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30.11.14

Apenas Amigos? - Capítulo 11 (Último) - MARATONA 4/4

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Joe sentou-se à mesa de sempre no Birelli’s, lendo o relatório de produção do mês anterior. Fazia dois dias que se encontrara com Demi no estacionamento. Não tornou a ligar. Ela também não.
Naomi parou a seu lado e verificou as horas no relógio de pulso.

— Ela nunca se atrasou. O que será que está havendo?

— Não sei se virá — Joe disse as palavras que estava evitando verbalizar.

Naomi levantou o copo de Demi e limpou a poça de água sob ele. O gelo havia derretido quase todo. Tornou a pousar o copo.

— Lá está! Não deixaria de vir — afirmou Naomi.

Através da vidraça do restaurante, Joe a localizou na calçada do lado de fora.
Respirou aliviado. Agora podia admitir o medo terrível que sentira de Demi não aparecer.
Ela o fitou com expressão indecifrável. Hesitou um pouco, em seguida virou-se e seguiu seu caminho.

— Mas... aquela não era Demi? Aonde vai? — Naomi ficou perplexa.

Joe deu de ombros. A vontade que tinha era de sair correndo atrás dela, insistir até a exaustão, para que Demi concordasse em se casar com ele. No entanto, já tentara isso, e não dera certo.

— Cancele a salada e me traga o stromboli. — Sua calma era espantosa, mesmo sentindo que morria por dentro.

Naomi afastou as lágrimas dos olhos.

— Essas são as palavras mais tristes que já ouvi.

Joe concordou.

No escritório, Demi girou na cadeira e olhou para o glorioso céu de Nashville através  da  janela. Aquele  panorama sempre a emocionava durante o crepúsculo, quando, no escuro, as luzes da cidade piscavam feito vaga-lumes.
Porém, naquele momento nada a emocionaria. Girou para a frente sentindo-se vazia por dentro. Fechou os olhos. O resto de sua via seria assim? Esse vazio? Talvez.
Sentiu-se  do  mesmo  modo  em  outras  ocasiões,  cada  vez  que  seus  pais prometiam vir apanhá-la e não vinham. Não era uma sensação nova. Só que antes havia Joe para lhe dar consolo. Agora, não.
Vestiu o casaco, pegou a bolsa e fechou a porta atrás de si. Movendo-se como uma sonâmbula, desceu de elevador até a garagem do edifício. Entrou no carro e juntou-se à loucura da hora do rush.
Cinco semanas sem Joe. Cinco semanas sentindo como se uma importante parte dela lhe tivesse sido arrancada.
Ele teria razão? Será que ela mantinha as pessoas a distância de propósito?
Achava que a reserva fazia parte de sua personalidade, mas não existia um pingo de reserva na paixão que descobriu em si mesma, na Jamaica.
Perdida em devaneios, fez uma curva e se deu conta de que se encontrava a caminho da casa de tia Caroline. Em meio à enorme confusão do tráfego, achou o caminho para o lugar que sempre lhe ofereceu refúgio, desde a infância.
Ultimamente, vivia encontrando desculpas para recusar os repetidos convites da tia para jantar. Não queria falar com ninguém sobre sua viagem à Jamaica, não queria que ninguém que lhe fosse próximo soubesse sobre ela e Joe. Talvez apenas uma parte disso fosse verdade, não queria ninguém perto dela.
Estacionou e aproximou-se da residência com uma sensação de retorno ao lar.
Passou direto pela entrada e encaminhou-se à porta dos fundos.
Que som familiar do choque de metal contra pedra, ecoando através da porta aberta da garagem para dois carros que servia de estúdio para tio Frank!
Abriu a  porta  e  dirigiu-se  à  cozinha.  Avistou  Caroline  em  um  canto  do aposento, ao computador, navegando na internet, uma taça de vinho ao lado.
Dois pratos de salada encontravam-se sobre a mesa.

— Olá...

Caroline virou-se, e seu rosto de imediato se alegrou. Afastou a cadeira para trás e ficou de pé.

— Demi! Que saudade! Começávamos a achar que você não nos amava mais. — De repente, ela franziu as sobrancelhas. — O que houve, meu bem?

Demi não planejara vir. Tampouco cair no choro e atirar-se nos braços abertos da tia. No entanto, foi isso mesmo o que fez.
Caroline a abraçou e consolou, mas não fez nenhuma tentativa de deter o fluxo de emoções incontidas.
Por fim, Demi se acalmou. Embaraçada, desesperada por uma caixa de lenços de papel, deixou os braços da tia e sorriu, tímida.

— Sinto muito, titia...

Caroline acariciou seus cabelos e a fez sentar-se.

— Não tem de se desculpar, querida. Sente-se aqui e me conte o que tanto a aflige.

Demi suspirou.

— Eu não queria ser como sou.

Caroline a interrompeu:

— Não gosto de vê-la assim tão deprimida, mas estou grata por ter vindo. Sabe desde quando espero que venha a mim? A vida toda.

— Por que está me dizendo isso, tia Caroline? — Demi perguntou, surpresa com a mágoa no rosto sempre tão alegre da tia.

— Sabe, meu bem... Pouco depois que nos casamos, eu e seu tio Frank descobrimos que não podíamos ter filhos.

Demi ficou ainda mais espantada. Sempre presumiu que eles não desejassem tê-los.

— Isso hoje não seria um grande problema, mas há trinta anos, os médicos não sabiam quase nada sobre infertilidade, e tampouco tínhamos dinheiro para fazer um tratamento adequado.

Caroline parou de falar por um instante, como se procurasse pelas palavras certas para se expressar.

— Foi quando Lynette engravidou. — O amor e suavizou sua expressão. — Você era tudo o que nós teríamos querido numa filha se tivéssemos uma. Linda e inteligente. Tentei com todo o empenho ficar feliz por Lynette e Vance, mas a situação me preocupava. Eram dois irresponsáveis vivendo feito ciganos, um dia aqui, outro acolá.... Eu costumava me preocupar, pensando se você tinha o que comer e um lugar para ficar. Fiquei exultante quando a deixaram comigo. E muito grata. Foi uma dádiva para nós, querida, uma bênção que não esperávamos obter. — Caroline falava com uma determinação que Demi poucas vezes ouvira nela. — Na época, eu me envergonhava, como me envergonho agora, por ter ficado tão feliz com algo que tanto sofrimento lhe causou.

— Oh, titia...

— Bem pequena você já era arredia. Eu achava que, se nós demonstrássemos o quanto a amávamos, acabaria nos aceitando e nos amaria também. Perdoe-me, Demi, mas eu tinha certeza de que ficaria muito melhor conosco. Jamais fiz nada para manter seus pais afastados, mas também não fiz muita questão de que eles se aproximassem, porque a queria para mim. Essa é a verdade.

As lágrimas inundavam seus olhos. Demi se levantou e a apertou contra si.
Eles a amavam. O tempo todo s tios a amavam e a queriam como filha. Não se tratava de uma obrigação.

— Eu achava que vocês só me aceitavam porque eram bondosos demais para me rejeitar.

— Meu bem, temos adoração por você. Lembra-se de Bóris, aquele gato enorme e sem dono que perambulava por essas redondezas?

— Sim, lembro.

Bóris aparecia em casa para comer, mas não confiava em ninguém e era bem pouco tolerante.

— Você colocava comida lá fora e ficava observando-o se alimentar. Ia aos poucos tentando se aproximar dele, mas jamais conseguiu tocá-lo. Foi então que ele e Duquesa ficaram amigos, e você desistiu de tentar domesticá-lo. Bóris não estava mais sozinho.

Demi assentiu. Na época, ela desejara muito aproximar-se de Bóris.

— Você era como aquele gato, esquiva e nada comunicativa. Mas por fim conheceu Joe. Eu e Frank achamos que você, enfim, estava feliz, embora não tenhamos nunca desistido de querer que se aproximasse de nós.

Demi não imaginava que os fazia sofrer com seu distanciamento.

— Lamento muito, tia Caroline.

— Não lamente. Eu entendia muito bem sua atitude. É muito difícil aprender a confiar.  Você  não  conseguia  acreditar  que  não  tornaria  a  ser  abandonada.  Nós devíamos tê-la levado a um terapeuta, para ajudá-la a lidar com mais facilidade com a rejeição. Mas o dinheiro era curto, e nós acreditávamos que nosso amor bastaria.

Demi se sentia como um dique com um pequeno buraco. Não conseguiria suportar por muito mais tempo a pressão da água do outro lado. As palavras de Caroline  derrubaram  a  parede  que  circundava  seu  coração  por  mais  tempo  que conseguia lembrar.

— Por quê? Por que eles não me queriam, titia?

— Imaturidade. Deve ter sido isso. Por ser a caçula, Lynette foi mimada demais por nossos pais. Mas talvez fosse sua natureza, mesmo. — Caroline deu de ombros. — Ao longo da vida, você descobrirá que muitas vezes nós ficamos sem determinadas respostas. As coisas são como são, e temos de aprender a conviver com elas.

— Para mim isso ainda não é suficiente.

— Esqueça o que passou, meu bem, e prossiga adiante. Olhe para mim, Demi. — Segurou o rosto da sobrinha. — Seus pais erraram, mas o que deve manter em mente é que os errados foram eles, não você. Cheguei a pensar que tivesse se decidido a não se importar mais, não permitindo que eles a magoassem.

— Eles já não me magoam mais.

— Não. Continuarão magoando enquanto não deixar o passado para trás e assumir o controle de seu destino, querida.

— Meus pais não têm poder sobre mim.

— Têm, sim, porque você continua deixando que eles a controlem. Continua lhes conferindo essa capacidade, porque ainda tem medo de abandono e de deixar que alguém se aproxime. A vida poderá ser muito boa para você, meu bem. Não permita que eles, ou quem quer que seja, arruíne isso. — Caroline fez uma pausa, como se considerasse com cuidados o que diria a seguir: — E não admita que destruam tudo o que você poderá viver ao lado de Joe.

Demi deixou-se cair na cadeira.

— O que sabe a respeito de Joe?

— Ele telefonou, faz alguns dias. Joe a ama, Demi, de todo o coração, assim como você também. Para mim e para Frank, não foi nenhuma novidade. Há anos sabemos desse amor.

— Mas com todas aquelas namoradas... Todos aqueles relacionamentos...

— Nenhuma delas importava. Aquele era o modo de Joe correr assustado. Se olhar com atenção, querida, sob todo aquele charme, descobrirá que Joe também é como Bóris. Sua mãe escolheu beber até se matar, e o pai nunca lhe deu importância, só querendo saber de suas amantes. Joe foi rejeitado também. Mas quando vocês se conheceram, você se tornou a Duquesa do Bóris que ele era. Nunca vi duas pessoas que foram destinadas uma à outra custarem tanto a reconhecer isso!

Demi permaneceu alguns minutos sentada, absorvendo o que ouvia.

— Por que não disse tudo isso antes, titia?

— Porque seu coração ainda não estava pronto.

— Mas e se...

Caroline pousou a mão em seu ombro.

— A vida não vem acompanhada de nenhuma garantia, meu bem, e você precisa viver e amar como se o amanhã não existisse. E rezar pelo melhor.

Demi abraçou Caroline e, nesse gesto, encontrou a coragem para dar voz às palavras que nunca fora capaz de pronunciar:

— Eu te amo muito, titia...

(...)

Joe não conseguia ficar sem ir ao Birelli’s nas quinta feiras, embora por cinco semanas Demi não aparecesse por lá. Cinco longas semanas...
Em vez de aguardar que ela aparecesse, ele agora aproveitava o horário do almoço para ler os relatórios da empresa.
Naomi surgiu do nada e depositou um copo de chá no lugar oposto ao dele.

— Volte à terra, Naomi. Você já trouxe meu chá.

— Mas ainda não para ela.

Quando Joe ergueu a cabeça, seu coração quase parou. Demi encontrava-se à soleira, desta vez do lado de dentro, parecendo forte, e ao mesmo tempo, vulnerável.

Ela parou junto dele, segurando a alça da bolsa a tiracolo.

— Posso me sentar?

— Claro. Esse é seu lugar.

Demi se acomodou, e Naomi sorriu para ela.

— Voltarei em um instante com a salada.

— Espere. Vou querer stromboli de franco com espinafre.

— Nada de salada?

— Desta vez, só o stromboli, se não se importa.

— Não, de modo algum. — E Naomi se foi com um sorriso largo.

Um silêncio tenso se instalou. Afinal, o que eles eram? Dois amigos? Amantes? Joe não sabia. Tinha certeza tão-só de que amava aquela mulher e sentira uma tremenda falta dela.

— Então? Veio até aqui para dizer que se casará comigo?

— Bem, para ser franca, sim. Foi para isso que vim.

Mas Joe precisava saber o motivo de ela ter mudado de idéia.

— Por quê?

— Porque quero me casar com você, ora! — Jogou os cabelos para trás, e sua mão não tremeu.

— Por que agora?

— Porque esse é o único modo de eu convencê-lo a fazer amor comigo. — Ofereceu-lhe um sorriso terno.

— Então é isso?

Ela havia recuperado o bom humor. Era um bom começo.

— Eu te amo, Joe — Demi apenas sussurrou a confissão.

— Você me amava antes, e parece que isso não foi o bastante.

Demi tomou a mão dele e a levou aos lábios, e foi como se ela o trouxesse de volta à vida após semanas apenas existindo.

— Perdi o temor, Joe. Não tenho mais medo de amar você, nem de permitir que me ame.

— Como vou saber que não tornará a temer? Estar afastado de você nessas últimas semanas foi intolerável... Não suportarei passar por tudo isso de novo.

— Precisa confiar em mim, assim como eu precisei confiar em você. Quero ser sua mulher e envelhecer a seu lado. Preciso disso. Você proporcionou a minha vida as mudanças de que eu necessitava. E o fluxo e o refluxo de meu oceano, Joe.

— E você é a areia em minha praia, meu porto seguro.

Joe procurou algo no bolso, e dele tirou a caixinha de veludo preto que trouxera da Jamaica e que conservava consigo. Sentia-se com os nervos à flor da pele ao entregar o presente a ela.
Demi a abriu e, encontrou o anel.

— Oh, Joe... É muito lindo!

Ele levou a mão à nuca de Demi, sob a cascata sedosa de sua cabeleira, e puxou-a para mais perto, seu corpo se acendendo em resposta à proximidade, a seu calor.

— Podemos comprar uma aliança de brilhantes ou um solitário, se preferir
.
— Não. Eu quero esse. Quando o comprou?

— Na Jamaica. Uma tarde antes de eu lhe propor casamento.

— Também tenho algo para você... — Ela pegou seu queixo, e sua boca encontrou a dele, num beijo apaixonado.

Então, retirou um envelope da bolsa e colocou-o diante dele. Joe o abriu e encontrou duas passagens de avião da Air Jamaica, junto com uma confirmação de reserva de uma suíte no Hot Sands.

— Estava assim tão segura de mim, é?

— Não, querido. Estava segura de nós dois.

Naomi chegou com os pedidos.

— Será que nós podemos levar para casa? — Demi lhe perguntou.

Naomi apanhou as travessas de volta com ar travesso.

— Sem dúvida! Vão querer sobremesa?

— Não, pode deixar. Compraremos algo no caminho. Bombas. Com muito recheio de chocolate.

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Último capítulo da fic e da maratona! Espero que tenham gostado... Comentem para o epílogo! Beijos, amo vcs ♥

Capítulo programado.

8.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 10 (Último)

Capítulo dedicado à Sam e Priscilla ♥
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- Eu mal posso acreditar - Marie falou com entusiasmo. - Nunca pensei que Joe viesse a se casar algum dia. Imagine, o meu irmão, até pouco tempo atrás um solteirão convicto, está ansioso para se casar! E com alguém de quem eu gosto de verdade!

- Fico feliz ao vê-la tão satisfeita - Demi murmurou, um tanto insegura.

- Você está preocupada, não é mesmo? - Marie perguntou com delicadeza, ao notar o constrangimento da amiga ao abordarem o assunto "casamento". - Desculpe-me se estou sendo indiscreta, porém conheço o meu irmão muito bem e nestes dias que temos passado juntas, pude conhecê-la um pouco melhor, o que aliás só me tem trazido motivos de alegria. Acho que algo aconteceu entre vocês dois naquela noite do rodeio em Cody. Algo que a faz pensar que Joe a pediu em casamento apenas para apaziguar a própria consciência. O meu raciocínio está certo ou estarei fazendo suposições sem fundamento?

- Sim, Marie, você está certa - Demi concordou, sem coragem de negar a evidência dos fatos.

- É claro que Joe tem consciência, entretanto ele não se casaria com uma mulher somente para livrar-se de algum sentimento de culpa. Estou certa de que é assim e é melhor você acreditar que ele não tomou uma decisão dessas apenas por obrigação. E nos dias de hoje, não há preocupações exageradas em assumir um compromisso sério porque duas pessoas dormiram juntas.

- Talvez haja um bebê a caminho - ela falou, surpresa diante das próprias palavras. Como estava conseguindo se abrir com Marie, quando não fora capaz de tocar no assunto com Winnie? Jamais pensara ser capaz de expor sua intimidade a ninguém, entretanto sua futura cunhada tinha o dom de abordar temas delicados com naturalidade.

- Joe adora crianças, assim como Dwight e eu. Um bebê seria uma surpresa deliciosa. A fazenda precisa de herdeiros e todos nós gostaríamos de ver um bando de crianças correndo pela casa. A vida é uma dádiva que merece ser recebida com carinho em qualquer circunstância.

Demi tentou conter as lágrimas num esforço vão. Toda a angústia reprimida estava vindo, afinal, à tona.

- Eu agi daquela maneira porque não conseguia tirá-lo da cabeça. Joe foi o primeiro homem que me tocou o corpo e o coração. Entretanto, tenho medo de que com o passar do tempo ele venha a me odiar, culpando-me por tê-lo forçado a se casar. Sei muito bem que o casamento não fazia parte dos seus planos.

- Não, eu não creio nisso - Marie falou enxugando as lágrimas de Demi com carinho. - Você o transformou num outro homem, libertando-o de toda a amargura e desgosto. Nunca o vi tão sereno, tão feliz desde a morte do nosso pai. Joe perdeu muito da sua agressividade e tem estado mais calmo desde que a conheceu.

- Acho que Rance não concordaria com você.

- Rance mereceu a surra que levou. Não tenho pena daquele ser desprezível que sentia prazer com a infelicidade dos outros. Agora, anime-se! Chega de preocupações sem fundamento! Não vou deixar que você escape desse casamento, cunhada! Estamos todos alegres demais com a notícia para enxergamos problemas onde não existem.

O entusiasmo de Marie era contagiante e Demi voltou aos seus afazeres sentindo a alma muito mais leve. Se ainda tinha dúvidas, achou melhor nada deixar transparecer, pois o clima da casa já era de festa.
Naquela noite, depois do jantar, Joe a conduziu ao seu escritório e fechou a porta.

- Não fique nervosa - ele falou com um sorriso malicioso. - O sofá é muito pequeno e a escrivaninha nos deixaria com dor nas costas. Embora valesse a pena tentar...
Ela enrubesceu e o fitou cheia de amor.

- Como você ainda é capaz de corar de embaraço? Mesmo depois de tudo o que aconteceu entre nós, você ainda me parece uma garotinha inocente.

- Não tão inocente agora.

Joe beijou-a na testa com um carinho infinito e a estreitou num abraço demorado.

- Não sinta vergonha de ser mulher, Demi. Deus nos fez humanos e nos deu o prazer físico para garantir a perpetuação da espécie.

- E Ele também nos deu responsabilidade, para não transformarmos o sexo em algo puramente animal e sem sentido.

- Você é uma mulher muito especial - ele falou, emocionado. - Alguém que acreditou em mim quando ninguém mais o fez, que não se sentiu intimidada pela minha reputação ou pelo meu temperamento explosivo, e que se entregou porque sabia que eu precisava de você quase que com desespero. Demi, o que fizemos hoje e naquela noite, na cabana, é algo tão natural quanto respirar. Não é pecaminoso desejar alguém, principalmente quando os sentimentos vão além da necessidade física.

- Foi isso o que aconteceu?

- Sim. E hoje à tarde ficou ainda mais claro que o sentimento que nos une vai além do desejo de possuir um corpo. Esse tipo de atração costuma acabar, quando não há identificação das almas.

- Você estava tão... cheio de ternura...

Joe tomou-a nos braços, sorrindo ao sentir o corpo reagir no mesmo instante.

- E vai ser assim sempre. Meu Deus! Sinta o efeito que você tem em mim!

- Pare com isso! - Demi murmurou. - Não fica bem, alguém pode entrar a qualquer momento.

- Você é enfermeira e devia saber que está além do meu controle. - Ele a pressionou de encontro a si, seus lábios quase se tocando. - Demi, tire a minha camisa e beije a minha pele.

- Nós não devíamos... E se alguém aparecer?

- Vamos nos casar em breve, porém um pedaço de papel e algumas palavras de praxe não serão capazes de nos unir mais do que nossos corpos já o fizeram. Você faz parte de mim agora. Eu amo fazer parte do seu corpo, partilhar tanto prazer ao seu lado. Você se sentiria assustada se fizéssemos amor aqui?

- Não... não ficaria assustada - ela sussurrou acariciando o peito nu numa carícia sensual, sentindo-o estremecer ao simples toque dos seus dedos.

- Demi, acredite, o que temos experimentado juntos é tão importante para você quanto o é para mim. Eu sou um homem vivido, porém a emoção que sinto ao fazermos amor é totalmente nova. Me toque - ele pediu com a voz rouca, abrindo o zíper da calça. - Mais embaixo. Quero sentir as suas mãos em mim.

Demi hesitou por um instante e foi o suficiente para que  Joe lhe segurasse a mão e a espalmasse de encontro à rigidez da sua virilidade.
Quando ela o sentiu pulsar, deixou escapar um murmúrio de encantamento, o que o excitou ainda mais.

- Não pare, seu toque me enlouquece.

Logo estavam os dois sobre o sofá, beijando-se com avidez, desvencilhando-se das roupas com gestos apressados.

- Quando você se casará comigo? - Joe sussurrou, abaixando-se para sugar os mamilos eretos.

- Quando... você quiser.

- Sexta-feira?

- Mas é daqui a três dias!

- Eu sei, e parece longe demais! Vamos fazer um filho, Demi. Aqui, agora.

- Joe!

Ela se calou ao sentir que ele a penetrava, maravilhando-se com a facilidade com se tornavam um. As investidas foram ficando cada vez mais rápidas, o ritmo envolvendo-os num crescendo de paixão.

- Sim, é bom estar dentro de você, é bom demais possuí-la. Um dia ainda faremos amor no meio de uma floresta, e você poderá gritar o meu nome ao atingirmos o clímax, sem que tenhamos medo de que alguém nos ouça. Me beije com força, quero sentir o seu gosto.
Demi fechou os olhos e começou a mover os quadris de um modo lânguido, sensual, contorcendo-se de prazer, entregue às sensações que a atordoavam.

- Você não sabe o que está fazendo comigo, Demi. Essa é a emoção mais completa que jamais conheci. - Joe estremeceu e, sem poder conter-se, soltou-se dentro dela, os dois atingindo um orgasmo pleno, total. - Eu quero um filho! - ele gemeu no auge do êxtase.
Depois de algum tempo, Joe beijou-a no rosto e perguntou com suavidade: - Você ouviu o que eu falei no final?

- Sim. Você disse que quer um filho.

- Eu quero um filho nosso. Nunca havia pensado em constituir uma família, até encontrar você. Mas quando fazemos amor, só penso em engravidá-la!

- Eu não sou capaz de dizer-lhe "não"... E isso me assusta, pois sempre me julguei uma mulher independente, capaz de escolher os próprios caminhos racionalmente.

- Não tenha medo das emoções - ele falou sorrindo, enquanto ambos ajeitavam as roupas. – Quando estamos juntos somos tomados por uma febre louca, selvagem, fora de controle. Você é tudo o que eu sonhei um dia. Não sei como pude viver tanto tempo sem tê-la ao meu lado! Quando olho para trás, só enxergo o vazio, a falta de perspectiva.

- Você tem certeza de que não se trata apenas de uma atração física passageira o que o liga a mim?

- Se fosse apenas desejo, por que eu iria querer ter filhos com você? Por que pensaria em constituir uma família?

- Então eu aceito ser sua esposa.

- Há algo que eu preciso lhe dizer - ele falou, um pouco hesitante. - Um segredo que eu devia ter lhe contado antes de nos envolvermos. Não posso deixar que se case comigo sem que saiba a verdade.

- Seja o que for, sei que não terá importância.

- É o meu pai - ele começou com dificuldade. - Meu pai verdadeiro... está preso.

- Sinto muito. Mas o que tem isso a ver com o nosso casamento?
- Meu Deus! - Joe suspirou cheio de alívio e emoção. - Eu estava com tanto receio de lhe contar...

- Mas por quê? Não há motivo de ter vergonha.

- Você poderia ter medo de que os nossos filhos herdassem o sangue amaldiçoado do avô. Meu pai é um ladrão e tem tido problemas com a lei durante toda a sua vida.

- O Meio ambiente também é responsável pela formação do caráter das pessoas - Demi respondeu aninhando-se nos braços do único homem capaz de fazê-la sentir-se segura, protegida. - Talvez seu pai tenha tido uma vida dura e não foi forte o suficiente para escolher
o caminho certo. Ninguém nasce com o destino de se tornar um ladrão, porém as circunstâncias podem pesar demais na hora de se fazer uma opção. Não somos todos feitos da mesma fibra. Não pense mais nisso, tente perdoá-lo e esquecer.

- Eu não sei o que fiz para merecê-la, Demi.

- Você é um homem íntegro, cheio de qualidades raras. - Ela sorriu com um ar maroto antes de continuar: - Eu sempre fico sonolenta depois de fazermos amor. Será que é natural?

- É porque o nosso amor vai além da carne. Ele nos aquece a alma.

"Meu Deus!", Joe pensou entre surpreso e feliz. "Eu a amo de verdade! Ela é a mulher da minha vida!"

- Como você se sente a meu respeito, querida?

- Eu... eu te desejo.

- Sexo apenas não seria suficiente para você, não com a sua educação. Tente de novo, não tema dizer as palavras.

Ela hesitou, achando difícil desnudar a alma, expor os sentimentos, porém era isso o que ele queria vê-la fazer.

- É preciso muita confiança para falar sobre o que vai no nosso íntimo, não é? - Joe perguntou com ternura. - Mas eu confiei em você, contando-lhe o segredo doloroso que tenho guardado comigo.

O que ele estava dizendo era verdade. Ela sim, precisava lhe dar uma mostra de confiança.

- Eu amo você, Joe.

- De verdade?

- Com todo o meu coração.

- Então será para sempre, menininha!

- Para toda a eternidade!

Ele sentou-se numa poltrona e a puxou para o colo, ficando ambos em silêncio durante um longo tempo, saboreando um momento de felicidade perfeita.

- Agora você vai me contar sobre os seus pais. Será uma maneira de vencer o trauma.

- Eu não vou conseguir - Demi murmurou estremecendo.

- Sim, você será capaz. Somos parte um do outro e não há nada que não possamos partilhar. Fale-me deles. A tristeza fica mais fácil de ser carregada quando dividida.

Então ela falou dos anos em que haviam vivido em países distantes, das condições de extrema pobreza que tiveram que enfrentar, tendo por apoio apenas a fé.

- Meus pais nunca se mostraram abatidos e sempre acharam que o amanhã seria melhor. Nunca conheci pessoas como eles, capazes de dar a vida por um ideal, sacrificando o conforto e o bem-estar por uma causa que julgavam justa. E tudo mudou do dia para a noite, com  a  queda  do  regime  político  vigente.  Fomos  capturados  sob  a  acusação  de  oferecer  conforto  a prisioneiros políticos e, depois de passarmos uma noite na prisão, fomos levados ao paredão de fuzilamento. Meu pai e minha mãe foram os primeiros a serem mortos e eu fechei os olhos, sabendo que as próximas balas iriam me atingir. Mas então o milagre aconteceu e fui salva pela força de resistência. Um padre conseguiu me levar até a nossa embaixada e de lá eles me puseram num avião de volta para casa. Ao chegar, telefonei para Winnie, pois ela era a única pessoa em que eu podia confiar. Foi um pesadelo, e às vezes ainda acordo chorando no meio da noite.

- Se você chorar, eu estarei ao seu lado para confortá-la. A partir de hoje não nos separaremos mais.

- Mas Joe, e os seus irmãos? Eles vão perceber que estaremos dividindo o mesmo quarto!

- Não se preocupe, eu sairei do seu quarto antes do amanhecer. Ninguém notará nada. Se já será difícil estar longe de você durante o dia, à noite eu não poderei me controlar. Não quero deixá-la longe dos meus olhos! Pensei que você já tivesse percebido o quanto estou apaixonado, Demi!

- Oh, Joe...

- Eu nunca soube o que era amar, até encontrá-la. Viver sem você não era viver.

- Eu me sinto da mesma maneira - ela falou acariciando lhe os lábios com as pontas dos dedos.

- Eu seria capaz de morrer por você.

Ele fechou os olhos, entregando-se ao prazer de amar e saber-se amado. Nunca, até então, havia sentido uma emoção tão intensa ou tão especial.

- E a sua carreira, menininha? O seu trabalho como missionária?

- Eu não poderei mais me dedicar a ela e não seria capaz de pedi-lo para abandonar a fazenda e me seguir pelo mundo afora. Tampouco poderia ir sem você. Além do mais, há uma grande possibilidade de que eu tenha ficado grávida hoje. Estou no período fértil.

- É mesmo? - Joe perguntou, acariciando lhe o ventre. - Eu gostaria de uma família grande, porém se não formos abençoados com uma prole numerosa, há muitas crianças sozinhas, precisando de amor. Não é ter filhos que transforma as pessoas em pais, mas sim, criá-los.

- Você está certo, querido. Estou um pouco sonolenta agora - Demi murmurou sorrindo.

- Eu a deixei exausta. Acho que foi amor demais. É melhor sairmos daqui antes que aconteça de novo. Você faz de mim um homem insaciável.

- Espero poder mantê-lo dessa maneira, depois de casados.

- Eu me encarregarei disso. Tenho algo para lhe dar - ele falou abrindo uma das gavetas da escrivaninha e tirando uma caixinha de veludo.

Demi ficou radiante com o anel de noivado. Um único brilhante representava o compromisso que os dois assumiam.
Ela abraçou o homem amado, pensando que em sua vida não haveria mais lugar para pesadelos. Agora tinha alguém com quem dividir todos os momentos.

- Você quer que eu use uma aliança também, depois de nos casarmos? - Joe perguntou com seriedade.

- Claro! Se eu vou usar o símbolo do nosso amor, a sua marca, você também terá que usar a minha. Nos pertencemos e quero mostrar ao mundo!

- Gosto da idéia! - ele respondeu com um sorriso feliz. Joe sentia-se em paz. Ele havia conseguido exorcizar os seus fantasmas e virar a página do passado. Não deixaria que os erros do pai afetassem a sua vida e já podia viver com a idéia de ser adotado. Marie e Dwight o amavam, e isso era o mais importante de tudo.

Marie, Winnie e Dwight testemunharam a cerimônia íntima que fez de Demtria Lovato a sra. Joe Jonas. Ela usava um vestido branco, simples e elegante, e trazia nas mãos um buquê de margaridas. Joe nunca havia visto uma mulher tão bela, e não se cansava de dizê-lo.

- A coisa mais impressionante é que ninguém descobriu que estávamos dormindo na mesma cama antes de nos casarmos - Demi falou tão logo chegaram ao hotel de Yellowstone National Park, onde iriam passar parte da lua-de-mel.

- Mas dormir foi tudo o que fizemos, por causa da sua consciência delicada - Joe respondeu abraçando-a. - Porém eu nunca pensei que pudesse ser tão bom apenas segurá-la nos meus braços, mesmo sem fazermos amor.

- E agora nunca mais precisaremos nos separar, estaremos juntos para sempre.

- Você reparou no jornalista que nos esperava depois da cerimônia?

- Aquele que você mandou plantar batatas? - ela perguntou rindo. - Foi surpreendente ele me haver encontrado somente quando não tinha mais importância, pois todas as informações já estavam sendo liberadas ao público pelo governo do país. Eu virei notícia ultrapassada.

- Graças a Deus! Pelo menos ninguém mais vai estar ao seu encalço. Poderemos levar nossa vida sossegados.

- Eu só queria que meus pais tivessem conseguido escapar.

- Eu também - Joe respondeu com delicadeza. - Mas estou feliz que você o tenha conseguido. Me ame agora - ele sussurrou, cheio de paixão.

- Mas eu não sei como.

- Não se preocupe. Eu vou guiá-la.

E ele o fez. Os dois se amaram com uma paixão desenfreada, seus corpos se unindo numa avidez enlouquecedora. Quando a manhã chegou, encontrou-os ainda acordados, exaustos e, enfim, saciados.

- Bom dia, sra. Jonas. Foi bom para você?

- Pensei que ia morrer de tanto prazer.

- Eu também - Joe respondeu, resmungando um pouco ao sentar-se na cama. - Minhas costas estão doendo.

- Casado há apenas vinte e quatro horas e já está reclamando... - ela falou num tom de brincadeira.

- Eu não estou reclamando, Demi - ele respondeu sorrindo, admirando lhe a nudez perfeita. - Você é linda, por dentro e por fora. Você é o meu mundo.

- E você o meu. Acho que nunca conseguirei dizer-lhe, vezes suficientes, o quanto te amo.

- Eu adorarei ouvir você repetir. Agora, vista-se. Eu não sei de você, mas estou faminto.

- Eu também! Pensando bem, nós não jantamos ontem e hoje não tomamos o café da manhã e nem almoçamos! Passamos o dia inteiro na cama! Não é uma vergonha?

Depois de um jantar delicioso, eles foram dar uma volta, apreciando as montanhas e o lago sob o luar. Só se ouvia o barulho do vento, e era como se estivessem sós na terra.

- Amanhã é domingo - Joe falou ao voltarem para o quarto do hotel. - Eu fiz algumas perguntas e soube que há missa numa igreja perto daqui. Que tal irmos?

- Você gostaria mesmo de ir?

- Sim.

- Oh, Joe - ela murmurou tentando conter as lágrimas, sabendo o quanto aquele passo fora difícil para ele.

- Eu amo você - ele falou com firmeza. - De agora em diante estaremos sempre juntos, seja aonde formos.

Ela riu, tomada de uma felicidade grande demais para ser posta em palavras e, depois de alguns beijos, dormiu afinal.
 Joe ainda ficou acordado, admirando a mulher que descansava ao seu lado. Ela o despertara para o amor e curara as suas feridas, transformando-o num ser humano melhor e mais completo. Durante meses ele estivera à procura do seu lugar no mundo, de um lugar onde pudesse encontrar calma, tranqüilidade.
E finalmente havia encontrado: entre os braços de Demi estava a sua paz.
Joe fechou os olhos e sorriu, de bem consigo mesmo e com a vida.

~

E acabou! Não tem um epílogo, massssssss vou fazer de tudo para adaptar rápido a próxima história ok? Eu finalmente entreguei a maquete q eu estava fazendo e agora posso respirar! Comentem o que acharam, se gostaram ou não. Vou tentar achar uma história maior no futuro, a q estou adaptando é pequena tb (eu acho). Beijos, amo vcs!

PS: Visitem o meu outro blog (e da Mari tb) Emoção, começamos uma nova história lá ;)

26.10.14

Unfaithful Husband - Capítulo 11 (Último)


x-x


—Então Harvey queria tomar seu lugar? Sempre pensara que a Empresa Harvey é que fosse pequena e não o contrário!

—Foi uma verdadeira guerra — ele disse. — Ainda hoje, só de pensar nos riscos que corri. E, naquela época, procurei conforto na sua companhia como sempre fazia nos períodos difíceis, e você estava cansada e fraca, cuidando das crianças. Senti ciúme, eu te queria Demi, mas você estava fora de alcance, e Lydia, não. Com a ajuda brilhante dela, venci a batalha judicial. E, por alguma razão que só Deus sabe, com o alívio da vitória, extrapolei meu limite de resistência, direto para os braços de Lydia.

—Quanto tempo?

—Quanto tempo, o quê?

—Durante quanto tempo ela foi sua amante? Uma expressão estranha passou pelo rosto de Joe.

—Ela nunca foi. Pelo menos, não como supõe. Tentei contar umas duas vezes, e você nem quis escutar. Sei que a culpa é minha, afinal, traí você de todos os modos, menos no sexo. Em vez de voltar para casa, saía com Lydia, levei-a para jantar...

—Mandy me contou que viu você saindo do apartamento dela.

—Depois da disputa com a Harvey, fiquei desorientado —ele confessou, relutante. —No fim do expediente, sentei aqui e bebi até não poder dirigir para casa. Lydia me levou de carro ao apartamento dela, para curar a bebedeira. Ela sabia muito bem o que fazia, e eu também sabia sua intenção, mas no fim não consegui. Lydia não era você e, bêbado ou não, repudiei a simples ideia de tocá-la. Ela deve ter percebido, pois virou as costas e me deixou sozinho na sala. Apaguei de tão bêbado e, no dia seguinte, acordei numa cama estranha. Não sei onde ela passou a noite. Só sei que quando acordei e tentei colocar uma ordem nos pensamentos, Lydia entrou no quarto. Eu estava desgostoso e envergonhado do meu comportamento, tentando lembrar a noite anterior, quando ela me disse com um sorriso que, para um homem alcoolizado, até que eu não havia me saído mal. — Ele fez uma pausa e Demi ficou pálida, com um nó dentro do peito. —Lydia deixou que eu sofresse com o remorso durante meses, até resolver me contar a verdade. Quando avisei que iria tirar todos os casos das mãos dela, resolveu se vingar. Era uma conta lucrativa, e o seu escritório perderia muito dinheiro. Sem saber que eu passaria os casos para outro advogado de sua própria firma, ficou com medo de ser despedida. Tivemos uma discussão terrível, trocamos insultos e ela deixou escapar que eu nunca a tocara. Não disse para me agradar e sim para me agredir. Falou da maneira que as mulheres usam para humilhar um homem. O insulto foi uma alegria para mim! Finalmente ela disse à verdade que eu sentia no íntimo. E esta — Joe virou-se e enfrentou olhar de Demi — é a pura verdade. Se não quiser acreditar, não posso culpá-la.

Demi abaixou a cabeça. Queria e precisava acreditar mas...

—Dinheiro e poder só têm valor se eu tiver o seu perdão, Demi.

—Você já teve — ela respondeu, ainda em dúvida se acreditar ou não na história que ele contara.

—O que mais quer que eu diga? Não posso tirar da sua só você pode fazer isto!

Impaciente, Demi levantou-se. Joe deixara em suas mãos resolução do problema que estavam tendo no casamento.

A revelação do que ele pensava e sentia não a ajudou a revelar. Andou pela sala, com a cabeça baixa, e percebeu que também era culpada. Assim como Joe, manteve uma parte de sua personalidade escondida. Como ele poderia adivinhar que seus sonhos eram relacionados ao casamento e à maternidade, se nunca dissera uma palavra a respeito? Depois de tantos meses de sofrimento, conseguiria ser tão honesta quanto ele? Era o único modo de salvar o que restara do casamento. Reunindo coragem, virou-se para enfrentá-lo. Foi então que os viu na parede atrás da cabeça de Joe, e seu coração disparou. Os desenhos que fizera de si e dos filhos estavam emoldurados e pendurados.

—Eu roubei de você — Joe confessou. — Quis tê-los por perto para olhar quando sentisse saudades. Ficou brava? — Demi surpreendeu-se por não ter dado falta, mas com a proximidade da mudança, nem pegara mais no caderno. —Você conseguiu que tirassem a cruz. —Sentiu-se estranhamente exposta. — Não se parece muito comigo.

Não queria aceitar o que seus olhos viam. —Esta é você — Joe insistiu. — E seu eu verdadeiro. Uma bela galeria familiar — disse com orgulho. —Só falta você.

—Pode me dizer por quê? Por que nunca desenhou meu retrato? — Demi hesitou para responder. Era a hora da verdade, decidiu. —As crianças me amam. Eu não tinha mais certeza do seu amor. Tentei desenhá-lo, mas os traços ficaram distorcidos e desisti.

—Callum viu estes desenhos?

—Não, além de você, ninguém mais viu o caderno.

—O caso entre vocês foi sério?

—Não houve nada entre nós.

—Eu vi quando se beijaram!

—Um pequeno beijo no banco do carro? — ela zombou do ciúme dele e disse com doçura. — Foi tudo que aconteceu entre nós dois!

Joe não parecia acreditar, com o rosto crispado de angústia segurou o ombro de Demi. Ela riu da situação ridícula.

—Você parece aquele diabo outra vez. O que desenhei tomando banho no meio das labaredas.

—Vou te beijar — ele disse, com voz rouca.

—Aqui no seu escritório? Acho que errou de lugar, querido. Esqueceu que pertenço ao seu outro mundo?

Ele beijou-a com furor e paixão até ela desfalecer em seus braços e os corpos queimarem de urgência.

—Eu te amo — ele sussurrou.

—Eu sei, acho que já consigo acreditar em você outra vez. — Um dos telefones começou a tocar e Joe puxou-a pela mão até a escrivaninha. Atendeu e seu rosto transformou-se. As feições endureceram e a voz mudou. O olhar ficou frio, mesmo sem desviar-se dela. Enquanto ele falava, Demi resolveu descobrir se rompia a armadura profissional e correu a mão por sua coxa. Deliciou-se com a cena, pois ele quase engasgou e segurou a mão dela com força. Os olhos brilharam e a voz falhou.

—Ligo para você mais tarde. — Ele desligou o telefone. —Era um cliente importante! Você fez de propósito!

—Eu te amo, Joe.

—Fale outra vez. — Demi beijou-o na boca e repetiu as palavras.

—Já não lembrava mais a luz em seu rosto ao dizer que me ama.

—Eu me apaixonei aos dezessete anos e nunca mais deixei de amá-lo. Passei este período confusa, mas acabou.

—Nem quero lembrar as noites horríveis de amor silencioso e escuro.

—Vamos para casa — ela murmurou, com vontade de abraçá-lo nu, à luz do dia —Será que pode sair assim no meio da tarde?

—Posso fazer o que quiser. Eu sou o chefe!

—Puxa, esqueci que o chefe é um milionário. Quer dizer que, se nos separarmos, a metade dos seus pertences é meu. Será que vale a pena...

Joe empurrou-a para a porta e disse ameaçador: —Vamos para a casa nova. As crianças ficarão com a caseira e nós subiremos para um dos quartos que estiver pronto. Então mostrarei qual dos meus pertences é o mais importante para você!

—A proposta é interessante.

—Vai ser muito mais que interessante!

—Não se esqueça que estou grávida.

—Isto nunca foi problema antes, aliás, pelo que me lembro das experiências anteriores, você fica mais sensível nessas ocasiões.

A porta do escritório abriu-se, dando passagem às três crianças. Joe pegou Michael, que estava caindo de sono. O bebê deitou a cabeça no ombro do pai e dormiu. Desceram até o estacionamento, Joe carregando Michael num braço e o outro colocado possessivamente no ombro de Demi. Sam corria em círculos e Kate segurava firme na mão da mãe. Ao chegar do almoço, dera-lhe um beijo, prometendo:

—Mamãe, nunca mais vou judiar de você.

Era uma tarde ensolarada e metade dos funcionários das Empresas Jonas olhavam pelas janelas, observando o chefe e sua família no caminho para o estacionamento.

—Não posso acreditar — um deles disse. —Eu sabia que ele era casado, mas três, quase quatro filhos!

—Trabalho para ele há anos e nunca soube que era casado — um outro falou. — Como uma moça doce como aquela casou com alguém tão rude e seco?

—Se bem que ele não parece nada rude agora, olhe o carinho com que fala com a família — o primeiro continuou.

—Talvez ele seja diferente em casa.

—Ou talvez ela não seja suave e inocente como parece. Afinal são quatro filhos!

Joe levou-os para seu carro e Demi perguntou o que faria com o dela. Ele disse que mandaria alguém levar. Abriu a porta, colocou as crianças no banco de trás e acomodou Demi na frente. Os rostos pressionados contra as janelas viram que ele voltou ao prédio e logo depois saiu, seguido do jovem Archer, o mesmo que acompanhara Demi ao seu escritório. Joe entregou-lhe as chaves e apontou para o carro dela. Entrou na BMW e logo saiu. Abriu a porta traseira para os gêmeos, pegou Michael no colo e ajudou Demi a descer. Foram então na direção da perua onde trocaram as chaves com Archer. A razão da mudança logo ficou clara. O bebê adormecido foi colocado na cadeira apropriada. Archer andou em direção à BMW e Kate o chamou. A garota olhou suplicante para o pai. Este concordou com um aceno, e Archer, sorrindo, estendeu-lhe a mão. Kate beijou o pai em agradecimento e correu para o jovem funcionário.

Os outros membros da família entraram na perna e partiram.

—Meu Deus! — alguém exclamou. —Eles fazem o que querem do chefe! Se eu soubesse a fórmula, juro que ficaria rico!

—Acho que sei — outro falou. — Olhos azuis, cabelo loiro e um corpo maravilhoso, mesmo grávida.

—Parece que ouvi sobre um caso dele com Lydia Marsden há pouco tempo.

—Imagine só. Que ideia ridícula!

—Belos filhos.

—Bela esposa.

—Belo carro.

—Bela casa? — A brincadeira continuou pela sala.

—Bela empresa.

—E um belo chute no traseiro se não voltarem já ao trabalho! — gritou o chefe do departamento.

Joe ajustou o banco para o seu tamanho e disse: —Vou comprar uma cadeira para Michael e deixar no meu carro.

—E arranhar sua imagem de machão insensível?

—Ah, é? Você reparou nas janelas do prédio?

—Não, por quê? — Demi olhou para fora, notou uma multidão de rostos nas janelas e corou.

—Será que vão zombar de você por nossa causa? — ela perguntou, ansiosa.

—Não na minha frente, se tiverem um mínimo senso de auto preservação. Mas só Deus sabe o que estão falando agora.

—Não se preocupe. — Demi colocou a mão sobre a coxa de Joe. — Nós te amamos, machão insensível ou não.

—Se continuar com a mão aí, dirão que sou um maníaco sexual!

—O que quer dizer isso? — uma jovem voz perguntou de trás.

—Quando for um pouco mais velho, eu explico, filho —Joe respondeu.

Demi tirou a mão da perna dele e ajeitou-se no banco.

—Quando eu for mais velha, explica para mim também? —perguntou, zombeteira.

—Vou fazer melhor.

—Assim que ficarmos sozinhos, mostro com todos os detalhes!

—Com a luz acesa assim eu... — Joe deu um suspiro e apertou os olhos.

—Não pode imaginar há quanto tempo espero por esse momento.

—Eu posso, sim — ela respondeu, e seus olhos lhe disseram o porquê. —Aguente firme, então! — E acelerou o carro.

x-x

nhaw, acabou :c espero que tenham gostado! eu amei a história e continuo amando... ela é diferente <3 mas a próxima já está toda adaptada e prontinha p ser postada, hehe' vcs vão gostar! enfim, comentem! Se comentarem bastante, posto a sinopse ainda hj ;) Respostas aqui' Beijos, amos vcs ♥