12.12.14

Remember Me - Capítulo 4

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Durante o primeiro dia e a metade do segundo, depois de Demetria ser hospitalizada, Joseph só fora para casa uma vez, tomar um banho de chuveiro e trocar de roupa. Seus pais haviam se oferecido para ficar com ela enquanto ele dormia um pouco, mas recusara. Tinha medo. Medo de que se a deixasse por um minuto que fosse ela desaparecesse de novo. Então, dormira por momentos na poltrona ao lado da cama e enquanto permanecera acordado não conseguira desviar os olhos do rosto da esposa.
Ela parecia a mesma, no entanto havia diferenças que lhe chamavam a atenção. Os cabelos estavam mais curtos do que antes, por exemplo. Tentava imaginar a vida que Demi levara longe dele. Saindo para comprar roupas e mantimentos. Indo cortar o cabelo e assistindo a filmes que a emocionavam até as lágrimas. Parecia-lhe obsceno que ela houvesse permanecido a mesma enquanto ele morria por dentro.
Havia outras diferenças além das óbvias. Ela estava mais magra, pálida. Havia duas leves rugas nos cantos dos lábios e outras entre as sobrancelhas, que não existiam antes. Ela dava impressão de uma mulher que sofrera.
E além do mistério do dinheiro, havia a tatuagem.
Não a tinha descoberto até a manhã anterior quando as enfermeiras tinham ido trocar a roupa de cama e a camisola de Demetria. Quando as moças a rolaram para um lado, a fim de tirar o lençol usado, os cabelos dela haviam pendido para trás, revelando uma pequena tatuagem dourada no lado do pescoço, entre o início do maxilar e o lóbulo da orelha.
— Oh, que coisa estranha!— dissera uma das enfermeiras.
Ao ouvir aquilo Joseph aproximara-se e seu coração dera um salto ao ver a pequena marca. Acompanhou o desenho com a ponta dos dedos, tentando imaginar Demi decidindo tatuar-se. Mas não conseguiu. Sua mulher tinha um medo mortal de agulhas.
— Parece uma cruz, mas não é… — comentara a enfermeira, intrigada. — Já vi esse desenho antes, mas esqueci como se chama.
— É uma ankh — esclarecera Joseph. — O símbolo egípcio da eternidade… acho.
A enfermeira lançou-lhe um olhar curioso, mas não disse nada. O hospital inteiro sabia a historia daquele casal. O rosto do sr. Jonas aparecera na televisão local quase tanto quanto o adorado time de futebol da cidade, o Denver Broncos.
A moça sorriu para Joseph, depois terminou de ajeitar os lençóis.
— Pronto… — Deitou Demetria de novo sobre o travesseiro. — Está tudo limpinho. Mais tarde eu volto para trocar o soro.
Joseph ressentia-se com a piedade que lhe demonstravam tanto quanto se ressentira ao ser injustamente suspeito de assassinato. Ficou satisfeito quando as enfermeiras saíram do quarto. A descoberta da tatuagem era algo estranho e não oferecia resposta ao mistério de onde Demi estivera durante aqueles dois anos. Tudo que ele podia fazer era esperar que ela recuperasse a consciência. Talvez, então, poderia descansar.

(...)

Depois de quase dois dias e meio de chuva ininterrupta, por fim o céu de Denver clareou. As ruas apresentavam o aspecto agradável de recém-lavadas e um pouco de água ainda escoava pelos canos das calhas. O ar da manhã era frisante, com indícios de outono. As folhas das árvores já estavam começando a cair e os picos nevados das montanhas Rochosas eram um aceno constante para o inverno que se aproximava.
Demetria acordou e viu Joseph adormecido na poltrona junto da cama. Ela franziu as sobrancelhas lembrando-se vagamente de um sonho sobre palmerias; um sonho que não tinha sentido. Tornou a fechar os olhos quando a claridade do sol pareceu feri-los.
— Oohh — gemeu.
Joseph acordou no mesmo instante.
— Demetria…
Sentindo a língua grossa, ela engoliu com dificuldade.
— O que aconteceu?
— Você está no hospital — respondeu ele. — Fique deitada. Vou chamar a enfermeira.
— Espere.
Mas ele já saíra. Ela suspirou e olhou o quarto ao redor, tentando reunir os fragmentos das lembranças. Estava chovendo, e esperava que Joseph voltasse para casa. Adormecera e…
A essa altura tudo se tornava escuro. Demetria recomeçou, tentando lembrar-se de fatos mais recentes.
Estivera andando na chuva. Mas onde e por quê? Fechou os olhos, cansada de forçar a mente. De repente viu a si mesma sair correndo de uma casa. Lembrou-se da água espirrando na parte de trás de suas pernas e entrando nos sapatos. Lembrou-se de pegar um táxi e sentir uma onda de alívio ao dar o endereço de sua casa. Então, de novo, tudo se tornava confuso. Lembrava-se de estar entre o tráfego, mas sempre havia muito tráfego em Denver.
E depois? Franziu a testa. Um ônibus? Estremeceu com algo que se agitou num canto de sua memória. Tinha havido um acidente? Lembrou-se de ter se machucado e de logo depois ficar muito molhada. Em seguida, a
ansiedade de chegar em casa e ver Joseph parecia sobrepor-se a tudo mais que podia lembrar-se.
Alguém começou a chamar um médico pelo sistema de alto-falantes do hospital e a concentração dela se desfez. Tentou colocá-la em foco de novo, mas tudo que conseguia lembrar-se era de ter pego a chave extra sob o vaso de gerânios mortos, no pórtico, e entrar em casa.
Respirou com mais profundidade, desta vez lembrando-se do interior de sua casa. O que acontecera depois de entrar? Ah, sim. A área de serviço. Suas roupas estavam ensopadas, então havia ido até a secadora e tirara a calça e a blusa, colocando-as dentro dela. De volta, ao passar pela cozinha, tomara um comprimido para dor de cabeça, depois vestira uma das camisetas de Joseph e fora para a cama.
Inconscientemente, seus dedos se fecharam apertando o lençol, enquanto procurava um caminho através das imagens confusas que pareciam explodir em sua mente.
De súbito, algo quebrou-se no corredor em frente à porta do quarto. Antes que ela conseguisse reconhecer o barulho, a porta briu-se e a silhueta de um homem recortou-se contra a claridade. Por mais que seu coração lhe dissesse que aquele homem devia ser Joseph, o cérebro dela dizia-lhe algo diferente. O impulso de fugir sobrepujou toda precaução quando ela jogou as cobertas de lado e tratou de livrar-se dos terminais das maquinas aplicados em seu corpo.
Joseph precipitou-se, segurando-a no momento em que ia sair da cama.
— Demi, não!
— Largue-me — Ela começou a chorar. — Por favor, deixe-me ir embora. Não quero morrer!
Um arrepio gelado percorreu a espinha de Joseph. O olhar vago de sua esposa era apavorante, mais apavorante do que as marcas de agulhas em seus braços. Ele não conhecia aquela mulher. Quando ela bateu com as costas da mão no rosto dele, Joseph ficou imobilizado pela surpresa e, antes que ele pudesse reagir, o sangue espirrou quando a agulha do soro caiu no chão.
Foi o vermelho do sangue no branco puro da camisola que o fez recuperar-se. Agarrou-a pelos braços e chamou pela enfermeira.
O rosto de Demetria estava contraído pelo medo, enquanto ela se debatia. No instante seguinte o quarto pareceu encher-se de médicos e enfermeiras.
Ele foi levado para o corredor e deixou-se cair na cadeira mais próxima. Inclinou-se para a frente com os cotovelos apoiados nos joelhos, ocultou o rosto com as mãos que tremiam. Sua camisa estava manchada de sangue. Dali ainda podia ouvir Demetria chorando. Um músculo movimentou-se no
alto de suas mandíbulas e em seguida ele respirou fundo. Sentia-se no inferno.
Algum tempo depois, o médico que atendia Demetria aproximou-se e Joseph se levantou.
— Ela está bem?
O dr. Willis assentiu.
— O que foi aquilo? — perguntou Joseph.
— Não sei direito, mas minha impressão é que ela sofreu uma espécie de volta traumática de memória. Aplicamos um calmante, e quando ela estiver fisicamente melhor seria bom que fizesse psicoterapia.
Um psiquiatra?, pensou Joseph. O que mais falta? Ele soltou o ar devagar, contendo-se, e passou os dedos nos cabelos.
— Ela está tendo um colapso nervoso?
O médico sorriu.
— Não sr. Jonas. Não se trata disso. Quando ela se recuperar, veremos do que se lembra e partiremos desse ponto.
Joseph aceitou a explicação, mas havia algo errado naquilo tudo. Demetria desaparecera dois anos atrás. Seu reaparecimento fora tão repentino e inexplicável quanto o desaparecimento. Ele detestava fazer essa pergunta, porque parecia uma traição aos seus sentimentos pela esposa, mas tinha que fazê-la para conseguir um pouco de paz.
— Doutor…
— Pois não?
— Ela poderia estar fingindo ter perdido a memória?
O dr. Willis pensou por instantes, considerando seriamente a pergunta, depois sacudiu a cabeça.
— Poderia ser, mas, na minha opinião, ela não está fingindo.
Joseph assentiu. Não era exatamente o que queria ouvir, mas servia para suavizar parte de suas dúvidas.
— Sr. Jonas, eu sei que é frustrante, mas veja a situação do ponto de vista de sua esposa. Se houvesse algo sinistro no seu desaparecimento, há dois anos, é ela quem está sofrendo mais. Certo?
Depois de dar uns tapinhas consoladores no braço dele, o médico se retirou.
Sentando-se de novo, Joseph inclinou-se e fixou os olhos numa mancha no chão. Tinha a impressão de estar enlouquecendo. Não sabia em quem confiar, nem no que acreditar. Precisava desesperadamente de respostas, mas até que Demi melhorasse não as teria.
— Sr. Jonas…
Ele ergueu a cabeça e deparou com uma enfermeira.
— Sim?
— Sua esposa quer vê-lo.
A hesitação dele ficou evidente enquanto se erguia.
— Está tudo bem — assegurou a moça. — O ferimento na cabeça melhorou bem. Creio que sua senhora está apenas confusa. Não tome isso pessoalmente… O mais estranho é que ela pensa que estamos tendo um terremoto.
Terremoto? Ele lembrou-se de ter ouvido algo a respeito num noticiário.
— Como aplicamos um calmante, ela deve estar meio aturdida. — acrescentou a enfermeira — Caso precise de ajuda, é só apertar o botão de chamada e alguém atendera imediatamente.
Joseph saiu andando para o quarto de Demetria, enquanto a enfermeira caminhava pelo corredor.
Terremoto. Ele não conseguia esquecer-se disso. Era o terceiro indicio a ser acrescentado ao mistério de onde ela teria estado. Primeiro, o dinheiro, depois a tatuagem e agora o terremoto. Empurrou a porta e entrou no quarto. A camisola e os lençóis sujos de sangue haviam sido trocados. A agulha de soro estava de novo enfiada na mão dela. Seus olhos estavam fechados e o rosto era quase tão branco quanto as cobertas que a cobriam até o queixo. Com medo de tocá-la e desencadear um novo ataque de pânico, ele ficou parado, esperando que Demi fizesse algum sinal de permitir que ele se movesse.
Sentindo uma presença no quarto, ela abriu os olhos.
— Joseph?
Com um suspiro, ele aproximou-se dos pés da cama.
— Sim sou eu.
Os grandes olhos castanhos encheram-se de lágrimas.
— Sinto muito… Não sei por que agi daquele modo com você. Sei que parece idiota, mas pensei que estivesse havendo um terremoto… — Ela fez uma pausa, durante a qual seu olhar se tornou longínquo.
— Acho que eu o confundi com outra pessoa.
O coração dele deu um salto.
— Com quem, Demi? Quem você pensou que eu era?
Um longo momento se passou e Demetria franziu a testa, como se fizesse um tremendo esforço.
— Não consigo me lembrar.
De novo um arrepio percorreu a espinha de Joseph. Devia acreditar nela? Soltou a respiração que contivera. O que devia fazer? Demonstrar seu ressentimento? Mas de que adiantaria isso?
— Está tudo bem — disse, por fim.
Demetria sacudiu a cabeça devagar.
— Não. Nada está bem… — Ergueu a mão livre. — Sente-se aqui, perto de mim. Preciso explicar.
Ele sentou-se na poltrona perto da cama.
— Não sei se você deveria estar falando, Demi.
— Sente-se mais perto… por favor.
Joseph passou para a beira da cama.
Lutando contra as lágrimas, Demetria mordeu o lábio inferior na tentativa de que a dor provocada a fizesse controlar-se. Sua linguagem corporal era evidentemente defensiva e não podia censurar o marido por estar ressentido. Mas precisava fazê-lo entender. Suspirou. Entender o quê? Sentia-se perdida na escuridão. Como podia explicar o quê se passava na sua mente se ele lhe dizia que fazia dois anos que ela havia desaparecido de casa?
— Joseph …
— O quê?
— Estive, mesmo, desaparecida por tanto tempo?
Os olhos dele expressaram dor.
— Sim.
Ao perceber que seu queixo tremia, ela mordeu de novo o lábio para não chorar. Estava com medo. Com muito medo. Joseph parecia-lhe tão distante e tão zangado! Dois anos. Meu Deus, onde eu poderia estar? E por que não me lembro?
Procurando recompor-se, respirou fundo.
— Você me odeia?
O peito de Joseph apertou-se.
— Não, Demetria. Não a odeio.
Ela fitou-o intensamente. Aquele rosto querido! Mesmo Joseph estando tão perto dela, a distância entre eles era imensa. Segurando as cobertas com as duas mãos, Demi continuou a encará-lo até que ele desviou os olhos. E quando isso aconteceu, lágrimas desceram pelas faces pálidas dela.
Oh, Deus! Por favor, não deixe que ele se afaste de mim!
Embora tivesse medo de perguntar, havia uma coisa que precisava saber. Tossiu baixinho, procurou abafar as emoções, mas pouco conseguiu.
— Joseph…
Ele olhou-a.
— O quê?
— Você ainda me ama?
Foi evidente o estremecimento que o percorreu quando Joseph levantou-se.
— Eu a amei desde o primeiro dia em que a vi.
As mãos dela apertaram ainda mais as cobertas.
— Por que sinto que existe um “mas” nessa resposta?
Ele hesitou por instantes, então respondeu sem desviar os olhos dos dela.
— Há uma diferença entre amor e confiança, Demetria. Eu ainda a amo, mas acho que não confio mais em você.
Ela apertou os lábios e fechou os olhos. Aquele pesadelo era tão difícil de compreender!
— Sinto muito — murmurou, a voz repassada de lágrimas. — Eu não sei o que dizer para tornar as coisas melhores.
— Para começar, poderia dizer-me onde esteve… o que fez.
Demetria encolheu-se. A voz dele era áspera e a fez sentir uma revolta dolorosa. Teve a impressão de estar sob ameaça e abandonada. Não era justo. Ela conhecia a si mesma bastante bem para saber que jamais teria se separado de Joseph por vontade própria. E se alguém a levara embora, mesmo ela tendo conseguido encontrar o caminho de volta, era possível que tornasse a acontecer.
— Quando eu souber, você também saberá — retrucou, virando o rosto para a parede.
A zanga de Demetria surpreendeu Joseph. E foi nesse momento que sentiu o primeiro sinal de confiança renovada. E se ela estivesse dizendo a verdade? Ele precisava falar com os investigadores para que o acontecimento não fosse conhecido pela imprensa.

Depois do Terremoto: Quarto dia
Mesmo inconsciente e quase morto, Pharaoh Carn ainda se mantinha nas manchetes dos jornais. Das sete vítimas resgatadas dos escombros causados pelo terremoto naquele verão, ele fora o único a sobreviver. Mas o por quê e como ainda estavam por ser ditos. Pharaoh não tinha condições de explicar.
Duke Needham, o segundo homem depois de Pharaoh no comando, estava fora do pais quando acontecera o terremoto e apressara-se freneticamente a voltar de avião para Los Angeles , onde encontrara a mansão em ruínas e a equipe de busca e salvamento ainda tirando vítimas do entulho.
Perdera mais um dia até localizar o hospital para onde Pharaoh havia sido levado. Depois de ir até lá e encontrar o chefe inconsciente, saíra à procura da mulher dele. A não ser as pessoas mais chegadas a Pharaoh, ninguém sabia que essa mulher existia, mas os que sabiam tinham conhecimento que ele passara a maior parte de dois anos tentando conquistar uma mulher que parecia detestar até a sombra dele.
Depois de vários dias de cuidadosa procura, tudo que Duke conseguira saber era que a mulher de Pharaoh não tinha ido para nenhum necrotério .
Se ela sobrevivera e se encontrava em outro hospital ainda estava por ser descoberto. Acontece que não podiam divulgar o nome e dados pessoais dela para saber se alguém sabia de seu paradeiro. Seria como oferecer uma recompensa para que um objeto roubado fosse devolvido ao ladrão. Ele jamais considerara a possibilidade de que a mulher poderia ter escapado ilesa. Não depois de ter visto a casa.
Portanto, Duke esperava, sabendo que o movimento seguinte deveria partir de Pharaoh, pois apenas ele tinha autoridade para dizer o que deveria ser feito. Tudo que podia fazer era economizar seu fôlego para quando fosse preciso agir.
Haveria tempo mais tarde para recuperar o que fora perdido.

(...)

Depois de algumas horas de ter voltado a si, Demi teve uma recuperação notável . Na manhã seguinte deixaram que se sentasse na poltrona ao lado da cama e a tarde, apoiada no braço de Joseph, caminhou um pouco pelo corredor. O delicado queixo erguido de modo desafiador combinava com os cachos negros que lhe emolduravam o rosto, fazendo-a parecer uma criança zangada por causa de uma punição injusta.
— Quero ir embora daqui — reclamou. — Não gosto de ficar sem fazer nada.
Joseph suspirou. Não era a primeira vez que ela dizia isso e, pela expressão de seus olhos, não seria a última. Mas se ele fosse honesto consigo mesmo, teria que admitir que também estava querendo a mesma cosia. No hospital ela estava sob o olhar vigilante do seu médico e das enfermeiras, assim como ele próprio. Quando voltassem para casa teriam sua privacidade de novo. Para dizer a verdade, estava com medo. Como poderia enfrentar normalmente os dias de novo se cada manhã que saísse para o trabalho pensaria se a encontraria em casa ao voltar?
— O medico disse que você precisa ficar aqui mais uma noite. Tenha paciência, Demi. Logo voltará para casa.
Ela se dirigiu para uma das duas cadeiras juntoà janela, colocadas de maneira que era possível ver a cidade lá embaixo, e sentou-se. Não sabia como explicar a ansiedade que a dominava. Desde o momento em que acordara naquele hospital sentia um impulso quase incontrolável de fugir . Por quê? E fugir para onde? Joseph era tudo no mundo para ela. Era tudo que lhe importava. E a pequena casa que tinham alugado ao se casarem era de fato o seu primeiro lar. Amava aquela casa. Amava Joseph. Então, por que o pânico?
— Eu sei, mas…
Ela suspirou e não completou o que ia falar; baixou a cabeça e olhou para as mãos. Estranhou o esmalte vermelho escuro que lhe cobria as unhas. Aquela era uma cor que jamais teria escolhido. Perguntou a si mesma o que mais estaria diferente nela.
— Joseph?
— O quê?
— Eu pareço diferente?
— Como assim?
Demetria franziu as sobrancelhas e piscou para impedir que as lágrimas aumentassem e caíssem. Detestava sentir-se tão desligada de tudo.
— Eu quero dizer, fisicamente. Estou mais gorda ou mais magra? Meu cabelo sempre foi desta cor? Tenho alguma marca, alguma cicatriz que não tinha antes?
Joseph sentou-se ao lado dela e pegou-lhe a mão. Ela parecia tão sincera! Se, pelo menos, ele se atrevesse a acreditar…
— Está mais magra, mas não muito. Seu cabelo agora é mais curto, porém a cor é a mesma.
Ela observava os lábios dele ao falar e, apesar de estar entendendo o que o marido dizia, lembrava-se da sensação que aquela boca despertava no seu corpo. Olhou os dedos dele, entrelaçados com os seus, e teve um estremecimento. As mãos dele. Sempre as mãos de Joseph. Fortes e morenas, tinham calos causados pelo trabalho, no entanto seu toque era suave e derretia seus ossos.
De repente, percebeu que ele não estava mais falando. Ficou vermelha, imaginando há quanto tempo Joseph estaria em silêncio. Ergueu o rosto. Os olhos dele, escuros, espelhavam uma dor secreta. Dor causada por ela. E havia raiva, também. Estremecendo, Demetria desviou o olhar.
Joseph vira as expressões sucedendo-se no rosto dela e soube o momento em que ela pensou em amor. Ele vira aquele olhar muitas vezes e o reconhecia agora. Chocou-o, então, pensar em como as expectativas de vida deles haviam mudado. Demetria pensava em fazer amor, enquanto os pensamentos dele eram de medo e desgosto.
Quando ela virou o rosto, os cabelos movimentaram-se revelando a tatuagem,e Joseph falou sem pensar:
— A tatuagem… o que significa?
Demetria fitou-o como se ele tivesse ficado louco.
— Que tatuagem?
Ele percorreu o pequeno desenho com a ponta de um dedo.
— Aqui, quase atrás de sua orelha.
Um aperto de pânico fez o estômago dela doer e Demetria levou os dedos à tatuagem, para senti-la. Estava pálida e suas mãos tremiam como se alguém lhe tivesse dito que uma aranha estava em eu pescoço.
— Não dá para sentir nada…
Sua voz era apenas um murmúrio e ela se perguntava por que tinha tanta vontade de chorar.
Ele pegou-lhe um dedo e colocou-o bem sobre a marca dourada.
— Aqui…
Os olhos de Demi espelharam choque, tornando-se mais escuros e maiores, enquanto perguntava:
— Como ela é?
Joseph hesitou. Medo era uma reação que ele não esperava. Em seguida perguntou-se o que, afinal esperava.
— É como uma cruz arredondada no alto. É egípcia, eu acho. Chama-se ankh.
Esta é minha marca. Aos olhos do mundo você sempre será minha.
As palavras ecoaram na mente de Demetria.
Ela fechou os olhos.
— Não me toque — sussurrou. — Eu jamais serei sua.
E inclinou-se para a frente, soltando a mão dele.

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Mais um p vcsssssss ♥ Td bem, gente? Eu to mt bem! E feliz com os comentários, vcs são uns amores! Comentem para o próximo! Beijos, amo vcs ♥

5 comentários:

  1. BRUNA EU ESTOU MORRENDO, POR FAVOR, POSTA LOGO, POR FAVOR, EU NÃO TO AGUENTANDO AKSNKA ALGUEM ME AJUDA QUE EU TO ESTIRADA NO CHÃO!
    BEIJOS E POSTA LOGO! <3

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  2. SOCORRO, BRUNAAA!
    HOJE TIRARAM O DIA PRA ACABAR COMIGO, VIU? ;) GENTE... TO NO CHÃO. QUERO ESSES DOIS JUNTINHOS LOGO E FOI ESSE CARA DA MAFIA QUE PEGOU ELA, NÉ? ESTOU LOUCA PARA SABER O MOTIVO O.O
    BJOS E POSTA LOGO!
    TI AMO ❤

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  3. Ta já percebi que Demi foi sequestrada por esse Pharaoh. Mas pq ela? Ele acha que se apaixonou a primeira vista com ela foi? Ele a mal trava? Para ela ter tanto medo aposto que sim. Pq ela era dopada? Ele a estrupava nao era? Pharaoh nao é aqueles reis egípcio? Posta logo pelo amor de Deus

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  4. Acho que esse cara que sofreu acidente tambem sequestrou a Demi por "amor" e a maltratava obrigando-a ficar com ele, provavelmente ele injetou drogas para ela perder a memoria, Deus eu estou confusa e ansiosa para esse desenrolar!!!
    Sam, xx

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  5. Oi amor, pode divulgar meu blog?
    Obgd!
    http://humbu-g.blogspot.com.br/

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