5.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 8

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Winnie voltou para casa na hora do almoço em companhia da mãe. Os olhos vermelhos e a expressão desfeita traíam todo o seu desespero.

- Oh, Winnie - Demi falou abraçando a amiga. - Eu sinto muito. Há alguma mudança no estado de Dwight?

- Nada. Eu não suportarei perdê-lo! Eu não posso perdê-lo! 

- Ferimentos na cabeça costumam ser traiçoeiros. Ele está em coma, porém isso não significa que não possa vir a se recuperar. Tenha paciência, dê tempo ao tempo.

- Tenho a impressão de que vou enlouquecer.

- Não, você vai agüentar firme. Agora venha comer alguma coisa, pois o almoço está pronto.

- Que bom que você tomou as providências,  Demi - a sra. Manley interveio. - Winnie precisa se alimentar e eu também.

- O que foi que aconteceu de fato? - Demi perguntou.

- Ninguém sabe muito bem. O carro que Dwight dirigia caiu num precipício ontem à noite, mas ele só foi encontrado hoje pela manhã. Joe e Marie estão no hospital agora e Joe me parece profundamente abatido. Venha ao hospital comigo, amiga. Eu preciso da sua companhia.

Demi nada respondeu e desviou o olhar tentando evitar que a sua dor transparecesse. Já bastava a carga que os Manley estavam suportando. Se fosse possível ela teria se recusado a acompanhar Winnie, temendo encontrar-se com Joe, porém as circunstâncias forçaram-na a enfrentar o próprio medo.
Ao chegarem  ao hospital, apenas Marie estava lá e Demi conseguiu respirar aliviada. Depois  de conversar por alguns minutos ela saiu à procura da enfermeira-chefe, responsável pela UTI.
Tina Gates, prática em enfermagem há vinte e dois anos, recebeu Demi com simpatia e respondeu a todas as perguntas.

- O estado dele é grave, mas me parece um homem que não se entrega com facilidade, aliás, como todos da sua família. Eu creio que irá resistir.

- Espero que sim. Minha melhor amiga o ama muito.

- Às vezes é o amor que salva as pessoas. Sabe, se algum dia você quiser um trabalho em Pryor, basta nos procurar. Você é muito mais qualificada do que eu jamais serei. Infelizmente nunca tive oportunidade de me formar em enfermagem.


- Eu tive sorte. Meus pais se sacrificaram para que eu pudesse estudar. É um trabalho importante e gosto muito do que faço. Entretanto, não sei se me acostumaria à rotina de um hospital. Estou habituada a trabalhar em condições primitivas. Contudo, obrigada pelo oferecimento.

- Então voltarei a repetir à oferta - Tina respondeu sorrindo. - Wyoming é um belo Estado e há pessoas simpáticas por aqui. Você poderia gostar de morar entre nós.

- Eu já gosto daqui. Porém prometi a meus pais que continuaria o trabalho deles e não gosto de faltar à minha palavra.

- Eu também não... Escute!

Tinha correu para junto da cama de Dwight a tempo de vê-lo abrir os olhos.

- Cabeça... dói...

- Aleluia! - ela exclamou, sorrindo. - Se a sua cabeça dói, sr. Jonas, isso é um bom sinal. Vou chamar o dr. Jackson agora mesmo.

- E eu vou avisar Winnie. Estou feliz que você esteja de volta, Dwight. Eles vão lhe dar algo para a dor. Procure relaxar e não se mexa muito.

- Joe? - ele sussurrou.

- Você quer vê-lo?

- Sim. 

- Vou tentar encontrá-lo. Descanse agora.

Joe estava na sala de espera e ficou tenso ao ver Demi se aproximar, enquanto ela precisou de toda a sua força de vontade para não trair o seu desespero e chorar.

- Dwight saiu do estado de coma e acho que irá se recuperar.

- Oh! Obrigada, Deus! - Winnie falou, rindo e chorando ao mesmo tempo.

- Então a sua experiência em primeiros socorros lhe permite fazer um prognóstico? - Joe indagou com sarcasmo, sentindo-se magoado com a indiferença demonstrada por Demi.

- Experiência em primeiros socorros? - Winnie interveio - Joe, ela é uma enfermeira diplomada! Você não lhe contou, Demi?

- Não havia necessidade - ela respondeu secamente. - Dwight quer vê-lo, Joe.

- Ele quer falar de negócios - Winnie resmungou. - Bem, isso pode esperar. Venha, Marie, vamos pedir permissão a um médico para entrarmos lá.

Demi viu-se a sós com Joe e desviou o olhar, procurando aparentar calma.

- Uma enfermeira. Não era a toa que você sabia como tratar cortes e coisas afins. Há outros segredos em sua vida? - ele perguntou com amargura na voz. - Pensei que você iria embora hoje.

- Eu também. Mas não se preocupe. Sairei da cidade tão logo Dwight seja declarado fora de perigo.

Joe ficou tenso. Então era isso o que  Demi pensava? Que ele queria ver-se livre dela o mais rápido possível? Por que ela não fora capaz de se abrir? Que outros segredos estaria guardando? A única coisa que haviam partilhado de verdade eram seus corpos, porém ele ansiava por muito mais. Queria poder retribuir a ternura que havia recebido, o prazer que sentira quando fizeram amor, mas Demi tinha se retraído de tal maneira que tornara impossível qualquer tentativa de aproximação.
Joe sentia-se culpado pela desilusão que causara. Se tivesse sabido a verdade poderia ter agido de uma maneira mais delicada, preocupando-se com o prazer dela acima de tudo.

- Uma enfermeira, hein? - ele falou secamente. - É um milagre que você tenha atingido essa idade ainda virgem. Não lhe ensinaram nada sobre sexo durante os seus anos de estudo?

- A teoria é muito diferente da prática - Demi respondeu, muito vermelha.

- Sem dúvida. Sua tolinha, se eu tivesse sabido a verdade poderia ter lhe dado tanto prazer! Sou experiente o suficiente para isso. Eu a machuquei e minha consciência não me deixa em paz. Droga, Demi! Se eu soubesse teria parado a tempo!

- Teria mesmo? - ela murmurou com tristeza.

Ele desviou o olhar, incapaz de responder. Não, não poderia ter evitado o que acontecera. Sua paixão era grande demais para ser reprimida.

- Dwight vai precisar de uma enfermeira em tempo integral, quando voltar para casa - Joe falou mudando de assunto. - Ele sofreu ferimentos internos e tem uma costela quebrada.

- Não deve ser muito difícil encontrar alguém.

- Ele gosta de você e vai precisar da sua ajuda.

- Não - Demi respondeu depressa. - Eu não posso aceitar esse trabalho. Tenho que voltar para o Arizona.

- Winnie ficaria eternamente grata, assim como Marie e eu.

Joe estava usando todo o seu poder de persuasão para dobrar a resistência de Demi. Tudo o que queria era uma nova chance de tê-la perto de si, de reconquistar a sua confiança.

- Você não precisa fingir que gostaria de me ter por perto, Joe. Será fácil encontrar uma profissional adequada para o trabalho.

- Não estou usando Dwight como desculpa. Ele é meu irmão e o amo.

- Pensei que você não se julgava mais parte da família - ela murmurou, emocionada com o que havia acabado de ouvir. Eu também, até saber que ele estava ferido. É estranho como tudo o mais perde a importância quando alguém a quem queremos bem está perto da morte. Durante as horas de angústia eu só conseguia pensar nos momentos bons que havíamos partilhado, na nossa infância tão cheia de afeição. Mesmo que os laços de sangue entre nós dois não sejam muito fortes, sempre fomos os melhores amigos do mundo. Sei que Marie e eu brigamos bastante, porém seríamos capazes de morrer um pelo outro. Eu estive fechado dentro de mim mesmo nestes últimos meses e não percebi o quanto os magoava. Se eu não precisar me preocupar com a saúde de Dwight, creio que conseguirei me reencontrar. Como você já deve ter percebido, o hospital não tem um quadro de funcionários muito grande, daí a dificuldade de encontrarmos alguém disponível.

- É verdade, Tina já havia me dito.

Joe aproximou-se de Demi e numa voz muito doce murmurou:

- Sinto tanto quanto você o que aconteceu entre nós, querida. Desculpe-me.

- Foi culpa minha também - ela respondeu baixinho. - Será que poderíamos... não tocar mais no assunto?

-  Uma  vez  que  você  é  enfermeira,  presumo  que  tenha  sabido  como  prevenir-se  de  possíveis conseqüências, não é?

- Eu não estava nos meus dias férteis, se é o que você quer saber. - Demi respondeu sem fitá-lo.

- Não foi exatamente isso o que eu perguntei. Seis semanas... é o que precisamos esperar para termos certeza?

Ela fez um aceno com a cabeça, incapaz de confiar na própria voz.
Joe ficou em silêncio e sentou-se, tentando ordenar os pensamentos. Sentia-se impotente e tudo o que dissesse agora iria soar errado aos ouvidos dela.
A idéia de ter um filho o assustava. Não queria que uma criança viesse sofrer as conseqüências de momentos fugazes de amor.

Também sentia-se apavorado por causa do caráter do seu pai verdadeiro e temia passar aqueles genes indesejados a um filho. Joe sabia que era um medo irracional, porém não conseguia evitá-lo.
Entretanto, Demi parecia feita para a maternidade. Era fácil imaginá-la com um bebê nos braços, sugando-lhe os seios...
A imagem desencadeou uma reação imediata no seu corpo e Joe sobressaltou-se com o poder de atração que Demi tinha sobre si. Incapaz de esconder o embaraço, ele saiu da sala sem dizer uma palavra, deixando-a mais aturdida do que nunca.
Dwight ficou feliz ao ver o irmão chegar à UTI e o recebeu com um sorriso cansado.

- Você está precisando de alguma coisa? - Joe perguntou sem esconder a preocupação e a ternura da voz.

- Não, obrigado. Você vai cuidar da administração da fazenda enquanto eu estiver aqui, não vai? Acho que consegui me sair muito mal na função.

- É porque você não me viu cuidando do gado.

- Papai nos pregou uma peça, não é mesmo? Ele sempre soube que eu era um desastre para cuidar das finanças. Por que, então, trocou as nossas obrigações?

- Nunca saberemos - Joe respondeu com calma. - O melhor é nos dedicarmos aos nossos novos papéis com mais afinco.

- Não. O melhor é voltarmos ao que fazíamos antes do papai morrer. Já conversei com os nossos advogados e eles me disseram que basta assinarmos um novo contrato e voltaremos às nossas antigas posições.

- Você não me disse nada sobre essa possibilidade.

- Você não me queria ouvir. Sei o quanto deve ter lhe custado descobrir a verdade sobre o passado, porém eu tinha certeza de que você iria superar a dor. Minha cabeça está doendo muito agora, Joe.

- Eu sei, o médico já vai lhe dar algo contra a dor. Estou tentando convencer Demi a tomar conta de você lá em casa. Que tal a idéia?

- Ótimo. Aposto que eles me deixarão ir para casa mais cedo se eu tiver a minha própria enfermeira.

- Você já sabia que ela era enfermeira?

- Claro! Winnie me contou. E os pais dela, hein? É incrível que Demi tenha conseguido escapar. Joe, eu preciso de um remédio para a dor; agora.

- Vou chamar um médico, não se preocupe.

Joe afastou-se pensando no que o seu irmão dissera. O que havia de tão incomum na morte dos pais de Demi? E do que ela havia escapado? Cansado de tantos mistérios, ele decidiu-se a descobrir a verdade de qualquer maneira.
Demi não pôde recusar os pedidos insistentes de Winnie e Marie para que tomasse conta de Dwight, só lhe restando sufocar a própria dor e conviver com Joe sob o mesmo teto.

- Você tem andado diferente - Winnie observou alguns dias mais tarde, enquanto  Demi se preparava para ir até a casa dos Jonas.

- Diferente como?

- Mais calada. Menos interessada no mundo à sua volta. Você e Joe brigaram?

- Sim. E foi uma coisa séria. Eu iria embora de Pryor na manhã em que Dwight foi para o hospital.

- Oh, Demi! Eu sinto muito. Mas foi Joe quem insistiu na sua ida para a fazenda, portanto ele não deve estar muito zangado.

- Ele tem muitos motivos para estar aborrecido. O melhor é que não nos vejamos muito.

- Será que a briga tem algo a ver com Dale Branigan?

- De certo modo, sim. Como você soube?

- Ela está atrás de Joe há muito tempo, aliás, como quase todas as moças solteiras de Pryor. Sei que no princípio eu lhe dei uma impressão de Joe que não correspondia exatamente à verdade. Na minha ânsia de protegê-la acabei sendo injusta. Ele é um homem atraente e não tem culpa disso. Também já ouvi dizer que é espetacular na cama. Sendo assim, as mulheres não param de persegui-lo. Entretanto, desde que ele a conheceu, não tem se interessado por mais ninguém.

- Não se preocupe, Winnie, eu sei que você só queria o meu bem.

Sim, ela sabia que Joe era espetacular na cama e se tivesse lhe dito a verdade, ele poderia tê-la levado ao prazer total. Durante o trajeto para a fazenda, Demi não conseguia parar de pensar na noite em que fizeram  amor.  Tudo  fora  tão  bom  no  começo!  As  carícias  preliminares  haviam  sido  sensuais, enlouquecedoras. Depois não conseguira sentir mais nada, pois ficara tensa por causa da dor. A sua mentira arruinara o que poderia ter sido perfeito. Será que o sexo para a mulher se resumia a um prazer fugaz? Não seria possível alcançar o clímax? Chegando à fazenda, Demi foi ao quarto de Dwight no mesmo instante e encontrou o seu paciente de bom humor, rodeado por todo tipo de distrações: montes de livros, TV em cores, videocassete e dezenas de fitas com os últimos lançamentos, toca-disco laser e inúmeras revistas.

- Ai está um homem que tem tudo - ela brincou.

- Quase tudo. Gostaria de ter uma cabeça nova.

- Não fique impaciente, você se sentirá melhor com o passar dos dias. Cuidarei para que isso aconteça o quanto antes.

- Obrigado. - Dwight hesitou por um instante antes de continuar: - Algo me diz que você e Joe estão tendo problemas. Sendo assim, quero agradecer-lhe por você ter aceito esse trabalho. Imagino o quanto deve estar lhe custando morar aqui por algum tempo.

- Joe e eu tivemos apenas uma divergência de opiniões.

- Em outras palavras, ele tentou levá-la para a cama e ouviu um sonoro "não" como resposta. É bom que ele leve um fora de vez em quando.

Demi não disse nada, embora ficasse vermelha de embaraço. Que cada um pensasse o que quisesse, pois não devia explicações a ninguém. O erro fora seu, assim como a dor que agora a afligia. O melhor seria não tocar no assunto e ir embora de Pryor tão logo quanto possível. Quem sabe a distância não lhe traria um pouco de alívio?
Winnie ficou para jantar e se ofereceu para preparar a bandeja de Dwight, que ainda não podia deixar o quarto.

- Joe só chegará mais tarde - Marie comentou com Demi. - Sinto que Dwight esteja passando por uma experiência dessas, porém tanto sofrimento teve um lado positivo: Joe percebeu que é um membro da família e não um estranho. Ele tem sido gentil comigo e extremamente dedicado a Dwight. Há males que vêm para o bem.

- Às vezes é preciso enfrentarmos momentos terríveis para sermos capazes de dar valor ao que temos. Agora, você e Winnie tenham um bom apetite, enquanto eu cuido do meu paciente. Não se preocupem comigo, vou comer algo mais tarde, pois ainda não estou com fome.

- OK - Marie concordou sorrindo. - Sinta-se à vontade. O freezer está abastecido e o microondas às suas ordens. Se precisar de qualquer coisa em seu quarto, é só me pedir, não se sinta acanhada, pensando que vai me incomodar.

- Farei isso. Obrigada, Marie.

- Não, Demi. Sou eu que preciso agradecer a você. A sua presença nesta casa tem nos dado satisfação e alegria. Joe e eu lhe somos gratos do fundo do coração.

- É verdade - Winnie interveio abraçando a amiga. - Ela é alguém muito especial.

- Vocês estão me deixando sem jeito. Agora vão jantar enquanto eu tomo conta do meu paciente.

Demi levou a bandeja para Dwight e ambos puseram-se a conversar, embora ela tivesse que se esforçar para não deixar transparecer a tristeza.

- Joe ainda não chegou?

- Marie disse que ele se atrasaria. Parece que há muito trabalho a ser feito.

- Por que você não contou nada ao meu irmão sobre a sua vida, sobre os seus pais?

Era difícil responder à pergunta. No princípio ela tivera medo de afugentá-lo ao mostrar-se como realmente era: uma mulher ingênua e inexperiente. Agora já não tinha mais sentido, pois estava prestes a ir embora da cidade.

- Eu não sei. Suponho que tenha aprendido a guardar as coisas para mim mesma, já que meus pais nunca apreciaram pessoas que choramingam a respeito de tudo. Eles acreditavam na honra, no trabalho e no amor. Vou sentir falta de ambos eternamente.

- Eu sinto falta do meu pai com essa mesma intensidade e sei que Joe também sente. 

- O que há de tão misterioso com o pai verdadeiro de Joe?

- Acho melhor você perguntar ao meu irmão e não a mim. Ele e eu estamos começando a nos entender agora e não quero interferir nos seus assuntos particulares. Tenho medo de causar-lhe um aborrecimento.

- Posso entender o seu receio muito bem. Você precisa de mais alguma coisa?

- Não, obrigado. Estou me sentindo um pouco cansado e vou dormir.

- Ótimo - Demi respondeu com um sorriso enquanto ajeitava os travesseiros de Dwight. - Vou pegar um livro e ficarei por aqui, caso você precise de algo. O seu próximo remédio é só daqui a algumas horas, portanto durma sossegado. Por favor, não fique nervoso se precisar da minha ajuda, pois você ainda está enfraquecido. Suas forças voltarão lentamente. O nosso corpo precisa de tempo para se recuperar.

- Você faz tudo parecer tão simples!

- As coisas são simples na maior parte das vezes. Somos nós que as complicamos. Durma bem.
Winnie se ofereceu para fazer companhia ao noivo enquanto Demi preparava um lanche para si. Marie havia ido ao cinema com algumas amigas por insistência dos irmãos. Os últimos dias foram tão traumáticos que todos sentiam necessidade de um pouco de diversão.
Demi desceu e preparou um sanduíche, contente por estar sozinha. O silêncio da casa dava-lhe um pouco da paz de que tanto necessitava. Imersa nos próprios pensamentos e diante de uma segunda xícara de café, ela não ouviu o barulho da porta sendo aberta.

- Cansada, mocinha?

A voz de Joe a sobressaltou, deixando-a trêmula de susto e ansiedade. Ele era o homem mais viril, mais atraente que ela jamais encontrara e sua presença tinha um efeito devastador sobre as suas emoções.

- Estou bem. Você é que me parece exausto.

- Estive ajudando a marcar o gado -  Joe respondeu tirando o chapéu e passando as mãos sobre os cabelos desalinhados. - Será que eu poderia tomar um café?

- Claro! Você quer puro ou com leite?

- Puro.

Joe notou que Demi evitava encará-lo e que se esforçava para manter-se distante. Porém ele conseguiu segurar-lhe uma das mãos, quando ela lhe entregou a xícara.

- Você não pode olhar para mim, doçura?

- Me deixe em paz, por favor - Demi respondeu num fio de voz.

Estar aproxima àquele homem era perigoso demais, pois temia trair os sentimentos que lhe iam na alma.
Sim, ela o amava e não agüentaria ser rejeitada outra vez. Ele soltou-a com relutância, notando o quanto Demi estava perturbada e trêmula. Será que a havia perdido para sempre?
Será que ela o odiava tanto assim, não suportando nem mesmo encará-lo?

- Como está Dwight? - ele perguntou depois de alguns minutos.

- Bem, embora ainda sinta dores. Winnie está lhe fazendo companhia agora e Marie foi ao cinema.

-  Quero  dizer-lhe  mais  uma  vez  o  quanto  aprecio  a  sua  dedicação,  especialmente  diante  das circunstâncias.

- Aceitei passar alguns dias aqui apenas por causa de Winnie - Demi respondeu sem fitá-lo.

- Sei disso. Quanto tempo será preciso até que ele volte à vida normal?

- Eu não sei. É melhor que você pergunte ao médico.

Joe acendeu um cigarro e fumou em silêncio. Ele tinha trabalhado duro o dia inteiro, tentando não pensar em Demi ou na noite que haviam passado juntos, mas de nada adiantaram os seus esforços. Era apenas ao lado dela que encontrava paz e um sentido para a vida. A morte de Hank Jonas o deixara revoltado e ele não soubera controlar as emoções que o afligiram. Fora esta mulher, serena e doce, que lhe trouxera de volta a esperança, a crença em si mesmo e no mundo ao seu redor.
A vergonha que sentia do seu pai verdadeiro estava bem menos contundente do que há alguns meses e a angústia que o sufocava parecera perder a importância. Agora, tudo em que podia pensar era nos momentos em que tivera Demi nos braços, na maciez e no calor daquele corpo que se entregara sem reservas, na suavidade daquela voz que só pronunciara palavras de estímulo e compreensão. Entretanto, ele destruíra a beleza do que haviam partilhado juntos e matara todas as ilusões reduzindo o sentimento a uma febre sexual sem significado ou propósito. É claro que ele não era nenhum santo e já usara as mulheres antes, mas Demi não era um flerte passageiro. Ela era... o seu mundo. Uma mulher que se encontra apenas uma vez na vida.

- Tenho sido um tolo em relação à minha família - Joe falou de repente. - Acho que perdi a cabeça ao descobrir como fui enganado por todos estes anos. Meu orgulho ferido me cegou para a realidade dos fatos. Finalmente recuperei a razão.

- Fico feliz ao ouvi-lo falar assim. Seus irmãos não têm culpa do acontecido.

- É verdade. Eles têm sofrido tanto quanto eu. - Depois de alguns minutos de silêncio, Joe perguntou: - Você será capaz de me perdoar pelo que eu lhe fiz?

Ela abaixou os olhos, incapaz de encará-lo. Não, não podia culpá-lo pela noite de amor. Ninguém a havia obrigado a se entregar, fora uma escolha consciente.

- Você não fez nada que eu não tivesse permitido. E agora não tem mais importância.

- Você pode estar carregando um filho meu. Isso também não tem importância?

- É pouco provável.

- Sinto ter feito daquela noite algo que você prefira esquecer - ele falou muito baixo, tomando-lhe as mãos entre as suas. - Sua primeira vez deveria ter sido especial. Um homem deve dar prazer, especialmente a uma mulher virgem. E tudo o que eu lhe dei foi sofrimento.

- Preciso ir ver como está Dwight. Boa noite, Joe.

Mas antes que Demi pudesse se afastar, ele a segurou pelos ombros forçando-a a encará-lo, olhando-a com uma fixidez desconcertante.

- Você me odeia? Diga a verdade, sem subterfúgios. Eu preciso saber.

- Não. Eu... não te odeio.

Ele deixou escapar um longo suspiro de alívio e a beijou nas pálpebras, com um carinho infinito.

- Boa noite, menininha.

Havia tanta ternura em sua voz, que ele mesmo ficou surpreso. As mulheres sempre haviam passado em sua vida sem que ele quisesse se deixar prender. Porém Demi era especial e o atraía cada vez mais, embora soubesse que não seria fácil reconquistá-la.

E se ela estivesse grávida? Quase podia imaginar um menininho de cabelos escuros e olhos verdes seguindo-o por toda parte... Demi seria uma mãe maravilhosa e talvez a herança genética de seu pai verdadeiro não se manifestaria no neto.

- Um filho não deve ser fruto de um ato impensado - ele falou de repente. - Deve ser planejado, desejado. Por que eu não consegui parar a tempo, meu Deus?

Demi o viu sair da cozinha parecendo extremamente zangado. Talvez ele a odiasse e tinha razões para isso. Quem sabe não a julgava uma mulher calculista que fizera amor sem tomar precauções apenas para pegá-lo numa armadilha e forçá-lo a assumir um casamento indesejado? Contudo, ele receava que ela pudesse odiá-lo, e isso era um sinal de esperança.

Cansada demais para continuar pensando, Demi apagou as luzes da cozinha e subiu para retomar o seu posto ao lado de Dwight.

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Heeeey! Td bom com vcs? Eu vou bem, to quase livre da maquete, to alegre já sdhgfshd se aquela prof n gostar vou enfiar na guela dela ¬¬' bem, a fic já está no fim :c mais dois capítulos só... e eu to super atrasada em relação a próxima fic! Não sei quando vou terminar de adaptar e se os capítulos serão diários pq eu nem comecei a adaptar (só a formatar o capítulo)... Espero que entendam! Comentem, ok? Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

6 comentários:

  1. Ameeei, ta perfeito
    Posta logooo

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  2. SOCORRO COMO ASSIM TA NO FIM? devo dizer que estava ansiosa para saber logo o fim, mas agora que está chegando quero mais água para rolar!!! Nao acho que ela fique grávida, pelo menos não agora, e Joe tem que fazer algo para reconquista-la(ja q ele acha q ela nao gosta mais dele) novamente
    Sam, xxo

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    1. sim, está no fim jggfsadhg Infelizmente n tem segundo livro ou coisa assim... Hm... será? SIM, ELE DEVE!
      bjss

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