23.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 8

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Joe chegou logo depois e encontrou Demi ao lado do telefone. Ela parecia em estado de choque.

—O que aconteceu?

—Lydia acabou de telefonar — disse, inexpressiva. —Pediu para você ligar de volta.

Continuou imóvel, sem saber se desmaiava ou simplesmente desaparecia e notou o rosto de Joe avermelhar-se de cólera, e um som que nunca escutara saiu da garganta dele, dando a impressão de que explodiria. Contraindo o maxilar, ele deixou cair à pasta com um estrondo e respirou fundo, soltando o ar com um assobio. Empurrou-a para o lado, entrou em seu escritório e bateu a porta com força. Chocada, ela não sabia o que fazer. A simples menção ao nome de Lydia poderia provocar tal reação em Joe?
Ao seu chamado, ele correu como um homem possuído!
Demi embalava Michael no sofá quando Joe entrou na sala. Estava pálido e mais controlado, mas ela ainda notou emoção no brilho do olhar. Kate correu para o pai e, em vez do abraço costumeiro, recebeu apenas um afago na cabeça dourada. Sam esticara as pernas na frente da televisão e mal se moveu para lhe dar paisagem, pois estava entretido com o filme. O pequeno Michael, sonolento, lançou um olhar carinhoso e mergulhou no conforto dos braços da mãe.

Joe olhava fixamente para ela. —Quero que me desculpe. Ela já havia sido instruída para nunca ligar aqui.

—Não tem importância.

—É claro que tem! — ele disse com a voz alterada, e as três crianças olharam surpresas para o pai. Joe passou a mão no cabelo, num gesto impaciente, se esforçando para se acalmar. —Sammy, Kate, por favor, brinquem um pouco com Michael enquanto converso com sua mãe. Sem esperar resposta, Joe carregou o bebê e colocou-o sentado no chão, entre as pernas de Sam. Espalhou brinquedos ao lado dele e sorriu para os três que continuavam estáticos. Levou Demi pela mão até o escritório, soltando só quando já estavam com a porta fechada.

—Ela foi avisada para mandar outra pessoa ligar se fosse urgente! Nunca poderia ter telefonado!

—Como eu já disse antes, não tem importância.

—Eu tinha prometido que nunca mais você seria magoada!

—Então você deveria... — engoliu as palavras acusadoras e andou pela sala. — Se diz que terminou tudo, como ela ainda trabalha para você?

—Ela não é minha funcionária, trabalha para a consultoria jurídica que me assessora  —  ele  explicou.  —Transferi  todos  os  casos  para  um  outro advogado há semanas. — Demi não acreditou. Ainda via a expressão no rosto dele quando contou que Lydia ligara. Ainda sentia como ele a empurrara para o lado.

—Então  por  que  ela  ligou  aqui  em  casa?  — Joe tomou  fôlego  para explicar.

—Acontece que ela era a única pessoa que ainda estava no escritório quando chegou uma informação urgente pelo fax. Eu precisava ser avisado o mais depressa possível, e só havia ela na sala!

 —Por  favor,  eu  gostaria  que  isto  não  voltasse  a  acontecer  — acrescentou, num tom impessoal que encerrava o assunto.

O silêncio a seguir era indício de confusão. —O problema é — ele começou com cautela — que preciso sair já. Houve uma questão legal com o contrato de Huddersfield  e tenho de voltar ao escritório para resolver pessoalmente.

O caso Harvey, o caso Huddersfield, não havia diferença!

—Mas é lógico que precisa ir! — ela concordou tão irônica, que foi como um tapa no rosto dele. —E eu preciso colocar as crianças para dormir. — Passou por ele decidida a sair do aposento, mas Joe  interrompeu-a.

—Não pense bobagem. Vou direto ao meu escritório. Lydia já mandou o fax para lá. Não vou e  nem quero vê-la, entende?

Sim, ela entendia. Ele queria um voto de confiança que não sabia se lhe daria outra vez.
Joe iria  para  Huddersfield  na  segunda-feira,  tentar  acertar  o contrato antes dos feriados do Natal. Depois de um fim de semana horrível, durante o qual trocaram poucas palavras, Demi sentia-se aliviada com a viagem. Na noite do domingo, ele procurou-a e, na desesperada tentativa de encontrarem  algum  nível  de  satisfação,  quebrou  uma  das  regras  que  ela impusera e lhe dirigiu a palavra. Nem seu pedido de perdão acalmou-a e, furiosa, acusou-o de estragar o pouco que compartilhavam. Ele procurou-a com uma urgência tão desesperada que, quando terminou, Demi sentiu impulso de confortá-lo ao ver que mergulhara o rosto no travesseiro. Mas não conseguiu ceder e lhe dar o que era mais importante. E o problema era que ela não sabia o que era o mais importante! Já não reconhecia mais o que estava causando a distância entre eles. “Lydia”, lembrou  a  si mesma.  Lydia.  Mesmo  assim,  o  nome  já  estava perdendo o poder de ferir profundamente como há algum tempo.
Nos dias seguintes, Demi entrou numa correria com os preparativos para o Natal. Ignorou o estômago que incomodava até que um dia à noite, perto da hora de Joe chegar de viagem, sentia-se tão mal que resolveu desistir do que fazia e ir para a cama. Estavam todos na sala, tentando erguer a árvore de Natal que acabara de ser entregue, quando Joe entrou. Um sorriso suavizou lhe a expressão ao ver o esforço deles no meio dos galhos.

—Vejo que ainda sou necessário para uns pequenos serviços por aqui — ele brincou, fazendo quatro rostos se virarem com surpresa. As crianças abandonaram Demi  e correram para o pai. Ele despencou no carpete,  sufocado  pelos  gêmeos  que  riam  e  gritavam,  enquanto  Michael engatinhava depressa para alcançá-los. Ela sorriu ao ver a guerra no chão da sala. E foi então que enxergou, de verdade, por que valia a pena manter o casamento. “Família”.  Amor  familiar.  Uma  conexão  ao  mesmo  tempo  simples  e complicada, que os ligava de tal modo que mesmo quando um parecia escapar, não conseguia, porque os outros o puxavam de volta. Ver Joe no chão com os filhos era ver o antigo Joe, e não o empresário apressado e sem tempo para aproveitar o amor que as crianças ofereciam, Ele estava deitado no chão com os três em cima, Michael entre os gêmeos que lhe seguravam os braços e pernas. —Eu me rendo! — Joe gritou. — Ajude-me, Demi! Socorro! — Com cuidado, para não cair em cima deles, ela pegou Michael em um braço e, com o outro, puxou Kate, deixando Joe livrar-se de Sam. Ele levantou-se com o filho agarrado a seu pescoço e encheu-o de beijos estalados. Sam protestou, na verdade, adorando cada minuto. A única maneira de dar a garotos de seis anos os beijos e carinhos que precisam, e não admitem, era brincando como Joe fazia. Ao ser colocado no chão, Sam estava corado de alegria, mas fingiu não gostar. Logo riu, vendo o pai atrás de Kate. Ela era mais fácil de ser apanhada. Fingiu relutar, mas o que mais queria era ser carregada pelos braços fortes e receber muitos beijos. O  pequeno  Michael  olhava  divertido.  Demi abraçou-o  com  força, lembrando que também tinha sua vez, antigamente. Joe pensava a mesma coisa ao colocar Kate no chão e olhar incerto para Demi. Sentindo-se tímida, estendeu Michael e baixou os olhos. Joe compreendeu e deitou-se no sofá para brincar com o bebê. Naquele momento, a árvore de Natal ameaçou cair. Demi correu para segurar e ficou presa nos galhos. Joe levantou-se depressa, alcançou-a e colocou a árvore no lugar. Ela foi desembaraçada dos galhos, por mãos gentis e firmes. —Você arranhou o queixo — ele observou e abaixou a cabeça para pousar os lábios na pequena marca no canto da boca de Demi. Passou a língua com suavidade e ela sentiu um arrepio de desejo. —Olá — murmurou com suavidade, reparando que ela corava.

—Oi — ela respondeu, sem coragem de enfrentar seu olhar. Então a boca de Joe procurou a dela outra vez, para um beijo mais profundo e íntimo. O calor dos corpos envolveu-os e se entregaram sem reservas. A campainha tocou, forçando uma separação relutante, e os gêmeos foram abrir a porta para a avó, que já era esperada. —Sua mãe vai levá-los a uma celebração de Natal —Demi explicou.

—Vai mesmo? — ele respondeu, olhando-a com intensidade. — Bom — murmurou e beijou-a outra vez, devagar, suave, brincando com a língua em seus lábios. Jenny entrou na sala e parou ao perceber o que se passava. Demi nem escutou-a entrar.  Absorvida pelo  amor que pensara  perdido para  sempre, sentiu um calor sensual que se espalhava pelo corpo, abraçou Joe e se beijaram com paixão. Finalmente se separaram, sem fôlego. Jenny Jonas sorria para eles, com um brilho de esperança no olhar ansioso. Demi ajudou a colocar o agasalho nas crianças e Joe fixou a árvore no lugar Só então ela lembrou da reorganização que fizera no andar superior e mordeu os lábios pensando numa boa explicação. Despediram-se de Jenny e das crianças e subiram de mãos dadas até o quarto. Joe começou a afrouxar a gravata Demi o olhava nervosa.

—Joe... eu... — Ele não pareceu ouvir e foi para o banheiro. — Então...

—O que foi que aconteceu?... — Joe saiu para a porta, olhando-a, incrédulo.

—Eu precisava colocar meus pais em algum lugar. Era a única solução. — Estendeu  a  mão  agitada  pelo  quarto,  onde o  banheiro  brilhante  e limpo, ostentava a pia vazia. Também esvaziara uma parte de seu armário e colocara as roupas no de Joe.

—E nós dois vamos dormir em que quarto? — ele perguntou bravo.

Demi fez um gesto na direção da porta. —Vai dar tudo certo — ela disse nervosa. — Comprei duas camas novas para os quartos de Sam e Kate. Sua mãe pode dormir no quarto com Kate.  — Jenny sempre dormia lá na noite do Natal para ver as crianças abrirem os presentes logo cedo. —Vou dormir com Michael e você pode dormir no quarto de Sam. São só duas noites, Joe. Você sabe que se colocarmos os gêmeos no mesmo quarto nunca vão dormir.

—Que droga! — ele explodiu. — O que houve com você, Demi? Por que tenho de oferecer minha cama para os seus pais? Por que eles não podem dormir nas outras camas? Ou fez isto só para me irritar? Porque, se foi de propósito, vou avisar que estou no limite!

Demi sentiu-se injustiçada. —Desde quando meus pais causaram algum problema? Você os aguenta aqui só uma vez por ano. Pelo amor de Deus, tenha um pouco de consideração. Amanhã vão  dirigir  até  aqui  depois  de  trabalhar  o  dia  todo.  Eles  estão envelhecendo, Joe, não ficarão confortáveis com os gêmeos! — Joe sacudiu a cabeça muito bravo para conseguir escutá-la.

—Eu ainda não acredito no que você fez. Chego depois de uma semana infernal em Huddersfield, procurando um pouco de consolo em minha própria casa e o que encontro? Uma esposa vingativa que me expulsou do quarto. O que eu sei é que você não quis mudar para uma casa maior, por que então eu devo perder meu conforto? — O olhar acusador dele fixou o rosto de Demi. —Que droga, droga, droga!

—Por que não vai ficar com Lydia, então? Quem sabe ela te acomoda melhor?  — ela  disse,  irritada, e saiu do quarto sem dar tempo  para ele responder. Desceu para a cozinha e, em vez de colocar a louça na máquina, resolveu lavar tudo na tentativa de se acalmar. Duas mãos apareceram ao lado de sua cintura, prendendo-a contra a pia e uma boca cálida beijou-lhe a nuca.

—Desculpe — Joe murmurou, —eu não queria dizer nada daquilo.

Ela esfregou o prato com mais força. —Então por que falou?

—Porque... — ele não terminou a frase, preferindo beijar seu pescoço.

—Por que o quê? — ela insistiu, empurrando-o com o ombro.

—Porque fiquei desapontado. Só pensei em você naquela cama durante a semana inteira. Porque esqueci que seus pais viriam, porque não quero dormir no quarto de Sam. Quero dormir com você. Quero acordar na manhã do Natal com seu rosto ao meu lado. Existe mais um milhão de porquês, mas o mais importante é que está me tirando o único lugar onde me sinto próximo de você. Eu preciso daquela cama, Demi! — Com um movimento brusco, ela deixou o prato cair na pia e chorando, virou-se para abraçá-lo.

—Desculpe, Joe, estou tão infeliz!

—Eu sei — ele concordou, abraçando-a com carinho. Finalmente, ela parou de chorar e acalmou-se. Joe ergueu seu queixo com a mão.

—Minha mãe vai me matar se vir você assim. Basta um olhar e ela vai me culpar sem ouvir explicações.

Demi sorriu porque ele estava certo. Jenny ficava sempre do seu lado, mesmo se não tivesse razão.

—Você me desculpa? — ele perguntou e afastando uma mecha do cabelo loiro do queixo molhado. — Vamos fazer urna trégua e ter um Natal gostoso? Até desisto da minha cama, se te deixar feliz!

—E quem disse que isso me deixa feliz? — Abaixou a cabeça para procurar um lenço no bolso dele e não evitou um sorriso quando seus dedos tocaram de leve o sexo de Joe.

—Sua pequena provocadora! — acusou, divertido com o lampejo de humor da antiga e brincalhona Demi. — Uma trégua, por favor.

—Está bem. — Ele empurrou-a para fora da cozinha.

—Venha conversar comigo enquanto me troco. — Subiram, e Joe lançou um olhar cobiçoso para a cama.

—É claro que esta noite ainda podemos ficar no quarto — ela disse casualmente, e recebeu um beijo.

O Natal foi ótimo, mas passou depressa. Logo chegou a hora de Demi decidir se continuava o curso com Zac. Joe não comentou o assunto, mas sua opinião estava estampada no rosto sempre que a via desenhando. Por sua vez, ela queria tomar a decisão sem interferências. Aos poucos, voltaram a ser estranhos na mesma casa. Demi sabia que noventa por cento da culpa era dela. Joe era um homem muito sensual e sentia sua virilidade ameaçada porque ela não se satisfazia. Ele detestava as restrições que ela impusera: escuridão, silêncio e relutância em ceder aos instintos sexuais. Ao acordar, depois de uma noite particularmente desastrosa, decidiu que precisava fazer alguma coisa para salvar o casamento. Temia que, se Joe ficasse sob pressão outra vez, fosse procurar satisfação completa fora de casa. Isto lhe dava uma insegurança tremenda, mexendo com seus nervos a ponto de estar sempre com o estômago enjoado, sem nenhuma melhora, havia semanas.

Ao pensar em quantas semanas, sentiu o sangue congelar.

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HEEEEEEEEEEY como vão? eu vou bem! Desculpe decepcionar, Demi n disse nd à Lydia... Mas enfim, gostaram do capítulo? Estou procurando novas histórias para adaptar, faltam 3 capítulos para o fim #choremos! Bem, espero q estejam gostando! Respostas aqui' Vou indo agr, bjs, amo vcs ♥

22.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 7


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A partir daquela noite a vida do casal transformou-se num inferno. Não sabendo como contornar a situação sem confessar o que acontecera entre ela e Zac, Demi sentia-se perdida. Joe mal conversava e nunca mais fizeram amor. As  crianças,  afetadas  também  pela  desestruturação  do  casamento, estavam impossíveis. Demi afirmava que a agitação devia-se à chegada das festas, mas, no fundo, sabia que a culpa era sua e de Joe. Um dia, na semana anterior ao Natal, acordou doente. Passou o dia enjoada e atordoada, com a cabeça explodindo. A noite, em meio a algazarra da crianças, ouviu Joe entrar e ficou feliz por passar-lhe a responsabilidade e atirar-se na cama.

—Por que não me telefonou? — ele perguntou, enquanto ela subia para o quarto. —Eu teria vindo na hora se me avisasse que não se sentia bem. Demi murmurou qualquer resposta e foi para a cama. Nem ao menos pensara em chamá-lo. Em sete anos de casamento, jamais ligara para seu escritório. Ele ligava com frequência para saber como estavam, mas Demi nunca quis incomodá-lo. Mais uma vez, percebeu a barreira entre marido e pai e o homem de negócios, e não lembrou ao menos um dia que Joe a tivesse cruzado voluntariamente.
No escuro do quarto, notou que ele acalmara as crianças. A casa estava silenciosa, sem um ruído que perturbasse seu repouso.

Acordou no dia seguinte com Joe a seu lado, segurando uma xícara fumegante.

—Achei que poderia fazer bem... Como está se sentindo hoje?

—Melhor — ela disse, erguendo o corpo com cuidado. Afastou o cabelo do rosto pálido antes de pegar a xícara e murmurou: —Obrigada.

—Posso tirar o dia de folga e trabalhar aqui de casa se você quiser...

—Não é necessário. Estou um pouco fraca, mas dou conta da casa. — Joe parecia relutante em continuar.

—Sabe... Acho que é melhor não ir ao curso esta noite, pelo menos até melhorar...

—Planejamos uma festa de Natal esta noite — ela informou da maneira mais natural possível.

—Depois da aula, Zac vai nos levar ao clube e não quero perder a comemoração.

Conseguiu desafiá-lo mais uma vez e notou o esforço que Joe fez para se acalmar. Por fim, ele falou.

—Vamos ver como se sente mais tarde. — Subitamente, Demi quis que ele ficasse por perto. Inventou logo um assunto.

—Meus pais vêm para o Natal, como sempre, mas temos um problema este ano. Eles sempre ficavam no quarto de Michael, não sei como vamos fazer agora.

—O que quer que eu faça? Perdi a conta das vezes que sugeri mudarmos para uma casa maior e você nem quis discutir o assunto. Agora quem tem de resolver o assunto é você. Eu não tenho nada a ver com isso.

Demi olhou desapontada enquanto ele saía do quarto. Mesmo sem vontade e indisposta, ela foi para o curso. Estava tão brava com Joe, que não quis lhe dar a satisfação de ficar em casa.
Não  aproveitou  a  noite.  O  estômago  ainda  incomodava  e  a  cabeça concentrava-se em milhões de providências para tomar na casa. Sentia-se cansada e tensa e, para completar, Zac passou a aula inteira encarando-a de modo perturbador. Desde a primeira noite em que se encontraram, ele só a via com roupa esportiva. Para a comemoração da turma, usou um vestido preto, justo e curto, provocando  comentários  dos  amigos  brincalhões.  Zac  ficou  mais  elegante vestido com um terno escuro e uma bela gravata de seda. Seus olhares eram provocantes, como se lembrassem do beijo no carro. Demi só queria esquecer, o que não era difícil. O pior era a culpa que sentia, não o beijo. Depois da aula, foram à discoteca do clube. Ficaram no mezanino de onde se via toda a pista de dança. A música alta impedia a conversa, mas Demi teria adorado a noitada em outra ocasião. Há tempos Joe só a levava a lugares calmos, com música suave, e ela gostava de danceterias. Seu  estado  físico  não  contribuiu  para  que  aproveitasse.  O  enjoo continuava e a música feria seus ouvidos. Zac encostou a cadeira bem perto e monopolizou sua atenção. Com o som alto, ela inclinava-se para ouvir o que ele dizia, ficando com o corpo muito perto dele. Ele começou a tocá-la esporadicamente. Nada muito acintoso. Um toque no braço, no cabelo. Sem saber como livrar-se da situação, aceitou a sugestão para  dançar.  Pelo  menos  a  música  era  rápida  o  suficiente  para  ficarem separados.

Desceram e, na pista, ele tomou-a nos braços. —Não, Zac!

—Que tolice Demi, é apenas uma dança. Ambos sabiam que não era e, se não colocasse um ponto final nas pretensões dele, seria mesmo culpada de trair Joe.

—Não! — ela repetiu firme. Foi loucura ter continuado o curso depois do beijo. Desde o dia da palestra, soube que ele a queria. E Demi só queria Joe. Ela o amava tanto e estava tão ferida, que sentiu vontade de chorar. Zac a seguiu quando se dirigiu ao hall de entrada. Foi até os telefones e ligou para vários pontos de táxi, sem conseguir nenhum. Desesperada, ligou para casa e sentiu um nó no estômago ao ouvir a voz impaciente de Joe. —Sou eu — ela murmurou. Houve uma longa pausa até Joe resolver falar.

—Qual é o problema?

—Não posso ir para casa, não consigo achar um táxi nos pontos... O que devo fazer?

Simples  assim.  Voltou  a  fazer  o  papel  da  antiga  Demi.  Qualquer problema, fale com Joe; ele tem a solução. Depois de um silêncio demorado, ele finalmente disse:

—O seu Romeu não pode lhe dar uma carona?

—Ele não é meu Romeu e... De qualquer modo, eu... —mudou as palavras para que Joe não soubesse que queria evitar Zac. —Não posso pedir que deixe uma festa tão animada só porque cansei. Será que pode vir me pegar, Joe?

—E as crianças? Quer que fiquem aqui sozinhas enquanto vou te buscar? — ele perguntou com sarcasmo.

—Oh! — Sentiu-se tola outra vez. Nem pensara no problema, apenas o jogara nas mãos de quem sempre resolvia tudo.

—Tudo bem, peço para Zac me levar.

—Espere, ligarei para minha mãe vir para casa e vou te buscar. Ela já deve estar dormindo, o que sem dúvida vai deixá-la chateada, mas...

—Não! Não quero dar tanto trabalho. Pode deixar que Zac me leva com prazer. — Ela bateu o telefone antes que Joe pudesse responder.

—Não teve sorte? — Zac estava perto, olhando-a curioso.

Demi não sabia se ele ouvira a conversa e também não se importava.

—Não. —Vou chamar novamente um dos pontos e entrar na fila  de espera.

—Eu te levo — ele ofereceu. Apesar de não querer a companhia dele, também não queria ficar no clube mais uma hora, que era o tempo de espera para os táxis. Zac tomou a decisão, segurando-a pelo pulso. —Vamos lá, Demi, vou levar você. Abatida pelo stress emocional que já durava meses, ela não resistiu. Pegaram os casacos e foram para o estacionamento. O carro deslizava pela pista coberta de gelo.

—Por que ainda está com aquele egoísta? — ele perguntou de chofre.

—E vocês homens não são todos iguais? — Demi provocou.

—Não como Joe. Ainda me custa a acreditar que é casado com você! Ele combina mais com uma Lydia Marsden qualquer.

Mesmo sem saber como era Lydia para poder julgar, Demi reconheceu a verdade com um suspiro de tristeza. O fantasma dela entrava em seu quarto todas as noites, e já era difícil de lidar, não queria ver nunca o rosto da mulher.

—E Mandy Saies também — ele continuou. — Foi uma revelação e tanto naquele encontro que tiveram na boate do clube.

—Você ouviu o que ela disse?

—Querida, metade da boate ouviu, e ficamos todos chocados ao saber que o jovem e bem-sucedido empresário tinha uma esposa e três filhos. Aposto que Lydia ficou abalada ao descobrir. Ela estava a fim de se casar com Joe. Ninguém faria par mais perfeito para uma advogada em ascensão como ela. — Então  Lydia  era  uma  advogada  e  não  a  secretária  de Joe como presumira. A novidade surpreendeu-a. Uma coisa era imaginar uma simples secretária como rival, mas competir com uma advogada? Como se estivesse pensando sobre o mesmo assunto, Zac perguntou, curioso: —Se está casada há sete anos, quer dizer que conheceu Joe antes do sucesso meteórico que alcançou. E no que se transformou, Demi? Numa parasita sem vida própria? — O insulto era merecido, mas doeu em seu coração, pois tocou direto na verdade que começava a compreender.

—É melhor parar o carro. Vou descer antes que diga alguma coisa que me faça perder a cabeça — ela falou, ríspida. Para sua consternação, foi o que ele fez. Estacionou no meio-fio e virou-se para ela com expressão irritada.

—E o que me diz do jogo que tem feito comigo nessas últimas semanas? Meu Deus, nunca tive a menor chance com você, não é?

—Não — ela respondeu com honestidade.

—Que droga, por que não me impediu de chegarmos a esse ponto?

—Que ponto? Não houve nada entre nós além de um simples beijo numa noite chuvosa!
—O que estava havendo entre nós era muito mais que um simples beijo, e você sabe muito bem! Mas, para você, era apenas um jogo. Percebeu meu interesse e resolveu se divertir por um tempo. Por quê? Seu ego estava muito em baixa? — Demi tentou abrir o cinto de segurança e sair depressa. Zac apertou seu braço, impedindo-a. —Ah, não! Não pense que vai escapar assim tão fácil. — Beijou-a com violência. Assim que se viu livre, ela saiu do carro e bateu a porta com força. Zac saiu cantando os pneus, deixando-a imóvel na calçada gelada. Demi levou a mão ao lábio inferior, cortado pela brutalidade do beijo. Ao inferno com ele! Queria apenas voltar para sua vida de conto de fadas sem acontecimentos desagradáveis. Odiava todos eles: Mandy por ter contado, Joe por ter traído, Lydia por ter seduzido e principalmente a si mesma, por ter sido ingênua. Como já estava perto, resolveu ir andando. Chegou em casa sentindo agulhadas de frio e dor nos pés. Assim que entrou, tirou os sapatos de salto alto, grata pelo calor e conforto. Já era uma hora da manhã. Entrou no quarto e nem se importou em procurar Joe. Estava deprimida o suficiente para evitar começar uma nova discussão e ele também nem se preocupara em ir a seu encontro quando chegou. Mas Demi errou em seu julgamento de que Joe iria ignorá-la. Vestia a camisola quando ele entrou no quarto com os sapatos de salto alto pendurados nos dedos.

—Você esqueceu de trazer — ele disse, e soltou os sapatos no chão.

—Não esqueci! Apenas ficaram no mesmo lugar onde foram tirados. Ela sentou-se na beirada da cama para massagear os pés doloridos, a cabeça baixa e o cabelo cobrindo seu rosto.

—Ele não trouxe você até a porta de casa. — Fora espionada por trás das cortinas mais uma vez?

—E quem disse que ele me trouxe, afinal?

—Não daria tempo de andar todo o caminho. Tiveram uma discussão amorosa? — Joe começou a perder o controle.

—Pode ter sido —Demi falou a caminho do banheiro. Ele que pensasse o que quisesse, não se importava com mais nada! Dominado pela fúria, agarrou-a pelo ombro e virou-a de frente.

—E qual foi o assunto da discussão? Você não quis ir ao apartamento dele? O que houve Demi, não estava disposta?

Tudo que ela conseguia sentir era angústia e amargura contra os homens em geral.

—Quem disse que não estive lá até agora? Eu poderia ter ligado de qualquer lugar, como é que você saberia?

O rosto dele ficou lívido e as mãos apertaram-na com força. Seus olhos percorreram Demi como se procurassem uma prova do que ela sugeria.

—Ele feriu seu lábio!

—E você está machucando meus braços! — ela gritou, sem conseguir se desvencilhar.

—Demi, como teve coragem de fazer isto? — Finalmente, depois de meses, as emoções de ambos explodiram.

—Quer mesmo saber? Então vamos trocar. Você me conta como foi com Lydia e eu conto como foi com Zac!

—Meu  Deus!  Pare  com  isso!  —  Ele  fechou  os  olhos  e  seu  rosto transformou-se com a dor.

—Eu te desprezo, sabia? — ela murmurou com amargura e entrou no banheiro. Saiu mais calma, e viu Joe sentado na beirada da cama, com a cabeça enterrada nas mãos. Uma visão triste como tudo que acontecia nos últimos meses. Não se lembrava de um dia alegre, cheio de risos dentro de casa. —Quero me deitar — ela disse, recusando-se a sentir pena. Joe não se moveu. Depois de um longo minuto, porque ele estava magoado e ela o amava tanto, Demi deu um gemido e ajoelhou-se na frente dele. —Quer mesmo saber o que aconteceu esta noite? Zac quis ficar comigo e eu o rejeitei, em troca, ele me atormentou falando de Lydia. Lydia — ela repetiu,  arrasada.  — A  famosa  advogada  que  combina  mais  com  Joseph Jonas do que a patética Demi !

—Isto não é verdade — ele murmurou, tenso.

—Não? — Os olhos dela ficaram marejados. — Pois eu acho que é. Você deslanchou e tomou um caminho, Joe, enquanto eu fiquei para trás. Estamos nos distanciando, e por isso acredito que as Lydias da vida combinam com você muito mais do que eu! — Para sua surpresa, ele riu, sacudindo a cabeça como se não acreditasse no que dissera.

—Parece que eu quero combinar com outra pessoa? Minhas malas estão prontas? Demi, por pior que seja meu erro, não quero sair de casa, não quero deixar você!

—Lydia — ela sussurrou — ela é...

—Ao inferno com Lydia! O problema não é ela. É um assunto entre nós dois saber se ainda podemos ficar juntos.

— Eu sei que só está comigo porque tem a consciência culpada, Joe.

—Com certeza, tenho — ele disse, com amargura. —Mas não pense que sou alguma espécie de mártir para viver sofrendo. Se eu não achasse que nosso casamento vale a pena, já teria ido embora há muito tempo: Pode estar certa! Se quer saber por que ainda estou aqui... — Joe segurou o rosto de Demi e beijou-a com paixão, depois continuou com a voz embargada. —Eu te quero. Para mim, estar com você nunca é o suficiente. Mesmo depois de sete anos, meu corpo enrijece de desejo só de olhar para você. Meu Deus, eu nem mesmo consigo me controlar, faço amor sabendo que não te satisfaço mais! — Ele sacudiu a cabeça desgostoso e continuou: —Mas por que você não me mandou embora, Demi? Eu te magoei, destruí sua confiança na vida, por que ainda está comigo?

—Eu... — Não, a resposta iria deixá-la ainda mais humilhada.

—Então, é o que deseja? Quer que eu vá embora?

—Não — ela disse baixinho, com vontade de chorar.

—E por que não? Como consegue conviver comigo na mesma casa, na mesma cama, fazendo amor com você? Como?

“Porque eu te amo, seu bobo”, ela pensou e não conseguiu mais controlar as lágrimas.
Joe deu um suspiro e abraçou-a com força, apertando-a de encontro ao corpo e falou em seu ouvido.

—Ainda pensa que estamos nos distanciando? — disse com voz sensual. Beijou-a com ardor, sem lhe dar chance de pensar ou retrucar, até que ela sentiu-se derreter de desejo. A voz dele tirou-a do sonho no qual mergulhara. —Deixou que aquele sem-vergonha tocasse em você? Deixou? — ele repetiu, quando ela ficou muda. — Eu quero saber! Preciso saber!

Os olhos azuis brilhavam furiosos, sem acreditar no que ele dissera.

Demi encarou-o e disse com raiva: —Vá para o inferno!

Ele foi e levou-a junto. Arrancou sua camisola e as próprias roupas e amou-a com violência e desespero. Quando terminou, ela virou-se para o lado e Joe foi para o banheiro. Depois de muito tempo, voltou para a cama, e Demi já estava dormindo.

(...)

Na noite seguinte, o telefone tocou no momento que Demi preparava o jantar das crianças. Ela foi atender na extensão do hall, porque a televisão na cozinha estava com o som muito alto. —Alô, aqui é Demetria Jonas —disse, distraída, esticando o fio do aparelho no limite, para enxergar o outro aposento. Depois de uma pausa, uma voz fria perguntou por Joe. —Ele ainda não chegou em casa. Quer deixar recado? — Mais uma pausa, e Demi olhou preocupada para o forno elétrico. Se a ligação demorasse, os bifes acabariam queimando.

—Aqui é Lydia Marsden.

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EITA Q AGR A PARADA FICA LOUCA! lydia ligando, hm hm. sem spoilers, prometo! Amo ler os comentários de vcs, sério <3 vcs iluminam meu dia! Muito obrigada pelo carinho, aqui está o capítulo 7 só para vcs! Comentem!!!!!!!! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥♥♥

21.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 6

Dedicado à todas as anônimas lindas q estão smp comentando <3

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Se algum dia Demi o quê? Confusa com as palavras da sogra, foi para o banheiro se arrumar.
Se  algum  dia  Demi descobrisse  sobre  a  outra  mulher?  Bem, já descobrira.
Se algum dia ela decidisse mudar? Com cinismo, olhou-se no espelho, e foi como ver uma total estranha.
Lá estava ela, escondida. Sem coragem de tomar banho, com medo de estragar o cabelo e a maquiagem. Tolice. Joe sairia com ela só para acalmar a consciência culpada. Além do mais, ele achava que ia sair com a nova mulher que vira na sala e que era apenas uma ilusão atrás da qual Demi queria se esconder! Ouviu a porta do seu quarto abrir e fechar e o som dos passos de Joe indo para a escada. Com um suspiro, estendeu um dos vestidos novos sobre a cama para decidir se ousaria vesti-lo. Era um vestido sexy, de renda cor de vinho e o forro de seda negra. Colo e ombros ficariam expostos, bem como as costas,  porque  o  modelo  tomara-que-caia  era  bem  decotado  atrás.  Ao experimentá-lo na loja, a vendedora percebera sua indecisão por causa do decote e trouxera um bolero negro de veludo, de mangas longas, aberto na frente, deixando a curva sedutora dos seios exposta. Não sabia se devia colocar o vestido novo ou o antigo pretinho que sempre usava quando saía com Joe. Kate entrou no quarto e parou na frente do vestido com um brilho no olhar.

—Vai usar este vestido, mamãe? — perguntou com doçura.

—Ainda não decidi querida, talvez eu deva usar o meu vestido preto...

—Não, mamãe! O papai vestiu smoking e está lindo demais. E depois, o vestido preto é tão sem graça!

—Que seja o novo, então.

A  antiga  Demi também  era  sem  graça,  e  a  nova  decidiu  mudar.
Arrumou-se e desceu.
Kate estava com a razão. A figura de Joe era fascinante, não só pela roupa, mas pelo homem maduro e sensual que a vestia.
Ele estava de costas, servindo-se de um aperitivo, e não percebeu sua entrada na sala, deixando-a aliviada em ter algum tempo sozinha para acalmar o desejo que ele lhe provocava.
A imagem que Joe projetava sempre impressionava as pessoas. Um homem  confiante  que  também  intimidava,  pois  não  gostava  de expor  sua personalidade. Demi ficou intimidada pela primeira vez na vida. Na verdade, sempre pensara nele como o marido que amava. Agora, estava apreensiva na presença do homem com quem vivia há sete anos. Joe era um estranho que ela amara e com quem se casara. Será que ele tinha consciência de que ela não o conhecia de verdade? Que não sabia quem ele era, além das paredes seguras da casa? Ele virou-se e viu Demi, que sentiu uma pontada no coração ao perceber o olhar sem emoção que percorreu seu corpo e rosto. Reparou que Joe escondia seus sentimentos ao correr o olhar desde o novo corte do cabelo, passando pelo rosto cuja beleza era realçada pela maquiagem e detendo-se no corpo. O modelo do vestido acentuava suas formas perfeitas e graciosas. Então. sem aviso, ela  notou  um brilho  de emoção antes que ele se fechasse outra vez. Surpreendeu-se ao perceber dor no olhar. Por que um olhar triste ao ver a esposa vestida para sair com ele? Talvez fosse apenas culpa. Ele sabia que Demi jamais teria ido ao extremo de querer mudar tanto, se não a tivesse deixado insegura!

—Quer um drinque antes da sairmos? — Joe não ia fazer nenhum comentário sobre sua aparência. Demi sentiu-se apagar.

—Não, obrigada. Você... reservou mesa em algum restaurante? — O sorriso enviesado parecia zombar dela por algum motivo.

—Reservei. Vamos então? — Sentiu-se estranha sentada ao lado dele na BMW esportiva. Sempre saíam com a família no carro dela, uma perua equipada para a segurança das crianças.

—Aonde  vamos?  —  perguntou,  desanimada.  Joe mencionou  o restaurante de um dos clubes mais exclusivos de Londres como se fosse um lugar banal.

—A comida é ótima. Até para quem está sem apetite...

—Então já esteve lá?

—Umas duas vezes. — “Com  Lydia?”. O  simples  pensamento  deixou-a  retraída.  Se  Joe percebeu, não demonstrou. Seu humor também não era dos melhores. Chegaram ao clube e ele conduziu-a até o hall luxuoso.

—Boa noite, sr. Jonas.

Um homem apareceu do nada e inclinou-se para Demi que lhe sorriu. —Boa noite, Claude — Joe falava com familiaridade. —Obrigado por ter conseguido a mesa de última hora.

—O senhor sabe como é. Para certas pessoas, sempre temos lugar. Por aqui, por favor...

Joe conduziu-a pela cintura, num gesto íntimo. Demi tentou não se impressionar com a elegância do local e entraram num restaurante diferente de tudo que ela já conhecera. Nas  ocasiões  em  que  saíam  para  jantar,  sempre  frequentavam restaurantes locais, vestindo roupas informais para dividir um prato e uma garrafa de vinho com intimidade. No clube em que se encontravam, era impossível imaginar um jantar íntimo e informal.

—Você não gostou do lugar. — Ela ergueu o olhar para Joe.

—Parece ser bem agradável.

—Agradável — ele repetiu com ironia. — Este é um dos restaurantes mais famosos de Londres e você chama de agradável.

—Desculpe. Acha que eu deveria estar impressionada com o local?

—Não.

—Ou com sua facilidade em conseguir um lugar sem reserva antecipada? Cuidado Joe, ou posso pensar que tentando chamar minha atenção. E seria ridículo só de pensar, não é? — Ela relanceou o olhar pelo ambiente requintado, repleto de pessoas elegantes, e encarou-o. —Francamente, seria. Pensei que soubéssemos que você nunca precisou fazer nada para me impressionar. — Ele estava impaciente.

—Demi, eu não a trouxe aqui para discutir. Só queria...

—Um tratamento especial para mim? — ela perguntou irônica.

—Não! Eu só queria te agradar, mimar você!

—Mostrando como é sua outra vida?

—Que outra vida? O que quer dizer?

—A vida da qual não sei nada. Na qual você se sente perfeitamente à vontade.

—Você queria ir a uma cantina vestida assim? Teve muito trabalho para criar uma nova imagem, Demi. Este ambiente é ideal para ela. Você decide se quer ficar ou não.

Apesar de querer sair, percebeu, com tristeza, que o local combinava perfeitamente com Joe.

—E você prefere a nova imagem? — perguntou, curiosa.

—Gostei do novo corte do cabelo, mas não sei se gosto do motivo que a levou a cortar. Gostei do vestido. É lindo, como deve saber, mas não gosto do que ele faz à mulher que eu... — A  chegada  de  um  garçom  interrompeu-o.  Ele  colocou  uma  taça  de aperitivo para cada um e ofereceu os cardápios.

Joe agradeceu e dispensou-o de modo seco. —Você foi rude com ele. Por que agiu assim?

—Porque ele me interrompeu quando eu tentava te elogiar.

—Se acha que foi elogio... — Ele sorriu, um pouco irritado.

—Muito bem, está difícil acertar o assunto com você, Demi. — Ele inclinou-se depressa e pegou a mão dela. — Você é linda e não precisa que eu lhe diga. Por favor, não deixe de ser a mulher adorável que sempre foi, antes de resolver provar alguma coisa para mim!

—Eu não mudei para você, Joe. Fiz por mim. Já estava mais que na hora de crescer.

—Oh, não, querida! Está errada! Eu...

—Que surpresa! Joseph Jonas em carne e osso! —Uma voz sardônica falou atrás da mesa.

—Droga! — Joe sussurrou e apertou com mais força a mão de Demi, antes de soltá-La. Com o rosto transformado numa máscara sem expressão, virou-se para o intruso. —Zac — ele levantou-se —, pensei que estivesse nos Estados Unidos. Joe afastou a cadeira para cumprimentar o outro homem. Demi notou que ele devia ter a mesma idade de Joe. Era atraente, loiro, com olhos verdes sagazes.

—Voltei há algum tempo. Parece que é você que está fora de circulação. —O olhar curioso e interessado pousou em Demi. — Esta linda jovem seria a razão? O que aconteceu com a adorável L...?

—Minha esposa — Joe interrompeu, antes que ele completasse o nome — Demi. — Ela percebeu que Joe relutou em liberar o espaço para que Zac a cumprimentasse. —Este é Zac Callum. Usamos os serviços do mesmo escritório jurídico.

Zac lançou um olhar especulativo para Joe e Demi pensou tê-lo ouvido murmurar alguma coisa ao passar e abaixar-se para cumprimentá-la. Não deu muita atenção, pois estava concentrada em lembrar de onde conhecia o nome. Ele era o cartunista político, mordaz e cruel, do jornal Sunday Globe. Era hábil em descobrir o ponto fraco das pessoas e transformá-las em motivos de chacota.

—Não me admira que Joe tenha desaparecido nos últimos tempos. — Zac tomou a mão de Demi nas suas e disse com voz sedutora: — Com certeza, seu gosto apurou muito, Joe. — Ele se referia a Lydia. Demi respondeu por Joe, sem condições de falar, de tão tenso que estava.

—Obrigada. Conheço e aprecio seu trabalho, sr. Callum.

—Uma fã? Fale mais... —Ele ia puxar uma cadeira vazia quando uma voz seca interrompeu:

—Zac, querido, não está se esquecendo de nada? Mostrando uma expressão de pesar para Demi, ele virou-se para a mulher.

—Desculpe, mas  precisa  entender.  Este  é  um  momento  para  ser saboreado. Este homem, entre todos os homens, rendeu-se ao casamento. — Passou a mão pela cintura da mulher, puxando-a para mais perto. —Claire, apresento Joseph Jonas, de quem já ouviu falar, com certeza.

—E quem não ouviu? Todos nós esperamos em suspense pelo desfecho do caso Harvey. — O caso Harvey. Demi baixou os olhos, pensando ser a única pessoa no mundo que não sabia como o caso era importante.

—Prazer em conhecê-lo — disse Claire. Joe cumprimentou-a com um sorriso distraído. Sua atenção estava concentrada em Zac Callum, que continuava a olhar para Demi, sem disfarçar o interesse.

—Gostaríamos de sua companhia, mas, infelizmente, já fizemos o pedido — mentiu Joe. —E... — ele não continuou, e ficou óbvio que não desejava intromissão.

—Não se preocupe. — Zac deu um sorriso malicioso. —Não queremos interromper os recém-casados. Joe abriu a boca para contestar, então percebeu o olhar de Demi e calou-se.

Não! Os olhos dela imploraram. Não diga a verdade. Zac sabe a respeito de Lydia. Não permita que eu faça papel de tola, dizendo que é casado há sete anos, que tem filhos, quando ele sabe sobre sua amante! Ele sorriu sem graça e desviou o olhar. Engoliu em seco, frustrado com a cena inesperada. Então Joe teve uma atitude estranha. Aproximou-se dela, segurou seu rosto nas mãos e, na frente da melhor e mais esnobe sociedade londrina, inclinou a cabeça e beijou-a com paixão. Quando afastou-se, aparentava tanto pesar, que ela ficou com os olhos marejados.

—A lua-de-mel ainda não terminou — zombou Zac. —Vamos, Claire, creio que devemos deixar os dois pombinhos a sós.

—O que quer comer? — Sentindo-se desnorteada pelo beijo inesperado e a expressão reveladora nos olhos de Joe, Demi forçou-se a prestar atenção nas palavras dele. Ele voltara a sentar e olhava-a de modo intenso.

—Eu... — Olhou para o cardápio na sua frente, sem conseguir enxergar. O coração batia descompassado e seus lábios ansiavam por outro beijo. — Eu... não sei, peça para mim.
Com um sorriso, ele chamou o garçom e fez o pedido. Demi olhou pelo salão, mas as pessoas em volta estavam entretidas na própria conversa. Ninguém notara o beijo. Controlou-se para falar sem emoção. —De onde conhece Zac Callum?

—Ele  herdou  algumas  empresas  pequenas  do  pai.  Como  não  queria trabalhar no ramo, vendeu-as para mim.

—Gosto do trabalho dele. Eu era muito boa em desenho e posso apreciar o dom que ele tem.
—Também gostou do charme dele, não é? — Demi surpreendeu-se com o tom de ciúme na voz de Joe.

—Foi por isso que me beijou daquele modo? —Ele olhou para você com cobiça. Só quis deixar bem claro a quem você pertencia.

Ela  era  propriedade  de  Joe,  mas,  aparentemente,  ele  não  lhe pertencia.

—Neste seu  mundo social existe alguém que saiba sobre mim e as crianças?


—Minha vida particular não é da conta de ninguém. Meu envolvimento com estas pessoas é puramente profissional. Agora vamos mudar de assunto? A não ser que tenha achado o charmoso Zac Callum mais agradável que minha companhia. Neste caso, posso chamá-lo de volta e vocês dois vão se deliciar alimentando o ego um do outro! — Oh! Ele estava doente de ciúme! Demi sentiu-se mais confiante.

—Bem, pelo menos ele não criticou a companheira cada vez que ela abriu a boca — reprovou-o docemente, satisfeita ao ver que ele corava. A entrada foi servida, acalmando o impulso de discussão que os dominava. Joe pedira uma mousse de salmão que Demi comia deliciada, esquecida da falta de apetite. Quase no fim do prato, ele tocou gentilmente em sua mão.

—Demi, vamos tentar fazer com que esta seja uma noite agradável para nós dois? Não quero discutir mais. Eu só desejo...

—Joe, que prazer encontrá-lo aqui! A expressão dele ficou irritada, e ela sentiu-se desapontada com a interrupção, pois era com prazer que percebia urgência em seu olhar.
Desta vez, ele nem se levantou para falar com o casal de meia-idade que parou ao lado da mesa. Também não apresentou Demi. Apenas cumprimentou-os com fria educação e eles se afastarem depressa.

—Entende agora por que não gosto de trazer você a lugares como este? Ficamos sujeitos a interrupção a noite toda.

—E qual é o problema?

—Quando saio com você, quero tê-la só para mim. — No fundo, ele tinha razão. Foram interrompidos pelo menos mais três vezes durante a refeição. Depois do café, Joe levantou-se e estendeu a mão para ela. —Venha. Vamos até a boate do clube. Pelo menos enquanto dançamos ninguém vai interromper. Entraram em uma sala escura. Da entrada, Demi enxergou apenas o outro lado, o bar e um pequeno palco onde um grupo de músicos tocava jazz. Joe conduziu-a até a pista e tomou-a nos braços. Na mesma hora foi assaltada pelo sentimento de estar nos braços de um estranho. Não evitou um suspiro. Eh; percebeu a tristeza e fez mais pressão na mão que segurava. A outra mão dele subiu da cintura para as costas, por dentro do bolero, para aproximá-la  mais e então parou. Ambos ficaram imóveis  quando os dedos entraram em contato com a pele nua e quente. Demi esquecera  o modelo  do vestido  até aquele  momento.  Tentou afastar-se, mas ele não permitiu e puxou-a ainda mais perto.

—Déjà vu — sussurrou em seu ouvido, e ela engasgou ao perceber o significado.
A primeira  vez que dançaram, usava uma mini blusa sob a qual ele
também enfiara os dedos, provocando o mesmo frêmito de desejo.
Dançaram  colados,  a  mão  de  Joe acariciando  suas  costas  num movimento sensual.
Ela quase podia escutar-lhe as batidas do coração enquanto uma onda de calor e desejo inundava seu corpo. Percebeu o sexo de Joe contra o ventre e suspirou. A cabeça morena inclinou-se e ele roçou os lábios em seu pescoço. —Nada  mudou entre  nós.  Depois  de tantos  anos,  ainda  temos  este incrível efeito um sobre o outro. — Ele tinha razão. Com um suspiro, Demi permitiu-se fazer o que mais ansiava e ergueu os lábios para beijá-lo. Pela  primeira  vez,  depois  de  várias  semanas,  fazia  um  movimento voluntário na direção dele. Joe tremia. —Vamos para casa — ele disse com a voz rouca de desejo. —Quero muito mais que dançar com você. — Então uma voz familiar e cruel se intrometeu, e Demi sentiu o coração fraquejar.

—Ora, ora, se não é o dom-juan em pessoa, com uma nova conquista... — Demi fechou os olhos ao reconhecer a voz e baixou a cabeça no ombro de um Joe, estático.

—Ei, querida, não sabe que ele é casado? — provocou a voz cruel. Sem dúvida, Mandy não a reconhecera. —Há sete longos anos — ela continuou, sem piedade. —Com uma mocinha bonita, mas sem graça, que está em casa cuidando dos três filhos, enquanto o marido faz charme para qualquer mulher que se ofereça.

—Ah, qualquer uma não, Amanda — Joe interrompeu cínico. — Afinal de contas, sempre desprezei você. — Então Mandy tentara seduzir Joe? Demi encarou o olhar sarcástico do marido e entendeu por que os dois se detestavam.

—Os homens devem tomar cuidado com mulheres repudiadas, Joe. Afinal, o desprezo transforma-se em nossa arma mais destrutiva.

—Que você usou com perícia, direto no alvo mais fraco!

—E, por falar nisso, como está a pobre Demi ? Ela sabe que você já arranjou uma substituta para Lydia?

Demi ouvira o suficiente. Livrando-se do abraço apertado de Joe, virou-se e encarou a ex-melhor amiga com frieza. O rosto de Mandy ficou pálido e, sem mais uma palavra, ela virou as costas e foi embora. O fim da noite revelou-se um desastre. Em silêncio, o casal deixou o clube e andou até o carro.

No caminho, Demi não se conteve. —Quanto tempo?

—Anos.

—Chegou a ter alguma coisa com ela? — perguntou, observando as mãos dele crispadas na direção, sentindo-se ofendido, mas aceitando o direito que ela tinha de saber.

—Não, nem em pensamento.

— Por quê?

—Ela me deixa gelado.

—Então, por que não me contou nada?

—Para arruinar a confiança que depositava na sua melhor amiga? Demi, sempre deixei bem claro que nunca suportei Mandy.

—Eu sei, mas também nunca desencorajou nossa amizade. Uma palavra que me dissesse a respeito de como ela estava me usando para te abordar, e esta cena ridícula teria sido evitada.

—Acha que eu teria coragem de contar, sabendo como você ficaria magoada? — A expressão dele era preocupada.

—Seria muita maldade da minha parte. — Sem ao menos falar com Jenny, Demi subiu para o quarto assim que chegou em casa.

—Estou com dor de cabeça, por favor, desculpe-se com sua mãe por mim. — Na verdade, não era só a cabeça que doía. Quando Joe entrou no quarto depois de ter levado a mãe para casa, ela ainda estava acordada, mas fingiu dormir e concentrou a atenção nos movimentos dele. Ele foi para a cama nu, como sempre dormia. Deitou de costas, com as mãos servindo de apoio para a cabeça, e ficou olhando o teto escuro, enquanto Demi ficava imóvel a seu lado. No fundo de seu coração ferido, ela desejava que o destino mudasse e desaparecesse com as últimas semanas. Ficaram muito tempo imóveis, em silêncio, até que a tensão tornou-se insuportável.  Joe deu  um  suspiro  e virou-se  para  alcançá-la.  Demi se entregou com avidez, e fizeram um amor desesperado e silencioso.
 Lydia  apareceu  como  um  fantasma,  esfriando  seu  corpo  quando acreditava estar chegando ao clímax. Joe percebeu  a mudança  e ficou imóvel, observando-a lutar com a assombração que a magoava. Demi  lutou com todas as suas forças, os olhos apertados contra as lágrimas, os lábios insaciáveis e as mãos travadas nos ombros de Joe. Sentiu o corpo pronto e percebeu que conseguira afastar Lydia. Com um tremor, puxou-o pelo quadril.

—Demi — ele sussurrou ao penetrá-la. Apenas Demi, inúmeras vezes, compreendendo que ela lutara e vencera a batalha por causa dele.

Quando acabou, ela sentiu-se solitária e vazia.
Joe ficou muito ocupado com outro caso e precisou passar algumas noite fora de casa. Estava negociando com uma pequena construtora perto de Huddersfield. Apesar de acreditar, Demi atormentou-se com ideias que sabia serem injustas. Ele não fez comentários, compreendendo o que se passava em sua mente. Queria a confiança que ela não conseguia mais ter, o que contribuiu para que o casamento continuasse em crise durante semanas. Uma tarde, leu uma notícia no jornal que deixou-a inquieta. Zac Callum faria uma palestra aquela noite sobre seu trabalho, na escola de Artes, e a entrada era aberta a todos os interessados. Como Joe estava fora, decidiu pedir para a mãe ficar com as crianças e participar. No fundo, compreendia que a necessidade de ferir o marido era maior que a vontade de assistir à palestra. Culpa dele, Demi  pensou ao estacionar o carro. O fato de saber que ele sentia ciúme de alguém como Zac Callum a incentivara a sair de casa. Sentou-se no fundo da sala, sem esperar que Zac a reconhecesse ou lembrasse dela. O encontro entre eles fora breve. Mas ele reconheceu-a e lembrou-se na hora. Caminhava para o palco, relanceando o olhar sorridente pela plateia, quando a viu. Parou, encarou-a, e Demi corou ao ser alvo do sorriso de reconhecimento na frente de todos. Sorriu de volta com timidez e afundou-se na poltrona.
A palestra começou, e logo se sentiu relaxada, a atenção fixa no modo inteligente e sutil como Zac conduzia o assunto. Várias vezes,  ele notou que ela acompanhava as risadas com a plateia e lançou lhe olhares de reconhecimento, que fizeram bem ao seu ego tão magoado nas últimas semanas.

A palestra terminou e, antes que tivesse tempo de se levantar, Zac aproximou-se.

—Demi, que gentileza ter vindo!

—Adorei a palestra — disse com um sorriso tímido. —Foi empolgante.

—Você estuda aqui?

—Não! — Ela  corou.  Não lhe  ocorrera  que ele  pudesse  supor que fosse  uma estudante. Lembrou-se então que vestia calça jeans desbotada e um suéter de linha, além de estar sem maquiagem. —Moramos aqui perto. Li sobre a palestra no jornal e decidi vir em cima da hora.

—Veio sozinha?

—Sim, Joe está viajando a negócios.

—Ah! Está interessada em política? — ele perguntou, com um sorriso estranho.

—Em arte, caricatura. Eu desenhava bem, acredite ou não, quando tinha tempo, antes de ser esposa e mãe.

Droga! Zac acreditava que era recém-casada. Agora olhava para ela com expressão confusa. Por sorte, foram interrompidos por um estudante que queria fazer algumas perguntas.
Demi decidiu aproveitar a oportunidade e ir embora. Virou-se, mas seu braço foi seguro por Zac.

—Não vá. Preciso me despedir dos organizadores e, se puder me esperar, gostaria de tomar um drinque com você, num pub que aqui perto.

Demi hesitou. Sair com um homem que não era seu marido para tomar um aperitivo? As pessoas achavam normal. Joe fazia isso o tempo todo! Queria saber mais sobre o trabalho que ele desenvolvia e resolveu aceitar o convite.

—Obrigada, vou esperar na porta. Para sua surpresa, foi Zac que hesitou, e o mesmo olhar especulativo da primeira vez que se encontraram passou pelos olhos dele. Logo concordou e soltou seu braço.

—Encontro você em cinco minutos.

Passaram uma hora agradável. O lugar estava lotado com os participantes da palestra, e sentaram-se nas banquetas do bar.
A conversa fluiu de modo agradável e interessante. Zac permitiu que Demi falasse sem interrompê-la, e ela, que estava tímida em princípio, colocou as ideias com facilidade.
O nome de Joe só foi mencionado na hora de partirem.

—Há quanto tempo está casada? — Zac perguntou.

—Sete anos. Temos três filhos, dois garotos e uma menina. E não pense que é só o que fazemos. Sammy e Kate são gêmeos.

Ele sorriu com o gracejo. —Quero me desculpar pela primeira vez que nos encontramos. — Zac falava de sua menção à outra mulher com Joe. Demi sentiu uma pontada no peito, e não aceitou as desculpas.

—Não é preciso. Você foi apenas franco. Eu e Joe é que agimos errado. Boa noite, Zac — ela acrescentou, antes que ele pudesse falar. Não queria conversar sobre aquela noite, nem saber a opinião dele. — Gostei muito da companhia, obrigada.

Caminharam até o estacionamento. —Escute, estou pensando em ministrar um curso de caricatura aqui na escola, durante doze semanas, uma noite por semana. Estaria interessada em participar? — ele perguntou. —Não sei. Acredita que haja interesse suficiente na escola, para valer a pena para você? — Ele riu da ingenuidade dela. Sendo uma celebridade, o interesse das pessoas em seu trabalho era o de menos. Fariam o curso porque Zac Callum seria o professor.  —Tenho certeza de que vai gostar, Demi — disse com suavidade. — Prometo para você. — Com uma sensação estranha no estômago, percebeu outra intenção nas palavras de Zac, que não escondeu a atração que sentia. Encorajaria o relacionamento mesmo sabendo do perigo potencial que havia? Não, sua vida já estava bem complicada. Era uma pena, pois, apesar de o professor não atraí-la, a ideia do curso de caricatura era tentadora.

—Pode me avisar quando decidir e pensarei a respeito.

(...)

—Zac Callum dando um curso na Escola de Artes? Por que ele haveria de se importar com os estudantes daqui? —Joe perguntou, com um sorriso de escárnio.

—Talvez porque ele se importe com as pessoas — Demi respondeu, ofendida com o tom de voz.

O fato de ter saído uma noite sem seu conhecimento, ainda mais para ver Zac Callum, irritou Joe.

—E como soube que ele faria a palestra?

—Li no jornal. Você já comeu? — ela perguntou, para mudar de assunto. — Quer que eu prepare um lanche?

—Não! Quero falar sobre sua saída com Zac Callum — ele rosnou.

—Eu não saí com ele! Apenas assisti a uma palestra! O que está tentando dizer, Joe? Que foi um meio que arrumamos para nos encontrar?

Era exatamente o que ele estava pensando.

—Ele é bem capaz disso! Não disfarçou o interesse desde o primeiro momento que a viu!
Meu Deus! O poderoso Joseph Jonas demonstrava receio que sua jovem esposa quisesse outro homem!

—Você é a pessoa não confiável neste casamento, Joe — ela lembrou-o com rispidez. — Não eu!

—Mas você pode querer se vingar.

—Eu acho que sua consciência culpada está te deixando paranoico. Não faça comparação entre nós.

Deliberadamente, ignorou a voz em sua mente, dizendo que não estava sendo sincera.

—Não estou comparando — ele disse, a caminho do bar para se servir de um uísque.

—Então o que estava fazendo?

—Na verdade... Na verdade eu não tenho a menor ideia. Está mesmo decidida a fazer o curso?

—Não vai querei bancar o marido dominador e me impedir se eu decidir fazer, não é?

—Se eu tentar convencê-la a  não fazer, vai me dar ouvidos?

—Não. — Ele baixou a cabeça

—Então não vale a pena tentar, não é mesmo? — Joe saiu  da  sala  deixando-a  num  turbilhão  de  emoções.  Mágoa. Qualquer que fosse o relacionamento com ele: brigando, fazendo amor ou até ignorando, cada vez que ele se afastava só conseguia sentir mágoa. Passara tantos anos vivendo para ele, que não sabia viver para si mesma. Por isso, decidiu fazer o curso quando Zac ligou, avisando que estava tudo resolvido.

(...)

Algumas semanas mais tarde, ela saiu de casa para a primeira aula. Joe não disse urna palavra, mas ela sabia sua opinião. Quando voltou, ele nem esperou pela escuridão do quarto para procurá-la. Tão logo entrou em casa, tomou-a nos braços e levou-a para cama e, apesar de estarem famintos de desejo, mais uma vez ela não chegou ao clímax.
O dom de Demi para a caricatura desabrochou com as aulas, e até Joe se divertia com os desenhos que ela fazia das crianças. Zac era sempre encorajador. Durante as aulas não fazia referências pessoais. Só quando iam até o pub para um aperitivo depois do curso é que dava um jeito de sentar ao seu lado e mostrar o interesse crescente. A maior parte do tempo, Demi tentava ignorar, queria apenas aprender tudo que ele tinha para ensinar sobre desenho. Seu medo era ter de desistir se ele se tornasse inconveniente. O Natal estava próximo e Demi ficou ocupada com os preparativos. Compras, decoração e a ceia que fez aos poucos e congelou, enchendo a casa com aromas tentadores a cada dia. Joe estava mais ocupado e preocupado. A única concessão que fazia era saírem algumas noites. Iam ao cinema, teatro, clube e restaurantes. Ela manteve o corte de cabelo, mas usava as roupas sofisticadas só para algum programa especial. A  vida  corria  normal,  mas  a  tensão  no  casamento  afetou  o comportamento de Demi. Cansava-se facilmente, irritava-se com pequenas bobagens e chorava sem motivo aparente. A família se preocupava e ansiava pela antiga e calorosa pessoa que conheciam. Uma noite, quando ia sair para o curso, o carro não quis pegar. Joe trabalhava em Huddersfield e só voltaria tarde. Jenny ficara com as crianças. Uma chuva de granizo caía, e Demi olhou relutante para a casa, O certo seria entrar e chamar um táxi, mas estranhamente não queria voltar agora que tinha escapado.  Percebeu  que  estava  vendo  seu  próprio  lar  como  uma  prisão emocional. Com um suspiro, colocou o capuz do pesado casaco e andou até a pista para  tomar  um  ônibus.  Chegou  no  curso  molhada  até  os  ossos,  o  cabelo encharcado e o rosto branco de frio. Os amigos de classe começaram a ajudá-la. Uma enxugou seu cabelo com uma toalha de papel enquanto outro tirou suas botas e as meias molhadas.

—Meias de homem! — alguém gritou, fingindo estar horrorizado. — A bela dama usa meias grossas de homem por dentro das botas femininas!

Todos riram e Demi também, sentindo-se solta e livre pela primeira vez em semanas. Sua blusa estava molhada e Zac tirou o próprio suéter de lã preta para ela vestir. As garotas da classe fizeram uma barreira protetora contra os olhares masculinos. Quando ficou pronta, as roupas molhadas foram colocadas na frente do aquecedor e Demi não vestia nada além da lingerie, sob o suéter que batia em seus joelhos. A aula acabou e as roupas continuavam úmidas. Zac ofereceu uma carona direto para sua casa em vez de irem ao pub, e Demi aceitou, apesar de ficar alerta com a expressão dele. Entraram no carro esportivo e ela relaxou, confortada pelo ar quente.

—Está melhor? — ele perguntou.

—Sim, desculpe fazê-lo perder o aperitivo.

—Não tem problema, prefiro ficar aqui com você — ele disse com a voz rouca. Um calafrio percorreu seu corpo.

—Na próxima pode virar à esquerda. — Ela mudou de assunto.

—O que Joe acha de você estar comigo toda quarta-feira à noite? — Demi engoliu em seco. Não queria falar sobre Joe, nem baixar sua guarda.

—Ele me dá o maior apoio — disse, rindo da mentira. Joe detestava que ela fizesse o curso e detestava vê-la sempre com o caderno de desenho na mão, lembrando-o quem era o responsável por sua volta às artes.

—Mas ainda não fez nenhuma caricatura dele. Já desenhou todos da família, menos Joe.


—Ele não é um bom modelo — ela disse. — Agora pode seguir reto até a próxima bifurcação.

—Joe? Pois acho que ele é o modelo ideal, um demônio nos negócios e um homem comum em casa. Um ótimo tema para uma caricatura misturando os dois. Não concordou. No momento, não via nada de engraçado em Joe. Há algum tempo teria se deliciado fazendo a caricatura dele, agora não mais.

—Um dia desses vou fazer. Chegamos. Minha casa é aquela branca com a BMW preta na frente. — Joe já estava em casa. Sentiu um arrepio que não era de frio. Zac parou e desligou o carro. Podiam escutar o barulho da chuva nos vidros. Ele virou-se no banco para olhar Demi e ela encarou-o. —Bem, obrigada pela carona — disse, sem fazer nenhum movimento para sair do carro. Sentia-se presa numa armadilha pela expressão de Zac, pelo calor do carro e pela própria sensação de desejo.

—Foi um prazer — ele disse, ausente. A  mente  dele  estava  longe,  procurando  no  rosto  de  Demi um sentimento que ela não sabia se aparentava ou não. Logo percebeu que sim, pois Zac inclinou-se e beijou seus lábios com suavidade. Não correspondeu nem se afastou. A mão dele acariciou seu rosto, o polegar tocando seus lábios para que abrissem. Subitamente, ela teve certeza que não era o que queria e afastou-se. Ele deixou-a  ir,  encostando-se  no  assento  e olhando-a  através  dos  olhos semicerrados.

—Desculpe — ela murmurou, confusa.

—Do quê? — Demi não conseguiu responder, só queria estar fora do carro e começou a abrir a porta.

—Você quis ser beijada, Demi — Zac disse com suavidade. —Não importa o que pense, lembre-se de que desejou o beijo tanto quanto eu.

Ele tinha razão, e ela corou de culpa. Quisera o beijo para sentir como seriam outros lábios que não os de Joe sobre os seus.
Agora sentia-se infantil e irritada por ter deixado acontecer. Não queria que Zac pensasse que haveria lugar para ele em sua vida. Joe era o único homem que amava. Que droga! Amava-o com mais paixão a cada dia! Correu para a casa debaixo da chuva e só então pensou se Joe vira sua chegada. Olhou para as janelas e não viu movimento atrás das cortinas. Com certeza, ele esperava que ela viesse de ônibus e não deu atenção ao barulho do carro de Zac. Joe não estava na sala. A porta de escritório permanecia aberta e nem sinal dele. Demi encontrou-o na cozinha.

—Chegou mais cedo do que eu esperava — ela disse casualmente ao entrar. Charmoso, vestindo jeans e uma camiseta preta, ele ignorou o comentário dela e suas mãos tremeram um pouco ao colocar água na chaleira.

—Chamei um táxi para levar minha mãe. Ela ficou preocupada ao ver seu carro na porta e você desaparecida. Poderia ter avisado que mudou de ideia.

—O carro não pegava, então decidi ir de ônibus. Não imaginei que Jenny fosse ficar preocupada. Amanhã ligo para me desculpar.

Silêncio.
Joe parecia concentrado na preparação do chá e nem lhe dirigiu o olhar. Demi percebeu que ele estava bravo por algum motivo. Teria visto algo?

—Estou ensopada — disse num esforço para parecer normal e corando de culpa. —Vou subir e tomar um banho quente. Você já comeu? Posso fazer seu jantar...


—Não! — falou com tanta violência que ela afastou-se. Observou-o recuperar o controle e respirar fundo. —Não. — repetiu devagar. —Eu já jantei, obrigado. — Ela sentiu um frio na espinha, sem saber se era medo ou culpa. Subiu e deitou-se, preparada para enfrentar Joe quando subisse para o quarto. Ele não subiu. Joe não entrou no quarto aquela noite.

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Heeeeeey! Estou muuuuuuito feliz! 10 comentários, nem to acreditando <3 Vejo q estão gostando msm, hein! Essa história n tem hot, desculpem meninas! Mas vale a pena ler até o fim! Esse capítulo é enorme perto dos outros, tinha até pensado em dividir ao meio :$ Bom, gostaram do capítulo? Comentem! Estou ficando mimada com os tantos comentários <3 Amo ler cada um! Respostas aqui' Bjs, amo vcsss ♥