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O som da televisão do hotel soava baixinho, como pano de
fundo. Demetria ria da mussarela de pedaço de pizza de Joseph que se esticava, quando ele a levava à boca. O telefone tocou. Sobressaltada
e ansiosa, ficou olhando para ele, que colocou a fatia de volta na caixa da
entrega e foi atender ao telefone. Ela acionou o comando mute da tevê, quando o
marido começou a falar.
— Jonas…
Avery Dawson passou o receptor para a outra orelha.
— Recebi seu recado. O que há?
— É Dawson — disse Joseph para Demi apenas movimentando os
lábios, sem emitir voz, em seguida pegou suas anotações. Não queria esquecer-se
de nada.
— Muita coisa — respondeu.
— Onde o senhor está? — quis saber Dawson.
— Ainda em Albuquerque. Descobrimos uma porção de coisas que
você vai achar interessante.
— Estou ouvindo…
— Conversamos com Adeline Bell, a administradora de
Kitteridge House, o orfanato onde Demetria cresceu. Parece que havia lá um
menino que era obcecado por ela, desde sua chegada, aos quatro anos, até quando
foi preso.
— Obcecado, é? — observou o investigador.
— O termo não é meu — esclareceu Joseph, com as sobrancelhas
erguidas -, é de Adeline Bell. Vou lhe dar o telefone e poderá conversar com
ela pessoalmente. Mas adianto que a administradora não pintou um quadro muito
saudável das amizades deles, se é que me entende.
— Entendo, sim — garantiu o policial. — Então, ele foi
preso. Por quê?
— Não sei… Mas a srta.Bell disse que quando foi solto Demi
fizera dezoito anos e havia saído do orfanato. Ele fez o maior estrago na sala
dela quando soube que ninguém sabia para onde Demi tinha ido.
— E quando foi isso?
— Demi deixou Kitteridge há pouco mais de oito anos, mas não
sei quando ele saiu da prisão. Tudo que sei com certeza foi que apareceu lá à
procura dela.
— Sim, porém…
— Há mais — interrompeu Joseph. — Demetria disse que não se
lembrava desse rapaz, o que surpreendeu a srta.Bell. No entanto quando viu uma
fotografia dele quando garoto minha mulher desmaiou.
A essa altura Avery Dawson passou a prestar mais atenção.
— Hum… Ela identificou nele o homem que a seqüestrou?
Joseph hesitou.
— Não, porque não lembra nada desse fato. Tudo que se
recorda do seqüestrador é que tem uma tatuagem no peito.
— Sim, aquela cruz egípcia… — Dawson fez uma pausa. — Olhe,
sr.Jonas, sei que esses fatoo parecem promissores e vou investigá-lo. Mas o
senhor sabe que não podemos levar o caso adiante sem uma evidencia física.
Joseph evitou olhar para a esposa. Sabia que se ela
percebesse que o policial não estava entusiasmado com as informações iria ficar
decepcionada, e não queria isso, depois do dia difícil que ela tivera.
— Sim. Sabemos — respondeu. — No entanto, agradeceríamos se
você verificasse esse homem. Ele tem ficha na policia e não deve ser difícil
localizá-lo.
— Claro. Como é o nome dele?
— Pharaoh. Pharaoh Carn.
Dawson aprumou-se na cadeira.
— Não o Pharaoh Carn! — exclamou.
— Você o conhece? — animou-se Joseph.
Demi inclinou-se para a frente, atenta, o pedaço de pizza
esquecido na mão.
— O que foi?
Joseph aproximou-se da esposa e segurou o receptor do
telefone de modo que ambos pudessem ouvir o que Dawson dizia.
— Não posso dizer que o conheço pessoalmente, mas sei a
respeito dele. No entanto é preciso saber se o Carn de que o senhor fala é o
mesmo que estou pensando.
— O que há de tão especial com esse Pharaoh Carn?
— Eu não diria que ele é especial — contrapôs o investigador
— , mas sim notório.
A pulsação de Demetria acelerou-se e seus olhos se tornaram
maiores.
— O que ele fez? — indagou Joseph
— Nada que a lei possa aprovar. Em determinados círculos, é
conhecido como o homem numero um de Pepe Alejandro.
O estômago de Joseph contraiu-se.
— Alejandro… o chefão da família do crime na Califórnia?
— Esse mesmo. Meu Deus, sr.Jonas! Caso se trate mesmo dessa
gente vocês dois estão em sério perigo.
— Há mais uma coisa, Dawson. Duas semanas antes de Demetria
despaarecer a Associated Press divulgou uma fotografia dela. Nada demais,
apenas a foto de uma moça bonita sob a chuva, que foi publicada em todos os
jornais do pais. Ela acha que foi assim que ele a encontrou.
— Por que não me disseram isso antes? — aborreceu-se o
investigador.
— Porque nem nos lembramos do fato e mesmo que nos
lembrássemos não iríamos achar que tinha ligação… Quando acha que pode ter
alguma noticia?
De repente, Demi soltou da cama e foi para o banheiro. Joseph
ficou indeciso entre acompanhá-la e terminar a conversa com o policial .
— Tenho que fazer umas verificações — respondeu Dawson. —
Precisamos descobrir onde Pharaoh Carn cresceu, onde esteve durante os dois
últimos anos e, o que é primordial, onde está agora.
— Está bem… Voltaremos para Denver amanhã.
— Telefone-me assim que chegar — pediu Dawson. — Se eu
descobrir alguma coisa, precisaremos discutir as opções. O revólver que sua
esposa comprou não irá resolver nada, caso o cartel de Alejandro esteja
envolvido. Seria como tentar deter elefantes com amendoins.
— Entendo…
A esperança de Joseph continuava a diminuir. Saindo da cama
acrescentou:
— Ei, Dawson.
— Sim?
— Ande logo, está bem?
— Pode deixar…
O policial desligou. Joseph recolocou o telefone na mesinha
de cabeceira e foi para o banheiro.
Demetria estava sentada na beira da banheira, com os
cotovelos apoiados nas coxas e o rosto nas mãos. Havia uma toalha molhada no
chão, juntos aos pés dela.
— Meu anjo… você está bem?
Ela ergueu a cabeça.
— Tive impressão que ia morrer.
— Está melhor, agora?
Demi fez que sim.
— Venha deitar-se.
Ele ajudou-a a ir para a cama, depois deitou-se ao seu lado.
Ela tremia incontrolavelmente, e toda vez que o marido tentava tocá-la, se
retraía.
— Demetria, não lute contra mim — pediu Joseph. — Estou do
seu lado, lembra-se?
O rosto dela contraiu-se.
— Oh, Joseph… Meu Deus!
— Não chore, meu bem. Tudo vai dar certo.
— De que jeito? — soluçou ela. — Eu ouvi Dawson… ¨Ele¨ é um
homem perigoso.
— Mas não sabemos se o rapazinho que gostava de você é o
mesmo homem envolvido com Alejandro. E mesmo que seja, não quer dizer que ele a
tenha seqüestrado.
Demi riu amargamente.
— Por favor, Joseph! Quantos Pharaoh Carn você acha que há
nos Estados Unidos?
Ele teve que ficar quieto. Não podia negar que a raridade
daquele nome restringia muito a possibilidade de haver mais de um. E o fato de
ela não ter sido fisicamente maltratada durante aqueles dois anos de ausência
levava à teoria de que, por mais discutível que fosse a atitude, quem a
sequestrara preocupava-se com seu bem-estar. Isto encaixava com o perfil que
Adeline Bell fizera do jovem.
— Eu quero saber a verdade, você não? — perguntou Joseph.
Demetria imobilizou-se, o rosto molhado de lágrimas, os
olhos brilhantes de raiva.
— Você acha que é capaz de encarar a verdade, Joseph?
— O que você quer dizer?
Ela rolou para longe dele e saiu da cama, incapaz de olhá-lo
de frente.
— E se eu fui… E se ele…
A voz de Joseph soou repassada e ódio.
— Você quer dizer se vocês tiveram sexo? Pelo amor de Deus, Demetria!
Acha que não pensei nisso um milhão de vezes desde a sua volta?
— É que não falamos sobre isto e…
— Acha que eu iria julgá-la por circunstancias fora do seu
controle, querida?
Ela não respondeu.
— Olhe para mim, droga!
Demi olhou e a voz dele suavizou-se.
— Se você tivesse sido atacada na rua e estuprada, acha que
eu deixaria de amá-la?
— Não, mas…
— Não há ¨mas¨— sussurrou ele. — É a mesma coisa. O que quer
que tenha acontecido com você não foi sua culpa. Só temos que fazer tudo para
que não aconteça de novo.
— Estou com medo, Joseph.
— Eu também, meu anjo. Mas enquanto tivermos um ao outro
seguiremos adiante.
A voz dela ainda tremia.
— Se esse criminoso é o mesmo homem que conheci quando
criança e se foi ele que me seqüestrou, estaremos numa encrenca, não?
— Não vou mentir para você, Demi… Se for esse o caso, não
será fácil nos protegermos. Mas vamos conseguir. Se for ele, mesmo, temos uma
vantagem que não tínhamos.
— E qual é essa vantagem?
— Sabemos quem e como ele é.
— Mas, Joseph, pessoas assim encarregam malfeitores de fazer
os trabalhos sujos. Ele não vai agir pessoalmente e não temos como nos prevenir
contra estranhos. Poderá ser qualquer um.
— Então, vamos nos esconder, Demetria. Pelo menos, até a sua
memória voltar ou até que a policia consiga uma evidência e o prenda.
Demi hesitou, a idéia de esconder-se não a agradava.
— Não sei… — murmurou. — E se nada acontecer?
— Vai acontecer e, enquanto isso, confie em mim para
protegê-la.
Por fim, ela voltou para a cama e atirou-se nos braços dele,
escondendo o rosto em seu peito.
— Faça amor comigo, Joseph. Faça todo esse horror ir embora.
— Abracadabra — disse ele, com suavidade e beijou-a.
E foi mesmo uma mágica.
O beijo aprofundou-se e durou até que a cabeça de Demi
começou a girar e seu coração ficou em fogo. Respirava com dificuldade e
implorava que Joseph a possuísse, porém ele não o fez. Suas caricias eram
ternas e enlouqueciam.
— Joseph…
— Ainda não, Demetria.
Ela suspirou.
Então, ele distanciou-se e por uma fração de segundo o
movimento inesperado a surpreendeu. Mas antes que reclamasse ele a virou
gentilmente, deitando-a de bruços.
— O que você…
Claou-se porque Joseph começou beijando-lhe a sola dos pés,
depois a parte de trás das pernas. Quando chegou atrás dos joelhos ela gemeu.
— Joseph…
— Psiuuu.
Demi fechou os olhos e entregou-se ao prazer de senti-lo. Às
vezes era um toque com os lábios, com a língua; outras vezes a mordia de leve.
Quando as caricias chegaram ao alto das coxas, ele a fez abrir as pernas e
deitou-se em cima dela. Demi poderia sentir-lhe o peso, mas a única coisa que
sentia era o amor. As mãos dele deslizaram sobre suas costelas, para a frente,
e envolveram os seios. Tocou-lhe os mamilos até que eles ficaram duros e
doloridos. A respiração dela tornou-se pesada, aos arrancos, e sentia-se
desmanchar.
Então, ele acariciou-lhe os cabelos e, em seguida, ela
sentiu o toque quente e úmido de usa língua na nuca, depois na face e, em
seguida, na tatuagem.
Demetria gemeu e ouviu o marido rir.
Com uma das mãos sobre os seios dela e outra no ventre, ele
rolou, ficando de lado e trazendo-a consigo. Antes que o mundo de Demi parasse
de girar, a mão que estava sobre o ventre desceu até chegar entre as coxas.
A respiração dela estancou, então a voz cálida de Joseph
vibrou junto ao seu ouvido.
— Calma, meu anjo… apenas procure sentir. Vou levá-la aonde
você quer ir.
E começou a mover de leve a mão, no começo, depois mais
depressa e apertando-a mais contra o sexo dela, até que Demi sentiu-se
arrebatar por um prazer jamais sentido, Tudo desapareceu, inclusive a mente
dela.
xx
Duke Needham soltou um suspiro de alivio ao desligar o
telefone. Não tinha sido fácil encontrar homens que não apenas quisessem seguir
suas ordens, mas que fossem também capazes de realizá-las. Mas ele não
desistira. Não tinha intenções de ser o portador de más noticias e acabar, como
Stykowski, com um tiro no meio da testa. Foi para a sala de ginástica esperando
que a notícia melhorasse o humor do chefe.
(...)
Os cabelos de Pharaoh estavam molhados de suor, assim como a
camiseta e a calça de abrigo que vestia. Os músculos de suas pernas ardiam,
enfraquecidos pela forçada inatividade. Seu coração saltava como se houvesse
corrido quilômetros, quando na verdade andara apenas dois. Observou com mais
atenção o mostrador digital da esteira, certo de que não estava funcionando
bem, e andou por mais alguns minutos. Não tolerava fraqueza, muito menos em si
mesmo.
Saíra do hospital fazia uma semana. De acordo com os médicos
sua recuperação ia bem, até mesmo além das expectativas, mas não
suficientemente depressa para ele. No seu mundo era perigoso estar fraco.
Procurou pensar em algo diferente, recusando-se a prestar
atenção aos músculos trêmulos e doloridos.
Saber o que acontecera com Demetria era todo o incentivo que
precisava para sentir-se melhor.
Era irônico que os policiai de Los Angeles que tinha em sua
folha de pagamento não pudessem ajudá-lo naquela situação. Iniciar uma busca ou
fazê-lo ficar sabendo qualquer coisa sobre a presença daquela mulher na vida de
Pharaoh seria envolvê-los diretamente no seqüestro. Em circunstancias normais,
um ou dois deles poderiam investigar sobre Demetria sem levantar suspeitas. Mas
aqueles não eram tempos normais. A Terra tinha virado de cabeça para baixo e
rachado, havia destruído e
matado. E Pharaoh não podia dar parte de como desaparecida
uma mulher que ele sequestrara.
Apertou os dentes e diminuiu a velocidade dos passos ao
pensar nos dois últimos anos. Visualizara o reencontro deles como uma cena de
cinema, ao vê-lo ela cairia em seus braços, jurando eterna devoção. Em vez
disso, Demetria gritara de medo e tentara fugir. Pharaoh a agarrara, então, e a
fizera lembrar-se de que jurara tomar conta dela e que pertencia a ele. Mas ela
discutira, respondendo que não pertencia a ninguém a não ser a Joseph.
Fora aí que ele cometera o erro. Batera nela. Não importava
quantas vezes pedira desculpas depois, ela estremecia até ao vê-lo e evitava
contato com ele. E quando a tristeza dela o emocionava, Pharaoh resistia
tornando uma questão de orgulho não enfraquecer. O fato de Demetria não o
querer era quase secundário diante do fato de ele não poder deixá-la ir embora.
Tudo que era bom retornara no momento em que ela reaparecera em sua vida. Demetria
se tornara não apenas importante para o seu coração. Como também para sua
sorte. E como o pássaro na proverbial gaiola de ouro, ela poderia ter tudo que
o poder e o dinheiro podiam comprar, menos o que mais queria: a liberdade.
— Sua maldita! — praguejou Pharaoh quando suas pernas
falharam de repente.
Procurou segurar-se no apoio mas caiu. O solo aproximou-se
de seu rosto quando parou abruptamente. Aturdido e desorientado, amparou-se na
parede quando Duke, que o segurara, colocou-o em pé.
— Leve-me para o sofá — resmungou.
— Sim, senhor.
Duke passou um braço pela cintura dele e quase o carregou ao
sofá mais próximo.
— Quer que chame a enfermeira? — perguntou.
— Não, a não ser que você esteja cansado de respirar —
zangou-se Pharaoh.
O capanga empalideceu. Mesmo fraco como estava, o chefe
ainda lhe inspirava medo.
— Vou trazer-lhe um copo com água…
Pharaoh respirou fundo enquanto Needham aproximava-se do
bar. Inclinou-se para trás e fechou os olhos, ouvindo o tilintar de cubos de
gelo, depois o som de água caindo num copo.
— Aqui está, chefe.
Pegando o copo, ele observou friamente o rosto sem expressão
de Duke. Se visse piedade… Grunhiu um ¨obrigado¨ e levou o copo aos lábios.
Duke esperou para dar a noticia.
Ocorreu a Pharaoh, enquanto bebia a água, que a chegada do
assecla havia sido mais do que fortuita. Seus homens sabiam que não deviam
perturbá-lo quando se exercitava. Colocou o copo na mesinha ao lado e olhou
para Duke.
— Para que veio aqui?
— Boas notícias, chefe. Nós a encontramos.
O rosto de Pharaoh brilhou.
— Onde?
O capanga hesitou por instantes, porém não podia fugir da
verdade.
— Onde o senhor desconfiou que estivesse… em Denver.
Pharaoh não disse nada, mas gritava por dentro. Ela estava
viva… e ia voltar para ele.
Foi então que pensou melhor. Ela tinha ido para casa, mas
não dissera nada. Se tivesse falado, a policia já o teria procurado.
— O que mais? — perguntou.
— Não sei detalhes, mas disseram que ela está sofrendo de
amnésia.
Recostando-se no sofá, Pharaoh compreendeu que era por isso
que ele ainda estava ali e não num tribunal respondendo a um processo.
— Quer que a peguemos de novo, chefe?
— Não! — irritou-se Pharaoh. Não queria que ela a visse daquele
jeito, fraco e indefeso. — Ainda não… — acrescentou.
Duke sacudiu os ombros. Para um homem que ficara fora de si
imaginando o que teria acontecido com aquela mulher ou se ainda estava viva,
Pharaoh demonstrava pouco interesse. Mas não cabia a ele julgar. No que lhe
dizia respeito, as coisas ficavam bem melhores sem a presença dela.
— Sim, senhor — disse.
Ia retirando-se quando o chefe o chamou.
— Senhor?
— Quero que Law vigie a casa dela durante vinte e quatro
horas por dia. Entendeu?
— Sim, senhor. Vigilância contínua.
Pharaoh esperou Duke sair para erguer-se do sofá e ir para
seus aposentos, na ala oeste da casa. Quando chegou ao quarto suava
profusamente, mais por causa da dor. Com uma praga silenciosa, tirou a roupa e
foi para o chuveiro.
O banheiro também era um exemplo de desenho arquitetônico.
Vidros de garrafa como tijolos, em vez de janelas e ladrilhos espelhados, do
piso ao teto. Plantas verdes pendiam do teto, outras espalhavam-se em vasos
pelo chão. As toalhas eram brancas, com barrados de arabescos dourados, e nas
saboneteiras havia sabonetes amarelo-ouro em forma de pirâmides.
Assim que entrou o reflexo de sua nudez atingiu-o de todos
os ângulos. Se bem que sua constituição de um metro e oitenta e três fosse
esguia e firme, as cicatrizes recentes dos ferimentos apresentavam um tom de
vermelho-escuro feio e ainda havia hematomas violáceos na região das costelas.
Apesar do trauma evidente que sofrera, a primeira coisa que ele reparou foi a
pequena tatuagem no centro do peito. Aproximou-se do espelho, mais perto ainda,
até que pôde ver o palpitar da pulsação na base da sua garganta.
Aquela tatuagem era uma piada.
Eternidade.
Demetria não conhecia o sentido dessa palavra. Espalmou a
mão por cima da tatuagem, sentindo as batidas do coração na palma.
Queria que ela o amasse como a amava. Queria que tivesse
devoção por ele. Mas não ia consegui-lo, a não ser que agisse do seu jeito.
Teria Demetria de volta, nem que para isso precisasse matar o marido dela. Mas,
primeiro, tentaria pelo bem.
xx
— Como assim, não sabe onde ele está?
O investigador Dawson assentiu.
— Pois é… O senhor precisa compreender, há coisas mais
importantes a serem feitas em Los Angeles do que descobrir onde está um homem.
É um verdadeiro caos. Os serviços de emergência não estão dando conta do
recado, por mais que se esforcem. Há áreas da cidade para onde o povo não pode
voltar, por enquanto. Ainda estão encontrando uma ou outra vítima. O terremoto
foi o pior dos últimos anos. Foi de 7.6 na escala Richter, não é?
— Alguma coisa assim — respondeu Joseph.
Preocupado, olhou para Demi. Estranhamente, ela parecia mais
calma do que ele.
— Então, o que você sabe? — perguntou.
Dawson verificou a pasta aberta em sua mesa e inclinou-se
para a frente, tomando nota mental de que precisava ir a um oculista. Nos
últimos meses a escrita vinha se tornando embaçada.
— Bem… Pharaoh Carn, do cartel de Alejandro, foi criado em
Albuquerque, Novo México, no orfanato Gladys Kitteridge House. Estava
trabalhando lá quando foi detido por roubo e condenado a cinco anos de prisão.
— Depois disso… — perguntou Demi — para onde ele foi depois
disso?
O investigador remexeu nas folhas de papel.
— Hum… A noticia seguinte que temos dele é que foi detido
por assalto em Orange County. — Dawson ergueu os olhos. — Na Califórnia. —
Voltou a ler. — Porém, desta vez não puderam comprovar sua culpabilidade. Em
seguida começou carreira no cartel, fazendo entregas e
cobranças aqui e ali. Em poucos anos tornou-se um dos homens que dão ordens, em
vez dos que a recebem.
Demetria estremeceu.
— Esquisito pensar que conheço uma pessoa assim.
Dawson assentiu.
— É… entendo o que quer dizer. Um dia, dez anos atrás, eu e
meu parceiro estávamos trabalhando em narcóticos e estouramos um ponto de
drogas. Quando entramos na casa foi muito esquisito para mim prender o homem
que havia sido meu professor.
Joseph não estava interessado no passado do policial. Era o
de Demetria que o estava fazendo perder o sono.
— Então, o rapazinho obcecado por Demi é hoje um dos chefes
do sindicato do crime.
— Isso mesmo. — O investigador avaliou Demi com o olhar. —
Não lembrou de mais nada pertinente ao caso?
O desanimo espelhou-se nos olhos de Demi.
— Não.
Joseph passou-lhe um braço pelos ombros e achegou-a a si.
— Não faz mal, meu anjo. Vai lembrar. — Voltou-se para
Dawson.— Não é o caso de verificarmos os passos de Carn durante o tempo que Demetria
ficou desaparecida?
O policial fez uma careta.
— Sr.Jonas, se fosse fácil investigar a vida de um lixo como
Carn, ele estaria atrás das grades há muito tempo. Estamos de mãos amarradas
por enquanto, a menos que sua esposa se lembre de alguma coisa especifica que o
ligue ao seqüestrador.
— E o terremoto? — perguntou Demi. — E a tatuagem?
O tom de Dawson foi o de um pedido de desculpas.
— Olhe sra.Jonas, a senhora apenas pensa que houve um
terremoto. Não se lembra com exatidão. E apenas pensa que o homem que a
seqüestrou tem no peito uma tatuagem igual à que a senhora tem no pescoço.
Talvez esteja apenas se lembrando do homem que conheceu quando criança. Talvez
ele esteja mesmo envolvido com o verdadeiro homem que a seqüestrou. Entende o
que quero dizer?
Demetria sentiu ímpetos de gritar, porém murmurou apenas:
— Não é justo…
— Não, não é — concordou o investigador. — Mas é só a
senhora me dar algo sólido e caio sobre aquele criminoso como a mosca sobre o
mel.
Ela ergueu-se num repente.
— Joseph, não acha que está na hora deixarmos o investigador
Dawson sossegado para que possa fazer seu trabalho?
Joseph suspirou. Demi estava zangada, e não podia censurá-la
por isso. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Avery Dawson levantou-se
também.
— Sra.Jonas, sei que o que eu disse não foi o que a senhora
queria ouvir. Honestamente, creio que há qualquer coisa nisso tudo, mas até que
Carn seja localizado e interrogado…
Ele calou-se e sacudiu os ombros.
A irritação tornava a voz dela um tanto aguda.
— Eu sei. Tudo o que tenho a fazer é ficar quieta, esperando
que outro raio caia na minha cabeça.
— Se a senhora fosse minha esposa, eu a convidaria para
fazer uma viagem… uma viagem muito longa.
O rosto de Demetria ficou vermelho.
— Eu não vou fugir — disse devagar. — Quero ir parar no
inferno se deixar que um maníaco altere a minha vida. Quando ele voltar… e
acredito que voltará… eu estarei esperando.
— A escolha é sua — anuiu Dawson.
— E ela é minha esposa! — Joseph olhou para Demi, o medo
alterando seu bom julgamento.— Talvez devêssemos…
— Não. Não vou me mexer daqui. Se ele quiser me alcançar de
verdade, com certeza me descobrirá onde eu estiver.
Joseph ficou pálido.
— Meu Deus, Demetria! Não está usando a si própria como
isca, está?
— A vida é minha, Joseph, e eu a quero de volta.
Havia um nó no estômago de Joseph, mas sabia que não
adiantava discutir quando ela estava daquele jeito. Murmurou apenas:
— Depois vamos conversar a respeito.
O olhar de Demi lhe dizia que ele poderia conversar o quanto
quisesse, mas ela não ia mudar de idéia.
— Vou solicitar que um carro-patrulha fique de vigia diante
de sua casa durante o dia inteiro.
O olhar que ela deu a Dawson não foi muito melhor.
— Obrigada por sua paciência, mas duvido que viremos
incomodá-lo outra vez
Algum tempo depois que o casal havia saído da delegacia, as
palavras de Demetria ainda ecoavam nos ouvidos do policial. Ele tentou voltar
ao relatório que fazia, mas apanhava-se a todo momento pensando no revólver que
ela comprara.
Sacudiu a cabeça, frustrado. Às vezes aquele trabalho era
mais do que ele podia suportar.
~
Heeeeey! Sei q n apareço aq tem tempos, mas eh pq eu estava com mt preguiça asghdsf Agradeçam a minha volta a Mari q me ensinou um jeito de adaptar nada trabalhoso e super fácil *risos*
Comentem... Eu nem deveria cobrar...
Aliás, foi meu aniversário dia 20, algm quer bolo?
Beijos, amo vcs ♥



MINHA INTERNET VOLTOU, DANCEMOS!
ResponderExcluirEstou aguardando meu bolo de perninha cruzada, viu?
Diz que é de chocolate... DIZ *o* kkkkk enfim, vamos lá.
Como se sente sendo oficialmente uma menina de 15 anos?
Precisava perguntar, lalalalala.
ME SEGUREM AQUI, NÃO ESTOU BEM!
Sabia, sabia que ia rolar safadezas! Na verdade estava torcendo por isso, então.. OH GLÓRIA!
Eu amo ler essa fic, ela me provoca um turbilhão de emoções... sem contar minha curiosidade que agora esta numa situação nada favorável! Kkkkkk
SIMPLESMENTE MARAVILHOSO ESSE CAPÍTULO E JÁ ESTOU AGUARDANDO O PRÓXIMO AQUI, O.K?
Bjos e posta logo ❤ te amo.
YAHOO
Excluirjá acabou hfhasdf
era de banana com chocolate ><
me sinto do msm jeito djsgahdgs
ozadeas smp
OK'
bjs. tb te amo ♥
Pharaoh está cada vez mais perto de encontrar Demi, eu tenho um mal sentimento em relação a Joe, parece q ele se dará mal tentando proteger a esposa. Cara essa fic me deixa muito curiosa! Posta logo..
ResponderExcluirSam, xx
sim, está! Postado! Saudades, Sam.. ♥
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