
~
Joe a
encontrou na praia, o olhar perdido no oceano. Endireitou os ombros.
Apesar de
ter o orgulho ferido, ele se recusava a deixar as coisas como estavam. Não dava
a menor importância ao fato de Demi o ter deixado à mesa, sozinho.
A areia
rangia sob seus pés ao caminhar. Parou atrás dela, sem tocá-la.
Demi falou
sem se voltar:
— Não posso
culpá-lo por estar zangado comigo. Sei que o magoei, mas não queria que nada
disso acontecesse. — A emoção enrouquecia sua voz. — Confesso que não esperava
que você viesse me procurar. Achei que não iria querer me ver nunca mais.
— Que
tolinha... Você significa muito para mim. — Joe a fez virar-se e a abraçou.
Sentiu seu rosto molhado contra o pescoço. Acariciou lhe a cabeça. — Está tudo
bem. As coisas logo voltarão ao normal.
— Acha que
existe alguma possibilidade de voltarmos a ser como antes?
— Não sei...
Joe podia
sentir seu medo.
— Gostaria
muito que isso acontecesse.
Foi como se
uma luz tivesse sido acesa em seu íntimo. Demi não estava dando um passo à
frente, abraçando uma nova fase do relacionamento, mas sim andando em círculos,
querendo que eles voltassem a ser os amigos de antes.
— Ouça seu
coração, Demi. Não podemos andar para trás. A vida segue em frente, e as
mudanças podem ser boas.
— É por isso
que jamais dará certo entre nós. Você não pode viver sem mudanças, Joe. É
viciado nelas. Como será quando se cansar de mim como esposa? Quando o sexo
deixar de ser fenomenal? Acha que depois disso tornaremos a ser amigos?
— Mas não é
mais ou menos o mesmo que está acontecendo agora? Não vejo nenhuma diferença.
— A
diferença está no nível de comprometimento. É muito mais complicado ser marido
do que ser amigo.
Joe deixou
cair os braços.
— Está
dizendo que não
confia em mim
emocionalmente? — Aquilo machucou. — Nunca se queixou disso
antes, quando eu era apenas amigo. E como amante, me pareceu bastante
satisfeita. No entanto, crê que não dá para confiar em mim como marido.
Obrigado, Demi.
— Pense nas
várias mulheres que passaram por sua vida.
— Há muitos
peixes no mar, e eu gosto de pescar.
Aquilo soou
pouco convincente até mesmo os próprios ouvidos. Ele de fato teve muitas
namoradas antes de Demi, e ela sabia de cada uma delas.
— E agora já
está pronto para abandonar a vara de pesca? Com todos aqueles peixes? Não acredito.
— Nunca pedi
outra mulher em casamento. Nunca me senti desse modo em relação a ninguém. E
jamais me sentirei. Você é a única que eu quero, Demi. — Ele podia ser tão
teimoso quanto ela.
Uma nuvem
encobriu a lua, e a praia mergulhou numa negra escuridão.
— Talvez
você deva ouvir seu coração. Posso ser competitiva, mas você é um competidor
consumado. Não destrua nossa amizade só porque sua vaidade não permite que eu
seja a primeira a rejeitá-lo.
Joe não era
o melhor vendedor da empresa à toa, e sabia quando devia recuar.
— Está bem.
Por enquanto, deixemos tudo como está.
Mas era
melhor ela se preparar. Porque ele não iria desistir tão fácil da melhor coisa
que lhe acontecera.
Doze horas
até que embarcassem no ônibus rumo ao aeroporto. Doze horas até que aquela
loucura terminasse. “Amanhã será um novo dia.” No dia seguinte, Demi ponderaria
sobre a proposta de Joe, desmancharia as tranças e pensaria no futuro relacionamento
deles.
Naquela
noite ela queria seu amante.
— Sei que
planejamos ir à festa na praia e depois ao Jungle Room. Mas, para ser sincera,
prefiro voltar para o quarto.
— Também não
estou interessado em ir a lugar algum. Quero apenas estar com você.
Ela prendeu
o fôlego.
— Eu também.
Quero ficar a seu lado.
Caminharam
em silêncio até a suíte, embalados pelos distantes sons da festa que se
desenrolava.
A porta se
fechou atrás deles, aprisionando-os na intimidade do aposento. A iminente volta
a Nashville, a proposta de Joe e sua recusa, tudo aquilo criava um clima de
desespero e de saudade.
Joe sentou-se no sofá, pegou a mão dela e puxou-a para o colo.
— Demi...
Ela o
abraçou e perdeu-se em seus beijos.
(...)
Joe guardou
a última peça de roupa na mala e fechou o zíper.
— Pronta?
De onde
estava, recostada no batente da porta e olhando para a piscina, Demi se virou.
— Sim,
estou.
Fizeram amor
durante toda a noite, e mais uma vez pela manhã, sob o chuveiro.
Longe de
estarem saciados, continuavam desesperados um pelo outro.
O pensamento
perturbador passou pela cabeça de Joe. Se eles fizessem amor até a morte, não
precisariam se preocupar com o que aconteceria depois.
No momento
em que Demi terminou de arrumar a bagagem, ela parecia ter se cercado de uma
parede de distância, usando a amizade deles como argamassa.
— Acho que
não preciso lembrá-lo de que Elliott e Kiki estarão no mesmo ônibus para o
aeroporto, e que viajaremos juntos no avião. Eles, sem dúvida, ficarão de olho
em nós dois.
Joe gostaria de dizer que não dava a mínima para nenhum dos dois, mas não era
verdade. Não queria que Elliott achasse que Demi estava disponível. Ela
poderia se considerar assim, mas não estava, e conseguir convencê-la disso era
uma questão de tempo, e Joe não precisava de Elliott por perto enquanto
tentava fazer isso.
— Nem me
lembro de que aqueles dois existem. — Joe deu uma risadinha e aproximou-se.
Prendeu as mãos dela atrás na parede, aprisionando-a. Inclinou-se para a
frente, inalando seu perfume, incentivado pela paixão que ardia nos olhos dela.
— É você que me importa, mais do que tudo no mundo. Só você...
(...)
— Acorde, Demi. — Joe a sacudiu com suavidade. — Estamos aterrissando.
Com a cabeça
apoiada no ombro dele, ela relutou em abrir os olhos. Queria aproveitar os
últimos segundos de seu calor, do aroma de sua loção após a barba, do ritmo de
seu coração, e da textura de sua pele.
Por fim, entretanto,
endireitou o corpo. Joe afastou-se um pouco para prender o cinto de segurança,
primeiro o dela, em seguida o próprio.
— Dormiu
quase a viagem toda. Se sente melhor agora?
— Muito
melhor. Não sabia que estava tão cansada.
— Também,
pudera! Depois de toda aquela atividade... Além do mais, esta noite você não
dormiu quase nada.
Joe beijou-lhe o rosto, ao mesmo tempo em que se ouviu um movimento no assento
atrás deles. Elliott tentava ouvir o que diziam.
Demi deu um
beijo apaixonado na boca de Joe.
—
Desculpe-me se a mantive acordada até o amanhecer.
— Hum... Foi
um prazer.
— Se foi!
Patético.
Ali estavam eles, armando um show para Kiki e Elliott, e Demi tirando proveito
daqueles últimos minutos de intimidade com Joe. Umas poucas frases sugestivas,
alguns toques de ternura e mais uma vez o desejava.
Esquecendo
do bom senso, os olhos de Demi baixaram até abaixo de seu cinto.
Oh. Eles
estavam no mesmo barco.
— Demi...
Distraída,
ela não se deu conta de que o avião pousava.
—... se não
parar de olhar para mim desse jeito, será muito embaraçoso descer deste avião.
— Oh...
A aeronave
taxiou na pista e parou no local de desembarque. E em seguida aquela espera
embaraçosa na fila em frente a Elliott e Kiki até que desembarcassem.
— Bem,
confesso que foi uma semana bastante diferente da que imaginei — Kiki comentou.
O que se
deve dizer à mulher que foi para a cama com nosso namorado, esperando que nos
juntássemos a eles para uma orgia entre casais?
Demi sorriu.
— Nunca
imaginei que seria tão excitante. Adorei!
Atrás de
Kiki, Elliott ficou vermelho feito um pimentão. Joe passou um braço possessivo
em torno dos seus ombros.
— Foi a
melhor semana de minha vida — disse.
Kiki sorriu
para Joe.
— Não deixe
de ligar para mim.
Uma pontada
de ciúme fez Demi cerrar os punhos e querer esmurrar seu belo rosto.
— Não conte
com isso.
A falta de
interesse de Joe e o tumulto dos passageiros querendo descer do avião evitaram
que Demi cometesse tal estupidez.
Avançou pelo
corredor estreito. Era por causa disso que ela e Joe não dariam certo. Ele era
como um pote de mel atraindo abelhas. As mulheres o adoravam.
Desejavam-no.
Naquele
momento ele não estava interessado em Kiki, mas e depois? Não podia culpá-lo
pelo assédio feminino. Após sua primeira namorada, na escola secundária, Joe
jamais saiu com uma garota por mais de umas poucas semanas. Batera um recorde
alguns anos atrás com uma ruiva chamada Judy. Ficaram juntos por um mês.
Entraram no
túnel que os levaria ao terminal de desembarque. Joe mantinha-
se atrás
dela.
— Espere. Eu
disse a ela que não iria ligar.
Demi se
virou. Não era culpa dele. As coisas eram assim mesmo. Então, fez melhor do que
esmurrar Kiki: enlaçou-o pela cintura, como se tivesse todo o direito de fazer
isso.
No terminal, Demi o puxou para o lado e o beijou na boca. Kiki que levasse aquilo com ela
para casa.
E perdeu a
noção do tempo e do lugar, e até do próprio nome. Beijar Joe tinha a tendência
de afetá-la daquele modo.
Joe correspondeu com ardor.
(...)
Nashville
estava fria e chuvosa. Mesmo o condomínio onde Demi morava, que sempre foi
confortável, pareceu também frio e úmido.
Largou a
bagagem no meio da sala e tirou os sapatos. Ligou a secretária eletrônica e
passou a ouvir as mensagens, enquanto acendia o fogo na lareira:
“Olá,
querida. Espero que tenha aproveitado bem as férias. Quero que me conte tudo sobre
a viagem. Por que
não vem jantar
conosco na terça? Traga Bridgette.
Nós gostamos muito dela e estamos com saudade”.
Quando Demi
passou para pegar Bridgette, tia Caroline e tio Frank estavam fora. Demi
sentiu-se cheia de culpa por ter ficado aliviada por não tê-los encontrado.
Teria de
preparar um relatório da viagem antes de falar com os tios, na terça à noite.
Sentou-se no
sofá e fez um afago em Bridgette. A cadelinha balançou a cauda, feliz.
A mensagem
número dois era de Joe:
“Liguei para
saber se você chegou bem. Ligue pra mim. Beijos”.
Logo em
seguida, o telefone tocou. Quem seria? Joe? Tia Caroline?
— Alô?
— Demi?
Você chegou bem?
“Joe!” Seu
coração disparou.
— Sim, cheguei.
Estava ouvindo minhas mensagens.
— Ouça,
doçura...
— Joe, você
não pode me chamar assim.
— Chamar de
quê?
— De doçura.
— Ah...
— Não é
apropriado. Volte a me tratar como sempre, de Demi.
— Prometo
que tentarei.
— Você
conseguirá. Costuma se sair muito bem em situações difíceis. — Não devia ter
dito aquilo, mas sentia uma enorme falta dele.
—
Confesso que a situação
atual é uma das mais
duras que já precisei enfrentar. — O silêncio estendeu-se
através da linha. — Sinto sua falta.
Demi também
saudade dele, e estavam separados fazia apenas duas horas.
— Hoje é
domingo. Não quer vir até aqui?
Não havia
nada de sugestivo no convite. Eles costumavam tomar o lanche da tarde juntos,
aos domingos.
— Posso
comprar uma pizza a caminho daí, se você quiser.
— Compre de
mussarela?
— Só de
mussarela?
— Sim.
Preciso iniciar minha dieta.
— Está bem.
Levarei uma caixa com bombas de chocolate. Estarei aí dentro de uma hora. — E Joe desligou antes que ela pudesse responder.
Joe chegou
com a pizza, as bombas e uma embalagem com seis cervejas.
Não que
estivesse desesperado para vê-la, ou algo parecido. Ligou para ver se estava
tudo em ordem, e Demi o convidou para o lanche. Como sempre fazia aos domingos.
— Olá.
Entre... — Demi abriu a porta e afastou-se para dar-lhe passagem. — Coloque
tudo na mesinha, por favor.
— Então
desmanchou as tranças?
— Foi
preciso. Estávamos na Jamaica; agora, em Nashville.
Claro. Ele
captou a mensagem. Largou as caixas sobre a mesinha e inclinou-se para fazer um
afago atrás da orelha de Bridgette.
— Ei,
garota, como está?
A cadela
lambeu sua mão.
— Quer
assistir ao jogo na televisão? — Ele se endireitou.
— Pode ser.
Ligou o
aparelho, enquanto Demi se preparava para servir a pizza.
— Aceita uma
cerveja? — ela perguntou da cozinha.
— Sim,
obrigado.
Demi retornou
à sala trazendo
uma bandeja com
pratos, talheres e duas
cervejas.
— Sabe em
que canal é o jogo?
— Tente o
canal cinco.
Joe sentou-se na ponta do sofá e abriu a embalagem da pizza. Não estava com fome,
mas a pizza lhe proporcionaria algo a fazer além de ficar adorando Demi.
Assistiram
ao jogo, comeram, beberam e aplaudiram seus respectivos times.
Ali não
corria a brisa vinda do mar. Não havia música jamaicana tocando ao fundo. Nem o
ventilador de teto funcionava. O motor queimara no último outono, e Demi ainda
não o substituíra.
Não estavam
mais na ensolarada Jamaica, e sim na fria Nashville. As coisas deveriam ter
voltado a ser como nos velhos tempos. Mas não isso não aconteceu. Joe a
desejava tanto que temia enlouquecer. A tensão, o desejo, a necessidade
estendiam-se entre eles.
— Quer uma
bomba, Demi?
— Pensei que
você não fosse oferecer.
Nenhum dos dois
olhou para a caixa sobre a mesinha. Joe estendeu a mão e a enterrou na massa
de cabelos sedosos, a boca se apossando e devorando a dela. Demi o segurou
pela nuca, forçando-o a chegar mais perto.
— Oh,
doçura, senti muita saudade!
(...)
Como
costumava fazer havia sete anos, na quinta-feira ao meio-dia, Demi entrou no
Birelli’s para seu almoço com Joe. Durante aqueles anos todos, ela chegou ali
feliz com as boas notícias, deprimida com as más, frustrada com o trabalho, com
o namorado ou com os pais. Entretanto até aquele momento, nunca chegou tão
nervosa.
Tentou
aquietar as batidas descompassadas de seu coração. Aquele nervosismo todo era
ridículo.
Joe se
encontrava à mesa de sempre. Desviou-se do relatório que lia quando ela se
sentou na cadeira ao lado.
— Como está?
— Bem, muito
bem. — Sentindo-se como uma tímida adolescente, ela o devorou com os olhos,
como se fizesse meses que não o via, e não apenas quatro dias.
Naomi
aproximou-se com dois copos de chá gelado.
— Aqui estão
vocês. Trarei o stromboli em um minuto. Como foram as... — Parou de falar e
olhou de Demi para Joe e vice-e-versa, sentindo o clima. — Não me digam que
vocês... estão namorando!
Naomi não
esperou pela confirmação.
— Estamos
apostando nisso há mais de dois anos! Eu sabia que era só uma questão de tempo.
Esperem até eu contar para George! — E a garçonete se afastou apressada em
direção à cozinha.
Ótimo.
Parecia
até que ela erguera uma bandeira proclamando estar dormindo com Joe
Jonas. Sorriu acanhada para os costumeiros freqüentadores do
restaurante, que
tinham as cabeças voltadas em sua direção.
Joe deu de
ombros.
— Não dê
importância a eles, meu bem.
Mais calma,
Naomi retornou.
— Queiram
desculpar o entusiasmo, mas gosto de vocês... Formam um belo casal.
— Agradeço,
Naomi, nós também gostamos de você.
— E então? O
que vão querer? O mesmo de sempre? O stromboli, uma salada...
Em seguida,
Naomi se foi com os pedidos.
Eles não
tocaram no assunto trabalho, e a refeição transcorreu em meio a um clima de
desespero e desejo.
Sentada ao
lado dele, Demi mantinha-se ciente de cada roçar da perna dele na sua, do
aroma de sua
loção após a
barba, da cadência
de sua voz,
da tensão envolvendo-os naquele
casulo de intimidade.
— Posso
trazer um baklava? — Naomi indagou ao se reaproximar.
Demi fingiu
estar consultando as horas no relógio de pulso.
— Não para
mim. Preciso voltar para o escritório.
— Hoje não.
Obrigado.
— Eu é que agradeço...
Os dois se
levantaram. Joe seguiu Demi, a mão pousada em suas costas.
Pararam na
calçada. A mão dele escorregou, possessiva, para seu quadril.
— Onde
estacionou o carro? — ele quis saber, perto o suficiente do ouvido dela para
fazê-la estremecer.
— A duas
quadras daqui.
— Deixei o
meu no estacionamento vertical, aqui em frente. Venha comigo. Depois lhe dou
uma carona até seu automóvel.
Atravessaram
a rua e esperaram pelo elevador. As portas mal se fecharam e lá estavam eles,
um nos braços do outro.
Os lábios de Joe eram quentes e firmes contra os dela, como era o corpo dele pressionando-a
contra a lateral do elevador. Escorregou a mão sob sua saia e agarrou suas
nádegas.
A campainha
do elevador tocou
naquele instante, anunciando
a próxima parada, no quarto
andar. Afastaram-se rápido.
— Onde
estacionou, Joe?
— No final
da próxima fila, ao lado daquela caminhonete.
— Vamos.
Depressa! — Demi o arrastou até lá.
— Lado do
passageiro — Joe instruiu. Contornou o veículo e abriu a porta.
Assim que se
acomodou, puxou Demi para o colo. Bateu a porta, apagou a luz e reclinou o
assento.
Demi ergueu
a saia e se pôs sobre ele. Se não estivesse excitada ficaria naquele momento,
vendo seu olhar de absoluta luxúria.
— Oh, Demi... — Joe gemeu, uma das mãos no zíper da calça, a outra, na parte de
trás da coxa dela.
Demi tinha
a cabeça dele entre as mãos e o beijava com sensualidade, a língua ávida
buscando a dele.
Joe escorregou os dedos para sua calcinha e a afastou para o lado. Então, posicionou-se
entre as pernas dela.
Um fogo
nascia em cada ponto em que os corpos se tocavam. Chamas de puro deleite e
alegria espalharam-se e se fundiram.
Demi arqueou-se para trás, numa entrega total, um convite explícito para que Joe
fizesse do corpo dela a fonte de seu prazer.
Sentiu o
clímax chegando e não se conteve mais. Deixou-se banhar por uma chuva de prata,
que a envolveu por completo. Sua respiração cessou, seus pensamentos desapareceram.
Só restou o encantamento.
Enquanto
tremores de alívio
sacudiam Joe, ela o chamou pelo
nome e segurou-o com mais força. Por fim, aliviados, satisfeitos e
completos, deixaram-se cair, exaustos, abraçados.
Demi saiu
do carro, meio perplexa e muito frustrada. Por que Joe quis encontrá-la justo
naquele estacionamento municipal, e naquele dia frio de inverno, estava além de
seu entendimento. Estava excitada, e naquele local não havia muita chance de
abrandar aquela ânsia louca por Joe, que a maltratava. A não ser que ele tivesse
encontrado alguma vaga escondida para estacionar. Seu sangue correu mais rápido
nas veias diante da possibilidade.
(...)
Joe a
esperava sentado em um banco que dava vista para o lago, a gola da jaqueta
erguida contra o frio.
— Joe, tudo
bem? — Demi estremeceu, apesar do longo casaco de lã. — Está gelado aqui fora.
Vamos nos sentar dentro do carro?
Ele ficou de
pé para cumprimentá-la, mas não a tocou.
— Não. Lá eu
me distrairia. Por isso insisti para que nos encontrássemos aqui fora, apesar
da baixíssima temperatura.
Sentando-se
no banco, ela também não sorriu. Tinha um mau pressentimento.
Joe tornou
a se acomodar.
— Chamei
você aqui porque nós precisamos conversar. — Ele passou a mão pelos cabelos. —
Isso não vai dar certo...
Demi sentiu
um aperto no peito, embora soubesse que, cedo ou tarde, aquela ocasião
chegaria. Sabia disso desde o primeiro beijo que trocaram. Joe a deixaria.
Verificou a
data no relógio de pulso sorriu com amargor.
— Catorze
dias. Menos do que imaginei. Esperava que fôssemos bater o recorde, ficando
juntos por mais de um mês, mas me enganei.
— Droga, Demi, você quer me ouvir?
— Tem toda
minha atenção.
— Não
podemos continuar fazendo sexo desse modo. Eu me recuso.
— Mas sexo é
tudo o que...
— Pois é.
Fazemos sexo o tempo todo. Algumas vezes após o almoço, outras após o cinema.
Sempre acabamos fazendo sexo. Não tenho nada contra. E é ótimo, mas é só o que
existe. Quanto mais unidos ficamos fisicamente, mais nos separamos emocionalmente.
Você não sente isso? Não sente que isso está nos destruindo?
Demi experimentou um enorme vazio. Joe estava certo.
— Toda vez
que eu penso em tocar no tema “casamento” acabo desistindo. Mas isso não
tornará a acontecer. Case-se comigo, Demi.
— Não posso.
— Tenho
esperado a vida inteira por você. As outras garotas não passaram de tentativas
malucas de fugir daquilo que estava diante de meus olhos. Será que não vê? Elas
eram seu oposto, e, claro, nenhuma delas durou. Não era para durar. Devo ser um
pouco lento, mas acabei entendendo. Você é tudo o que sempre desejei, tudo o
que sempre quis. Eu te amo, te amo tanto que chega a machucar!
— Não, Joe.
— Você
também me ama. Tenho certeza disso. — Ele tomou as mãos dela.
Demi esperava ansiosa que Joe terminasse de falar, porque não conseguia mais
suportar aquilo.
— Essa doce
conexão entre nós sempre existiu. Desde a primeira vez em que a vi, no bosque
atrás de minha casa. Lembra-se da Jamaica? Do mar da Jamaica? Nosso relacionamento
é igual ao oceano. As marés mudam sem cessar. Uma hora estão calmas, depois,
tempestuosas. Mas não falha, estão sempre lá.
Demi já
esperava por aquilo. Igual a como aconteceu com Elliott. Desde o começo sabia
que ele a deixaria.
— É uma bela
analogia, mas não posso... Você é bastante persuasivo. Mas...
— Não faça
isso conosco, Demi.
— Não estou
fazendo nada. É você quem está me dando um ultimato. Não acaba de afirmar
“casamento ou nada”?
Ele estava
querendo mais do que ela poderia dar.
— Tentei
fazer as coisas a seu modo, mas não é suficiente. Quero acordar todas as manhãs
e sentir seu calor. Quero envelhecer a seu lado.
— Não creio
que possamos ter essas coisas.
— Sabe o que
eu acho? Está tão assustada que não consegue me ver como sou de verdade.
Era muito agradável
e seguro quando éramos
apenas amigos, não? Podemos ter amigos e manter uma
distância confortável deles. E quanto ao homem com quem você sai? Não é
necessário haver nenhuma profundidade emocional ali. Tudo bonito, tudo seguro,
nada para perturbar. Não doeu nem um pouco quando você rompeu com Elliott, não
foi?
— E quanto a
suas namoradas? Alguma vez houve envolvimento sério? Doeu muito quando terminou
com alguma delas? Não me faça rir!
— Pelo menos
eu admito isso. Você conserva todos afastados. Seus tios, Caroline e Frank. Eu.
Seus colegas de trabalho... Não muito antes de partirmos para a Jamaica, me
acusou de ser emocionalmente imaturo. Mas está na hora de parar e dar uma
olhada em si mesma. Sabe por que sou o último homem com quem você se casaria?
Esconda-se atrás de minha fama de conquistador, se isso a faz se sentir melhor.
Mas a realidade, Demi, é que não quer se casar comigo porque me ama, e isso não
fazia parte de seus planos.
Ela mantinha
a coluna reta. Caso contrário sabia que desmoronaria diante dele.
— Bem,
espero que agora você esteja se sentindo melhor. Eu não estou.
— Não é essa
a questão, e sim de salvar a nós dois.
— Então, sua
proposta continua irredutível? Casamento ou nada?
— Não vejo
outra saída.
— Bem, sendo
assim, acho que não há mais nada a dizer.
Joe se
ergueu.
— Você sabe
onde me encontrar, se mudar de idéia.
Os passos
dele ecoavam na calçada, ao se afastar. Diferente de quando seus pais a
abandonaram, desta vez, pelo menos, ela sabia que não haveria retorno. De algum
modo, aquilo tornou sua mágoa mais suportável.
~
Comentem, estou de olho... Amo vcs! Beijos ;*
Capítulo programado.



Eita mulher cabeça dura..... Acorda Demi.... continuaaaa....
ResponderExcluirQUERO BATER NELA!
ResponderExcluirEU AQUI CHORANDO HORRORES E ELA SIMPLESMENTE DEIXA ELE IR EMBORA ASSIM? CARALHO DEMETRIA!
VAI ATRÁS, VAI ATRÁS, BITCH 😭
xuxu, está perfeito!
MTA emoção pra mim...
bjos e posta logo ❤