23.11.14

Apenas Amigos? - Capítulo 3

 

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Joe tornou a verificar as horas. Demi não chegava, e aquela preocupação o atormentava. Enquanto Kiki vivia se atrasando, tanto que quase perdeu o vôo naquela manhã, a pontualidade era sagrada para Demi. E eles deviam ter se encontrado no píer trinta minutos atrás. Elliott não sabia de seu paradeiro. Confessou ter estado o tempo todo verificando provas e trabalhos feitos por seus alunos. Como Demi, que tinha tanto interesse por tudo e por todos, podia considerar casar-se com alguém igual a ele?
Nada houve entre Joe e Kiki. Em vez de aproveitar a siesta para dormir, ela preferiu se trancar no banheiro para tratar da pele e cuidar das unhas.
Joe, por outro lado, empenhava-se em procurar tirar Demi da cabeça. “Não consigo pensar em ninguém mais com quem eu prefira partilhar minha primeira vez”, ela dissera.
Quantas vezes e com quantas mulheres Joe acabara na cama por causa de semelhantes insinuações? Mas jamais com Demi. Ela nunca antes o fitou com um convite naqueles olhos amendoados. Sua voz jamais antes adquiriu aquele tom rouco ao dirigir-se a ele, nem o abraçou como se abraçasse um amante. E se Joe tivesse algum juízo, teria seduzido Kiki durante a siesta e procurado esquecer a amiga de infância.

— Está vendo o que estou vendo? — perguntou Elliott.

Um movimento a distância chamou a atenção de Joe, que olhou naquela direção. Uma loira sensual vinha caminhando devagar pela praia, os cabelos cheios de trancinhas, à moda jamaicana. Por um instante, Joe notou algo um tanto familiar naquele caminhar confiante. De repente, mal conseguia respirar. Aquelas trancinhas, aquelas pernas... No espaço de um segundo, sua imaginação a pôs nua em cima dele, com aquelas pernas deliciosas envolvendo-o pela cintura.

— Demi de fato possui pernas fantásticas. 

Demi? “Demi?! O que...” Joe tirou os óculos escuros. Não admirava ele ter reconhecido seu caminhar. Tornou a colocar e a tirar os óculos, mal notando Kiki vindo junto com Demi.
Quando ela passou ao lado de uma quadra de vôlei de praia, o rapaz junto à rede se virou, desajeitado, para observá-la, de queixo caído. A bola acertou suas costas, atirando-o ao chão.

— Desculpem-nos pelo atraso. — Kiki passou o braço pelo de Joe.

— Nós nos encontramos a caminho daqui. — Demi sorriu. — E então? O que acharam de meu novo visual?

Havia  continhas  coloridas  presas  na ponta  de cada  uma das  tranças, que alcançavam seus ombros, o estilo acentuando as maçãs de seu rosto e os lábios cheios. A camiseta branca que usava sobre o biquíni oferecia um relance tentador dos seios perfeitos. Desde que chegaram à Jamaica, Demi não parava de surpreender Joe, revelando todo tipo de coisas novas sobre si mesma.

— Gostei. É muito diferente... — Elliott a estudava com atenção. — Ficou muito bem.

— Mas o que deu em você para fazer isso?! — No minuto em que disse aquilo, Joe se arrependeu.

No entanto, não estava acostumado àquela versão sensual de Demi despertando ainda mais suas fantasias.

— Ora, Joe, não seja bobo e diga o que achou!

“Droga, feri os sentimentos dela!” A fantasia que teve com Demi voltou-lhe à memória. O que ele achava? Bem, àquela altura, se revelasse a verdade, a assustaria. E a si próprio também.

— Desculpe-me, Demi, Só não estou acostumado a vê-la desse jeito. Esqueça o que eu falei. Você ficou linda.

— Também acho. Eu faria o mesmo se tivesse essa sua adorável estrutura óssea — comentou Kiki.

Elliott sorriu, e fitando o top do biquíni da namorada de Joe.

— Não vejo nada de errado com sua estrutura.

Kiki se envaideceu. As sobrancelhas de Demi arquearam-se sob os óculos de sol.
Elliott era um idiota, Joe decidiu. Por que flertava com Kiki diante de sua namorada, uma mulher tão adorável?
Demi gostava de planejar o próximo passo que daria, mas Joe se agarrava a qualquer oportunidade que se apresentasse. Kiki e Elliott...
Joe ficaria mais do que feliz em dar a Elliott corda bastante para que se enforcasse. Se o professor continuasse se insinuando para Kiki, ele não teria de se preocupar em ver Demi sendo conduzida pela nave da igreja para se casar um tolo. Tudo o que Joe precisaria fazer seria oferecer um pouco de encorajamento, atirar um nos braços do outro e apenas observar.
Elliott não merecia Demi, e Joe estava prestes a provar isso.
Claro que não pretendia levar as coisas adiante com a cientista. Uma semana de praia, sol e mar sem sexo era um preço pequeno demais a pagar, para evitar que Demi cometesse o maior erro de sua vida.
Joe atirou a chave do jet ski para Kiki.

— Você e Elliott ficam com o número vinte e sete. Nós ficaremos com o vinte e oito.
Entusiasmadíssima, Kiki montou no jet ski e acenou para Elliott.
— Vamos lá, estou ansiosa! Há muito tempo não pego um virgem.
Elliott acomodou-se na garupa e enlaçou Kiki. Dada a diferença de altura, suas mãos pousaram bem debaixo dos seios redondos. Kiki ligou o motor.
A brisa soprando do mar espalhava uma mistura potente de filtro solar e do perfume de Demi. O que estava havendo com ela naquele dia? Seria a atração pelo desconhecido que fazia o coração de Joe bater forte como o de um adolescente se preparando para o primeiro encontro? Quando se acostumasse com aquele seu novo penteado, talvez tudo se normalizasse.

— Eu diria que Elliott está bastante entusiasmado com Kiki, e ele ainda não bebeu... Não concorda comigo? — Demi indagou, o que soou com um toque de asperidade aos ouvidos de Joe.

Com  o braço pressionado junto à cintura de Joe, ela  acabava com  sua serenidade.
Kiki acenou de longe.

— Ei! Venham juntar-se a nós!

Joe também fez um aceno.

— Tem razão quanto a Elliott, Demi. Neste exato momento, ele parece apreciar muito o fato de estar agarrado a Kiki. E sou capaz de jurar que ela não se importa.

— Você se importa?

— Nem um pouco. Entre nós dois nada existe além de uns poucos encontros.

Joe não iria ficar sentado observando Demi cometer o maior erro de sua existência casando-se com Elliott. Conhecia bem aquela tolinha e sabia do que ela era capaz quando decidia seguir um objetivo à risca.

— Por favor, me ensine como pilotar esta coisa. — Demi reuniu as trancinhas e as segurou na nuca. — Vamos lá?

A última coisa que Joe queria era ver Demi competindo com Kiki por Elliott. Mas se ele, Joe, distraísse sua atenção, flertando com ela como fizera naquele dia no almoço... Bem, era o que sabia fazer de melhor, embora com Demi ele jamais tivesse tentado. Porém, conseguiria fazer aquilo. E se, no fim, ela desistisse de se casar com Elliott, essa seria a melhor das recompensas.
Demi tirou o frasco de protetor solar da sacola.

— Por favor, passe isto em minhas costas, Joe. Eu não alcanço, e Elliott não está aqui para me ajudar... — Tirou a camiseta e estendeu-lhe o vidro. — Não quero me queimar demais no primeiro dia. Na verdade, prefiro não me queimar. — Joe ficou paralisado. Que Deus o ajudasse... Em toda a praia, as mulheres usavam biquínis menores e bem mais reveladores, mas nenhuma ficara tão bem como Demi. Um lento calor começou a arder em seu abdome e se espalhou por todo o corpo. — Joe? — Ela balançou o frasco diante de seu rosto. — Vai me ajudar com isso ou terei de pedir ajuda aos jogadores de vôlei?

— De modo algum. Vire-se.

Joe derramou uma generosa quantidade de protetor solar na palma da mão e devolveu-lhe o vidro por sobre o ombro. Esfregou  as palmas e parou-as no ar.

“Controle-se, homem. Essa é Demi. E acabe logo com isso!”

No instante em que tocou a pele delicada ele se deu conta de que subestimara aquela  tarefa.  Suas  mãos  e  a  ponta  dos  dedos  pareciam  ter  vontade  própria, massageando, às vezes acariciando. Ainda bem, considerando que seu cérebro parara de funcionar.
Deslizou por sob a alça do biquíni. Demi estremeceu, e a resposta repercutiu dentro dele. Cuidando para não deixar um só centímetro de pele sem proteção, Joe correu as mãos por sua espinha, indo até abaixo da cintura.
Outro estremecimento dela. Demi era tão sensual, tão sensível a seu toque... E pensar que tocara apenas suas costas.
Joe conteve uma ânsia insana de escorregar as mãos por sob a calcinha do biquíni e massagear lhe as nádegas. Assim, sussurraria doces palavras em seu ouvido, até Demi ansiar por um lugar isolado naquela praia onde pudesse realizar sua fantasia com ele. Talvez se fosse outra mulher... Mas aquela era Demi.
E Demi queria apenas que Joe passasse creme protetor em suas costas, não que ficasse fantasiando a seu respeito.
Desse modo, Joe deixou cair as mãos e, mais uma vez, lembrou a si mesmo que aquela era sua melhor amiga. Amiga, e não mulher, advertiu à própria libido, à própria mente e a todas as partes de sua anatomia.
Demi o encarou.

— Já chega. Vamos? Não quero continuar virgem.

Joe teve de fazer força para não deixar escapar um gemido.
Demi verificou as horas. Onze. Após o vôo e toda a agitação da corrida de jet ski naquele mar azul-turquesa com Joe, devia estar exausta. Em vez disso, sentia-se mais cheia de energia do que nunca.
Apesar do horário, a noite continuava plena de promessas. No jardim, os pássaros  noturnos  cantavam  chamando,  um  ao  outro,  e  a  brisa  chegava  até  ali impregnada pelo perfume das flores e das ervas exóticas.
A ritmada música caribenha ecoava do clube dentro do hotel, o Jungle Room.
Demi passou o braço pela cintura de Elliott, seus quadris instintivamente respondendo ao ritmo. Animada, se ela dirigiu a Joe e Kiki.

— O que acham de dançarmos um pouco?

Kiki agarrou a mão de Joe e puxou-o em direção ao hotel.

— Excelente idéia! Vamos ao clube.

Elliott, após ter tomado três taças de vinho durante o jantar, demonstrou mais entusiasmo do que talento ao ensaiar alguns passos. Demi tentava acompanhá-lo e ria.

— Não sabia que você gostava de dançar, Demi — Joe comentou enquanto ele e Kiki os seguiam.

Demi notou, naquele dia que, por mais que ela e Joe se conhecessem, havia muito que desconheciam a respeito um do outro. Através dos anos, enquanto discutiam sobre  seus  respectivos  relacionamentos,  evitavam  qualquer  comentário  sobre  a sensualidade de cada um. Quando Joe passou protetor solar em suas costas, Demi descobriu um novo lado dele. E também de si mesma. Seu toque sensual quase a virou do avesso.

— Talvez existam duas ou três coisas sobre mim que você desconhece... — Demi lançou as palavras por sobre o ombro.

Por mais que tentasse manter uma entonação casual, não pôde evitar um toque sutil de provocação.

— Vocês são amigos há muito tempo, Demi? — Kiki quis saber.

— Vinte e quatro anos.

O volume da música aumentava à medida que se aproximavam do clube.

— E nunca se cansam um do outro?

“Nunca!” Joe era a pessoa mais interessante que Demi conhecia.

— Não.

— Não.

A resposta dos dois foi simultânea.
Elliott aumentou a pressão no ombro da namorada, puxando-a para mais perto.

— Demi pode não se cansar, mas eu, sim. Ele está sempre por perto. — Elliott se queixou para ninguém em particular. — Sem ofensa.

Joe achou graça do comentário.

— Fique tranqüilo, Elliott. Não me ofendo com facilidade.

— Vinte e quatro anos e vocês nunca...

— Nunca — Demi logo assegurou.

Não que Kiki se importasse, estava apenas curiosa. Era como se a amizade deles fosse uma esquisitice a ser dissecada. Talvez em outra noite e em outro lugar Demi tivesse ficado ofendida com a atitude da jovem. Mas não ali e naquele momento, quando o calor e o ritmo alucinante despertavam-lhe pensamentos lascivos.
Kiki parou a alguns passos da porta do clube.

— Vinte e quatro anos e nenhum dos dois jamais tentou? Desculpem-me, mas não dá para acreditar.

Em uma ou duas vezes, Demi também não acreditou. E, desde que chegaram à ilha,  sentia  a  tendência,  a  sutil  provocação  entre  ela  e  Joe.  No  entanto,  não confessaria aquilo só para alegrar Kiki. Balançou a cabeça, rindo da insistência dela.
Elliott interveio:

— Creia: eles são como dois irmãos.

Na claridade fornecida pela chama da tocha, Demi fitou Joe, o ar preso na garganta, o sangue correndo mais rápido nas veias. O olhar que ele lhe lançou deixou claro que a queria consigo.
Em um dia normal, aquela idéia a aterrorizaria. Mas não havia nada de normal, ou de racional, na noite jamaicana. Aquilo a excitou.

— Acho que minha irmã está querendo dançar.

Entraram no Jungle Room. O ar carregado de perfume e fumaça de cigarro os recebeu. Casais lotavam a pista. A melodia alta e de ritmo empolgante contagiou Demi, impedindo conversas e acabando com inibições.
Os  quatro juntaram-se à  multidão aglomerada, e  Demi  rendeu-se de vez, girando, ondulando, seu corpo respondendo ao ritmo com movimentos sedutores, a música dentro dela, impelindo-a em direção a um lugar além de suas usuais fronteiras.
Em minutos, a aglomeração pareceu ter engolido Kiki e Elliott. Joe, no entanto, continuava ali. Demi chegou mais perto dele, ainda dançando, a boca junto a seu ouvido para poder ser ouvida.

— Onde estão Kiki e Elliott?

Joe deu de ombros e meneou a cabeça.

— Não sei. Está preocupada com eles?

A  boca  carnuda,  o  fogo  do  desejo  cintilando  em  seus  olhos,  seu  corpo musculoso contra o dela na confusão da pista, a batida implacável da música, tudo aquilo a empolgava. Demi enlaçou o pescoço de Joe, num convite irresistível. Então, recuou, sorrindo, maliciosa.
Com as pupilas brilhando com intensidade, ele aceitou o desafio e seguiu-a.
A  pista  oferecia  uma  oportunidade  única  de  seduzir  sem  conseqüências. Dançando, Demi cruzou a linha de que jamais considerou sequer se aproximar.
Em meio àquela atmosfera de sonhos, pareceu a coisa mais natural do mundo para Joe puxá-la contra si. Demi, audaciosa, exigiu um beijo. Joe gemeu contra seus lábios, as mãos moldando suas costas.
Demi rendeu-se à fervente fusão. Cerrou as pálpebras enquanto ele, com a língua, explorava sua boca. Abraçando-o com mais força, sentiu-o pulsar da excitação dele contra si. Uma paixão febril fluía através dela. Onde a febre de Demi terminava e a dele começava, não dava para saber.
Joe, de repente, interrompeu o beijo.

— Demi?

Com os olhos ainda fechados e devastada pela paixão, ela deslizou a ponta da língua pelos lábios intumescidos.
O que dera nela? O que estava fazendo? Aquele que a incendiava a ponto  enlouquecê-la era Joe, seu melhor amigo!

— Desculpe-me... Eu não devia...

E, tendo ultrapassado a fronteira para um lugar do qual não havia retorno, Demi fez o que qualquer covarde teria feito.
Deixou-o parado ali e saiu correndo.

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Uia q rolou bj! Tudo bem, mozonas? Novidades? To animada hj e n sei pq, já q tenho prova de biologia amanhã e lembrei agr :x Estão gostando? Ainda tem bastante coisa por vir, haha' Respostas aqui' Comentem para o próximo, queridas! Beijos, amo vcs ♥

9 comentários:

  1. To meio morgada de sono, mas não quero perder a oportunidade de ser a primeira a comentar!!!!!
    SOCORRO ELA BEIJOU ELE, só consigo imaginar Demi pegando Elliott e Kiki transando no quarto deles... volto mais tarde para um comentario digno, vou dormir.
    Sam, xx

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    1. sei bem cmo é, estar possuída pela vontade de dormir mas querer ler mais um pouquinho, hehe
      foi a primeira ♥
      SIM, ELA BEIJOU! isso pq vc ainda nem sabe o q está por vir!
      hum hum
      ok... volte no próx cap agr ueheuheueh
      bjs ♥

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  2. AI MEU DEUS a Demi beijou ele...posta logo

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  3. NÃO ACREDITO QUE ELES SE BEIJARAM, PUTA QUE PARIU!
    sorry o palavrão, mas ainda não tô acreditando. essa viagem tá muito estranha. o joe gosta da demi, a kiki gosta do elliott. deviam ficar logo juntos sdkhiuerf
    vacilo a demi ter saído correndo, o joe deve ter ficado desnorteado kkkk
    posta logo! beijos, te amo

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    1. SIM, SUH, PUTA Q PARIU
      n precisa se desculpar, minha boca é mais suja q bueiro :x
      essa viagem vai dar o q falar ;*
      né non jsaggdhsa
      postado!
      bjs, tb te amo ♥

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