11.12.14

Remember Me - Capítulo 3

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O quarto de hospital estava em silêncio, ao contrário do corredor lá fora. De costas para a janela, Joseph olhava para sua esposa. Ela ainda não recuperara os sentidos. Toda a raiva que ele sentira enquanto se julgava traído se tornara preocupação. Não importava o que ela houvesse feito, jamais desejara vê-la naquele estado lamentável. Amava-a. Sempre a amaria, mesmo que seu amor não houvesse sido suficiente para fazê-la ficar a seu lado.
Ele suspirou, olhando para Demetria. O rosto em forma de coração, o nariz fino e perfeito, a boca grande e sensual. Era a mulher que ele amava, no entanto Joseph pensou que sabia pouquíssimo do seu passado, dito por ela mesma.
Órfã aos quatro anos, passara os quatorze anos seguintes de sua vida na casa Gladys Kitteridge, um orfanato em Albuquerque, Novo México. Depois disso, cursara a faculdade em Denver, encaixando estudos entre dois períodos de trabalho. Ele lembrava-se de quando entrara no restaurante onde ela trabalhava. Magra quase ao ponto de ser esquelética, Demi segurava uma enorme bandeja com quatro grandes filés fumegantes. Estava rindo. Joseph quase podia sentir o nó que se formara em seu estômago. Ele a quisera naquele momento, mesmo antes de saber o nome dela.
Com um suspiro, pensou que fazia muito tempo que isso acontecera, antes que ela o deixasse , antes que o mundo dele caísse.
Um músculo tremeu na face esquerda de Demetria e suas pálpebras agitaram-se. Joseph imaginou se ela saberia onde estava. Sua respiração era lenta e superficial. Os cabelos negros espalhados sobre o travesseiro acentuavam a palidez do rosto. A testa dele franziu-se. Ela estava tão imóvel! Pelo que lera a respeito, os sintomas que Demi apresentava não indicavam que fosse uma viciada em drogas. No entanto, que outra explicação haveria para as marcas de injeções nos braços? E havia aquela estranha agitação pela qual ela passara. Citara um ônibus… O que isso quereria dizer?
Ele passou os dedos nos cabelos, criando momentâneos sulcos nas mechas escuras, que logo voltaram ao lugar enquanto massageava a própria nuca. Joseph não saberia dizer o que doía mais, se sua cabeça ou seu coração. Ainda não conseguia acreditar no que acontecia. Por um lado, o reaparecimento de Demi era um sonho que se tornava realidade. Mas por que ela tinha ido embora?
Inconscientemente, chegou mais perto dela, desejando poder ler sua mente. Precisava de explicações, não de mais mistérios. Mas até o momento não havia respostas e sim apenas mais perguntas.
Um nó começou a formar-se em sua garganta. Maravilhado por ela estar realmente ali, respirou fundo e teve ímpetos de tocá-la. Com cuidado, para não deslocar a agulha intravenosa nas costas da mão dela, Joseph inclinou-se, e seus dedos trêmulos deslizaram pelo braço inerte. Ele passara dois anos recusando-se a sepultar a lembrança de Demetria, no entanto, agora que ela estava ali, tinha medo de esperar demais. Quando ela ficasse boa, se ficasse boa, permaneceria com ele?
Joseph ainda se fazia essa pergunta quando Demi entreabriu os lábios e aspirou fundo, como se lhe faltasse ar. Abriu os olhos e ele poderia jurar que estavam cheios de terror. Em seguida o terror apagou-se e as pálpebras fecharam-se de novo. Ela estava outra vez sem sentidos.
Ele inclinou-se mais, até seus lábios ficarem junto ao ouvido dela.
— O que houve, Demi? Por que você foi embora?
Ela suspirou e ele viu, com o coração apertado, uma lágrima surgir nos cílios de cada um dos olhos e escorregar para os lados, até desaparecer nos cabelos.
Então, Joseph moveu a boca um pouco mais para a direita e, pela primeira vez depois de dois anos, beijou a mulher que era sua esposa.

(...)

Passaram-se horas. Horas em que os pensamentos de Joseph haviam ido de uma imagem para outra, procurando encontrar um sentido naquilo tudo. Mas era impossível, por mais que ele tentasse explicar a ausência e o retorno dela.
De súbito, a porta do quarto abriu-se e entrou o dr. Carl Willis, que estava cuidando de Demetria.
— Vim falar com o senhor — disse o médico.
O coração de Joseph deu um salto.
— Já tem os resultados dos exames, doutor?
— Da maior parte deles.
Sem perceber que cerrara os punhos, Joseph deu um passo à frente.
— Drogas?
O dr. Willis fez um gesto de impotência.
— Não sei o que foi injetado nela, mas não se trata das drogas que está pensando. Aliás, os sintomas que apresenta não são os de viciados em drogas que já vi. Não há traços de substâncias ilegais no organismo dela. Só foram encontrados indícios de sedativos. Sua esposa tinha dificuldade para dormir?
Joseph estava surpreso. Não se tratava de drogas? Olhou para Demetria, tentando assimilar a informação. Se não eram drogas, o que seria?
— Sr. Jonas?
Ele quase saltou.
— Desculpe, doutor. O que disse?
— Perguntei se sua esposa sofria de insônia.
— Não… Não que eu saiba.
A mão de Joseph acariciou a face de Demi. Queria que ela acordasse. Precisava dizer-lhe que sentia muito, que precisava saber em que inferno ela estivera.
— O que há de errado com Demetria, doutor?
— Ela sofre de grave concussão cerebral, e há marcas de ferimentos nas costas e no ombro, que indicam que foi vítima de um acidente.
Joseph estremeceu, lembrando-se das palavras dela antes de perder os sentidos. Cuidado com o ônibus!
— É possível saber quando esse acidente aconteceu?— perguntou.
E Joseph contou ao médico, resumidamente, o que acontecera dois anos antes. O dr. Willis lembrou-se de ter lido e visto notícias do caso Jonas e envergonhou-se por ter pensado que o marido da desaparecida havia cometido o crime. Agora que sabia a verdade, sentia-se quase na obrigação de ajudar a resolver aquele mistério.
— O sangue na cabeça dela ainda está exsudando um pouco de sangue e soro, o que indica que foi ocasionado a cerca de três ou quatro horas,
Joseph empalideceu, lembrando-se que chegara a zangar-se com Demi, e sua voz tremeu quando falou.
— Ela vai ficar bem?
O médico exitou, o que bastou para fazer o peito dele apertar-se.
— O que é, doutor? — insistiu.
— O senhor me disse que sua esposa parecia confusa a respeito do tempo que decorreu desde seu desaparecimento?
— Eu pensei que ela estivesse fingindo — disse Joseph.
— Talvez — o dr. Willis sacudiu os ombros.— Mas existe a possibilidade de que ela realmente não se lembre. A pancada na cabeça foi bastante violenta. Acrescente a isso o estresse, o trauma mental, e é possível que esteja ocorrendo um caso de amnésia seletiva.
— Ela vai se recuperar? Recuperar a memória, eu quero dizer.
— Provavelmente, mas não se pode saber quando.
— Quer dizer que talvez eu nunca fique sabendo o que aconteceu com minha mulher?
O dr. Willis procurou falar de maneira encorajadora, porém nunca havia sido bom em consolar os outros.
— Há sérios motivos para acreditar que, com o tempo, ela se recupere inteiramente. Mas até então o senhor precisará ter paciência.
Joseph suspirou. Não era o que queria ouvir.
— Ah, eu ia me esquecendo!— disse o médico.
— Há dois policiais lá fora querendo falar com o senhor.
Depois de mais um olhar para Demetria, Joseph saiu do quarto.
Avery Dawson aproximou-se assim que o viu, e Ramsey, o parceiro dele, vinha chegando com dois copos de café.
— O dr. Willis disse que você quer falar comigo Dawson.
O investigador pegou o café que o parceiro lhe entregava e levou Joseph para um lugar mais sossegado.
— Achei que o senhor gostaria de saber que houve um desastre às duas horas, esta tarde. Um ônibus colidiu com um caminhão, um carro e um táxi.
Os dentes de Joseph apertaram-se. Meu Deus, o aviso de Demi!
O investigador parecia escolher cuidadosamente as palavras.
— Não temos certeza de que tenha sido sua esposa, mas quando o motorista de praça voltou a si notou que a passageira havia sumido. Ele disse que era uma mulher jovem, muito bonita, com cabelos negros pouco abaixo dos ombros.
— E você acha que era Demetria? — indagou Joseph.
Dawson deu de ombros.
— Talvez. Mas se era a sua esposa, ela teve muita sorte. Todos os envolvidos no acidente estão no hospital ou no necrotério.
— Que horror… — murmurou Joseph.
Deixou-se cair na cadeira mais próxima e apoiou a cabeça nas mãos. Nesse instante, algo lhe ocorreu. Uma coisa tão evidente que imaginou que os policiais já a teriam feito.
— Alguém perguntou ao motorista onde ele pegou a passageira?
Avery Dawson assentiu.
— Na estação rodoviária. Disse que quase a atropelou quando ela saiu correndo de um terminal, que entrou no táxi tremendo, mas ele atribuiu isso ao frio e à chuva. O tempo todo ela olhava para trás, como se temesse que alguém os estivesse seguindo.
— O que vamos fazer agora? — quis saber Joseph, pondo-se de pé.
— Não há nada a fazer — respondeu o investigador. — Ela desapareceu e agora está de volta. Claro, caso ela dê alguma informação ou comece a lembrar-se dos acontecimentos, peço-lhe que me avise e verificaremos tudo.
— Só isso? — estranhou Joseph.
— Olhe aqui, sr. Jonas, nada mais podemos fazer. Não é crime ir embora de casa.
— Não foi isso o que vocês pensaram há dois anos — irritou-se Joseph.
Voltou as costas aos policiais e foi para o quarto, tão zangado que nem sabia o que fazer.
O médico havia desaparecido. A não ser pelo bip contínuo dos monitores, o quarto estava silencioso. Ele observou o rosto de Demetria. Ela não se
mexera desde que a haviam posto na cama. Um pensamento horrível o fez estremecer: e se a mulher nunca mais acordasse?
Sentou-se na poltrona ao lado da cama e colocou a mão sobre a dela. Ao seu toque, os longos dedos estremeceram espasmodicamente. Ele não saberia dizer se ela resistia ao seu toque ou se queria segurar-lhe a mão; suspirou, com o coração pesado. Momentos depois ergueu-se e foi até a janela. Tinha a impressão de que mesmo inconsciente, Demi não o queria mais.
— Joseph…
Ele voltou-se, rápido. Sua mãe estava à porta.
— Não devia ter voltado mamãe.
Betty Jonas apenas ergueu a pequena bolsa de viagem.
— Achei que você iria precisar de algumas coisas.
Com um sinal, Joseph convidou-a a entrar.
— Como ela está? — perguntou Betty.
— Do mesmo jeito.
— Você falou com o médico?
Joseph fez que sim.
A senhora colocou a bolsa num banco junto a parede e tirou o casaco; pendurou-o no espaldar de uma cadeira e foi para junto do filho, à janela.
— Então? Vai me contar o que ele disse ou vou ter que arrancar-lhe, palavra por palavra?
— Ele disse que Demi perdeu a memória por causa de uma pancada na cabeça, num acidente, e que deverá recuperá-la. Que ela não é viciada em drogas, não tomou uma overdose. Não há substâncias ilegais em seu corpo. A única coisa que encontraram foram traços de sedativos.
Betty apertou os lábios, aproximou-se da cama e ficou pensativa, olhando para Demetria.
— Isso não me surpreende — disse por fim.
A culpa sufocou Joseph e sua voz soou amarga.
— Diga-me, mãe, sou o marido dela, por que não acreditei em Demi como você acreditou?
A sra. Jonas voltou as costas para o filho. Sofria por ele e pela nora.
— Sabe… minha mãe dizia que quanto mais profundo o amor, mais dói quando as coisas dão errado. Você deve ter sofrido as penas do inferno Joseph. Deve ter sido muito difícil para você ser objetivo enquanto se via acusado de um crime
Joseph foi para junto da mãe.
— Sabe o que é pior?
Ela passou o braço pela cintura do filho, querendo confortá-lo.
— Não, o quê?
Ele engoliu várias vezes antes de ser capaz de falar.
— Eu não sei mais o que sinto por ela.
Betty fechou os olhos por instantes, procurando a coisa mais certa a dizer. E afinal falou.
— É compreensível, meu filho. Mas se o médico está certo e ela perdeu a memória, imagine como Demi se sente. Para ela não existem os dois últimos anos. Teoricamente é a recém-casada que era, seu coração ainda pertence a você, quer você queira quer não.
Joseph ficou pálido.
— Eu não disse que não a amo. Apenas não sei se posso confiar nela de novo.
Betty sacudiu a cabeça.
— E não saberá enquanto não tentar.
— Está bem, mamãe. — Ele endireitou os ombros. — Vou tentar.
A sra. Jonas afligia-se com aquela situação. Era como um pesadelo, e provavelmente o que ia dizer ao filho aumentaria a confusão. Mordeu os lábios, avaliando-o antes de falar.
— Passei na sua casa antes de vir para cá — começou.
Para Joseph, nada havia de estranho nisso. Fazia meses que a mãe ia à sua casa quando bem quisesse, sem precisar pedir permissão.
— E? — perguntou.
— Achei que Demi iria precisar de algumas coisas, também. Esqueci que as roupas dela haviam sido guardadas em duas malas e levei algum tempo para encontrá-las.
— Obrigado, mãe…
— Não há de que. Mas não é isso que quero lhe dizer.
Algo na voz da mãe dizia-lhe que havia alguma coisa errada. Ele virou-se para olhar Betty de frente.
— O que quer me dizer?
A senhora enfiou a mão no bolso da calça que usava e retirou-a com um maço de dinheiro.
— Isto estava na secadora, com uma calça comprida e uma blusa que não deveriam ter sido postas lá para secar. Acho que ficaram estragadas…
Joseph ficou paralisado e só alguns momentos depois que a mãe colocou o maço de notas em sua mão é que reagiu.
— Meu Deus! — balbuciou, segurando as notas de cem dólares com as pontas dos dedos, como se estivessem sujas. — Quanto tem aqui?
— Mil quinhentos e cinqüenta dólares.
Assombrado ele olhou para o dinheiro.
— Na secadora?
Betty assentiu.
— Duas das notas ainda estavam no bolso da calça de Demi. As outras saíram dele quando a secadora girou.
Ele largou-se na poltrona, ainda olhando para o dinheiro. Quando falou era evidente o sarcasmo em sua voz.
— Quer dizer que um de meus pesadelos com Demi era inteiramente falso.
— Que pesadelo, meu filho?
— Um em que ela me aparecia sendo brutalizada e morrendo de fome.
— Eu sinto tanto, Joseph! Sei que este dinheiro vem criar mais confusão, mas acho que não devemos tirar conclusões apressadas. O melhor a fazer é esperar e ver o que Demi tem a dizer quando voltar a si.
— Não é o que minha mulher vai dizer que tem importância… É se eu vou ou não acreditar nela.


Sul da Califórnia
Mais de vinte e quatro horas depois do terremoto, a terra ainda se achava instável, o que dificultava a ação dos grupos de busca e salvamento. O pessoal se movimentava entre escombros de prédios, ruas e estradas. Infelizmente, estava se tornando mais fácil encontrar mortos do que vivos. O mau cheiro ia se espalhando pelo ar.
As casas mais exclusivas eram, em geral, muito isoladas, e, apesar das várias equipes em ação, encontrá-las era mais difícil do que verificar a devastação em massa das áreas de maior população. Grupos de salvamento mantinham-se em contato com helicópteros da policia que sobrevoavam as zonas afetadas e quando o piloto de um helicóptero percebia vestígios de uma casa nos cânions abaixo, pedia ajuda e dava a localização.
Pete Daley fazia parte do grupo de busca e salvamento de San Francisco havia mais de dez anos. Passara por muitos desastres e achava que já havia visto tudo, no entanto quando o homem que dirigia a ambulância entrou à direita, numa área muito arborizada, ele estremeceu.
— Será que estamos no caminho certo? — perguntou.
Seu parceiro, Charlie Swan, sacudiu os ombros.
— Não sei, mas é o único caminho que temos.
Pete revirou os olhos para cima.
— Então, porque não…
Charlie apontou, através do pára-brisa, para um helicóptero apenas visível à distancia.
— Aquele helicóptero está voando em círculos ali por mais de cinco minutos. O piloto deve ter visto alguma coisa.
Um tanto sem jeito Pete comentou:
— O fato é que eu não estava prestando atenção.
— Você presta atenção quando é preciso — consolou-o Charlie. — Essa parte é obrigação minha. Pegue seu equipamento, estamos quase lá.
Poucos minutos depois chegaram ao que restava de uma grande mansão, e Charlie estacionou a ambulância num ponto em que não seria atingida por paredes caso elas ruíssem. Pegaram sua maletas e saíram, vendo que o pessoal da busca, já em ação, soltava os cães. Em seguida, uma parte do grupo entrou nas casas enquanto os demais desciam o barranco rumo ao local onde estava parte da casa que desabara.
Quase que imediatamente um dos cães começou a ganir, e os homens passaram a remover a pilha de entulho ao pé da escada.
— Achamos alguma coisa — gritou o chefe.
Os homens puseram-se a trabalhar com mais afinco, e momentos depois descobriram um pé.
— Droga! — exclamou Pete.
Ajoelhou-se e estendeu a mão, esperando tocar uma pele fria, sem vida, mas apesar de estar com luvas cirúrgicas, quando seus dedos circularam o tornozelo masculino ele sentiu-o morno, vivo.
— Encontramos um vivo! — anunciou.— Vamos desenterrá-lo, depressa!
Peça por peça, os escombros foram removidos, os homens tomando cuidado para que nada mais desabasse sobre a vítima, roubando-lhe a vida.
— Olhe isso! — Charlie apontou para duas vigas caídas e um pedaço de parede que haviam formado como que uma alcova sobre o homem. — Foi isso que o manteve vivo.
Pete começou a verificar o pulso do ferido, enquanto Charlie aplicava-lhe um imobilizador de pescoço e verificava se havia ossos quebrados. Tudo na vítima era frágil, principalmente o sopro de respiração que passava por entre os lábios ensangüentados.
— Veja se o helicóptero ainda está por aqui. Talvez este homem não resista até vir o resgate aéreo.
Em minutos o ferido estava imobilizadosobre uma maca e dois dos homens da busca e salvamento o carregavam para o helicóptero que esperava numa clareira , pouco adiante.
— Vou junto para tentar mantê-lo vivo e voltarei o mais depressa possível.— disse Pete.— Fique com o pessoal pode haver mais sobreviventes.
Charlie fez que sim e voltou para a casa semi-destruida.
Pete protegia os olhos do sol, enquanto corria ao lado da maca. De repente a vítima começou a gemer.
— Está tudo bem, amigo — disse-lhe Pete. — Vamos cuidar de você.
— Mulher… achem minha mulher.
Rápido, Pete pegou seu rádio comunicador e pressionou a tecla de transmitir mensagens.
— Aqui é Daley — começou. — A vítima está perguntando por uma mulher. Vejam se encontram mais alguém na casa.
— Entendido — respondeu uma voz.
A comunicação foi interrompida.
As pálpebras do homem ferido tremeram, ele suspirou e mergulhou na inconsciência .
O barulho do motor do helicóptero tornou impossível qualquer tentativa de conversa, no entanto, Pete sentiu-se obrigado a dar esperanças ao homem.
— Fique firme aí, amigo — gritou, enquanto entrava no helicóptero. — Assim que chegarmos ao hospital você, irá sentir-se melhor.
Ajudou a colocar a maca para dentro, antes de sentar-se no chão ao lado dela.
— Pode subir! — gritou.
Agarrou-se ao encosto do assento do piloto quando o aparelho balançou.
— Desculpe — gritou o piloto.— Rajadas de vento contrárias.
Pete rolou os olhos para cima e murmurou uma prece rápida. Momentos depois deslocavam-se no ar. Verificando constantemente o soro que estava aplicando na veia do ferido, o paramédico pouco mais podia fazer do que observar seu rosto. Ele parecia estrangeiro, mas em Los Angeles isso não queria dizer nada. Espessas, negras e arqueadas sobrancelhas sobre olhos fundos. O formato e tamanho do nariz e o contorno do rosto pareciam querer indicar pertencer a uma raça do Oriente Médio. Embora a pele estivesse coberta de pó de cimento, seu tom moreno parecia ser natural e não produzido pelo sol. Pete olhou para a casa e surpreendeu-se com a devastação que se percebia do alto. Sacudiu a cabeça, surpreso por aquele homem ainda estar vivo.
— Aposto que você é um malandro durão, hein, amigo?
Mas o homem não respondeu.
Algum tempo depois o helicóptero começou a descer. Quando pousou no teto do hospital. Pete fez uma última verificação do pulso e pressão do ferido, para ter certeza de que as enfermeiras tivessem todas as informações necessárias. Uma equipe de emergência correu para junto do aparelhoe e Pete saltou, ajudando a transferência da vítima para uma maca com rodas.
Pete informou sobre o estado geral do ferido, enquanto o ajeitavam na maca. Quando a movimentaram, uma das enfermeiras viu o rosto do homem.
— Oh, meu Deus, é Pharaoh Carn!
Houve um momento de aturdido silêncio enquanto todos olhavam para o rosto do paciente; então começaram a correr com a maca. Salvar a vida de um ferido era a principal preocupação de todos, não importava o que ou quem ele fosse. Mas em Los Angeles era bem conhecida a ligação de Pharaoh Carn com a Máfia.
Pete acompanhou-os até a porta, depois a equipe de emergência desapareceu com a maca dentro do hospital.
Durante o vôo de volta ao local da busca, pensou na mulher que Pharaoh Cairn perdera.
Ela devia ser importante para ele, já que se lembrara dela nos seus últimos momentos de consciência. Imaginou se o pessoal da busca a teria encontrado e se ela estava viva.

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Oi! Como prometido, aqui está o terceiro capítulo... Estou muito feliz com as reações de vcs com a história ♥ Vou tentar deixar td adaptado para postar nos dias q n mexo no pc, ok? E fazer uma maratona \o/
Comentem, meus bbês ♥
Amo vcs!
Bruna

4 comentários:

  1. Ai meu Deus.... o negócio está cada vez pior..... continua logo.....

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  2. Eu to ficando desesperada, posta logooooo pfvr!!!
    Beijossss

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  3. A mulher desse cara aí pode ser a Demi, pera, eu to super confusa!!
    Não to entendendo nada.

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  4. Quantos capitulos a fic vai ter?

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