20.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 5


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A mãe de Joe começou a passar mais tempo companhia de Demi. Ela nunca mencionou o domingo fatídico, mas mudou seu modo de agir e falar.
Jenny Jonas orgulhava-se do filho. Apesar de ainda ser jovem, era um homem de sucesso, e ela sabia que tentações não faltavam para uma pessoa do calibre de Joe. As mulheres se interessavam tanto pelos olhos escuros e porte atlético, como por sua habilidade de transformar em dinheiro tudo que tocava. Jenny não era tola, e, mesmo sem saber o que pusera em perigo o casamento do filho, podia imaginar muito bem. Decidiu então passar mais tempo com a nora, oferecendo apoio morai, e Demi agradeceu, pois sabia que ela era sua única amiga no novo tipo de vida que levava. Alias, sentia-se fraca  e insatisfeita  com a pessoa  vazia na qual se transformara.  A  casa,  que  já  havia  sido  motivo  de  orgulho  e  prazer, transformou-se num  lugar passível  de criticas  em  cada  canto.  Era  boa  o suficiente  para  ela,  mas  não  para  Joe.  A  ascensão  social  trazia  como consequência uma demanda por coisas que refletissem o homem poderoso no qual se transformara. Demi lembrou-se da insistência dele em mudar para um lugar maior e melhor e entendeu o motivo. Nunca trazia seus amigos de negócios porque, provavelmente, tinha vergonha da própria casa. Irritou-se por ele não ter permitido que o acompanhasse no novo tipo de vida. Admitia o próprio erro. Fora infantil e não amadurecera em sete anos, mas Joe também tinha sua parcela de culpa ao mantê-la afastada, como se fosse um pecado secreto que não combinava com sua imagem de sucesso! A raiva transformou-se em ressentimento, tornando Demi irritada e imprevisível a ponto de preocupar a família, e não havia nada que ela pudesse fazer. Uma noite, depois de manter por muito tempo a regularidade de horário, chegando sempre às seis e meia, Joe ficou trabalhando até tarde, e ela sentiu-se mais impotente, porque a presença dele por perto lhe dava um pouco de paz. Foi dormir angustiada e triste.
No  dia  seguinte,  não  conseguia  concentrar-se.  Resolveu  não  culpar apenas Joe. Passara muito tempo dentro do seu pequeno mundo sem se importar com o que ele fazia fora de casa. Sabia que jantares de negócios eram importantes e que o marido precisava frequentar a sociedade, mas nunca se preocupara em acompanhá-lo, em lhe dar apoio! Nem sabia que o caso Harvey havia terminado, até Mandy lhe contar. Aliás, só soube da existência porque um dia reclamou da ausência do marido e a sogra defendeu-o, dizendo: “Ele está muito ocupado com o caso Harvey. Não percebe como é importante que Joe vença esta disputa?” Não  sabia  e  continuava  sem  saber,  porque  nunca  se  preocupara  a respeito. Em seu casamento, ela e Joe partilhavam apenas a casa, sexo e três crianças. Olhou-se no espelho e se deu conta de que, apesar de ter um corpo bonito,  o  rosto  infantil  não  combinava  com  a  mulher  que  deveria  ser companheira de Joe. Usava o mesmo cabelo comprido desde que tinha a idade de Kate, e suas roupas eram sempre juvenis! A solução era mudar tudo.

 —Sabe o que vou fazer, Mike? — disse ao bebê, que brincava no chão. — Vou pedir para vovó ficar com você e vou sair e renovar meu guarda-roupa! E, se ela não puder, levo você até o escritório de Joe e ele que se vire. — Mas Jenny podia ficar com Michael e, assim que ela chegou, Demi pegou um táxi para o centro de Londres. Vibrara com a ideia de entrar no moderno escritório de Joe e deixar a criança nos braços dele, mesmo sabendo que jamais teria coragem. A suave Demi era feliz sendo boa esposa e mãe. Não tinha ambição pessoal. Sua realização era na casa, com as crianças e o marido. A tensão desaparecia do rosto de Joe quando chegava sobrecarregado e encontrava um lar confortável e a família toda à sua espera. Adorava brincar com os gêmeos e o pequeno Michael, e Demi sabia que a casa era o refúgio para as tensões do dia-a-dia. Será que o inverso era verdadeiro? Ou seria um alívio deixar de lado o papei de pai e marido, para assumir o papel do empresário poderoso, cercado de pessoas sofisticadas e de alto nível intelectual? Mais uma vez lamentou ter ficado estagnada enquanto Joe crescia.
Ao chegar depois das seis horas, Demi ficou feliz, pois não viu o carro dele em casa. Carregada de pacotes, tocou a campainha.

—Meu Deus do Céu! — a mãe de Joe exclamou, ao abrir a porta. Olhou todos os pacotes e principalmente o rosto da nora.

—O que achou? — Demi perguntou.

A mulher que saíra de casa cedo era completamente diferente da que esperava ansiosa pela opinião da sogra.
O cabelo fora cortado na altura do queixo e repicado nas laterais. O rosto recebera uma maquiagem tão natural que era quase impossível saber o que havia de diferente, mas Jenny percebeu que a mudança era perturbadora. Não era tudo. Demi saíra vestida com calça jeans e moletom. Voltara com um conjunto de minissaia e blazer cinturado, de lã risca-de-giz cinza e preto, meia-calça preta e sapatos de salto alto.

—Eu acho — Jenny finalmente murmurou — que é melhor termos um uísque duplo pronto para quando meu filho chegar. —Era a melhor resposta que Demi poderia desejar. Sentia-se preparada para um desafio.

Sam entrou correndo na sala e gritou ao ver a mãe. —Uau! — E continuou como se a nova Demi não fosse diferente da que ele estava acostumado a ver. — Ei, o que é que tem nestes pacotes?

Em menos de dez minutos, o chão da sala encheu-se com a metade dos pacotes  abertos.  Sam correu  para  seu  quarto  com  um  novo jogo  para  o computador e Kate ficou entretida com os presentes que Demi comprara por impulso quando Joe entrou. Ele ficou imóvel, assim como todos na sala. Kate parou de lidar com o brinquedo, Jenny parou de tentar arrumar a bagunça e Demi levantou-se com as pernas tremendo e encarou Joe com uma mistura de desafio e desamparo. Foi à mãe dele quem quebrou o encanto, carregando Michael e chamando Kate para fora da sala. Jenny dissera a Demi que as crianças ouvem e sentem mais do  que  percebemos  e  ela  recebera  a  mensagem.  Provavelmente  andaram dizendo coisas à avó que não poderiam dizer aos pais. No momento, sua atenção não estava nos filhos, mas em Joe, que a encarava sem demonstrar emoção. Começou a ficar nervosa ao perceber o sorriso que se desenhava nos lábios dele, o mesmo sorriso de anos atrás, quando ele a vira na discoteca.

—Bem, bem. Posso ver que o segundo estágio começou. Vai a algum lugar especial? Desculpe-me Demi, mas se me avisou de planos para esta noite, creio que esqueci completamente. — O modo como ele disse “especial”, irritou-a. Joe sabia muito bem que ela não ia a lugar algum, então o que queria dizer com “segundo estágio”? Também ficou óbvio que ele não diria nada a respeito de sua nova aparência. Talvez não tivesse gostado, talvez preferisse a versão simples e sem graça que não lhe causaria problemas.

Ou talvez estivesse inseguro quanto a esta Demi! E se a pergunta fosse séria e ele pensasse mesmo que ela ia a algum lugar?

—Se eu estiver pensando em sair, o que vai dizer? — ela perguntou.

—Acho que perguntaria com quem pretende ir — ele respondeu, muito melhor que ela nesta espécie de jogo.

—Para julgar se ele ou ela é a companhia certa para sua jovem esposa?

—Ele?  E quem é ele?  — Joe perguntou,  com  uma  suavidade que escondia a apreensão.

—Eu  não  me  lembro  de  você  me  contar  com  quem  sai  para  seus programas — respondeu, seca. O rosto  dele  ficou  sério  e  os  olhos  cinzentos  lhe  enviaram  uma  breve advertência.

—Diga um nome, isto é tudo, apenas um nome! —Desde que não ia a lugar algum, a conversa esta sendo absurda.

—Não há um nome — ela disse triste, e toda a excitação do dia se fora. — Estou chegando em casa e não saindo. Joe andou pela sala até uma caixa ainda intocada pelas mãos curiosas das crianças.

—O que tem aqui?

—Um conjunto.

—E ali? — ele apontou outra caixa fechada.

—Lingerie. — Corou porque a caixa estava lotada de caros conjuntos de seda e renda.

—E esta?

—Alguns vestidos novos! Por quê? Não vai me passar um sermão, não é? Você me deu todos aqueles cartões de crédito!

Ele ignorou o comentário e perguntou casualmente: —Tem algum vestido que possa usar num dos restaurantes mais finos de Londres e depois talvez dançar em algum lugar?

Demi já ia sair da sala, mas o convite pegou-a de surpresa. —Está me convidando para sair? — ela perguntou tão direta que o sorriso de Joe apagou.

—Sim — ele concordou sarcástico. Demi teve certeza de que ele se divertia com sua falta de charme. Corou e quis desaparecer. Nada que fizesse seria suficiente para mudar sua imagem de garota ingênua! —Sim, Demi — ele repetiu mais gentil, percebendo a apreensão dela e sentindo-se culpado. —Estou convidando você para sair e jantar comigo esta noite.

—Oh — ela disse, insegura do que responder, e ficou aliviada quando Sam entrou correndo na sala e atirou-se no colo do pai.

—Oi, sabe que a mamãe comprou um jogo novo para o computador? Posso trazer aqui para baixo e jogar na televisão grande? É um simulador de vôo!

—É claro que pode. — Joe sorriu para o filho, sem deixar de olhar para a esposa. — Se sua avó não se importar, porque vou pedir para ela ficar com vocês enquanto saio para jantar fora com sua mãe.

—Vai sair com a mamãe? — O garoto parecia tão surpreso quanto ela, e Joe sorriu. Sam gritou para a mãe. —Que legal! O papai vai sair com você, então não precisa mais sair sozinha como...

—Sam — O tom de voz de Joe calou o garoto.

—Talvez sua mãe não possa ficar — Demi disse, sem graça, achando que fora convidada por obrigação. — Ela já passou o dia todo aqui. Não é justo...

—Fico com prazer — disse Jenny, entrando na sala. —Joe, leve-a a um lugar agradável.

—Eu ainda não disse se quero sair — respondeu impaciente, sentindo-se manipulada.

—É lógico que quer, minha querida! — Jenny insistiu. —Agora suba se arrume e leve estes pacotes. Kate, Sam, venham ajudar sua mãe.

Os três subiram a escada carregados com as compras. Demi escutou a voz da sogra dizer baixinho: —Sabe, meu filho, esta noite fora vai fazer bem a vocês. E seria muito bom se Demi começasse a participar de sua vida social também!

Demi parou no alto da escada, curiosa de ouvir a resposta de Joe, mas ele falou muito baixo. Ao contrário, a voz de Jenny era bem audível.

—Bobagem. Como sabe que ela vai odiar se nunca lhe deu a oportunidade de  saber?  O  problema  com  você  Joe,  é  que  manteve  sua  mulher  tão protegida, que ela nunca pôde saber o que quer da vida! — Será que Jenny acreditava que ela quisesse ser algo mais, além de boa mãe e esposa?

—E tem mais uma coisa — Jenny continuou, com a voz ríspida, — não descobri o que aconteceu por aqui que entristeceu as crianças, só sei que elas perceberam alguma coisa desagradável, e sei muito bem de quem é a culpa! — Uma pontada atravessou o coração de Demi, a mesma sensação que tinha cada vez que se lembrava do telefonema de Mandy. —Aceite meu conselho, filho —Jenny acrescentou, — e aja com muito cuidado daqui em diante, porque se algum dia Demi... — Ela correu para o quarto. Não queria saber o futuro. O que estava acontecendo àquela noite já era o suficiente.

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Eu amo qd chega a mudança do visual jhfsasdh Td bem? Eu estou bem, obrigada! To tão feliz ao ver que vcs estão amando a história ♥ Gente, ela n é minha, é uma adaptação de um livro, ok? O nome da autora está lá na página "Fanfics" do blog, certo? Mesmo assim, fico mt feliz com o s elogios <3 Comentem mais para o próximo! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

19.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 4

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Joe estava sentado no sofá da sala quando Demi entrou. Segurava um livro na frente do rosto, dando a impressão de ter ficado na mesma posição durante horas. Como não deu o menor sinal de vida, ela ficou na defensiva, esperando por uma explosão que não aconteceu, então fechou a porta e foi para a cozinha. Rindo consigo mesma ao entrar, pela primeira vez em muito tempo sentiu preocupação  por  parte  dele.  Observara  o  movimento  na  cortina  da  sala enquanto pagava o motorista do táxi. Demi jogou o casaco em uma cadeira e começou a preparar um café. Joe entrou de mansinho, descalço, vestindo calça de abrigo e uma camiseta.

—É melhor telefonar para Mandy — disse, ao puxar uma cadeira e deixar-se cair sentado.
—Por quê?

—Porque eu a amolei o dia todo. Pensei que estivesse lá e ela não quisesse me contar.

—E como sabe que não foi exatamente isto que aconteceu? — Houve uma pausa antes que ele respondesse relutante.

—Porque pedi  para  minha  mãe  ficar  com  as  crianças  e  fui  até  o apartamento dela, para me certificar.

—E agora as duas sabem que passei o dia fora. — O café ficou pronto e Demi colocou-o na garrafa térmica.

—Não pode me culpar por ter ficado preocupado com esta sua saída maluca — ele disse, sem graça.

Bom! Isto o ensinaria a não tratá-la mais como criança. De qualquer modo, era interessante Joe ficar sabendo que a esposa previsível havia mudado.
Sentou-se na frente dele, aquecendo as mãos na fumaça que saía da xícara de café. Ele apoiou os braços na mesa e tamborilou os dedos como se quisesse dizer alguma coisa e não tivesse coragem. A expressão estava tensa, o cabelo despenteado. Nunca o vira naquela postura abatida antes.

—Seus pais também sabem — ele falou de repente. —Telefonei para eles quando não imaginei outro lugar onde você pudesse estar. Esperaram por você durante toda à tarde. E melhor ligar e dizer que chegou bem.

Então, depois de procurar em três lugares, ele esgotara a possibilidade de encontrá-la. O que tal atitude lhe dizia sobre si mesma? Decidiu deixar de lado, já fizera muita autoanálise para um dia. Em vez disso, sugeriu: —Vou lhe dizer uma coisa, Joe. Por que não liga para eles você mesmo, uma vez que foi você quem os deixou preocupados? Ligue para sua mãe e para Mandy também. Eu não estou com a menor vontade de falar com ela.

 —Com a minha mãe?

—Não, com Mandy. Você colocou-a no rolo depois de ter dito que ela não deveria ter se intrometido, então, se pensa que está preocupada, telefone!

—Todos nós ficamos preocupados! — ele respondeu, irritado.

—Eu não faço o gênero suicida, você sabe muito bem — ela disse, tomando um gole do café. Quanto mais tenso Joe ficava, mais à vontade Demi se sentia. — Tenho sido uma tola no que se refere a você, mas não pense que vou destruir minha vida.

—Jamais a considerei tola.

—É claro que sim. Quantas vezes pensou em desperdiçar seu precioso tempo comigo?

Joe inspirou profundamente para se acalmar. —Afinal, aonde você foi?

—Até o centro de Londres.

—O que foi fazer por lá? Está fora de casa desde as dez horas da manhã.  Que  diabos  achou  para  fazer  num  domingo,  com  todas  as  lojas fechadas, durante quase doze horas?

—Talvez eu tenha encontrado um homem! — ela provocou. —Afinal, não é difícil encontrar um. — O rosto de Joe ficou pálido. Era a primeira vez que ela o enfrentava. —Ou talvez eu tenha decidido procurar conforto fora, porque não estou encontrando muito aqui em casa.

Ele levantou-se com raiva e derrubou a cadeira. —Pare! Pare de tentar me agredir, Demi! Nem parece você, com esse prazer em magoar os outros!

Não parecia mesmo. Era engraçado como a natureza das pessoas podia mudar de um dia para o outro. Sempre fora gentil e agora sentia um impulso incontrolável de ferir! Nem mesmo se importava com a preocupação dos pais ou de sua sogra.

—Então vá fazer os telefonemas — ela falou, olhando para a xícara que tinha nas mãos. — Assim não precisa ouvir mais nada.

Joe encarou-a, pronto para reagir à provocação, mas sacudiu a cabeça e saiu da cozinha. Ao escutar a porta do escritório ser fechada com violência, ela deu um sorriso. Subiu para o quarto e tomou um banho. Vestiu o roupão para sair rápido do aposento antes que ele entrasse, quando lembrou que não havia feito à mala. Apressada, pegou a valise de couro preto e colocou aberta sobre a cama.

—Não se preocupe com a mala. Cancelei a viagem esta tarde — a voz dele informou-a da porta.
  
—Oh, querido — ela disse sarcástica. — Lydia vai ficar desapontada. — Bem feito! As palavras dela atingiram-no como um soco. Joe fechou a porta e em duas passadas alcançou-a, segurando-a com força pelo ombro.

—Não aguento mais — ele murmurou. — Nada que eu faça ou fale vai mudar a ideia que faz de mim?

—Mas eu mudei minha ideia sobre você! — ela disse, desafiante, com um leve medo ao ver o brilho que ardia nos olhos de Joe. — Sempre pensei que fosse um santo, agora sei que não presta!

—Eu vou mostrar como não presto! — ele disse, alterado, e beijou-a com violência. Demi gemeu em protesto, mas foi em vão. Joe apertou-a contra seu corpo, beijando-a com paixão enquanto ela lutava para se desvencilhar. Ele mergulhou a língua em sua boca e ela sentiu uma onda de desejo percorrendo seu corpo. Por mais que quisesse odiá-lo, era vulnerável ao seu magnetismo. Tentou chutá-lo, mas não adiantou. O corpo dela fervia de desejo, e não conteve um gemido quando sentiu o membro rígido dele através do roupão. “Não é justo! Ele não pode me usar assim!” Odiou-se e desprezou-o por torná-la consciente da própria fragilidade.

 —Eu te odeio! — ela gritou.

—É verdade. Mas você também me quer, Demi. Está tão desesperada de desejo que posso sentir sem tocá-la.

A amarga verdade despertou nela uma raiva descontrolada, e atacou-o com as unhas. Só o reflexo rápido salvou o rosto de Joe, que ficou com um vergão enorme no pescoço.

—Sua gata danada!

—Detesto você!

—Bom — ele rosnou e, segurando-a com força, colocou-a de costas para si. — O modo como vou fazer amor com você não vai mudar em nada seus sentimentos.

—Tudo bem, assim pode acrescentar violação ao adultério.

—Violação? E desde quando preciso violentar você? Em toda minha vida nunca conheci uma mulher tão ávida por sexo!

—Nem Lydia? — Joe virou-a de frente e ela percebeu seu olhar atormentado.

—Pare com isso, Demi! Não me provoque mais ou vou acabar agindo de um modo que nós dois vamos nos arrepender depois!

Era  o  que  estava  fazendo?  Estaria  sendo  demoníaca,  induzindo-o  a possuí-la com raiva, apenas para provar que Joe era tudo que pensava sobre ele? Sim, estava provocando-o quando o mais sensato seria sair rápido do quarto. Queria alimentar o ódio e a angústia que sentia desde que Mandy ligara. Demi ouviu a própria voz.

—Então dê o fora daqui! Por que não age com dignidade e vai embora? Ninguém o obriga a ficar! Nada aqui impede que vá para os braços de sua preciosa Lydia!

—Não pode parar de mencionar este nome?

—Lydia — ela provocou. — Lydia, Lydia, Lydia!

Um brilho de dor passou pelos olhos dele. Joe agarrou-a, trazendo-a bem perto de seu corpo e falou com a voz rouca:

—Não! Você, você, você! — Num movimento brusco, ele puxou-a e, juntos, caíram na cama. O que aconteceu a seguir foi menos amor e mais uma batalha. Uma guerra para ver quem excitava mais o outro, onde cada carícia era respondida por outra mais sedutora. Quanto mais excitado um deles ficava, mais o outro acariciava, afundando-os numa onda de emoções fragmentadas. Houve um momento em que Joe pareceu tomar consciência e ameaçou afastar-se, mas Demi percebeu e, em pânico, com medo de perdê-lo, beijou-o tão profundamente que ele gemeu seu nome com se fosse uma súplica. Era Demi a sedutora, que conduzia o ato desde um começo desesperado a um fim tumultuoso, onde o homem sob seu corpo tremia e ela frustrava-se pelo alívio que lhe fora negado. Concluiu que nenhum dos dois vencera a batalha. Sentia-se péssima com seu comportamento, consciente de ter agido por medo de perdê-lo, apesar do que ele havia feito, e por uma necessidade de tê-lo completamente para si. Ao enlouquecê-lo de desejo, sentia segurança e poder, não importava quantas Lydias houvessem.

Finalmente reconheceu que queria Joe acima de tudo, acima de seu orgulho e amor-próprio. Mas não fora o suficiente para aliviá-la do desejo reprimido na última semana. Era como se sua alma ferida se recusasse a permitir que o corpo desse a ele a conquista final. Não conteve as lágrimas. Vencera ao provar seu poder de sedução e perdera com o fracasso em corresponder. A confiança cega que nutria por ele se fora, levando junto o direito de amar e corresponder com liberdade. Se Joe simplesmente a tivesse abandonado, sairia menos ferida e magoada, porque sabia que nunca mais seria a mesma com ele.

—Demi? — Ela virou a cabeça no travesseiro e encontrou seu olhar sombrio. —Desculpe — ele  disse,  com  um  tom  de  voz  triste.  Estaria  se desculpando por não ter conseguido que ela chegasse ao clímax? Ou pela loucura  que  haviam  cometido?  Não  importava,  nada  parecia  importar.  A amargura inundou-a, e pedidos de desculpas não a fariam sentir-se melhor. Começou a chorar outra vez.

—Estou tão envergonhada.

Com o olhar marejado ele disse: —Venha cá — puxou-a para perto, encaixando o corpo no dela. —Este é o juramento de um homem que nunca se sentiu tão miserável na vida. Demi, juro para você que jamais farei qualquer coisa que possa te magoar outra vez. Seria fácil perdoar e tentar esquecer todo sofrimento? —Eu te amo Demi!

—Não! — Ela acreditara nele uma vez e não queria sofrer mais. — Não fale mais de amor. Amor não tem nada a ver com o que acabou de acontecer ou com a razão de você ter se casado comigo!

(...)

O café da manhã no dia seguinte foi horrível. Os gêmeos lançavam olhares curiosos, mas Joe devia tê-los instruído para não fazerem perguntas. Kate ameaçou falar, mas foi impedida pela expressão do pai. O olhar de Sam, tão parecido com o de Joe, fixou-se nela, e ele perguntou de chofre, ao mesmo tempo que olhava assustado para o pai.

—Aonde foi ontem? — Demi sorriu para ele.

—Resolvi tirar o dia só para mim. Você se importou? — Ela sentiu o coração apertado. Sam era de natureza quieta, e o fato de ter conseguido falar significava que sentira muito sua ausência.

—Mas aonde você foi? — ele insistiu.

—Eu estava cansada. Então resolvi passear um pouco sozinha, foi isso que aconteceu.

—Mas nunca saiu sem um de nós para cuidar de você!

—Quem disse? — ela brincou, chocada ao perceber que até seu filho de seis anos a considerava incapaz de se cuidar. —Já estou bem crescida e posso me virar sozinha!

—Mas o papai falou que não — Kate interrompeu. —Ele falou para a vovó. E fez uma tempestade pela casa. Subia e descia, saía e entrava. E também ficou gritando no telefone com a tia Mandy.

—Chega Kate — Joe disse, em voz baixa.

—Mas é verdade! Você estava agindo como um leão enjaulado!

—O quê?

—É como a professora fala quando a gente fica andando de um lado para o outro na classe. E você ficou assim ontem, não ficou? E veja: — Ela lançou seu sorriso devastador ao pai. — a mamãe voltou sã e salva como eu disse que voltaria! — Demi pensou que pelo menos alguém na casa a considerava capaz.

—Como viram, cheguei sã e salva, então vamos esquecer o dia de ontem e tomar o café. — Assim que as crianças saíram em busca do material escolar, ela disse para Joe: —Pode ir para Birmingham se quiser. — Ele parou de arrumar a pasta de couro e encarou-a. A aparência de executivo bem-sucedido destoava da família e da casa, e Demi percebeu que, enquanto estacionara durante os últimos sete anos, Joe se desenvolvera cada vez mais para longe.

—Não preciso ir. Jack Brice pode resolver tudo por mim. — “Então por que Jack não fora antes?” Quis perguntar, mas o assunto recairia em Lydia.

—Está achando que vou deixá-lo se viajar?

—Estou. — Pelo menos, ele admitia seu medo.

—Não tenho motivo para sair de casa, sabe muito bem que a prerrogativa é sua.

—Sei. E se eu tivesse um mínimo de amor-próprio já teria feito às malas e partido. Mas não quero sair. Não quero perder tudo que construímos. Quero a chance de provar meu amor para você. Sei que vai demorar, mas não vou deixá-la.

—Tenho como pedir a separação de corpos.

—O que é que você entende disso?

A incerteza dele alegrou-a. Talvez pensasse que ela consultara algum advogado. Respondeu com sarcasmo.

—Eu passo muito tempo vendo televisão.

—Está pensando em pedir a separação? — Ele era inteligente e colocou a responsabilidade nas mãos dela.

—Apesar de você ter estragado nosso casamento, ainda não pensei em separação.

—Posso saber por quê? — Joe pegou o paletó e vestiu, e ela observou a aliança na mão dele. Usavam uma aliança simples e barata que era a que puderam pagar na época do casamento. Anos mais tarde, ela ganhara um pequeno solitário de brilhante, com uma declaração de amor. Ele dissera que sem ela e os gêmeos todo o trabalho duro não teria sentido. Errado! Sem eles, Joe teria o dobro do sucesso.

—Não sei  com  certeza,  mas  acho  que  quero  te  ver  sangrar  —ela respondeu com honestidade.

Com um sorriso, ele levou a mão ao arranhão no pescoço. —Achei que já havia começado.

—Ainda não é o suficiente — ela disse, corando, sem se desculpar.

—Ah... Então creio que devo retribuir. — Ele sorriu e beijou a cabeça dourada de Michael.

— Que seja assim. —E saiu da sala de modo arrogante.


Nos dias que se seguiram, em vez de enfrentá-lo com palavras ácidas, Demi descobriu-se evitando ao máximo qualquer motivo para briga. Ao longo das  outras  semanas  o  relacionamento  pareceu  entrar  em  coma,  como  se necessitassem do tempo para se recompor e enfrentar o futuro. Demi voltou a dormir em seu quarto. Nas noites em que Joe a procurava, não recusava seu amor, mas ambos não encontravam satisfação plena. No auge das carícias, sempre colocava Lydia em seu lugar e esfriava. Ficavam então deitados em silêncio, com o fantasma dela entre os dois. Os dias passavam e a preocupação de Demi aumentava, sabia que, se não conseguisse mudar o comportamento, terminaria por mandar Joe direto para os braços da outra. Ficava mais tensa a cada dia, mais consciente de que seu amor-próprio sofria com as tentativas frustradas de se realizar no amor. Mesmo assim, o amor dele era vital e queria que Joe necessitasse dela com desespero.

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Oi gente! Tudo bom cm vcs? Eu estou ótima e super feliz! 7 comentários? Muito obrigada, vcs são uns amores ♥ Desculpem a demora, estava esperando comentários, hj qd acordei e vi 7 comentários (n eram sete ainda, masok) fiquei super feliz ♥ Obrigada, leitoras maravilhosas <3 Comentem bastante para o próximo <3 Respostas aqui! Bjs, Bruna.

17.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 3


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No domingo de manhã, estavam todos reunidos tomando o café da manhã quando Kate perguntou:

—Mamãe, por que está dormindo no quarto de Michael?

A pergunta se deu porque Michael dormira até mais tarde e Demi perdera a hora. Depois de várias noites insones na pequena cama, estava exausta. Na noite anterior,  aconchegara-se ao urso  de pelúcia  e dormira profundamente até ser acordada por Sam. Sentia-se cansada, pois as horas de sono aliviaram o corpo, mas não o espírito. Apesar de ter dormido sem pesadelos, acordara com a mesma angústia e depressão, incapaz de resolver a situação. O pedido de Joe para que não tomasse nenhuma decisão até estar mais estável emocionalmente servira como desculpa para sua falta de ação; a vida passava por ela como se fosse um filme fora de foco. Joe,  abatido,  não  parecia  muito  melhor.  Desde  o  telefonema  de Amanda, voltara a chegar em casa às seis e meia da tarde. Demi suspeitava que o motivo fosse sua crítica ao comportamento dele como pai, mais do que uma tentativa de provar que o caso havia terminado. Sempre estava presente para ajudar no banho das crianças, enquanto ela preparava o jantar. A vida da família parecia normal, devido ao esforço do casal em esconder das crianças seus enormes problemas. Jantavam em silêncio, e as poucas tentativas de Joe de manter algum tipo de conversa eram ignoradas por Demi. Logo ele desaparecia em seu escritório e ela lavava a louça e ia para o quarto de Michael, sentindo aumentar a solidão e a tristeza a cada dia. Surpreendida pela pergunta da filha, tentou encontrar uma resposta aceitável. —Os dentinhos de Michael estão nascendo — respondeu, consciente de que Joe a observava por trás do jornal dominical, mas não lhe dirigiu o olhar. No momento, não se importava com a reação dele. 

A pequena Kate, satisfeita com a resposta, voltou a atenção para seu adorado pai. Saindo da cadeira, aconchegou-se em seu colo.

—Papai, aposto que deve estar sentindo falta da mamãe na sua cama. Se tivesse me falado antes, eu teria ido fazer companhia para você. — A tensão estava no ar, apesar de não ser percebida pelas crianças.

Joe deixou o jornal de lado para dar total atenção à filha.

—Você é muito gentil, minha princesa. Acho que posso aguentar mais uns dias sem me sentir completamente rejeitado.

Se a resposta era uma indireta para Demi, ela ignorou e sentou-se para tomar o café, concentrando no ato toda sua atenção.
Joe estava sentado em frente, vestindo apenas o roupão de banho que cobria parcialmente seu peito forte. Abaixou-se para beijar a cabeça da filha e seu  sorriso  amoroso  provocou  um  ciúme  doentio  em  Demi.  Levantou-se, chocada por sentir inveja da própria filha. O desespero fez com que começasse a tirar a mesa. Joe ergueu o olhar para ela, que não conseguiu desviar o seu, mostrando uma expressão tão amarga, que o deixou intrigado. De propósito, ela acabou com a atmosfera calma que reinava, fazendo barulho ao começar a lavar a louça. A tentativa de fazê-los sair da cozinha foi ignorada. Sam conversava animado com Kate e Joe e até Michael, tirado de seu cadeirão para o outro joelho do pai, participava feliz da atividade dos irmãos.
Para Demi, a cena familiar era insuportável. Lydia aparecera em seu caminho,  separando-a  da  família  como  uma  parede  alta,  impedindo  que partilhasse o amor e afeição que sempre imaginara garantidos. Desistiu de terminar a limpeza, pois ainda poderia quebrar alguma coisa.

—Vou arrumar as camas — murmurou, sabendo que ninguém a ouvira e sentindo-se ainda mais rejeitada. 

Parou  no meio  do quarto,  com  o olhar  vazio,  e logo  Joe entrou. Apressada, entrou no banheiro da suíte, fingindo que era o que estava para fazer quando ele abriu a porta. Ao sair, viu Joe na frente da janela, com as mãos nos bolsos do roupão. Sua figura era tão atraente que sentiu vontade de jogar alguma coisa nele, qualquer coisa que ajudasse a aliviar seu sofrimento.
Forçou-se a ignorá-lo e começou a guardar as roupas. Queria arrumar a cama, mas não na presença dele. Desde o telefonema de Mandy era um sacrifício ter de afofar os travesseiros e alisar a colcha. O cheiro familiar de Joe despertava sensações que desejava adormecidas, principalmente  por  querer  acreditar  que  haviam  sido  destruídas  por  ele. Infelizmente, seu desejo só aumentava.
Virando-se, ele observou-a movimentar-se pelo quarto. Depois de um tempo, quando o silêncio dominava o ambiente, Joe aproximou-se e ficou na frente dela.

—Demi — disse gentil, querendo que ela o encarasse em vez de ficar olhando o chão. — Está lembrada que vou passar a semana  que vem em Birmingham? Não, ela não se lembrava. Irritada com a ousadia dele em colocar os negócios em primeiro plano quando a vida particular estava em crise, perguntou de modo gélido.

—Que roupas quer que eu coloque na mala? 

Será que Lydia iria junto? Será que passariam uma semana livres de qualquer amolação?
Com o coração descompassado, manteve-se firme no lugar. Desde a noite da revelação, era o mais próximo que estavam fisicamente, e a consciência da masculinidade do marido perturbou-a.

—O que quiser — ele disse, impaciente. Sempre que viajava, a mala dele era carinhosamente arrumada. Mesmo agora, esperando ansiosa que se afastasse para uma distância segura, e com vontade de mandar que ele mesmo arrumasse a mala, Demi fazia uma lista mental de tudo que deveria colocar na mala. Riu de si mesma. Você já está condicionada!

Joe não se moveu, e a tensão entre eles ficou insuportável.

—Será que você vai ficar bem? — perguntou, receoso que ela pudesse se irritar. Fora cuidadoso a semana inteira para não lhe dar oportunidade de desencadear um desentendimento. — Eu... eu posso chamar minha mãe para ficar, se sentir necessidade de companhia ou...

—E por que eu necessitaria de uma companhia? Sempre me virei bem na sua ausência e não falharei agora.

—Não estou questionando sua capacidade. Mas está cansada, e acho que com tudo o que aconteceu, seria melhor ter alguém para ajudar, é só isto.
Cansada? Não, estava exausta!

—Sua secretária vai junto? — Droga, não queria fazer a pergunta, mas não se conteve.

—Sim, mas...

—Então não preciso me preocupar com seu conforto, não é?
—Demi, Lydia não...

—Eu não quero saber. — Magoada, ela empurrou-o e afastou-se.

—Então, por que perguntou? — ele falou, com a voz alterada. Depois, fez um esforço para se controlar. — Demi, nós precisamos falar sobre este assunto!

Ela começou a arrumar a cama e tentava manter-se ocupada.

—Meu Deus, isto não pode continuar assim. Precisa entender. Kate já notou e em pouco tempo vai estar calculando há quanto tempo você está no quarto de Michael.

—E não podemos magoar nossa querida Kate, não é? —ela perguntou, deixando o ciúme transparecer.

A cama estava pronta, já podia sair do quarto...

—Deixe-me explicar sobre Lydia — Joe falou, cauteloso. — Ela não...

—Está planejando passar o resto do dia em casa?

—Sim, por quê?

—Porque quero sair e, se vai ficar aqui, me poupa o trabalho de pedir para minha mãe vir e tomar conta das crianças.

Não fora uma decisão consciente, nem sabia por que havia dito aquilo, mas a ideia de ter um tempo só para si era vital para sua sanidade.
Procurou no guarda-roupa sem saber o que vestir, até decidir-se por um conjunto confortável. Joe estava chocado e ficou imóvel até ela terminar de se arrumar. Só então pareceu acordar. 

—Se estava querendo ir a algum lugar, era só falar. Em dez minutos me visto e podemos sair todos juntos. — Apressada, ela calçou os tênis, deixando-o ainda mais confuso.

—Demi, não faça isto! —A voz dele estava embargada. Finalmente entendera que ela queria sair sozinha.

—Você nunca saiu sem a gente antes. Espere um pouco e todos nós... — Era verdade. Nunca havia saído sozinha antes. Ou estava com Joe ou com as crianças ou com a mãe dele. Pelo amor de Deus, logo faria vinte cinco anos e era uma dona de casa com três filhos e um marido que...

—Vou sair sozinha. Não vai morrer se ficar com as crianças pelo menos uma vez na vida!

—Sei disso, é que você nunca...

—Exatamente.  Enquanto  esteve  ocupado,  aumentando  sua  fortuna  e tendo seus casos, fiquei quieta, estagnada nesta droga de casa!

—Não seja tola — ele segurou-a pelo pulso. — Isto é ridículo, está agindo como criança!

—Mas é justamente isto Joe, será que não percebe? É exatamente o que eu sou. Uma criança super protegida. Não amadureci porque não tive chance. Lembre-se de que casamos quando eu tinha dezessete anos! Eu ainda estava no colégio! E, antes de você, meus país me mantiveram numa redoma! — Meu Deus, que choque deve ter sido para eles descobrir que sua pequena e inocente filha dormia com o grande lobo mau, sem que eles soubessem. A descrição era para rir ou chorar, e ele riu.—Então fiquei grávida e arranjei outros pais: você e sua mãe!

—Isto não é verdade, Demi! Nunca encarei você como uma criança. Eu...

—Mentira! E sabe por que é mentira, Joe? Porque já está começando a entrar em pânico só de me ouvir dizer que quero passar algum tempo sozinha! Pela sua reação, parece que é Kate quem quer sair.

—Isto é loucura!

— Loucura?  Como  pensa  que  me  sinto  por  ter  permitido  que  me magoasse? Na verdade, eu parei no tempo e permiti que me tratasse assim. Veja o que aconteceu, está cansado de mim! Por favor, deixe-me sair. — Com um soluço, livrou-se da mão que a segurava e saiu do quarto. Desceu a escada e lembrou-se de pegar a bolsa na mesa do hall antes de sair para a rua. Como o carro de Joe impedia a saída do seu, simplesmente saiu andando para longe da casa moderna que compraram havia cinco anos. A casa era nova e fora construída num bairro distante do centro. Assim que entrara no imóvel, apaixonara-se pelo tamanho e pelo espaço que oferecia, muito maior que o apartamento no centro de Londres, que alugavam desde o casamento. No momento, queria estar longe o mais rápido possível. Atravessou a rua arborizada na direção da avenida principal. Sumiria antes que Joe fosse procurá-la. Levaria  algum  tempo  até  que  ele  conseguisse  vestir  as  três crianças, se arrumar e sair de carro atrás dela. Demi entrou no primeiro ônibus que passou. A condução ia até o centro de Londres. Encostou-se na janela e olhou para fora com tristeza. Chegando ao centro, desceu e andou pelas ruas silenciosas no domingo, cortadas pelo ar frio de setembro. Gostaria de descobrir quem ela era de verdade. Jamais questionara o amor de Joe. Mas questionava agora e admirou o modo tranquilo com que ele aceitara a responsabilidade, quando ela engravidara. Joe pagou o preço por ter se envolvido com uma jovem inocente. E se tinha uma vida paralela à que levava com ela, era porque considerava um direito seu. Demi percebeu que ele nunca compartilhara a vida excitante que levava, além dos limites do casamento bem-comportado. Um casamento que ele criara para ela brincar de esposa e mãe, porque era exatamente o que desejava ser. Andou durante horas sem perceber. Só quando estava exausta decidiu voltar para casa. Tomou um táxi porque sentia frio, fome e porque, de repente, sua casa era o único lugar onde queria estar.

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Oi, meus amores! Tudo bom? Eu estou bem! Estou feliz, muito feliz msm q vcs estão gostando! Confesso q na primeira vez que li essa história eu chorei oceanos... Bem, como já disse (já disse, não?) ela é bem curtinha, tem apenas 11 capítulos, então já estou indo atrás da próxima! Comentem para o capítulo quatro, meus bbês ♥ Respostas aqui - Beijos, amo vcs <3

PS: Não se esqueçam de visitar meu outro blog e da Mari tb, Emoção, começamos uma nova história essa semana, vcs vão gostar <3

16.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 2


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Joseph preparou-se  para  enfrentar  a  esposa,  que  o  esperava  com paciência.
Demetria sentia-se estranhamente calma, o coração batia compassado e as mãos repousavam no colo.
Joseph entrou na sala. Estava sem o paletó e afrouxara a gravata. Sem olhar para ela, seguiu direto para o bar onde, entre várias bebidas, estava uma garrafa de seu uísque preferido.

—Quer uma dose? — ele perguntou. Demi negou com a cabeça. Joseph percebeu a negativa mesmo sem virar-se e não insistiu. Serviu-se de uma dose dupla e sentou-se numa cadeira na frente dela.

—Que amiga leal você tem — foi como começou o assunto. “Pena que não possa dizer o mesmo do meu marido”, ela pensou. Os olhos dele estavam fechados. Não conseguia encará-la. Estendeu as pernas fortes na frente do corpo e manteve o copo de bebida seguro no meio das duas mãos. Os dedos eram longos e fortes e as unhas absolutamente limpas. Aliás, tudo nele era limpo e elegante. Tanto o corpo como seus objetos pessoais.  Bons ternos, sapatos finos, camisas feitas sob medida e caras gravatas de seda. A palidez do rosto não diminuiu sua beleza e charme. Joseph ia fazer trinta e dois anos. O amadurecimento dera-lhe uma expressão de força e autossuficiência.  Era um homem bem-sucedido e controlado.  Sempre tivera autocontrole, raramente perdia a paciência ou se irritava quando as coisas não aconteciam a seu modo. Possuía a rara virtude de encarar um problema, colocar os pontos negativos de lado e lidar com os positivos. Provavelmente era o que fazia no momento, procurando descobrir os estragos que o telefonema poderia ter feito a seu casamento e tentando encontrar os aspectos positivos do acontecido. Esta habilidade fizera com que Joseph Jonas chegasse à presidência das Empresas Jonas, uma organização que ele criara e que se expandira nos últimos anos, englobando companhias menores, ajustando-as ao mercado para torná-las mais rentáveis e depois as vendendo com lucro. Construíra seu império, mantendo os negócios na linha divisória entre o sucesso e o prejuízo, sem, no entanto, colocar sua família e o que conseguira para eles sob qualquer risco. Cercara a família de luxo e mimo.

—E agora? — ele perguntou subitamente. —Você é quem deve falar. — Com certeza, Mandy ficara apavorada com a reação que a amiga pudesse ter.  Talvez imaginasse suicídio ou qualquer outra tragédia. Só o medo a forçaria a contar tudo a Joseph. —Aquela imbecil! Se não se intrometesse, você seria poupada disso. Já tinha acabado — disse Joseph, muito tenso, enquanto apertava o copo nas mãos. — Se ela ficasse quieta, logo saberia que estava tudo terminado! Mas não, ela sempre quis acabar comigo, só não imaginei que fosse jogar tão sujo e envolver você! Pelo amor de Deus, diga alguma coisa! — Demi assustou-se. Joseph  raramente erguia a voz com ela. Percebeu que estivera ali, sentada, como se estivesse em outro mundo.

—Quero o divórcio — disse e surpreendeu-se tanto quanto Joseph, porque tal ideia nunca lhe passara pela mente. —Pode sair da casa.  Fico aqui com as crianças.  Você está rico o suficiente para nos sustentar.

—Isto é tolice e não uma resposta! — ele gritou.

—Não grite! Vai acordar as crianças. — Joseph levantou-se e encarou Demetria, mas não conseguiu sustentar seu olhar.

—Escute... — ele disse um momento depois, tentando manter o controle — não aconteceu nada do que imagina ou do que sua “amiga” falou! Foi só uma escapada tola, que terminou antes mesmo de começar. Eu estava sob pressão no trabalho, o caso Harvey poderia pôr a perder tudo o que consegui. Precisava trabalhar dia e noite para ficar na frente dos concorrentes. Você estava se recuperando do parto e, de repente, eu estava passando mais tempo com ela do que em casa. Então os gêmeos tiveram sarampo e você não quis uma enfermeira para ajudar. Estávamos longe a maior parte do tempo. Fiquei preocupado com seu cansaço, com a doença dos gêmeos, com Michael que não dormia mais que meia hora seguida. Não quis sobrecarregá-la com problemas de trabalho... — Joseph falava de meses atrás, quando tudo que ela achou que poderia dar errado realmente deu. Jamais imaginou que um caso de seu marido com outra mulher também fosse fazer parte de sua lista de problemas! —Demi... — ele sussurrou — nunca pensei em trair você! Mas ela estava lá quando precisei de uma companhia e você não...

—Ah! Chega, pare de falar!

Joseph tentou aproximar-se e foi impedido. Apesar de não beber, Demi foi até o bar e, com as mãos trêmulas, preparou um uísque. Virou o copo e fechou os olhos, numa tentativa de não perder o controle. O coração disparou e não conseguiu respirar direito, o corpo ficou paralisado enquanto o cérebro absorvia a dor e a angústia, e devagar espalhava por todo seu ser, até que ela pensou que fosse morrer. 

—Terminou Demi! — ele repetiu angustiado. — Pelo amor de Deus, acabou!

—E quando foi que acabou? Depois daquela maravilhosa noite de amor? Pobre Lydia, não sei qual de nós duas foi mais idiota.

—Apenas aconteceu. Eu daria tudo para que não tivesse acontecido, mas não posso fazer o tempo voltar. Se ajudar, quero dizer que estou profundamente envergonhado. Juro por Deus que isto nunca mais vai acontecer.

—Até a próxima vez — ela murmurou e saiu da sala.

—Não! — Joseph puxou-a pelo braço e apertou-a contra o corpo enquanto Demi tentava escapar. —Vamos conversar até o fim. Sei que está muito magoada, mas temos de esclarecer tudo.

—Quantas vezes? — ela gritou descontrolada. — Quantas vezes você chegou em casa impregnado com o perfume dela? Quantas vezes sentiu-se obrigado a fazer amor comigo depois de ter se deitado com ela?

—Nunca! — ele foi veemente e apertou o abraço. —Não, Demi! Nunca! Jamais cheguei a esse ponto. — O sorriso sarcástico dela deixou-o lívido. — Eu te amo, Demi! Adoro você! — Por algum motivo a declaração de amor foi à gota d’água, e ela atingiu o rosto dele com uma bofetada. Surpreso, Joseph afrouxou o abraço e Demi escapou. O olhar que ela lançou foi tão cheio de rancor que transformou seu rosto em uma máscara de dor e ódio. Sem mais uma palavra, saiu da sala e subiu. Na porta do quarto hesitou um momento e foi na direção do quarto de Michael. Ficou imóvel, olhando a criança no berço, imaginando se a dor intolerável que sentia poderia adoecê-la fisicamente. Finalmente, atirou-se na cama ao lado, escondeu o rosto no urso de pelúcia e chorou até mergulhar num sono causado pela exaustão.
O dia raiou com os sons alegres de Michael brincando no berço. Demi demorou alguns minutos até se lembrar do motivo pelo qual estava ali. Sentia-se mais calma, como se o choro descontrolado da véspera tivesse lavado suas emoções. Levantou-se e notou que ainda estava com a mesma roupa da noite anterior. Levou a mão ao cabelo e tirou o elástico que teimava em segurar alguns fios, e o longo cabelo loiro caiu sobre suas costas. Sentia-se mal, dormira até de tênis. Sentou-se na beirada da cama e ficou descalça. Michael notou a presença da mãe e sorriu alegre. O sorriso foi como  um  bálsamo  para  seu  coração  ferido.  Por  alguns  instantes,  Demi esqueceu o mundo e deliciou-se brincando com a criança. Não importava o que mais a vida lhe tirasse. Sempre teria o amor de seus filhos. O pequeno Michael estava transpirando e com a fralda molhada. Ela levou-o para um banho. Enrolou-o em uma toalha e voltou ao quarto para vesti-lo. Normalmente descia para preparar o café da manhã da família e só subia para se vestir depois que saíssem para o colégio e o trabalho. Naquele dia seria impossível. Os gêmeos eram muito observadores e perguntariam por que estava descabelada e usando a mesma roupa da noite anterior. Precisou de muita coragem para entrar no quarto onde Joseph estaria quase acordando. Entrou devagar e olhou para a cama vazia. Escutou então sons vindos do banheiro. Ele apareceu logo e se olharam ao mesmo tempo. Em todos os anos de conhecimento nunca se sentira tão vulnerável na presença dele, e tão consciente da própria aparência: os olhos inchados de tanto chorar, o cabelo solto e despenteado. Também estava absolutamente consciente da aparência de Joseph: a altura, os músculos fortes no corpo atlético, o peito largo, as pernas longas e robustas...
Com a boca seca, desviou os olhos. Joseph parecia cansado, como se tivesse dormido pouco. Provavelmente passara a noite pensando, racionalizando, a fim de encontrar uma solução correta para uma situação impossível. Era sua especialidade: transformar um desastre em sucesso. Olhou-a de modo defensivo. Acabara de sair do banho e seu cheiro excitou-a. Magnetismo sexual não tem barreiras, pensou Demi. Mesmo sentindo raiva e desprezo, a paixão dominava seu ser.
Desviou a atenção e colocou Michael no meio da cama de casal, que não fora desfeita. Notava-se que fora usada apenas pela marca do corpo de Joseph sobre a colcha. Michael tentava de todas as maneiras chamar a atenção do pai, que só tinha olhos para Demi. O bebê ficou vermelho e gritou querendo sentar-se. Ela sorriu e estendeu a mão, Joseph reclinou-se do outro lado da cama e pegou na outra mãozinha: era tudo que Michael precisava para conseguir sentar.

— Da! — ele disse em triunfo. Demi não desviou os olhos do filho ao perceber que o olhar de Joseph procurava o seu.

—Por favor, Demi, olhe para mim.

—Não! — Joseph ergueu Michael para beijar a bochecha gorducha e colocou-o de volta na cama.

Alerta, Demi quis levantar-se, mas ele agiu mais rápido, segurou seu pulso e puxou-a gentilmente para si, trazendo-a para o calor de seus braços. O conforto que ofereceu emocionou-a, e ela não conseguiu segurar o choro. Apertando o abraço, Joseph abaixou a cabeça e só conseguia dizer:

—Desculpe, desculpe. — Mas não era o suficiente, nunca seria. Amor, confiança, respeito não existiam mais e desculpas não trariam de volta.

—Eu estou bem — ela disse.

—Querida, sei que te magoei muito, mas não tome nenhuma decisão ainda. Temos tudo a nosso favor se você der outra chance. Não jogue nossa vida fora por causa de um erro idiota que cometi.

—Quem jogou nossa vida fora foi você! — Afastou-se e não foi impedida. Joseph ficou olhando da cama, enquanto ela andava do guarda-roupa para as gavetas, sem saber que roupa vestir.

Durante  anos  ela  tivera  confiança  cega  nele,  enquanto  o  marido caminhava rumo ao sucesso. Ficara em casa como um animal de estimação, e ele alimentara-a e preenchera suas necessidades. Que situação patética!
Michael começou a chorar de fome e Demi ficou parada no meio do quarto, as roupas nas mãos sem saber o que fazer. Por fim, Joseph pegou o bebê no colo e saiu do quarto dizendo:

—Pode deixar que dou comida para ele. Arrume-se com calma, ainda é cedo.

O  café  da  manhã  foi  terrível.  Impaciente  com  os  gêmeos,  Demi reclamou de tudo que fizeram, colocou pó em excesso na cafeteira e o café ficou forte demais. Sam e Kate estavam assustados com seu comportamento e, aliviados, deixaram a copa em busca do material escolar.

—Não havia o menor motivo para você repreender Sam daquele modo — disse Joseph, assim que os gêmeos saíram.

 —Ele é ordeiro a maior parte do tempo.

—Só porque esqueceu os jogos espalhados não merecia um sermão. As crianças são sempre comportadas, não permitirei que desconte nelas a raiva que sente por mim!

—E desde quando está em casa tempo suficiente para saber como as crianças se comportam? Você as vê no café da manhã por trás do seu precioso jornal! A maior parte do tempo nem lembra que tem três filhos. Você os ama como eu amo... Aquele quadro moderno que você comprou: quando lembra que eles são seus, é isso aí. Então, não ouse me dizer como tratar as minhas crianças, quando é um inútil como pai! — Meu Deus! O que estava acontecendo? A sensação de Demi é que ia se quebrar em mil pedaços sem ter como evitar. Joseph olhava horrorizado.

—Pode me acusar de muitas coisas que provavelmente mereço, mas não pode me acusar de não amar as nossas crianças!

—É mesmo? Então não casou comigo só porque eu estava grávida? — Joseph deu um soco na mesa e avançou na direção dela como se quisesse bater-lhe, só no último momento desistiu e afastou-se com esforço.

—Michael é muito pequeno para entender, mas se der aos gêmeos o menor motivo para pensarem que não os amo, vou... — Não terminou a frase, nem precisava. Demi entendeu a ameaça. Joseph olhou-a por um longo momento e saiu da cozinha. Ela ficou envergonhada e irritada. Dera a Joseph um motivo para atacá-la quando, até aquele momento, todos os trunfos eram a seu favor.

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Segundo capítulo postado! Fiquei feliz q minhas abiguinhas gostaram *o* Espero q todos gostem desse aqui e comentem tb sdasdsaasgf Respostas aqui!

Divulgação

Beijos, amo vocês!

15.10.14

Unfaithful Husband - Sinopse + Capítulo 1

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"Eu nunca pretendi fazer isso... Ela apenas estava lá quando precisei de alguém..."

Demetria e Joseph tinham três filhos adoráveis e um casamento sólido... ou, pelo menos, Demi pensava. Mas sua feliz existência foi destruída quando lhe contaram que Joe tivera um caso amoroso. Então, ela percebeu que eles estiveram distantes durante vários anos. Demi queria salvar seu casamento, mas não seria tarde demais?Será que ela conseguiria perdoar Joe, apesar dele ter cometido a pior traição?

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Capítulo 1

O telefone começou a tocar. Demetria, que descia a escada, resmungou em voz baixa e, segurando firme o pequeno Michael de apenas seis meses, desceu rápido os últimos degraus. Quando viu seu reflexo no espelho atrás da mesa do telefone, assustou-se. O cabelo loiro claro estivera “preso” num coque, agora, mechas caíam pela testa e pescoço. A camisa azul respingada da água do banho das três crianças não melhorava sua aparência. Michael colaborava, puxando os botões da camisa para expor-lhe o seio. Apesar de ser uma criança dócil, no momento estava cansado e impaciente.

— Não. — ela disse firme, afastando a mãozinha dos botões. — Logo vai jantar.

Atendeu ao telefone. —Alô? — Demetria não percebeu a pequena pausa tensa, antes que a pessoa do outro lado da linha falasse com cuidado.

—Demi? É Amanda.

—Oi, como vai Mandy? — Pelo espelho, reparou que seu rosto suavizou a expressão ao escutar a voz da melhor amiga. — Michael, por favor, espere mais um pouco! — disse ao garotinho que insistia em puxar-lhe os botões. Ele olhou-a bravo, e Demi sorriu divertida. Michael era o mais genioso e exigente dos filhos, mas ela o adorava. Ele era a cara de Joseph, seu marido.

—As crianças ainda não estão dormindo? — Amanda perguntou. Não era segredo que crianças a irritavam. Mandy, executiva sofisticada, não tinha tempo a perder. Demetria levava uma vida diferente. Além de ser sua melhor amiga, Amanda era a única quem ainda mantinha contato depois de deixar o colégio.

—Dois já dormiram, só falta o caçula. Michael está fome, mas pode esperar.

—Joseph já chegou para o jantar? — Demi percebeu a desaprovação no tom de voz da amiga e sorriu. Amanda e Joseph não se entendiam bem.

—Ainda não, por isso pode xingar à vontade que ele não vai ouvir. — Não se importava que a amiga criticasse Joseph quando ele não estava presente.

Desta vez, um silêncio estranho pesou entre as duas. —Alguma coisa errada, Mandy?

—Escute Demi, vou me sentir péssima, mas você tem o direito de saber. — Naquele momento, um dos gêmeos desceu a escada, fingindo atirar com um revólver. Michael mexeu-se inquieto os olhos brilhando ao ver o irmão que se aproximava.

—Quero tomar água — o atirador respondeu à pergunta muda da mãe e foi para a cozinha.

—Escute — Mandy parecia impaciente, —Você parece ocupada. Ligo mais tarde, talvez amanhã. Eu...

—Não ouse desligar. Espere um momento que já volto. Demi percebeu que o que Mandy tinha para dizer era importante. Colocou o fone na mesa e foi atrás do filho mais velho, As pernas longas e bem torneadas eram realçadas pela calça fuseau branca, que usava com meia soquete e tênis. Mesmo não sendo alta, sua figura era atraente devido ao tipo longilíneo e o corpo bem-feito apesar das gravidezes. Quando tinha tempo, Demetria sempre se exercitava fazendo ginástica, nadando ou jogando badminton, um jogo parecido com tênis, só que, em vez de bola, é jogado com uma peteca sobre uma rede alta. —Peguei você, pequeno bandido! — disse para Sammy, o filho de seis anos, que estava com a mão no pote de biscoitos. O garoto corou e ela continuou. —Tudo bem, leve um para Kate e nada de migalhas na cama! — A cozinha era grande e confortável. Demi colocou o bebê no carrinho encostado no canto e deu-lhe um biscoito para se distrair, enquanto voltava ao telefone.—Ainda está aí Mandy?

—Por que você não arruma alguém para ajudar com as crianças? As vezes elas são insuportáveis!

—Eu tenho uma ajudante, mas, à noite, gosto de ter a casa só para mim. Fico mais à vontade.

—Mais à vontade e sonolenta. Pelo amor de Deus, Demi! Pare de bancar a Gata Borralheira e trate de acordar.

—Acordar para quê?

—Demetria, onde está Joseph?

—Trabalhando até mais tarde.

—Ultimamente, ele tem trabalhado muitas vezes além do expediente, não é?

—Sim. Está muito ocupado com o caso Harvey. Você sabe, ouvi vocês discutindo o caso na última vez que veio jantar aqui.
—O caso Harvey terminou há séculos!

Será que Mandy viera jantar havia tanto tempo? Sim, Michael estava com três meses. Puxa, isto fora havia noventa dias!

—Mandy, você precisa aparecer logo para jantar. Não nos vemos há tanto tempo! Vou perguntar a Joseph quando ele terá uma noite livre...

—Demetria! Por favor, não liguei com o intuito de me convidar para um jantar, apesar de sempre valer a pena. Não sei como encontra tempo para cozinhar tão bem, com o trabalho de casa e essas três crianças levadas, sem mencionar que egoísta... — Mandy reprovava o modo como a amiga se dedicava à casa, fazendo quase todo serviço. Achava que Joseph não ajudava em nada. Não tinha ideia de como ele era ocupado e como fora difícil subir na carreira e sustentar a família ao mesmo tempo. Ele trabalhava muito pela família, para lhes garantir segurança no futuro —Não posso mais me conter, Demi. Você é minha amiga, não ele. Já é hora de alguém alertá-la para o que está acontecendo bem debaixo do seu nariz!

—Um momento, o que quer dizer com isso?

—Que está fazendo papel de tola, amiga. Joseph não fica trabalhando até tarde. Ele está com outra mulher!

As palavras soaram tão forte, que Demi pensou que fosse cair.

—O quê? Ele saiu com uma mulher esta noite?

—Não, não hoje em particular. Algumas noites. Não sei quando exatamente. Só sei que ele está tendo um caso, e parece que todos em Londres já sabem menos você! — Silêncio. Demetria não conseguia coordenar o pensamento. —Sinto muito Demi — Mandy percebeu o choque da amiga. —Não pense que fico contente. Só estou contando porque me certifiquei antes, de que é tudo verdade. Eles foram vistos em lugares públicos, em atitudes íntimas. Eu mesma os vi. Meu namorado tem um apartamento no mesmo prédio que Lydia Marsden, e cruzei com os dois saindo de lá. — Demetria se recusava a ouvir mais. Começava a se conscientizar de pequenas coisas que deveria ter notado há mais tempo, e às quais não dera atenção, envolvida pela rotina do dia-a-dia. Confiara demais no homem cujo amor por ela e pelas crianças jamais questionara. Mas enxergava agora. A sutil mudança no humor, a maneira de tratar a família, e as muitas vezes em que ele ficara embaixo, no escritório, em vez de subir para o quarto com ela, para fazerem amor. Um suor frio percorreu lhe o corpo e Demi ficou nauseada. Lembrou-se de outras vezes, quando Joseph quis fazer amor e ela sentia-se cansada ou sem vontade. Semanas, meses de amarga frustração e desencontros, quando ela o procurou, e então, ele é que não estava disposto. Acreditou que fosse apenas uma fase. Há duas ou três semanas, quando Michael começou a dormir a noite toda, sentiu-se mais descansada e pensou que tudo entraria nos eixos. E havia apenas algumas noites, fizeram amor de forma tão intensa como antigamente.

—Deus...

—Demi!

—Não, — ela não queria ouvir mais nada. —Preciso desligar Mandy, Michael está chorando. Lembrou-se de outro fato ainda mais dolorido que as fracas performances sexuais. Um perfume que sentiu um dia de manhã, ao lavar uma camisa de Joseph. O mesmo perfume que sentia quando ele chegava tarde do trabalho.

Tola. Só conseguia enxergar Joseph com outra mulher. Tendo um caso, fazendo amor... O telefone começou a tocar outra vez. Um choro cansado veio da cozinha. Com inesperada calma para quem sofrera um choque, Demetria tirou o fone do gancho, desligou e em seguida tirou novamente e colocou sobre a mesa. Depois foi para a cozinha. Alimentou Michael e colocou-o para dormir, ficando um longo tempo parada na porta do quarto, com o olhar perdido. Sentia a cabeça vazia. Devagar, andou na direção dos quartos dos gêmeos. Sammy, como sempre, dormia com as cobertas atiradas para fora da cama. Beijou o rosto querido e cobriu-o. Sam era o filho mais parecido com o pai, possuía o mesmo cabelo escuro e o queixo determinado. Era alto e robusto. Pelas fotografias que vira no álbum da sogra, Joseph e Sam eram muito parecidos quando tinham a mesma idade. Aos seis anos, o garoto já mostrava obstinação, como o pai.
Depois, entrou no quarto de Kate. Ela era o oposto do irmão. Quando ia acordá-la de manhã, quase sempre estava na mesma posição que dormira. Seu cabelo brilhava como os raios do sol. Era a paixão do pai e conseguia mais dele que todos na casa, e ele adorava sua princesa de olhos azuis. Kate sabia disso e o explorava ao máximo. Como Joseph tivera coragem de fazer algo que pudesse magoar seus filhos queridos? Como ousara destruir tudo por sexo? Sexo? Talvez fosse mais. E se fosse amor? Paixão? Uma paixão enlouquecida pela qual um homem trairia tudo? Talvez fosse apenas uma mentira suja. Mas lembrou-se do perfume e das noites que ele passara fora, culpando o caso Harvey. Saiu do quarto de Kate e foi para o deles, onde, na semana anterior, se encontraram novamente e fizeram amor pela primeira vez em meses. O que acontecera para que ele a procurasse outra vez? Ela havia se esforçado. Preocupada com o rumo que o relacionamento estava tomando, resolvera mandar as crianças para dormir na casa de sua mãe. Fizera o jantar predileto de Joseph e servira na sala da jantar, à luz de velas, com a prataria e os cristais, e o recebera na porta com um vestido sedutor e um beijo cheio de promessas. Naquela noite, não notara a veia que pulsava em seu pescoço e que sempre era um indício de que ele estava sob tensão. Agora conseguia lembrar. Fechou os olhos e viu o rosto contraído, a pele pálida e a veia pulsando quando ela o abraçara de modo provocante. Nauseada, saiu do quarto e desceu para a sala de estar, enxergando os fatos com clareza e percebendo que fora uma tola, sem consciência do que fazia. Lembrou a tensão com que ele segurara seus ombros, tentando manter certa distância. O brilho sofrido dos olhos cinzentos, e como ele ficara imóvel diante dos lábios convidativos. O tremor que passara por ele quando ela disse: “Eu te amo, Joseph. Desculpe por ter estado tão difícil de conviver.” Ele fechara os olhos, engolindo em seco e apertara as mãos em seus ombros até quase machucar. Depois, puxara-a para junto do corpo, mergulhou o rosto em seu pescoço e não disse uma única palavra. Nem que a desculpava nem que a amava. Nada. Mas fizeram amor com intensidade e paixão, sem fingimento. Ou não?
O que entendia da sexualidade dos homens?
Conhecera Joseph quando tinha dezessete anos e ele fora seu primeiro e único namorado. Não sabia absolutamente nada sobre os homens e, pelo jeito, nem sobre seu próprio marido. Olhou-se no espelho sobre a lareira. Apesar da palidez e da tensão em torno da boca, era a mesma Demetria Jonas. Apenas vinte quatro anos. Mãe e esposa, nesta ordem. Sorriu com amargura, enfrentando a verdade como nunca se permitira antes.
Você o queria e conseguiu em poucos meses. Nada mal para uma adolescente ingênua de dezessete anos. Joseph tinha vinte quatro na época, e caiu no truque mais antigo. Conhecera Joseph em sua primeira ida a uma boate de verdade,acompanhada de um grupo de amigas do colégio, que se divertiram com seu medo de ser barrada na porta por ser menor de idade.

—Vamos lá, Demi —elas disseram. —Se perguntarem sua idade, é só mentir como fazemos sempre.

As amigas fizeram-na decorar uma nova data de nascimento, que repetiu até estar a salvo dentro da boate. Mesmo lá dentro, assustava-se cada vez que alguém esbarrava, demorando um bom tempo para começar a relaxar. Aos poucos, o efeito do vinho branco que tomavam se fez sentir e ela dançou com o grupo e aproveitou a música. Estava consciente da presença de Joseph desde o momento que entrara na boate. Um homem carismático, forte, com cabelo escuro, parecendo um ator de cinema. As amigas também o notaram e ficavam excitadas cada vez que ele dava atenção ao grupo que dançava. Mas ele olhava para o lindo rosto de Demi, emoldurado pelas mechas do longo cabelo loiro claro. O corpo perfeito, comprimido numa saia preta curta e mini blusa vermelha, era uma visão tentadora. Se seus pais a vissem com aquela roupa ficariam horrorizados. Mas todas haviam se arrumado na casa de Julie, cujos pais estavam viajando, e nenhuma contara em casa sobre a ida à boate.O ritmo da música ficou lento e Joseph tirou-a para dançar. Ainda conseguia lembrar a timidez que sentiu quando ele a tocou, sua masculinidade despertando sensações adolescentes.

Dançaram muito tempo em silêncio, até ele falar. —Qual é seu nome?

—Demetria. Demetria Lovato.

—Olá, Demetria Lovato, sou Joseph Jonas — ele apresentou-se e passou a mão na pele nua das costas, entre a saia e a mini blusa, puxando-a mais perto e provocando uma inesperada sensação de prazer. Não tentou beijá-la nem convidou-a para ir embora sem esperar as amigas. Anotou seu telefone e prometeu ligar logo, e ela passou a semana seguinte ao lado do aparelho, esperando ansiosa que Joseph a procurasse.

No primeiro encontro, ele levou-a para passear. —É o carro da firma — explicou com um sorriso gentil. Convidou-a a falar sobre si, a família, os amigos. Ela contou do que gostava e da vontade que tinha de fazer a faculdade de artes e trabalhar com propaganda. Joseph perguntou sua idade e, ao escutar a resposta, pareceu chocado. Depois do jantar, deixou-a em casa com um seco boa-noite e não ligou mais. Demi ficou arrasada. Por vários dias não conseguiu comer nem dormir direito. Estava a ponto de adoecer, quando ele telefonou-lhe na semana seguinte. Foram ao cinema, mas não conseguiu concentrar-se no filme, consciente da masculinidade que exalava de Joseph. Tensa e apavorada de fazer algo que o afastasse novamente, gritou assustada quando ele esticou o braço e pegou sua mão.

—Relaxe — ele murmurou, — não vou te morder. — O problema é que ela queria que ele a mordesse, queria aquele homem. Mesmo sendo ingênua, a paixão estava em seu rosto e Joseph apertou sua mão com força, tentando desesperadamente fixar a atenção no filme. Naquela noite, ao deixá-la em casa, beijaram-se com paixão, consumidos por um desejo violento, até que ele afastou-a e pediu que saísse do carro. Na próxima vez que saíram, foram a um restaurante calmo e romântico e ele contou a Demi sobre sua vida. Disse que era vendedor de uma grande firma de computadores e, pela natureza do trabalho, viajava por todo o país, ficando fora da cidade durante vários dias. Falou também de sua ambição deter sua própria firma, de como aplicava todo o dinheiro que ganhava em ações, sempre olhando-a com intensidade crescente. Ao chegarem na porta da casa dela, estavam a ponto de explodir com a tensão sexual que os envolvia. Ainda assim, foi apenas outro beijo devastador e ele pediu que entrasse.

Continuaram a sair por mais algumas semanas, quando finalmente ele perdeu o controle e, em vez de irem ao cinema, foram para seu apartamento e fizeram amor. Depois disso, raramente procuravam outro programa. Ficar junto dele tornou-se o mais importante na vida de Demi. O amor por Joseph suplantou suas ambições, as amigas, os estudos e as recomendações preocupadas de seus pais. Três meses mais tarde, Joseph voltou de uma viagem de duas semanas em Londres, e Demi o esperava na porta do apartamento.

—O que está fazendo aqui? — perguntara e, apenas agora, depois de sete anos, percebia que ele não ficara nada contente ao encontrá-la. Parecia cansado e tenso, exatamente como nos últimos meses.

—Preciso falar com você. — Fizeram amor e enquanto ele tomava banho, ela preparou café. Beberam em silêncio, Joseph sentado na velha cadeira de balanço, vestindo apenas o roupão, e Demi sentada no chão, entre seus joelhos, como sempre fazia. Foi então que contou que estava grávida. Ele não se moveu ou disse qualquer coisa, apenas a mão dele acariciava seu cabelo de modo distraído. Depois de um longo tempo, Joseph sorriu e puxou-a para seu colo, e ela aconchegou-se como uma criança, pensou desconsolada. Do mesmo modo como Kate costuma fazer quando senta no colo do pai.

—Você tem certeza? — ele perguntou.

—Absoluta. Comprei um teste de gravidez na farmácia e deu positivo. — Acha que pode haver erro? Será que devo consultar um médico antes de decidirmos o que fazer?

—Não! Então, está grávida. Como poderia ter acontecido? —ele indagou pensativo.

—Nós deveríamos ter tomado mais cuidado.

—Tem razão. Bem, pelo menos, temos tempo de casar antes que toda cidade saiba o motivo.

E assim aconteceu. A decisão foi tomada como Demi acreditava que deveria ser. Joseph providenciou tudo, livrando-a dos aborrecimentos, até conversando com seus pais, pois ela não tinha coragem. E agora, depois de sete anos, entendeu que Joseph se casara apenas por causa da gravidez. Ela o envolvera com sua juventude, inocência, confiança e adoração cega. Joseph se casara por obrigação.
Amor não teve nada a ver com o casamento.
O som da chave na porta de entrada tirou-a do devaneio. Estava calma. Olhou o relógio, apenas oito e meia. Joseph não era esperado em casa. Dissera que participaria de um jantar de negócios. Foi até a porta. Joseph estava de costas e ela percebeu sua tensão pela postura do corpo. Ele virou-se devagar e encarou-a. Depois, desviou o olhar pela sala e viu o telefone fora do gancho. Dirigiu-se ao móvel e colocou a pasta no chão antes de voltar o aparelho no lugar. Demetria notou que a mão dele tremia. Mandy devia ter lhe telefonado. Com certeza entrara em pânico quando a amiga não atendeu e resolveu contar a Joseph o que havia feito. Demi pensou que gostaria de ter ouvido a conversa. As acusações e confissões, condenação e defesa. Permitiu que ele a olhasse de alto a baixo e, sem uma palavra, virou-se e foi para a sala de estar.
Ele era culpado. Trazia estampado em seu rosto e corpo. Culpado!

x-x

VOLTEI A POSTAR FANFIC GENTEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!

Oi oi, td bom com vcs? Nesse tempo em que eu fiquei sem postar fanfic uma ideia me apareceu... Cá estou, com uma adaptação! Essa história foi a primeira q eu li, eu achei ela em espanhol, Jemi, claro, e resolvi adaptar! Depois de mts pesquisas descobri que era a adaptação de um livro e achei ele em português \o/ É uma história curta, mas interessante... Acho que vcs vão gostar <3 Enfim, comentem! Quero saber o q acham, hehe'
Bjs, amo vocês!

Divulgação


PS: Vcs que tem blog, podem divulgar o meu? Obrigadaaaaaaaaaaa ♥