4.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 7


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O baile após o rodeio foi num dos bares da região, construído num galpão antigo e bem conservado.
Tanto os homens quanto as mulheres estavam vestidos de maneira informal, com a predominância de calça jeans, camisa xadrez e chapéu de cowboy.
Uma pequena e animada banda atraía inúmeros casais à pista de dança, não deixando que a animação morresse um segundo sequer. O local estava lotado e os campeões do rodeio faziam questão de deixar claro o quanto queriam se divertir.
Joe pediu duas cervejas, embora soubesse que Demi não costumava beber.

- Mas... - ela tentou protestar.

- Experimente primeiro - ele falou com delicadeza. - Um pouquinho de álcool não lhe fará mal, e também já pedi alguns sanduíches para acompanhar, pois não é bom beber de estômago vazio. Eu gosto de cerveja e é esse o gosto que você sentirá na minha boca quando sairmos daqui e fizermos amor.

- Hoje? - Demi perguntou com a voz trêmula.

- Sim, hoje - Joe respondeu com a voz rouca. Ele a fitou por um longo tempo, como se quisesse memorizar cada traço, cada detalhe daquele rosto que o hipnotizava. - Há uma pequena cabana, que pertence à família Jonas, no meio da estrada que conduz a Pryor. Prometo-lhe que não serei rude. Tudo acontecerá do jeito que você quiser.

Ela quis dizer alguma coisa, mas logo os lábios dele estavam sobre os seus num beijo ávido e exigente.
"Que mulher doce!" Joe pensou. "Há nela algo que me entorpece, que me alucina! E mal posso dissimular o desejo que estou sentindo neste momento..."
Demi estremeceu com o contato, entregando-se às sensações que a percorriam, sem se importar com a música alta ou com as pessoas ao redor. Tudo o que queria era estar entre aqueles braços fortes, nem que fosse por apenas uma única noite.
Depois de todos os horrores aos quais havia sobrevivido, estar com o homem amado seria como um bálsamo para o seu coração ferido. E no futuro teria pelo menos as lembranças de uma noite de amor para lhe fazer companhia. É claro que a razão lhe dizia que seria melhor resistir aos impulsos, porém a tentação era grande demais, algo além das suas forças.
Durante toda a sua vida ela fora uma moça exemplar, mas o poder de atração de Joe era absoluto, envolvente e definitivo. 
Quando, por fim, se separaram, estavam ambos sem fôlego, atordoados com a força da paixão que os consumia.

- Desculpe-me, eu não pretendia beijá-la dessa maneira em público - Joe falou olhando para o salão e tentando recuperar o controle.

- Tudo bem - Demi respondeu, inconsciente do quanto o afetava. Seus lábios intumescidos e a respiração ofegante davam-lhe um ar de ingenuidade e mistério.

Tentando parecer natural, ela olhou em volta e reparou que Dale os fitava com indisfarçável interesse, embora estivesse dançando colada a um rapaz.

- Sua amiga é muito bonita e não pára de olhar para nós.

- Sim - ele respondeu com desinteresse. - Porém ela queria mais do que eu podia lhe dar.

Demi ficou tensa por alguns segundos, pensando que também gostaria de um futuro ao lado de Joe. Entretanto, não deixaria que sonhos impossíveis estragassem esta noite.
Estava apaixonada demais para recusar a única coisa que ele parecia capaz de lhe dar. Iria se entregar sem pensar no amanhã, pois sabia que só lhe restariam o abandono e a solidão... Era inegável que os dois pertenciam a mundos diferentes. Joe jamais poderia entender a educação rígida que recebera dos pais, assim como ela nunca poderia aceitar a sua falta de escrúpulos em relação às mulheres.
Apesar de estarem se entendendo bem e de terem descoberto tantos interesses comuns, ela ainda temia dizer-lhe a verdade sobre si mesma. De qualquer forma, já não tinha importância, pois estava disposta a ir até o fim com a farsa. Pena que não teria tempo para descobrir o homem que sabia existir atrás daquele exterior frio e irônico. Às vezes Joe deixava vir à tona um pouco do seu verdadeiro eu, para logo depois fechar-se ainda mais. Ela levou o copo de cerveja aos lábios e sorveu o líquido fazendo uma careta. Que bom seria não pensar e ser capaz de se entregar para logo depois esquecer. Por que precisava ser tão sentimental? Tão cheia de esperanças tolas e românticas?
Um grito repentino os trouxe de volta à realidade.

- O que foi isso? - Demi perguntou olhando em direção ao bar. 

- Oh, puxa! Alguém quebrou uma garrafa e se cortou. Parece que é Ben, o novo namorado de Dale.

Demi levantou-se e caminhou em direção ao casal. O rapaz estava lívido de dor e Dale tentava, sem sucesso, estancar o sangue que jorrava do corte.

- Com licença - Demi falou com delicadeza. - Eu sei o que deve ser feito.

Joe a fitava com interesse. Havia tanta segurança, tanta calma naqueles gestos que só podia se tratar de uma pessoa acostumada a prestar primeiros socorros. Onde ela havia sido treinada? Qual seria o seu trabalho?

- Creio que agora você ficará bem - Demi estava dizendo ao rapaz. - Felizmente o vidro cortou uma veia e não uma artéria. Mas o corte precisará de pontos. Você pode levá-lo ao hospital, Dale?

- Sim... e obrigada.

- Muito obrigado também - o vaqueiro murmurou, tentando sorrir apesar da dor. - Eu poderia ter sangrado até a morte se não fosse por você.

- É pouco provável que isto tivesse acontecido, mas de qualquer forma, obrigada pelo reconhecimento.

Demi notou que mesmo acompanhada pelo namorado, Dale não tirava os olhos de Joe. Mas por que julgá-la? Talvez ela viesse a agir assim também, quando Joe a trocasse por outra.

- Você é uma mulher cheia de surpresas, não é mesmo? - ele falou desviando o rumo dos seus pensamentos. - Onde aprendeu a prestar primeiros socorros?

- Eu tive um bom professor.

- Você é muito misteriosa, doçura, e não me dá oportunidade de saber um pouco mais a seu respeito.

- Sou uma pessoa comum, sem nada de extraordinário.

- Quando você pretende deixar Pryor?

- Na semana que vem. Eu não quero, mas preciso ir embora. Tenho muito o que fazer.

- Onde?

- No Arizona.

- É lá que você trabalha?

- Imagino que seja onde começarei a trabalhar.

Demi não queria pensar nisso agora. O futuro lhe parecia sombrio demais, pois estaria completamente só.
Ele suspirou e a puxou para dançar, sua perna se insinuando entre as coxas dela de uma maneira íntima e sensual.
Demi ficou rígida, sem saber como reagir.

- Não tente resistir. A vida é breve e o que estamos sentindo neste momento é pura magia.

- Joe...

- Não se preocupe, todo mundo está dançando assim. Encoste o seu rosto no meu peito e relaxe.

Demi sabia que estava enveredando por num caminho sem volta, entretanto não conseguia resistir ao impulso de se deixar levar. Ela deu um longo suspiro e se aconchegou um pouco mais, sentindo o calor que emanava daquele corpo forte. O perfume dele, uma mistura de sabonete e colônia, a inebriava, deixando-a lânguida, entregue. A música suave os envolvia vagarosamente e quando Joe começou a acariciar lhe as costas, ela não protestou. Apesar dos vários casais dançando e do salão cheio, havia pouco barulho. Todos pareciam relaxados, embalados pela música lenta e pela beleza da noite de verão.
Eles continuaram a dançar em silêncio, temendo que as palavras quebrassem o encanto do momento. Num movimento inesperado, Joe segurou-a pelos quadris e pressionou-a de encontro ao corpo, deixando-a sentir toda a extensão do seu desejo. Demi corou ao perceber a rigidez do membro em suas coxas, porém não se afastou. Sim, ela também o queria... Era impossível controlar os tremores que a sacudiam, o fogo que consumia as suas entranhas.
Fascinado, ele fitou os seios que se comprimiam de encontro ao seu peito. As camadas de tecido que separavam seus corpos não o impedia de sentir os mamilos eretos roçando-lhe a pele. A sensualidade que os envolvia era potente e só a posse um do outro poderia-lhes devolver a calma e a serenidade. Joe ficou imóvel e falou numa voz muito baixa:

- Vamos sair daqui. Eu já não agüento mais.

- Sim...

Demi sabia o que estava dizendo, embora uma parte de si mesma ainda lutasse contra a vergonha e a timidez. Mas ela sempre soubera que não conseguiria resistir ao fascínio daquele homem. O desejo a dominara completamente desde o primeiro encontro e sequer tivera forças para tentar vencer a paixão.

- Eu preciso de um minuto para me recompor, doçura.

Ele  respirou  fundo  algumas  vezes,  procurando  recuperar  o  controle  do  corpo.  Então  ambos  se encaminharam para a saída, ignorando os copos de cerveja sobre a mesa e os sanduíches que haviam acabado de chegar. A última coisa em que ambos poderiam pensar agora era em comida. Sua fome era outra.

- Você gostou do rodeio? - Joe perguntou ao tomarem a estrada.

Ele não a tocara mais desde que haviam deixado o baile e também não lhe dissera palavras românticas. Parecia agir com naturalidade, embora estivesse fumando como uma chaminé. Demi sentia-se em fogo, porém tentava não deixar transparecer o quanto a proximidade de seus corpos a atordoava.

- Eu gostei muito. Mas nunca havia imaginado que pudesse ser um esporte tão complicado.

- Quando se tem alguns conhecimentos, fica bem mais fácil entender.

Para a sua própria e completa surpresa, Joe sentia-se nervoso. Demi não era como as outras mulheres que havia conhecido. Ela era muito, muito especial e ele queria lhe proporcionar uma noite inesquecível.
Demi debatia-se num turbilhão de emoções desencontradas. Parte de si queria desistir e retroceder, enquanto a outra metade desejava o homem ao seu lado com um ardor desesperado. Ele a havia despertado para a vida e ela seria capaz de lhe dar qualquer coisa que lhe fosse pedida. Também seria covardia desistir agora, depois de ter deixado tão clara a sua vontade de ser possuída.

- A cabana é logo ali - Joe falou tentando esconder a ansiedade. - É uma construção muito velha, porém bastante usada pelos homens da fazenda durante o inverno, quando trazemos o gado para pastar nesta região. A aparência exterior pode não ser grande coisa, mas é bem conservada por dentro. Você vê – ele falou abrindo a porta e acendendo a luz -, temos até eletricidade!

O interior da cabana era composto por um quarto, pequena cozinha, banheiro e uma sala minúscula com lareira e duas cadeiras. A cama de casal estava arrumada e imaculadamente limpa. Percebendo para onde o olhar de Demi se dirigia, Joe apressou-se a dizer:

- A roupa de cama é trocada toda semana e mantemos a cozinha abastecida com algumas provisões.

Ele calou-se e fitou-a com paixão, o coração batendo descompassado. Demi estava trêmula, os lábios entreabertos num convite mudo. Ela parecia tão jovem, doce e vulnerável!
Joe tirou a camisa, sem deixar de fitá-la, e aproximou-se devagar, com a segurança de um homem que se sabe sensual e desejado. Ele tomou-lhe as mãos frias e as colocou sobre o peito, murmurando com a voz rouca:

- Me toque, me sinta, me ame...

A sensação de ter a pele nua acariciada por aquela mulher era algo indescritível. Seu corpo ficou rígido no mesmo instante, todos os seus sentidos aguçados, prontos para o ato do amor.

- Oh, Demi, eu nunca desejei uma mulher tanto assim!

As palavras dele a emocionaram. Era estranho como um homem com a sua reputação pudesse se mostrar tão vulnerável ao toque de uma virgem. É claro que ele não sabia que ela era inocente e portanto sem experiência nos jogos amorosos.
Talvez  Joe estivesse  cheio  de  expectativas,  esperando  encontrar  uma  parceira  à  altura  do  seu desempenho na cama.
Ela hesitou apenas por um segundo, insegura quanto ao que deveria fazer, e então entregou-se às carícias com total abandono.
Joe beijou-a com sofreguidão, sugando-lhe a língua num ritmo sensual e alucinante. Demi sentiu os joelhos fraquejarem e precisou se agarrar aos braços dele para não cair, gemendo de prazer. Enlouquecido com a reação que acabara de despertar, ele pressionou-a ainda mais de encontro a si, forçando-a a sentir a rigidez da sua virilidade. Demi não se retraiu e embora soubesse que não devia ter deixado as coisas chegarem a tal ponto, já não tinha forças para resistir. Nunca havia experimentado um prazer tão profundo e ansiava por muito mais.
Joe estava a ponto de perder o controle e, mesmo se quisesse, seria impossível parar agora. Tudo o que queria era estar dentro dela, possuí-la enfim.
Ele tomou-a no colo e depositou-a sobre a cama, ambos estremecendo de desejo. Com gestos rápidos, a despiu e inclinou-se para beijá-la na parte interna da coxa, fazendo-a gemer de prazer. Com extremo cuidado, tomou um dos mamilos entre os dentes, sugando-o com volúpia, enquanto a acariciava no ventre, descendo, imperceptível e inevitavelmente, até o ponto macio e quente da sua feminilidade. Demi arqueou o corpo, deixando escapar gemidos incoerentes, perdida num turbilhão de sensações.
Joe se recusava a pensar por que ela havia se excitado com tanta facilidade ou por que se mostrara surpresa ao vê-lo nu, como se o corpo masculino fosse uma novidade.
Seu desejo era intenso demais e parecia cegá-lo para os sinais evidentes da inocência de Demi. 
Ao percebê-la hesitante, diante do tamanho da sua ereção, ele procurou tranqüilizá-la: 

- Imagino que um amante novo deve deixar uma mulher insegura. Não precisa ter medo, você será capaz de me receber. O corpo feminino é um milagre - ele murmurou. - Flexível, macio, vibrante.

Os beijos se sucediam, as carícias tornavam-se cada vez mais ousadas, porém quando Joe separou as pernas dela, Demi se retraiu.

- Não faça assim, querida. Eu te quero muito, mas se você ficar tensa, vai doer.

Ela nada respondeu, pois sabia que iria sentir dor, mesmo que procurasse relaxar. Era tarde demais para contar-lhe a verdade, porque Joe já estava a ponto de penetrá-la.
Ele a beijou com ternura no pescoço, na boca, nos seios, enquanto murmurava:

- Quero possuí-la agora. Não... não feche os olhos. Olhe para mim. Veja nossos corpos se unirem, se tornarem um.

Joe gemeu e trincou os dentes, tentando conter-se mais um pouco, procurando segurar a explosão final.
Demi enterrou as unhas nos braços dele, engolindo as lágrimas que a dor da penetração lhe causava.
A sentir a barreira ceder, Joe fez novas investidas, penetrando-a ainda mais fundo, enlouquecido de prazer. Ele gritou o nome dela e se soltou num abandono total, o corpo sacudido pelas convulsões do êxtase.  
Seu prazer foi intenso, poderoso e por nada deste mundo teria sido capaz de evitar o que acabara de acontecer.
Demi sentia-se aturdida pela experiência vivida.
É claro que, no dia seguinte, a vergonha e a dor pelo que havia feito seriam quase insuportáveis. Mas agora tudo o que queria era senti-lo perto de si por mais alguns instantes:  vulnerável,  sem  reservas,  indefeso.  Queria  poder  dizer-lhe  que o  amava, porém  sabia  ser impossível, pois ele iria odiá-la ainda mais, especialmente porque já deveria ter percebido como fora enganado.
Joe fitou-a depois de alguns segundos, ainda entorpecido pela potência do orgasmo. Cada fibra do seu ser estava plenamente saciada, mas ele sentia que de alguma maneira falhara. Sim, havia experimentado um prazer absoluto, porém Demi não atingira o clímax, os seios dela ainda estavam intumescidos, os mamilos eretos.
Como gostaria de fazer amor outra vez, de levá-la, enfim, ao êxtase, já que talvez a dor da primeira vez houvesse sido muito grande, impedindo-a de relaxar. "Primeira vez!" Meu Deus!, ele pensou, assustado, "Demi era virgem! Eu fui o seu primeiro homem!" Abalado com a descoberta, Joe tentou beijá-la num gesto de carinho, mas ela virou o rosto cheia de vergonha e temor.
Achando-se rejeitado,  ele  se levantou  sem  dizer  uma palavra e começou  a vestir-se, sentindo-se arrasado. Seu desejo havia sido tão forte que não conseguira se conter o tempo suficiente para que Demi pudesse alcançar o êxtase também. Fora a primeira vez que isso acontecera. Nunca, até então, experimentara um desejo tão urgente que o impedisse de esperar pela excitação total da parceira. Ele não tivera tempo de satisfazer Demi porque estivera a ponto de perder a razão, atordoado pela força do seu instinto. Agora sim, podia compreender por que ela se mostrara assustada, reticente. E não havia necessidade de olhar para a leve mancha de sangue no lençol para ter certeza de que possuíra uma mulher virgem. Joe sentia-se culpado pela própria falta de sensibilidade.
Talvez se a houvesse desejado menos pudesse ter sido capaz de interpretar os sinais evidentes da sua inocência, porém havia perdido a cabeça e se comportado como um adolescente apaixonado. Aquela que deveria ter sido a experiência mais bela da vida de uma mulher havia custado a Demi não só a castidade, como a ausência de prazer. E como o seu sentimento de culpa não bastasse, ela ainda se mostrava arrependida, como se tivesse cometido o pior dos pecados.
Joe virou-se de costas enquanto Demi se vestia e, ao voltar-se, ela já estava sentada na beira da cama, o corpo trêmulo, o olhar acuado.
Ele acendeu um cigarro, tentando controlar o tremor das mãos, sem conseguir suportar a dor estampada naquele rosto delicado. Fora por causa do seu egoísmo que uma noite que deveria ter sido única, perfeita, terminara em ruínas.

- Droga! - ele explodiu afinal. - Você mentiu para mim! Você me disse que era experiente, quando não passava de uma virgem!

Ela se encolheu e fechou os olhos, magoada demais para se defender. E nenhum dos dois viu uma figura que os observava pela janela e que depois montou no cavalo e se afastou a galope.

- Por que você fez isso? - Joe insistiu.

- Porque eu queria conhecê-lo melhor.

- Bem, então você conseguiu, não é mesmo? - ele falou com crueldade.

Demi tentou conter as lágrimas, sem sucesso. Ela merecia toda aquela raiva e desprezo. Por causa da sua mentira, ele não havia sentido necessidade de ser mais gentil, mais delicado, e dera vazão aos impulsos incontroláveis do corpo.
Só tinha a si mesma a quem culpar pelos acontecimentos daquela noite e o que era pior: não havia tomado qualquer precaução e nem pedido a ele que o fizesse. É claro que as suas chances de engravidar eram pequenas, porém existia sempre uma possibilidade. E depois de toda essa vergonha, ainda teria que conviver com uma consciência culpada.
Joe deu-lhe as costas, envergonhado das palavras que acabara de dizer. Nunca mais poderia fitá-la sem odiar a si mesmo pelo que fizera.
Incapaz de perceber que Joe culpava apenas a si, e não a ela pelo acontecido, Demi trancou-se num silêncio angustiado.

- É melhor irmos embora - ele falou friamente.

Ao  chegarem  à  casa  dos  Manley,  Demi desceu  do  jipe  e  caminhou  até  a  varanda  parecendo perfeitamente controlada, embora tivesse o coração em frangalhos.

- Você está bem? -Joe perguntou forçando-se a pronunciar as palavras com naturalidade.

- Estou ótima.

- Demi, o que eu disse na cabana...

-  Não  tem  importância.  Preciso  entrar  agora.  Sinto  muito...  pelo  que  aconteceu.  Eu  não  estou acostumada a beber.

- Então foi por causa da cerveja? Você estava bêbada? - ele perguntou com ironia, querendo ouvir uma negativa, querendo ouvi-la dizer que havia sido porque o amava.

- Adeus, Joe - ela murmurou com suavidade, sem conseguir sentir raiva do homem que a seduzira. Afinal, ele fora encorajado.

- Não é um pouco prematuro dizermos adeus?

- Vou embora amanhã. Você não precisará temer que eu me comporte como Dale... e fique sempre à sua volta, tentando chamar a sua atenção.

Joe permaneceu imóvel por um longo tempo contemplando a porta que havia se fechado, sentindo-se vazio, sozinho e envergonhado. Por que havia agido daquela maneira, culpando-a de ser casta? Demi era uma mulher doce, sensível, com uma consciência delicada. Talvez ela julgasse que dormir com um homem fosse pecado mortal, já que estava sempre falando de religião. Por que ele não fora capaz de perceber a realidade? Se tivesse sabido a verdade, poderia ter parado a tempo e controlado a paixão que o consumia.
Entretanto, o desejo fora forte demais e continuava sendo. O que ele sentia por Demi era algo novo, poderoso. Como poderia continuar vivendo se ela abandonasse Pryor? 

Joe se  amaldiçoou  mais  uma  vez  por  sua  impetuosidade.  Demi iria  embora  e  não  lhe  daria oportunidade de desculpar-se, de explicar-se. Não que a culpa fosse toda sua, afinal ela o desejara também. Mas o que a teria motivado a entregar-se? Teria sido desejo? Solidão? Curiosidade? Ou será que ela nutria algum sentimento em relação a ele? Seria possível ser amado por alguém tão especial? Não seria sonhar alto demais, especialmente depois da sua conduta insensível?
Contudo, a razão lhe mostrava que Demi já estava com vinte e cinco anos, dizia-se moderna e talvez tivesse apenas se cansado de ser virgem. Embora não gostasse de pensar nesta possibilidade, era algo que devia levar em consideração. Joe ligou o motor do jipe, mas não se afastou. Pela primeira vez na vida não tinha coragem de ir embora sem olhar para trás. Queria um sinal de esperança, porém tudo o que via era a escuridão.
Dentro de casa, Demi foi para o quarto evitando fazer barulho. Ela tomou um banho quente, tentando lavar do corpo qualquer vestígio de Joe Jonas, já que não podia arrancá-lo do coração. Sentia-se esgotada, amarga, entretanto não teria coragem de contar a Winnie o que lhe acontecera. Precisava pensar rápido numa desculpa que explicasse a sua decisão súbita de partir.
Por nada deste mundo poderia continuar em Pryor, sabendo que Joe a odiava. Mesmo o horror pelo qual passara e o medo de ser caçada pela imprensa não se comparava ao pavor de ver Joe outra vez. Sua mentira o havia enraivecido e não havia como voltar atrás no tempo e desfazer todos os mal-entendidos.
Demi deitou-se  e  procurou  relaxar,  porém  não  conseguia  dormir. Os  acontecimentos  recentes atormentavam lhe a alma e ao pensar na cena da cabana, tinha vontade de morrer. Joe estava com a razão, fora tudo culpa sua. Ela desprezara os conselhos de Winnie, ignorando os perigos de uma atração sexual forte. Nunca se julgara capaz de desejar um homem com uma intensidade suficiente para fazê-la esquecer-se dos seus princípios morais. Agora teria de conviver com o peso da sua consciência. O fato de amar Joe não justificava o seu comportamento, a sua entrega total.
Demi levantou-se antes do sol nascer e arrumou as malas. Depois de tudo pronto, vestiu-se e desceu para o café da manhã, chamando pela sra. Manley. Mas não havia ninguém em casa, apenas um bilhete de Winnie sobre a mesa: "Fui para o hospital. Dwight feriu-se num acidente." Demi pegou o catálogo telefônico e imediatamente ligou para o único hospital da cidade. Depois de identificar-se, pediu notícias de Dwight à enfermeira de plantão. E ao desligar sabia que seria impossível partir. O noivo de sua melhor amiga estava na UTl e corria risco de vida. Nunca teria coragem de abandonar Winnie num momento como este, mesmo que para isso precisasse enfrentar o ódio de Joe.

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Heeeeeeey, postando rapidinho e correndo pq tenho q terminar minha maquete! Comentem! Respostas aqui'
Um beijo e um cheiro! Amo vcs <33

10 comentários:

  1. e.e eu sou a Primeira Uhull... Serio ? ñ acredito que a demi vai embora....Posta logoo

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    1. rlx, rlx... ddgsfs postado, mozona ♥

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  2. Mas o Joe ta com raiva dela? D:
    posta mais.

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  3. A Demi podia encontrar um boy para deixar o Joe com ciúmes kkk
    posta logo *-*

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  4. eita porra, eita porra!
    tô no chão, não sei se choro...
    ou se me jogo da ponte :"(
    caramba, esse cabra do mato é durão mesmo!
    vai ter que se ferrar pra depois correr atrás dela, né? é isso.
    coitada da demi, chorei junto com ela... caramba!
    enfim, continua tudo perfeito... bjos e posta logo'
    p.s: eu espero até você puder fazer o layout, o,k? :)
    te amo.

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    1. psé!
      parece q sim...
      obg <3
      postado!
      bjs, amo vc tb ♥
      ps: pode deixar, vou tentar fazer no fds ;)

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  5. Tbém acho que tinha que ter alguém rondando a Demi, pra ver se ele da um jeito e assume o que sente por ela. Certeza que ela vai engravidar...... ele não pode deixá-la embora de jeito nenhum..... postaa.....

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