21.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 6

Dedicado à todas as anônimas lindas q estão smp comentando <3

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Se algum dia Demi o quê? Confusa com as palavras da sogra, foi para o banheiro se arrumar.
Se  algum  dia  Demi descobrisse  sobre  a  outra  mulher?  Bem, já descobrira.
Se algum dia ela decidisse mudar? Com cinismo, olhou-se no espelho, e foi como ver uma total estranha.
Lá estava ela, escondida. Sem coragem de tomar banho, com medo de estragar o cabelo e a maquiagem. Tolice. Joe sairia com ela só para acalmar a consciência culpada. Além do mais, ele achava que ia sair com a nova mulher que vira na sala e que era apenas uma ilusão atrás da qual Demi queria se esconder! Ouviu a porta do seu quarto abrir e fechar e o som dos passos de Joe indo para a escada. Com um suspiro, estendeu um dos vestidos novos sobre a cama para decidir se ousaria vesti-lo. Era um vestido sexy, de renda cor de vinho e o forro de seda negra. Colo e ombros ficariam expostos, bem como as costas,  porque  o  modelo  tomara-que-caia  era  bem  decotado  atrás.  Ao experimentá-lo na loja, a vendedora percebera sua indecisão por causa do decote e trouxera um bolero negro de veludo, de mangas longas, aberto na frente, deixando a curva sedutora dos seios exposta. Não sabia se devia colocar o vestido novo ou o antigo pretinho que sempre usava quando saía com Joe. Kate entrou no quarto e parou na frente do vestido com um brilho no olhar.

—Vai usar este vestido, mamãe? — perguntou com doçura.

—Ainda não decidi querida, talvez eu deva usar o meu vestido preto...

—Não, mamãe! O papai vestiu smoking e está lindo demais. E depois, o vestido preto é tão sem graça!

—Que seja o novo, então.

A  antiga  Demi também  era  sem  graça,  e  a  nova  decidiu  mudar.
Arrumou-se e desceu.
Kate estava com a razão. A figura de Joe era fascinante, não só pela roupa, mas pelo homem maduro e sensual que a vestia.
Ele estava de costas, servindo-se de um aperitivo, e não percebeu sua entrada na sala, deixando-a aliviada em ter algum tempo sozinha para acalmar o desejo que ele lhe provocava.
A imagem que Joe projetava sempre impressionava as pessoas. Um homem  confiante  que  também  intimidava,  pois  não  gostava  de expor  sua personalidade. Demi ficou intimidada pela primeira vez na vida. Na verdade, sempre pensara nele como o marido que amava. Agora, estava apreensiva na presença do homem com quem vivia há sete anos. Joe era um estranho que ela amara e com quem se casara. Será que ele tinha consciência de que ela não o conhecia de verdade? Que não sabia quem ele era, além das paredes seguras da casa? Ele virou-se e viu Demi, que sentiu uma pontada no coração ao perceber o olhar sem emoção que percorreu seu corpo e rosto. Reparou que Joe escondia seus sentimentos ao correr o olhar desde o novo corte do cabelo, passando pelo rosto cuja beleza era realçada pela maquiagem e detendo-se no corpo. O modelo do vestido acentuava suas formas perfeitas e graciosas. Então. sem aviso, ela  notou  um brilho  de emoção antes que ele se fechasse outra vez. Surpreendeu-se ao perceber dor no olhar. Por que um olhar triste ao ver a esposa vestida para sair com ele? Talvez fosse apenas culpa. Ele sabia que Demi jamais teria ido ao extremo de querer mudar tanto, se não a tivesse deixado insegura!

—Quer um drinque antes da sairmos? — Joe não ia fazer nenhum comentário sobre sua aparência. Demi sentiu-se apagar.

—Não, obrigada. Você... reservou mesa em algum restaurante? — O sorriso enviesado parecia zombar dela por algum motivo.

—Reservei. Vamos então? — Sentiu-se estranha sentada ao lado dele na BMW esportiva. Sempre saíam com a família no carro dela, uma perua equipada para a segurança das crianças.

—Aonde  vamos?  —  perguntou,  desanimada.  Joe mencionou  o restaurante de um dos clubes mais exclusivos de Londres como se fosse um lugar banal.

—A comida é ótima. Até para quem está sem apetite...

—Então já esteve lá?

—Umas duas vezes. — “Com  Lydia?”. O  simples  pensamento  deixou-a  retraída.  Se  Joe percebeu, não demonstrou. Seu humor também não era dos melhores. Chegaram ao clube e ele conduziu-a até o hall luxuoso.

—Boa noite, sr. Jonas.

Um homem apareceu do nada e inclinou-se para Demi que lhe sorriu. —Boa noite, Claude — Joe falava com familiaridade. —Obrigado por ter conseguido a mesa de última hora.

—O senhor sabe como é. Para certas pessoas, sempre temos lugar. Por aqui, por favor...

Joe conduziu-a pela cintura, num gesto íntimo. Demi tentou não se impressionar com a elegância do local e entraram num restaurante diferente de tudo que ela já conhecera. Nas  ocasiões  em  que  saíam  para  jantar,  sempre  frequentavam restaurantes locais, vestindo roupas informais para dividir um prato e uma garrafa de vinho com intimidade. No clube em que se encontravam, era impossível imaginar um jantar íntimo e informal.

—Você não gostou do lugar. — Ela ergueu o olhar para Joe.

—Parece ser bem agradável.

—Agradável — ele repetiu com ironia. — Este é um dos restaurantes mais famosos de Londres e você chama de agradável.

—Desculpe. Acha que eu deveria estar impressionada com o local?

—Não.

—Ou com sua facilidade em conseguir um lugar sem reserva antecipada? Cuidado Joe, ou posso pensar que tentando chamar minha atenção. E seria ridículo só de pensar, não é? — Ela relanceou o olhar pelo ambiente requintado, repleto de pessoas elegantes, e encarou-o. —Francamente, seria. Pensei que soubéssemos que você nunca precisou fazer nada para me impressionar. — Ele estava impaciente.

—Demi, eu não a trouxe aqui para discutir. Só queria...

—Um tratamento especial para mim? — ela perguntou irônica.

—Não! Eu só queria te agradar, mimar você!

—Mostrando como é sua outra vida?

—Que outra vida? O que quer dizer?

—A vida da qual não sei nada. Na qual você se sente perfeitamente à vontade.

—Você queria ir a uma cantina vestida assim? Teve muito trabalho para criar uma nova imagem, Demi. Este ambiente é ideal para ela. Você decide se quer ficar ou não.

Apesar de querer sair, percebeu, com tristeza, que o local combinava perfeitamente com Joe.

—E você prefere a nova imagem? — perguntou, curiosa.

—Gostei do novo corte do cabelo, mas não sei se gosto do motivo que a levou a cortar. Gostei do vestido. É lindo, como deve saber, mas não gosto do que ele faz à mulher que eu... — A  chegada  de  um  garçom  interrompeu-o.  Ele  colocou  uma  taça  de aperitivo para cada um e ofereceu os cardápios.

Joe agradeceu e dispensou-o de modo seco. —Você foi rude com ele. Por que agiu assim?

—Porque ele me interrompeu quando eu tentava te elogiar.

—Se acha que foi elogio... — Ele sorriu, um pouco irritado.

—Muito bem, está difícil acertar o assunto com você, Demi. — Ele inclinou-se depressa e pegou a mão dela. — Você é linda e não precisa que eu lhe diga. Por favor, não deixe de ser a mulher adorável que sempre foi, antes de resolver provar alguma coisa para mim!

—Eu não mudei para você, Joe. Fiz por mim. Já estava mais que na hora de crescer.

—Oh, não, querida! Está errada! Eu...

—Que surpresa! Joseph Jonas em carne e osso! —Uma voz sardônica falou atrás da mesa.

—Droga! — Joe sussurrou e apertou com mais força a mão de Demi, antes de soltá-La. Com o rosto transformado numa máscara sem expressão, virou-se para o intruso. —Zac — ele levantou-se —, pensei que estivesse nos Estados Unidos. Joe afastou a cadeira para cumprimentar o outro homem. Demi notou que ele devia ter a mesma idade de Joe. Era atraente, loiro, com olhos verdes sagazes.

—Voltei há algum tempo. Parece que é você que está fora de circulação. —O olhar curioso e interessado pousou em Demi. — Esta linda jovem seria a razão? O que aconteceu com a adorável L...?

—Minha esposa — Joe interrompeu, antes que ele completasse o nome — Demi. — Ela percebeu que Joe relutou em liberar o espaço para que Zac a cumprimentasse. —Este é Zac Callum. Usamos os serviços do mesmo escritório jurídico.

Zac lançou um olhar especulativo para Joe e Demi pensou tê-lo ouvido murmurar alguma coisa ao passar e abaixar-se para cumprimentá-la. Não deu muita atenção, pois estava concentrada em lembrar de onde conhecia o nome. Ele era o cartunista político, mordaz e cruel, do jornal Sunday Globe. Era hábil em descobrir o ponto fraco das pessoas e transformá-las em motivos de chacota.

—Não me admira que Joe tenha desaparecido nos últimos tempos. — Zac tomou a mão de Demi nas suas e disse com voz sedutora: — Com certeza, seu gosto apurou muito, Joe. — Ele se referia a Lydia. Demi respondeu por Joe, sem condições de falar, de tão tenso que estava.

—Obrigada. Conheço e aprecio seu trabalho, sr. Callum.

—Uma fã? Fale mais... —Ele ia puxar uma cadeira vazia quando uma voz seca interrompeu:

—Zac, querido, não está se esquecendo de nada? Mostrando uma expressão de pesar para Demi, ele virou-se para a mulher.

—Desculpe, mas  precisa  entender.  Este  é  um  momento  para  ser saboreado. Este homem, entre todos os homens, rendeu-se ao casamento. — Passou a mão pela cintura da mulher, puxando-a para mais perto. —Claire, apresento Joseph Jonas, de quem já ouviu falar, com certeza.

—E quem não ouviu? Todos nós esperamos em suspense pelo desfecho do caso Harvey. — O caso Harvey. Demi baixou os olhos, pensando ser a única pessoa no mundo que não sabia como o caso era importante.

—Prazer em conhecê-lo — disse Claire. Joe cumprimentou-a com um sorriso distraído. Sua atenção estava concentrada em Zac Callum, que continuava a olhar para Demi, sem disfarçar o interesse.

—Gostaríamos de sua companhia, mas, infelizmente, já fizemos o pedido — mentiu Joe. —E... — ele não continuou, e ficou óbvio que não desejava intromissão.

—Não se preocupe. — Zac deu um sorriso malicioso. —Não queremos interromper os recém-casados. Joe abriu a boca para contestar, então percebeu o olhar de Demi e calou-se.

Não! Os olhos dela imploraram. Não diga a verdade. Zac sabe a respeito de Lydia. Não permita que eu faça papel de tola, dizendo que é casado há sete anos, que tem filhos, quando ele sabe sobre sua amante! Ele sorriu sem graça e desviou o olhar. Engoliu em seco, frustrado com a cena inesperada. Então Joe teve uma atitude estranha. Aproximou-se dela, segurou seu rosto nas mãos e, na frente da melhor e mais esnobe sociedade londrina, inclinou a cabeça e beijou-a com paixão. Quando afastou-se, aparentava tanto pesar, que ela ficou com os olhos marejados.

—A lua-de-mel ainda não terminou — zombou Zac. —Vamos, Claire, creio que devemos deixar os dois pombinhos a sós.

—O que quer comer? — Sentindo-se desnorteada pelo beijo inesperado e a expressão reveladora nos olhos de Joe, Demi forçou-se a prestar atenção nas palavras dele. Ele voltara a sentar e olhava-a de modo intenso.

—Eu... — Olhou para o cardápio na sua frente, sem conseguir enxergar. O coração batia descompassado e seus lábios ansiavam por outro beijo. — Eu... não sei, peça para mim.
Com um sorriso, ele chamou o garçom e fez o pedido. Demi olhou pelo salão, mas as pessoas em volta estavam entretidas na própria conversa. Ninguém notara o beijo. Controlou-se para falar sem emoção. —De onde conhece Zac Callum?

—Ele  herdou  algumas  empresas  pequenas  do  pai.  Como  não  queria trabalhar no ramo, vendeu-as para mim.

—Gosto do trabalho dele. Eu era muito boa em desenho e posso apreciar o dom que ele tem.
—Também gostou do charme dele, não é? — Demi surpreendeu-se com o tom de ciúme na voz de Joe.

—Foi por isso que me beijou daquele modo? —Ele olhou para você com cobiça. Só quis deixar bem claro a quem você pertencia.

Ela  era  propriedade  de  Joe,  mas,  aparentemente,  ele  não  lhe pertencia.

—Neste seu  mundo social existe alguém que saiba sobre mim e as crianças?


—Minha vida particular não é da conta de ninguém. Meu envolvimento com estas pessoas é puramente profissional. Agora vamos mudar de assunto? A não ser que tenha achado o charmoso Zac Callum mais agradável que minha companhia. Neste caso, posso chamá-lo de volta e vocês dois vão se deliciar alimentando o ego um do outro! — Oh! Ele estava doente de ciúme! Demi sentiu-se mais confiante.

—Bem, pelo menos ele não criticou a companheira cada vez que ela abriu a boca — reprovou-o docemente, satisfeita ao ver que ele corava. A entrada foi servida, acalmando o impulso de discussão que os dominava. Joe pedira uma mousse de salmão que Demi comia deliciada, esquecida da falta de apetite. Quase no fim do prato, ele tocou gentilmente em sua mão.

—Demi, vamos tentar fazer com que esta seja uma noite agradável para nós dois? Não quero discutir mais. Eu só desejo...

—Joe, que prazer encontrá-lo aqui! A expressão dele ficou irritada, e ela sentiu-se desapontada com a interrupção, pois era com prazer que percebia urgência em seu olhar.
Desta vez, ele nem se levantou para falar com o casal de meia-idade que parou ao lado da mesa. Também não apresentou Demi. Apenas cumprimentou-os com fria educação e eles se afastarem depressa.

—Entende agora por que não gosto de trazer você a lugares como este? Ficamos sujeitos a interrupção a noite toda.

—E qual é o problema?

—Quando saio com você, quero tê-la só para mim. — No fundo, ele tinha razão. Foram interrompidos pelo menos mais três vezes durante a refeição. Depois do café, Joe levantou-se e estendeu a mão para ela. —Venha. Vamos até a boate do clube. Pelo menos enquanto dançamos ninguém vai interromper. Entraram em uma sala escura. Da entrada, Demi enxergou apenas o outro lado, o bar e um pequeno palco onde um grupo de músicos tocava jazz. Joe conduziu-a até a pista e tomou-a nos braços. Na mesma hora foi assaltada pelo sentimento de estar nos braços de um estranho. Não evitou um suspiro. Eh; percebeu a tristeza e fez mais pressão na mão que segurava. A outra mão dele subiu da cintura para as costas, por dentro do bolero, para aproximá-la  mais e então parou. Ambos ficaram imóveis  quando os dedos entraram em contato com a pele nua e quente. Demi esquecera  o modelo  do vestido  até aquele  momento.  Tentou afastar-se, mas ele não permitiu e puxou-a ainda mais perto.

—Déjà vu — sussurrou em seu ouvido, e ela engasgou ao perceber o significado.
A primeira  vez que dançaram, usava uma mini blusa sob a qual ele
também enfiara os dedos, provocando o mesmo frêmito de desejo.
Dançaram  colados,  a  mão  de  Joe acariciando  suas  costas  num movimento sensual.
Ela quase podia escutar-lhe as batidas do coração enquanto uma onda de calor e desejo inundava seu corpo. Percebeu o sexo de Joe contra o ventre e suspirou. A cabeça morena inclinou-se e ele roçou os lábios em seu pescoço. —Nada  mudou entre  nós.  Depois  de tantos  anos,  ainda  temos  este incrível efeito um sobre o outro. — Ele tinha razão. Com um suspiro, Demi permitiu-se fazer o que mais ansiava e ergueu os lábios para beijá-lo. Pela  primeira  vez,  depois  de  várias  semanas,  fazia  um  movimento voluntário na direção dele. Joe tremia. —Vamos para casa — ele disse com a voz rouca de desejo. —Quero muito mais que dançar com você. — Então uma voz familiar e cruel se intrometeu, e Demi sentiu o coração fraquejar.

—Ora, ora, se não é o dom-juan em pessoa, com uma nova conquista... — Demi fechou os olhos ao reconhecer a voz e baixou a cabeça no ombro de um Joe, estático.

—Ei, querida, não sabe que ele é casado? — provocou a voz cruel. Sem dúvida, Mandy não a reconhecera. —Há sete longos anos — ela continuou, sem piedade. —Com uma mocinha bonita, mas sem graça, que está em casa cuidando dos três filhos, enquanto o marido faz charme para qualquer mulher que se ofereça.

—Ah, qualquer uma não, Amanda — Joe interrompeu cínico. — Afinal de contas, sempre desprezei você. — Então Mandy tentara seduzir Joe? Demi encarou o olhar sarcástico do marido e entendeu por que os dois se detestavam.

—Os homens devem tomar cuidado com mulheres repudiadas, Joe. Afinal, o desprezo transforma-se em nossa arma mais destrutiva.

—Que você usou com perícia, direto no alvo mais fraco!

—E, por falar nisso, como está a pobre Demi ? Ela sabe que você já arranjou uma substituta para Lydia?

Demi ouvira o suficiente. Livrando-se do abraço apertado de Joe, virou-se e encarou a ex-melhor amiga com frieza. O rosto de Mandy ficou pálido e, sem mais uma palavra, ela virou as costas e foi embora. O fim da noite revelou-se um desastre. Em silêncio, o casal deixou o clube e andou até o carro.

No caminho, Demi não se conteve. —Quanto tempo?

—Anos.

—Chegou a ter alguma coisa com ela? — perguntou, observando as mãos dele crispadas na direção, sentindo-se ofendido, mas aceitando o direito que ela tinha de saber.

—Não, nem em pensamento.

— Por quê?

—Ela me deixa gelado.

—Então, por que não me contou nada?

—Para arruinar a confiança que depositava na sua melhor amiga? Demi, sempre deixei bem claro que nunca suportei Mandy.

—Eu sei, mas também nunca desencorajou nossa amizade. Uma palavra que me dissesse a respeito de como ela estava me usando para te abordar, e esta cena ridícula teria sido evitada.

—Acha que eu teria coragem de contar, sabendo como você ficaria magoada? — A expressão dele era preocupada.

—Seria muita maldade da minha parte. — Sem ao menos falar com Jenny, Demi subiu para o quarto assim que chegou em casa.

—Estou com dor de cabeça, por favor, desculpe-se com sua mãe por mim. — Na verdade, não era só a cabeça que doía. Quando Joe entrou no quarto depois de ter levado a mãe para casa, ela ainda estava acordada, mas fingiu dormir e concentrou a atenção nos movimentos dele. Ele foi para a cama nu, como sempre dormia. Deitou de costas, com as mãos servindo de apoio para a cabeça, e ficou olhando o teto escuro, enquanto Demi ficava imóvel a seu lado. No fundo de seu coração ferido, ela desejava que o destino mudasse e desaparecesse com as últimas semanas. Ficaram muito tempo imóveis, em silêncio, até que a tensão tornou-se insuportável.  Joe deu  um  suspiro  e virou-se  para  alcançá-la.  Demi se entregou com avidez, e fizeram um amor desesperado e silencioso.
 Lydia  apareceu  como  um  fantasma,  esfriando  seu  corpo  quando acreditava estar chegando ao clímax. Joe percebeu  a mudança  e ficou imóvel, observando-a lutar com a assombração que a magoava. Demi  lutou com todas as suas forças, os olhos apertados contra as lágrimas, os lábios insaciáveis e as mãos travadas nos ombros de Joe. Sentiu o corpo pronto e percebeu que conseguira afastar Lydia. Com um tremor, puxou-o pelo quadril.

—Demi — ele sussurrou ao penetrá-la. Apenas Demi, inúmeras vezes, compreendendo que ela lutara e vencera a batalha por causa dele.

Quando acabou, ela sentiu-se solitária e vazia.
Joe ficou muito ocupado com outro caso e precisou passar algumas noite fora de casa. Estava negociando com uma pequena construtora perto de Huddersfield. Apesar de acreditar, Demi atormentou-se com ideias que sabia serem injustas. Ele não fez comentários, compreendendo o que se passava em sua mente. Queria a confiança que ela não conseguia mais ter, o que contribuiu para que o casamento continuasse em crise durante semanas. Uma tarde, leu uma notícia no jornal que deixou-a inquieta. Zac Callum faria uma palestra aquela noite sobre seu trabalho, na escola de Artes, e a entrada era aberta a todos os interessados. Como Joe estava fora, decidiu pedir para a mãe ficar com as crianças e participar. No fundo, compreendia que a necessidade de ferir o marido era maior que a vontade de assistir à palestra. Culpa dele, Demi  pensou ao estacionar o carro. O fato de saber que ele sentia ciúme de alguém como Zac Callum a incentivara a sair de casa. Sentou-se no fundo da sala, sem esperar que Zac a reconhecesse ou lembrasse dela. O encontro entre eles fora breve. Mas ele reconheceu-a e lembrou-se na hora. Caminhava para o palco, relanceando o olhar sorridente pela plateia, quando a viu. Parou, encarou-a, e Demi corou ao ser alvo do sorriso de reconhecimento na frente de todos. Sorriu de volta com timidez e afundou-se na poltrona.
A palestra começou, e logo se sentiu relaxada, a atenção fixa no modo inteligente e sutil como Zac conduzia o assunto. Várias vezes,  ele notou que ela acompanhava as risadas com a plateia e lançou lhe olhares de reconhecimento, que fizeram bem ao seu ego tão magoado nas últimas semanas.

A palestra terminou e, antes que tivesse tempo de se levantar, Zac aproximou-se.

—Demi, que gentileza ter vindo!

—Adorei a palestra — disse com um sorriso tímido. —Foi empolgante.

—Você estuda aqui?

—Não! — Ela  corou.  Não lhe  ocorrera  que ele  pudesse  supor que fosse  uma estudante. Lembrou-se então que vestia calça jeans desbotada e um suéter de linha, além de estar sem maquiagem. —Moramos aqui perto. Li sobre a palestra no jornal e decidi vir em cima da hora.

—Veio sozinha?

—Sim, Joe está viajando a negócios.

—Ah! Está interessada em política? — ele perguntou, com um sorriso estranho.

—Em arte, caricatura. Eu desenhava bem, acredite ou não, quando tinha tempo, antes de ser esposa e mãe.

Droga! Zac acreditava que era recém-casada. Agora olhava para ela com expressão confusa. Por sorte, foram interrompidos por um estudante que queria fazer algumas perguntas.
Demi decidiu aproveitar a oportunidade e ir embora. Virou-se, mas seu braço foi seguro por Zac.

—Não vá. Preciso me despedir dos organizadores e, se puder me esperar, gostaria de tomar um drinque com você, num pub que aqui perto.

Demi hesitou. Sair com um homem que não era seu marido para tomar um aperitivo? As pessoas achavam normal. Joe fazia isso o tempo todo! Queria saber mais sobre o trabalho que ele desenvolvia e resolveu aceitar o convite.

—Obrigada, vou esperar na porta. Para sua surpresa, foi Zac que hesitou, e o mesmo olhar especulativo da primeira vez que se encontraram passou pelos olhos dele. Logo concordou e soltou seu braço.

—Encontro você em cinco minutos.

Passaram uma hora agradável. O lugar estava lotado com os participantes da palestra, e sentaram-se nas banquetas do bar.
A conversa fluiu de modo agradável e interessante. Zac permitiu que Demi falasse sem interrompê-la, e ela, que estava tímida em princípio, colocou as ideias com facilidade.
O nome de Joe só foi mencionado na hora de partirem.

—Há quanto tempo está casada? — Zac perguntou.

—Sete anos. Temos três filhos, dois garotos e uma menina. E não pense que é só o que fazemos. Sammy e Kate são gêmeos.

Ele sorriu com o gracejo. —Quero me desculpar pela primeira vez que nos encontramos. — Zac falava de sua menção à outra mulher com Joe. Demi sentiu uma pontada no peito, e não aceitou as desculpas.

—Não é preciso. Você foi apenas franco. Eu e Joe é que agimos errado. Boa noite, Zac — ela acrescentou, antes que ele pudesse falar. Não queria conversar sobre aquela noite, nem saber a opinião dele. — Gostei muito da companhia, obrigada.

Caminharam até o estacionamento. —Escute, estou pensando em ministrar um curso de caricatura aqui na escola, durante doze semanas, uma noite por semana. Estaria interessada em participar? — ele perguntou. —Não sei. Acredita que haja interesse suficiente na escola, para valer a pena para você? — Ele riu da ingenuidade dela. Sendo uma celebridade, o interesse das pessoas em seu trabalho era o de menos. Fariam o curso porque Zac Callum seria o professor.  —Tenho certeza de que vai gostar, Demi — disse com suavidade. — Prometo para você. — Com uma sensação estranha no estômago, percebeu outra intenção nas palavras de Zac, que não escondeu a atração que sentia. Encorajaria o relacionamento mesmo sabendo do perigo potencial que havia? Não, sua vida já estava bem complicada. Era uma pena, pois, apesar de o professor não atraí-la, a ideia do curso de caricatura era tentadora.

—Pode me avisar quando decidir e pensarei a respeito.

(...)

—Zac Callum dando um curso na Escola de Artes? Por que ele haveria de se importar com os estudantes daqui? —Joe perguntou, com um sorriso de escárnio.

—Talvez porque ele se importe com as pessoas — Demi respondeu, ofendida com o tom de voz.

O fato de ter saído uma noite sem seu conhecimento, ainda mais para ver Zac Callum, irritou Joe.

—E como soube que ele faria a palestra?

—Li no jornal. Você já comeu? — ela perguntou, para mudar de assunto. — Quer que eu prepare um lanche?

—Não! Quero falar sobre sua saída com Zac Callum — ele rosnou.

—Eu não saí com ele! Apenas assisti a uma palestra! O que está tentando dizer, Joe? Que foi um meio que arrumamos para nos encontrar?

Era exatamente o que ele estava pensando.

—Ele é bem capaz disso! Não disfarçou o interesse desde o primeiro momento que a viu!
Meu Deus! O poderoso Joseph Jonas demonstrava receio que sua jovem esposa quisesse outro homem!

—Você é a pessoa não confiável neste casamento, Joe — ela lembrou-o com rispidez. — Não eu!

—Mas você pode querer se vingar.

—Eu acho que sua consciência culpada está te deixando paranoico. Não faça comparação entre nós.

Deliberadamente, ignorou a voz em sua mente, dizendo que não estava sendo sincera.

—Não estou comparando — ele disse, a caminho do bar para se servir de um uísque.

—Então o que estava fazendo?

—Na verdade... Na verdade eu não tenho a menor ideia. Está mesmo decidida a fazer o curso?

—Não vai querei bancar o marido dominador e me impedir se eu decidir fazer, não é?

—Se eu tentar convencê-la a  não fazer, vai me dar ouvidos?

—Não. — Ele baixou a cabeça

—Então não vale a pena tentar, não é mesmo? — Joe saiu  da  sala  deixando-a  num  turbilhão  de  emoções.  Mágoa. Qualquer que fosse o relacionamento com ele: brigando, fazendo amor ou até ignorando, cada vez que ele se afastava só conseguia sentir mágoa. Passara tantos anos vivendo para ele, que não sabia viver para si mesma. Por isso, decidiu fazer o curso quando Zac ligou, avisando que estava tudo resolvido.

(...)

Algumas semanas mais tarde, ela saiu de casa para a primeira aula. Joe não disse urna palavra, mas ela sabia sua opinião. Quando voltou, ele nem esperou pela escuridão do quarto para procurá-la. Tão logo entrou em casa, tomou-a nos braços e levou-a para cama e, apesar de estarem famintos de desejo, mais uma vez ela não chegou ao clímax.
O dom de Demi para a caricatura desabrochou com as aulas, e até Joe se divertia com os desenhos que ela fazia das crianças. Zac era sempre encorajador. Durante as aulas não fazia referências pessoais. Só quando iam até o pub para um aperitivo depois do curso é que dava um jeito de sentar ao seu lado e mostrar o interesse crescente. A maior parte do tempo, Demi tentava ignorar, queria apenas aprender tudo que ele tinha para ensinar sobre desenho. Seu medo era ter de desistir se ele se tornasse inconveniente. O Natal estava próximo e Demi ficou ocupada com os preparativos. Compras, decoração e a ceia que fez aos poucos e congelou, enchendo a casa com aromas tentadores a cada dia. Joe estava mais ocupado e preocupado. A única concessão que fazia era saírem algumas noites. Iam ao cinema, teatro, clube e restaurantes. Ela manteve o corte de cabelo, mas usava as roupas sofisticadas só para algum programa especial. A  vida  corria  normal,  mas  a  tensão  no  casamento  afetou  o comportamento de Demi. Cansava-se facilmente, irritava-se com pequenas bobagens e chorava sem motivo aparente. A família se preocupava e ansiava pela antiga e calorosa pessoa que conheciam. Uma noite, quando ia sair para o curso, o carro não quis pegar. Joe trabalhava em Huddersfield e só voltaria tarde. Jenny ficara com as crianças. Uma chuva de granizo caía, e Demi olhou relutante para a casa, O certo seria entrar e chamar um táxi, mas estranhamente não queria voltar agora que tinha escapado.  Percebeu  que  estava  vendo  seu  próprio  lar  como  uma  prisão emocional. Com um suspiro, colocou o capuz do pesado casaco e andou até a pista para  tomar  um  ônibus.  Chegou  no  curso  molhada  até  os  ossos,  o  cabelo encharcado e o rosto branco de frio. Os amigos de classe começaram a ajudá-la. Uma enxugou seu cabelo com uma toalha de papel enquanto outro tirou suas botas e as meias molhadas.

—Meias de homem! — alguém gritou, fingindo estar horrorizado. — A bela dama usa meias grossas de homem por dentro das botas femininas!

Todos riram e Demi também, sentindo-se solta e livre pela primeira vez em semanas. Sua blusa estava molhada e Zac tirou o próprio suéter de lã preta para ela vestir. As garotas da classe fizeram uma barreira protetora contra os olhares masculinos. Quando ficou pronta, as roupas molhadas foram colocadas na frente do aquecedor e Demi não vestia nada além da lingerie, sob o suéter que batia em seus joelhos. A aula acabou e as roupas continuavam úmidas. Zac ofereceu uma carona direto para sua casa em vez de irem ao pub, e Demi aceitou, apesar de ficar alerta com a expressão dele. Entraram no carro esportivo e ela relaxou, confortada pelo ar quente.

—Está melhor? — ele perguntou.

—Sim, desculpe fazê-lo perder o aperitivo.

—Não tem problema, prefiro ficar aqui com você — ele disse com a voz rouca. Um calafrio percorreu seu corpo.

—Na próxima pode virar à esquerda. — Ela mudou de assunto.

—O que Joe acha de você estar comigo toda quarta-feira à noite? — Demi engoliu em seco. Não queria falar sobre Joe, nem baixar sua guarda.

—Ele me dá o maior apoio — disse, rindo da mentira. Joe detestava que ela fizesse o curso e detestava vê-la sempre com o caderno de desenho na mão, lembrando-o quem era o responsável por sua volta às artes.

—Mas ainda não fez nenhuma caricatura dele. Já desenhou todos da família, menos Joe.


—Ele não é um bom modelo — ela disse. — Agora pode seguir reto até a próxima bifurcação.

—Joe? Pois acho que ele é o modelo ideal, um demônio nos negócios e um homem comum em casa. Um ótimo tema para uma caricatura misturando os dois. Não concordou. No momento, não via nada de engraçado em Joe. Há algum tempo teria se deliciado fazendo a caricatura dele, agora não mais.

—Um dia desses vou fazer. Chegamos. Minha casa é aquela branca com a BMW preta na frente. — Joe já estava em casa. Sentiu um arrepio que não era de frio. Zac parou e desligou o carro. Podiam escutar o barulho da chuva nos vidros. Ele virou-se no banco para olhar Demi e ela encarou-o. —Bem, obrigada pela carona — disse, sem fazer nenhum movimento para sair do carro. Sentia-se presa numa armadilha pela expressão de Zac, pelo calor do carro e pela própria sensação de desejo.

—Foi um prazer — ele disse, ausente. A  mente  dele  estava  longe,  procurando  no  rosto  de  Demi um sentimento que ela não sabia se aparentava ou não. Logo percebeu que sim, pois Zac inclinou-se e beijou seus lábios com suavidade. Não correspondeu nem se afastou. A mão dele acariciou seu rosto, o polegar tocando seus lábios para que abrissem. Subitamente, ela teve certeza que não era o que queria e afastou-se. Ele deixou-a  ir,  encostando-se  no  assento  e olhando-a  através  dos  olhos semicerrados.

—Desculpe — ela murmurou, confusa.

—Do quê? — Demi não conseguiu responder, só queria estar fora do carro e começou a abrir a porta.

—Você quis ser beijada, Demi — Zac disse com suavidade. —Não importa o que pense, lembre-se de que desejou o beijo tanto quanto eu.

Ele tinha razão, e ela corou de culpa. Quisera o beijo para sentir como seriam outros lábios que não os de Joe sobre os seus.
Agora sentia-se infantil e irritada por ter deixado acontecer. Não queria que Zac pensasse que haveria lugar para ele em sua vida. Joe era o único homem que amava. Que droga! Amava-o com mais paixão a cada dia! Correu para a casa debaixo da chuva e só então pensou se Joe vira sua chegada. Olhou para as janelas e não viu movimento atrás das cortinas. Com certeza, ele esperava que ela viesse de ônibus e não deu atenção ao barulho do carro de Zac. Joe não estava na sala. A porta de escritório permanecia aberta e nem sinal dele. Demi encontrou-o na cozinha.

—Chegou mais cedo do que eu esperava — ela disse casualmente ao entrar. Charmoso, vestindo jeans e uma camiseta preta, ele ignorou o comentário dela e suas mãos tremeram um pouco ao colocar água na chaleira.

—Chamei um táxi para levar minha mãe. Ela ficou preocupada ao ver seu carro na porta e você desaparecida. Poderia ter avisado que mudou de ideia.

—O carro não pegava, então decidi ir de ônibus. Não imaginei que Jenny fosse ficar preocupada. Amanhã ligo para me desculpar.

Silêncio.
Joe parecia concentrado na preparação do chá e nem lhe dirigiu o olhar. Demi percebeu que ele estava bravo por algum motivo. Teria visto algo?

—Estou ensopada — disse num esforço para parecer normal e corando de culpa. —Vou subir e tomar um banho quente. Você já comeu? Posso fazer seu jantar...


—Não! — falou com tanta violência que ela afastou-se. Observou-o recuperar o controle e respirar fundo. —Não. — repetiu devagar. —Eu já jantei, obrigado. — Ela sentiu um frio na espinha, sem saber se era medo ou culpa. Subiu e deitou-se, preparada para enfrentar Joe quando subisse para o quarto. Ele não subiu. Joe não entrou no quarto aquela noite.

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Heeeeeey! Estou muuuuuuito feliz! 10 comentários, nem to acreditando <3 Vejo q estão gostando msm, hein! Essa história n tem hot, desculpem meninas! Mas vale a pena ler até o fim! Esse capítulo é enorme perto dos outros, tinha até pensado em dividir ao meio :$ Bom, gostaram do capítulo? Comentem! Estou ficando mimada com os tantos comentários <3 Amo ler cada um! Respostas aqui' Bjs, amo vcsss ♥

20.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 5


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A mãe de Joe começou a passar mais tempo companhia de Demi. Ela nunca mencionou o domingo fatídico, mas mudou seu modo de agir e falar.
Jenny Jonas orgulhava-se do filho. Apesar de ainda ser jovem, era um homem de sucesso, e ela sabia que tentações não faltavam para uma pessoa do calibre de Joe. As mulheres se interessavam tanto pelos olhos escuros e porte atlético, como por sua habilidade de transformar em dinheiro tudo que tocava. Jenny não era tola, e, mesmo sem saber o que pusera em perigo o casamento do filho, podia imaginar muito bem. Decidiu então passar mais tempo com a nora, oferecendo apoio morai, e Demi agradeceu, pois sabia que ela era sua única amiga no novo tipo de vida que levava. Alias, sentia-se fraca  e insatisfeita  com a pessoa  vazia na qual se transformara.  A  casa,  que  já  havia  sido  motivo  de  orgulho  e  prazer, transformou-se num  lugar passível  de criticas  em  cada  canto.  Era  boa  o suficiente  para  ela,  mas  não  para  Joe.  A  ascensão  social  trazia  como consequência uma demanda por coisas que refletissem o homem poderoso no qual se transformara. Demi lembrou-se da insistência dele em mudar para um lugar maior e melhor e entendeu o motivo. Nunca trazia seus amigos de negócios porque, provavelmente, tinha vergonha da própria casa. Irritou-se por ele não ter permitido que o acompanhasse no novo tipo de vida. Admitia o próprio erro. Fora infantil e não amadurecera em sete anos, mas Joe também tinha sua parcela de culpa ao mantê-la afastada, como se fosse um pecado secreto que não combinava com sua imagem de sucesso! A raiva transformou-se em ressentimento, tornando Demi irritada e imprevisível a ponto de preocupar a família, e não havia nada que ela pudesse fazer. Uma noite, depois de manter por muito tempo a regularidade de horário, chegando sempre às seis e meia, Joe ficou trabalhando até tarde, e ela sentiu-se mais impotente, porque a presença dele por perto lhe dava um pouco de paz. Foi dormir angustiada e triste.
No  dia  seguinte,  não  conseguia  concentrar-se.  Resolveu  não  culpar apenas Joe. Passara muito tempo dentro do seu pequeno mundo sem se importar com o que ele fazia fora de casa. Sabia que jantares de negócios eram importantes e que o marido precisava frequentar a sociedade, mas nunca se preocupara em acompanhá-lo, em lhe dar apoio! Nem sabia que o caso Harvey havia terminado, até Mandy lhe contar. Aliás, só soube da existência porque um dia reclamou da ausência do marido e a sogra defendeu-o, dizendo: “Ele está muito ocupado com o caso Harvey. Não percebe como é importante que Joe vença esta disputa?” Não  sabia  e  continuava  sem  saber,  porque  nunca  se  preocupara  a respeito. Em seu casamento, ela e Joe partilhavam apenas a casa, sexo e três crianças. Olhou-se no espelho e se deu conta de que, apesar de ter um corpo bonito,  o  rosto  infantil  não  combinava  com  a  mulher  que  deveria  ser companheira de Joe. Usava o mesmo cabelo comprido desde que tinha a idade de Kate, e suas roupas eram sempre juvenis! A solução era mudar tudo.

 —Sabe o que vou fazer, Mike? — disse ao bebê, que brincava no chão. — Vou pedir para vovó ficar com você e vou sair e renovar meu guarda-roupa! E, se ela não puder, levo você até o escritório de Joe e ele que se vire. — Mas Jenny podia ficar com Michael e, assim que ela chegou, Demi pegou um táxi para o centro de Londres. Vibrara com a ideia de entrar no moderno escritório de Joe e deixar a criança nos braços dele, mesmo sabendo que jamais teria coragem. A suave Demi era feliz sendo boa esposa e mãe. Não tinha ambição pessoal. Sua realização era na casa, com as crianças e o marido. A tensão desaparecia do rosto de Joe quando chegava sobrecarregado e encontrava um lar confortável e a família toda à sua espera. Adorava brincar com os gêmeos e o pequeno Michael, e Demi sabia que a casa era o refúgio para as tensões do dia-a-dia. Será que o inverso era verdadeiro? Ou seria um alívio deixar de lado o papei de pai e marido, para assumir o papel do empresário poderoso, cercado de pessoas sofisticadas e de alto nível intelectual? Mais uma vez lamentou ter ficado estagnada enquanto Joe crescia.
Ao chegar depois das seis horas, Demi ficou feliz, pois não viu o carro dele em casa. Carregada de pacotes, tocou a campainha.

—Meu Deus do Céu! — a mãe de Joe exclamou, ao abrir a porta. Olhou todos os pacotes e principalmente o rosto da nora.

—O que achou? — Demi perguntou.

A mulher que saíra de casa cedo era completamente diferente da que esperava ansiosa pela opinião da sogra.
O cabelo fora cortado na altura do queixo e repicado nas laterais. O rosto recebera uma maquiagem tão natural que era quase impossível saber o que havia de diferente, mas Jenny percebeu que a mudança era perturbadora. Não era tudo. Demi saíra vestida com calça jeans e moletom. Voltara com um conjunto de minissaia e blazer cinturado, de lã risca-de-giz cinza e preto, meia-calça preta e sapatos de salto alto.

—Eu acho — Jenny finalmente murmurou — que é melhor termos um uísque duplo pronto para quando meu filho chegar. —Era a melhor resposta que Demi poderia desejar. Sentia-se preparada para um desafio.

Sam entrou correndo na sala e gritou ao ver a mãe. —Uau! — E continuou como se a nova Demi não fosse diferente da que ele estava acostumado a ver. — Ei, o que é que tem nestes pacotes?

Em menos de dez minutos, o chão da sala encheu-se com a metade dos pacotes  abertos.  Sam correu  para  seu  quarto  com  um  novo jogo  para  o computador e Kate ficou entretida com os presentes que Demi comprara por impulso quando Joe entrou. Ele ficou imóvel, assim como todos na sala. Kate parou de lidar com o brinquedo, Jenny parou de tentar arrumar a bagunça e Demi levantou-se com as pernas tremendo e encarou Joe com uma mistura de desafio e desamparo. Foi à mãe dele quem quebrou o encanto, carregando Michael e chamando Kate para fora da sala. Jenny dissera a Demi que as crianças ouvem e sentem mais do  que  percebemos  e  ela  recebera  a  mensagem.  Provavelmente  andaram dizendo coisas à avó que não poderiam dizer aos pais. No momento, sua atenção não estava nos filhos, mas em Joe, que a encarava sem demonstrar emoção. Começou a ficar nervosa ao perceber o sorriso que se desenhava nos lábios dele, o mesmo sorriso de anos atrás, quando ele a vira na discoteca.

—Bem, bem. Posso ver que o segundo estágio começou. Vai a algum lugar especial? Desculpe-me Demi, mas se me avisou de planos para esta noite, creio que esqueci completamente. — O modo como ele disse “especial”, irritou-a. Joe sabia muito bem que ela não ia a lugar algum, então o que queria dizer com “segundo estágio”? Também ficou óbvio que ele não diria nada a respeito de sua nova aparência. Talvez não tivesse gostado, talvez preferisse a versão simples e sem graça que não lhe causaria problemas.

Ou talvez estivesse inseguro quanto a esta Demi! E se a pergunta fosse séria e ele pensasse mesmo que ela ia a algum lugar?

—Se eu estiver pensando em sair, o que vai dizer? — ela perguntou.

—Acho que perguntaria com quem pretende ir — ele respondeu, muito melhor que ela nesta espécie de jogo.

—Para julgar se ele ou ela é a companhia certa para sua jovem esposa?

—Ele?  E quem é ele?  — Joe perguntou,  com  uma  suavidade que escondia a apreensão.

—Eu  não  me  lembro  de  você  me  contar  com  quem  sai  para  seus programas — respondeu, seca. O rosto  dele  ficou  sério  e  os  olhos  cinzentos  lhe  enviaram  uma  breve advertência.

—Diga um nome, isto é tudo, apenas um nome! —Desde que não ia a lugar algum, a conversa esta sendo absurda.

—Não há um nome — ela disse triste, e toda a excitação do dia se fora. — Estou chegando em casa e não saindo. Joe andou pela sala até uma caixa ainda intocada pelas mãos curiosas das crianças.

—O que tem aqui?

—Um conjunto.

—E ali? — ele apontou outra caixa fechada.

—Lingerie. — Corou porque a caixa estava lotada de caros conjuntos de seda e renda.

—E esta?

—Alguns vestidos novos! Por quê? Não vai me passar um sermão, não é? Você me deu todos aqueles cartões de crédito!

Ele ignorou o comentário e perguntou casualmente: —Tem algum vestido que possa usar num dos restaurantes mais finos de Londres e depois talvez dançar em algum lugar?

Demi já ia sair da sala, mas o convite pegou-a de surpresa. —Está me convidando para sair? — ela perguntou tão direta que o sorriso de Joe apagou.

—Sim — ele concordou sarcástico. Demi teve certeza de que ele se divertia com sua falta de charme. Corou e quis desaparecer. Nada que fizesse seria suficiente para mudar sua imagem de garota ingênua! —Sim, Demi — ele repetiu mais gentil, percebendo a apreensão dela e sentindo-se culpado. —Estou convidando você para sair e jantar comigo esta noite.

—Oh — ela disse, insegura do que responder, e ficou aliviada quando Sam entrou correndo na sala e atirou-se no colo do pai.

—Oi, sabe que a mamãe comprou um jogo novo para o computador? Posso trazer aqui para baixo e jogar na televisão grande? É um simulador de vôo!

—É claro que pode. — Joe sorriu para o filho, sem deixar de olhar para a esposa. — Se sua avó não se importar, porque vou pedir para ela ficar com vocês enquanto saio para jantar fora com sua mãe.

—Vai sair com a mamãe? — O garoto parecia tão surpreso quanto ela, e Joe sorriu. Sam gritou para a mãe. —Que legal! O papai vai sair com você, então não precisa mais sair sozinha como...

—Sam — O tom de voz de Joe calou o garoto.

—Talvez sua mãe não possa ficar — Demi disse, sem graça, achando que fora convidada por obrigação. — Ela já passou o dia todo aqui. Não é justo...

—Fico com prazer — disse Jenny, entrando na sala. —Joe, leve-a a um lugar agradável.

—Eu ainda não disse se quero sair — respondeu impaciente, sentindo-se manipulada.

—É lógico que quer, minha querida! — Jenny insistiu. —Agora suba se arrume e leve estes pacotes. Kate, Sam, venham ajudar sua mãe.

Os três subiram a escada carregados com as compras. Demi escutou a voz da sogra dizer baixinho: —Sabe, meu filho, esta noite fora vai fazer bem a vocês. E seria muito bom se Demi começasse a participar de sua vida social também!

Demi parou no alto da escada, curiosa de ouvir a resposta de Joe, mas ele falou muito baixo. Ao contrário, a voz de Jenny era bem audível.

—Bobagem. Como sabe que ela vai odiar se nunca lhe deu a oportunidade de  saber?  O  problema  com  você  Joe,  é  que  manteve  sua  mulher  tão protegida, que ela nunca pôde saber o que quer da vida! — Será que Jenny acreditava que ela quisesse ser algo mais, além de boa mãe e esposa?

—E tem mais uma coisa — Jenny continuou, com a voz ríspida, — não descobri o que aconteceu por aqui que entristeceu as crianças, só sei que elas perceberam alguma coisa desagradável, e sei muito bem de quem é a culpa! — Uma pontada atravessou o coração de Demi, a mesma sensação que tinha cada vez que se lembrava do telefonema de Mandy. —Aceite meu conselho, filho —Jenny acrescentou, — e aja com muito cuidado daqui em diante, porque se algum dia Demi... — Ela correu para o quarto. Não queria saber o futuro. O que estava acontecendo àquela noite já era o suficiente.

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Eu amo qd chega a mudança do visual jhfsasdh Td bem? Eu estou bem, obrigada! To tão feliz ao ver que vcs estão amando a história ♥ Gente, ela n é minha, é uma adaptação de um livro, ok? O nome da autora está lá na página "Fanfics" do blog, certo? Mesmo assim, fico mt feliz com o s elogios <3 Comentem mais para o próximo! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

19.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 4

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Joe estava sentado no sofá da sala quando Demi entrou. Segurava um livro na frente do rosto, dando a impressão de ter ficado na mesma posição durante horas. Como não deu o menor sinal de vida, ela ficou na defensiva, esperando por uma explosão que não aconteceu, então fechou a porta e foi para a cozinha. Rindo consigo mesma ao entrar, pela primeira vez em muito tempo sentiu preocupação  por  parte  dele.  Observara  o  movimento  na  cortina  da  sala enquanto pagava o motorista do táxi. Demi jogou o casaco em uma cadeira e começou a preparar um café. Joe entrou de mansinho, descalço, vestindo calça de abrigo e uma camiseta.

—É melhor telefonar para Mandy — disse, ao puxar uma cadeira e deixar-se cair sentado.
—Por quê?

—Porque eu a amolei o dia todo. Pensei que estivesse lá e ela não quisesse me contar.

—E como sabe que não foi exatamente isto que aconteceu? — Houve uma pausa antes que ele respondesse relutante.

—Porque pedi  para  minha  mãe  ficar  com  as  crianças  e  fui  até  o apartamento dela, para me certificar.

—E agora as duas sabem que passei o dia fora. — O café ficou pronto e Demi colocou-o na garrafa térmica.

—Não pode me culpar por ter ficado preocupado com esta sua saída maluca — ele disse, sem graça.

Bom! Isto o ensinaria a não tratá-la mais como criança. De qualquer modo, era interessante Joe ficar sabendo que a esposa previsível havia mudado.
Sentou-se na frente dele, aquecendo as mãos na fumaça que saía da xícara de café. Ele apoiou os braços na mesa e tamborilou os dedos como se quisesse dizer alguma coisa e não tivesse coragem. A expressão estava tensa, o cabelo despenteado. Nunca o vira naquela postura abatida antes.

—Seus pais também sabem — ele falou de repente. —Telefonei para eles quando não imaginei outro lugar onde você pudesse estar. Esperaram por você durante toda à tarde. E melhor ligar e dizer que chegou bem.

Então, depois de procurar em três lugares, ele esgotara a possibilidade de encontrá-la. O que tal atitude lhe dizia sobre si mesma? Decidiu deixar de lado, já fizera muita autoanálise para um dia. Em vez disso, sugeriu: —Vou lhe dizer uma coisa, Joe. Por que não liga para eles você mesmo, uma vez que foi você quem os deixou preocupados? Ligue para sua mãe e para Mandy também. Eu não estou com a menor vontade de falar com ela.

 —Com a minha mãe?

—Não, com Mandy. Você colocou-a no rolo depois de ter dito que ela não deveria ter se intrometido, então, se pensa que está preocupada, telefone!

—Todos nós ficamos preocupados! — ele respondeu, irritado.

—Eu não faço o gênero suicida, você sabe muito bem — ela disse, tomando um gole do café. Quanto mais tenso Joe ficava, mais à vontade Demi se sentia. — Tenho sido uma tola no que se refere a você, mas não pense que vou destruir minha vida.

—Jamais a considerei tola.

—É claro que sim. Quantas vezes pensou em desperdiçar seu precioso tempo comigo?

Joe inspirou profundamente para se acalmar. —Afinal, aonde você foi?

—Até o centro de Londres.

—O que foi fazer por lá? Está fora de casa desde as dez horas da manhã.  Que  diabos  achou  para  fazer  num  domingo,  com  todas  as  lojas fechadas, durante quase doze horas?

—Talvez eu tenha encontrado um homem! — ela provocou. —Afinal, não é difícil encontrar um. — O rosto de Joe ficou pálido. Era a primeira vez que ela o enfrentava. —Ou talvez eu tenha decidido procurar conforto fora, porque não estou encontrando muito aqui em casa.

Ele levantou-se com raiva e derrubou a cadeira. —Pare! Pare de tentar me agredir, Demi! Nem parece você, com esse prazer em magoar os outros!

Não parecia mesmo. Era engraçado como a natureza das pessoas podia mudar de um dia para o outro. Sempre fora gentil e agora sentia um impulso incontrolável de ferir! Nem mesmo se importava com a preocupação dos pais ou de sua sogra.

—Então vá fazer os telefonemas — ela falou, olhando para a xícara que tinha nas mãos. — Assim não precisa ouvir mais nada.

Joe encarou-a, pronto para reagir à provocação, mas sacudiu a cabeça e saiu da cozinha. Ao escutar a porta do escritório ser fechada com violência, ela deu um sorriso. Subiu para o quarto e tomou um banho. Vestiu o roupão para sair rápido do aposento antes que ele entrasse, quando lembrou que não havia feito à mala. Apressada, pegou a valise de couro preto e colocou aberta sobre a cama.

—Não se preocupe com a mala. Cancelei a viagem esta tarde — a voz dele informou-a da porta.
  
—Oh, querido — ela disse sarcástica. — Lydia vai ficar desapontada. — Bem feito! As palavras dela atingiram-no como um soco. Joe fechou a porta e em duas passadas alcançou-a, segurando-a com força pelo ombro.

—Não aguento mais — ele murmurou. — Nada que eu faça ou fale vai mudar a ideia que faz de mim?

—Mas eu mudei minha ideia sobre você! — ela disse, desafiante, com um leve medo ao ver o brilho que ardia nos olhos de Joe. — Sempre pensei que fosse um santo, agora sei que não presta!

—Eu vou mostrar como não presto! — ele disse, alterado, e beijou-a com violência. Demi gemeu em protesto, mas foi em vão. Joe apertou-a contra seu corpo, beijando-a com paixão enquanto ela lutava para se desvencilhar. Ele mergulhou a língua em sua boca e ela sentiu uma onda de desejo percorrendo seu corpo. Por mais que quisesse odiá-lo, era vulnerável ao seu magnetismo. Tentou chutá-lo, mas não adiantou. O corpo dela fervia de desejo, e não conteve um gemido quando sentiu o membro rígido dele através do roupão. “Não é justo! Ele não pode me usar assim!” Odiou-se e desprezou-o por torná-la consciente da própria fragilidade.

 —Eu te odeio! — ela gritou.

—É verdade. Mas você também me quer, Demi. Está tão desesperada de desejo que posso sentir sem tocá-la.

A amarga verdade despertou nela uma raiva descontrolada, e atacou-o com as unhas. Só o reflexo rápido salvou o rosto de Joe, que ficou com um vergão enorme no pescoço.

—Sua gata danada!

—Detesto você!

—Bom — ele rosnou e, segurando-a com força, colocou-a de costas para si. — O modo como vou fazer amor com você não vai mudar em nada seus sentimentos.

—Tudo bem, assim pode acrescentar violação ao adultério.

—Violação? E desde quando preciso violentar você? Em toda minha vida nunca conheci uma mulher tão ávida por sexo!

—Nem Lydia? — Joe virou-a de frente e ela percebeu seu olhar atormentado.

—Pare com isso, Demi! Não me provoque mais ou vou acabar agindo de um modo que nós dois vamos nos arrepender depois!

Era  o  que  estava  fazendo?  Estaria  sendo  demoníaca,  induzindo-o  a possuí-la com raiva, apenas para provar que Joe era tudo que pensava sobre ele? Sim, estava provocando-o quando o mais sensato seria sair rápido do quarto. Queria alimentar o ódio e a angústia que sentia desde que Mandy ligara. Demi ouviu a própria voz.

—Então dê o fora daqui! Por que não age com dignidade e vai embora? Ninguém o obriga a ficar! Nada aqui impede que vá para os braços de sua preciosa Lydia!

—Não pode parar de mencionar este nome?

—Lydia — ela provocou. — Lydia, Lydia, Lydia!

Um brilho de dor passou pelos olhos dele. Joe agarrou-a, trazendo-a bem perto de seu corpo e falou com a voz rouca:

—Não! Você, você, você! — Num movimento brusco, ele puxou-a e, juntos, caíram na cama. O que aconteceu a seguir foi menos amor e mais uma batalha. Uma guerra para ver quem excitava mais o outro, onde cada carícia era respondida por outra mais sedutora. Quanto mais excitado um deles ficava, mais o outro acariciava, afundando-os numa onda de emoções fragmentadas. Houve um momento em que Joe pareceu tomar consciência e ameaçou afastar-se, mas Demi percebeu e, em pânico, com medo de perdê-lo, beijou-o tão profundamente que ele gemeu seu nome com se fosse uma súplica. Era Demi a sedutora, que conduzia o ato desde um começo desesperado a um fim tumultuoso, onde o homem sob seu corpo tremia e ela frustrava-se pelo alívio que lhe fora negado. Concluiu que nenhum dos dois vencera a batalha. Sentia-se péssima com seu comportamento, consciente de ter agido por medo de perdê-lo, apesar do que ele havia feito, e por uma necessidade de tê-lo completamente para si. Ao enlouquecê-lo de desejo, sentia segurança e poder, não importava quantas Lydias houvessem.

Finalmente reconheceu que queria Joe acima de tudo, acima de seu orgulho e amor-próprio. Mas não fora o suficiente para aliviá-la do desejo reprimido na última semana. Era como se sua alma ferida se recusasse a permitir que o corpo desse a ele a conquista final. Não conteve as lágrimas. Vencera ao provar seu poder de sedução e perdera com o fracasso em corresponder. A confiança cega que nutria por ele se fora, levando junto o direito de amar e corresponder com liberdade. Se Joe simplesmente a tivesse abandonado, sairia menos ferida e magoada, porque sabia que nunca mais seria a mesma com ele.

—Demi? — Ela virou a cabeça no travesseiro e encontrou seu olhar sombrio. —Desculpe — ele  disse,  com  um  tom  de  voz  triste.  Estaria  se desculpando por não ter conseguido que ela chegasse ao clímax? Ou pela loucura  que  haviam  cometido?  Não  importava,  nada  parecia  importar.  A amargura inundou-a, e pedidos de desculpas não a fariam sentir-se melhor. Começou a chorar outra vez.

—Estou tão envergonhada.

Com o olhar marejado ele disse: —Venha cá — puxou-a para perto, encaixando o corpo no dela. —Este é o juramento de um homem que nunca se sentiu tão miserável na vida. Demi, juro para você que jamais farei qualquer coisa que possa te magoar outra vez. Seria fácil perdoar e tentar esquecer todo sofrimento? —Eu te amo Demi!

—Não! — Ela acreditara nele uma vez e não queria sofrer mais. — Não fale mais de amor. Amor não tem nada a ver com o que acabou de acontecer ou com a razão de você ter se casado comigo!

(...)

O café da manhã no dia seguinte foi horrível. Os gêmeos lançavam olhares curiosos, mas Joe devia tê-los instruído para não fazerem perguntas. Kate ameaçou falar, mas foi impedida pela expressão do pai. O olhar de Sam, tão parecido com o de Joe, fixou-se nela, e ele perguntou de chofre, ao mesmo tempo que olhava assustado para o pai.

—Aonde foi ontem? — Demi sorriu para ele.

—Resolvi tirar o dia só para mim. Você se importou? — Ela sentiu o coração apertado. Sam era de natureza quieta, e o fato de ter conseguido falar significava que sentira muito sua ausência.

—Mas aonde você foi? — ele insistiu.

—Eu estava cansada. Então resolvi passear um pouco sozinha, foi isso que aconteceu.

—Mas nunca saiu sem um de nós para cuidar de você!

—Quem disse? — ela brincou, chocada ao perceber que até seu filho de seis anos a considerava incapaz de se cuidar. —Já estou bem crescida e posso me virar sozinha!

—Mas o papai falou que não — Kate interrompeu. —Ele falou para a vovó. E fez uma tempestade pela casa. Subia e descia, saía e entrava. E também ficou gritando no telefone com a tia Mandy.

—Chega Kate — Joe disse, em voz baixa.

—Mas é verdade! Você estava agindo como um leão enjaulado!

—O quê?

—É como a professora fala quando a gente fica andando de um lado para o outro na classe. E você ficou assim ontem, não ficou? E veja: — Ela lançou seu sorriso devastador ao pai. — a mamãe voltou sã e salva como eu disse que voltaria! — Demi pensou que pelo menos alguém na casa a considerava capaz.

—Como viram, cheguei sã e salva, então vamos esquecer o dia de ontem e tomar o café. — Assim que as crianças saíram em busca do material escolar, ela disse para Joe: —Pode ir para Birmingham se quiser. — Ele parou de arrumar a pasta de couro e encarou-a. A aparência de executivo bem-sucedido destoava da família e da casa, e Demi percebeu que, enquanto estacionara durante os últimos sete anos, Joe se desenvolvera cada vez mais para longe.

—Não preciso ir. Jack Brice pode resolver tudo por mim. — “Então por que Jack não fora antes?” Quis perguntar, mas o assunto recairia em Lydia.

—Está achando que vou deixá-lo se viajar?

—Estou. — Pelo menos, ele admitia seu medo.

—Não tenho motivo para sair de casa, sabe muito bem que a prerrogativa é sua.

—Sei. E se eu tivesse um mínimo de amor-próprio já teria feito às malas e partido. Mas não quero sair. Não quero perder tudo que construímos. Quero a chance de provar meu amor para você. Sei que vai demorar, mas não vou deixá-la.

—Tenho como pedir a separação de corpos.

—O que é que você entende disso?

A incerteza dele alegrou-a. Talvez pensasse que ela consultara algum advogado. Respondeu com sarcasmo.

—Eu passo muito tempo vendo televisão.

—Está pensando em pedir a separação? — Ele era inteligente e colocou a responsabilidade nas mãos dela.

—Apesar de você ter estragado nosso casamento, ainda não pensei em separação.

—Posso saber por quê? — Joe pegou o paletó e vestiu, e ela observou a aliança na mão dele. Usavam uma aliança simples e barata que era a que puderam pagar na época do casamento. Anos mais tarde, ela ganhara um pequeno solitário de brilhante, com uma declaração de amor. Ele dissera que sem ela e os gêmeos todo o trabalho duro não teria sentido. Errado! Sem eles, Joe teria o dobro do sucesso.

—Não sei  com  certeza,  mas  acho  que  quero  te  ver  sangrar  —ela respondeu com honestidade.

Com um sorriso, ele levou a mão ao arranhão no pescoço. —Achei que já havia começado.

—Ainda não é o suficiente — ela disse, corando, sem se desculpar.

—Ah... Então creio que devo retribuir. — Ele sorriu e beijou a cabeça dourada de Michael.

— Que seja assim. —E saiu da sala de modo arrogante.


Nos dias que se seguiram, em vez de enfrentá-lo com palavras ácidas, Demi descobriu-se evitando ao máximo qualquer motivo para briga. Ao longo das  outras  semanas  o  relacionamento  pareceu  entrar  em  coma,  como  se necessitassem do tempo para se recompor e enfrentar o futuro. Demi voltou a dormir em seu quarto. Nas noites em que Joe a procurava, não recusava seu amor, mas ambos não encontravam satisfação plena. No auge das carícias, sempre colocava Lydia em seu lugar e esfriava. Ficavam então deitados em silêncio, com o fantasma dela entre os dois. Os dias passavam e a preocupação de Demi aumentava, sabia que, se não conseguisse mudar o comportamento, terminaria por mandar Joe direto para os braços da outra. Ficava mais tensa a cada dia, mais consciente de que seu amor-próprio sofria com as tentativas frustradas de se realizar no amor. Mesmo assim, o amor dele era vital e queria que Joe necessitasse dela com desespero.

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Oi gente! Tudo bom cm vcs? Eu estou ótima e super feliz! 7 comentários? Muito obrigada, vcs são uns amores ♥ Desculpem a demora, estava esperando comentários, hj qd acordei e vi 7 comentários (n eram sete ainda, masok) fiquei super feliz ♥ Obrigada, leitoras maravilhosas <3 Comentem bastante para o próximo <3 Respostas aqui! Bjs, Bruna.

17.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 3


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No domingo de manhã, estavam todos reunidos tomando o café da manhã quando Kate perguntou:

—Mamãe, por que está dormindo no quarto de Michael?

A pergunta se deu porque Michael dormira até mais tarde e Demi perdera a hora. Depois de várias noites insones na pequena cama, estava exausta. Na noite anterior,  aconchegara-se ao urso  de pelúcia  e dormira profundamente até ser acordada por Sam. Sentia-se cansada, pois as horas de sono aliviaram o corpo, mas não o espírito. Apesar de ter dormido sem pesadelos, acordara com a mesma angústia e depressão, incapaz de resolver a situação. O pedido de Joe para que não tomasse nenhuma decisão até estar mais estável emocionalmente servira como desculpa para sua falta de ação; a vida passava por ela como se fosse um filme fora de foco. Joe,  abatido,  não  parecia  muito  melhor.  Desde  o  telefonema  de Amanda, voltara a chegar em casa às seis e meia da tarde. Demi suspeitava que o motivo fosse sua crítica ao comportamento dele como pai, mais do que uma tentativa de provar que o caso havia terminado. Sempre estava presente para ajudar no banho das crianças, enquanto ela preparava o jantar. A vida da família parecia normal, devido ao esforço do casal em esconder das crianças seus enormes problemas. Jantavam em silêncio, e as poucas tentativas de Joe de manter algum tipo de conversa eram ignoradas por Demi. Logo ele desaparecia em seu escritório e ela lavava a louça e ia para o quarto de Michael, sentindo aumentar a solidão e a tristeza a cada dia. Surpreendida pela pergunta da filha, tentou encontrar uma resposta aceitável. —Os dentinhos de Michael estão nascendo — respondeu, consciente de que Joe a observava por trás do jornal dominical, mas não lhe dirigiu o olhar. No momento, não se importava com a reação dele. 

A pequena Kate, satisfeita com a resposta, voltou a atenção para seu adorado pai. Saindo da cadeira, aconchegou-se em seu colo.

—Papai, aposto que deve estar sentindo falta da mamãe na sua cama. Se tivesse me falado antes, eu teria ido fazer companhia para você. — A tensão estava no ar, apesar de não ser percebida pelas crianças.

Joe deixou o jornal de lado para dar total atenção à filha.

—Você é muito gentil, minha princesa. Acho que posso aguentar mais uns dias sem me sentir completamente rejeitado.

Se a resposta era uma indireta para Demi, ela ignorou e sentou-se para tomar o café, concentrando no ato toda sua atenção.
Joe estava sentado em frente, vestindo apenas o roupão de banho que cobria parcialmente seu peito forte. Abaixou-se para beijar a cabeça da filha e seu  sorriso  amoroso  provocou  um  ciúme  doentio  em  Demi.  Levantou-se, chocada por sentir inveja da própria filha. O desespero fez com que começasse a tirar a mesa. Joe ergueu o olhar para ela, que não conseguiu desviar o seu, mostrando uma expressão tão amarga, que o deixou intrigado. De propósito, ela acabou com a atmosfera calma que reinava, fazendo barulho ao começar a lavar a louça. A tentativa de fazê-los sair da cozinha foi ignorada. Sam conversava animado com Kate e Joe e até Michael, tirado de seu cadeirão para o outro joelho do pai, participava feliz da atividade dos irmãos.
Para Demi, a cena familiar era insuportável. Lydia aparecera em seu caminho,  separando-a  da  família  como  uma  parede  alta,  impedindo  que partilhasse o amor e afeição que sempre imaginara garantidos. Desistiu de terminar a limpeza, pois ainda poderia quebrar alguma coisa.

—Vou arrumar as camas — murmurou, sabendo que ninguém a ouvira e sentindo-se ainda mais rejeitada. 

Parou  no meio  do quarto,  com  o olhar  vazio,  e logo  Joe entrou. Apressada, entrou no banheiro da suíte, fingindo que era o que estava para fazer quando ele abriu a porta. Ao sair, viu Joe na frente da janela, com as mãos nos bolsos do roupão. Sua figura era tão atraente que sentiu vontade de jogar alguma coisa nele, qualquer coisa que ajudasse a aliviar seu sofrimento.
Forçou-se a ignorá-lo e começou a guardar as roupas. Queria arrumar a cama, mas não na presença dele. Desde o telefonema de Mandy era um sacrifício ter de afofar os travesseiros e alisar a colcha. O cheiro familiar de Joe despertava sensações que desejava adormecidas, principalmente  por  querer  acreditar  que  haviam  sido  destruídas  por  ele. Infelizmente, seu desejo só aumentava.
Virando-se, ele observou-a movimentar-se pelo quarto. Depois de um tempo, quando o silêncio dominava o ambiente, Joe aproximou-se e ficou na frente dela.

—Demi — disse gentil, querendo que ela o encarasse em vez de ficar olhando o chão. — Está lembrada que vou passar a semana  que vem em Birmingham? Não, ela não se lembrava. Irritada com a ousadia dele em colocar os negócios em primeiro plano quando a vida particular estava em crise, perguntou de modo gélido.

—Que roupas quer que eu coloque na mala? 

Será que Lydia iria junto? Será que passariam uma semana livres de qualquer amolação?
Com o coração descompassado, manteve-se firme no lugar. Desde a noite da revelação, era o mais próximo que estavam fisicamente, e a consciência da masculinidade do marido perturbou-a.

—O que quiser — ele disse, impaciente. Sempre que viajava, a mala dele era carinhosamente arrumada. Mesmo agora, esperando ansiosa que se afastasse para uma distância segura, e com vontade de mandar que ele mesmo arrumasse a mala, Demi fazia uma lista mental de tudo que deveria colocar na mala. Riu de si mesma. Você já está condicionada!

Joe não se moveu, e a tensão entre eles ficou insuportável.

—Será que você vai ficar bem? — perguntou, receoso que ela pudesse se irritar. Fora cuidadoso a semana inteira para não lhe dar oportunidade de desencadear um desentendimento. — Eu... eu posso chamar minha mãe para ficar, se sentir necessidade de companhia ou...

—E por que eu necessitaria de uma companhia? Sempre me virei bem na sua ausência e não falharei agora.

—Não estou questionando sua capacidade. Mas está cansada, e acho que com tudo o que aconteceu, seria melhor ter alguém para ajudar, é só isto.
Cansada? Não, estava exausta!

—Sua secretária vai junto? — Droga, não queria fazer a pergunta, mas não se conteve.

—Sim, mas...

—Então não preciso me preocupar com seu conforto, não é?
—Demi, Lydia não...

—Eu não quero saber. — Magoada, ela empurrou-o e afastou-se.

—Então, por que perguntou? — ele falou, com a voz alterada. Depois, fez um esforço para se controlar. — Demi, nós precisamos falar sobre este assunto!

Ela começou a arrumar a cama e tentava manter-se ocupada.

—Meu Deus, isto não pode continuar assim. Precisa entender. Kate já notou e em pouco tempo vai estar calculando há quanto tempo você está no quarto de Michael.

—E não podemos magoar nossa querida Kate, não é? —ela perguntou, deixando o ciúme transparecer.

A cama estava pronta, já podia sair do quarto...

—Deixe-me explicar sobre Lydia — Joe falou, cauteloso. — Ela não...

—Está planejando passar o resto do dia em casa?

—Sim, por quê?

—Porque quero sair e, se vai ficar aqui, me poupa o trabalho de pedir para minha mãe vir e tomar conta das crianças.

Não fora uma decisão consciente, nem sabia por que havia dito aquilo, mas a ideia de ter um tempo só para si era vital para sua sanidade.
Procurou no guarda-roupa sem saber o que vestir, até decidir-se por um conjunto confortável. Joe estava chocado e ficou imóvel até ela terminar de se arrumar. Só então pareceu acordar. 

—Se estava querendo ir a algum lugar, era só falar. Em dez minutos me visto e podemos sair todos juntos. — Apressada, ela calçou os tênis, deixando-o ainda mais confuso.

—Demi, não faça isto! —A voz dele estava embargada. Finalmente entendera que ela queria sair sozinha.

—Você nunca saiu sem a gente antes. Espere um pouco e todos nós... — Era verdade. Nunca havia saído sozinha antes. Ou estava com Joe ou com as crianças ou com a mãe dele. Pelo amor de Deus, logo faria vinte cinco anos e era uma dona de casa com três filhos e um marido que...

—Vou sair sozinha. Não vai morrer se ficar com as crianças pelo menos uma vez na vida!

—Sei disso, é que você nunca...

—Exatamente.  Enquanto  esteve  ocupado,  aumentando  sua  fortuna  e tendo seus casos, fiquei quieta, estagnada nesta droga de casa!

—Não seja tola — ele segurou-a pelo pulso. — Isto é ridículo, está agindo como criança!

—Mas é justamente isto Joe, será que não percebe? É exatamente o que eu sou. Uma criança super protegida. Não amadureci porque não tive chance. Lembre-se de que casamos quando eu tinha dezessete anos! Eu ainda estava no colégio! E, antes de você, meus país me mantiveram numa redoma! — Meu Deus, que choque deve ter sido para eles descobrir que sua pequena e inocente filha dormia com o grande lobo mau, sem que eles soubessem. A descrição era para rir ou chorar, e ele riu.—Então fiquei grávida e arranjei outros pais: você e sua mãe!

—Isto não é verdade, Demi! Nunca encarei você como uma criança. Eu...

—Mentira! E sabe por que é mentira, Joe? Porque já está começando a entrar em pânico só de me ouvir dizer que quero passar algum tempo sozinha! Pela sua reação, parece que é Kate quem quer sair.

—Isto é loucura!

— Loucura?  Como  pensa  que  me  sinto  por  ter  permitido  que  me magoasse? Na verdade, eu parei no tempo e permiti que me tratasse assim. Veja o que aconteceu, está cansado de mim! Por favor, deixe-me sair. — Com um soluço, livrou-se da mão que a segurava e saiu do quarto. Desceu a escada e lembrou-se de pegar a bolsa na mesa do hall antes de sair para a rua. Como o carro de Joe impedia a saída do seu, simplesmente saiu andando para longe da casa moderna que compraram havia cinco anos. A casa era nova e fora construída num bairro distante do centro. Assim que entrara no imóvel, apaixonara-se pelo tamanho e pelo espaço que oferecia, muito maior que o apartamento no centro de Londres, que alugavam desde o casamento. No momento, queria estar longe o mais rápido possível. Atravessou a rua arborizada na direção da avenida principal. Sumiria antes que Joe fosse procurá-la. Levaria  algum  tempo  até  que  ele  conseguisse  vestir  as  três crianças, se arrumar e sair de carro atrás dela. Demi entrou no primeiro ônibus que passou. A condução ia até o centro de Londres. Encostou-se na janela e olhou para fora com tristeza. Chegando ao centro, desceu e andou pelas ruas silenciosas no domingo, cortadas pelo ar frio de setembro. Gostaria de descobrir quem ela era de verdade. Jamais questionara o amor de Joe. Mas questionava agora e admirou o modo tranquilo com que ele aceitara a responsabilidade, quando ela engravidara. Joe pagou o preço por ter se envolvido com uma jovem inocente. E se tinha uma vida paralela à que levava com ela, era porque considerava um direito seu. Demi percebeu que ele nunca compartilhara a vida excitante que levava, além dos limites do casamento bem-comportado. Um casamento que ele criara para ela brincar de esposa e mãe, porque era exatamente o que desejava ser. Andou durante horas sem perceber. Só quando estava exausta decidiu voltar para casa. Tomou um táxi porque sentia frio, fome e porque, de repente, sua casa era o único lugar onde queria estar.

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Oi, meus amores! Tudo bom? Eu estou bem! Estou feliz, muito feliz msm q vcs estão gostando! Confesso q na primeira vez que li essa história eu chorei oceanos... Bem, como já disse (já disse, não?) ela é bem curtinha, tem apenas 11 capítulos, então já estou indo atrás da próxima! Comentem para o capítulo quatro, meus bbês ♥ Respostas aqui - Beijos, amo vcs <3

PS: Não se esqueçam de visitar meu outro blog e da Mari tb, Emoção, começamos uma nova história essa semana, vcs vão gostar <3

16.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 2


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Joseph preparou-se  para  enfrentar  a  esposa,  que  o  esperava  com paciência.
Demetria sentia-se estranhamente calma, o coração batia compassado e as mãos repousavam no colo.
Joseph entrou na sala. Estava sem o paletó e afrouxara a gravata. Sem olhar para ela, seguiu direto para o bar onde, entre várias bebidas, estava uma garrafa de seu uísque preferido.

—Quer uma dose? — ele perguntou. Demi negou com a cabeça. Joseph percebeu a negativa mesmo sem virar-se e não insistiu. Serviu-se de uma dose dupla e sentou-se numa cadeira na frente dela.

—Que amiga leal você tem — foi como começou o assunto. “Pena que não possa dizer o mesmo do meu marido”, ela pensou. Os olhos dele estavam fechados. Não conseguia encará-la. Estendeu as pernas fortes na frente do corpo e manteve o copo de bebida seguro no meio das duas mãos. Os dedos eram longos e fortes e as unhas absolutamente limpas. Aliás, tudo nele era limpo e elegante. Tanto o corpo como seus objetos pessoais.  Bons ternos, sapatos finos, camisas feitas sob medida e caras gravatas de seda. A palidez do rosto não diminuiu sua beleza e charme. Joseph ia fazer trinta e dois anos. O amadurecimento dera-lhe uma expressão de força e autossuficiência.  Era um homem bem-sucedido e controlado.  Sempre tivera autocontrole, raramente perdia a paciência ou se irritava quando as coisas não aconteciam a seu modo. Possuía a rara virtude de encarar um problema, colocar os pontos negativos de lado e lidar com os positivos. Provavelmente era o que fazia no momento, procurando descobrir os estragos que o telefonema poderia ter feito a seu casamento e tentando encontrar os aspectos positivos do acontecido. Esta habilidade fizera com que Joseph Jonas chegasse à presidência das Empresas Jonas, uma organização que ele criara e que se expandira nos últimos anos, englobando companhias menores, ajustando-as ao mercado para torná-las mais rentáveis e depois as vendendo com lucro. Construíra seu império, mantendo os negócios na linha divisória entre o sucesso e o prejuízo, sem, no entanto, colocar sua família e o que conseguira para eles sob qualquer risco. Cercara a família de luxo e mimo.

—E agora? — ele perguntou subitamente. —Você é quem deve falar. — Com certeza, Mandy ficara apavorada com a reação que a amiga pudesse ter.  Talvez imaginasse suicídio ou qualquer outra tragédia. Só o medo a forçaria a contar tudo a Joseph. —Aquela imbecil! Se não se intrometesse, você seria poupada disso. Já tinha acabado — disse Joseph, muito tenso, enquanto apertava o copo nas mãos. — Se ela ficasse quieta, logo saberia que estava tudo terminado! Mas não, ela sempre quis acabar comigo, só não imaginei que fosse jogar tão sujo e envolver você! Pelo amor de Deus, diga alguma coisa! — Demi assustou-se. Joseph  raramente erguia a voz com ela. Percebeu que estivera ali, sentada, como se estivesse em outro mundo.

—Quero o divórcio — disse e surpreendeu-se tanto quanto Joseph, porque tal ideia nunca lhe passara pela mente. —Pode sair da casa.  Fico aqui com as crianças.  Você está rico o suficiente para nos sustentar.

—Isto é tolice e não uma resposta! — ele gritou.

—Não grite! Vai acordar as crianças. — Joseph levantou-se e encarou Demetria, mas não conseguiu sustentar seu olhar.

—Escute... — ele disse um momento depois, tentando manter o controle — não aconteceu nada do que imagina ou do que sua “amiga” falou! Foi só uma escapada tola, que terminou antes mesmo de começar. Eu estava sob pressão no trabalho, o caso Harvey poderia pôr a perder tudo o que consegui. Precisava trabalhar dia e noite para ficar na frente dos concorrentes. Você estava se recuperando do parto e, de repente, eu estava passando mais tempo com ela do que em casa. Então os gêmeos tiveram sarampo e você não quis uma enfermeira para ajudar. Estávamos longe a maior parte do tempo. Fiquei preocupado com seu cansaço, com a doença dos gêmeos, com Michael que não dormia mais que meia hora seguida. Não quis sobrecarregá-la com problemas de trabalho... — Joseph falava de meses atrás, quando tudo que ela achou que poderia dar errado realmente deu. Jamais imaginou que um caso de seu marido com outra mulher também fosse fazer parte de sua lista de problemas! —Demi... — ele sussurrou — nunca pensei em trair você! Mas ela estava lá quando precisei de uma companhia e você não...

—Ah! Chega, pare de falar!

Joseph tentou aproximar-se e foi impedido. Apesar de não beber, Demi foi até o bar e, com as mãos trêmulas, preparou um uísque. Virou o copo e fechou os olhos, numa tentativa de não perder o controle. O coração disparou e não conseguiu respirar direito, o corpo ficou paralisado enquanto o cérebro absorvia a dor e a angústia, e devagar espalhava por todo seu ser, até que ela pensou que fosse morrer. 

—Terminou Demi! — ele repetiu angustiado. — Pelo amor de Deus, acabou!

—E quando foi que acabou? Depois daquela maravilhosa noite de amor? Pobre Lydia, não sei qual de nós duas foi mais idiota.

—Apenas aconteceu. Eu daria tudo para que não tivesse acontecido, mas não posso fazer o tempo voltar. Se ajudar, quero dizer que estou profundamente envergonhado. Juro por Deus que isto nunca mais vai acontecer.

—Até a próxima vez — ela murmurou e saiu da sala.

—Não! — Joseph puxou-a pelo braço e apertou-a contra o corpo enquanto Demi tentava escapar. —Vamos conversar até o fim. Sei que está muito magoada, mas temos de esclarecer tudo.

—Quantas vezes? — ela gritou descontrolada. — Quantas vezes você chegou em casa impregnado com o perfume dela? Quantas vezes sentiu-se obrigado a fazer amor comigo depois de ter se deitado com ela?

—Nunca! — ele foi veemente e apertou o abraço. —Não, Demi! Nunca! Jamais cheguei a esse ponto. — O sorriso sarcástico dela deixou-o lívido. — Eu te amo, Demi! Adoro você! — Por algum motivo a declaração de amor foi à gota d’água, e ela atingiu o rosto dele com uma bofetada. Surpreso, Joseph afrouxou o abraço e Demi escapou. O olhar que ela lançou foi tão cheio de rancor que transformou seu rosto em uma máscara de dor e ódio. Sem mais uma palavra, saiu da sala e subiu. Na porta do quarto hesitou um momento e foi na direção do quarto de Michael. Ficou imóvel, olhando a criança no berço, imaginando se a dor intolerável que sentia poderia adoecê-la fisicamente. Finalmente, atirou-se na cama ao lado, escondeu o rosto no urso de pelúcia e chorou até mergulhar num sono causado pela exaustão.
O dia raiou com os sons alegres de Michael brincando no berço. Demi demorou alguns minutos até se lembrar do motivo pelo qual estava ali. Sentia-se mais calma, como se o choro descontrolado da véspera tivesse lavado suas emoções. Levantou-se e notou que ainda estava com a mesma roupa da noite anterior. Levou a mão ao cabelo e tirou o elástico que teimava em segurar alguns fios, e o longo cabelo loiro caiu sobre suas costas. Sentia-se mal, dormira até de tênis. Sentou-se na beirada da cama e ficou descalça. Michael notou a presença da mãe e sorriu alegre. O sorriso foi como  um  bálsamo  para  seu  coração  ferido.  Por  alguns  instantes,  Demi esqueceu o mundo e deliciou-se brincando com a criança. Não importava o que mais a vida lhe tirasse. Sempre teria o amor de seus filhos. O pequeno Michael estava transpirando e com a fralda molhada. Ela levou-o para um banho. Enrolou-o em uma toalha e voltou ao quarto para vesti-lo. Normalmente descia para preparar o café da manhã da família e só subia para se vestir depois que saíssem para o colégio e o trabalho. Naquele dia seria impossível. Os gêmeos eram muito observadores e perguntariam por que estava descabelada e usando a mesma roupa da noite anterior. Precisou de muita coragem para entrar no quarto onde Joseph estaria quase acordando. Entrou devagar e olhou para a cama vazia. Escutou então sons vindos do banheiro. Ele apareceu logo e se olharam ao mesmo tempo. Em todos os anos de conhecimento nunca se sentira tão vulnerável na presença dele, e tão consciente da própria aparência: os olhos inchados de tanto chorar, o cabelo solto e despenteado. Também estava absolutamente consciente da aparência de Joseph: a altura, os músculos fortes no corpo atlético, o peito largo, as pernas longas e robustas...
Com a boca seca, desviou os olhos. Joseph parecia cansado, como se tivesse dormido pouco. Provavelmente passara a noite pensando, racionalizando, a fim de encontrar uma solução correta para uma situação impossível. Era sua especialidade: transformar um desastre em sucesso. Olhou-a de modo defensivo. Acabara de sair do banho e seu cheiro excitou-a. Magnetismo sexual não tem barreiras, pensou Demi. Mesmo sentindo raiva e desprezo, a paixão dominava seu ser.
Desviou a atenção e colocou Michael no meio da cama de casal, que não fora desfeita. Notava-se que fora usada apenas pela marca do corpo de Joseph sobre a colcha. Michael tentava de todas as maneiras chamar a atenção do pai, que só tinha olhos para Demi. O bebê ficou vermelho e gritou querendo sentar-se. Ela sorriu e estendeu a mão, Joseph reclinou-se do outro lado da cama e pegou na outra mãozinha: era tudo que Michael precisava para conseguir sentar.

— Da! — ele disse em triunfo. Demi não desviou os olhos do filho ao perceber que o olhar de Joseph procurava o seu.

—Por favor, Demi, olhe para mim.

—Não! — Joseph ergueu Michael para beijar a bochecha gorducha e colocou-o de volta na cama.

Alerta, Demi quis levantar-se, mas ele agiu mais rápido, segurou seu pulso e puxou-a gentilmente para si, trazendo-a para o calor de seus braços. O conforto que ofereceu emocionou-a, e ela não conseguiu segurar o choro. Apertando o abraço, Joseph abaixou a cabeça e só conseguia dizer:

—Desculpe, desculpe. — Mas não era o suficiente, nunca seria. Amor, confiança, respeito não existiam mais e desculpas não trariam de volta.

—Eu estou bem — ela disse.

—Querida, sei que te magoei muito, mas não tome nenhuma decisão ainda. Temos tudo a nosso favor se você der outra chance. Não jogue nossa vida fora por causa de um erro idiota que cometi.

—Quem jogou nossa vida fora foi você! — Afastou-se e não foi impedida. Joseph ficou olhando da cama, enquanto ela andava do guarda-roupa para as gavetas, sem saber que roupa vestir.

Durante  anos  ela  tivera  confiança  cega  nele,  enquanto  o  marido caminhava rumo ao sucesso. Ficara em casa como um animal de estimação, e ele alimentara-a e preenchera suas necessidades. Que situação patética!
Michael começou a chorar de fome e Demi ficou parada no meio do quarto, as roupas nas mãos sem saber o que fazer. Por fim, Joseph pegou o bebê no colo e saiu do quarto dizendo:

—Pode deixar que dou comida para ele. Arrume-se com calma, ainda é cedo.

O  café  da  manhã  foi  terrível.  Impaciente  com  os  gêmeos,  Demi reclamou de tudo que fizeram, colocou pó em excesso na cafeteira e o café ficou forte demais. Sam e Kate estavam assustados com seu comportamento e, aliviados, deixaram a copa em busca do material escolar.

—Não havia o menor motivo para você repreender Sam daquele modo — disse Joseph, assim que os gêmeos saíram.

 —Ele é ordeiro a maior parte do tempo.

—Só porque esqueceu os jogos espalhados não merecia um sermão. As crianças são sempre comportadas, não permitirei que desconte nelas a raiva que sente por mim!

—E desde quando está em casa tempo suficiente para saber como as crianças se comportam? Você as vê no café da manhã por trás do seu precioso jornal! A maior parte do tempo nem lembra que tem três filhos. Você os ama como eu amo... Aquele quadro moderno que você comprou: quando lembra que eles são seus, é isso aí. Então, não ouse me dizer como tratar as minhas crianças, quando é um inútil como pai! — Meu Deus! O que estava acontecendo? A sensação de Demi é que ia se quebrar em mil pedaços sem ter como evitar. Joseph olhava horrorizado.

—Pode me acusar de muitas coisas que provavelmente mereço, mas não pode me acusar de não amar as nossas crianças!

—É mesmo? Então não casou comigo só porque eu estava grávida? — Joseph deu um soco na mesa e avançou na direção dela como se quisesse bater-lhe, só no último momento desistiu e afastou-se com esforço.

—Michael é muito pequeno para entender, mas se der aos gêmeos o menor motivo para pensarem que não os amo, vou... — Não terminou a frase, nem precisava. Demi entendeu a ameaça. Joseph olhou-a por um longo momento e saiu da cozinha. Ela ficou envergonhada e irritada. Dera a Joseph um motivo para atacá-la quando, até aquele momento, todos os trunfos eram a seu favor.

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Segundo capítulo postado! Fiquei feliz q minhas abiguinhas gostaram *o* Espero q todos gostem desse aqui e comentem tb sdasdsaasgf Respostas aqui!

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Beijos, amo vocês!