30.11.14

Apenas Amigos? - Capítulo 10 - MARATONA 3/4

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Joe a encontrou na praia, o olhar perdido no oceano. Endireitou os ombros.
Apesar de ter o orgulho ferido, ele se recusava a deixar as coisas como estavam. Não dava a menor importância ao fato de Demi o ter deixado à mesa, sozinho.
A areia rangia sob seus pés ao caminhar. Parou atrás dela, sem tocá-la.
Demi falou sem se voltar:

— Não posso culpá-lo por estar zangado comigo. Sei que o magoei, mas não queria que nada disso acontecesse. — A emoção enrouquecia sua voz. — Confesso que não esperava que você viesse me procurar. Achei que não iria querer me ver nunca mais.

— Que tolinha... Você significa muito para mim. — Joe a fez virar-se e a abraçou. Sentiu seu rosto molhado contra o pescoço. Acariciou lhe a cabeça. — Está tudo bem. As coisas logo voltarão ao normal.

— Acha que existe alguma possibilidade de voltarmos a ser como antes?

— Não sei...

Joe podia sentir seu medo.

— Gostaria muito que isso acontecesse.

Foi como se uma luz tivesse sido acesa em seu íntimo. Demi não estava dando um passo à frente, abraçando uma nova fase do relacionamento, mas sim andando em círculos, querendo que eles voltassem a ser os amigos de antes.

— Ouça seu coração, Demi. Não podemos andar para trás. A vida segue em frente, e as mudanças podem ser boas.

— É por isso que jamais dará certo entre nós. Você não pode viver sem mudanças, Joe. É viciado nelas. Como será quando se cansar de mim como esposa? Quando o sexo deixar de ser fenomenal? Acha que depois disso tornaremos a ser amigos?

— Mas não é mais ou menos o mesmo que está acontecendo agora? Não vejo nenhuma diferença.

— A diferença está no nível de comprometimento. É muito mais complicado ser marido do que ser amigo.

Joe deixou cair os braços.

—  Está  dizendo  que  não  confia  em  mim  emocionalmente?  —  Aquilo machucou. — Nunca se queixou disso antes, quando eu era apenas amigo. E como amante, me pareceu bastante satisfeita. No entanto, crê que não dá para confiar em mim como marido. Obrigado, Demi.

— Pense nas várias mulheres que passaram por sua vida.

— Há muitos peixes no mar, e eu gosto de pescar.

Aquilo soou pouco convincente até mesmo os próprios ouvidos. Ele de fato teve muitas namoradas antes de Demi, e ela sabia de cada uma delas.

— E agora já está pronto para abandonar a vara de pesca? Com todos aqueles peixes? Não acredito.

— Nunca pedi outra mulher em casamento. Nunca me senti desse modo em relação a ninguém. E jamais me sentirei. Você é a única que eu quero, Demi. — Ele podia ser tão teimoso quanto ela.

Uma nuvem encobriu a lua, e a praia mergulhou numa negra escuridão.

— Talvez você deva ouvir seu coração. Posso ser competitiva, mas você é um competidor consumado. Não destrua nossa amizade só porque sua vaidade não permite que eu seja a primeira a rejeitá-lo.

Joe não era o melhor vendedor da empresa à toa, e sabia quando devia recuar.

— Está bem. Por enquanto, deixemos tudo como está.

Mas era melhor ela se preparar. Porque ele não iria desistir tão fácil da melhor coisa que lhe acontecera.
Doze horas até que embarcassem no ônibus rumo ao aeroporto. Doze horas até que aquela loucura terminasse. “Amanhã será um novo dia.” No dia seguinte, Demi ponderaria sobre a proposta de Joe, desmancharia as tranças e pensaria no futuro relacionamento deles.
Naquela noite ela queria seu amante.

— Sei que planejamos ir à festa na praia e depois ao Jungle Room. Mas, para ser sincera, prefiro voltar para o quarto.

— Também não estou interessado em ir a lugar algum. Quero apenas estar com você.

Ela prendeu o fôlego.

— Eu também. Quero ficar a seu lado.

Caminharam em silêncio até a suíte, embalados pelos distantes sons da festa que se desenrolava.
A porta se fechou atrás deles, aprisionando-os na intimidade do aposento. A iminente volta a Nashville, a proposta de Joe e sua recusa, tudo aquilo criava um clima de desespero e de saudade.
Joe sentou-se no sofá, pegou a mão dela e puxou-a para o colo.

— Demi...

Ela o abraçou e perdeu-se em seus beijos.

(...)

Joe guardou a última peça de roupa na mala e fechou o zíper.

— Pronta?

De onde estava, recostada no batente da porta e olhando para a piscina, Demi se virou.

— Sim, estou.

Fizeram amor durante toda a noite, e mais uma vez pela manhã, sob o chuveiro.
Longe de estarem saciados, continuavam desesperados um pelo outro.
O pensamento perturbador passou pela cabeça de Joe. Se eles fizessem amor até a morte, não precisariam se preocupar com o que aconteceria depois.
No momento em que Demi terminou de arrumar a bagagem, ela parecia ter se cercado de uma parede de distância, usando a amizade deles como argamassa.

— Acho que não preciso lembrá-lo de que Elliott e Kiki estarão no mesmo ônibus para o aeroporto, e que viajaremos juntos no avião. Eles, sem dúvida, ficarão de olho em nós dois.

Joe gostaria de dizer que não dava a mínima para nenhum dos dois, mas não era verdade. Não queria que Elliott achasse que Demi estava disponível. Ela poderia se considerar assim, mas não estava, e conseguir convencê-la disso era uma questão de tempo, e Joe não precisava de Elliott por perto enquanto tentava fazer isso.

— Nem me lembro de que aqueles dois existem. — Joe deu uma risadinha e aproximou-se. Prendeu as mãos dela atrás na parede, aprisionando-a. Inclinou-se para a frente, inalando seu perfume, incentivado pela paixão que ardia nos olhos dela. — É você que me importa, mais do que tudo no mundo. Só você...

(...)

— Acorde, Demi. — Joe a sacudiu com suavidade. — Estamos aterrissando.
Com a cabeça apoiada no ombro dele, ela relutou em abrir os olhos. Queria aproveitar os últimos segundos de seu calor, do aroma de sua loção após a barba, do ritmo de seu coração, e da textura de sua pele.
Por fim, entretanto, endireitou o corpo. Joe afastou-se um pouco para prender o cinto de segurança, primeiro o dela, em seguida o próprio.

— Dormiu quase a viagem toda. Se sente melhor agora?

— Muito melhor. Não sabia que estava tão cansada.

— Também, pudera! Depois de toda aquela atividade... Além do mais, esta noite você não dormiu quase nada.

Joe beijou-lhe o rosto, ao mesmo tempo em que se ouviu um movimento no assento atrás deles. Elliott tentava ouvir o que diziam.
Demi deu um beijo apaixonado na boca de Joe.

— Desculpe-me se a mantive acordada até o amanhecer.

— Hum... Foi um prazer.

— Se foi!

Patético. Ali estavam eles, armando um show para Kiki e Elliott, e Demi tirando proveito daqueles últimos minutos de intimidade com Joe. Umas poucas frases sugestivas, alguns toques de ternura e mais uma vez o desejava.
Esquecendo do bom senso, os olhos de Demi baixaram até abaixo de seu cinto.
Oh. Eles estavam no mesmo barco.

— Demi...

Distraída, ela não se deu conta de que o avião pousava.

—... se não parar de olhar para mim desse jeito, será muito embaraçoso descer deste avião.

— Oh...

A aeronave taxiou na pista e parou no local de desembarque. E em seguida aquela espera embaraçosa na fila em frente a Elliott e Kiki até que desembarcassem.

— Bem, confesso que foi uma semana bastante diferente da que imaginei — Kiki comentou.

O que se deve dizer à mulher que foi para a cama com nosso namorado, esperando que nos juntássemos a eles para uma orgia entre casais?
Demi sorriu.

— Nunca imaginei que seria tão excitante. Adorei!

Atrás de Kiki, Elliott ficou vermelho feito um pimentão. Joe passou um braço possessivo em torno dos seus ombros.

— Foi a melhor semana de minha vida — disse.

Kiki sorriu para Joe.

— Não deixe de ligar para mim.

Uma pontada de ciúme fez Demi cerrar os punhos e querer esmurrar seu belo rosto.

— Não conte com isso.

A falta de interesse de Joe e o tumulto dos passageiros querendo descer do avião evitaram que Demi cometesse tal estupidez.
Avançou pelo corredor estreito. Era por causa disso que ela e Joe não dariam certo. Ele era como um pote de mel atraindo abelhas. As mulheres o adoravam.
Desejavam-no.
Naquele momento ele não estava interessado em Kiki, mas e depois? Não podia culpá-lo pelo assédio feminino. Após sua primeira namorada, na escola secundária, Joe jamais saiu com uma garota por mais de umas poucas semanas. Batera um recorde alguns anos atrás com uma ruiva chamada Judy. Ficaram juntos por um mês.
Entraram no túnel que os levaria ao terminal de desembarque. Joe mantinha-
se atrás dela.

— Espere. Eu disse a ela que não iria ligar.

Demi se virou. Não era culpa dele. As coisas eram assim mesmo. Então, fez melhor do que esmurrar Kiki: enlaçou-o pela cintura, como se tivesse todo o direito de fazer isso.
No terminal, Demi o puxou para o lado e o beijou na boca. Kiki que levasse aquilo com ela para casa.
E perdeu a noção do tempo e do lugar, e até do próprio nome. Beijar Joe tinha a tendência de afetá-la daquele modo.
Joe correspondeu com ardor.

(...)

Nashville estava fria e chuvosa. Mesmo o condomínio onde Demi morava, que sempre foi confortável, pareceu também frio e úmido.
Largou a bagagem no meio da sala e tirou os sapatos. Ligou a secretária eletrônica e passou a ouvir as mensagens, enquanto acendia o fogo na lareira:

“Olá, querida. Espero que tenha aproveitado bem as férias. Quero que me conte  tudo sobre  a viagem.  Por  que  não  vem  jantar  conosco na terça?  Traga Bridgette. Nós gostamos muito dela e estamos com saudade”.

Quando Demi passou para pegar Bridgette, tia Caroline e tio Frank estavam fora. Demi sentiu-se cheia de culpa por ter ficado aliviada por não tê-los encontrado.

Teria de preparar um relatório da viagem antes de falar com os tios, na terça à noite.
Sentou-se no sofá e fez um afago em Bridgette. A cadelinha balançou a cauda, feliz.
A mensagem número dois era de Joe:

“Liguei para saber se você chegou bem. Ligue pra mim. Beijos”.

Logo em seguida, o telefone tocou. Quem seria? Joe? Tia Caroline?

— Alô?

— Demi? Você chegou bem?

“Joe!” Seu coração disparou.

— Sim, cheguei. Estava ouvindo minhas mensagens.

— Ouça, doçura...

— Joe, você não pode me chamar assim.

— Chamar de quê?

— De doçura.

— Ah...

— Não é apropriado. Volte a me tratar como sempre, de Demi.

— Prometo que tentarei.

— Você conseguirá. Costuma se sair muito bem em situações difíceis. — Não devia ter dito aquilo, mas sentia uma enorme falta dele.

— Confesso  que a  situação  atual é  uma das  mais  duras  que já  precisei enfrentar. — O silêncio estendeu-se através da linha. — Sinto sua falta.

Demi também saudade dele, e estavam separados fazia apenas duas horas.

— Hoje é domingo. Não quer vir até aqui?

Não havia nada de sugestivo no convite. Eles costumavam tomar o lanche da tarde juntos, aos domingos.

— Posso comprar uma pizza a caminho daí, se você quiser.

— Compre de mussarela?

— Só de mussarela?

— Sim. Preciso iniciar minha dieta.

— Está bem. Levarei uma caixa com bombas de chocolate. Estarei aí dentro de uma hora. — E Joe desligou antes que ela pudesse responder.

Joe chegou com a pizza, as bombas e uma embalagem com seis cervejas.
Não que estivesse desesperado para vê-la, ou algo parecido. Ligou para ver se estava tudo em ordem, e Demi o convidou para o lanche. Como sempre fazia aos domingos.

— Olá. Entre... — Demi abriu a porta e afastou-se para dar-lhe passagem. — Coloque tudo na mesinha, por favor.

— Então desmanchou as tranças?

— Foi preciso. Estávamos na Jamaica; agora, em Nashville.

Claro. Ele captou a mensagem. Largou as caixas sobre a mesinha e inclinou-se para fazer um afago atrás da orelha de Bridgette.

— Ei, garota, como está?

A cadela lambeu sua mão.

— Quer assistir ao jogo na televisão? — Ele se endireitou.

— Pode ser.

Ligou o aparelho, enquanto Demi se preparava para servir a pizza.

— Aceita uma cerveja? — ela perguntou da cozinha.

— Sim, obrigado.

Demi  retornou  à  sala  trazendo  uma  bandeja  com  pratos,  talheres  e  duas cervejas.

— Sabe em que canal é o jogo?

— Tente o canal cinco.

Joe sentou-se na ponta do sofá e abriu a embalagem da pizza. Não estava com fome, mas a pizza lhe proporcionaria algo a fazer além de ficar adorando Demi.
Assistiram ao jogo, comeram, beberam e aplaudiram seus respectivos times.
Ali não corria a brisa vinda do mar. Não havia música jamaicana tocando ao fundo. Nem o ventilador de teto funcionava. O motor queimara no último outono, e Demi ainda não o substituíra.
Não estavam mais na ensolarada Jamaica, e sim na fria Nashville. As coisas deveriam ter voltado a ser como nos velhos tempos. Mas não isso não aconteceu. Joe a desejava tanto que temia enlouquecer. A tensão, o desejo, a necessidade estendiam-se entre eles.

— Quer uma bomba, Demi?

— Pensei que você não fosse oferecer.

Nenhum dos dois olhou para a caixa sobre a mesinha. Joe estendeu a mão e a enterrou na massa de cabelos sedosos, a boca se apossando e devorando a dela. Demi o segurou pela nuca, forçando-o a chegar mais perto.

— Oh, doçura, senti muita saudade!

(...)

Como costumava fazer havia sete anos, na quinta-feira ao meio-dia, Demi entrou no Birelli’s para seu almoço com Joe. Durante aqueles anos todos, ela chegou ali feliz com as boas notícias, deprimida com as más, frustrada com o trabalho, com o namorado ou com os pais. Entretanto até aquele momento, nunca chegou tão nervosa.
Tentou aquietar as batidas descompassadas de seu coração. Aquele nervosismo todo era ridículo.
Joe se encontrava à mesa de sempre. Desviou-se do relatório que lia quando ela se sentou na cadeira ao lado.

— Como está?

— Bem, muito bem. — Sentindo-se como uma tímida adolescente, ela o devorou com os olhos, como se fizesse meses que não o via, e não apenas quatro dias.

Naomi aproximou-se com dois copos de chá gelado.

— Aqui estão vocês. Trarei o stromboli em um minuto. Como foram as... — Parou de falar e olhou de Demi para Joe e vice-e-versa, sentindo o clima. — Não me digam que vocês... estão namorando!

Naomi não esperou pela confirmação.

— Estamos apostando nisso há mais de dois anos! Eu sabia que era só uma questão de tempo. Esperem até eu contar para George! — E a garçonete se afastou apressada em direção à cozinha.

Ótimo. Parecia até que ela erguera uma bandeira proclamando estar dormindo com Joe Jonas. Sorriu acanhada para os costumeiros freqüentadores do restaurante, que tinham as cabeças voltadas em sua direção.
Joe deu de ombros.

— Não dê importância a eles, meu bem.

Mais calma, Naomi retornou.

— Queiram desculpar o entusiasmo, mas gosto de vocês... Formam um belo casal.

— Agradeço, Naomi, nós também gostamos de você.

— E então? O que vão querer? O mesmo de sempre? O stromboli, uma salada...

Em seguida, Naomi se foi com os pedidos.
Eles não tocaram no assunto trabalho, e a refeição transcorreu em meio a um clima de desespero e desejo.
Sentada ao lado dele, Demi mantinha-se ciente de cada roçar da perna dele na sua,  do  aroma  de  sua  loção  após  a  barba,  da  cadência  de  sua  voz,  da  tensão envolvendo-os naquele casulo de intimidade.

— Posso trazer um baklava? — Naomi indagou ao se reaproximar.

Demi fingiu estar consultando as horas no relógio de pulso.

— Não para mim. Preciso voltar para o escritório.

— Hoje não. Obrigado.

— Eu é que agradeço...

Os dois se levantaram. Joe seguiu Demi, a mão pousada em suas costas.
Pararam na calçada. A mão dele escorregou, possessiva, para seu quadril.

— Onde estacionou o carro? — ele quis saber, perto o suficiente do ouvido dela para fazê-la estremecer.

— A duas quadras daqui.

— Deixei o meu no estacionamento vertical, aqui em frente. Venha comigo. Depois lhe dou uma carona até seu automóvel.

Atravessaram a rua e esperaram pelo elevador. As portas mal se fecharam e lá estavam eles, um nos braços do outro.
Os lábios de Joe eram quentes e firmes contra os dela, como era o corpo dele pressionando-a contra a lateral do elevador. Escorregou a mão sob sua saia e agarrou suas nádegas.
A  campainha  do  elevador  tocou  naquele  instante,  anunciando  a  próxima parada, no quarto andar. Afastaram-se rápido.

— Onde estacionou, Joe?

— No final da próxima fila, ao lado daquela caminhonete.

— Vamos. Depressa! — Demi o arrastou até lá.

— Lado do passageiro — Joe instruiu. Contornou o veículo e abriu a porta.

Assim que se acomodou, puxou Demi para o colo. Bateu a porta, apagou a luz e reclinou o assento.
Demi ergueu a saia e se pôs sobre ele. Se não estivesse excitada ficaria naquele momento, vendo seu olhar de absoluta luxúria.

— Oh, Demi... — Joe gemeu, uma das mãos no zíper da calça, a outra, na parte de trás da coxa dela.

Demi tinha a cabeça dele entre as mãos e o beijava com sensualidade, a língua ávida buscando a dele.
Joe escorregou os dedos para sua calcinha e a afastou para o lado. Então, posicionou-se entre as pernas dela.
Um fogo nascia em cada ponto em que os corpos se tocavam. Chamas de puro deleite e alegria espalharam-se e se fundiram.
Demi arqueou-se para trás, numa entrega total, um convite explícito para que Joe fizesse do corpo dela a fonte de seu prazer.
Sentiu o clímax chegando e não se conteve mais. Deixou-se banhar por uma chuva de prata, que a envolveu por completo. Sua respiração cessou, seus pensamentos desapareceram. Só restou o encantamento.
Enquanto tremores  de  alívio  sacudiam  Joe, ela  o chamou pelo  nome e segurou-o com mais força. Por fim, aliviados, satisfeitos e completos, deixaram-se cair, exaustos, abraçados.
Demi saiu do carro, meio perplexa e muito frustrada. Por que Joe quis encontrá-la justo naquele estacionamento municipal, e naquele dia frio de inverno, estava além de seu entendimento. Estava excitada, e naquele local não havia muita chance de abrandar aquela ânsia louca por Joe, que a maltratava. A não ser que ele tivesse encontrado alguma vaga escondida para estacionar. Seu sangue correu mais rápido nas veias diante da possibilidade.

(...)

Joe a esperava sentado em um banco que dava vista para o lago, a gola da jaqueta erguida contra o frio.

— Joe, tudo bem? — Demi estremeceu, apesar do longo casaco de lã. — Está gelado aqui fora. Vamos nos sentar dentro do carro?

Ele ficou de pé para cumprimentá-la, mas não a tocou.

— Não. Lá eu me distrairia. Por isso insisti para que nos encontrássemos aqui fora, apesar da baixíssima temperatura.

Sentando-se no banco, ela também não sorriu. Tinha um mau pressentimento.
Joe tornou a se acomodar.

— Chamei você aqui porque nós precisamos conversar. — Ele passou a mão pelos cabelos. — Isso não vai dar certo...

Demi sentiu um aperto no peito, embora soubesse que, cedo ou tarde, aquela ocasião chegaria. Sabia disso desde o primeiro beijo que trocaram. Joe a deixaria.
Verificou a data no relógio de pulso sorriu com amargor.

— Catorze dias. Menos do que imaginei. Esperava que fôssemos bater o recorde, ficando juntos por mais de um mês, mas me enganei.

— Droga, Demi, você quer me ouvir?

— Tem toda minha atenção.

— Não podemos continuar fazendo sexo desse modo. Eu me recuso.

— Mas sexo é tudo o que...

— Pois é. Fazemos sexo o tempo todo. Algumas vezes após o almoço, outras após o cinema. Sempre acabamos fazendo sexo. Não tenho nada contra. E é ótimo, mas é só o que existe. Quanto mais unidos ficamos fisicamente, mais nos separamos emocionalmente. Você não sente isso? Não sente que isso está nos destruindo?

Demi experimentou um enorme vazio. Joe estava certo.

— Toda vez que eu penso em tocar no tema “casamento” acabo desistindo. Mas isso não tornará a acontecer. Case-se comigo, Demi.

— Não posso.

— Tenho esperado a vida inteira por você. As outras garotas não passaram de tentativas malucas de fugir daquilo que estava diante de meus olhos. Será que não vê? Elas eram seu oposto, e, claro, nenhuma delas durou. Não era para durar. Devo ser um pouco lento, mas acabei entendendo. Você é tudo o que sempre desejei, tudo o que sempre quis. Eu te amo, te amo tanto que chega a machucar!

— Não, Joe.

— Você também me ama. Tenho certeza disso. — Ele tomou as mãos dela.

Demi esperava ansiosa que Joe terminasse de falar, porque não conseguia mais suportar aquilo.

— Essa doce conexão entre nós sempre existiu. Desde a primeira vez em que a vi, no bosque atrás de minha casa. Lembra-se da Jamaica? Do mar da Jamaica? Nosso relacionamento é igual ao oceano. As marés mudam sem cessar. Uma hora estão calmas, depois, tempestuosas. Mas não falha, estão sempre lá.

Demi já esperava por aquilo. Igual a como aconteceu com Elliott. Desde o começo sabia que ele a deixaria.

— É uma bela analogia, mas não posso... Você é bastante persuasivo. Mas...  

— Não faça isso conosco, Demi.

— Não estou fazendo nada. É você quem está me dando um ultimato. Não acaba de afirmar “casamento ou nada”?

Ele estava querendo mais do que ela poderia dar.

— Tentei fazer as coisas a seu modo, mas não é suficiente. Quero acordar todas as manhãs e sentir seu calor. Quero envelhecer a seu lado.

— Não creio que possamos ter essas coisas.

— Sabe o que eu acho? Está tão assustada que não consegue me ver como sou de  verdade.  Era  muito  agradável  e  seguro  quando éramos  apenas  amigos,  não? Podemos ter amigos e manter uma distância confortável deles. E quanto ao homem com quem você sai? Não é necessário haver nenhuma profundidade emocional ali. Tudo bonito, tudo seguro, nada para perturbar. Não doeu nem um pouco quando você rompeu com Elliott, não foi?

— E quanto a suas namoradas? Alguma vez houve envolvimento sério? Doeu muito quando terminou com alguma delas? Não me faça rir!

— Pelo menos eu admito isso. Você conserva todos afastados. Seus tios, Caroline e Frank. Eu. Seus colegas de trabalho... Não muito antes de partirmos para a Jamaica, me acusou de ser emocionalmente imaturo. Mas está na hora de parar e dar uma olhada em si mesma. Sabe por que sou o último homem com quem você se casaria? Esconda-se atrás de minha fama de conquistador, se isso a faz se sentir melhor. Mas a realidade, Demi, é que não quer se casar comigo porque me ama, e isso não fazia parte de seus planos.

Ela mantinha a coluna reta. Caso contrário sabia que desmoronaria diante dele.

— Bem, espero que agora você esteja se sentindo melhor. Eu não estou.

— Não é essa a questão, e sim de salvar a nós dois.

— Então, sua proposta continua irredutível? Casamento ou nada?

— Não vejo outra saída.

— Bem, sendo assim, acho que não há mais nada a dizer.

Joe se ergueu.

— Você sabe onde me encontrar, se mudar de idéia.


Os passos dele ecoavam na calçada, ao se afastar. Diferente de quando seus pais a abandonaram, desta vez, pelo menos, ela sabia que não haveria retorno. De algum modo, aquilo tornou sua mágoa mais suportável.

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Comentem, estou de olho... Amo vcs! Beijos ;*

Capítulo programado.

2 comentários:

  1. Eita mulher cabeça dura..... Acorda Demi.... continuaaaa....

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  2. QUERO BATER NELA!
    EU AQUI CHORANDO HORRORES E ELA SIMPLESMENTE DEIXA ELE IR EMBORA ASSIM? CARALHO DEMETRIA!
    VAI ATRÁS, VAI ATRÁS, BITCH 😭
    xuxu, está perfeito!
    MTA emoção pra mim...
    bjos e posta logo ❤

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