pelo  amor que pensara  perdido para  sempre, sentiu um calor sensual que se espalhava pelo corpo, abraçou Joe e se beijaram com paixão. Finalmente se separaram, sem fôlego. Jenny Jonas sorria para eles, com um brilho de esperança no olhar ansioso. Demi ajudou a colocar o agasalho nas crianças e Joe fixou a árvore no lugar Só então ela lembrou da reorganização que fizera no andar superior e mordeu os lábios pensando numa boa explicação. Despediram-se de Jenny e das crianças e subiram de mãos dadas até o quarto. Joe começou a afrouxar a gravata Demi o olhava nervosa.

—Joe... eu... — Ele não pareceu ouvir e foi para o banheiro. — Então...

—O que foi que aconteceu?... — Joe saiu para a porta, olhando-a, incrédulo.

—Eu precisava colocar meus pais em algum lugar. Era a única solução. — Estendeu  a  mão  agitada  pelo  quarto,  onde o  banheiro  brilhante  e limpo, ostentava a pia vazia. Também esvaziara uma parte de seu armário e colocara as roupas no de Joe.

—E nós dois vamos dormir em que quarto? — ele perguntou bravo.

Demi fez um gesto na direção da porta. —Vai dar tudo certo — ela disse nervosa. — Comprei duas camas novas para os quartos de Sam e Kate. Sua mãe pode dormir no quarto com Kate.  — Jenny sempre dormia lá na noite do Natal para ver as crianças abrirem os presentes logo cedo. —Vou dormir com Michael e você pode dormir no quarto de Sam. São só duas noites, Joe. Você sabe que se colocarmos os gêmeos no mesmo quarto nunca vão dormir.

—Que droga! — ele explodiu. — O que houve com você, Demi? Por que tenho de oferecer minha cama para os seus pais? Por que eles não podem dormir nas outras camas? Ou fez isto só para me irritar? Porque, se foi de propósito, vou avisar que estou no limite!

Demi sentiu-se injustiçada. —Desde quando meus pais causaram algum problema? Você os aguenta aqui só uma vez por ano. Pelo amor de Deus, tenha um pouco de consideração. Amanhã vão  dirigir  até  aqui  depois  de  trabalhar  o  dia  todo.  Eles  estão envelhecendo, Joe, não ficarão confortáveis com os gêmeos! — Joe sacudiu a cabeça muito bravo para conseguir escutá-la.

—Eu ainda não acredito no que você fez. Chego depois de uma semana infernal em Huddersfield, procurando um pouco de consolo em minha própria casa e o que encontro? Uma esposa vingativa que me expulsou do quarto. O que eu sei é que você não quis mudar para uma casa maior, por que então eu devo perder meu conforto? — O olhar acusador dele fixou o rosto de Demi. —Que droga, droga, droga!

—Por que não vai ficar com Lydia, então? Quem sabe ela te acomoda melhor?  — ela  disse,  irritada, e saiu do quarto sem dar tempo  para ele responder. Desceu para a cozinha e, em vez de colocar a louça na máquina, resolveu lavar tudo na tentativa de se acalmar. Duas mãos apareceram ao lado de sua cintura, prendendo-a contra a pia e uma boca cálida beijou-lhe a nuca.

—Desculpe — Joe murmurou, —eu não queria dizer nada daquilo.

Ela esfregou o prato com mais força. —Então por que falou?

—Porque... — ele não terminou a frase, preferindo beijar seu pescoço.

—Por que o quê? — ela insistiu, empurrando-o com o ombro.

—Porque fiquei desapontado. Só pensei em você naquela cama durante a semana inteira. Porque esqueci que seus pais viriam, porque não quero dormir no quarto de Sam. Quero dormir com você. Quero acordar na manhã do Natal com seu rosto ao meu lado. Existe mais um milhão de porquês, mas o mais importante é que está me tirando o único lugar onde me sinto próximo de você. Eu preciso daquela cama, Demi! — Com um movimento brusco, ela deixou o prato cair na pia e chorando, virou-se para abraçá-lo.

—Desculpe, Joe, estou tão infeliz!

—Eu sei — ele concordou, abraçando-a com carinho. Finalmente, ela parou de chorar e acalmou-se. Joe ergueu seu queixo com a mão.

—Minha mãe vai me matar se vir você assim. Basta um olhar e ela vai me culpar sem ouvir explicações.

Demi sorriu porque ele estava certo. Jenny ficava sempre do seu lado, mesmo se não tivesse razão.

—Você me desculpa? — ele perguntou e afastando uma mecha do cabelo loiro do queixo molhado. — Vamos fazer urna trégua e ter um Natal gostoso? Até desisto da minha cama, se te deixar feliz!

—E quem disse que isso me deixa feliz? — Abaixou a cabeça para procurar um lenço no bolso dele e não evitou um sorriso quando seus dedos tocaram de leve o sexo de Joe.

—Sua pequena provocadora! — acusou, divertido com o lampejo de humor da antiga e brincalhona Demi. — Uma trégua, por favor.

—Está bem. — Ele empurrou-a para fora da cozinha.

—Venha conversar comigo enquanto me troco. — Subiram, e Joe lançou um olhar cobiçoso para a cama.

—É claro que esta noite ainda podemos ficar no quarto — ela disse casualmente, e recebeu um beijo.

O Natal foi ótimo, mas passou depressa. Logo chegou a hora de Demi decidir se continuava o curso com Zac. Joe não comentou o assunto, mas sua opinião estava estampada no rosto sempre que a via desenhando. Por sua vez, ela queria tomar a decisão sem interferências. Aos poucos, voltaram a ser estranhos na mesma casa. Demi sabia que noventa por cento da culpa era dela. Joe era um homem muito sensual e sentia sua virilidade ameaçada porque ela não se satisfazia. Ele detestava as restrições que ela impusera: escuridão, silêncio e relutância em ceder aos instintos sexuais. Ao acordar, depois de uma noite particularmente desastrosa, decidiu que precisava fazer alguma coisa para salvar o casamento. Temia que, se Joe ficasse sob pressão outra vez, fosse procurar satisfação completa fora de casa. Isto lhe dava uma insegurança tremenda, mexendo com seus nervos a ponto de estar sempre com o estômago enjoado, sem nenhuma melhora, havia semanas.

Ao pensar em quantas semanas, sentiu o sangue congelar.

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HEEEEEEEEEEY como vão? eu vou bem! Desculpe decepcionar, Demi n disse nd à Lydia... Mas enfim, gostaram do capítulo? Estou procurando novas histórias para adaptar, faltam 3 capítulos para o fim #choremos! Bem, espero q estejam gostando! Respostas aqui' Vou indo agr, bjs, amo vcs ♥

22.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 7


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A partir daquela noite a vida do casal transformou-se num inferno. Não sabendo como contornar a situação sem confessar o que acontecera entre ela e Zac, Demi sentia-se perdida. Joe mal conversava e nunca mais fizeram amor. As  crianças,  afetadas  também  pela  desestruturação  do  casamento, estavam impossíveis. Demi afirmava que a agitação devia-se à chegada das festas, mas, no fundo, sabia que a culpa era sua e de Joe. Um dia, na semana anterior ao Natal, acordou doente. Passou o dia enjoada e atordoada, com a cabeça explodindo. A noite, em meio a algazarra da crianças, ouviu Joe entrar e ficou feliz por passar-lhe a responsabilidade e atirar-se na cama.

—Por que não me telefonou? — ele perguntou, enquanto ela subia para o quarto. —Eu teria vindo na hora se me avisasse que não se sentia bem. Demi murmurou qualquer resposta e foi para a cama. Nem ao menos pensara em chamá-lo. Em sete anos de casamento, jamais ligara para seu escritório. Ele ligava com frequência para saber como estavam, mas Demi nunca quis incomodá-lo. Mais uma vez, percebeu a barreira entre marido e pai e o homem de negócios, e não lembrou ao menos um dia que Joe a tivesse cruzado voluntariamente.
No escuro do quarto, notou que ele acalmara as crianças. A casa estava silenciosa, sem um ruído que perturbasse seu repouso.

Acordou no dia seguinte com Joe a seu lado, segurando uma xícara fumegante.

—Achei que poderia fazer bem... Como está se sentindo hoje?

—Melhor — ela disse, erguendo o corpo com cuidado. Afastou o cabelo do rosto pálido antes de pegar a xícara e murmurou: —Obrigada.

—Posso tirar o dia de folga e trabalhar aqui de casa se você quiser...

—Não é necessário. Estou um pouco fraca, mas dou conta da casa. — Joe parecia relutante em continuar.

—Sabe... Acho que é melhor não ir ao curso esta noite, pelo menos até melhorar...

—Planejamos uma festa de Natal esta noite — ela informou da maneira mais natural possível.

—Depois da aula, Zac vai nos levar ao clube e não quero perder a comemoração.

Conseguiu desafiá-lo mais uma vez e notou o esforço que Joe fez para se acalmar. Por fim, ele falou.

—Vamos ver como se sente mais tarde. — Subitamente, Demi quis que ele ficasse por perto. Inventou logo um assunto.

—Meus pais vêm para o Natal, como sempre, mas temos um problema este ano. Eles sempre ficavam no quarto de Michael, não sei como vamos fazer agora.

—O que quer que eu faça? Perdi a conta das vezes que sugeri mudarmos para uma casa maior e você nem quis discutir o assunto. Agora quem tem de resolver o assunto é você. Eu não tenho nada a ver com isso.

Demi olhou desapontada enquanto ele saía do quarto. Mesmo sem vontade e indisposta, ela foi para o curso. Estava tão brava com Joe, que não quis lhe dar a satisfação de ficar em casa.
Não  aproveitou  a  noite.  O  estômago  ainda  incomodava  e  a  cabeça concentrava-se em milhões de providências para tomar na casa. Sentia-se cansada e tensa e, para completar, Zac passou a aula inteira encarando-a de modo perturbador. Desde a primeira noite em que se encontraram, ele só a via com roupa esportiva. Para a comemoração da turma, usou um vestido preto, justo e curto, provocando  comentários  dos  amigos  brincalhões.  Zac  ficou  mais  elegante vestido com um terno escuro e uma bela gravata de seda. Seus olhares eram provocantes, como se lembrassem do beijo no carro. Demi só queria esquecer, o que não era difícil. O pior era a culpa que sentia, não o beijo. Depois da aula, foram à discoteca do clube. Ficaram no mezanino de onde se via toda a pista de dança. A música alta impedia a conversa, mas Demi teria adorado a noitada em outra ocasião. Há tempos Joe só a levava a lugares calmos, com música suave, e ela gostava de danceterias. Seu  estado  físico  não  contribuiu  para  que  aproveitasse.  O  enjoo continuava e a música feria seus ouvidos. Zac encostou a cadeira bem perto e monopolizou sua atenção. Com o som alto, ela inclinava-se para ouvir o que ele dizia, ficando com o corpo muito perto dele. Ele começou a tocá-la esporadicamente. Nada muito acintoso. Um toque no braço, no cabelo. Sem saber como livrar-se da situação, aceitou a sugestão para  dançar.  Pelo  menos  a  música  era  rápida  o  suficiente  para  ficarem separados.

Desceram e, na pista, ele tomou-a nos braços. —Não, Zac!

—Que tolice Demi, é apenas uma dança. Ambos sabiam que não era e, se não colocasse um ponto final nas pretensões dele, seria mesmo culpada de trair Joe.

—Não! — ela repetiu firme. Foi loucura ter continuado o curso depois do beijo. Desde o dia da palestra, soube que ele a queria. E Demi só queria Joe. Ela o amava tanto e estava tão ferida, que sentiu vontade de chorar. Zac a seguiu quando se dirigiu ao hall de entrada. Foi até os telefones e ligou para vários pontos de táxi, sem conseguir nenhum. Desesperada, ligou para casa e sentiu um nó no estômago ao ouvir a voz impaciente de Joe. —Sou eu — ela murmurou. Houve uma longa pausa até Joe resolver falar.

—Qual é o problema?

—Não posso ir para casa, não consigo achar um táxi nos pontos... O que devo fazer?

Simples  assim.  Voltou  a  fazer  o  papel  da  antiga  Demi.  Qualquer problema, fale com Joe; ele tem a solução. Depois de um silêncio demorado, ele finalmente disse:

—O seu Romeu não pode lhe dar uma carona?

—Ele não é meu Romeu e... De qualquer modo, eu... —mudou as palavras para que Joe não soubesse que queria evitar Zac. —Não posso pedir que deixe uma festa tão animada só porque cansei. Será que pode vir me pegar, Joe?

—E as crianças? Quer que fiquem aqui sozinhas enquanto vou te buscar? — ele perguntou com sarcasmo.

—Oh! — Sentiu-se tola outra vez. Nem pensara no problema, apenas o jogara nas mãos de quem sempre resolvia tudo.

—Tudo bem, peço para Zac me levar.

—Espere, ligarei para minha mãe vir para casa e vou te buscar. Ela já deve estar dormindo, o que sem dúvida vai deixá-la chateada, mas...

—Não! Não quero dar tanto trabalho. Pode deixar que Zac me leva com prazer. — Ela bateu o telefone antes que Joe pudesse responder.

—Não teve sorte? — Zac estava perto, olhando-a curioso.

Demi não sabia se ele ouvira a conversa e também não se importava.

—Não. —Vou chamar novamente um dos pontos e entrar na fila  de espera.

—Eu te levo — ele ofereceu. Apesar de não querer a companhia dele, também não queria ficar no clube mais uma hora, que era o tempo de espera para os táxis. Zac tomou a decisão, segurando-a pelo pulso. —Vamos lá, Demi, vou levar você. Abatida pelo stress emocional que já durava meses, ela não resistiu. Pegaram os casacos e foram para o estacionamento. O carro deslizava pela pista coberta de gelo.

—Por que ainda está com aquele egoísta? — ele perguntou de chofre.

—E vocês homens não são todos iguais? — Demi provocou.

—Não como Joe. Ainda me custa a acreditar que é casado com você! Ele combina mais com uma Lydia Marsden qualquer.

Mesmo sem saber como era Lydia para poder julgar, Demi reconheceu a verdade com um suspiro de tristeza. O fantasma dela entrava em seu quarto todas as noites, e já era difícil de lidar, não queria ver nunca o rosto da mulher.

—E Mandy Saies também — ele continuou. — Foi uma revelação e tanto naquele encontro que tiveram na boate do clube.

—Você ouviu o que ela disse?

—Querida, metade da boate ouviu, e ficamos todos chocados ao saber que o jovem e bem-sucedido empresário tinha uma esposa e três filhos. Aposto que Lydia ficou abalada ao descobrir. Ela estava a fim de se casar com Joe. Ninguém faria par mais perfeito para uma advogada em ascensão como ela. — Então  Lydia  era  uma  advogada  e  não  a  secretária  de Joe como presumira. A novidade surpreendeu-a. Uma coisa era imaginar uma simples secretária como rival, mas competir com uma advogada? Como se estivesse pensando sobre o mesmo assunto, Zac perguntou, curioso: —Se está casada há sete anos, quer dizer que conheceu Joe antes do sucesso meteórico que alcançou. E no que se transformou, Demi? Numa parasita sem vida própria? — O insulto era merecido, mas doeu em seu coração, pois tocou direto na verdade que começava a compreender.

—É melhor parar o carro. Vou descer antes que diga alguma coisa que me faça perder a cabeça — ela falou, ríspida. Para sua consternação, foi o que ele fez. Estacionou no meio-fio e virou-se para ela com expressão irritada.

—E o que me diz do jogo que tem feito comigo nessas últimas semanas? Meu Deus, nunca tive a menor chance com você, não é?

—Não — ela respondeu com honestidade.

—Que droga, por que não me impediu de chegarmos a esse ponto?

—Que ponto? Não houve nada entre nós além de um simples beijo numa noite chuvosa!
—O que estava havendo entre nós era muito mais que um simples beijo, e você sabe muito bem! Mas, para você, era apenas um jogo. Percebeu meu interesse e resolveu se divertir por um tempo. Por quê? Seu ego estava muito em baixa? — Demi tentou abrir o cinto de segurança e sair depressa. Zac apertou seu braço, impedindo-a. —Ah, não! Não pense que vai escapar assim tão fácil. — Beijou-a com violência. Assim que se viu livre, ela saiu do carro e bateu a porta com força. Zac saiu cantando os pneus, deixando-a imóvel na calçada gelada. Demi levou a mão ao lábio inferior, cortado pela brutalidade do beijo. Ao inferno com ele! Queria apenas voltar para sua vida de conto de fadas sem acontecimentos desagradáveis. Odiava todos eles: Mandy por ter contado, Joe por ter traído, Lydia por ter seduzido e principalmente a si mesma, por ter sido ingênua. Como já estava perto, resolveu ir andando. Chegou em casa sentindo agulhadas de frio e dor nos pés. Assim que entrou, tirou os sapatos de salto alto, grata pelo calor e conforto. Já era uma hora da manhã. Entrou no quarto e nem se importou em procurar Joe. Estava deprimida o suficiente para evitar começar uma nova discussão e ele também nem se preocupara em ir a seu encontro quando chegou. Mas Demi errou em seu julgamento de que Joe iria ignorá-la. Vestia a camisola quando ele entrou no quarto com os sapatos de salto alto pendurados nos dedos.

—Você esqueceu de trazer — ele disse, e soltou os sapatos no chão.

—Não esqueci! Apenas ficaram no mesmo lugar onde foram tirados. Ela sentou-se na beirada da cama para massagear os pés doloridos, a cabeça baixa e o cabelo cobrindo seu rosto.

—Ele não trouxe você até a porta de casa. — Fora espionada por trás das cortinas mais uma vez?

—E quem disse que ele me trouxe, afinal?

—Não daria tempo de andar todo o caminho. Tiveram uma discussão amorosa? — Joe começou a perder o controle.

—Pode ter sido —Demi falou a caminho do banheiro. Ele que pensasse o que quisesse, não se importava com mais nada! Dominado pela fúria, agarrou-a pelo ombro e virou-a de frente.

—E qual foi o assunto da discussão? Você não quis ir ao apartamento dele? O que houve Demi, não estava disposta?

Tudo que ela conseguia sentir era angústia e amargura contra os homens em geral.

—Quem disse que não estive lá até agora? Eu poderia ter ligado de qualquer lugar, como é que você saberia?

O rosto dele ficou lívido e as mãos apertaram-na com força. Seus olhos percorreram Demi como se procurassem uma prova do que ela sugeria.

—Ele feriu seu lábio!

—E você está machucando meus braços! — ela gritou, sem conseguir se desvencilhar.

—Demi, como teve coragem de fazer isto? — Finalmente, depois de meses, as emoções de ambos explodiram.

—Quer mesmo saber? Então vamos trocar. Você me conta como foi com Lydia e eu conto como foi com Zac!

—Meu  Deus!  Pare  com  isso!  —  Ele  fechou  os  olhos  e  seu  rosto transformou-se com a dor.

—Eu te desprezo, sabia? — ela murmurou com amargura e entrou no banheiro. Saiu mais calma, e viu Joe sentado na beirada da cama, com a cabeça enterrada nas mãos. Uma visão triste como tudo que acontecia nos últimos meses. Não se lembrava de um dia alegre, cheio de risos dentro de casa. —Quero me deitar — ela disse, recusando-se a sentir pena. Joe não se moveu. Depois de um longo minuto, porque ele estava magoado e ela o amava tanto, Demi deu um gemido e ajoelhou-se na frente dele. —Quer mesmo saber o que aconteceu esta noite? Zac quis ficar comigo e eu o rejeitei, em troca, ele me atormentou falando de Lydia. Lydia — ela repetiu,  arrasada.  — A  famosa  advogada  que  combina  mais  com  Joseph Jonas do que a patética Demi !

—Isto não é verdade — ele murmurou, tenso.

—Não? — Os olhos dela ficaram marejados. — Pois eu acho que é. Você deslanchou e tomou um caminho, Joe, enquanto eu fiquei para trás. Estamos nos distanciando, e por isso acredito que as Lydias da vida combinam com você muito mais do que eu! — Para sua surpresa, ele riu, sacudindo a cabeça como se não acreditasse no que dissera.

—Parece que eu quero combinar com outra pessoa? Minhas malas estão prontas? Demi, por pior que seja meu erro, não quero sair de casa, não quero deixar você!

—Lydia — ela sussurrou — ela é...

—Ao inferno com Lydia! O problema não é ela. É um assunto entre nós dois saber se ainda podemos ficar juntos.

— Eu sei que só está comigo porque tem a consciência culpada, Joe.

—Com certeza, tenho — ele disse, com amargura. —Mas não pense que sou alguma espécie de mártir para viver sofrendo. Se eu não achasse que nosso casamento vale a pena, já teria ido embora há muito tempo: Pode estar certa! Se quer saber por que ainda estou aqui... — Joe segurou o rosto de Demi e beijou-a com paixão, depois continuou com a voz embargada. —Eu te quero. Para mim, estar com você nunca é o suficiente. Mesmo depois de sete anos, meu corpo enrijece de desejo só de olhar para você. Meu Deus, eu nem mesmo consigo me controlar, faço amor sabendo que não te satisfaço mais! — Ele sacudiu a cabeça desgostoso e continuou: —Mas por que você não me mandou embora, Demi? Eu te magoei, destruí sua confiança na vida, por que ainda está comigo?

—Eu... — Não, a resposta iria deixá-la ainda mais humilhada.

—Então, é o que deseja? Quer que eu vá embora?

—Não — ela disse baixinho, com vontade de chorar.

—E por que não? Como consegue conviver comigo na mesma casa, na mesma cama, fazendo amor com você? Como?

“Porque eu te amo, seu bobo”, ela pensou e não conseguiu mais controlar as lágrimas.
Joe deu um suspiro e abraçou-a com força, apertando-a de encontro ao corpo e falou em seu ouvido.

—Ainda pensa que estamos nos distanciando? — disse com voz sensual. Beijou-a com ardor, sem lhe dar chance de pensar ou retrucar, até que ela sentiu-se derreter de desejo. A voz dele tirou-a do sonho no qual mergulhara. —Deixou que aquele sem-vergonha tocasse em você? Deixou? — ele repetiu, quando ela ficou muda. — Eu quero saber! Preciso saber!

Os olhos azuis brilhavam furiosos, sem acreditar no que ele dissera.

Demi encarou-o e disse com raiva: —Vá para o inferno!

Ele foi e levou-a junto. Arrancou sua camisola e as próprias roupas e amou-a com violência e desespero. Quando terminou, ela virou-se para o lado e Joe foi para o banheiro. Depois de muito tempo, voltou para a cama, e Demi já estava dormindo.

(...)

Na noite seguinte, o telefone tocou no momento que Demi preparava o jantar das crianças. Ela foi atender na extensão do hall, porque a televisão na cozinha estava com o som muito alto. —Alô, aqui é Demetria Jonas —disse, distraída, esticando o fio do aparelho no limite, para enxergar o outro aposento. Depois de uma pausa, uma voz fria perguntou por Joe. —Ele ainda não chegou em casa. Quer deixar recado? — Mais uma pausa, e Demi olhou preocupada para o forno elétrico. Se a ligação demorasse, os bifes acabariam queimando.

—Aqui é Lydia Marsden.

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EITA Q AGR A PARADA FICA LOUCA! lydia ligando, hm hm. sem spoilers, prometo! Amo ler os comentários de vcs, sério <3 vcs iluminam meu dia! Muito obrigada pelo carinho, aqui está o capítulo 7 só para vcs! Comentem!!!!!!!! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥♥♥