3.11.14

Perigosa Atração - Capítulo 6

 

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Joe estava surpreso com a intensidade da atração que sentia por Demi. Ele havia planejado esperar alguns dias antes de procurá-la outra vez, pois queria fazê-la sentir a sua falta. Entretanto, por mais que tentasse não conseguia tirá-la da cabeça e daí a dois dias a saudade era, incontrolável.
Incapaz de resistir por mais tempo, ele pegou o jipe e se dirigiu à residência dos Manley. Demi estava cuidando do jardim e parecia encantadora em seu short e miniblusa cor-de-rosa.

- Então Winnie pôs você para trabalhar? - Joe falou aproximando-se com um sorriso.

- Oi! - ela murmurou enrubescendo ao notar que ele a examinava da cabeça aos pés.

- Belas pernas as suas.

- Obrigada. Você está procurando pela sra. Manley ou por Winnie? Elas tiveram que ir ao centro da cidade...

- Eu vim apenas para vê-la, doçura. E mal posso acreditar na minha sorte ao encontrá-la aqui, sozinha.

- É mesmo?

Joe a puxou para junto de si, aninhando-a de encontro ao peito, beijando-a com ternura e paixão. Demi correspondeu com todo o seu ser, entregando-se às sensações que a atordoavam.

- Hum... sobremesa antes do almoço - ele murmurou. - Você tem um gosto adocicado. 

- É que eu acabei de comer uma fatia de rocambole.

- Não foi exatamente isso o que eu quis dizer. Será que poderíamos ir a Hardin amanhã? Sairíamos por volta das nove horas.

- Oh, claro!

- Ótimo. Está combinado então. É melhor que você use calça jeans e botas, pois o terreno da reserva é bastante acidentado, além da possibilidade de depararmos com algumas cobras.

- Farei isso - Demi respondeu com um sorriso luminoso.

- O que você está plantando aqui?

- Flores. Detesto ficar a toa e me ofereci para fazer o serviço. Gosto de trabalhar.

Joe pensou nas mulheres com quem costumava sair. Todas gostavam apenas de se embonecar e nenhuma delas parecia o tipo de se entreter com jardinagem. Sua mãe fora uma jardineira entusiasmada, porém ela era alguém especial... assim como Demi. 

- Você possui um jardim na sua casa?

- Sim - Demi respondeu com tristeza. - Eu tinha um canteiro onde plantava vegetais. Mas agora ele... está arruinado.

- Sinto muito. Não creio que a mãe de Winnie plante legumes.

- Não, ela aprecia flores.

Demi ficou em silêncio por alguns segundos apreciando a figura do homem à sua frente. Joe era intensamente viril, e suas roupas no estilo western acentuavam ainda mais a beleza máscula.

- Você parece um modelo. E muitas mulheres já devem ter lhe dito o quanto é bonito.

Joe sorriu antes de responder com um ar divertido:

- Sua espertinha! Acertou no meu ponto fraco.

- Você podia ter me telefonado. Isso é, não precisava ter se dado ao trabalho de vir até aqui apenas para combinarmos a nossa ida a Hardin.

- Eu sei. O caso é que eu queria vê-la. É melhor eu ir andando agora. Tenho trabalho a fazer. Pego você  amanhã, às nove.

- OK.

Joe afastou-se e deu partida no jipe sem olhar para trás. Demi sentia-se um pouco incomodada com esta atitude que lhe parecia típica de um homem capaz de abandonar uma mulher sem pensar duas vezes, um homem que não queria comprometer-se.
Mas talvez ela tivesse sorte e conseguisse prendê-lo junto a si. Talvez Joe pudesse vir a amá-la algum dia. Afinal, muitas vezes, a atração sexual é o começo de um grande amor. Mas não, o melhor seria não alimentar falsas esperanças e ver as coisas de uma maneira realista. O fato dele ter vindo procurá-la pessoalmente não significava que ela fosse alguém especial. Talvez tanta gentileza não passasse de uma tática de sedução. Entretanto, fossem quais fossem os planos de Joe, ela não conseguiria resistir-lhe, mesmo se quisesse.
No dia seguinte Demi aprontou-se com entusiasmo e à hora combinada Joe chegou. Ele vestia calça jeans, botas, camisa xadrez e chapéu de abas largas, o que acentuava ainda mais a sua beleza viril.

- Achei que você iria se esquecer de usar chapéu, por isso trouxe-lhe um - ele falou tão logo entraram no jipe.

- Obrigada pela atenção...


- Tenho que tomar conta da minha garota preferida.

Joe nunca havia encontrado alguém como Demi. Ela não era exigente, petulante ou dada a amuos. Estava sempre de bom humor e o seu sorriso iluminava o dia como um raio de sol.

- Você sentiu saudades minhas? - ele perguntou com suavidade.

- Oh, sim, muitas.

- O mesmo aconteceu comigo, raio-de-sol. Você tem sido um bom remédio.

- Remédio?

- Nem todos os medicamentos são para o corpo; alguns curam a alma. Nesta parte do mundo, tempos atrás, os índios costumavam fazer uso de certos "remédios" antes da batalha com a finalidade de proteger seus corpos e ajudar seus espíritos a encontrar o caminho da vida depois da morte. Havia remédios para o bem e para o mal, ambos igualmente potentes. Eles costumavam usar talismãs, que julgavam capazes de protegê-los dos inimigos.

- Eu acho este assunto muito interessante. Obrigada por estar me trazendo a Hardin. Eu sempre quis conhecer o famoso campo de batalha.

- O prazer é meu. Não creio que você ficará desapontada.

E Demi não ficou. Havia um museu a ser visitado e passeios pelos arredores com a companhia de guias especializados. Ela observou que Joe evitava os grupo de turistas barulhentos enquanto se dirigiam ao enorme monumento onde estavam gravados os nomes de todos os soldados mortos na batalha que ali fora travada anos e anos atrás.

- Nós estamos na terra que um dia pertenceu aos Crow - ele explicou-lhe apontando para um pequeno riacho que cortava a ravina. - Um pouco além daquelas árvores, quando se travou a batalha final, ficaram acampados um bando de Cheyenne e várias tribos dos índios Siouxs: os Blackfoot, Sans Arc, Brule e os Minneconjo. Eram milhares de índios e foi aqui que Custer tombou, juntamente com o irmão, o cunhado e o sobrinho. Ele levou tiros no peito e numa das têmporas.

- Certa vez eu li que ele havia se suicidado.

- É pouco provável. Se você ler o livro que Custer escreveu, “Minha Vida Nas Planícies”, poderá perceber que ele não era um tipo suicida. Um dos seus biógrafos afirma que Custer foi morto aqui, com uma bala no coração e outra na têmpora esquerda. Os índios tinham o costume de atirar nos seus inimigos muito de perto, para ter certeza de tê-los matado. Se foi Custer quem realmente morreu na ravina, isso explica o fato dos soldados terem perdido o ímpeto, agarra, entregando-se ao desespero por verem-se sem seu comandante. Os homens eram jovens demais, inexperientes, e poucos haviam visto um índio sequer antes daquela batalha.

- Acho que deve ter sido algo aterrador.

- E você não sabe nem da metade, doçura. Todos os índios tinham os rostos e os corpos pintados para a guerra e atacavam com uma fúria selvagem, algo capaz de assustar uma companhia formada basicamente por rapazes que mal haviam deixado a infância.

- Você mencionou apenas os Sioux e os Cheyenne. Os Crow não lutaram?

- Embora esta terra pertencesse aos Crow, eles se aliaram aos soldados pois perceberam que a derrota dos índios viria, mais cedo ou mais tarde. Os Sioux e os Cheyenne eram inimigos dos Crow, antes mesmo da chegada dos homens brancos. Mas posso entender por que todas aquelas tribos lutaram com bravura na defesa desta terra, para mantê-la intocada pela civilização. Esta era uma terra de Deus.

- Sim, tudo aqui é lindo.

- Você gostaria de dar uma volta pela ravina?

- Será que, poderíamos?

- Claro! Há uma trilha. Mas a partir de agora é melhor ficar atenta por causa das cobras.

Joe conduziu-a pela ravina, agora tomada pelas sepulturas dos homens mortos na batalha histórica. Ele parecia conhecer todos os nomes e parou por alguns segundos diante de uma cruz.

- Meu tataravô - ele falou sorrindo. - Está surpresa? Bem, agora você entende por que eu sei tanto sobre aquela batalha. A minha tataravó mantinha um diário que agora pertence a mim. A última anotação que ela fez corresponde à noite que antecedeu o ataque da 7ª Cavalaria. É provável que ele também tivesse um diário, mas as mulheres índias vasculharam o campo após a batalha e pegaram tudo o que lhes pudesse ter alguma utilidade: relógios, pistolas, roupas, selas, botas. Os índios arrancavam as solas das botas e usavam o couro para outros fins.

- Fale-me sobre o seu tataravô.

Joe contou-lhe a história em detalhes, dizendo também que há pouco mais de um ano uma equipe de arqueólogos havia passado algum tempo na área à procura de artefatos que pudessem ter ficado enterrados no chão. Um grupo de voluntários ajudara na busca, e Joe fora um deles.
Depois do passeio eles, resolveram almoçar no restaurante local e visitar a loja de
souvenirs.
Demi estava encantada com a criatividade dos trabalhos expostos e Joe insistiu em comprar-lhe um par de brincos feitos pelos índios da reserva.

- Você sabia que era possível saber a qual tribo um índio pertencia apenas pelo corte de cabelos e pelos brincos que usava? - Joe perguntou-lhe tão logo tomaram o caminho de volta.

- É tudo fascinante! Nunca pensei que pudéssemos partilhar esse mesmo interesse. A contribuição dada pelos índios à nossa História é algo inegável.

Joe não cabia em si de contentamento. Nenhuma de suas antigas namoradas jamais mostrara qualquer entusiasmo ao ouvi-lo falar da famosa batalha e da sua influência nos rumos tomados pelo país. Demi não apenas  o  ouvira  com  atenção,  como  também  demonstrara  conhecimentos  profundos  sobre  a  cultura indígena, especialmente a respeito dos Mayan.

- Você conhece o assunto tão bem quanto eu. Onde aprendeu tudo isso?

- Eu leio muito e mantenho os ouvidos bem abertos a quaisquer informações. O passeio foi ótimo, Joe. Obrigada, eu me diverti demais.

- Eu também. Acho melhor nos despedirmos aqui - ele falou estacionando o jipe. - A sra. Manley e Winnie podem ficar chocadas com os nossos beijos.

Ele buscou os lábios de Demi com avidez, o corpo ficando rígido de desejo no mesmo instante.

- Você me deixa em fogo... Pare de usar sutiã, ele está sempre me atrapalhando
.
Ela tentou dizer alguma coisa mas foi impedida por um novo beijo, demorado e exigente. Joe desabotoou lhe a blusa e o sutiã, expondo os seios intumescidos e firmes aos seus olhos ávidos.

- Você é macia como seda e tão perfeita quanto eu a imaginava.

Num movimento instintivo ela arqueou as costas oferecendo-lhe os mamilos eretos, sequiosa por sentir os lábios dele na sua pele nua.
Joe estava a ponto de tocá-la quando percebeu a cortina se afastar numa das janelas da casa.

- Não posso beijá-la agora - ele falou baixinho. - Parece que temos uma audiência.

- Oh...

- Nós nos daremos bem na cama. Você sabe disso, não é mesmo?

- Sim... - Demi murmurou pensando que devia contar-lhe a verdade enquanto ainda havia tempo. Porém não tinha coragem.

- Não vou apressá-la, mas eu não esperarei muito mais. É melhor você entrar, pois seu anjo da guarda a está esperando. Ela não vai desistir de vigiá-la?

- Winnie está relaxando um pouco. Afinal vai casar logo.

- É, eu sei. Isso é algo que nunca acontecerá comigo. Você sabe disso, não é? Gosto da sua companhia e acho que nos completamos fisicamente. Mas não vou mentir, prometendo-lhe um futuro juntos. Sou um solteirão convicto.

- Sim, eu sei.

Casamento estava definitivamente fora dos seus planos, portanto não valia a pena alimentar falsas esperanças. Seu passado já era algo que o atormentava o suficiente e além do mais não pretendia ter filhos, pois não queria passar a herança genética que recebera do pai.

- Venho apanhá-la amanhã à noite para irmos ao rodeio. Eu sei que havia lhe dito que iríamos na semana que vem, porém não quero esperar muito. E você?

- Eu também não.

- Estarei aqui às seis. Boa noite, coisa linda.


- Boa noite. Obrigada pelo passeio e pelos brincos.

- Eles combinam com você. Até amanhã.

Mais uma vez Joe foi embora sem olhar para trás, deixando-a de pé na varanda, apaixonada e confusa.
Demi entrou em casa no momento em que Winnie estava pondo o jantar na mesa.

- E então, você se divertiu?

- Muito. Joe conhece a fundo a história dos índios desta região.

- É verdade. Ele não a aborreceu? Marie diz que está cansada de ouvi-lo falar neste assunto.

- Mas eu adorei ouvi-lo! Achei tudo fascinante.

- Puxa, eu não sabia deste seu interesse. Agora venha jantar.

Ao deitar-se naquela noite, Demi ficou pensando no que devia fazer. O melhor seria contar a verdade a Joe.
A única coisa que a impedia de fazê-lo era o medo de não vê-lo nunca mais.
No dia seguinte, Demi já estava pronta duas horas antes do combinado. Ela havia se arrumado com capricho, escolhendo uma saia rodada azul clara e uma camisa do mesmo tom. Para completar, um suéter cor-de-rosa jogado sobre os ombros, uma vez que costumava esfriar à noite. Os cabelos foram presos num rabo de cavalo, dando-lhe um aspecto suave e juvenil.
A sra. Manley havia saído para um chá de bebê e Winnie tinha ido se encontrar com Dwight. Ela saíra sem dizer uma palavra de censura, pois parecia ter compreendido que a amiga estava apaixonada de verdade, e portanto não havia mais nada a fazer.
Joe chegou exatamente na hora que haviam combinado. Ele usava calça jeans preta, botas também pretas e camisa azul clara. O magnetismo que emanava daquela figura máscula era algo difícil de resistir e  Demi sentiu o coração disparar. 
Joe a fitou com possessividade, apreciando a beleza da mulher à sua frente. Olhar para Demi lhe dava prazer, estar em sua companhia lhe proporcionava paz. Precisava tomar uma atitude a esse respeito o quanto antes, pois não podia deixar se envolver como um adolescente apaixonado. O melhor seria levá-la para a cama tão logo quanto possível.
Quem sabe conseguiria voltar ao normal depois de possuí-la?
Era estranho, mas desde que conhecera Demi deixara de se preocupar com o fato de ser adotivo e com as mudanças que haviam ocorrido em sua vida. Ela lhe trouxera uma tranqüilidade que julgara impossível vir a sentir outra vez. Ao lado dela sentia-se capaz de vencer qualquer obstáculo, superar qualquer dificuldade. E esses sentimentos novos o perturbavam demais.

- Gosto da sua camisa e da saia também. Mas será que ela não vai cair sem um cinto?

- Eu perdi muito peso nas últimas semanas e não consegui achar o meu cinto.

O cinto, assim como a maior parte dos seus pertences, ainda estava na América Central. As lembranças amargas toldaram a alegria dos olhos de Demi por alguns segundos. Ser vista em público poderia lhe trazer problemas, caso se encontrasse com algum jornalista. Porém não queria pensar nesta possiblidade. O melhor seria não se preocupar e tentar se divertir.

- Onde está Winnie? - Joe perguntou olhando ao redor.

- Ela saiu com Dwight, você não sabia?

- Dwight não tem me posto a par da sua vida social nestes últimos tempos - ele falou com um sorriso irônico.

- Seu irmão poderia fazê-lo, se você não fizesse questão de dificultar a convivência entre ambos.

Joe teria esmurrado qualquer homem que ousasse fazer um comentário deste tipo, porém a maneira de Demi falar não o ofendia em absoluto. Tentando descontrair o ambiente depois do que acabara de ouvir, ele perguntou de repente:

- Você está de pé sobre algum buraco ou encolheu de ontem para hoje?

- Só estou usando tênis.

- Tênis? Estas coisinhas minúsculas nos seus pés delicados?

- Ninguém poderia descrever os seus pés dessa maneira.

- E a sra. Manley? Saiu também?

- Foi a um chá de bebê.

- É melhor irmos agora.

- Sim - Demi respondeu olhando-o com adoração.

Com movimentos lentos Joe a puxou para junto de si, estreitando-a num abraço cheio de delicadeza.
 Quando seus lábios se encontraram ela suspirou de prazer e se entregou às emoções.
Joe não conseguia pensar em mais nada. O ardor com que Demi correspondia ao seu beijo o estava deixando louco. Com dificuldade ele conseguiu parar de beijá-la e se afastou, tentando recuperar o controle.

- Talvez fosse melhor irmos para o rodeio já, enquanto ainda conseguimos nos controlar.

- Sim, você tem razão - Demi murmurou sem conseguir esconder o tremor da voz.

Eles caminharam até o jipe em silêncio, tentando aparentar naturalidade.

- Se você ficar por aqui mais algum tempo vou comprar um carro.

- Eu gosto do jipe e ele é indicado para seu trabalho na fazenda.

- É verdade - Joe respondeu fitando-a com curiosidade. Ela era uma mulher capaz de dizer-lhe as coisas mais inesperadas e dava-lhe a impressão de estar envolvida num mistério. O melhor seria não vê-la nunca mais, entretanto não conseguia ter forças para afastar-se. Fossem quais fossem as consequências precisava possuí-la pelo menos uma vez. No seu íntimo tinha certeza de que fazer amor com ela seria uma experiência única, diferente de tudo o que já havia experimentado. Ele a desejava com loucura e era tarde demais para voltar atrás.

- Você se importa se eu fumar? - ele perguntou ligando o motor do carro.

- Não. 

- Estou tentando parar, mas às vezes fico exasperado com certas coisas.

- Com o que, por exemplo?

- Com a vida, Demi.

- Eu sei que está sendo difícil para você. Porém o mais importante é seguir em frente. Nada dura para sempre. Nem mesmo a dor.

- Não aposte nisso.

- Talvez tudo ainda esteja muito recente. Afinal não se pode reconstruir a vida do dia para a noite. E tenho a impressão de que você não é um homem que saiba esperar pelas coisas com facilidade.

-Não, não sou mesmo - Joe admitiu sorrindo. - Mas não tenho muita escolha neste caso. E você, Demi? Você é uma mulher impaciente ou sabe esperar pelo o que quer?

- Sempre me ensinaram que a paciência está entre as maiores virtudes. Porém muitas vezes é difícil resistir à tentação de forçar os acontecimentos. Por outro lado, saber aceitar os fatos também não é muito  fácil.

- Todos nós somos humanos, não é mesmo? E há momentos em que nos sentimos incapazes de controlar o próprio destino.

- Pelo seu jeito de falar tenho a impressão de que você não costuma ir à igreja - Demi falou com suavidade.

- É verdade. Com o passar dos anos deixei de acreditar num Deus capaz de permitir que as pessoas sejam atormentadas.

- Ele não o faz. Nós é que atormentamos a nós mesmos. Ele nos ajuda, se o pedimos, porém cada um é responsável pelo próprio destino. Temos sempre escolhas a fazer, e as fazemos. A vida se encarrega do resto.

- E onde Deus entra nisto tudo?

- Ele nos deu liberdade de escolha - Demi respondeu com um sorriso. - Se fosse de outra maneira, Eva jamais teria dado aquela maçã suculenta para que Adão mordesse.

- Verdade? - Joe falou, rindo com gosto.

- Além do mais, há outras forças que movem o mundo, praticando o bem e o mal. Às vezes é difícil vencer as trevas, porém isso não significa que devemos desistir de tentar. É nos momentos duros que precisamos trabalhar com mais afinco.

- Você me faz pensar num padre que conheci anos atrás. Eu até que gostava de ouvi-lo falar.

- Por que você parou de ir à igreja?

- Eu não sei. Talvez porque não visse resultados práticos na minha vida. Freqüentar a igreja não resolvia os meus problemas.

- Ir à igreja não resolve os problemas de ninguém, apenas ajuda-nos a lidar com eles. A religião não torna as pessoas imunes ao sofrimento ou aos momentos difíceis.

- Foi isso o que eu descobri. Eu costumava esperar milagres.

- Mas os milagres estão à nossa volta. Eles acontecem todos os dias.

- Será?

- Oh, sim - ela respondeu com convicção.

Como gostaria de contar-lhe que estava viva por causa de um milagre, que a mão de Deus a havia socorrido no último instante.
Depois de alguns minutos de silêncio, Demi perguntou:

- Nós não vamos atravessar o Shoshone Canyon desta vez?

- Não. Vamos na direção noroeste, direto para Cody, sem passar pelo túnel. Você já esteve num rodeio antes?

- Uma ou duas vezes, no Arizona. É um esporte muito perigoso, não é?

- Mais do que um vaqueiro já perdeu a vida numa arena. É preciso apenas um segundo de descuido, um lapso na concentração para ser chifrado por um touro, pisoteado por um cavalo ou atirado para longe com violência... Não é um jogo para cowboys de asfalto.

- E eles costumam aparecer por aqui?

- Num dos rodeios do ano passado veio um rapaz da cidade disposto a se exibir. Ele se considerava o máximo, alguém acostumado a montar touros mecânicos e portanto pronto para enfrentar um animal de verdade. O infeliz montou Old Scratch, um touro feroz que em setenta e oito tentativas nunca fora dominado por um vaqueiro.

- O que aconteceu?

- Dois segundos depois de montar, ele já havia sido atirado no chão, quebrando uma costela e a clavícula. Pelo que eu soube mais tarde, o rapaz decidiu abandonar a arena e se dedicar à antiga profissão: vendedor de sapatos numa loja de departamentos.

- Oh, pobre homem!

- Pobre homem o quê! Quem não tem competência não deve se habilitar. Não se trata de um esporte para amadores.

- Você monta em rodeios?

- Você me considera velho demais para isso, doçura?

- Não - Demi respondeu sorrindo. - É apenas curiosidade. Imagino que os seus afazeres na fazenda tomem quase todo o seu tempo.

- Costumava ser assim, até que Dwight se apossou da administração.

- Dwight não me parece o tipo que tenha sede de poder. Estou certa de que ele se sente tão pouco à vontade quanto você com o novo arranjo das coisas.

- Ele herdou a parte administrativa da fazenda, o que odeia fazer, e eu estou às voltas com o gado, o que também odeio. Não que o trabalho físico me incomode, entenda bem. Só que enquanto eu cuido do controle dos animais, ele está prestes a cometer um suicídio financeiro.

- Por que vocês não discutem o assunto?

- Lá está Cody! - Joe desconversou.

Ele estacionou o jipe e ajudou-a a descer, pensando que há tempos não se abria tanto com alguém.

- Por que você não costuma falar muito sobre si mesma?

- Eu não poderia conhecer outras pessoas se passasse o tempo inteiro falando de mim.

- Vou descobrir tudo a seu respeito, garotinha. Você não perde por esperar - ele falou com um ar brincalhão.

- Estou morrendo de medo!

- Olá, Joe! Que surpresa agradável!

- Oi, Dale - ele respondeu secamente.

- Faz tempo que não o vejo. Por que você não me procurou?

- Se eu tivesse algo a dizer-lhe teria lhe procurado.

Dale se encostara em Joe, tomando ares possessivos, enquanto olhava para Demi com desdém: - É ela o motivo da sua ausência? Não se pode dizer que se trata de uma bela mulher.

- Desapareça. Agora! - Joe falou num tom ameaçador.

- Você não foi tão frio assim, numa certa ocasião.

- Eu tampouco estava sóbrio, lembra-se?

Incapaz de pensar numa resposta e percebendo que estavam atraindo a atenção, Dale se afastou perdendo-se na multidão.

- Eu sinto muito por este encontro desagradável - ele murmurou ao perceber o desconforto e a mágoa de Demi.

- É uma mulher muito bonita.

- Sim. Eu estava bêbado e ela estava querendo. Pensei que tudo acabaria naquela noite mesmo, mas Dale é persistente. Se eu soubesse que ela iria competir esta noite, não teríamos vindo.

- Ela é boa?

- Na sela ou na cama?

- Na sela, é claro.

- Você é mesmo diferente. Sempre esperei sarcasmo de uma mulher e é difícil me acostumar à sinceridade.

-Talvez o problema estivesse na sua escolha de mulheres.

Ele tinha que admitir que Demi não era como as outras. Ela não o atraía apenas fisicamente, sua personalidade também o fascinava.
Aquele fora o melhor rodeio a que Demi jamais assistira. Joe conhecia a maioria dos participantes e das provas, tendo prazer em explicar-lhe tudo o que acontecia na arena.

- Olhe só o cavalo! Graças a Deus ele não pertence à Triple N. Eu mesmo já levei um coice daquele animal.

- Mas você disse que não participava mais de rodeios!

- Não com freqüência. De vez em quando, depois de tomar algumas cervejas, é difícil resistir ao velho apelo da arena. Olhe! Lá vem um dos nossos animais! É Rocky Road! Ele é bravio e duvido que o vaqueiro vá conseguir ficar sobre a sela por mais do que alguns segundos.

- Oh, pobre homem! - Demi falou. - Lá vai ele para o chão.

- Neste esporte a gente paga e corre os riscos. Os vencedores fazem parte de uma minoria.

- Pode ser, porém eu sinto pena dos perdedores.

- Eu também, se você quer saber.

O próximo concorrente conseguiu manter-se na sela e Demi julgou que ele havia se saído bem, entretanto suas notas foram baixas.

- Mas ele não foi atirado no chão! - ela protestou.

- O cavalo não saltou o suficiente, querida. É preciso que o animal esperneie e que o vaqueiro mantenha uma mão no ar durante o tempo todo. A permanência sobre a sela tem importância relativa.

- É tão complicado!

- Se você assistir a mais alguns rodeios, logo poderá entender melhor os critérios usados pelos juízes.

Ela não conseguia se lembrar de já ter se sentido tão feliz ou tão cheia de vida; especialmente depois de Joe pegar na sua mão e mantê-la apertada nas suas.
Dale participou da última prova e Demi reparou que Joe não prestava a mínima atenção, como se a mulher na arena fosse uma desconhecida qualquer. E ao vê-la vencer ele sequer aplaudiu. Entretanto, ela era tão jovem e bela, tão cheia de alegria! Demi sentiu uma pontinha de inveja de tanta exuberância. Talvez fosse esse o tipo de mulher capaz de atrair o homem ao seu lado: nova, agressiva, sequiosa de intimidade e livre das amarras impostas por uma educação severa.
Ela sentiu-se triste de repente. Estivera sonhando acordada, imaginando que seria capaz de conquistar um homem como Joe. Ele gostava de beijá-la e de acariciá-la, porém não hesitaria em deixá-la, assim como fizera com as outras.
O pensamento a deprimia profundamente, embora Joe parecesse nada perceber.
Contudo, encontrar-se com Dale o havia deixado bastante perturbado. Ele mal se lembrava da noite que haviam passado juntos e sentia-se envergonhado do seu comportamento. O Joe de poucos meses atrás não teria escrúpulos em fazer amor com uma mulher bonita que demonstrasse vontade, mas desde que começara a sair com Demi passara a ter uma visão diferente das coisas. Seus sentimentos estavam confusos e às vezes sentia uma culpa em relação a ela que não sabia explicar. Demi parecia ver apenas o lado bom das pessoas e das coisas, como se não reconhecesse a existência do mal.
Ela era compreensiva, delicada, de uma sensualidade misteriosa e reservada. Era estranha a timidez com que havia reagido às suas carícias mais íntimas. Talvez ela houvesse dormido com o tipo errado de homem.
Ao imaginá-la na cama, Joe sentiu o coração disparar, o corpo vibrar de excitação. Dormir com Demi seria como possuir uma virgem.
Quando a festa terminou eles puseram-se a caminho do estacionamento, porém foram abordados por Dale mais uma vez.

- Você não vai me dar os parabéns? - ela perguntou com um sorriso sedutor.

- Claro. Parabéns - ele respondeu colocando um braço ao redor dos ombros de Demi e puxando-a para si. - Nós dois achamos que você foi ótima. Não é mesmo, querida?

- Sim, você foi muito bem - Demi falou com delicadeza, esforçando-se para sorrir.

Dale sentiu-se desconfortável com a suavidade de Demi. Ela não sabia como reagir à falta de hostilidade feminina.

- Obrigada. Vocês pretendem ir ao baile?

- Talvez - Joe respondeu.

- Você não vai me apresentar à sua amiga? - Dale insistiu.

- Esta é Demetria Lovato. Uma grande amiga de Winnie.

- Prazer em conhecê-la. Eu sou Dale Branigan. Você vai ficar por aqui muito tempo?

- Apenas uma semana ou um pouco mais.

Ela odiava ter que pensar em partir, porém não podia se impor aos Manley por muito tempo. Precisava voltar ao Arizona e enfrentar a realidade que a aguardava.
Joe ficou tenso. Até este momento havia tentado não pensar na partida de Demi, pois não queria encarar o fato de que ela iria embora.
Seus olhares se encontraram naquele instante e foi como se uma corrente elétrica atravessasse o ar: A atração entre ambos era tão palpável que Dale murmurou uma desculpa qualquer e se afastou, sem que qualquer um dos dois percebesse.

- Você quer ir ao baile comigo? - ele perguntou com a voz rouca, o corpo rígido de desejo. – Isso significaria ir para casa muito, muito tarde.

- Sim - ela respondeu sem hesitar.

Demi não queria ir para casa ainda, não queria dizer adeus. Tudo o que desejava era estar entre aqueles braços fortes. Estava apaixonada demais para se importar com as conseqüências.
Joe partilhava os mesmos sentimentos e estava decidido a ir até o fim.

- Está bem - ele murmurou - Para o inferno com as conseqüências. Vamos!

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Olááááááá ♥ td bem? eu vou bem, obg... estou mt atarefada, sos hsafdhdf Estão gostando? Comentem! Respostas aqui' Beijos, amo vcs ♥

6 comentários:

  1. AMEI, AMEI, AMEI!
    estou tão ansiosa pro hot deles, vai ter hot né?
    não sei se já perguntei isso, mas fazer o que?
    estou em chamas! kkkkkk *O*
    essa fanfic é tão perfeita...
    falta-me palavras para descrever o quanto estou gostando!
    beijos e posta logo <3

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    Respostas
    1. q gatinha ♥
      CLARO Q VAI TER! <3
      eita, lembrei de jogos vorazes!
      vdd, é sim ♥
      beijos e postado!

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