14.12.14

Remember Me - Capítulo 10 - MARATONA 5/5

Gostaram? Comentem para o próximo! Boa leitura... Amo vocês ♥

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Joseph verificou a agenda de telefones e endereços que tinha em sua mesa, à procura do numero do investigador particular que contratara uma vez. Como não se lembrava do nome teve que ir de letra em letra, até que ao vê-lo reconheceu-o. Alguns minutos mais tarde discava o numero de Harold Borden. A campainha tocou uma vez, duas…seis vezes e ninguém atendeu, nem mesmo uma secretária eletrônica.
Fazia mais de um ano que falara com Borden e havia uma possibilidade de ele ter abandonado a profissão, se bem que essa fosse uma idéia pouco provável. Harold Borden impressionara Joseph como o tipo do homem que morreria de velho trabalhando, não consertando objetos caseiros na garagem e menos ainda jogando golfe entre refeições para matar o tempo.
Quando ia desligar, afinal alguém atendeu e Joseph ouviu a respiração curta e ofegante de quem correra.
— Investigações Borden.
— Aqui é Joseph Jonas. Quero falar com o sr.Borden, por favor.
O investigador colocou o copo com café e o saco de papel com sonhos sobre a mesa. Largou-se na cadeira.
— Está falando com ele. Bom dia, sr. Jonas. Faz bastante tempo… Que noticias me dá?
Os sons dos passos de Joseph soaram sobre o assoalho de seu escritório transportável., enquanto ele ia para a janela olhar o prédio em construção.
— Uma boa… outras menos boas.
Borden pegou um sonho do saco, deu-lhe uma mordida e falou enquanto mastigava.
— Dê-me a boa noticia primeiro.
— Demetria voltou.
O investigador ficou surpreso.
— Não me diga! — Tomou um gole de café, depois inclinou-se para a frente, atento. — Como? Quando? E, mais importante, onde sua senhora esteve?
Joseph suspirou.
— Essas são as más noticias.
— Logo vi que não se tratava de um telefonema social…
— Pois é.
— Espere — pediu Harold Borden. — Preciso achar uma caneta… Aqui está! Pronto, fale.
Voltou a comer seu enorme sonho com recheio de creme e cobertura de chocolate enquanto ouvia Joseph.
— Cheguei do trabalho e a encontrei dormindo em nossa cama. Tudo que se pôde saber com certeza é que ela estava num táxi que se acidentou, logo
depois de sua chegada aqui. Demetria não se lembra de onde esteve, nem como foi parar lá.
— E seu problema é…
Depois de respirar fundo, Joseph respondeu:
— Demi acredita que está em perigo. Afirma que jamais teria ido embora de nossa casa por sua própria vontade. E nós dois sabemos que ninguém que seqüestrou uma pessoa por dois anos a deixa ir embora sem opor resistência.
— É verdade — concordou Borden. — Não me leve a mal, mas o que o senhor acha?
— Acredito nela.
— Está bem. Então, o que quer de mim?
Joseph passou a mão nos cabelos.
— Esse é o problema. Eu sei o que quero, mas não tenho muitas informações a dar-lhe.
O investigador abriu seu caderno de notas numa pagina em branco. Desde que desistira daquele caso ficara com a sensação desagradável de ter abandonado o cliente. Ali estava a oportunidade de recompensá-lo.
— O que o senhor sabe? — perguntou.
— A policia interrogou o taxista que pegou uma mulher no terminal de ônibus. A descrição dela combina com a de Demetria. Ele disse que a passageira agia de modo estranho, que parecia estar com medo. Além de poucas lembranças que não fazem sentido. Demi não sabe de nada, E tem no pescoço uma tatuagem ankh, dourada, que não tinha antes de sumir.
— O que é esse negócio de ankh? — perguntou Borden;
— Imagine uma cruz, só que com a extremidade do braço central arredondada e não reta.
— Ah, sei. Um desses desenhos egípcios.
— Isso mesmo.
— Mais alguma coisa?— insistiu o investigador.
— Bem, Demi diz que o homem que a manteve presa tem uma tatuagem igual no peito. Ela diz, também, que houve um terremoto no lugar onde estava. E, como sabe, aconteceu um grande terremoto na Califórnia recentemente.
O interesse de Harold Borden intensificou-se.
— É um lugar para começarmos.
— Sim, foi o que pensei — concordou Joseph.
Borden inclinou-se para trás coma cadeira, revendo mentalmente a ficha que fizera de Demetria.
— Escute, eu mencionei isso antes para o senhor, porém nunca mais voltamos ao assunto. O que acha de esclarecer o passado dela, já que estamos neste ponto?
As sobrancelhas de Joseph ergueram-se.
— Eu ainda acho que Demetria não tem um passado secreto.
— Não me entenda mal, sr. Jonas. Não estou me referindo a essa espécie de passado, mas sim à infância dela.
— Minha mulher foi criada num orfanato — lembrou-o Joseph.
— Eu sei, e sei também que é um tiro no escuro, mas talvez haja algo que possa nos ajudar.
— A esta altura, confesso que estou disposto a qualquer coisa, Borden.
O investigador fez mais algumas anotações.
— O orfanato ficava em Albuquerque, não?
— Isso mesmo.
Borden ficou tamborilando com a caneta sobre a mesa, enquanto imagens desfilavam por sua mente.
— Creio que sabe, sr. Jonas, que os dirigentes de orfanatos são pouquíssimos inclinados a dar informações sobre pupilos a estranhos. Eu poderia verificar algumas coisas, mas na minha opinião seria melhor o senhor ir lá para uma visita, com sua esposa. Fale com os funcionários, pergunte sobre os amigos e os hábitos dela, por que não foi adotada… Coisas desse tipo. O pior que pode acontecer é o senhor fazer uma viagem inútil até Albuquerque. O melhor é que ela talvez venha a lembrar-se de algo que nos ajude.
— É uma boa idéia — aprovou Joseph. — Vou falar hoje a noite com Demi.
— Ótimo. Enquanto isso, vou agir por meu lado. Creio que juntos poderemos conseguir alguma informação útil.
— Obrigado, Borden, por me atender tão rápido.
O investigador franziu a testa.
— Eu lhe devo uma, meu caro. Lembre-se, trabalhei durante um ano procurando sua esposa e nada consegui. É bom saber que ela voltou, e quero ajudar a descobrir o que aconteceu. Diga-me, seu telefone continua o mesmo?
Caly confirmou o telefone normal e deu o numero do celular, para ser anexado à ficha.
— Muito bem, vamos lá — disse o investigador. — Mantenha-se em contato comigo e farei o mesmo.
Joseph desligou , sentindo-se melhor desde o dia em que Demi voltara para casa. Já estava perto da porta quando o telefone tocou. Voltou e atendeu distraído, a mente ainda ocupada com a conversa que tivera com Borden. Mas quando ouviu a voz de Avery Dawson, tornou-se alerta.
— Eu ia telefonar para você hoje, Dawson.
— Foi o que sua esposa me disse — respondeu o policial.
— Falou com Demetria? — surpreendeu-se Joseph.
— Sim. Apenas uma entrevista de rotina, antes que o chefe de policia assine o porte de arma dela.
— Porte de arma? Que porte de arma?
Dawson hesitou. Não lhe ocorrera que a sra. Jonas pudesse ter mantido em segredo a compra do revólver, mas agora era tarde.
— O porte de arma do revólver dela — explicou.
— Ah, isso — volveu Joseph. — Eu tinha esquecido. Então, está tudo certo?
— Creio que sim. Penso que o chefe vai assinar o porte.
— Foi por isso que me telefonou?
— Não…— Avery Dawson hesitou um pouco. — Aconteceu uma coisa na chefatura, outro dia, e acho que o senhor deve saber. Alguém telefonou, identificando-se como investigador do Departamento de Policia de Los Angeles. Disse que estava tentando identificar uma mulher morta..
O peito de Joseph contraiu-se ao lembrar de suas idas aos institutos médicos legais, durante o longo tempo que procurara por Demi. Pelo menos, não precisava mais fazê-lo.
— O que isso tem a ver com minha mulher, Dawson?
— É aí que a situação se torna estranha. O homem falou num impresso que dava Demetria Jonas como desaparecida e disse que a morta combinava com a descrição dela. Respondi que não podia ser, porque a sra. Jonas havia reaparecido. Entre comentários, eu disse que tínhamos tido sorte, porque ela estava viva e de volta á sua casa.
Joseph ouvia, mas não apreendia o significado daquelas palavras.
— Depois — continuou Dawson -, trocamos algumas brincadeiras e eu ia desligar quando o homem fez mais uma pergunta. Queria saber quando a sra. Jonas havia reaparecido e eu respondi. Só depois de desligar comecei a imaginar por que ele se interessara pelo dia da volta dela. Se a sra. Jonas estava aqui não podia se a desconhecida do morgue, e caso encerrado.
— Certo — concordou Joseph. — Mas qual é o problema?
Percebeu que o policial respirava fundo e afligiu-se. Era como se soubesse o que ele ia dizer.
— Não sei… Como sou de natureza muito desconfiada, liguei para o Departamento de Policia de Los Angeles, pedi para falar com aquele investigador e a telefonista respondeu que não havia ninguém ali com o nome que ele me dera.
As pernas de Joseph fraquejaram.
— O que está querendo dizer?
— Que alguém queria informações sobre Demetria Jonas e mentiu para consegui-las. Considerando a situação como a conhecemos, achei o fato bastante perturbador.
— Santa misericórdia! — murmurou Joseph.— Demi tem razão, ela ainda está em perigo.
— Não sei se está, mesmo porém senti-me na obrigação de lhe contar sobre o telefonema — disse Avery Dawson. — Tome as precauções que achar necessárias. Estaremos investigando, por nosso lado, porém há muito pouco sobre o que investigar. Já verificamos a origem da ligação; foi feita de um telefone público de Las Vegas.
— Contou isso a Demetria? — quis saber Joseph.
— Não. Considerando o que ela passou, preferi falar com o senhor, que lhe contará o que achar melhor.
O impulso de pegar Demi e fugir com ela para muito longe dali era quase insuportável, mas Joseph sabia que isso não resolveria o problema.
— Escute, Dawson, vou com Demi ao orfanato onde ela foi criada e talvez consiga saber alguma coisa que seja a chave para revelar o que e por que aconteceu.
O policial fez uma rápida anotação.
— Não é má idéia, principalmente considerando a falta de qualquer outra evidência. Quando irão?
— O mais cedo possível. Se eu descobrir algo interessante, comunico imediatamente.
— Agradeço se o fizer — disse Avery.
— Pode ter certeza, e obrigado por ter me contado.
Alguns momentos mais tarde, Joseph estava de novo ao telefone, mas dessa vez falava com seu pai. Em uma hora, Winston Jonas chegou ao canteiro de obras e seu filho foi para casa.

xx

Pharaoh Carn estava inquieto, e não era apenas a forçada inatividade por causa dos ferimentos que o irritava. Seu corpo doía, porém sentia-se um pouco melhor. A cada hora que passava as forças aumentavam. Naquele dia ficara em sua escrivaninha por quase quatro horas e poucos dias atrás sentira-se exausto depois de apenas duas horas fora da cama. No entanto, nos acontecimentos havia um lado positivo que deveria diminuir sua frustração: seu império voltava a estar em lenta ascensão mais uma vez.
Desde que voltara para Las Vegas o telefone não parava de receber chamadas de seus associados. Ele deveria estar satisfeito com isso, porém não conseguia alegrar-se nem mesmo com a própria sobrevivência porque a mulher que deveria estar ao seu lado tinha ido embora. Não sabia até
quando poderia suportar aquela situação. Não importava o quanto tentasse, quanto dinheiro gastasse para fazer com que isso acontecesse, sua permanência no topo dos negócios não se prolongaria por muito tempo sem Demetria.
Antes que ela reaparecesse em sua vida ele fazia parte, com bastante êxito, dos arredores do mundo das drogas como um entre centenas de intermediários do cartel de Alejandro.
Descobrira Demetria durante um vôo de volta a Los Angeles. Vinha de Seattle, onde fora resolver um pequeno problema interno. O fato de que a essa altura Pepe Alejandro havia ficado com um cunhado a menos pouco importava, uma vez que os milhões dele que haviam desaparecido tinham sido recuperados intatos.
Rolando a patinha de coelho entre os dedos, Pharaoh inclinou a cadeira da escrivaninha para trás e fechou os olhos, relembrando aquele dia no avião. Ficara muitos anos sem vê-la, porém reconheceria o rosto dela em qualquer lugar.

Até o momento em que pegou o jornal para ler, o vôo transcorreu monótono. Quando viu a fotografia quase passou por ela sem reparar. Era uma foto sem importância, apenas muito bonita, que um fotógrafo de Denver tirara da moça rindo sob a chuva. No entanto fora comprada pela Associated Press e distribuída para todos os jornais do país. No momento em que reconheceu a moça, ele ficou fortemente abalado.
Era Demetria. A sua Demetria.
Sentiu a cabeça vazia e, de repente, o peso de todos aqueles anos que tinham passado com quilômetros e quilômetros entre eles fez vergar seus ombros. O primeiro ímpeto que teve foi de sair correndo, então lembrou-se de onde estava. A frustração pareceu esmagá-lo quando se conscientizou de que nada poderia fazer até que o avião aterrissasse.
Pensou em Demetria durante o vôo inteiro, lembrando-se dos anos de infância passados na Kitteridge House e de como ela se obstinara em fazer amizade com ele. Lembrou-se de que se encontrava perto da menininha que ela era naquele tempo, ao passo que os pais dela não podiam estar. Lembrou-se de vê-la crescendo e dos seus sentimentos modificando-se, passando daqueles de um menino em relação a uma criança para os de um homem por uma mulher.
Quando soube que Demetria não correspondia ao seu amor, como esperava, achou que isso acontecia porque ela ainda era muito criança. Quando crescesse as coisas seriam diferentes e ele saberia esperar até então.
Então, foi preso. Chamava de cinco anos de estupidez aquele tempo que culminara com sua prisão. Quando foi solto, Demetria já tinha dezoito anos e havia ido embora do orfanato, ninguém sabia para onde. Um pânico gelado, assustador, o assaltou ao saber que, como todos os demais, ela havia desaparecido de sua vida.
Quando o avião pousou em Los Angeles, a mente de Pharaoh continuava focalizada nela. No entanto, seu lema era que as primeiras coisas devem vir primeiro.
Pepe Alejandro devia estar esperando para saber o resultado da viagem e não convinha fazê-lo esperar.
Quatro horas depois Pharaoh estava a caminho de sua casa, tentando acostumar-se com a sorte inesperada. Pepe ficara muito satisfeito com o desempenho dele, tão satisfeito que o promovera a chefe de um distrito. Tratava-se de um bairro pobre de Los Angeles, constantemente sacudido por guerras de gangues, mas isso não importava a mínima para Pharaoh. Era a sua chance de provar o quanto valia e não ia perdê-la.
E havia um outro fato que não podia ignorar. Isso acontecera depois que reencontrara Demetria. O pensamento o fez sorrir. Continuava a ser como antes. Os professores e funcionários do orfanato o consideravam um encrenqueiro destinado a fracasso e então ela chegara. Depois disso fora difícil para todos continuar a considerá-lo um individuo mal, com aquela doce criança adorando-o. Foi nessa ocasião que ele descobrira que Demetria era mais do que sua amiga: era a sua sorte.
Esfregou as palmas das mãos nas coxas cobertas pelo tecido da calça, sorrindo feliz ao olhar mais uma vez a foto no jornal. Se Demetria achava divertido estar sob a chuva iria delirar de alegria ao vê-lo. Ele a encontraria, pois tinha certeza de que seu sucesso dependia da proximidade dela.
Mas isso tinha sido antes, e agora Pharaoh era filósofo o bastante para saber que nunca é fácil obter coisas valiosas. Seu corpo inteiro protestou, doendo, quando ele se mexeu na cadeira. Não queria pensar na decepção que sofrera, porém a verdade é que reencontrar Demetria não havia sido como ele imaginara que seria. Não esperara aquela violenta rejeição dela. Não planejara mantê-la presa num quarto, mas um dia sucedera ao outro, depois outro, e antes que ele percebesse ela era sua prisioneira havia meses. Os meses haviam se transformado em anos e Demetria continuara a virar-lhe a cara, pedindo que a libertasse, implorando que a deixasse voltar para o marido. Ironicamente havia sido a natureza, e não um homem, que o derrotara. Ele não contara com um terremoto destruindo seus cuidadosos planos.
Voltou-se para a janela e observou o céu cinzento, coberto por nuvens. Alguma coisa estava errada e ele sabia. Stykowski já devia ter entrado em contato e isso o enervava. No entanto, lembrou a si mesmo, desde o terremoto tudo ficara muito confuso. Numa emboscada de estrada, dois dos melhores homens de Alejandro tinham sido mortos no carro em que viajavam, vários tinham ficado feridos e um ainda estava desaparecido. A infra-estrutura da organização se achava abalada. Homens de qualidade, com os quais Pharaoh contava para realizações importantes, tinham sido postos fora de combate, e ele via-se forçado a utilizar para seus negócios pessoais homens de segunda categoria, como Martin Stykowski.
Jogou a patinha de coelho em cima da mesa e praguejou. Seu erro não havia sido manter Demetria presa, mas sim deixar o marido dela vivo. E agora, mesmo que por acaso pensasse em deixá-la em paz, sua ambição não o permitiria. Com ela, a fortuna que conseguira estaria segura em suas mãos. Seu poder no cartel, no momento, era um pouco menos menor do que o de Alejandro.
Todavia, estava cansado. Cansado de pensar. Cansado de esperar que seu cuidadosamente organizado mundo se tornasse independente. Precisava de Demetria. E também precisava descansar. Olhou para a estante repleta de livros que forrava uma parede. Ia descansar, sim, só que mais tarde. Havia algo muito importante que precisava fazer.
Ergueu-se. Coxeando, aproximou-se da estante e foi passando os dedos pelos livros, desatento aos títulos, contando-os; quando chegou ao décimo primeiro puxou-o e, assim que o fez, a estante girou sem um ruído sequer. Ele entrou pela abertura diante de si e a estante tornou a girar, ocultando-a.
A passagem secreta era estreita e sinuosa, cheia de curvas e becos sem saída, para confundir intrusos. Porém Pharaoh sabia para aonde ia e, quanto mais perto chegava, mais seus passos se apressavam. Gostava da sensação que aquelas paredes lhe davam de estar dentro de um útero. Os grandes blocos de granito eram remanescentes da construção de pirâmides e o estreito corredor por onde passava parecia-se com as passagens no interior dos túmulos dos reis do antigo Egito. Quanto mais perto chegava da luz, mais rápido o seu coração batia.
Um leve odor de incenso recebeu-o quando chegou ao fim do labirinto. Instintivamente seu olhar foi para o par de estátuas de mármore negro encostadas na parede, ao fundo. Suas feições majestosas haviam sido esculpidas na pedra, capturando a qualidade de semelhança com deuses que permanecera através dos séculos.
Pharaoh aspirou o ar profundamente, procurando obter forças das imagens. Suas pernas tremiam de exaustão e pediam por descanso, mas esse conforto pouco importava em comparação com a sensação que o envolvia por estar ali.
Deu mais alguns passos, parando a apenas poucos centímetros das estátuas. No profundo subterrâneo daquela casa o silencio era quase ensurdecedor. O som das batidas do seu coração, da exalação do ar respirado, serviam para lembrá-lo de que ainda se encontrava admirando a fronte alta, nobre, e os olhos sem expressão; imaginou o toque da face de mármore contra a sua e o toque dos lábios bem feitos em sua fonte.
Isis.
Se um dia ele houvesse tido mãe, ela teria sido assim, nobre e magnífica.
Soltou a respiração que contivera, devagar. O som foi como um lamento entre as baixas e estreitas paredes. Ali, nas sombras, Pharaoh esperava por um sinal. Em algum lugar em seu intimo o tempo parou. Indiferente ao frio e duro mármore sobre o qual se encontrava, à fraqueza e dor em seus ossos, ouviu o próprio coração, sabendo que teria uma resposta.
Estremeceu quando a imagem do lindo rosto de Demetria brilhou diante de seus olhos. A necessidade de ouvir a voz dela, de sentir a textura de sua pele provocou uma dor visceral. Mas obtivera a resposta. Sabia, com tanta certeza quanto sabia qual era seu nome, que Demetria Jonas estaria com ele de novo.

xx

Só quando o avião deixou o aeroporto de Denver é que Joseph voltou a respirar com naturalidade. O telefonema do investigador Dawson fizera com que se apressasse a realizar seus planos. Observou Demetria, que estava na poltrona ao lado da sua. Com as mãos fechadas, os nós de seus dedos estavam brancos e seu rosto, tenso. Ele colocou a mão sobre a dela e inclinou-se, para murmurar ao seu ouvido.
-Tudo bem, já saímos do chão…
Os olhos de Demi se haviam tornado maiores e refletiam medo quando se fitaram.
— Eu fiz isto antes — disse Demi num fio de voz.
Joseph ergueu as sobrancelhas.
— Pensei que fosse o seu primeiro …
De repente, entendeu. Ela estava se lembrando.
— Conte-me, Demi! — pediu.
— Estou enjoada.
Ele ergueu os olhos. O aviso de apertar cintos continuava aceso e o avião ainda estava subindo. Não poderia levá-la ao banheiro.
— Fique firme, Demi, vou chamar a comissária.
— Não — pediu ela, segurando a mão que ele começou a erguer. — Não enjoada desse jeito.
A expressão de Joseph tornou-se intrigada além de preocupada. Segurando o queixo da esposa fez com que ela o fitasse.
— Então, está enjoada como, meu anjo?
Ela estremeceu.
— De medo. Estou enjoada de medo. Quando me levaram embora de Denver, foi num avião. — Ela fechou os olhos — O solo está tão distante, lá embaixo. Há nuvens… voamos através de nuvens. O som do motor soa diferente, mais baixo, parece. Posso ver as mãos do piloto e as luzes do painel à nossa frente.
— É capaz de dizer onde estão? — indagou Joseph, em voz baixa. — O que vê lá embaixo? É verde? É…
— Montanhas! Vejo montanhas… e há uma enorme cidade depois delas.
Demi abriu os olhos e Joseph acariciou-lhe a mão.
— Isso é muito bom, Demi. Muito bom, mesmo. Quero dizer que a sua memória está voltando.
No entanto, ela não se sentia nada alegre.
— O que lembrei não revela o lugar onde aterrissamos.
— Tudo virá a seu tempo, querida. Por enquanto. Vamos nos concentrar na visita a Kitteridge House. Você deve ter deixado amigos lá.
— Sim, você tem razão.
Ele riu.
— Como sempre!
Procurando normalizar a respiração alterada, Demi conseguiu forçar um sorriso.
— E é um grande convencido.
Joseph inclinou-se de novo e segredou-lhe:
— Sim, e nunca se esqueça disso.
Ela ergueu as sobrancelhas e desta vez o sorriso foi verdadeiro.
— Como se você fosse me deixar esquecer!
— Ora — riu ele -, estou apenas tentando justificar minha existência.
Ela riu e o som de seu riso aqueceu o coração do marido. Alguns momentos mais tarde toda a tensão desapareceu. Quando Demi adormeceu, ele continuou a observá-la ansiosamente. Não podia deixar de pensar que
quanto mais ela se lembrasse, mais desesperada se tornaria a situação deles.

(...)

Fazia sol em Albuquerque quando o avião pousou, mas o ar era frio. Demetria fechou a frente de sua jaqueta de lã e sentou-se no banco do passageiro, no carro que haviam alugado, enquanto Joseph guardava a bagagem no porta-malas. Um segurança cumprimentou-a com um aceno de cabeça ao passar. Ela correspondeu, sorrindo. Nada de extraordinário naquilo. Tomara sua vida fosse sempre tão simples assim.
Joseph fechou o porta-malas e um instante depois acomodava-se ao volante, piscando um olho para a esposa e ligando o motor.
— Muito bem, meu anjo, cá estamos. Acho que devemos ir para um hotel, primeiro. De lá telefonaremos para Kitteridge House para marcar hora com o administrador, depois iremos almoçar num bom restaurante. O que acha da idéia?
— Maravilhosa — assentiu ela — , porque estou morta de fome.
Algum tempo depois Joseph entrava com as malas que fora pegar no carro e Demi procurava na lista telefônica o número do orfanato. Seu coração deu um pequeno salto quando o encontrou.
— Joseph…
Ele parou à porta do banheiro e voltou-se para ela.
— Sim, meu anjo?
— É esquisito.
— O que é esquisito, Demi?
— Não sei… Sinto-me como se estivesse voltando para o orfanato com pretensões acima do normal. Quando vou contar ao diretor do que me aconteceu? Seja o que for que eu lhe diga, vai parecer que estou louca.
— Não, não concordo — respondeu Joseph e aproximou-se dela, sentando-se ao seu lado na cama. — Veja as coisas desta maneira: o trabalho deles é ajudar crianças, durante anos e anos, não é?
Ela fez que sim.
— Bem, só porque você cresceu não quer dizer que não podem ajudá-la de novo. Eles a alimentaram, agasalharam e, suponho, alguns deles até a amaram.
O sorriso de um menino surgiu como flash na mente de Demetria, que estremeceu. Joseph percebeu a sombra que lhe passava pelo rosto e notou o estremecimento. Tomou-a nos braços.
— O que é, meu anjo?
Ela cobriu o rosto com as mãos trêmulas.
— Não sei. Algo surgiu na minha mente e desapareceu no mesmo instante.
— Quer que eu telefone? — ofereceu-se Joseph.
Demi hesitou, então endireitou-se.
— Não, eu telefono. Mas fique perto de mim, querido.
— Ficarei perto de você para sempre, Demetria.

4 comentários:

  1. Amém!!! Até que fim o guarda avisou a Joe. Agora eles tem varias informações. Acho que dá muito bem para eles acharem alguém. Um culpado.
    Demi tem que se lembrar de mais coisas plmdds djabjsbdjs ♡

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  2. Bru, cheguei agora em casa e me perdi com o tanto de cap ajnsaj MAS AMEI, QUANTO MAIS MELHOR! Eu não estou me aguentando, quero saber logo o que vai acontecer, espero que dê tudo certo e a Demi lembre de mais coisas, ela PRECISA lembrar! Eles são tão fofos juntos <3
    Bru, pode divulgar meu blog, please?
    http://jemiendlessly.blogspot.com
    Obrigada!
    Posta logo, beijoooos <3

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  3. Aiiiin senhor... Ela vai se lembrar de Pharaoh e vai contar para Joe que vai contar para os policias que vao identifica- lo com perigoso e vao tentar prende-lo por sequestro ou algo do tipo ele vai ficar muito furioso com Demi por ter decepciona -lo?

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  4. FINALMENTE CONSEGUI CHEGAR ATÉ AQUI o/
    PASSANDO PARA DIZER QUE ESTÁ TUDO PERFEITO...
    ESTOU CURIOSA E QUERO MUITO QUE A DEMI SE LEMBRE LOGO!
    AH E EU SURTEI COM O HOT DELES :)
    bjos e posto logo. te amo <3

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