8.12.14

Remember Me - Capítulo 1

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— Demetria… venha aqui, meu anjo.
Demi Jonas começava a se preocupar com as nuvens cada vez mais escuras, mas a voz do marido pareceu agasalhá-la e a má impressão desvaneceu-se. Ela virou-se, ficando de costas para a janela junto a qual estava em pé, olhando a tempestade que se aproximava da casa deles em Denver.
— Acho que vai chover — disse ela.
— E eu acho que não estou ligando para isso.
Demi sorriu. Joseph Jonas era seu marido fazia exatamente um ano e um dia, com todo seu metro e oitenta e nove. Na maior parte dos dias, ele era a lei até para si mesmo. Parecia que aquele era um desses dias, e esse era um dos motivos pelos quais ela o amava. Joseph gostava do que gostava, ria quando alguma coisa o divertia e pouco se importava com que os outros pudessem pensar.
Ela olhou-o de alto a baixo enquanto Joseph se aproximava, o instinto feminino verificando se ele estava preparado para enfrentar a chuva quando saísse, e viu-o pronto para o trabalho. Calça e jaqueta jeans, camisa de mangas compridas e, claro, botas de cano alto. O capacete devia estar na caminhonete. Como mestre de obras da empresa de construção de seu pai, jamais saía de casa sem o capacete.
Um trovão rolou pelo céu, fazendo estremecer a vidraça. Se bem que esse tempo não fosse comum numa manhã de outubro, Demetria estremeceu e abraçou a si mesma. O inverno ia chegar e ela detestava o frio.
— Ei — riu Joseph —, se está querendo um abraço, deixe que eu faço isso.
— Então, me abrace — pediu ela.
Quando os braços do marido a rodearam, Demi fechou os olhos, saboreando a segurança do seu amor. O tecido da camisa dele era macio sob sua face e ela inalou o cheiro dele devagar, enquanto suas mãos percorriam-lhe as costas ao puxá-lo para si.
— Você cheira gostoso — murmurou.
A voz dele soou como um resmungo:
— Demetria…
— Joseph, estou numa encrenca?
Ele riu.
— Por quê?
— Porque você resmunga toda vez que está zangado.
Joseph franziu a testa.
— Nunca me zango com você e sabe muito bem disso.
— Hum…— Ela arqueou uma sobrancelha. — Talvez ¨perturbado¨ seja uma palavra melhor. Sei que você ficou perturbado quando pegou o rapaz dos pacotes da mercearia piscando para mim, na semana passada.
— É verdade — resmungou ele.
Tomou-a nos braços, beijou-a e não interrompeu o beijo enquanto a levava para a cama.
— Você vai chegar atrasado — disse Demetria assim que pôde.
Ignorando o aviso ele tirou a jaqueta e a camisa.
— Joseph, o que seu pai vai dizer?
— Provavelmente alguma coisa como, ¨Onde é que estão os meus sonhos com creme?¨
A risada dela lembrou-o de cristal se estilhaçando e ele estremeceu. Amava Demetria de tal maneira que se assustava. Ela o fazia sentir-se fraco, e Joseph Jonas jamais fora um homem de fraquezas.
Quando o abraçou de novo ela sentiu-se uma mulher abençoada. Joseph nunca faltava ao trabalho, e alguns minutos de atraso não o fariam correr o risco de perder o emprego, principalmente se levasse uma dúzia de sonhos de creme cobertos com chocolate, que o pai adorava.
Sentia o calor dos lábios do marido em sua pele. Quando a ponta da língua dele tocou um mamilo, ela suspirou e fechou os olhos. Joseph era sua alegria, sua razão de viver. Criada num orfanato, ela fora sozinha no mundo, até que ele surgira. Não era apenas seu marido, era tudo para ela. Segurou-lhe o rosto entre as mãos, interrompendo as carícias.
— Joseph…
Ele ergueu as sobrancelhas.
— O que, meu amor?
— Quando eu estava junto da janela…
Joseph observou-a, pensando como era possível simples cabelos negros e olhos castanhos serem tão encantadores num rosto de mulher.
— O que tem a janela? — murmurou.
— Você ia dizer alguma coisa. O que era?
— Que você estava muto sexy com a minha camisa.
Então, os olhos de Joseph escureceram enquanto a admirava embaixo dele, nua, os cabelos em desordem e os olhos semicerrados.
— Mas você é atraente também sem nada…
O corpo dela arqueou-se quando ele o percorreu com as mãos, e os olhos de Joseph cintilaram quando Demi segurou-lhe as mãos, impedindo-o de continuar acariciando-a.
— O que foi?
— Tire o resto da roupa e faça amor comigo antes que eu morra de puro desejo.
Ele riu. Esse era um pedido que podia atender facilmente.
Passaram-se minutos. Lá fora a tempestade cumpria sua promessa de chuva. Rajadas de vento alteravam o ritmo das pancadas dos pingos nos vidros da janela, porém nada podia alterar o ritmo dos amantes que se achavam envoltos por sua própria tempestade.

As horas do dia foram passando uma após a outra. Embora a maior parte do trabalho na construção fosse na parte interna, a chuva molhava o material que era transportado do barracão para a obra. Estava úmido demais para terminar o telhado na parte norte da construção. O pai havia ido para casa ao meio-dia, deixando no trabalho apenas a turma do esqueleto, com Joseph dirigindo. Às quatro horas da tarde ele mandou que os pedreiros parassem e fossem para casa. Essa parada em nada prejudicaria, pois estavam várias semanas adiantados em relação ao prazo de entrega e seria bom sair mais cedo. Talvez Demi e ele pedissem uma pizza. Se a temperatura continuasse caindo poderiam até acender a lareira. Ela ia gostar, pois odiava o frio.
No caminho para casa, Joseph parou diante do supermercado e correu sob a chuva até lá dentro. Ia telefonar para saber se Demi queria alguma coisa.
Tremendo um pouco pela friagem, colocou moedas no aparelho telefônico, discou e contou os toques. Demetria não atendeu. Ele desligou e guardou distraidamente num bolso as moedas que o telefone devolveu. Encaminhou-se para dentro da loja. Provavelmente ela estava tomando banho. Quando se estava no chuveiro não dava para ouvir o telefone tocar. Alguns minutos depois voltou para a caminhonete com uma lata de sorvete.
Eram quatro e vinte quando o carro chegou à entrada de sua garagem e parou. A chuva caía densa como uma cortina, mal permitindo que visse a pequena casa. Na realidade, enquanto pegava suas coisas, ele pensou que parecia haver uma parede que o separava da casa. Estremeceu, perguntando-se de onde tinha tirado aquela idéia. Normalmente, não era uma pessoa imaginativa. Protegeu a lata de sorvete sob a jaqueta e correu. A sensação infantil de querer escapar do chuvão o fez rir enquanto abria a porta da frente.
— Demi…cheguei!— gritou, ainda rindo.
Tirou a jaqueta e descalçou as botas.
— Ei, querida! Sou eu! Trouxe-lhe uma surpresa.
Pegou a lata de sorvete e foi para a cozinha, esperando que ela saísse de algum dos cômodos a qualquer instante. No meio da sala parou e voltou-se,
olhando para trás, para o caminho que fizera. Os cabelos da nuca arrepiando-se quando a estranha quietude da casa o envolveu.
A porta da frente.
Não a fechara.
Voltou-se lentamente, de súbito consciente do silêncio. Não ouvia nada de familiar. Nem rádio. Nem televisão. Nem mesmo o som da água correndo. Apenas a chuva batendo no telhado. Apertou a lata de sorvete contra o peito.
— Demi… Demetria…Voce está em casa?
Ninguém respondeu.
Enquanto permanecia ali, em pé, o frio do sorvete passou através da roupa. Ele olhou para a lata, como que surpreso por ainda a estar segurando, e foi para a cozinha.
O estrondo de um trovão sacudiu a casa quando ele chegou à porta, fazendo os copos e louças tilintarem no armário. Joseph soltou como se houvesse levado um tiro.
— Droga! — murmurou, indo para a geladeira.
No meio da cozinha, parou de novo, mas não por causa da tempestade. Foi a xícara quebrada e a mancha de café sobre a qual os cacos jaziam que o fizeram parar. Derramar café no chão era ruim. Mas não limpar o café derramado era pior. O pânico o assaltou, apertando-lhe o estômago e acelerando sua respiração, até que ele começo a ofegar buscando ar.
Virou-se rapidamente e saiu correndo, chamando por Demi.
De volta à sala.
No hall.
No quarto deles.
A cama estava desarrumada como quando saíra naquela manhã. Ficou olhando para ela, lembrando-se da paixão que o unira a Demi e tentando conciliá-la com o pânico que crescia cada vez mais.
A camisa que ela vestia naquela manhã estava no chão perto do guarda-roupa, como se Demetria houvesse parado ali e vestido outra roupa. Nada daquilo era próprio dela. Ela era ordeira de maneira quase obcecada. Joseph sacudiu a cabeça como um homem que houvesse ficado cego e dirigiu-se para o banheiro. A mancha de sangue na pia quase fez seu coração parar.
— Meu Deus — sussurrou e teria caído se não se apoiasse na parede. — Oh, meu Deus, meu Deus… por favor, não…
Suas pernas tremiam quando voltou a andar pela casa. As mãos estavam tão geladas que mal conseguia senti-las, e levou alguns instantes para perceber que ainda segurava a maldita lata de sorvete.
Voltou a encaminhar-se para a geladeira quando algo, pode-se chamá-lo de instinto, de percepção, disse-lhe para não mexer em nada a não ser no telefone.
Colocou a lata de sorvete sobre a mesa, depois foi pegar o telefone sem fio no escritório. Não parava de dizer a si mesmo que estava fazendo tempestade em copo d’água, que coisas como aquela não aconteciam a pessoas como eles. Não era dia de Demi trabalhar, mas talvez alguém houvesse ficado doente, então a haviam chamado da biblioteca e ela saíra apressada.
Digitou os números, depois fechou os olhos e respirou fundo.
— Biblioteca Pública de Denver — atenderam. — Mary Albright falando.
Ele teve a impressão de ver a senhora de meia-idade, com seu brilhante cabelo cor de cobre.
— Mary, é Joseph. Demi está aí?
— Não, meu querido. Ela só vai voltar ao trabalho amanhã.
As esperanças dele desfizeram-se como bolhas de sabão.
— É, eu sei… Mas pensei… Bem, pensei que alguém poderia ter ficado doente.
— Não, meu querido. Tudo bem por aí?
Ele estremeceu de novo.
— Não sei.
E desligou. Mal enxergando os números digitou outro telefone, procurando conforto na voz familiar de sua mãe.
— Residência Jonas.
— Mamãe, sou eu, Joseph. Demi não está aqui, por acaso ela está aí?
Betty Jonas franziu as sobrancelhas. Conhecia o filho bem demais para não perceber a ansiedade na voz dele.
— Não, não está. Na verdade, hoje eu ainda não falei com ela.
— E papai?
— Tenho certeza de que ele também não falou com ela — respondeu Betty — Se houvesse falado, eu…
— Pergunte a ele.
— Mas Joseph, eu…
— Ora, mamãe! Pergunte a ele, sim?
O coração de Betty falhou uma batida.
— Claro, filho. Um instante…
Ele esperou rezando, dizendo a si mesmo que aquilo não passava de um sonho ruim.
— Joseph?
— Sim, mamãe, estou aqui.
— Ele também não falou com Demi hoje.
As pernas de Joseph dobraram-se e ele mal conseguiu se manter de pé.
— Está bem, obrigado, mãe.
— Por nada — disse Betty — Será que podemos fazer alguma coisa?
— Não… quero dizer, não sei. Oh, mamãe…
— Sim?
— Desculpe-me por ter sido brusco.
— Está tudo bem, meu filho. Devemos sair procurando por ela? Acha que Demi se sentiu mal dirigindo ou algo parecido?
Ele fechou os olhos. Eles tinham apenas um carro.
— Não. Eu estou com a caminhonete. Olhe, tenho que sair. Depois telefono.
Joseph desligou mais uma vez, então apertou o botão de ligar e esperou impaciente pelo ruído de discar. Assim que o escutou , digitou três números.
— 911, qual é sua emergência?
— Creio que aconteceu alguma coisa com a minha esposa.
Uma ligeira pressa no modo de falar da mulher indicou que ela percebera a ansiedade de Joseph.
— Ela está aí com o senhor?
— Não, não está. Acabo de chegar do trabalho e encontrei a porta aberta, Há uma xícara quebrada na cozinha e sangue no banheiro.
— O senhor é Joseph Jonas, da Avenida Denver, 1943?
— Sim.
— Está machucado também, senhor?
— Não — agitou-se Joseph. — Eu disse que acabo de chegar.
— Sim, senhor. Estou mandando uma unidade para aí.
— Obrigado…
Ele estava aturdido, mal percebia que falava ao telefone.
A voz da operadora do 911 subiu um tom.
— Senhor, peço-lhe que se mantenha nesse endereço até os policiais chegarem,
Um arrepio frio percorreu o corpo dele. Sem Demetria, para onde ele iria?
Quando três viaturas e dois investigadores chegaram, Joseph compreendeu que eles estavam inclinados a crer que ele era o motivo do desaparecimento da esposa. Isso não apenas o deixou zangado, como também começou a assustá-lo. Se achassem que ele era o responsável não iriam procurá-la, e precisavam encontrá-la .
Joseph não sabia viver sem Demetria.

— Então. sr. Jonas, o senhor disse que a última vez que viu sua esposa foi hoje de manhã, ali pelas oito horas?
Ele inspirou o ar com força, procurando uma calma que não sentia. O cheiro de roupas molhadas em corpos quentes começavam a enjoar-lhe o estômago, e o pensamento de Demi em algum lugar lá fora, com aquela tempestade, o estava deixando louco. Não sabia onde ela estava, mas tinha certeza de que, para onde quer que houvesse ido, não saíra pela própria vontade
— Não. Não foi isso que eu disse e você sabe. Eu disse que saí de casa mais ou menos às nove horas.
O investigador Avery Dawson consultou seu caderninho de notas.
— Oh, sim. É verdade — Tornou a fitar Joseph. — Mas disse que costuma sair às oito para o trabalho.
De repente, Joseph explodiu.
— É verdade!
Levantou-se, foi ficar frente a frente com o corpulento investigador, e continuou:
— Olhe aqui, seu idiota, vou repetir apenas mais uma vez. Eu amo minha mulher. Ontem à noite foi o primeiro aniversário do nosso casamento. Cheguei atrasado ao trabalho porque a levei para a cama de novo antes de sair. — A voz dele partiu-se, mas continuou firme. — Quando saí ela estava vestida com uma camisa minha… e sorria. Será que entendeu?
Um dos policiais disfarçou uma risada. Avery Dawsin fuzilou-o com o olhar, depois voltou a atenção para Joseph.
— Entendi, sr. Jonas. Mas fazer estas perguntas é o único modo de conseguir as respostas de que preciso. O senhor me entendeu?
Joseph estava tão zangado que tremia.
— O que entendi é que você pensa que sou responsável pelo desaparecimento de Demetria, o que lhe é muito conveniente. Se atribuir a culpa a mim, seu trabalho está terminado. Mas isso não encontrará a minha mulher. — Cerrou os punhos e bateu na mesa entre eles. — Não entende? Isso mesmo, estou louco e com um medo mortal. Se puser a culpa em mim não irá procurá-la.
O cérebro de Dawson trabalhava a toda. Jonas era agressivo. Na maioria das vezes era preciso mais entrevistas com um marido para que ele perdesse as estribeiras. O homem era pura adrenalina. Devia estar no caminho certo com ele.
— Tem um temperamento admirável, sr. Jonas.
A voz de Joseph desta vez soou como se ele chorasse:
— Eu tenho uma mulher admirável e a quero de volta.
Nesse momento começou a formar-se uma rachadura na opinião de Dawson. Havia uma possibilidade de que o homem estivesse falando a verdade. Mas a história dele era certinha demais. Jonas devia saber de
alguma coisa que não queria contar. Mulher nenhuma desaparecia sem que alguém visse alguma coisa. Os olhos do investigador estreitaram-se, pensativos. Ou aquele homem era um excelente ator ou… estava dizendo a verdade.
No momento que aceitou esse fato, passou pela mente de Dawson o pensamento de que deveria pensar em se aposentar. Houvera momentos em sua vida em que não era assim tão afoito a respeito dos crimes que investigava. Tinha que admitir: ao chegar ali seu instinto o levara a suspeitar do marido, e mesmo depois de interrogá-lo durante uma hora sua opinião não havia mudado. Até aquele instante. Estivera procurando motivos para culpar Jonas, em vez de procurar pistas. Desgostoso consigo mesmo, e porque o trabalho o endurecera até aquele ponto, fechou o caderninho de anotações e guardou-o num bolso com a caneta.
— Creio que é só isso, por enquanto — disse — Eu me comunico com o senhor.
Joseph fez um gesto de impaciência, pegou a lista telefônica e o telefone.
— O que vai fazer? — perguntou Dawson.
— Vou contratar um investigador particular. Quero minha mulher de volta.
— Se ela foi seqüestrada, como o senhor parece acreditar, tem que esperar que peçam o resgate. Envolver investigação particular no caso só poderá piorar as coisas para a sua mulher.
— Não vai haver pedido de resgate — afirmou Joseph.
Os olhos de Dawson arregalaram-se. Como o homem sabia disso, a menos que…
— Como sabe disso? — inquiriu.
Inclinando para a frente, Joseph explicou:
— Você ainda não percebeu, não é? Eu ganho menos do que dois mil dólares por mês. Minha esposa trabalha por turnos na Biblioteca Pública. Meus pais não são ricos e Demi é órfã. Esta casa é alugada. O que eles vão pedir? As chaves da minha velha caminhonete?
O pescoço e o rosto do investigador ficaram vermelhos. Aquele homem estava fazendo com que ele se sentisse um tolo, e não gostava disso.
— Suponho que sua esposa não tem seguro de vida?
Nesse momento Joseph esganaria Dawson com o maior prazer. Cerrou os dentes, tratando de focalizar a atenção na pergunta e não no homem que a fizera.
— O único seguro de vida que existe na família é meu. Se eu morrer, Demetria receberá meio milhão de dólares. Se ela morrer, eu fico apenas com meu coração partido. Agora, se o seu pessoal terminou, preciso fazer uns telefonemas.
Sem esperar permissão, Joseph pegou o telefone e saiu da sala. Dois policiais uniformizados que estavam por perto olharam com ar interrogativo para Dawson, que apenas perguntou:
— Meu parceiro voltou?
Um dos policiais sacudiu a cabeça.
— Não, senhor. Parece que Ramsey ainda está investigando nas redondezas.
Dawson dirigiu-se para a porta da frente. Aquele caso provocava-lhe um gosto amargo na boca. Estava cansado daquele dia e de todo mundo.
Quando abriu a porta e saiu para o pórtico, uma rajada de vento sacudiu as pernas de sua calça. Estava, também, danadamente cansado daquela chuva. Deu um passo atrás, abrigando-se sob o puxado do telhado, enquanto olhava a rua em busca do carro do seu parceiro. Afinal, viu-o perto da esquina. Alguns minutos depois, Ramsey se aproximou da casa, que ficava no fim do quarteirão. Dawson acenou, indicando que estava pronto para ir embora. O carro parou diante da casa e ele saiu correndo sob a chuva.
— Que chuva mais besta! — reclamou, jogando-se no assento do passageiro e batendo a porta.
Paul Ramsey riu.
— Você não vai derreter, é velho e durão demais.
Dawson recostou-se no assento e suspirou.
— É, acho que você tem razão.
Ramsey sacudiu a cabeça, pondo o carro em movimento.
— Desanimado? A esta hora? Parceiro, começamos a trabalhar pouco depois das dez. O dia ainda é criança.
— O dia, pode ser — comentou Dawson —, mas, eu, não.
— O que quer dizer?
— Comecei esta investigação com preconceito e não me orgulho disso, Ramsey.
— Então, acha que o marido está dizendo a verdade?
Dawson deu de ombros.
— Talvez sim… talvez não. Conseguiu alguma coisa?
— Uma mulher que mora logo virando a esquina disse que quando estava chegando das compras, um carro preto com as janelas escurecidas quase a atropelou. Ela teve a impressão que o carro virou aqui.
— É claro que ela não anotou a placa.
Ramsey assentiu.
— Por que isso não é surpresa para mim? — suspirou Dawson.
— O que vamos fazer?
— Verificar as declarações de Jonas e rezar para haver pistas… Aproveitando, podemos rezar também para que esta maldita chuva pare. Estou cansado de ir para casa com os pés molhados.

Joseph sentou-se num canto da sala de estar, no escuro, olhando para a janela. A casa agora estava quieta. A polícia havia se retirado havia horas, assim como seu pai e sua mãe, que tinham chegado logo depois. A aflição deles apenas havia aumentado seu pânico, e o desaparecimento de Demi fazia-o sentir-se desligado da realidade.
Estremeceu quando uma rajada de vento fez os pingos de chuva baterem com mais força nas vidraças. Estava ficando cada vez mais frio. A previsão do tempo avisara que havia possibilidade de nevar.
De repente, o som estridente de uma sirene cortou-lhe os pensamentos; ele ergueu-se da poltrona onde estava sentado e foi para a porta. O vento frio jogou chuva em seu rosto quando saiu para o pórtico e ficou olhando a noite. Junto à luz dos postes as gotas de chuva cintilavam como lágrimas de cristal, caiam no chão e corriam para a sarjeta. Joseph foi para a beirada do pórtico e olhou atentamente para as sombras da noite, como se Demetria pudesse aparecer miraculosamente. A não ser pelo barulho da chuva o silêncio era devastador.
Joseph começou a tremer. Aquilo não podia ser real.
Tinha que haver alguma explicação simples, de que ele não lembrava. E se ela houvesse se perdido? E se estivesse lá fora, em algum lugar, procurando o caminho de volta para casa?
Saiu para a rua, debaixo da chuva, levado pela necessidade de encontrar a mulher que amava. Prometera amá-la e ficar a seu lado na doença e na saúde. Prometera protegê-la. Um soluço escapou-lhe da garganta. Como poderia protegê-la se não sabia onde ela estava?
O vento frio jogava mais chuva em seu rosto, correndo-lhe pela face, atrapalhando-lhe a visão enquanto ele caminhava pelo meio da rua . Seu coração batia forte no peito, seu estômago estava retorcido. Doía quando ele respirava. E o peito doía enquanto pensava nela.
A chuva ensopou seus cabelos, fazendo-os aderir à cabeça como um gorro negro. As roupas molhadas grudavam na pele. Ele parou no meio da rua, olhando para a esquerda, depois para a direita. Nada havia entre Joseph e o esquecimento, a não ser a chuva. A dor em seu peito foi aumentando até que inclinou a cabeça para trás e gritou:
— Demetria!
Então, segurou a respiração e ficou esperando pela voz dela, que não veio.

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Aqui está! Desculpem-me a demora, n postei antes por conta dos comentários e por preguiça msm :p Comentem para o próximo... Beijos, amo vcs ♥

4 comentários:

  1. Quantos capitulos tem?

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  2. Quando eu estava lendo chovia e adivinha?
    Um trovão soou e me assustou, como na fic. Acredita? Kkkkkkk #riremos.
    Oi meu amor, td bem?
    Eu estou ótima ❤ e preciso dizer...
    CARA, EU TÔ NO CHÃO!
    Eu amo fanfics que envolvem casamento, sinto falta de escrever uma fic assim... É algo tão real e realmente me passou algo carinhoso kkk Joe se mostrou um ótimo marido
    Um amorzinho ❤
    Me surpreendeu muito o fato da Demi desaparecer agora, eu não estava preparada emocionalmente e foi arrasador!
    Eu sofri junto com o Joe
    Ai meu core, me abraça mulher :""(
    Pelo visto vou ter de esperar para saber quem pegou a Demi, né?
    TÔ ANSIOSA PARA MAIS...
    MISTÉRIO, MISTÉRIO, MISTÉRIO!
    Bjos e posta logo.
    Te amo ❤

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  3. Olá, tudo bem?
    Se puder pode divulgar meu blog por favor? eu agradeceria muito
    http://jemi-historias.blogspot.com.br/ <3

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