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Joe deixou
a suíte após ter recusado o convite que Demi lhe fez de juntar-se a ela na
piscina. Tinha algumas coisas para providenciar antes que anoitecesse. Afinal, não
era todo dia que um homem propunha casamento a uma mulher.
Verificou as
horas no relógio de pulso e dirigiu-se ao restaurante. A primeira coisa a fazer
era encontrar Martin e pedir sua ajuda.
O
restaurante ainda estava fechado, porém Martin já estava a postos, dobrando uma
pilha de guardanapos junto com dois colegas. Ao avistá-lo, o garçom cruzou o salão
com um amistoso sorriso nos lábios.
— Olá! Posso
ajudá-lo?
— Sim, eu
queria um favorzinho.
— Diga.
— Amanhã
será nosso último dia na Jamaica.
— Que
pena... Espero que tenha gostado daqui.
— Gostei
muito, tanto que pretendo voltar em breve, em nossa lua-de-mel.
— Então vão
se casar? Meus parabéns! Grandes comemorações esta noite?
— É por isso
que estou aqui. Quero programar algo, fazer uma surpresa para Demi.
Martin
sorriu mais largo.
— É a magia
da ilha mais uma vez funcionando. Notei esse encantamento entre vocês dois no
momento em que os vi. Foi mais ou menos o que aconteceu comigo e com Mathilde.
— Bem, quero
que esta noite seja especial. Pode nos reservar uma das mesas de frente para o
mar? Eu gostaria também de um bom vinho para brindarmos o grande acontecimento.
— Joe então se lembrou de algo muito importante. — Oh, claro! E um anel de
noivado. Não posso fazer o pedido sem ele.
— Sim, o
anel. Minha prima Angelique trabalha na joalheria do saguão do hotel. Ela lhe
mostrará seu belo estoque de jóias.
— Obrigado
pela ajuda, Martin.
Demi talvez
preferisse a tradicional aliança de brilhantes. Quando chegassem a Nashville,
ele providenciaria uma. Por enquanto, o anel da prima de Martin serviria muito
bem.
— Não
precisa agradecer, Joe. Foi um prazer.
(...)
— Estamos um
pouco adiantados para nossa reserva. Que tal tomarmos um drinque no bar? Ou
prefere um passeio pela praia? — Joe parou do lado de fora do restaurante,
lindo em seu traje formal.
— Prefiro o
passeio. A praia está quase deserta.
Demi precisava de alguma atividade física. A perspectiva da partida no dia seguinte
a punha melancólica. E seu estado de espírito piorou quando Joe recusou seu
convite para irem para a piscina. Aquilo lhe representou o começo do fim.
Foram em
direção à praia. Demi parou na areia, já próxima da água, e começou a
descalçar as sandálias.
— Melhor
tirar isso. Não quero virar o tornozelo, como da outra vez.
Joe passou
a carregar suas sandálias na mão direita, o braço esquerdo passado pela cintura
estreita.
— No fim,
tudo acabou bem. Nossas férias na Jamaica foram perfeitas.
Pararam à
beira do mar, onde a areia era úmida e firme, abraçados, sentindo a maré
alcançar seus pés e tornozelos.
— É
espantoso como as marés são constantes, não importa o que esteja acontecendo no
planeta.
— É
verdade...
Caminharam
devagar pela orla. Os prédios do resort deram lugar a uma densa vegetação.
— Está vendo
aquele banco ali entre as árvores, Joe? Por que não nos sentamos para apreciar
o pôr-do-sol?
— Certo.
Dali teremos uma bela visão do oceano, além de toda privacidade.
Demi tornou
a calçar-se. Joe afastou um galho de árvore, e os dois se sentaram. Como
conseguir apreciar a paisagem quando ela não podia pensar em outra coisa além
da pressão da coxa dele contra a sua? Quando a ânsia louca dentro dela implorava
para ser saciada? Tinham tão pouco tempo... Até o dia seguinte, quando iriam
para casa e tudo o que viveram se tornaria apenas recordações.
— Demi? — Joe respirou contra seu pescoço, com voz baixa e acariciante.
— Sim?
— Lembra-se
daquela noite na praia?
— Claro que
me lembro.
— É super excitante
fazer amor em um lugar público, não acha?
— Sem
dúvida... é muito estimulante.
Joe se
levantou e contornou a banco, parando atrás dela, excitadíssimo.
—
Levante-se, Demi.
Ela o
obedeceu. O ruído de um zíper sendo aberto e a respiração forte de Joe soaram
atrás dela. Ele aproximou-se mais, encostando-se nela, fazendo-a sentir o quanto
o agradava.
Demi observou
o sol, uma
bola incandescente aos
poucos baixando no
firmamento.
Estremeceu em antecipação ao que estava para vir.
Joe levantou a parte de trás de seu vestido e afastou a calcinha para o lado, enlaçando-a.
— Você
alguma vez viu
um pôr-do-sol mais
bonito? — perguntou
ele, penetrando-a.
Demi engoliu em seco.
— Nunca. —
De fato foi espetacular.
Agarrando-se
aos quadris dele, Demi inclinou-se para a frente, para que Joe mergulhasse
mais fundo dentro dela. Joe avançava, cada vez mais, enquanto Demi apertava-o
firme, dizendo coisas com o corpo que jamais se atreveria a verbalizar.
Concentrou-se
no astro-rei até que bola de fogo explodisse em um estonteante leque de cores,
antes de desaparecer nas profundezas do horizonte.
— Isso não
foi nada... — As palavras lhe faltavam. Com os joelhos bambos, Demi ajeitou o
vestido.
Na praia, a
uns poucos metros, um casal surgiu caminhando.
—... nada
decente — Joe terminou por ela, mordiscando sua nuca, fazendo-a se arrepiar. —
Mas absolutamente incrível.
(...)
Martin os
recebeu à porta.
— Por aqui,
por favor. Esta noite nós temos um lugar especial para vocês, com uma vista
deslumbrante da praia.
Martin os
levou a uma mesa que dava de frente para mar, onde alguns vasos com folhagens
viçosas forneciam a intimidade e a privacidade que eles desejavam.
— A mesa
está de seu agrado, Joe? — Martin quis saber.
O fogo da
vela acesa tremulava na brisa que roçava em nos braços nus e no pescoço de Demi. A louça de porcelana e os talheres de prata cintilavam contra a toalha
de linho. Além do terraço, o crepúsculo transformava o oceano em turquesa líquida.
— Sim,
Martin. Está perfeita.
Com um leve
floreio, o garçom puxou a cadeira para que Demi sentasse.
— Que bom
que gostou...
Ela se
acomodou no assento almofadado. Joe sentou-se na cadeira ao lado, tomou-lhe a
mão, entrelaçando os dedos nos dela. Seu coração bateu mais rápido.
— Aceitam
uma taça de champanhe, para começar?
Os olhos
de Joe prenderam
os dela, lembranças
da intimidade que partilhavam unindo-os. Demi umedeceu os
lábios de repente secos.
— Sim,
obrigada, Martin.
Será que não
era mais capaz de dizer nada além de aquiescer? Mas o que havia para objetar? A
vista espetacular? O champanhe? Joe lhe oferecendo tudo o que sabia que a
agradaria?
Quanto mais Demi fazia força
para não pensar
do amanhã, mais
ele se intrometia. Ela e Joe
precisariam de algumas normas quando voltassem a Nashville, e seria melhor que
não tocassem no assunto Jamaica, e que deixassem a coisa toda se desvanecer,
como se tivesse sido um sonho. Talvez aquele momento fosse o ideal para conversar
com ele a esse respeito.
— Joe,
eu...
— Demi...
— Diga você.
— Achou melhor deixá-lo falar primeiro.
— Precisamos
conversar.
— Está bem.
Prossiga.
— Temos de
falar sobre nós dois.
Demi quase
caiu da cadeira.
— Estava
pensando nisso...
Como regra,
os homens nunca se sentiam impelidos a falar. E Joe não era uma exceção.
Ele passou a
mão nos cabelos. Costumava fazer isso quando estava nervoso. Por que estaria
tenso?
Martin
chegou com o champanhe. Joe sorriu e ajeitou a gravata.
O garçom se
afastou.
— Não achei
que seria tão difícil...
— Pelo amor
de Deus, Joe, fale de uma vez, ou então eu falarei. — Havia uma ponta de
desespero na voz dela. Seria tão difícil dizer que eles precisavam terminar?
Joe arqueou
uma sobrancelha.
— Será que
estamos querendo dizer a mesma coisa?
— Somos
amigos há muitos anos, e não há necessidade de rodeios. Fale.
Joe pareceu
surpreso e aliviado.
— Muito bem.
Quando você quer se casar?
— Viu? Não
foi tão difícil... — Demi gelou ao assimilar o que ouviu, e que não era o que
antecipara. Podia jurar que ele dissera “casar”. Mas não pode ser. — Você disse
“casar”?
— Sim. Isso
mesmo
O estômago
de Demi deu voltas. Não podia ser. Duas semanas atrás ele mal conseguia
pronunciar aquela palavra.
— E com quem
pretende se casar?
Ele deu
risada.
— Não seja
tola, Demi. Quero me casar com você.
— Nós dois?
— Eu e você.
Nós dois.
Demi conteve sua crescente histeria. Joe Jonas lhe propondo casamento... “Meu
Deus!” Um flerte durante as férias era uma coisa, casamento era outra, bem diferente.
— Por que
está me propondo isso? — Sem esperar pela resposta, Demi apanhou a taça e
tomou um longo gole de champanhe.
— Ei, nós
devíamos comemorar, mas apenas após você ter dito “sim”.
—
Desculpe-me, mas eu precisava de uma bebida. — E tornou a levar à taça aos
lábios. Só a depositou de volta ao tampo quando ficou vazia.
— Achei que
você fosse ficar eufórica.
— Estou sem
fala.
— Eu notei.
— Por que
iríamos querer nos casar um com o outro? — Demi tentava manter uma entonação
neutra, como se estivessem discutindo o clima, e não o futuro enlace deles.
O natural bom-humor
de Joe deu lugar à frustração.
— Você vive
dizendo que quer se casar.
— Sim, eu
sei. E você se lembra da outra parte? Ter minha própria família?
— Está bem.
Em dois anos, começaremos a nos empenhar nela.
Demi tentou
ver algum sentido na incompreensível proposta de Joe e em sua boa vontade
quanto a iniciar uma família.
— Por que, Joe?
— Droga, Demi! É só isso que tem para dizer? Porque você quer, é óbvio.
— Mas não
podemos nos casar e ter filhos só porque eu quero isso. — Não podia permitir a
si mesma cair na tentação de imaginar um futuro com ele. Serviu-se de mais uma
taça.
— Agora é
você que não está sendo sensata. O que impede dois amigos de se casarem um com
o outro?
— Esqueça
isso. Quero saber por que devemos nos casar.
— Raciocine, Demi.
Nós nos gostamos, nos damos
bem... — Joe
se aproximou mais. -— E o sexo que fazemos é fenomenal.
Até mesmo no
meio do rompimento, ele a reduzia à vela derretida com um simples olhar.
— Não se
pode casar com uma pessoa só porque o sexo é fenomenal.
— E o que
acontecerá entre nós, Demi? Pare e pense nisso. Seu próximo namorado poderá
não ser tão tolerante quanto a nossa amizade, sobretudo após esta semana.
Confesso que, no lugar dele, eu não seria.
— Então quer
se casar comigo por achar que meu próximo namorado, ou até meu marido, fará
objeção a nossa amizade porque já fomos amantes?
— Evidente.
Você é muito importante para mim.
Em nenhum
lugar ao longo do caminho ele mencionou amor ou o fato de estar apaixonado.
— Ah, sei...
Está tentando proteger seus interesses. Falando assim, isso soa...
— Absurdo?
Egoísta?
— Eu não
colocaria desse modo.
— Não? Então
como colocaria?
— Sei lá!
Você costuma ser tão racional...
— Está
tentando dizer que não estou sendo razoável? Talvez tenha ficado um pouco alta
devido às duas taças de champanhe que ingeri de estômago vazio, mas irracional,
não.
O que era
irracional era a idéia de eles dois se casando.
— Não
coloque palavras em minha boca.
— Não estou
fazendo isso. Você está fazendo um bom trabalho, sem precisar de ajuda.
— Demi,
admita que é um bom plano. Nós entendemos um ao outro, gostamos um do outro.
Por que não funcionaria?
— Será que
faz alguma idéia do quanto sua amizade significa para mim, Joe? Sabe o quanto
é importante? — As lágrimas ardiam em seus olhos, O desespero, a confusão e a
frustração a transtornavam. Mordeu o lábio. Não podia chorar.
— Mais
razões para nos casarmos.
— Mais
razões para não fazermos isso. Um mau casamento nos destruiria, e você é
querido demais para que eu permita que corramos o risco.
Sua ligação
com Joe foi a única que Demi aceitou após ter sido abandonada pelos pais. Por
várias vezes, pensou que seria mais fácil se eles tivessem morrido em vez de
tê-la abandonado. Então,
todas as suas
esperanças morreriam com
eles.
Imaginar-se
perdendo Joe, porém, era intolerável.
— Por que
está assumindo que o nosso seria um mau casamento?
— Casamento é
um compromisso para
uma vida inteira.
Você mesmo confessou que gosta de
mudar de canais. Não ficarei sentada esperando que os mude, Joe.
— Isso não é
justo. Agora é diferente. Somos amigos há quanto tempo? Você não considera isso
um compromisso para sempre?
— Amizade é
uma coisa, casamento é outra.
Demi não
queria magoá-lo, mas sempre foram honestos um com o outro. Ela se sentia presa
em uma armadilha, sufocada, e não suportaria ficar àquela mesa nem mais um
segundo.
— Você é o
melhor amigo que já tive, Joe. E jamais terei outro tão bom. — Demi arrastou
a cadeira para trás e se levantou. — No entanto, é o último homem com quem eu
me casaria.
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Comentem, bbês... Amo vcs szsz
Capítulo programado.


