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1.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 4

 

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- Demi, ele está bem?

A voz de Winnie atingiu Joe com o impacto de uma ducha gelada e ele se afastou de Demi com brusquidão, embora suas bocas já estivessem quase se tocando.

- Sim, ele está bem - Joe respondeu bastante irritado, tanto com a interrupção quanto com a sua própria fraqueza.

- Oh, desculpe-me! - Winnie falou sem jeito, afastando-se imediatamente.

- Meu Deus, será que a sua amiga acha que eu estou em condições de seduzi-la? Ela deve estar delirando.

Trêmula, Demi se encostou à pia, tentando recuperar o controle, o corpo ainda latejando de desejo.
- Você não compreende... - ela começou, lutando para encontrar as palavras certas que descrevessem o instinto protetor de Winnie.

- Você é realmente aquilo que parece ser, Demi? Uma mulher moderna e sofisticada?

- Por que quer saber?

- Porque por nada deste mundo eu me envolveria com você se a julgasse inexperiente.

- Você quer mesmo se envolver comigo?

- Meu Deus! Não lhe parece óbvio? Mal a toquei e já estou em fogo!

Então eram dois sentindo-se assim, porém Demi não julgava conveniente deixá-lo saber disso. Ela queria tanto se aproximar daquele homem atormentado! Mas se lhe dissesse a verdade a respeito de si mesma, ele se afastaria.

- Não sou moderna o suficiente para ir para a cama com qualquer homem. Gosto de saber onde estou pisando.

- Então você é cautelosa. Eu também o sou e não pretendo apressá-la. Entretanto, não estou disposto a manter um relacionamento platônico.

- Tampouco eu.

Joe hesitou por alguns instantes. Alguma coisa não soava muito verdadeira nas palavras de Demi. Ela era a melhor amiga da sua futura cunhada e este era um dos muitos motivos pelos quais devia manter distância. Contudo, todas as suas boas intenções iam por água abaixo quando estava ao lado dela, a única mulher capaz de não fazê-lo sentir-se solitário.

- Que tal um cinema amanhã?

- Winnie não iria gostar.

- Eu não estou convidando Winnie ou qualquer outra pessoa. Apenas você e eu.

- Poderíamos ir até Cody? Não há rodeios todas as noites lá?

- Todas as noites de verão - Joe respondeu com um sorriso sedutor. - Vamos até Cody em outra ocasião, se você fizer questão. Porém o cinema mais próximo fica em Billings.

- Mas Billings fica a uns cento e sessenta quilômetros daqui!

- Não é uma distância tão grande assim, doçura.

- Talvez você tenha razão, em se tratando de uma região enorme como o Wyoming.

- É melhor que você saia agora. Preciso tomar um banho antes do jantar.

- Está bem.

- A menos que você queira ficar e esfregar as minhas costas - ele falou com ousadia.

- Ainda é muito cedo para esse tipo de coisa.

Demi deixou o quarto perguntando-se onde estava se metendo e se seria capaz de manter um homem como aquele sob controle.

- Joe está ótimo - Demi assegurou às duas outras mulheres ao entrar na sala de estar. - Minha opinião é que ele deveria procurar um médico e levar alguns pontos, entretanto não fui capaz de convencê-lo.

- É uma atitude típica de Joe - Marie falou desanimada. - As coisas têm sido tão difíceis para ele. Gostaria que papai não tivesse deixado aquela carta. Acho que o melhor teria sido não dizer a verdade, depois de tanto tempo... Vamos até a sala de jantar, onde poderemos esperar pelos meus irmãos.

- Por que seu pai deixou uma carta para Joe? - Demi perguntou, incapaz de conter o interesse.

- Ninguém sabe. Papai era um homem que prezava a verdade e costumava pensar demais antes de tomar qualquer decisão. Talvez ele achasse que Joe tinha o direito de saber que seu verdadeiro ainda está vivo, embora eu saiba que meu irmão jamais procuraria por ele. Creio que meu pai planejava contar tudo a Joe antes de morrer, mas os acontecimentos se precipitaram e agora há toda esta situação difícil.

- Suponho que você e Dwight estejam atravessando um mau pedaço também - Demi falou com delicadeza.

- Você não é capaz de imaginar o quanto estamos sofrendo. Não nos importa quem seja o pai verdadeiro de Joe. Ele é nosso irmão e o amamos. Só ele parece não aceitar isso e temo que não seja capaz de fazê-lo nunca.

- Joe vai jantar conosco? - Winnie perguntou com uma pressão preocupada.

- Sim - Demi respondeu. - Pelo menos foi o que ele me disse.

- Não se preocupe, Winnie - Marie comentou com um sorriso. - Joe se comportará bem porque Demi está aqui. Creio que ele gosta dela.

- Deus a livre disso! Você sabe como ele é com as mulheres.

- Joe não magoará Demi. Não se preocupe tanto, Winnie.

- Espero que você esteja certa, Marie - Winnie falou com um suspiro. - Ele está envolvido com Dale, não está?

- Não, ele não está - Joe respondeu entrando na sala.

- Desculpe-me - Winnie murmurou, sem graça.

- Ela estará mais segura comigo do que com a maioria dos rapazes da cidade.

- OK. Suponho que você esteja com a razão. Mas é que... bem...

- Eu sei que Demi é a sua melhor amiga, Winnie. Mas não se preocupe. Não vou magoá-la.

- Vocês querem parar com isso? - Demi interveio forçando um sorriso. - Eu tenho vinte e cinco anos, não sou uma criança! O que vamos jantar, Marie?

- Pato com laranja. Com licença, vou retirar o molho do microondas, pois havia me esquecido!

Antes que Winnie pudesse fazer qualquer comentário, Dwight chegou com o vinho e logo todos se sentaram à mesa.
Durante a refeição Demi e Joe se olharam inúmeras vezes e era como se uma corrente elétrica atravessasse o ar. A atração entre ambos era explosiva, difícil de ser disfarçada. E havia muitos interesses comuns entre os dois: gostavam do mesmo tipo de livros, filmes e até mesmo esportes. Ela estava certa de que sob aquele exterior zombeteiro, existia um homem sensível e carinhoso.
Ao se despedirem, ele a puxou de lado dizendo:

- Vou apanhá-la amanhã às cinco horas. Precisamos sair cedo, pois a distância é longa.

- Você tem certeza de que quer isso mesmo?

- Não - Joe respondeu com honestidade.

Ele havia lutado contra o desejo de envolver-se, mas agora a situação escapara ao seu controle.

- Jantaremos em Billings antes de irmos ao cinema. Há um restaurante simpático no hotel Sheraton.

- OK. Acho que será ótimo - Demi respondeu com um sorriso tímido.

Joe nada falou, embora se sentisse tão ansioso quanto ela para o encontro do dia seguinte. Até poucos dias atrás ser um homem solitário lhe trazia muitas vantagens, especialmente porque não lhe cerceava a liberdade.  Dale,  Jessie  e muitas  outras  mulheres  haviam  tentado lhe  colocar amarras  e  não haviam conseguido. Nunca pensara num vínculo permanente e com Demi não devia ser muito diferente...
Ao ficar sozinho, no quarto, Joe pensou que talvez Winnie conseguisse convencer a amiga a não comparecer ao encontro.
Entretanto, não tinha por que preocupar-se.

- Mas e a sua reputação? - Winnie insistiu mais uma vez.

- Ela sobreviverá a um ou dois encontros - Demi falou com firmeza. - Oh, Winnie, ele é tão só! Você não consegue enxergar a dor daqueles olhos, a tristeza que parece consumi-lo?

- Não. Não creio que eu possua a sua perspicácia. Mas você não tem idéia de como um homem experiente é capaz de agir. Você nunca teve um namorado firme e Joe é alguém que sabe como tratar as mulheres. Se você não se cuidar, ele será capaz de seduzi-la num piscar de olhos, sua bobinha.

- É preciso que os dois queiram, para que haja uma sedução.

- Sim, eu sei. E também posso ver como você está fascinada por ele. Demi, essa atração é perigosa e você não tem idéia de como reagirá caso Joe tente tocá-la ou beijá-la. Você poderá perder a cabeça! 

- Você se esqueceu da educação que recebi dos meus pais? - Demi perguntou com suavidade.

-  Não.  Porém  estou  tentando  lhe  dizer  que  os  princípios  morais  podem  ser  momentaneamente esquecidos. A atração sexual é poderosa e chega um momento em que a mente já não consegue mais controlar os impulsos do corpo.

- Eu sei dizer "não". Agora vamos assistir a um pouco de televisão e depois iremos dormir, está bem?

Winnie começou a dizer alguma coisa, mas desistiu. Só esperava que a determinação de Demi pudesse resistir ao ardor de Joe Jonas.

(...)

Joe chegou pontualmente às cinco horas. Ele vestia calça cinza escuro e uma camisa xadrez em tons de cinza claro e preto. Sua figura alta e elegante fez o coração de Demi disparar.
Ela estava bonita também. O vestido lilás modelava o seu corpo esguio, ressaltando os seios firmes e a cintura estreita. A ausência de qualquer decote apenas aumentava o apelo sexual pois, aos olhos de Joe, era uma escolha calculada para despertar-lhe o interesse.

- Será que estou bem assim ou deveria usar algo diferente?

- Você está ótima - ele respondeu.

- É claro que está. Divirtam-se - Winnie falou com delicadeza despedindo-se. - Tome conta dela.

- Não se preocupe, cunhada.

(...)

- Por que ela é tão protetora em relação a você? - Joe perguntou a Demi tão logo haviam tomado a estrada.

- Ela pensa que você é experiente demais para mim.

- Sou mesmo, doçura?

- Provavelmente. Mas você não me assusta.

- Dê-me um pouco mais de tempo... - Joe acendeu um cigarro antes de continuar: - Você ainda não me perguntou a qual filme iremos assistir.

- É verdade. O filme é bom?

- Eu não sei. Não tenho ido muito ao cinema nestes últimos tempos. Mas se for como a maioria, a história não deverá passar de um pretexto para que todo mundo tire a roupa.

Demi riu: - Você não está me parecendo um apreciador de filmes modernos.

- Eu gostei muito dos filmes de Indiana Jones, embora tenha achado Gandhi e Nascido em
4 de Julho ainda melhores. Sexo é muito melhor feito do que assistido.

- Claro - Demi murmurou, grata que a pouca iluminação do jipe fosse capaz de esconder o seu embaraço. 

Eles seguiram em silêncio por mais alguns minutos, ouvindo apenas o barulho do vento e admirando a paisagem ao redor. Joedecidira tomar o caminho de Shoshone Canyon e atravessar o famoso túnel através da montanha. Ela se lembrava bem do que Winnie dissera sobre a área e sentia-se fascinada ao observar um trabalho perfeito de engenharia, capaz de construir um túnel tão longo rasgando a solidez da rocha.
Cody ficava imediatamente do outro lado da montanha e Joe sentia prazer em mostrar a Demi seus pontos mais interessantes. Havia o conhecido museu Buffalo Bill Cody, cercado por arenas onde os rodeios eram realizados. E também fora na pequena cidadezinha que um dos primeiros sistemas de irrigação do Oeste tornara-se realidade, num trabalho conjunto de Bill Cody e os Mórmons.

- Uau, isto aqui parece o sul do Arizona! - Demi exclamou ao deixarem a cidade e tomarem a direção norte.

- Sim, você tem razão. Mas ao atravessarmos as montanhas Pryor e nos dirigirmos a Montana, será possível notar a diferença do terreno. Wyoming é um Estado de geografia acidentada, enquanto em Montana as montanhas são mais uniformes. Eu amo os dois Estados e poderia viver feliz para sempre em Billings, mas suponho que terei de me acostumar ao Wyoming.

- Onde você nasceu?

- Em Billings, Montana - ele respondeu com aspereza. - Suponho que minha mãe e... o marido dela estivessem morando lá naquela ocasião.

Joe não mencionou que nunca, durante vários anos, fora capaz de ter nas mãos sua própria certidão de nascimento.
Mesmo quando prestara o serviço militar, fora sua mãe quem se encarregara de levar os papéis às autoridades. Por que ele nunca questionara tais procedimentos? Por que não questionara as coisas que considerara estranhas? Fora somente depois da morte de Hank Jonas que tivera nas mãos toda a papelada que por fim lhe havia revelado a verdade: a certidão de nascimento com o nome do seu pai verdadeiro e o certificado de adoção. Deus! Como pudera ter sido tão tolo e aceitado tantas mentiras com facilidade?
Demi hesitou ao perceber o quanto aquele tipo de pergunta o magoava. Entretanto, evitar o assunto servia somente para aumentar o desconforto.

- Você não gosta de falar sobre isso, não é mesmo?

- Não.

- Quando um estilhaço entra sob a nossa pele, tirá-lo de uma só vez evita uma dor maior.

- E você está sugerindo que o meu passado é uma espécie de estilhaço que precisa ser arrancado?

- De uma certa maneira, sim. Aquilo que não enfrentamos costuma atingir proporções perigosas. Imagino que tenha sido um choque descobrir quem era o seu pai verdadeiro daquela maneira abrupta. Mas sou da mesma opinião de Marie: creio que seu padrasto pretendia contar-lhe a verdade e adiou até que já era tarde demais.

Os olhos verdes de Joe pareciam fuzilar. Ele não gostava de tocar no assunto, entretanto o que Demi dizia fazia sentido. Marie e Dwight haviam tentado falar-lhe a mesma coisa por diversas vezes e foram sempre impedidos com aspereza. Ele só não entendia por que não era capaz de deter Demi com uma palavra rude. Talvez fosse porque a idéia de magoá-la o incomodasse tanto.
Ao chegarem a Billings, Joe ia apontando os lugares históricos, satisfeito com o interesse demonstrado por Demi por tudo ao seu redor.

- O aeroporto fica em Rimrocks e é naquele cemitério antigo, ao pé da colina, que está enterrado Yellowstone Kelly.

- Aposto que você seria capaz de passar um dia inteiro apenas passeando pela cidade, não é mesmo? Olhe só aquela refinaria! Deve ser muito antiga!

- Billings é grande e seus arredores foram palco de momentos históricos.

- Sim, eu sei. O campo de batalha Custer fica por aqui, certo?

- Nos arredores de Hardin. Posso levá-la até lá algum dia desses, se você quiser.

Demi sentiu o coração dar um pulo no peito. O modo com que ele falara lhe passara a impressão de que poderiam construir um relacionamento juntos, e não apenas um caso passageiro.

- Eu gostaria muito, Joe - ela falou com suavidade.

A expressão do rosto dela, a ternura que irradiava daqueles olhos castanhos estavam a ponto de fazê-lo perder o controle.

- Você não devia me olhar assim quando estou tentando dirigir.

- O que foi que você disse?

- Deixe para lá - ele respondeu, lutando contra o impulso de tomá-la nos braços. - É melhor acharmos um lugar para estacionar. A comida daqui é especial e o restaurante está sempre cheio.

Com dificuldade eles conseguiram uma vaga  e se encaminharam para o restaurante, aspirando o ar perfumado da noite cheios de satisfação.

- Essa região não se parece com o Arizona, mas os espaços são tão amplos quanto lá - Demi comentou com interesse.

- É assim, na maioria das cidades do oeste - Joe respondeu conduzindo-a ao elevador.

Eles se acomodaram diante de uma janela do segundo andar cuja vista se abria para o rio Yellowstonee, ao longe, via-se uma estrada de ferro. Demi parecia absorta na visão de um trem que passava.

- Você gosta de trens?

- Oh, sim! Quando eu era criança costumava sonhar em ganhar um trem elétrico. Mas logo me ensinaram que havia coisas mais importantes do que brinquedos.

- Como, por exemplo? - ele perguntou com delicadeza.

- Como um par de sapatos para a filha da vizinha que não possuía nenhum - Demi respondeu sorrindo. - Ou um par de óculos para uma costureira que precisava sustentar três filhos. Ou insulina para um diabético que mal podia pagar o aluguel de onde morava.

Joe ficou sem palavras por alguns instantes, pois não havia, esperado uma resposta daquele tipo.

- E quem a ensinou? Seus pais?

- Eles eram... pessoas muito especiais - Demi murmurou tentando conter a emoção que as lembranças amargas dos últimos tempos teimavam em despertar.
Ao perceber a expressão desolada de Demi, Joe tomou as mãos dela nas suas e as apertou com força:

- Você pode me falar sobre isso mais tarde.

- Tudo é muito recente ainda.

- Você os perdeu há pouco tempo?

Ela fez que sim, incapaz de confiar na própria voz.

- Então é por isso que você está aqui e que Winnie se sente quase que na obrigação de protegê-la.

Demi não  discordou  do  que  Joe estava  dizendo.  Havia  tantas  outras  coisas  a  serem  ditas... Entretanto, ainda não se sentia capaz de fazê-lo. Ela apenas segurou aquelas mãos másculas com um aperto mais forte, buscando o conforto que elas lhe ofereciam.

- Se pode ser de alguma ajuda, eu sei o que você está passando. Você vai superar a dor. Tente viver um dia depois do outro e chore o que for preciso. Não tente sufocar a tristeza ou fechar-se em si mesma.

- Olhe só quem está me dizendo para não me fechar em mim mesma - Demi falou procurando sorrir.

- OK. Você acertou - ele respondeu com ternura. - Será que é melhor voltarmos para casa? Talvez você esteja se sentindo frágil.

- Oh, não, por favor. Estou bem. É que... às vezes, quando penso neles, sinto-me muito triste. Desculpe-me, eu não pretendia estragar a sua noite.
- O que a faz pensar que você estragou qualquer coisa? Eu sei como é sentir essa mágoa sufocante. E você não tem que esconder a tristeza de mim.

- Obrigada.

- Vamos mudar de assunto? Você está com fome?

- Sim.

- Ótimo. Eu também.

Eles  fizeram  o pedido e Joe descobriu  que ambos  partilhavam  o mesmo gosto  em  comida, a preferência recaindo em carnes e legumes.

- Café é um veneno - ele observou ao notar o prazer com que Demi sorvia a bebida.

- Contanto que não me aleije - ela respondeu com um sorriso -, eu estarei OK. Mas você também gosta!

- É claro! Eu não disse que café poderia envenenar a mim. Espero que você tenha notado que eu não estou fumando.

- Seria difícil não reparar, você está ficando roxo de tanta vontade!

- Acho que sobreviverei até sairmos do restaurante.

Sorrindo, Joe pagou a conta e ambos deixaram o belo salão. Aquela havia sido uma refeição em que eles pouco falaram, porém seus olhos se procuraram o tempo todo.

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OI GENTEEEEEEEEEE! Tudo bem? EU TO APAIXONADA PELOS COMENTÁRIOS DE VCS <3333 essa história é uma delícia! Mas é pequena... Vou ver se já escolho e adapto a próxima, ok? Aí faço uma maratona p vcs sz Comentem para o próximo! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

31.10.14

Perigosa Atração - Capítulo 3

 

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Demi não se sentia muito confortável para conversar com Winnie a respeito de Joe, entretanto a curiosidade era invencível. Ele mesmo a havia avisado, dizendo que não valia grande coisa, mas sentia-se atraída do mesmo modo.
Ela sempre, até então, havia levado uma vida irrepreensível, nunca dera um mau passo. Talvez fosse por isso que um homem tão sensual e agressivo a fascinasse tanto.

- Você não pode envolver-se com ele - Winnie falou, quando, no dia seguinte, Demi começou a fazer-lhe perguntas.

- Ele não me parece um homem sem valor.

- Eu não disse que ele era. De fato, seria difícil encontrar alguém mais leal, com um caráter mais reto.

Mas desde que descobriu a verdade sobre o pai, ele pareceu perder a cabeça. Você ouviu o que Marie falou ontem, na festa, e ela não estava brincando. Joe não faz segredos sobre a única coisa que deseja de uma mulher e nos últimos meses tem bebido e farreado além da conta. Todos em Pryor sabem disso e, se você fosse vista com ele, sua reputação estaria arruinada. Eis aí porque eu não gostaria de vê-los juntos. Eu nunca me interporia à sua felicidade, Demi, porém Joe poderia lhe custar a sua respeitabilidade. E isso é algo que você não pode perder, especialmente por causa da sua profissão.

- Sim, eu sei. Você disse que Joe não sabia nada sobre o seu pai verdadeiro.

- Não. Ele tinha apenas quatro anos quando a mãe se divorciou e casou-se com Hank Jonas. Até seis meses atrás, quando o padrasto morreu, ele não sabia que era adotado.

- Pobre homem! Deve ter sido horrível descobrir a verdade assim.

- Tem sido muito difícil para todos. Dwight e Marie sentem por Joe o mesmo amor de antes, mas ele vê as coisas de uma maneira diferente e além do mais idolatrava Hank.

- Então é de se esperar que esteja tão amargo.

- Não é bem assim - Winnie falou secamente. - Esse seu coração sensível ainda vai metê-la em problemas. Eu não creio que Joe ainda possa se emocionar com alguma coisa e será capaz de magoá-la se você tentar se aproximar.

- Sim, eu sei. Senti isso também - Demi murmurou com um sorriso triste. - E eu não sou o tipo de mulher capaz de atrair um homem tão bonito, tão seguro de si quanto ele. Eu sou apenas... eu.

- Mas você não era você mesma na festa de ontem. Estava representando o papel de uma mulher sofisticada, experiente. Joe não tem idéia de quem você realmente é, e este tipo de segredo é perigoso de guardar.

- Todo segredo é perigoso de ser guardado.

- Amém. Então confie em mim e mantenha distância. Porém não subestime os seus atrativos, minha amiga. Você fica linda quando se veste com apuro e esse seu coração carinhoso atrai qualquer pessoa, mesmo homens como Joe.

- Mas nunca aconteceu algo assim antes. Bem, nunca atraí o tipo certo de homens.

- Qualquer dia desses o homem ideal aparecerá. Você o merece mais do que ninguém.

- Obrigada. E o sentimento é recíproco. Eu gosto muito do seu Dwight.

- Eu também - Winnie respondeu sorrindo.

- Depois do casamento vocês pretendem morar com Marie e Joe?

- Não. Há uma outra casa na fazenda, onde o avô de Dwight morava. Está sendo totalmente reformada e é para lá que iremos. Se você quiser, posso levá-la até o local, para dar uma olhada.

- Eu gostaria muito.

- Você está muito melhor agora do que quando chegou aqui, Demi. A dor diminuiu um pouco?

- Sim, graças a você e a sua mãe.

- É isso o que nós queremos. Logo papai estará de volta e poderemos passear pelos arredores. Você sabe que eu não sou uma grande conhecedora da área e mamãe não gosta de dirigir durante horas seguidas. Há muitos pontos históricos nesta região que merecem ser vistos.

- Eu sei, já li bastante a respeito.

As  duas  continuaram  conversando  sobre  alguns  possíveis  passeios  e  o  nome  de  Joe não  foi mencionado outra vez, embora não saísse dos pensamentos de Demi.
Nos dias que se seguiram eles se viram ocasionalmente e sempre por obra do acaso, que parecia querer aproximá-los.
Quando Winnie e ela visitavam Dwight na fazenda, Joe costumava aparecer e parar por alguns instantes, interessado na conversa que girava sempre sobre cavalos, gado ou rodeios.
Demi não entendia quase nada do assunto, mas tudo o que a interessava era ter a oportunidade de estar perto de Joe.
Ele notava a maneira com que ela o fitava e sentia-se perturbado. As mulheres sempre o haviam perseguido, mas havia algo diferente em Demi. Que ela se sentia atraída não havia a menor dúvida, entretanto parecia tímida demais para flertar abertamente, o que servia apenas para aumentar o seu interesse.
 Joe passou a procurar oportunidades de vê-la, embora dissesse a si mesmo que não pretendia envolver-se. Demi despertava algo dentro dele que jamais imaginara existir.
Às vezes sentia-se estranhamente irritado pelos sentimentos que vinha experimentando, porém tinha a impressão de que havia sido pego por uma avalanche que não conseguia fazer parar. Alguns dias depois da festa, Joe notou o carro de Winnie passar pela fazenda em direção a Pryor. Ao perceber Demi na direção, e sozinha, ele arrumou uma desculpa para ir à cidade, dizendo a si mesmo que precisava comprar cordas novas, embora soubesse que o estoque da fazenda estivesse muito bem fornido.
Foi assim que Demi e ele se encontraram, como que ao acaso, em Pryor. Ela estava comprando algumas linhas de crochê para a sra. Manley, enquanto Winnie se ocupava em resolver detalhes do seu vestido de noiva numa outra loja.
Joe se aproximou com as cordas novas nas mãos. O mau humor que o consumia tinha um nome: Demi. Todos os motivos pelos quais não devia se envolver com aquela garota saltavam-lhe aos olhos, pois ela era sinônimo de complicação, a última coisa que precisava na vida neste exato momento. A senhorita Alta-Sociedade não era o tipo de mulher que se adaptasse à vida numa fazenda e ele começava a sentir a passagem dos anos. As muitas mulheres com as quais costumava sair já não lhe atraíam mais e a idéia de uma esposa e filhos vinha-lhe à mente com maior freqüência.
Talvez filhos estivessem fora de cogitação, considerando o caráter do seu pai verdadeiro.
Além do mais, a sua reputação de mulherengo acabaria por dificultar a possibilidade de encontrar uma mulher decente que quisesse se casar com ele. É claro que não era assim tão fácil colocar freios no próprio interesse e ao ver Demi diante de si, ele não conseguiu evitar a reação imediata do corpo.

- Olá, Joe! Está pretendendo sair à procura de alguma ovelha desgarrada? - ela perguntou com um sorriso, apontando para acorda.

- Vim apenas comprar uma corda nova - ele respondeu irritado consigo mesmo por ter dito uma mentira tão óbvia.
- Oh! Você sabe preparar um laço?

- Esta é uma corda de náilon e tem outras utilidades - Joe falou secamente. - Você está sozinha?

- Não. Winnie veio comigo e está resolvendo detalhes sobre o vestido de noiva.

- O casamento deles será o acontecimento do ano.

Joe não conseguiu disfarçar o sarcasmo da voz. Dwight era um Jonas legítimo e havia herdado a parte do leão nos negócios, embora ele não pudesse se queixar de seu quinhão na herança. Entretanto, era difícil abrir mão da sua condição de primogênito de uma hora para outra.

- Você está magoado, não está?

A pergunta, feita com suavidade, o pegou de surpresa. Havia compaixão e compreensão naqueles olhos castanhos e ele não sabia se gostava ou não do que via.

- Você não tem que ir para algum lugar agora, Demi?

- Pelo seu tom de voz, suponho que você esteja querendo se ver livre de mim. Então é isto, estou sendo rejeitada - Ela falou com um suspiro teatral, tentando esconder a timidez atrás do humor. - Pode me deixar de lado, eu sei lidar com a situação.

- Sabe mesmo? - Joe murmurou, levando um cigarro aos lábios.

- Provavelmente não. Winnie me avisou para me manter afastada. Ela diz que você é muito mulherengo.

- É mesmo? Sua amiga está certa. Eu nunca fiz segredo dos meus pendores. Ou você esperava uma resposta diferente?

- Fico satisfeita por ter ouvido a verdade.

- Presumo, então, que nós dois façamos parte de uma minoria, já que a grande maioria das pessoas parece preferir as mentiras, não importando o quanto sejam óbvias.

Demi sentiu-se culpada por alguns momentos, uma vez que estava tentando se comportar como alguém que de fato não era. Mas só agia assim porque sabia que o seu eu verdadeiro não poderia atrair aquele homem.
Joe percebeu a mudança de expressão no rosto de Demi e ficou intrigado, mas antes que pudesse fazer qualquer comentário, reparou que Winnie se aproximava.

- É melhor que você se vá. A sua guarda-costas está a ponto de vê-la conversando comigo. E não lhe dará sossego durante o resto do dia se nos ver juntos.

- Você se importaria com isso?

- Sim, em atenção a Dwight. Não quero me indispor com Winnie antes mesmo do casamento - Joe riu com sarcasmo antes de continuar: - Há tempo de sobra para isso depois.

- Você não é esse mau caráter que finge ser.

- Não acredite nisso, doçura. É melhor que você vá agora.

- Está certo. Vejo-o qualquer dia desses.

- Claro.

Joe caminhou até o jipe sem olhar para trás. Ter ido à procura de Demi havia sido um grande erro. Ela era a melhor amiga de Winnie e sua futura cunhada estava determinada a impedir um relacionamento casual entre ambos.
Era preciso manter a cabeça fria, pois já tinha problemas suficientes na sua vida.
Demi estava aparentemente tranqüila ao se encontrar com Winnie, que parecia não caber em si de satisfação.

- Meu vestido vai ficar lindo! - ela falou com entusiasmo. - Você estava conversando com alguém?

- Nada de importante. Já comprei as linhas para a sua mãe - Demi respondeu mudando de assunto.

Winnie aceitou a explicação e ambas voltaram para casa sem tocar no nome de Joe.
Entretanto, Demi não conseguia esquecê-lo e quando dois dias depois ela e Winnie foram convidadas para um jantar na casa dos Jonas, não pôde deixar de pensar que talvez o destino estivesse trabalhando a seu favor.
Na noite do jantar Demi decidiu usar um vestido cinza claro de gola alta e como complemento apenas um cinto delicado.
Embora não se tratasse de um modelo sexy, seu corpo bem-feito ficava em evidência. Os cabelos presos num coque simples e a maquiagem suave davam o toque final de elegância. Sua aparência era bem menos sofisticada do que a do dia da festa, o que não deixava de ser intrigante.

- Você está ótima - Winnie comentou. - E esta noite, por favor, não tente parecer o que não é.

- Por quê? Você espera que Joe Jonas mantenha distância de mim se me ver como eu realmente sou: uma mulher antiquada?

- Eu não estou tentando ser chata, Demi. Só não quero vê-la magoada. Joe... tem andado tão diferente.

- Como era ele antes?

- Alguém muito divertido - Winnie respondeu sorrindo. - Sempre teve um olho comprido nas mulheres, porém era mais sutil. Agora está indiferente e parece não ter consciência, não se importando em ferir as pessoas.

- Eu não creio que Joe viesse a me magoar.

- Não aposte nisso. Você acredita demais nos outros. Há gente que não tem escrúpulos.

- Não penso assim. Não depois de ter presenciado tantas coisas na minha vida. Muitas vezes a beleza se esconde nos lugares mais terríveis.

Winnie não sabia o que mais dizer à amiga. Provavelmente seus avisos não surtiriam efeito. Só lhe restava torcer para que Joe estivesse ausente ou, caso se encontrasse em casa, demonstrasse um interesse genuíno em Demi.
Estava anoitecendo quando as duas chegaram à casa dos Jonas.

- Vocês estão adiantadas - Marie falou, parecendo bastante alterada ao abrir a porta para as convidadas. - Oh, Deus! Será que uma de vocês sabe alguma coisa a respeito de primeiros socorros? Dwight deu um pulo até a cidade para comprar vinho e Joe está com um corte profundo no braço. Eu não sei o que fazer...

- Onde está ele? - Demi perguntou num tom de voz seguro e profissional. - Eu sei o que deve ser feito.

- Graças a Deus! - Marie murmurou levando-as em direção aos quartos.

- Acho que vou esperá-las na sala de estar, se vocês não se importarem - Winnie falou. - Eu não sei como poderia ajudar.

- Então você não ficará sozinha - Marie apressou-se a dizer. - Eu também não posso ver sangue. Ele está no banheiro daquele quarto. E dá para ouvi-lo praguejar.

Demi entrou, um pouco hesitante, reparando no ambiente sóbrio ao redor. A decoração era em tons terrosos e poucos móveis dominavam o ambiente: uma escrivaninha, duas poltronas junto à lareira e uma cama de casal enorme.
Como a porta do banheiro estivesse entreaberta, ela entrou. Joe estava de pé junto à pia, sem camisa, e tendo num dos braços um corte que ia do cotovelo ao pulso. O sangue jorrava sobre o mármore.

- Vai precisar de pontos - ela falou.

- Que diabo você quer aqui? - ele retrucou com raiva, os olhos verdes faiscando.

Demi se aproximou, tentando não fitar o corpo musculoso e viril que a deixava sem fôlego.

- Marie e sua futura cunhada estão à beira de um ataque de nervos, mas eu não. Deixe-me ver o ferimento, por favor.

Logo ela estava limpando o corte com um desinfetante e passando pomada de penicilina.

- Imagino que você se oporia se eu sugerisse uma ida ao hospital?

Joe a fitou com intensidade, tomado por emoções desencontradas.
Havia planejado não estar em casa quando Winnie e Demi chegassem para o jantar. Só que não imaginara ferir-se quando, em vez de prestar atenção no que estava fazendo, deixara a mente vagar, os pensamentos centrados em Demi.
Ela tentava ignorar as batidas aceleradas do próprio coração, lutando para esconder o nervosismo. Joe, por sua vez, também tinha o pulso alterado e a respiração rápida.

- Pelo menos parou de sangrar. Será que você tem curativos prontos?

- O quê? - ele murmurou sem deixar de fitá-la.

- Curativos... Não tem importância, eu posso usar este material aqui.

As mãos dela estavam frias sobre a sua pele quente e ele não podia deixar de notar o quanto Demi demonstrava segurança no que fazia.

- Você já fez isso antes, não é mesmo?

- Oh, sim, muitas vezes. Estou acostumada a tratar de pessoas.

- Obrigado. Estou me sentindo melhor.

- Como foi que você se cortou?

- Eu virei para a esquerda quando deveria ter me virado para a direita, doçura. Agora que você já cuidou deste ferimento, será que poderia dar uma olhada neste outro aqui?

- Qual?

Joe apontou para um corte pequeno no peito e que ainda sangrava.

- Acho que sua camisa está acabada - Demi murmurou, tentando esconder o tremor das mãos ao tocar o ferimento.

Era bom sentir a pele quente daquele homem sob os seus dedos. Ele estava ferido e ela não podia correr o risco de perder o controle, entregando-se às emoções que tanta proximidade despertava.

- A camisa e a jaqueta também - Joe falou em voz baixa, sentindo o corpo responder ao toque de Demi. - Mas se você pretende pôr algum curativo aqui, é melhor esquecer.

- Acho que... que tirar o curativo depois pode ser doloroso, por causa destes... pêlos todos.

A maneira com que ela falou foi levemente excitante. Joe passou a mão no peito, enquanto dizia:
- Então apenas limpe o corte, querida, e não faça mais nada.

- Está bem.

Querida.
Nunca, homem algum a havia chamado assim com uma voz tão profunda e sensual.
Ela tomou a pomada e a passou sobre a área machucada em movimentos suaves, parando no instante em que sentiu Joe ficar tenso.

- Está doendo? - Demi perguntou baixinho, intrigada pelo brilho daqueles olhos verdes.

- Não da maneira que você está pensando - ele respondeu secamente.

Joe sentia o corpo rígido de desejo, mas não podia permitir que nada acontecesse. Tinha que dar um paradeiro naquelas emoções e o melhor era que fosse já.
Mas Demi tinha a fragância de flores e o toque delicado sobre a sua pele nua parecia embriagá-lo. Sem que se desse conta, pressionou os dedos dela sobre o peito, fitando-a com intensidade.
Ela parecia mais jovem hoje, vestida com simplicidade. E ele a apreciava ainda mais assim do que metida no vestido sexy da noite da festa. Esteve a ponto de dizer isso, porém conseguiu calar-se a tempo.

- Já... parou de sangrar - Demi sussurrou, fitando-o nos olhos.

- Sim.

Joe acariciou a mão dela, fazendo-a deslizar sobre o seu peito, deixando-a perceber o efeito que esta carícia suave produzia em seu corpo.

- Joe... - ela murmurou, sentindo o coração pulsar com violência.

Ouvi-la dizer o seu nome com a voz sumida o fez perder a cabeça. Sem deixar de fitá-la ele se inclinou lentamente, com um único pensamento: beijar os lábios entreabertos que pareciam convidá-lo. Ela nem mesmo tentou fingir uma pequena resistência.
Demi queria ser beijada quase que com desespero. Nunca homem algum a havia atraído tanto. Ao menos uma vez, queria sentir o gosto de Joe. Ao menos uma vez...
Demi fechou os olhos entregando-se ao momento, seus lábios quase se tocando.
E então uma voz feminina quebrou o encanto, rompendo o silêncio carregado de emoção.

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olá! td bem? eu vou bem... gente, minha vida está uma loucura! td hard '-' ESSA PESSOA QUE INTERROMPE UM MOMENTO DESSES DEVE SOFRER DE ALGUMA COISA -nnnnn só no próximo p vcs descobrirem sz COMENTEM! Respostas aqui' bjs, amo vcs <3

30.10.14

Perigosa Atração - Capítulo 2


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- Você tem certeza de que eu estou bem assim? - Demi perguntou, olhando-se no espelho com expressão preocupada.

Winnie havia lhe emprestado um vestido tomara-que-caia para a festa daquela noite na fazenda Jonas. e ela o estava achando um pouco ousado demais.

- Pare de se preocupar! O vestido não é assim tão decotado, mesmo para os padrões de Pryor. Você está ótima e só se sente estranha porque esteve, por algum tempo, fora de contato com a moda.

Demi suspirou e olhou para o espelho mais uma vez, tendo dificuldade para se reconhecer na imagem refletida. Seus cabelos longos e negros haviam sido deixados soltos e caíam sobre os ombros em ondas suaves, numa moldura perfeita para o rosto delicado. Resolvera também passar rímel, blush e um pouquinho a mais de batom do que o habitual, obtendo um efeito encantador. O vestido justo, em tons de verde e preto, acentuava as linhas perfeitas do seu corpo esguio e lhe dava um ar sofisticado. Sandálias pretas, de salto alto, davam o toque final de elegância.
Winnie costumava participar de desfiles promovidos por uma das butiques da cidade, tendo aprendido inúmeros truques de beleza, sendo capaz de tirar partido dos pontos positivos e disfarçar as pequenas imperfeições do rosto e do corpo. E fora com extrema satisfação que ela usara seus conhecimentos para vestir a sua amiga nesta noite.

- Eu sempre soube que você ficaria uma beleza se usasse a roupa e a maquiagem adequada! – Winnie exclamou com alegria, observando a figura de Demi. - Estou satisfeita que me tenha, finalmente, deixado arrumá-la. Você terá todos os solteiros da festa aos seus pés. Dwight tem um amigo muito simpático. Espero que ele apareça.

- Eu também - Demi respondeu rindo, embora seu pensamento estivesse num outro homem muito especial, alguém cujas atenções ela gostaria de receber.

Embora não soubesse que tipo de problemas Joe vinha enfrentando, só o fato de sabê-lo magoado  enchia o seu coração de ternura. Não é bom estar sozinho quando se enfrenta alguma dor.

- Você está linda, Demi, acredite em mim - Winnie foi falando enquanto puxava a amiga para a sala de estar, querendo exibi-la. -Mamãe, olhe o que eu fiz com Dem! - A sra. Manley, uma mulher alta e com os cabelos grisalhos, sorriu diante do entusiasmo da filha:

- Mas que mudança! Você está uma verdadeira beleza, Dem. Gostaria que seus pais pudessem vê-la.

- Sim, eu também, sra. Manley.

- Desculpe-me, eu não quis entristecê-la. Sua mãe e eu fomos grandes amigas por mais de trinta anos e se estes últimos tempos têm sido difíceis para mim, imagino como têm sido para você.

- A vida continua - Demi respondeu tentando parecer despreocupada. - Este vestido não é um sonho? Quero lhes agradecer, outra vez, por terem me recebido aqui. Não sei o que faria, ou para onde iria, se não fosse por vocês duas.

- Tenho certeza de que você tem muitos amigos além de nós, embora eles estejam espalhados pelo mundo afora - Winnie falou abraçando Demi. - Mas eu continuo sendo a sua melhor amiga, não é? Lembra-se de quando estávamos na escola, em Bisbee, e tínhamos que subir a montanha todos os dias para voltarmos para casa depois da aula?

- Às vezes sinto saudades do Arizona - Demi murmurou.

- Eu não - a sra. Manley interveio. - Costumava ter pesadelos nos quais caía do alto das montanhas. Foi bom quando meu marido decidiu aceitar a oferta de um novo trabalho e nos mudamos para cá. É claro que se eu soubesse que ele precisaria passar grande parte do tempo viajando pelo mundo, teria pensado melhor no assunto. Ultimamente ele quase não pára em casa.

- Mas papai irá se aposentar no ano que vem.

- Sim, eu sei, Winnie. Bem, acho melhor que vocês duas se ponham a caminho já, ou chegarão atrasadas. A festa é na casa dos Jonas?

- Sim - Winnie sorriu. - Só espero que Dwight não desista de mim e resolva fugir com Dem.

- Sem perigo. Vocês já estão noivos - Demi respondeu com um ar divertido.

Winnie dirigiu até a fazenda. Demi sabia dirigir também, porém não possuía uma carteira de motorista atualizada, já que nos últimos dois anos não havia precisado de carro.

- Lembre-se do que eu lhe disse, Demi, e não chegue muito perto de Joe. Embora não creia que ele irá se aproximar de você, já que parece não se entusiasmar com mulheres inexperientes. Eu não estava brincando quando falei que ele é um homem perigoso, envolvente, vivido. E atualmente parece estar fora de si.

- Ele não pode ser assim tão difícil.

- Não creia nisso. Tenha cuidado.

- Está bem, terei cuidado - Demi prometeu cruzando os dedos atrás das costas. - Afinal Joe é um homem amargo porque foi rejeitado por alguma mulher ou porque foi uma criança maltratada pela mãe?
- As mulheres não costumam rejeitar Joe, muito pelo contrário, e a mãe dele foi uma santa, segundo as palavras de Dwight. De fato, a sra. Jonas era adorada por todos da cidade e morreu há dez anos. O pai... era um fazendeiro com um coração que não cabia no peito e morreu há seis meses. Aquele foi um casamento feliz.

Demi percebeu a hesitação na voz de Winnie ao tocar no nome de Hank Jonas, só que não entendia o porquê.

- Então você sabe o que há de errado com Joe?

- Sim. Mas não posso dizer-lhe. Não é um assunto que me diga respeito e Dwight já foi perguntado sobre isso um milhão de vezes, pela cidade inteira. Não quero parecer indelicada, pois eu confio em você. Entretanto, este assunto diz respeito apenas a Joe.

- Entendo.

- Não, você não compreende. Porém Dwight poderá lhe contar algum dia, ou então, Marie.

- Marie se parece com Dwight ou com Joe?

- Ela  tem  o  tipo  físico  de  Dwight:  loura,  olhos  azuis.  Joe é...  diferente.  Mais  cabeça  dura. Temperamental.

- Tive essa impressão. Ele nunca sorri?

- Às vezes. Especialmente quando está a ponto de agredir alguém. Ele não é um homem fácil. É  arrogante, orgulhoso, impetuoso demais. Você descobrirá por si mesma, só não quero que seja de uma maneira dolorosa.

- Eu sei cuidar de mim mesma, Winnie, você sabe. Estive fazendo exatamente isso em lugares perigosos. E por um longo tempo.

- Eu sei, mas há uma grande diferença entre o que você esteve fazendo e a relação entre um homem e uma mulher. Falando com sinceridade, você é uma mulher ingênua apesar dos seus vinte e cinco anos e embora tenha levado uma vida cheia de aventuras em alguns aspectos, permaneceu ignorante em outros. Não creio que seus pais tenham levado as suas necessidades muito em conta quando fizeram os planos de vida.

- Sim, Winnie, eles me levaram em conta - Demi falou com um sorriso. - Sou muito parecida com os dois e adorei cada minuto do que fizemos juntos. E mesmo agora, ainda sinto falta daquele tipo de trabalho. As coisas acontecem conforme a vontade de Deus. Vou superar tudo isso.

- De qualquer maneira, acho que foi um desperdício...

- Oh, não, não foi um desperdício. Eles ainda estão vivos, no trabalho que fizeram, nas vidas que mudaram.

- Não quero discutir com você, Dem. Através de todos estes anos sempre nos mantivemos em contato e permanecemos amigas. Você ainda é a irmã que eu nunca tive e enquanto eu estiver viva, você sempre terá um lar.

Demi tentava conter as lágrimas que teimavam em escorrer daqueles belos olhos castanhos.

- Se as circunstâncias fossem invertidas, espero que saiba que eu faria a mesma coisa por você.

- Eu tenho certeza que sim - Winnie murmurou emocionada.

O caminho que conduzia à casa da fazenda era margeado por pinheiros e ao longe via-se a sombra das montanhas.

- Isto aqui não é o paraíso? - Demi falou com um suspiro. - O Wyoming é lindo!

- Sim, com certeza. Eu posso passar o resto da minha vida aqui. Agora, Dem, me diga: você não está pretendendo passar a noite inteira se esquivando das pessoas, está? O objetivo de uma festa é permitir que todos se encontrem.
- É  você que precisa se encontrar com as pessoas, já que está para se casar com o dono da casa.

- Você pode desfrutar da situação também. Os convidados são interessantes. A maioria é composta por fazendeiros, criadores de cavalos, participantes de rodeios.

- Você está me deixando nervosa - Dem respondeu sentindo-se desconfortável, enquanto Winnie estacionava o carro. - Eu não sei nada sobre rodeios, cavalos ou gado.

- Não há nada como o momento presente para aprender. Vamos, está na hora.

- Será que eu não posso ficar esperando por você dentro do carro?

- Não há a mínima chance, minha amiga. Especialmente depois de todo o trabalho que eu tive para arrumá-la. Quero ter a oportunidade de exibi-la.

- Querendo mostrar os seus dotes de artista, hein? - Demi brincou. - Desisto, vamos então.

Dwight Jonas estava na varanda e foi ao encontro das recém-chegadas no mesmo instante, beijando a noiva com alegria.

- Oi, Dem, que bom que você veio - ele falou e ficou em silêncio por alguns segundos, fitando a morena com atenção. - Dem? É mesmo você?

- Obra minha - Winnie falou sorrindo. - Ela não está uma beleza?

- Está maravilhosa. Se eu não tivesse visto você primeiro... - Dwight começou.
Winnie pisou no pé do noivo e comentou com um ar divertido:

- Pare aí, se não quiser acabar com uma perna quebrada. Você é todo meu e é melhor não se esquecer disso.

- Como se eu pudesse - Dwight respondeu piscando um olho. - Você está linda, Dem, mas eu estava apenas brincando.

- Você está desculpado desta vez - Winnie murmurou abraçando o noivo. - Onde está Marie?

- Lá atrás, perto da banda. Joe está do outro lado.

- Marie e Joe não combinam muito bem - Winnie explicou à amiga.

- Felizmente nossos convidados se encarregarão de mantê-los afastados um do outro. Minha mãe passou a vida inteira tentando apaziguar as brigas entre os dois. Quando Joe esteve no exterior durante um ano, encarregado de um trabalho de vendas, nós até que conseguimos desfrutar várias refeições na mais completa paz. Agora temos indigestão e uma nova cozinheira a cada mês. Falando em comida, vamos ver se ainda resta alguma? Creio que vocês duas são os últimos convidados que estávamos esperando.

- Os melhores são sempre esperados, querido - Winnie falou com um sorriso radiante.
No enorme pátio, todo enfeitado com lanternas coloridas, mesas e cadeiras, um cozinheiro oriental se encarregava de assar a carne. Junto a ele, duas mulheres conversavam e Demi logo soube que uma delas era Marie Jonas.

- O cheiro está delicioso - Dem comentou com o anfitrião.

- E o sabor também - Dwight respondeu. - Vamos nos servir e apreciar a comida.

Mas no caminho, o casal de noivos parou para conversar com alguns conhecidos e Demi continuou sozinha até a mesa principal, onde o bufê estava instalado. Ela serviu-se com parcimônia e pegando um copo de chá gelado, procurou um lugar onde sentar-se.

Joe Jonas estava de pé não muito longe dali, conversando com um dos convidados, quando viu Demi sentar-se sozinha a uma das pequenas mesas. Ele não a havia perdido de vista um só instante, desde que a vira chegar, e não conseguia entender por que se sentia tão atraído por aquela mulher, embora esta noite ela estivesse realmente bonita, metida num vestido sexy que lhe dava um ar sofisticado. Winnie costumava trabalhar como modelo e Joe sabia que muitas das amigas da sua futura cunhada eram mulheres liberadas. Tempos atrás ele mesmo havia saído com Winnie uma única vez e talvez fosse por isso que ela tivesse uma opinião desfavorável a seu respeito. Não que houvesse acontecido algo entre os dois, pois Dwight resolvera namorar Winnie e cortara qualquer possibilidade deles se verem outra vez.
Joe não dera a mínima importância à intromissão do meio-irmão, já que as mulheres costumavam cair aos seus pés e ele não tinha interesse real em Winnie. Talvez ela houvesse se sentido ofendida por ter sido deixada de lado, porém ele nunca chegara a querer uma mulher o suficiente para se sentir disposto a lutar por ela. Todas eram iguais.
"Bem, a maioria era igual", Joe pensou fitando Demi, reparando o porte elegante, a delicadeza dos gestos.
Já fazia algum tempo desde que ele estivera com uma mulher e seu corpo ansiava por um alívio sensual que o fizesse esquecer o desgaste emocional que o consumia. Não que ele se lembrasse da noite que havia passado em companhia de Dale Branigan, muito pelo contrário. Talvez fosse por isso que o seu corpo ficava rígido a cada vez que olhava para Demi.
Ela sentiu que Joe a olhava e o fitou, pensando no quanto aquele homem a atraía.
Ele vestia calça jeans, camisa branca de mangas compridas, uma bandana ao redor do pescoço e botas de couro. Seus cabelos negros estavam úmidos, como se ele houvesse acabado de sair do banho. Joe era o homem mais envolvente que Demi jamais encontrara e seu corpo respondia ao aspecto viril dele com uma intensidade difícil de controlar.
Ela não devia encorajá-lo, sabia que não devia, mas não conseguia deixar de fitá-lo. Dem tentava se enganar dizendo a si mesma que em sua vida tivera poucas oportunidades de encontrar homens interessantes e que era natural se sentir atraída pelo primeiro solteiro bonito que encontrasse.
"Se aquele olhar não for um convite, então estou cego", Joe pensava, desistindo de resistir por mais tempo.

Ele atirou  o cigarro no chão, pediu  licença  ao convidado com  quem  estivera  conversando e se aproximou do bufê. Depois de servir-se e pegar um copo de cerveja, sentou-se junto a Demi, notando o quão pouco ela havia se servido.

- Você não está gostando da comida? - ele perguntou sem sorrir.

Demi fitou o homem à sua frente, reparando nos olhos verdes, o cabelo negro e curto, o rosto de traços marcantes, a boca sensual. Joe ainda não havia sorrido e continuava a examiná-la com interesse. Esta não era a primeira vez em que um homem a despia com os olhos, porém era a primeira vez que se sentia tão afetada. Tinha vontade de puxar a toalha da mesa e cobrir-se.
Entretanto, não faria isso, pois já não havia aprendido que a maneira de enfrentar um predador era demonstrando uma coragem inabalável? Demi lançou mão de todo o seu senso de humor e pôs-se a representar o papel de mulher sofisticada.

- Eu lhe perguntei se você não está gostando da comida - ele insistiu numa voz suave e profunda, mais apropriada para uma situação de intimidade.

Dem se assustou com o rumo dos próprios pensamentos. Não podia se deixar envolver desta maneira por um estranho, ainda que ele fosse alto, forte e viril.

- Oh, eu gosto da comida, sim. Só não estou habituada a comer muito - ela respondeu com um sorriso provocante.

- Diga-me então - Joe falou com arrogância.

- Dizer-lhe o quê?

Ele estava um pouco desapontado com as maneiras desinibidas dela, pois julgara que se tratava de uma mulher um pouco tímida. Mas esta não era a primeira vez que se enganava a respeito de uma mulher.

- Dê-me tempo, vou pensar em alguma coisa - respondeu Joe.

- Espero que não seja casado, sr. Jonas, ou que tenha uns seis filhos. Eu odiaria ter que estragar a festa me atirando de cima do telhado.

- Eu não sou casado - Joe retrucou como mesmo senso de humor, sentando-se ainda mais perto de Demi. Perto demais.

Ele cheirava a água de colônia e sabonete, um aroma potente para uma mulher que não estava acostumada a estar perto de homens tão envolventes.

- Presumo que você não tenha vindo sozinha - ele falou, fitando-a com intensidade. - Deixe-me comer um pouco mais e estarei pronto para acabar com o seu acompanhante.

- Oh, eu não tenho um acompanhante - Dem respondeu tentando esconder o nervosismo sob o senso de humor. - Eu vim com Winnie.

- Então isso salva os meus punhos. Você conhece Winnie há muito tempo?

- Sim, somos amigas de infância.

- Ontem à noite, no bar, você disse que ficaria por aqui apenas umas duas semanas. Faz tempo que chegou?

- Poucos dias. Há muito eu andava querendo rever Winnie. Não nos víamos há alguns anos.

Era impossível dizer-lhe que a sua estada em Pryor dependeria da possibilidade de manter-se incógnita. Desde que voltara ao país havia conseguido se manter afastada da mídia e não queria que a imprensa a descobrisse outra vez.

- Você já conheceu os pontos turísticos da cidade? - Joe perguntou, fitando seus ombros nus e o início dos seios com ousadia.

- Ainda não, mas tenho me divertido. É bom tirar alguns dias de férias.

- O que você faz... quando não está visitando os amigos?

- Sou uma vamp - Demi respondeu, divertindo-se em surpreender Joe.

Era bom agir como uma atriz; representar um papel ajudava-a a esquecer um pouco do horror dos últimos meses.

- Não, não acredito nisso - ele falou depois de alguns segundos de silêncio. – O que você faz de verdade?

Dem bebeu um pouco de chá, tentando ganhar tempo para pensar. Joe não era nenhum estúpido, entretanto não poderia escapar alguma informação que revelasse quem ela realmente era e o que fizera até poucos meses atrás.

- Estou no ramo de salvamento.

Demi riu ao notar a expressão do rosto de Joe.

- Oh, não, não trabalho na recuperação de objetos ou coisas afins. Trabalho com a recuperação de pessoas. Sou... - ela hesitou, tentando dizer algo que não fosse uma completa mentira.

- Você é o quê?

Joe era perigosamente curioso, tinha o raciocínio rápido. Era preciso despistá-lo antes que ele lhe arrancasse a verdade.

- Você, por acaso, é uma reencarnação da Inquisição Espanhola?

- Eu nem mesmo falo espanhol - Joe respondeu sorrindo, apesar de estar cheio de suspeitas. – Quantos anos você tem?

- Calma, você me deixa sem fôlego!

Ele fitou a boca bem feita por alguns segundos, antes de murmurar:

- Isto é uma sugestão?

A mão de Demi tremia quando ela colocou o copo sobre a mesa. Joe era um homem experiente e a deixava nervosa. Não era preciso muito esforço para entender o sentido da sua última pergunta.

- Você vai rápido demais - ela falou um pouco apreensiva.

Ele se recostou na cadeira, observando-a com atenção. Dem lhe dava a impressão de ser uma mulher cheia de contradições, e isso o atraía ainda mais.

- OK, querida. Vou pisar no freio.

- Quantos anos você tem? - ela perguntou, embora já soubesse a resposta.

- Trinta e quatro. Velho demais para você, doçura?

- Eu tenho vinte e cinco.

Joe a julgara mais jovem. Sim, havia algumas linhas suaves marcando o rosto bonito e um ou outro fio de cabelo branco. Nove anos mais nova do que ele... A diferença de idade não era tão grande assim e aos vinte e cinco, ela não poderia ser uma inocente. Joe sentiu o coração disparar ao observar o corpo bem feito, imaginando como seria vê-la sem as roupas, beijar a boca sensual. Se ao menos não fosse amiga de Winnie...
Demi era um verdadeiro enigma. Jovem, e de repente, não tão jovem assim. Tinha a impressão de que aquela mulher não era o que parecia ser e que, assim como ele, sabia esconder as suas emoções.

- Vinte e cinco anos. Você não é mais nenhuma criança, não é mesmo?

Joe percebeu muito bem que a expressão dos olhos de Demi se alterava, como uma atriz que se prepara para entrar em cena.

- Não, já não sou mais criança - ela murmurou, pensando na recente provação que tivera de enfrentar.

Nem por um segundo lhe passou pela cabeça que Joe poderia interpretar a sua resposta de uma outra maneira, julgando-a experiente como mulher, quando na verdade não o era.
Ele sentiu o corpo reagir à proximidade de Demi e ficou surpreso. Em geral levava muito mais tempo até que uma mulher pudesse afetá-lo fisicamente com tanta urgência. Eles se fitaram com intensidade por vários minutos e era possível sentir a eletricidade no ar.
O olhar dele desceu até o colo exposto de Demi e Joe ficou tenso tentando imaginar como seria sentir aqueles seios firmes sob a sua boca...
O som repentino de vozes os arrancou da tensão que parecia consumi-los.

- Você pensou que nós a havíamos abandonado? - Dwight perguntou. - Vejo que se encontrou com Joe. Cuidado, ou ele poderá arrastá-la para debaixo da mesa.

- Tenha cuidado você - Joe respondeu ao irmão mais jovem com aspereza.

- Vocês não se importam se nos sentarmos aqui, não é mesmo? - Dwight insistiu.
- É claro que não - Demi interveio, reparando no antagonismo entre os irmãos. - Vocês dois não parecem estar se entendendo muito bem. Alguma coisa errada?

O silêncio que se seguiu foi embaraçoso.

- Não, não nos entendemos muito bem - Joe falou com frieza. - Temos a mesma mãe, mas não o mesmo pai. Não é isso mesmo irmãozinho?

- Demi não sabia - Dwight respondeu, enrubescendo. - Ultimamente você está sempre na defensiva, Joe.

- Se eu não posso esquecer, por que você o faria?

- Você faz parte da família. Seria bom se parasse de agredir a todos e em especial, Marie.

- A agressão é recíproca. - Joe bebeu o resto da cerveja e virou-se para Demi: - Você não entende, não é mesmo, doçura? Eu não sou filho do pai de Dwight e Marie, fui adotado. Um detalhe que minha mãe e meu padrasto acharam que eu não precisava saber, até que meu padrasto morreu seis meses atrás.

- Sinto muito - ela falou com suavidade. - Deve ter sido difícil para você descobrir tudo de uma maneira tão abrupta.

- Eu não quero piedade - Joe respondeu odiando a ternura daqueles olhos castanhos. Tudo o que poderia vir a querer de Demi era o seu corpo bem feito e nada mais.

- Joe, pelo amor de Deus! - Dwight falou, constrangido.

- Não se preocupe, não vou estragar a festa.

Num gesto lento, ele tomou alguns fios de cabelo de Demi entre os dedos, enquanto murmurava:

- Fique longe de mim. Eu não valho muita coisa. Pergunte a qualquer pessoa.

Joe se afastou sem dizer mais nada e Demi não conseguiu disfarçar o quanto a angústia dele a afetava.

- Não caia no erro de sentir compaixão - Dwight a alertou. - Piedade é a última coisa que ele quer ou precisa. Ele precisa se encontrar de novo.

- Onde está o pai verdadeiro de Joe? - Demi perguntou.

Mas antes que Dwight pudesse responder, uma garota loura sentou-se junto a Winnie.

- Então ele foi embora - Marie Jonas murmurou. - Joe anda impossível. Não posso lhe dizer duas palavras que... Desculpe-me, você deve ser Demi. Pensei que Winnie nunca nos daria a chance de conhecê-la! Desculpe-me o desabafo, eu não pretendia discutir assuntos de família em público. Mas é que Joe sempre consegue me tirar do sério.
- O que foi que ele fez agora? - Dwight perguntou com um ar cansado.
- Ele seduziu a minha melhor amiga.
- Dale Branigan não é a sua melhor amiga e além do mais é uma mulher divorciada, experiente e louca para agarrar um homem. Se alguém foi seduzido, tenho certeza de que foi Joe. Ela também deveria saber que um único encontro não significa nada.

- Não estou me referindo a Dale e sim a Jessie.

- Joe nunca se aproximou de Jessie.

- Ela me contou que ele...

- Marie, Jessie é uma pessoa incapaz de dizer a verdade, mesmo que a vida dela dependesse disso. Ela sempre foi louca por Joe e ele nunca lhe deu atenção. Aposto que está inventando histórias, tentando forçar uma aproximação, um compromisso. Porém, nem uma chantagem seria capaz de arrastá-lo ao altar.

- Talvez ela não esteja mentindo. Você sabe como Joe é em relação às mulheres.

- Eu sei, mas penso que você não conhece o gosto do nosso irmão. Ele aprecia mulheres sofisticadas, vividas. Agora, Marie, esqueça este assunto e cumprimente Winnie.

- Olá, Winnie. É bom ver você outra vez. Também estou feliz por Demi ter vindo.

Marie não mencionou que Dwight havia lhe dito o efeito que Demi causara no irmão naquela noite no bar. Sim, havia algo diferente, interessante em Demetria Lovato e Joe fora capaz de percebê-lo.

- Obrigada por ter me convidado, Marie. Eu não queria impor a minha presença.

- O prazer é nosso. E então, você está gostando do Wyoming?

- Muito. É um Estado lindo.

- Também pensamos assim. Sabe, Winnie é muito reservada no que diz respeito a você. Será que há algum segredo?

- Não que eu saiba - Demi respondeu sorrindo e mudou de assunto: - Você gosta de montar?

- Marie já foi campeã de rodeios - Dwight falou com orgulho.

- De verdade? - Demi indagou com interesse genuíno.

- Joe também. Ele já foi campeão mundial no uso da corda. Depois sofreu um ferimento sério na mão e nunca mais competiu. Joe está amargo em relação a muitas coisas e eu gostaria que ele pudesse não culpar a mim ou a Dwight. Nós o amamos, mas ele parece não querer acreditar.

- Talvez ele supere tudo isso algum dia. Felizmente há muito trabalho a ser feito na fazenda e sobra pouco tempo para se entregar às preocupações - Dwight falou. - Nossos touros costumam participar de rodeios e estamos constantemente comprando e vendendo animais. Fora disso, o trabalho de administração é um pesadelo, apesar da ajuda dos computadores.

- Tudo me parece um pouco complicado e perigoso - Demi falou, pensando no único rodeio a que havia assistido. A selvageria dos animais a surpreendera e assustara um pouco.

- Você já assistiu a um rodeio de verdade, Demi? - Marie perguntou.

- Uma única vez, quando Winnie e eu éramos crianças. Mas confesso que não me lembro de muita coisa.

- Se você ficar por aqui tempo suficiente, Demi, tenho certeza de que a tornaremos fã dos rodeios - Dwight prometeu. - E agora, Marie, que tal um pouco de música? Acho que já está na hora da banda começar a tocar.
A música e a dança foram extremamente divertidas, entretanto Demi estava desapontada, pois Joe não voltara a aparecer. Ele a fascinava, apesar do que ouvira sobre a sua reputação.
Durante os momentos em que conversaram ela tentara parecer sofisticada, segura, já que era esse o tipo de mulher que o atraía. Entretanto, ele a havia deixado e não voltara a procurá-la. Também como poderia esperar que um homem como Joe Jonas se interessasse por ela? Demi dançou, sorriu, conversou, mas seu coração não estava no que fazia. Sem a presença envolvente de Joe, tudo perdia o sentido. Na verdade ele estava se sentindo da mesma maneira. Só havia deixado a festa porque sabia que não seria capaz de resistir à vontade de dançar com Demi. E um envolvimento entre os dois significaria mais problemas, quando já possuía preocupações suficientes. Pensou então em dar um pulo até um bar qualquer, entretanto a perspectiva não o atraía. Parecia estar perdendo o gosto pela bebida e pelas mulheres fáceis.
Talvez houvesse contraído algum tipo de vírus ou coisa assim.
Joe passou junto ao alojamento dos vaqueiros e ouviu a voz de Rance, seguida de risos. Era um sábado à noite e seria impossível impedir que os homens se entregassem à bebida. Mas qualquer dia desses teria que se confrontar com Rance, que não perdia ocasião de provocá-lo. O homem estava interessado em Dale Branigan e tinha ciúmes ferozes de Joe, quando não havia motivos para que os tivesse. Joe gostaria de dizer-lhe isso, porém sabia que não adiantaria nada. Ele continuou andando, a mente cheia de imagens de Demi metida naquele vestido provocante.
Resolveu parar por alguns minutos no celeiro, a fim de dar uma olhada em duas reses doentes, pensando como seria possível alguém mudar tanto em menos de quarenta e oito horas. Talvez fosse a sua idade... Então a lembrança dos olhos castanhos e profundos de Demetria Lovato dominou-lhe os sentidos. Praguejando baixinho, ele selou um cavalo e saiu a galope para checar uma das manadas; algo que não fazia há meses.

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OLÁ, POVO BONITO ♥ como vão? eu vou bem, na medida do possível... Desculpem-me a demora, estou super atarefada! Nem no twitter to entrando direito, acreditam? Psé... To muuuuuuuuuuito feliz que estão gostando! Essa história é uma paixãozinha ♥ Comentem para o próximo, ok? Respostas aqui' Beijos, amo vcs!